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O magnífico e espaçoso terreiro de Pai James de Oxóssi e Mãe Vera de Oxum, situado à rua Suiça, no bairro Grande Vitória, estava no domingo passado mais uma vez organizado para receber filhos e convidados, adeptos e simpatizantes das autênticas religiões afro, para mais uma festa onde se vê toda a crença e beleza da Umbanda cultuada em Manaus.
Conversamos com Pai James, que nos explica os significados dessa maravilhosa festa em seu terreiro, e espalhamos aqui suas sábias palavras:
Na realidade essa festa é uma festa que a gente comemora todos os anos, no dia 17 de julho, o caboco João da Mata na cabeça da Yalorixá Vera de Oxum. Esse ano, aproveitando o ensejo, eu cultuo meu caboco Rompe Mato, mas por motivos de forças maiores, porque eu viajei, então eu aproveitei, na data da festa do caboco de minha mãe, pra fazer o meu também.
E então, trazido por Pai Ribamar, baixou o dono da festa, que veio fumar o seu charuto, beber suas bebidas, receber suas oferendas e abençoar a todos os presentes.
O caboco João da Mata é um caboco da minha mãe, que tem a função de curar, vem curar, minha mãe trabalha bastante com cura, até às vezes problema de loucura. Problemas que ocorrem por causa de entidades não zeladas, por exemplo. Ele é um mestre de cura. É um caboco de bandeira e é um curandeiro.
Em seguida logo veio também o outro homenageado da festa, Seu Rompe Mato, que chegou trazendo suas bênçãos e distribuindo-as a todos que aguardavam a sua presença.
O Seu Rompe Mato é quase a mesma coisa. O que muda é que Seu João da Mata é um caboco de bandeira e o Seu Rompe Mato é um caboco que ganhou título de Ogum. Ele é um Ogum das matas. Mas ele é um caboco que faz curas também. Ele é um quibandeiro, feiticeiro, guerreiro.
Enquanto a festa continuava, vários cabocos baixavam para compartilhar dessa festividade alegre e abençoada.
Para animar mais ainda, baixou Seu Josiano, trazendo seu vigor e sua alegria compartilhada nos pontos cantados e nos movimentos imprevisíveis.
Seu Josiano é um caboco de Nagô, irmão de caboco Risca, filho de Rei de Nagô. Ele é diferente, é festeiro. Geralmente ele abala ou chama as entidades da linha dele, ou até mesmo de outra linha, vira alguém, para que o caboco venha, para se manifestar, geralmente ele bota o chapéu dele. A gente vê um chapéu assim, parece não ter muito significado, apenas um enfeite, mas às vezes é um instrumento do caboco. Ele também é um caboco que trabalha na linha de cura, faz quimbanda.
E foi assim que Seu Josiano e outros cabocos passaram a virar os médiuns presentes e quando a madrugada chegou o terreiro estava cheio de diversos cabocos, que chegavam para comer, beber, cantar, dançar e abençoar a todos…
Pai James ainda nos falou da importância da Umbanda para o terreiro dele e de Mãe Vera.
O Candomblé que tem aqui em Manaus, é muito pouco tempo que ele existe, em vista de Salvador. Nosso axé é da Bahia. Aqui nessa Casa, nosso senhor é baiano. Eu sou filho de Ilídio Jorge Mascarenhas, da ilha de Itaparica, filho de Oxaguiã, da raiz de Opô Afonjá. Então, eu fui raspado por ele, minha mãe foi feita na Mina, depois teve de fazer obrigações no Candomblé. A gente teve a necessidade de fazer orixá, de passar para o Candomblé, mas não esquecendo as nossas raízes, de onde nós viemos. Nós começamos com a Umbanda, com maracá, banca de cura, logo depois tambores. Eu sou feito no Candomblé há 18 anos. Minha mãe tem mais de trinta anos no Candomblé, de Mãe de Santo. Mudaram algumas coisas, a gente só trabalhava com caboco, só com exus, agora não, a gente têm orixás, o que foi feito pra gente, temos de fazer nos nossos filhos também: raspagem, catulagem, saídas. Aqui em Manaus quase ninguém é Ketu puro; quase todo mundo veio da Umbanda, porque o Ketu puro não dá caboco, a pessoa fez santo, fica com o santo a vida toda. Na Umbanda não, a gente cultua exus, cabocos, que são chamados de catiços. Mas a gente não perdeu as origens passadas, continuamos fazendo aqueles toques de caboco, como essa festa de Umbanda, mas a gente tem as festas e as obrigações realizadas todo ano, e os filhos de santo são feitos e iniciados no Candomblé.


























































adorei paticipa da festa pois so filha de santo de pai james com muito orgulo e mãe vera
Márcia,
O terreiro de seu pai é realmente muito bonito, espaçoso, e essa festa que apreciamos lá foi maravilhosa. Com a permissão e bênçãos de Pai James e Mãe Vera, com certeza voltaremos muitas outras vezes.
Axé para todos de sua casa!
eu espero sim muitas vezes
Tenho muito orgulho em fazer parte dessa familia!
obrigado pelos elogios!
parabens a minha mãe Vera d Osun pela sua seriedade e dedicação.
asé a todos.