O presidente do Senado, ameaçado de perda do cargo, José Sarney (PMDB-AP), acrescentou mais um peso ao seu baixo-astral, que já se encontra tão baixíssimo. Desta vez, é a propriedade de uma casa em um dos bairros mais nobres de Brasília, na Península dos Ministérios, no Lago Sul em valor da bagatela de R$ 4 milhões.
Ora, ora, não seria nada demais se Sarney não fosse ‘político’ profissional de longas datas no ramo. Ramos antes da ditadura, ditadura (que bom para si ), e pós-ditadura que continuam a florescer. Não seria nada de mais se o “impoluto” senador não tivesse deixado de declará-la em duas eleições à Justiça Federal. As eleições de 1998 e de 2006.
Sentindo o lombo parlamentar cada vez mais se curvar, quase chegando ao estágio cruel de total impossibilidade de locomoção senatorial, o senador Sarney publicou nota afirmando que foi equívoco de seu contador que declarou à justiça Federal em 2006 a lista de seu bens de 1998. Na mesma nota, como forma de defesa, Sarney escreve que a casa não foi declarada em 1998 porque foi comprada em leilão em 1997, e o pagamento fora feito em parcelas. E que o registro de contrato de compra e venda foi lavrado em cartório em setembro de 1997, cuja formalização só ocorrera em escritura executada em 2007. E que no período antes de 2007 o imóvel esteve em domínio do proprietário antigo, o que permitiu que não fosse incluída na declaração de Imposto de Renda em 1998, e a Justiça Federal não fosse informada.
Qualquer brasileiro, por mais simplório que seja, quanto às questões da alcunhada política brasileira, sabe que toda esta marola que a direita parlamentar está remando, tendo na orla o senador “Orgulho do Amazonas”, Arthur Neto, o mais estereotipado dos senatoriais, e Heráclito Fortes, o “bom companheiro”, os ilustres do PSDB e PFL, o casamento mais perfeito da história reacionária do Brasil, tem um único objetivo: tentar sujar o governo “teflon” de Lula, onde nada gruda. Por isto, não é por menos que a mídia-sequelada baba tanto. Mas, convenhamos, Sarney, embora se queira “impoluto”, não está acima de qualquer suspeita. Um homem que serviu muito bem à ditadura, consegue ser ‘escritor’ e ‘político’, e ainda ter duas regionalidades, Maranhão e Amapá, por onde é senador, não é de se desprestigiar, mano. Ninguém tem o patrimônio que Sarney tem sem tanto talento, mano. E ninguém esquece que tem uma casa de R$ 4 milhões sem uma boa memória, mano.










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