Apesar do marketing e frisson em torno Floresta Amazônica, o “guerreiro de sempre” não conseguiu trazer tanta gente para prestigiar a 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) que acontece em Manaus-Amazonas, no campus da Universidade Federal do Amazonas, e termina hoje, com o tema “Amazônia: ciência e cultura”. Durante a abertura, que foi transmitida ao vivo do Largo de São Sebastião, houve farta distribuição de elogios e babações ao anfitrião desta badalada reunião científica, numa demonstração de que a ciência no Brasil (talvez não só no Brasil) está intimamente ligada à produção industrial em massa e repetição do que já está constituído, reificando e fortalecendo o estado de coisas. Não foi à toa que o “governador da floresta” recebeu um prêmio e é considerado pelos holofotes da mídia científica como “o governador da ciência e tecnologia”. É uma campanha que se arrasta desde o lançamento do Programa Zona Franca Verde e se consolidando com o estabelecimento da Fundação Amazonas Sustentável e o Bolsa Floresta. Simulações para capitalização da floresta.
DES-GOVERNOS POR TRÁS DO DISCURSO AMBIENTALISTA
Podemos lembrar que enquanto o governador estava fazendo palestras em Paris sobre a importância da floresta em pé, dos serviços ambientais para o mundo, as “mazelas amazônicas” continuam existido. E nesta lógica da troca mecânica, a poluição produzida pelos países ricos é um problema que a Floresta Amazônica resolve rapidamente com o “sequestro de carbono” (doravante nome de fantasia da nossa velha conhecida fotossíntese). Se, por algum descuido ou acaso da existência, os pesquisadores brasileiros e estrangeiros que estiverem aqui palestrando e ministrando cursos olharem para os lados e observarem a situação social da cidade, eles talvez tenham consciência da farsa e, quem sabe, em sua reunião final façam uma moção de repúdio ao descaso com que os governantes administram (?) esta cidade e este estado. E neste caso não há como velar, disfarçar a situação em que este estado, com seu governador falastrão, e esta cidade sem prefeito se encontra, ela só reafirma as falácias do circo formado: para se chegar ao campus é necessário passar por pontos intransitáveis da cidade, como por exemplo a Bola do Coroado, ou talvez quem sabe dar um passeio pelo PROSAMIN e sentir aquele cheirinho de podridão que vem se acumulando desde a construção do projeto ditatorial da Zona Franca de Manaus, um dos símbolos de campanha e de preocupação deste governo com o meio ambiente.
PQUENOS ESPETÁCULOS AMAZÔNICOS
A ciência progredindo e nem por isso baixou o preço do peixe. E por falar em peixe, ao visitarmos a Expotec, um galpão localizado no estacionamento da reitoria, encontramos o stand do MUSA (Museu da Amazônia) exibindo aquários com as Espécies amazônicas. Um projeto coordenado pelo físico Enio Candotti, ex-presidente da SBPC, a mais recente invenção megalomaníaca de cunho espetacular, que vai retratar apenas um “pedacinho da Amazônia”. Mais uma atração para compor o quadro turístico da cidade, como o Centro Cultural dos Povos da Amazônia, o Centro de Biotecnologia da Amazônia e outros…
INCÔMODDOS ALÉM DO CALOR DO CALOR DE 39 GRAUS
Ao passear pelos corredores da universidade, percebemos que não era apenas o calor que incomodava os pesquisadores estrangeiros. Havia algo mais. Havia o excesso de vigilância! A presença maciça da polícia militar e das Forças Armadas deram o toque que faltava ao evento. E por onde andavam os índios? O que a polícia militar do governador tem a ver com ciência e tecnologia? As pessoas se aproximavam do stand da polícia para ver o helicóptero usado em suas ações; além disso, o stand das Forças Armadas era o mais visitado de todos, havia sempre uma fila enorme para brincar de tiro ao alvo: um militar ensinava as pessoas a atirarem com armas “verdadeiras” que simulavam o ataque ao inimigo. Um recurso pedagógico para mostrar que o inimigo da Amazônia pode ser invisível, mas está lá! Num ritual de formalização da violência, que deixa fluir os microfascismos disseminados em todos os lugares. A Amazônia, semelhante ao Oriente dos Orientalistas, ainda é sinônimo do exótico, do índio genérico, do inimigo, do exército para proteger, do bicho empalhado e panfletagem, no mais requintado estilo do antropólogo clássico quando afirma que os trópicos cheiram a sexo e violência.
Será que o Progresso da Ciência está a serviço da violência e da simulação?










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