Abre essa cova, eu quero ver tremer
Abre essa cova, quero ver balancear
Maria Padilha das Almas
O cemitério é o seu lugar
É no buraco que a Padilha mora
É lá na rua que a Padilha vai girar
Clique nas imagens para vê-las de perto.
A Tenda de Santa Bárbara Cabana Nego Gerson, também conhecido como Terreiro de Pai João do Sibamba, afinal são 75 anos de idade, com mais de 50 dedicados ao culto da Umbanda. Mas deixemos que o próprio Pai João conte um pouco de sua trajetória nesse dia 30 de agosto, quando da Festa de Dona Gira, na qual Pombogira Maria Padilha completava 36 anos na cabeça de Pai João.
Eu tenho 75 anos de idade. Eu sou da Paraíba, me criei em Fortaleza, em Fortaleza me desenvolvi. De lá eu cheguei aqui em 66; moro há mais de 40 anos em Manaus. De santo, eu tenho mais de 50 anos. Quando eu cheguei em Manaus em 66, botei um centro lá na Cachoeirinha. Depois fui pro Coroado. Do Coroado eu trabalhei 14 anos com Umbanda em Porto Velho. Aqui nessa casa eu tô com 9 anos. O padroeiro da casa é Oxóssi.
O minha primeira entidade foi Nego Gerson Feiticeiro, quando eu tinha lá pelos meus 17 anos. Aí eu fiquei trabalhando com ele, desenvolvendo. Daí eu passei a ser perseguido pelo Sibamba. Como aqui no Amazonas o pessoal todo só procurava o Sibamba, aí começaram a me chamar de João do Sibamba. Seu Sibamba completou na minha cabeça 50 anos agora em junho passado.
De lá pra cá eu fiz um serviço para um senhor que era prefeito de Santo Antônio de Içá. Foi o primeiro serviço dela na minha cabeça. Foi resolvido. Ele ficou muito admirado. Eu pagava prestação da minha casa, aí um dia ele chegou na minha 7h da manhã, tinha vindo do interior, pra pagar o terreno pra mim. Ele pagou o terreno e disse que ia ajudar a fazer a casa do seu Sibamba. Aí foi quando nós começamos a fazer esse centro de alvenaria e organizamos tudo isso.
Pra animar mais ainda a festa chegou caboco Sibamba, o beberrão, sempre alegre, sempre brincalhão, um dos mais reconhecidos curadores em todo o Brasil. E junto com Sibamba outras entidades vieram firmar seus pontos.
Seu navio está em terra
A luz no mar já clareou
Seus marujos são de guerra
Sibamba bebo chegou
Ele vem no banzeiro da água
No tombo da maresia
A minha Umbanda é uma Umbanda limpa. Eu só trabalho na linha de Umbanda astral. Faço minhas obrigações de Exu. Quando eu vou fazer meu trabalhos, faço minha obrigações. Quando vou fazer serviço pesado, faço descarga de pólvora, sacudimento de pipoca, pra poder eu tratar do cliente. Eu não sei qual foi o serviço que foi feito, então eu tenho que descarregar o cliente pra aquele mal não cair dentro da casa também.
Dona Caldeirão na cabeça de Max, filho de Pai João.
Meus trabalhos são mais com Sibamba, Nego Gerson e Maria Padilha. Agora o atendimento vai de 5h da tarde e vai até umas 11h da noite, dia de sexta e dia de segunda. Tem época que dá muita gente, aí o atendimento começa 2h da tarde. Cliente meu, pode ser rico, pode ser pobre, na minha casa é um tamanho só.
E pra completar o axé do terreiro cheio de médiuns e entidades, Mãe Maria do Seu Jacaúna, filha de santo de Pai João, veio com seu axé para distribuir suas bençãos e receber a saudação dos presentes.
Os trabalhos que mais aparecem é com cura, remédio pra doenças e negócio de amarração. Não faço serviço assim com bode, trabalho pesado, eu nunca gostei de trabalhar. Quando a gente faz um trabalho pesado, fica um pouco de energia pesada na casa. A demanda fica e é preciso descarregar a casa pra não ficar aquele fluido mal. Por isso que eu pouco trabalho com Exu.
Foi então que baixou a homenageada do dia, Pombogira Maria Padilha das Almas, que, na ponta dos pés, veio cantar, beber, bailar, compartilhar com todos sua força e luz.
Ela é uma rosa que nasceu no meu jardim
Ela é uma rosa que nasceu na encruzilhada
É ela, Maria Padilha, Maria Padilha
Maria Padilha, a mulher de Lucifer
Essa foi a Festa da Gira. Todos os exu-mulher é Gira. Tem a Pombogira Maria Padilha, tem a Pombogira Cigana, tem a Pombogira das Águas. Dona Maria Padilha completou 36 anos na minha cabeça. Meu sobrinho veio de Roraima, porque no dia que ele nasceu au ainda não trabalhava com ela. Mais ou menos 3h da tarde ela me pegou no terreiro de casa. Me cortou todo, queria ver o menino, queria ver meu sobrinho que tinha nascido, filho da minha irmã que morava na minha casa. Aí levaram ela, a Dona Padilha no hospital pra ver o menino. E ela só saiu quando viu o menino. Isso faz 36 anos.
Dona Cigana debaixo de uma figueira
Ela sambava em cima de uma fogueira
Dona Cigana deu uma gargalhada
E chamou todos os Exus para sua encruzilhada
No Coroado eu tinha 45 médiuns. A Maria eu puxei da Cachoeirinha pro Coroado. Aí foi quando eu viajei pra Porto Velho, e as que podiam ter centro, eu fiz a banquinha. Quando eu abri aqui, eu queria trabalhar só, não queria saber de ‘média’ nem de ninguém. A Maria era que trazia as dela pra cá. Aí os meus clientes diziam: “Seu João, por que o senhor não bota umas média?” Aí foi quando eu comecei de novo. Tá com 6 meses, rapidinho já tenho 16 média. Além das média, tem aparecido muitas pessoas que me ajudam. Muitos clientes vem, eu faço uma caridade, e por meio dessa caridade a pessoa arranja mais outras pessoas, que acabam me ajudando muito.
Dona Cigana e Dona Maria Padilha.
Com a idade que eu tenho, os meus trabalhos direitinho, tanto tempo, pra mim me incorporar com o guia não precisa muita coisa não. Firmei o pensamento, ele já vem. E se for preciso o guia passa três dias na minha cabeça, mas porque eu já sou veterano. Pela lei, eu já sou babalorixá.Daqui, 31 de dezembro, eu ia trabalhar no Rio de Janeiro, só pra dar passe no pessoal. Fiz trabalho em São Paulo. O pessoal gostava de mim, me levava, doutor, trabalhei pra juiz que me levou pra trabalhar pra família. Hoje eu já tô mais cansado, já não quero mais andar por aí, quero mais é ficar no meu centro.
Dona Maria Padilha, já na cabeça de Marlene, e seu Zé Pelintra na cabeça de Socorro.
Dizem que pombogira é uma rosa
Que nasceu no meio dos espinhos
Pombogira é uma rosa, pombogira é um rosa
Que abre os teus caminhos
●●● TENDA DE SANTA BÁRBARA CABANA NEGO GERSON ●●●
— PAI JOÃO DO SIBAMBA —
Rua Maçarico, nº 119 — São José II (Manaus-AM)
Telefones: (92) 3249-7802 / 8152-5116
















































adorei as fotos ficaram muito bonitas….
olá querido gostaria muito de saber pontos do Sibamba vc pode me mandar?
Meire,
deixa-nos um e-mail que falaremos com Pai João e te enviaremos alguns pontos de Sibamba, que por sinal são dos mais bonitos e bem-humorados da Umbanda…
Axé!