A “Parada Gay”, como é do conhecimento internacional, não é um movimento com um único sentido de lutar pelos direitos eróticos/sexuais, visto que práxis sexuais, sejam homo ou hétero, são sempre realizadas, sem que ninguém possa impedi-las. A “Parada Gay” é essencialmente um ato político/social semelhante a outros movimentos de entidades que também tentam produzir suas próprias singularidades, como os negros, os índios, as mulheres, entre outras chamadas minorias.
Entendido desta forma – como reflexão de uma condição representada -, o ato político/social da “Parada” também não se restringe apenas às atuações dos adesivados de Gay. É também um processual coletivo que envolve todos que democraticamente tentam produzir uma sociedade em que cada um possa com sua singularidade ser agente histórico desta sociedade como liberdade de todos.
Daí as pessoas engajadas no ato político/social da “Parada” se recusarem à participar do confinamento imposto pelos governantes ao movimento – aceito candidamente pelos seus organizadores – excluindo-o das ruas, palco onde a história é produzida, aprisionando-o no interior de uma zona cinza, onde a alegria é substituída pela formalidade oficial, como qualquer evento empresariado com objetivo massificante definido. Mercadoria à ser consumida como objeto de entretenimento.Tudo que o Sambódromo proporciona como território de imobilização. Armadilha que parou o movimento gay que vinha de um crescente político/social nos desejos da população manauara. Quando se fazia visível no “Espaço da Aparência”, na fluidez contínua das ruas sob os olhos reveladores que não ocultam “o amor que não diz seu nome”.
De uma festa singular, metamorfoseou-se em um caricata alegoria desbotada cujos brilhos, os tons, os sons da alegria de uma mundo criativo, foram substituídos pela palidez da subserviência alienada. Nada de sonho, psicodelismo e realidade vivificante. Só temor, preocupação, deboche e violência. Nada que reflete o “Mundo Gay” que todos constituímos com sua turbulência e exuberância ativa.
Ao contrário do “Grito dos Excluídos”, que não se exclui das ruas (embora por uma vez tenha se excluído), a “Parada Gay”, ao se confinar não só agiu contra si mesma, mas também contra todos que sabem que a liberdade se produz nos territórios abertos dos diálogos políticos: as ruas. Territórios onde os preconceitos e os medos não podem se esconder para agirem ocultamente protegidos pela invisibilidade impulsionados por suas patologias.
Nisso, fica ecoando o brado de grande parte dos agentes/atuantes: “Lugar da “Parada Gay” é na rua! É na rua que a voz se faz e ecoa!”











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