A democracia representativa, como regime político determinado pelo Estado Ocidental, carrega um discurso que, embora tenha como fundamentação o conceito de direito do povo, também se constitui como corpo social clivado por uma moralidade que se mostra como seu próprio elemento interno antagônico. O que impede que a democracia representativa seja a expressão do conteúdo dos desejos de todos, e sim a expressão dos conteúdos de alguns.
Essa moralidade que cliva o corpo social se manifesta através das reações mitificadas e mistificadas que grande parte da sociedade carrega. São as reações supersticiosas e imaginativas que impulsionam esta grande parte da sociedade à dependência a uma personagem tomada por ela como uma espécie de benfeitor. Aquele que conduz o consolo, a recompensa, o alívio, a dedicação e o reconhecimento. Uma conduta que faz a superstição negar a fórmula do filósofo Hegel de que o real é racional, e o racional é real.
Percorrendo todos os quadrantes históricos do território Ocidental, essa moralidade dogmatizada se instalou como forma de consciência real e passou a ser o modelo de relações sociais que permeiam o regime democrático representativo. Fundada, então, como real, o sujeito-eleitor passou a ter um entendimento de que seu voto é uma força para confirmar e assegurar este real. Assim sendo, como o real não é racional, todas a tentativas de soluções perseguidas nessa sociedade são falsas, já que não sendo essa sociedade racional, os problemas ditos democráticos são falsos problemas.
OS FALSOS PROBLEMAS E OS EXPLORADORES
São considerados como falsos problemas aqueles cujas soluções não foram produzidas pelo desejo racional da sociedade, mas por forças do inebriamento que os elementos místicos e míticos impuseram à percepção e ao entendimento como realidade. E é nessa ordem da percepção e do entendimento ofuscados que emergem os candidatos que usam estes elementos como objetos de sedução do voto. É nesse zona fronteiriça entre o real e o supersticioso que agem, principalmente, os candidatos tele-sacerdotes. A zona inebriada do sofrimento, onde o voto encontra-se preso vitimado pela ausência de racionalidade.
É nessa zona que se tem que produzir outras formas de percepções e cognições, afetos e saberes, para que as forças mistificadoras e mitificadoras enfraqueçam para o voto emergir livre como potência racional democrática. E o sujeito-eleitor possa examinar sua situação no mundo e agir como sujeito-eleitor criador histórico da democracia. Caso contrário, mesmo com políticas públicas realizadas, ele se manterá na zona inebriada, sempre vitimado, e em posição passiva à espera dos tele-sacerdotes Sabino, Tabosa, Socorro Sampaio, Conceição Sampaio, Marcos Rota, Dirce Sales, Nonato Oliveira, Henrique Oliveira, e – esperamos que não -, os irmãos Souza.
Desta forma, emergido livre como sujeito-eleitor real até as forças opressoras comandadas pelos responsáveis pelas administrações das concessões públicas dos meios de comunicação enfraquecerão, e assim estas concessões se constituirão em produtoras da comunicação-cidadania.










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