Há diversas análises sobre o caso da agressão do governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, à sua namorada, mas todas apontam pra duas questões: o silêncio abafado da grande mídia e a importância que a divulgação do ato tem para Serra, que quer se consolidar como nome do PSDB à corrida presidencial.
O MICROFASCISMO DE AÉCIO
Segundo consta, a agressão ocorrera numa festa organizada pelo estilista Francisco Costa, da marca Calvin Klein, realizada no hotel Fasano, no Rio de Janeiro, no domingo 25 de outubro passado.
Há quem diga que a agressão foi testemunhada por diversas pessoas e até filmada, o que seria boa matéria para os jornais, capaz de encerrar os planos presidenciais.
Ao contrário, numa demonstração que tucano não é pinto, nenhum pio nos grandes jornais, rádios, televisões. A única temerosa referência está na página virtual de uma jornalista de moda chamada Joyce Pascowitch, naquele estilo de “conto o milagre, mas não digo o santo”.
“Um dos convidados mais importantes e famosos da festa que o estilista Francisco Costa, da Calvin Klein, deu na piscina do hotel Fasano, no Rio, nesse domingo, acabou estrelando uma cena que deixou todos os convidados constrangidos.
Visivelmente alterado, ele deu um tapa na moça que o acompanhava – namorada dele há algum tempo. Ela caiu no chão, levantou e revidou a agressão. A plateia era grande e alguns chegaram a separar o casal para apartar a briga. O clima, claro, ficou muito pesado.”
Dizem que, além dos negócios políticos-midiáticos entre direita e imprensa, tudo a ver, Aécio, assim como Serra em São Paulo, é impiedoso com jornalistas que atrapalham seus propósitos. Mas há quem diga também que Joyce é mui próxima de Serra, e que ela estava apenas como que ajeitando a bola na marca do pênalti para outro marcar o gol.
KFOURI ARMA O JOGO TRAPACEIRO DE SERRA?
Como um pênalti que ninguém queria bater, coube ao jornalista esportivo Juca Kfouri, que, em seu blog, com o petardo título “Covardia de Aécio Neves”, descreve a cena que a modista descrevera, mas citando os atores. E prossegue num golaço de placa, lembrando das violências de Fernando Collor à Rosane Collor:
“A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.”
Ora, seria apenas mais uma das tantas notícias que a grande mídia tenta abafar e que acabam espalhadas pela blogosfera. Mas acontece que, tal qual o governador, Juca Kfouri torce pro PSDB. E mais: Juca é paulista. E mais ainda: Juca é serrista. Oh, Juquinha!
Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, faz uma análise detalhada da forma da notícia veiculada por Juquinha e suas possíveis repercussões políticas.
“Juca é um jornalista bem informado. Por que qualificar Aécio como ‘governador que luta para ter jogo inaugural da Copa em BH’?
Ora, a maneira correta seria definir Aécio como ‘o governador que disputa com Serra a indicação do PSDB para concorrer a presidência’.”
De qualquer sorte – até que ponto? –, muitos apontaram que Serra, que gosta de atirar, com a ressurreição das finadas baboseiras de Fernando Henrique no dia de finados, é como o caçador elitizado que caiu na própria armadilha, já que surge logo a comparação dos mirrados feitos do governo FHC diante do incomparável governo Lula em todos os setores. Mas talvez o morto-vivo FHC queira apenas disseminar a morte entre os seus, ou melhor, o seu renegado – Aécio Neves – em favor do seu escolhido – Serra. Juquinha está também nesta jogada?
Ontem, o jornalista Luiz Antônio Magalhães, do blog Entrelinhas, fisgou de um jornalista sequelado, que conversara com várias pessoas que estiveram na festa, as quais relataram não saber do ocorrido. E a própria namorada de Aécio afirmara:
“Isso é uma nojeira. Não aconteceu nada. Meu azar foi me apaixonar por um político.”
O MACHISMO DO PSDB E A DEMOCRACIA-MULHER
Ocorrida ou não a agressão – e na Era da Imagem, ou, pior, Era da Velocidade, como quer Paul Virilio, onde a verdade fabricada e difundida nunca mais será desfeita -, para o PSDB, a jogada foi pior do que, precisando empatar o jogo, marcar um gol contra no último minuto da decisão do campeonato.
Se for comprovada a agressão, mesmo que a namorada seja conivente, não denunciando (como é sabido de diversos casos pelo Brasil de violência contra a mulher advinda de governantes e parlamentares), como político, o Ministério Público pode formalizar denúncia e Aécio poderá ser enquadrado por decoro parlamentar. De qualquer forma, mesmo que não venha a ser denunciada de forma nenhuma, em tempos da fundamental Lei Maria da Penha, a população não esquecerá o microfascismo de um dos principais nomes do PSDB para as próximas eleições, e Aécio Neves verá seu nome dissolver-se como flocos de neve num calor de quarenta graus.
Se for armação de Serra e dos serristas, dá na mesma. Demonstra com que macrofascismo o PSDB resolve suas decisões internas. Há muito é conhecida a tirania com que Serra lida com qualquer um que lhe queira fazer oposição, dentro ou fora do partido. De fora, pode perguntar a Ciro Gomes; de dentro, a Alckimin na eleição presidencial passada. Se for comprovada a trapaça, comprovar-se-á também que Serra é tão tirano que não precisa de inimigos: ele mesmo serra suas próprias possibilidades e desaba.
De uma forma ou de outra, na hora de bater o decisivo pênalti, os pernas-de -pau do PSDB correm os dois para a bola e ambos escorregam numa poça de lama, chutando a bola para fora do campo. Ficando, assim, fora do campeonato.
Enquanto isso, a democracia, feminina em seu devir, não quer nenhuma proximidade com o machismo da direita canhestra e truculenta, sempre no jogo-do-não-jogar, sempre apelando pro tapetão, quando não pro bofetão.










1 Resposta para “AGRESSÃO DE AÉCIO À NAMORADA NA CAMPANHA DE SERRA À PRESIDÊNCIA?”