Em programa que será apresentado no dia 11 de novembro, com as participações dos jornalistas Luiz Carlos Azedo, âncora do programa, Kátia Seabra, da Folha de São Paulo, e Ricardo Kotscho, da revista Brasieiros, a TV Brasil entrevistou no fim da semana passada o Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. Durante a entrevista, Stédile falou sobre a invasão da fazenda Cutrale, as Organizações Não-Governamentais (ONG’s), a CPMI do MST, a mídia, a agricultura familiar e o governo Lula diante da reforma agrária.
Sobre a ocupação da fazenda Cutrale
“Foi uma atitude desesperada das famílias que ocupavam a fazenda. Com a notícia do próprio INCRA que a área é da União, desde 1910, naquele clima de indignação, alguns dos companheiros pegaram o trator e destruíram os laranjais.”
Sobre o trabalho tendencioso da mídia
“Evidentemente que foi um equívoco, porque a direita e os órgãos de comunicação deste país, que servem à burguesia brasileira, se utilizaram daquelas imagens, que foram gravadas pelo serviço de inteligência da PM de São Paulo, com uso de helicóptero, e nos execraram na opinião pública. Nenhum militante entrou nas casas dos funcionários. Aquilo lá foi armação da polícia e da Cutrale, sobretudo da Cutrale. Quem fez o serviço (de entrar nas casas) não foi o MST. Ou seja, tem uma hora aí de espaço. Nós saímos, deixamos tudo bonitinho, não mexemos nas casas. Aí ficou a polícia sozinha com a Cutrale dentro da fazenda por uma hora. Aí depois dessa hora veio a imprensa.”
Sobre a CPMI
“A CPMI é uma armação. Eles fizeram uma matéria da Veja com dados requentados de três anos. Com a matéria da Veja, convocaram a outra CPMI. Aí nós derrubamos, porque era sintomático. Aí com a ocupação da Cutrale, você acha que por uma ocupação, por algumas laranjas vale a pena abrir uma CPMI? Então é melhor abrir uma CPMI aqui na Assembleia Legislativa de São Paulo para saber por que que a Cutrale tem aquela área grilada.”
Sobre as ONG’s
“Desde o Fernando Henrique, o governo contrata ONG’s para fazer o serviço que deveria ser do Estado. E que recebem dinheiro público. Esse dinheiro vai lá para resolver um problema concreto, ou de escola, ou de contratar agrônomo, ou de fazer casa, ou de fazer medição, ou luz elétrica. Quem organiza essas ONG’s, às vezes, são grupos de agrônomos, às vezes têm até jornalistas, é iniciativa da sociedade. Todo dinheiro é fiscalizado primeiro pelo INCRA, depois pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Depois pelo TCU, de todos esses recursos que não têm a ver conosco. A nossa posição é que isso é esdrúxulo. Somos contra isso, nós dizemos já ao Lula: pelo amor de Deus pare com essa história de ONG’s, faça com que o Estado consiga fazer isso.”
Sobre a Agricultura Familiar
“A reforma agrária, como um programa realmente universalizado, que chegue a milhões de trabalhadores, é só quando o governo brasileiro e a sociedade priorizarem a agricultura familiar. E hoje há esse embate entre esses dois modelos (agronegócio e agricultura familiar), e não há uma prioridade clara de dizer a agricultura familiar é política de governo.”
Sobre a Reforma Agrária no governo Lula
“Em alguns aspectos, ela ficou para trás, como o ritmo de desapropriações no Nordeste, Sul e Sudeste. O governo continuou priorizando a Amazônia. Em outros aspectos, ela avançou muito, com o Luz Para Todos, um outro programa de moradia, que é insuficiente em números, mas o programa é bom. É um balanço equilibrado, é bem melhor que na época do Fernando Henrique, mas ainda insuficiente para enorme demanda de pobres que o campo tem.”










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