“Negro é a raiz da liberdade”, cantaram Nilze Carvalho e Sururu na Roda, trecho da música Sorriso Negro, que contagiou a plateia ao se iniciarem as festividades, depois das cerimônias de abertura da Semana da Consciência Negra, caracterizada pela símbolo de luta, realizada no Palácio da Cidade no Rio de Janeiro, que contou com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos.
“Quero lembrar aqueles que começaram essa discussão, na década de trinta, derrubando o mito da igualdade racial no Brasil e apontando a invisibilidade e a exclusão da população negra. A desigualdade vem desde a Abolição da Escravatura, sem que os negros tivessem acesso à terra, ao trabalho e à educação”, discursou entusiasmado o ministro Edson Santos. O ministro lembrou também que 46% dos jovens negros vítimas de mortes não naturais são assassinados. Lembrou ainda que o dia 20, Dia de Zumbi – projeto de sua autoria quando vereador -, que é comemorado como feriado em mais de 700 cidades, é “dia de reflexão sobre a inclusão social, e não dia de descanso”.
Por sua vez, a secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, representando o governador Sérgio Cabral, depois de enaltecer a política de elevação da dignidade negra desempenhada pelo governo atual como fator de vanguarda na causa negra, disse: “A cidade do Rio de Janeiro não tem medo nem temor de travar essa discussão. O estado do Rio de Janeiro implementa uma política de igualdade racial com cidadania, em parceria com a prefeitura e com o governo federal”.
Por seu lado, Paulo Roberto dos Santos, presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro, no mesmo entendimento de Bendita sobre a política do Negro no estado, lembrou que além da criação do Dia do Zumbi e da Consciência Negra, o estado do Rio de Janeiro criou também a Lei estabelecendo o Candomblé como patrimônio imaterial da cultura e do povo fluminense. Falando sobre a luta contra a segregação racial, disse: “Nelson Mandela acreditou na luta, Martin Luther King disse I have a dream (Eu tenho um sonho), Barack Obama disse We can (Nós podemos). Esta é a nossa luta, pelo fim da segregação, pela adoção do sistema de cotas em todo o país”.
Em total comunhão com a festa negra, Denny Glover, ator norte-americano, fez entusiasmado discurso com ênfase ao sucesso do Brasil no contexto internacional.
“O Brasil das grandes possibilidades é o lugar ideal para as mudanças que perseguimos. Nenhuma mentira dura para sempre, e nossa jornada é longa porque o que queremos é importante. A igualdade racial está nos lábios de todos ao redor do mundo, a discussão vem de baixo para cima, todos somos essenciais para essa mudança de paradigma, de como nós pensamos nós mesmos.”
No mais, foi só festa e confirmação da negritude como ontologia da liberdade, como disse o filósofo Sartre.











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