O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) é um estudo desenvolvido pelo Observatório de Favelas, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) divulgado ontem, apresentando índices preocupantes. Entre eles, a estimativa de que cerca de 33 mil assassinatos entre jovens de 12 a 18 anos ocorrerão no período de 2006 a 2012.
A SEDH, através de sua subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, reconheceu a falta de políticas públicas para se evitar a violência contra os adolescentes, e comprometeu-se em buscar dialogar mais fortemente com os governos municipais e estaduais para diagnosticar focos e motivos dos altos índices de violência e estudar as possibilidades de intervenção para impedir que essas violências aconteçam:
“Isso significa que teremos 13 mortes diárias por assassinatos de adolescentes. Considerando a preocupação brasileira com a gripe suína, em que cada morte é contabilizada dia a dia, é importante que a sociedade tenha a mesma indignação e preocupação com essas vidas perdidas na adolescência.” (Agência Brasil)
Seguindo essa análise, o professor Inácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, observou que os poderes públicos acabam interessando-se mais em preservar o patrimônio público do que em priorizar a vida. “Está na hora de o Brasil mudar suas prioridades”, avaliou ele.
“MENINOS NEGROS FAVELADOS”
O estudo também revela que o risco de ser assassinado na adolescência é 2,6 vezes maior para negros em relação a brancos e é 11,9 vezes maior para adolescentes do sexo masculino que do sexo feminino.
Quem fez essa observação foi Raquel Willadino, coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal do Observatório de Favelas: “são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos. Segundo ela, há ainda forte relação com o tráfico de drogas”.
TOMADA DE POSIÇÃO
Pelas características dos adolescentes descritas acima, sabe-se que o problema da violência contra os jovens brasileiros é histórico, vindo no rastro da escravidão e secular favelização do Brasil, sendo antes de tudo de ordem institucional.
Mais do que os alarmes quanto à situação, revelada agora neste estudo fundamental, mas há muito conhecida de quase todas as comunidades das cidades brasileiras, o IHA serviu como o primeiro documento que coloca essa situação de forma real, numa perspectiva de ações para fragmentação dessa realidade objetiva massacrante e revelação de uma outra realidade.
Por isso, é fundamental a forma com que Lula observa a questão: “Acho que é verdade, que ainda faltam muitas políticas públicas para que a gente comece enfrentar o problema da violência.” Ele salientou a necessidade de criar trabalhos adequados para os jovens e, principalmente, para os pais desses jovens, estando a questão, nesse caso, muito ligada às questões de desestruturação familiar.
Ou seja, a partir desse estudo, é necessário e urgente a tomada de posição na criação de projetos distantes de simulações policialescas e paliativas (como o Galera Nota 10, em Manaus) e que, ao contrário disso, promova a possibilidade de oportunidades para que os jovens utilizem sua alegria e sua inteligência de forma atuante que não possa ser interrompida em seu movimento.
“O pior crime dos homens maus é interromper
a infância das crianças.”
(Jean-Luc Godard)








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