Arquivo para a categoria 'Afro-Afin'

AS ÁGUAS E O PILÃO DE OXALÁ NO BARRACÃO DE PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN

Pai Geovano Oxalá 01 por você.

Mais uma vez o magnífico Ilê Axé Ajagùnnọn, conhecido como o barracão do inconfundível Pai Geovano de Ajagùnnọn, que estava lá pra receber com sua característica alegria, ternura e vitalidade os filhos e convidados que compareceram aos dois dias de ritual de abertura dos trabalhos da casa para o ano de 2010.

Pai Geovano Oxalá 06 por você.

Pai Geovano Oxalá 05 por você.

Quem também estava lá era o lendário Pai Ribamar de Xangô para puxar o ilê com seu ritmo em cantar as rezas e a harmonia de seus movimentos em dançar para os orixás.

Conversamo com Pai Geovano, que explicou o significado desta festa fundamental para a abertura dos barracões de Candomblé.

A festa significa as águas de Oxalá. O retorno do asilo de Oxalá pra casa. Reza-se a lenda, uma lenda muito conhecida, que, resumidamente, diz que Oxalá ficou preso sem que ninguém soubesse, no reino de Xangô, e por isso o reino de Xangô passava por grande miséria. Muita seca, as mulheres ficaram estéreis, os bichos morreram todos, porque Oxalá tava preso. Quando Xangô descobriu que era Oxalá, o próprio pai que estava no cárcere, ele deu como que um feriado para a cidade toda, e todo mundo teria que ir buscar água na fonte pra lavar Oxalá, pois ele estava muito sujo. Fizeram isso e depois fizeram uma procissão, carregando Oxalá para o castelo dele, e assim trazendo com ele prosperidade, paz, saúde.

Pai Geovano Oxalá 04 por você.

Pai Ribamar distribui as varinhas para o início da Guerra de Atori.

Pai Geovano Oxalá 08 por você.

Pai Geovano Oxalá 09 por você.

É isso que nós fazemos hoje em dia. Fazemos as águas de Oxalá, representando o que aconteceu, derramando a água dentro do assentamento de Oxalá e derramando no próprio Oxalá. A água simboliza a calma, a pureza do próprio orixá Fazemos uma procissão, representando a vinda de Oxalá pra casa. E fazemos também o pilão de Oxalá, que já é da parte de Oxaguiã, trazendo também prosperidade e caminhos abertos pro povo.

Pai Geovano Oxalá 10 por você.

E Pai Ribamar, auxiliado por Mãe Valkíria, comandou a distribuição da deliciosa e santificada comida de Oxalá.

Pai Geovano Oxalá 13 por você.

Essa comida é inhame com frango desfiado, é aluá, é canjica de milho branco, acaçá doce, arroz com camarão. Só comida de Oxalá mesmo. Comida branca, sem dendê. A gente faz o que dá pra fazer, porque a variação de comida de Oxalá é meio curta. No Candomblé, geralmente as comidas são bem apimentadas. No caso de Oxalá, não. Tem de ser comida fria, sem dendê. Se tiver azeite, sim o português, não o de dendê. Mas tinha o bolo de inhame e tinha o inhame pilado com frango, que são comidas de Oxaguiã batata portuguesa cosida e amassada feito bolas, tinha arroz com camarão, tinha arroz doce, que são também comidas de Oxalá.

Pai Geovano Oxalá 16 por você.

Pai Geovano Oxalá 17 por você.

Pai Geovano Oxalá 18 por você.

Pai Geovano Oxalá 21 por você.

Todos os terreiros deveriam fazer isso. Todos os terreiros deveriam abrir a casa, abrir os trabalhos da casa com esta festa. As pessoas ainda não estão muito acostumadas a louvar orixá como deve ser. É uma festa que por aí fora acontece o mesmo todinho, pra poder chegar a etapa das Águas de Oxalá, Pilão de Oxalá, a Guerra de Atori. Não estão muito acostumados ao estilo Candomblé mesmo. Estão acostumados a misturar o Candomblé com a Umbanda, e a gente não sabe mas nem o que é. Devemos fazer uma coisa de uma forma que depois os outros não possam dizer que estamos misturando tudo. Candomblé, Candomblé. Umbanda, Umbanda. A mesma coisa os umbandistas, cultuar Umbanda sem misturar o Candomblé no meio. Ou então misturar o Candomblé, porque eles tentam misturar, mas não sabem muitas vezes o que estão fazendo.

Pai Geovano Oxalá 24 por você.

Trazido por Pai Ribamar e Oxaguiã, Jadilson de Oxalá, ogan de Oxalá, em sua obrigação de três anos.

Pai Geovano Oxalá 25 por você.

À esquerda, Carlos Jorge, que é filho de Obaluaê e Oxalufan e, à direita, o yaô Everton de Oxalufan em sua obrigação de 3 anos.

Pai Geovano Oxalá 26 por você.

Pai Geovano Oxalá 29 por você.

À esquerda, o salto de Oxaguiã na yaô Léa, também em sua obrigação de 3 anos.

E Oxaguiã passou a distribuir as flores de Oxalá para os convidados da casa, que se regozijaram ao receber a rosa branca e as bênçãos de Oxalá.

Pai Geovano Oxalá 31 por você.

A festa foi ótima, foi muito boa, muito farta, com se viu. Teve pessoas convidadas que não foram por motivo de doença, outras não foram porque não quiseram, e todo mundo tem a sua variação de vontade. Então a gente não pode condenar ninguém. Só pode muito é agradecer as pessoas que foram. A paciência de todo mundo, as pessoas que ajudaram, principalmente. Pra mim foi maravilhosa. Do meu ponto de vista, foi uma das melhores festas que eu dei na minha casa, muito cheia de axé, muito cheia de paz, de tranquilidade, onde você uma alegria em tudo e todos. Eu só tenho agradecer a todo o povo de Candomblé, dos cultos afro que participou e constatou as Águas de Oxalá. E também aos simpatizantes, porque tinha muita gente simpatizante, essa é a verdade, muita gente que está querendo entrar pra casa, gente que quer ver como é, muitas pessoas que ouvem falar da casa e querem também ver como são as festas. E foram, confirmaram, comprovaram, não tem bagunça, todo mundo com seriedade fazendo a parte que lhe toca. E no fianl todo mundo come, todo mundo bebe, se diverte e vai pra casa satisfeito com energia renovada, com a benção dos santos.

Pai Geovano Oxalá 35 por você.

Da direita para a esquerda, Pai Ribamar de Xangô, Jair de Xangô, Emerson de Oxóssi, Kinamê de Xangô e o Pejigan Ivo da casa de Pai Gilmar.

Pai Geovano Oxalá 34 por você.

E como não ficar atingir essa serenidade de que fala Pai Geovano, com todo esse ritual maravilhoso de fé, vigor e alegria nas rezas, nas danças, em todas as partes do ritual, e, finalmente, terminando com esse maravilhoso, delicioso jantar de comunhão com toda a pujança daqueles que comungam dos cultos afro-brasileiros, que, além de uma religião, é uma manifestação cultural e histórica autêntica de nosso povo? Ainda mais com todo esse axé da casa de Ajagùnnọn…

Exu Onã e Exu Oritá, respectivamente da esquerda para a direita, exus guardiões, que estiveram desde o início e que continuarão durante todo o ano guardando o Ilê Axé Ajagunnon.

Pai Geovano Oxalá 38 por você.

●●●PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN●●●

Travessa Guape, nº 173 — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3682-5727 / 3638-7472 / 8111-5335

TODAS AS OBRIGAÇÕES DO YLÊ AXÉ SESU TOYÃN

Mãe Valkíria 14 Anos 01 por você.

Clique nas fotos para vê-las de perto.

Mais uma vez Ylê Asé Sesu Toyãn, o terreiro de Pai Gilmar, estava em todo o seu esplendor, com todos os filhos da casa preparados para receber os convidados em mais uma grandiosa festa. Ao todo foram cinco obrigações, que ocorreram em dois dias, domingo e segunda passados, no qual quase todos os orixás passaram pelo ilê, recebendo suas homenagens e deitando suas graças aos presentes.

Mãe Valkíria 14 Anos 02 por você.

No domingo, vê-se o pilão de Oxalá posto na sala, conforme explica Mãe Valkíria, porque o Mauro César, que estava fazendo três anos, vestiu Oxalá, no caso o Oxalá velho, Oxalufã, então Pai Gilmar arriou o pilão, que ficou durante todo o ilê, completo, só saindo no final da festa.

A saída de Oxalá de Mãe Valkíria de Iansã, fazendo suas obrigações de 14 anos, eIgor de Ogum Xoroquê, na sua primeira obrigação.

Abaixo o reconhecido e respeitado Pai Gilmar, Fômu de Iemanjá, levando Iansã pelo salão.

Mãe Valkíria 14 Anos 05 por você.

Ogum Xoroquê, carregando dois falos. Mãe Val explica que “Ogum Xoroquê é uma qualidade de Ogum cruzado com Exu. Ele é mais Exu do que Ogum. Você vê que todas as paramentas que ele carrega são de Exu, ele sai com tridente, ele sai com esses falos, porque as ferramentas dele são ferramentas de Exu”.

Mãe Valkíria 14 Anos 06 por você.

Abaixo, à esquerda,Carla da Oxum, também na primeira obrigação, em sua saída de luxo.

E conversamos com Mãe Valkíria de Iansã, que fala sobre sua obrigação, da satisfação na amizade com seus irmãos e do carinho e dedicação de Pai Gilmar, entre outros temas que demonstram o seu zelo e responsabilidade pelos cultos afro-brasileiros.

“Eu tô fechando meu ciclo, com minha obrigação de 14 anos, então eu tenho um grau mais alto dentro da vida espiritual. Dentro do Ilê Axé Sesu Toyãn, que é do meu pai, Gilmar. Meu oyê eu dei dentro da minha casa, e minha obrigação eu tô dando dentro da casa dele, junto com meus irmãos de santo: o César, a Carla, o Mateus e o Igor. Três com obrigação de 1 ano e um com com obrigação de 3 anos. Nós fizemos todos juntos também pra dá menos trabalho pro meu pai, mas pra mim foi uma satisfação ter dado minha obrigação junto com meus irmãos e dentro da casa dele.

Mãe Valkíria 14 Anos 09 por você.

Pai Odair acompanhando Iansã ao redor do pilão.

À direita acima e abaixo, Mateus de Xangô, o orixá da Justiça, com suas machadinhas, seus raios, trovões, tempestades e suas pedreiras.

Mãe Valkíria 14 Anos 12 por você.

“Eu comecei no Candomblé com o Pai Ribamar de Xangô, com quem fiz a minha feitura, dei a minha obrigação de 1 ano e recebi um cargo na casa dele de aquequerê. Aí eu saí da casa dele, e foi quando eu fui para a mão de Pai Gilmar, e aí dei a minha obrigação de 3 anos, dei o meu oyê e agora a minha obrigação de 14 anos. Peço a Olorum que abençoe ele, que dê muitos anos de vida pra ele, pra que ele seja sempre esse pai. Sem Pai Gilmar o que seria de mim? Pra mim foi muito bom está até hoje na mão dele. Eu estou alegre, satisfeita, pois eu entrei doente pra dar minha obrigação e hoje eu tô com saúde. Eu só tenho a agradecer ao meu pai.

Abaixo, Oxalufã na cabeça de Mauro César da Oxum, na sua obrigação de 3 anos.

Mãe Valkíria 14 Anos 15 por você.

E na segunda-feira a festa continuou com a mesma força nos orixás que vieram regozijar-se das oferendas oferecidas e deixar suas bênçãos a todos, sendo mais um dia em que a espiritualidade reinou no Ylê Axé Sesu Toyãn.

Mãe Valkíria 14 Anos 16 por você.

“Faz 10 anos que eu tenho terreiro aberto, casa feita. Eu vim da Umbanda. Eu tô fazendo 14 anos de feitura no Candomblé, mas na Umbanda eu tenho bem mais. Com a Dona Mariana, faz mais de 20 anos que eu trabalho com ela. Meus orixás, eu sou de Iansã com Iemanjá, e sou feliz com meus orixás. Eu amo meus santos. Eu gosto muito da minha vida espiritual e vivo da minha vida espiritual. Dou a minha alma à minha espiritualidade, então pra mim é uma satisfação. Tenho êxito em tudo o que faço pela minha Iansã, pela minha Iemanjá, com o meu Ogum. Toda a minha vida eu tive êxito com os santos. Pra mim todo o tempo é vitória. Não tem quem faça eu sair da minha religião, a minha religião é essa e acabou-se.

Mãe Valkíria 14 Anos 19 por você.

Pai Olegário, acima, com alguns filhos de seu bonito ilê, e abaixo, levando Iemanjá, na cabeça de Mãe Valkíria, para mostrar seu luxo no salão. Mãe Val explica: “Ele sendo um babalorixá, ele é padrinho do meu pai, e também porque ele era um dos mais velhos na casa, há muitos anos dentro da religião, por isso o pai deu preferência pra ele dançar pra homenagear os santos”.

Mãe Valkíria 14 Anos 20 por você.
Mãe Valkíria 14 Anos 21 por você.
Pai Augusto de Oyá recebe de Mauro da Oxum, na sua segunda saída, o apeté, constituído, segundo Mãe Val, de “umolocum, que é uma comida feita com feijão fradinho, camarão, azeite, português, cebola, ovo, entre outros ingredientes, que Oxum distribui na sala para as pessoas comerem, pedindo axé, pedindo saúde, pedindo emprego, amor, o que você deseja receber nas graças”.

Mãe Valkíria 14 Anos 22 por você.
Mãe Valkíria 14 Anos 23 por você.
E Iemanjá, acima, e Oxum, abaixo, tomam seus banhos de rosas, perfumes e outros maravilhosos  aromas.
Mãe Valkíria 14 Anos 26 por você.

“A festa foi maravilhosa, muita paz. Não tivemos problemas nas nossas obrigações, mesmo sendo várias ao mesmo tempo. Foi ótimo, meu pai está de parabéns. Eu só tenho que agradecer a Deus por ele ser esse pai caprichoso, humilde, e valorizar a religião. Ele dá muito valor à religião. Ele dá muito valor ao santo, ao que ele faz, ele é muito dedicado ao santo, ele vive pro orixá. Tudo o que ele faz ele faz com dedicação, com amor, com carinho. Pelas fotos você já vê que é Gilmar. Você percebe o que é Gilmar dentro da vida espiritual da gente. Então eu só tenho que agradecer a ele, agradecer ao Olegário, às pessoas que estiveram na festa e também às que não foram.”

Depois que os orixás se foram, chegaram os erês brincalhões e fotogênitos. Atrás de todos, Brasa, erê de Iansã, na cabeça de Mãe Valkíria.
Mãe Valkíria 14 Anos 29 por você.
A afetuosa Mãe Valkíria, ou apenas Mãe Val, como carinosamente lhe chamam seus irmãos, agradeceu os trabalhos desse bloguinho junto aos cultos afro em Manaus:

“Agradeço a você também por sair da sua casa pra tá cobrindo a nossa religião, que é tudo pra nós. Agradeço, por isso, do fundo do coração. Que Iansã, que Iemanjá sempre lhe abençoe e abra seus caminhos, lhe dando muita força, muita luz, muita prosperidade, que elas lhe deem muito axé!”

Nem precisa agradecer Mãe Val, a posição deste bloguinho é que manifestações religiosas autênticas como essas devem ser respeitadas e respaldadas em sua beleza e integridade. Por tal, nosso empenho em entrar em proximidade com os cultos afro na cidade de Manaus.

Por sua vez, agradecemos ao fotógrafo Melo,  que é filho de santo de Mãe Val, que cedeu a maioria das fotos postadas nesse trabalho (como se pode observar nas referências das fotos), uma vez que não pudemos comparecer no domingo devido a atividades na sede da AFIN.

Além de ser fotógrafo profissional, para casamento, batizado e outros eventos, sendo adepto dos cultos afro-brasileiros, Melo tem facilidade de capturar as imagens essenciais de um ilê, de uma festa de caboco, exu e outras dos cultos afro-brasileiros.

A quem necessitar, fica o celular (92)9105-6134.

Mãe Valkíria 14 Anos 30 por você.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

AFROS COBRAM PLANO DE PROTEÇÃO À LIBERDADE RELIGIOSA

Cobrando o lançamento do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa, cuja apresentação do documento estava prevista para o dia 20, mas foi retirado pelo governo federal, os representantes das religiões afro abriram a passeata do Fórum Social Mundial.

Para Babadiba de Yemanjá, religioso do estado que possui o maior número de representações afro, o Rio Grande do Sul, o governo federal reteve a divulgação do Plano por causa das pressões de setores da Igreja Católica e das Evangélicas: “Argumentaram que não era possível nenhum constrangimento nesse momento de eleições”, analisou.

O Plano trata de ações para regularização fundiária de terreiros, medidas para dar segurança aos cultos e às imagens, e políticas nas áreas de educação e preservação da história. O Plano, que também conta com uma campanha para dar mais visibilidade ao movimento das religiões afro, e que conta com a participação de várias entidades – inclusive a AFIN -, tem como lema a enunciação: “Quem é de Axé diz é!”

Mas a comunidade de terreiros, diante da retirada do documento, promete tomar uma atitude. “Temos uma reunião marcada com as lideranças para discutir e definir ações para pressionar o governo federal”, se posicionou Babadiba.

Respondendo à posição dos representantes das religiões afro quanto à retirada do documento, a assessoria de imprensa da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Sappir) afirmou que o governo federal retirou-o porque “o documento não tinha sido devidamente pactuado com outros ministérios”. Entretanto, para a Secretaria, a apresentação do Plano deve ocorrer ainda esse semestre.

LANÇAMENTO DO CD “LEGIÃO BRASILEIRA DE CAPOEIRA”

Zumbi, Zumbi, Zumbi dos Palmares

Valente, guerreiro de Coragem

Vou jogando capoeira

Eu só quero é vadiar

Sou Legião Brasileira

De Zumbi eu vou lembrar”

Capoeira CDLB 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Este foi o evento do lançamento do CD do Grupo Legião Brasileira de Capoeira, o primeiro lançado pela filial do grupo em Manaus, sob a coordenação de Mestre Cristiano.

Enquanto entremeamos trechos das músicas do CD, pra começar, Berimbal e professor Duende fizeram soar os berimbaus e o jogo foi bonito e animado na grande roda que se formava no Colégio Brasileiro Pedro Silvestre, no Centro de Manaus.

Capoeira CDLB 02 por você.

Relampiou, deixa relampiar

Toca berimbau que a roda vai começar…”

Capoeira CDLB 05 por você.

Compareceram ao evento inúmeros grupos, com vários mestres, que foram honrados nas suas presenças por Mestre Cristiano, contando suas histórias, recebendo presentes e jogando bonito com crianças e adultos, homens e mulheres, todos sem distinção que estivessem na roda…

Capoeira CDLB 07 por você.

Capoeira CDLB 08 por você.

A gente sempre se lembra

De Chaguinha e Mestre Valdemar

Mas não posso esquecer

Ô, de Mestre Gisgante

E do valente Besouro Mangangá”

Capoeira CDLB 06 por você.

Então Mestre Cristiano chamou a moçada do CD para o atabaque, pandeiro e berimbau, e passaram a tocar as músicas que o compõem, animando mais ainda a roda.

Capoeira CDLB 16 por você.

O CD traz o filho de Mestre Cristiano, Berimbau (à esquerda, na foto acima), que, na sua juventude já faz parte da história da capoeira em Manaus pelas composições e capacidade de tocar o berimbau e animar uma roda de capoeira.

À direita, professor Duende, que faz um bonito trabalho pelo Legiaão Brasileira na Hungria, e que se emocionou ao ser surpreendido com a entrega da faixa de contra-mestre feita por Mestre Cristiano, com a permissão e os zelos de Mestre Zebrinha.

Capoeira CDLB 20 por você.

Mestre Deuza e Mestre  Cristiano entregando a corda de Contra-Mestre para Duende.

Capoeira CDLB 11 por você.

Vou jogando capoeira

Não sei onde vou parar

Jesus Cristo me proteja

Eu quero é vadiar”

Capoeira CDLB 15 por você.

Capoeira CDLB 10 por você.

E assim prosseguiu a manifestação da força e alegria da cultura afro-brasileira desenvolvida com vigor e autenticidade pelo Grupo Legião Brasileira de Capoeira, com seus movimentos precisos e cadenciados à sonoridade do berimbau que convida a jogar, derrubando a barreira histórica dos preconceitos e da opressão e liberando toda a potência e beleza do corpus-negro no mundo…

Capoeira CDLB 21 por você.

Você me falou pra eu deixar ela

Ela não me deixou

A capoeira é minha vida

Ela é o meu amor”

Capoeira CDLB 19 por você.

Clique abaixo para baixar faixas bônus:

03. Dendê pra mandingar (Prof Duende)

11. Zumbi valente guerreiro (Berimbal)

Ouça! Ligue (92)8188-3137 (Mestre Cristiano)

Preço: R$ 15,00 (2 x R$ 25,00)

Capoeira CDLB 23 por você.

Capoeira CDLB 24 por você.

Oi, tem axé, tem dendê

Oi, tem tem tem axé

Ô, nego que tá ocupando a roda

Não deixa a roda parar

Tem mandinga nesse jogo

E o negro vai balançar”

SAUDAÇÕES MANAUENSES A IEMANJÁ PELO NOVO ANO

Joguei minha barca n’água

Eu quero ver navegar

Peço licença primeiro

A Nossa Mãe Iemanjá

Oh, Iemanjá! Oh, Iemanjá!

Quem manda nas ondas d’água

É Iemanjá…

Saudação a Iemanjá 01 por você.

Todos os anos os adeptos das religiões de matrizes africanas, em manifestações individuais ou acompanhados de seu ilê, assim como diversos populares em suas históricas crenças tradicionais sincréticas, vão à Ponta Negra para deitar barquinhas e demais oferendas à mãe de todos os orixás. Iemanjá. Odoyá!

Saudação a Iemanjá 02 por você.

Acima, Mãe Sandra de Iemanjá e Mãe Dóris de Oxum e seus filhos numa bonita homenagem à rainha das águas. As mães deixaram seus desejos para todas as pessoas de Manô:

Iemanjá é a mãe de todas as cabeças, mãe de todos os orixás, mãe dos 16 santos, e na passagem do ano a gente costuma fazer oferenda pra ela com milho branco, arroz, pescada, camarão, azeite, mel. E a gente espera o quê? Prosperidade, fartura, saúde, porque ela é mãe de todos os orixás e mãe senhora dos filhos peixes. Eu sou filha de Alexandre de Iemanjá, do bairro de São José e desejo para o meu pai e para todos os meus irmãos, e para  todos os irmãos de todas as casas muitas felicidades, muito axé para todos.” (Mãe Sandra de Iemanjá)

Saudação a Iemanjá 05 por você.

No momento eu estou na minha casa e não tenho nenhum zelador de santo, mas que Iemanjá nos traga fartura, dinheiro, amor, nos traga muita saúde no ano de 2010.” (Mãe Dóris de Oxum)

Saudação a Iemanjá 04 por você.

Como as religiões afro, assim como as manifestações populares autênticas, são livres de preconceitos e discriminações, a Moçada Mundo Gay comparece para agradecer às bençãos recebidas e falar sobre seus desejos para a Grande Mãe de todos, que não faz distinção de raça, sexo, religião, etc. E olha as lindas moças na areia da praia!

Saudação a Iemanjá 06 por você.

Esse ano foi bom. E que esse ano que chega seja cada vez melhor para nós, que sejamos cada vez mais belas! Que o povo tenha sempre mais respeito por nós! Que tenha muita fartura, muita bebida, muito dinheiro e muito homem, que sem isso não somos felizes. Para todas nós, as lindas monas de Manaus, felicidades para nós e para nossas famílias, para nossos namorados, nossos amores… Beijos pra todos!”

Mãe Sandra, que veio lá do Núcleo 15 da Cidade Nova, com seu belo Congá Tenda Cigana, chegou e acompanhamos sua magnífica oferenda, que estudou (no sentido de “prática”) várias religiões e cruza elementos comuns entre elas e que nos envolveu com sua fala ligeira, lúcidez e alegria…

Saudação a Iemanjá 07 por você.

Eu tenho meu próprio santo, eu tenho meu próprio congá. Eu trabalho. Eu vim da quimbanda, umbanda, candomblé, espiritismo e a última linha anjeologia. Eu cruzo Iemanjá com o símbolos dos arcanjos. O ano de 2010 vai ser Iemanjá, Oxum e Iansã, mas a principal linha vai ser Oxumaré. Não é questão de o ano ser bom, é continuação deste para o outro; o bom vai das atitudes que a gente quer, vencer ou não vencer. Então vai muito do negativo e do positivo das pessoas. Não existe magia sem um Sim ou um Não, o Talvez é as dúvidas. O outro diz: “Ah!, vai ser um ano bom, vai acontecer isso.” Não é bem assim. Acontece se o homem quiser, essa é que é a verdade. Não é a magia, a magia se faz pra ajudar, mas você com as suas virtudes é que consegue seus objetivos.

Saudação a Iemanjá 09 por você.

É isso que eu penso, é isso que eu acho, nós oramos a Deus, aos arcanjos de Deus e todos como nós cultuamos Iemanjá, Iansã, Oxum, como Nossa Senhora, que vem na minha casa, e Ogum, e o próprio Exu pra demandar e dispersar todos os males da vida. Não basta eu dizer que vou fazer um trabalho que vai melhorar minha vida daqui pra outro dia, não existe isso, existe a tua atitude de tu querer, é essa que é a verdade. Então as pessoas misturam muito. Ah!, eu vou conseguir isso, vou conseguir aquilo, vou amarrar amor, é tudo besteira porque amor não se amarra, amor se tem. A magia pode ser pra um casal pra iluminar através dum anjo, através dum guardião, dum mentor, tudo bem, mas dizer eu vou amarrar, eu vou prender, ninguém prende ninguém, o amor é livre.

Saudação a Iemanjá 08 por você.

Então eu vou sempre pelos quatro elementos: ar, terra, fogo e aguá. Mas o primordial é o amor que é o quinto elemento. Então esse besteirol todo, eu não vou muito assim pelas linhas afro só, porque, aqui pra nós, às vezes eu acho que eles tão muito atrasados no mental, tá entendendo? Eu classifico assim: os simplórios, os simples, os ricos e os milionários. O simples faz tudo pra buscar o melhor, o rico já é rico de si e de memória, porque hoje não adianta tu fazer uma faculdade porque hoje em dia tá banal. A melhor faculdade é a da vida, a escola da vida, como diz Ogum, “nem tudo o que reluz é ouro”. A vida é uma escola onde as lições tão muito caras, então tu aprende é no dia-a-dia, na verdade. Vamos dizer, eu vejo tu triste: “Ah!, eu tô mais rico” ou “tô mais ferrado”. Quer ser o mais ferrado e não é, porque tem muitas outras pessoas que não tem o de comer porque não buscam, porque tem pessoas que não gostam de buscar, gostam de esperar que venha até elas. Porque pra tudo se dá um jeito na vida, só não pra morte.”

Saudação a Iemanjá 10 por você.

No percurso pela Prainha, encontramos ainda manifestações familiares particulares muito bonitas que não quiseram falar sobre os motivos pessoais que levam às oferendas. No geral, estão os agradecimentos pelas graças recebidas, assim como os desejos de felicidades a todos nas novas águas que chegam…

Saudação a Iemanjá 13 por você.

Quem também veio trazer sua alegria a todos foi o caboco Zé Raimundo, na cabeça de Pai José dos Santos, lá do São Francisco, que deixou para todos sua graça de prosperidade na força dos orixás para todos…

Saudação a Iemanjá 23 por você.

O ano foi maravilhoso, graças a Deus, com muita prosperidade para o meu filho, seu José, e esses filhos que estão hoje presente aqui comigo , fazendo essa homenagem muito bonita, estão atrás de buscar a paz, prosperidade, saúde e muitas mudanças de bom na vida deles. E hoje eu estou dando o meu axé e as minhas forças para cada um desses filhos que precisam. E pra todas as pessoas da cidade, pela afirmação que nós fizemos, aquelas pessoas que puderam vim e que não vieram nós tamos dando aquela força, axé e a proteção para o ano que entra, que nele haja tudo de bom, como deve ser em cada ano novo que entra.”

Saudação a Iemanjá 25 por você.

Um filho de santo do Terreiro de Umbanda Anastácio Neves, localizado atrás do Cemitério São João Batista, no Centro da cidade, na cabeça de Dona Mariana, deixou seu axé.

Eu vou desejar um 2010 de fartura, felicidade, força, alegria. Que o ano de 2010 seja só de amor, porque o ano que passou foi um pouco cheio de turbulência, mas Mariana, na força e tranquilidade das águas, deseja para o povo manauense um feliz 2010, de abundância, de amor, de tranquilidade. Que todos possam realizar seus sonhos ou consolidá-los. Que todos fiquem na paz.

Finalmente chegamos ao nosso destino de todos os anos: a conversa com o caboco Sibamba, que, inconfundível na cabeça de Pai Geovano, com seu humor, sua alegria e energia, nos deixa suas impressões da vida pessoal do povo à política local, brasileira e mundial. A quem diga que é o caboco mais politizados destas terras, e por isso tal a proximidade com este bloguinho intempestivo.

Saudação a Iemanjá 15 por você.

Então, numa continuação da conversa do ano anterior, prosseguimos nessas temáticas e outras.

Eu sou é invocado, seu menino. Eu sou um caboco, eu não sou uma porcaria, não sou o que vocês tão acostumado a ouvir por aí e nem ver por aí. Eu sou um caboco, eu sou cretino e ordinário, quando eu falo eu falo mermo. Quando eu não falo, não quero falar não, vá pra porra. Pra eu, eu sou que nem as águas, se sopra o vento eu fico raivoso, se num sopra eu sou mansinho que só um cordeiro. Isso afeta o ser humano, não eu que sou um espírito.

Meu filho já jogou os búzio, já disse que é o Oxalá que vai reger o ano. Num sou eu, porque eu num jogo nem pedra na cruz. É meu fio que disse que Oxalá véio [Oxalufã] primeiro, na metade do ano Oxalá novo [Oxaguiã] e no finar do ano é mamãe Iemanjá que vai pegar. Então o ano é feito de muita paz, revolta, enchentes grandes e secura demais. Muito pior do que esse ano. Você vai ver.

Saudação a Iemanjá 19 por você.

Os políticos – isso aí vai ter um pau de guerra! Tu num viu nada, minino? Tu nunca viu piranha comer gente, viu? Pois é, tu vai ver esse ano. É, seu minino! Porque antes, antes dos antes. E o moço que voltou agora, esse moço é cretino, já tá ficando ‘probre’, voltou agora, começou a tirar devagarinho, só que os outro tão vendo, não são mais besta não. Na verdade o outro besta véio, careca, fio de uma puta, que entregou pra todo mundo governar por ele, tomou no rabo, foi passado pra trás. O olhe que eu não sou de politicage não, vice? Eu só digo a verdade. E o sinhô é a sabedoria, o sinhô tem a consciência boa. Pro povo vai ser bom, porque o povo vai ter que acordar pra num tomar no rabo.

As leis mudaro tudo e foi uma baitolage toda, foi muito bom para os bochola e só vai melhorar. Mas deixa eu buscar na minha burrice e tu sabe que burrice de bêbado é a pior coisa que tem, ninguém leva a crer. Pras mulher não é dessa vez, mas vai ter, vai ter aqui no Brasil vai ter a presidenta que todo mundo quer. Vai ter. Vai ser fulera, vai ser vagabunda, vai ser da gota serena e vice mais. Tu é doido, macho! Tu nunca viu mudança não, tu já viu frescura, e não mudança. E ela vai vim, vai vim e vai fazer.

Saudação a Iemanjá 18 por você.

Que o ano de 2010 seja um ano de consciência, de prosperidade, que o grande Deus do grande céu abençoe todo esse povo dessa terra, povo cretino, que tá precisando de misericórdia e que não se toca. Esse véio Sibamba pede, por misericórdia. Eu dou mais meus 300 anos nessa terra se o grande Deus tiver misericórdia de um dia desse povo. Que este ano do 2010 seja um ano com menas agressão e violência e seja um ano de mais alegria, mais tranquilidade pra este povo amazonense, não só pro povo amazonense, mas pro Brasil todo que merece e mais pro meu Ceará que tá precisando de chuvas, porque aqui tem fartura de chuva e no meu Ceará tem miséria de chuva. Esse, meu bom gradar. Que assim seja!

Dona Mariana, agora na cabeça de Mãe Valkíria, em qual congá já fomos a sua festa e lá conversamos com essa caboca que está sempre alegre e graciosa, sendo uma entidade das águas, deixou sua mensagem maravilhosa.

Pros pecadores eu peço assim que a minha mãe Iemanjá abençoe assim a todos, que ilumine a todos, que dê muitos anos de vida, que dê muita saúde e muita prosperidade, que ilumine os caminhos, que cada ano que se passa seja melhor. Que esse ano que vem lhe dê muito axé, muita prosperidade pra todos. Eu peço a minha mãe Iemanjá e a Oxalá também que abençoe pelas horas que são, pelas oferendas que nós estamos fazendo aqui nas águas e pedindo que Deus abençoe as oferendas do povo, dos pecadores, trazendo muita paz neste mundo do pecado. Eu desejo paz e muita prosperidade e axé, axé e axé.

UMA NOTA APENAS:

Estas e muitas outras manifestações de diversos congás e particulares, as que vimos e que não pudemos participar, com certeza foram magníficas, e não teriam como não ser quando o povo exerce seu direito à crença e a seus costumes autênticos de forma livre e sem discriminação. Mas não podemos deixar de dizer que houve discriminação pelo poder público. A descida para a Prainha – parte da Ponta Negra onde todo final de ano adeptos da religião afro e pessoas que cultuam credos sincréticos vão para entregar suas oferendas nas águas – tem acesso muito perigoso. No terreno íngreme, são alguns populares que, em sua benevolência, enfiam algumas estacas e fazem alguns degraus na terra para as pessoas descerem. Há quem diga que é por esse e outros motivos que os políticos da cidade estão sofrendo na pele o peso de seus crimes, apesar de todo ano eleitoral – como o ano que se inicia – quase na totalidade os candidatos procurarem os terreiros, inclusive os pastores. Claro que isso se dá não só pela crença, mas principalmente pelo dividendo eleitoral; pois este bloguinho, que é o maior registro jornalístico na cidade de Manaus, conhece cerca de 70 terreiros, mas segundo a FUCABEAM existem mais de 2 mil, fora manifestações individuais não catalogáveis.

Independente disso, todo acesso à Ponta Negra, já que ela é tão utilizada pelos marketings governamentais, deveria ser preparado satisfatoriamente com responsabilidade, para não colocar em risco a saúde dos cidadãos.

Mas os governos antidemocráticos, baseados nas supertições dos seu mandatários, nada podem contra os verdadeiros cabocos e orixás, por isso tudo foi maravilhoso, apesar dos des-governos…

Saudação a Iemanjá 26 por você.

Ê balanceia, balanceia, balanceia

Balanceia, balanceia

Eu quero ver balancear

14º BATIZADO DA CAPOEIRA “SENZALA NEGRA”

Vou lhe contar uma história

Preste muita atenção

A saudade quando bate

Faz doer no coração

A desigualdade

Foi assim que nos trataram

Com falta de união

Há quatro anos

Esse grupo então parou

Sua simples atividade

Oi, ela que ensinava com amor

.

Ai que saudade

Só aumentava assim

Chorou Formiga

Foi com a dor no coração

Levantou Senzala Negra

Com Abelha e o Selvagem

Podem falar ou até mesmo criticar

A Associação Senzala Negra

Ressurgiu foi pra ficar

.

Somos o povo Senzala Negra

Eu vim aqui foi pra jogar

Eu só quero a igualdade

E o direito de amar

Capoeira Senzala Negra 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Este maravilhoso batizado foi precedido, na manhã, pelo 3º Jogos de Capoeira Mestre Vermelho, realizado pela Associação de Capoeira Senzala Negra, no IV Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus, do qual trazemos aqui algumas imagens da entrega para os ganhadores de mais de uma dezena de grupos que compareceram, em diversas categorias. Todos estavam muito alegres e os ganhadores receberam as parabenizações, medalhas e troféus. Aplausos!

Capoeira Senzala Negra 04 por você.

Capoeira Senzala Negra 09 por você.

Aí soou pra valer o berimbau para o hino do Senzala Negra, e deu-se início o maravilhoso batizado, com a entrega das novíssimas cordas para os que avançaram no entendimento da capoeira de corpo e alma em mais um ano de movimentos livres e mente ativa em todas as etapas na vida dos participantes do Senzala Negra.

Capoeira Senzala Negra 11 por você.

Capoeira Senzala Negra 17 por você.

Capoeira Senzala Negra 14 por você.

Enquanto as trocas de corda iam se dando naturalmente, conversamos com o presidente da Associação de Capoeira Senzala Negra, que era o monitor do grupo, que logo depois receberia a corda de professor das mãos do professor Marcelo. Então, o professor Formiga fala de seu trabalho no Senzala Negra, que começou aí quando ele ainda era criança:

“Eu iniciei no Senzala, faz quinze anos que eu pratico capoeira. Comecei como aluno, hoje eu sou o presidente da associação. Há dez anos que eu estou à frente desse trabalho, junto com minha mãe, a formada Abelha. Hoje me surpreenderam com essa corda de professor, que eu não esperava. Nem sei se mereço, mas mestre é mestre, e se eles reconhecem, eu agradeço. Agora é trabalhar, no meu caso particular, pra chegar a contra-mestre e merecer chegar. No todo, eu estou muito feliz pelo Senzala, com todo mundo reunido, com esse campeonato, esse batizado, é na verdade uma grande festa, realizada não só pelo Senzala, mas por todo os vários grupos que você vê aqui.”

Capoeira Senzala Negra 15 por você.

Capoeira Senzala Negra 16 por você.

E como o Senzala Negra é, na verdade, uma associação que faz diversos trabalhos, logo veio uma demonstração das danças que o grupo apresenta e desenvolve em escolas públicas de Manaus. A primeira foi um belíssimo Cangaço.

Capoeira Senzala Negra 22 por você.

Capoeira Senzala Negra 25 por você.

O exímio tocador de berimbau e seu desconcertantes volteios, famoso Mestre Espiga, ao som de uma angolinha no fundo, fala sobre o estágio da capoeira no Amazonas, sobre a importância do grupo Senzala e faz sua avaliação sobre os jogos e o batizado deste ano:

“A capoeira tem crescido muito em nosso estado, e tem crescido de uma forma bem legal, educada, com a capoeira ajudando as pessoas a se compreenderem mais. Como a capoeira cresceu muito no Brasil, e daqui para o mundo todo, é preciso valorizar a prata da casa. Hoje nós temos um ritmo de capoeira, que uma capoeira bem movimentada, como é a Benguela. Que bom que nos eventos está recheado de professores, de mestres. Os eventos não tão tendo intriga, desafeto, desrespeito. Como se pode ver desse evento hoje do Senzala, foi maravilhoso. A capoeira ganha com isso e está de parabéns.

Capoeira Senzala Negra 19 por você.

Capoeira Senzala Negra 21 por você.

O Senzala tem uma importância muito grande. Quem fundou o Senzala foi o saudoso Mestre Vermelho. Depois que o Mestre Vermelho faleceu, essa rapaziada deu continuidade ao trabalho com muito amor e responsabilidade. O Senzala é um grupo de capoeira antigo na cidade, e ele vem desenvolvendo um trabalho social na cidade, principalmente na Zona Leste, que é muito bonito. Não só capoeira, mas também danças típicas, danças afro, trabalhando isso nas escolas, nas comunidades. E hoje ele realizou aqui um campeonato e um batizado.”

Capoeira Senzala Negra 26 por você.

Capoeira Senzala Negra 29 por você.

Seguiu-se, então, outra demonstração de dança típica, que as meninas do Senzala desempenharam com muita graça.

Capoeira Senzala Negra 31 por você.

Capoeira Senzala Negra 32 por você.

A bela Jaqueline Tanajura, que participa das danças, e é agora também estagiária no grupo, fala da presença da mulher na capoeira e da importância dessa arte em sua vida, para seu corpo e sua mente se manterem belos e em equilíbrio com a natureza:

“Nós estamos muito contentes por ter trocado de corda. Isso acontece uma vez por ano. A gente fica assim eufórico, porque a gente batalhou por ela. E agora ainda mais, pra mostrar pra todo mundo que a gente tem capacidade, não só por ter conseguido uma corda, mas também por ser mulher. Eu pratico capoeira há mais ou menos 13 anos. No meio da capoeira não, mas na sociedade ainda existem pessoas que tem preconceito. Tem pais que às vezes não deixa a filha entrar, dizendo que é coisa pra homem. A capoeira é pra todos. Nos ajuda a conhecer melhor nosso corpo e dos outros e mantê-lo sudável, assim como a mente. Então, a gente tá ainda com o coração palpitante. Eu saí de graduada (corda verde e azul) pra estagiária (corda azul e amarela). E a gente vai continuar jogando, pra que daqui a quatro anos a gente possa se formar e sempre continuar com esse trabalho…”

Capoeira Senzala Negra 34 por você.

Capoeira Senzala Negra 30 por você.

O agora contra-mestre Marcelo (à esquerda, na foto abaixo) falou também, emocionado, da corda que recebeu e do trabalho seu com os alunos no Senzala, assim como da participação dos amigos dos outros grupos que auxiliaram:

Capoeira Senzala Negra 42 por você.

Eu era professor (corda amarela e branca) e passei a ser contra-mestre (corda azul e branca). Eu sempre tive responsabilidade dentro da capoeira. Quando uma pessoa é promovida assim, subindo no estágio da capoeira, é sinal que ela tem muito ainda a dar pela capoeira, para a capoeira, tem muito a dar para os seus alunos. Uma corda, eu sempre digo, é um degrau a mais. É sinal que eu estou aprendendo a cada dia mais, e tenho que aprender, assim como todos os meus amigos que estão aqui compreendem que essa é a vida da capoeira. A vida é um aprendizado. O evento de hoje foi maravilhoso, principalmente porque todos ajudaram, tanto crianças quanto adultos, não só a formada Abelha, professor Marcelo, monitor Formiga, professor Selvagem, sendo do Senzala ou dos outros grupos, todos se empenharam para que esse evento acontecesse, para que ele fosse mais além.”

Capoeira Senzala Negra 40 por você.

Professor Formiga e Mestre Espiga

Professor Selvagem

Então conversamos com o capoeirista Zumbi, que falou do seu apelido na capoeira. Como não poderíamos perder a oportunidade, marcamos para posteriormente fazermos uma entrevista com o próprio Zumbi sobre as lutas da negritude na atualidade da capoeira. Fica aqui o início de conversa:

“Meu nome é Ricardo Luiz Teodoro. Hoje sou chamado de Zumbi, que é um apelido da capoeira. O apelido veio quando eu, vindo de São Paulo, comecei capoeira em Belém do Pará, tinha um mestre, muito famoso, da Regional, lá em Belém, que se chamava Zumbi. Então, no dia do meu primeiro batizado, meu professor olhou e disse: “Rapaz, você parece muito com o Zumbi. Mestre Zumbi, daqui de Belém; então seu apelido, a partir de hoje, vai ser Zumbi”. Daí, então, eu venho carregando esse apelido há 15 anos. Faço parte hoje do grupo Abadá Capoeira, do Mestre Camisa. Pra mim, é uma honra está participando desse evento do professor Formiga, que é meu amigo há muito tempo. São nove anos que eu moro em Manaus, são nove anos que eu conheço ele, por isso é uma satisfação ver ele receber uma corda de professor. E também pelo Marcelo, que recebeu de contra-mestre, de ver aqui o Mestre Espiga, que foi meu mestre também.”

Capoeira Senzala Negra 37 por você.

Capoeira Senzala Negra 38 por você.

Então houve a última das demonstrações de dança da maravilhosa tarde daquele domingo de sol e todo o vigor dos movimentos da capoeira e das autênticas manifestações culturais do nosso povo, que ocorrem nos bairros de uma cidade há décadas abandonada pelos governos.

Capoeira Senzala Negra 45 por você.

Finalmente, conversamos com essa mulher, uma guerreira que é uma das maiores responsáveis por comprometimento social, comunitário, filosófico do Senzala Negra. As sábias palavras da formada Abelha:

Esse evento de hoje foi o nosso 14º batizado. Pelo dia da Consciência Negra, nós tivemos a ideia de fazer esse evento, pra que agente somasse e desse continuação ao que a gente vem fazendo ao longo desses anos. Hoje também, pela manhã, houve o 3º Jogos de Capoeira Mestre Vermelho. Mestre Vermelho não está mais vivo, mas deve tá assistindo lá em cima. Mas não é homenagem póstuma; o primeiro que a gente fez ele ainda estava vivo. Foi ele que inspirou e ele viu e gostou. Agora que ele se foi, continuamos com ele, por ele, pela sua luta, pelo amor que ele tinha pela capoeira e por todos nós.

Capoeira Senzala Negra 51 por você.

Capoeira Senzala Negra 46 por você.

Hoje nós tivemos uma surpresa imensa, quando nós tivemos a formatura de um mestrando, que era nosso professor, que ele foi professor do meu filho, e o meu filho se tornou dele não apenas um aluno, mas se tornou um discípulo. E, ao mesmo tempo que eu vejo esse professor dele recebendo uma corda de mestrando, e passando a corda de professor para o meu filho, que até então era monitor, é uma emoção que me deixa sem palavras. Porque o monitor Formiga, quando ingressou na capoeira tinha 8 anos de idade. Hoje ele tá com 24 anos, e ele nunca parou. Não é uma coisa pessoal, é um projeto que nós temos de vida.

Capoeira Senzala Negra 48 por você.

E o projeto se tornou uma filosofia: que é passar a capoeira aiante. Lembrar de nossos ancestrais, de nossos antepassados, e saber que somos representantes de uma luta de resistência, carregando uma ânsia de liberdade, que até hoje nós temos. Não é bonito de a gente falar, mas temos de dizer: dizer que no Brasil não tem preconceito, não tem racismo, é ser demagogo. Somos tão preconceituosos que não temo coragem de admitir que o somos. Por aí se vê.

Capoeira Senzala Negra 50 por você.

Capoeira Senzala Negra 49 por você.

É muito bom ver todo mundo reunido. Vê pessoas que a gente não via desde 2001, e rever hoje a pessoa com toda aquela alegria, aquela amizade, é muito bom. Capoeira pra gente é carinho, é amizade, é união, é tudo que você possa imaginar de bom, felicidade, de paz. Eu já falei algumas vezes que ia parar, mas a cada ano ocorre um fato novo que me motiva mais. E eu não sei o que vai ser de mim, eu já tô com 53 anos de idade, 18 anos à frente desse grupo e estou muito feliz. Tem hora que a gente não se segura e vai brincar, vai servir de criança, de palhaço, seja o que for… Você que está lá!

Capoeira Senzala Negra 53 por você.

Capoeira Senzala Negra 54 por você.

Eu costumo dizer que não se joga capoeira só com os pés. Pra você jogar uma boa capoeira, você tem que ter uma boa cabeça. O Pastinha usou a frase pra definir a capoeira: “Capoeira é tudo aquilo que a boca come, que o corpo dá”. Ele quis dizer com isso que o capoeirista vive capoeira, come capoeira, o corpo dele é capoeira, tudo pra ele é capoeira. É uma coisa maravilhosa, é tudo de bom. É mente sã num corpo sadio. Capoeira é capoeira e não tem outra coisa pra definir.

Capoeira Senzala Negra 55 por você.

Capoeira Senzala Negra 57 por você.

BRUXA CALDEIRÃO NO TERREIRO DO PAI JOÃO

Tava na encruzilhada

No meio da multidão

Eu vi uma moça sorrindo

Com meu leque branco acenava na mão

E quando olhei pela janela

Avistei seu Sentinela

E eu pombogira Caldeirão

Eu vi uma moça chegando

Com meu leque branco acenava na mão

Dona Caldeirão 01 por você.

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Essa foi a festa de Dona Caldeirão na Tenda de Santa Bárbara Cabana Nego Gerson, conhecida popularmente como Terreiro do Pai João do Sibamba.

E quando o tambor rufou não tardou para Dona Caldeirão baixar logo em Max, que é filho de Pai João, e vir com sua saia rodada e seu vigoroso bailado.

Dona Caldeirão 03 por você.


Dona Caldeirão 20 por você.

E tivemos uma agradável conversa com Dona Caldeirão, que nos revelou, entre outras coisas, seu verdadeiro nome, o porque do apelido umbandístico Caldirão e várias questões a respeito de seu filho Max, como o fato dele participar de três minorias que comumente sofrem discriminação, embora carregue toda uma autenticidade histórico-cultural: é descendente indígena, é homossexual e participa de religiões afro-brasileiras.

Dona Caldeirão 02 por você.

Aqui dentro de Manaus eu só venho nesse aparelho. Eu sou uma bruxa. Eu não sou uma pombogira, eu não sou lebara, eu sou bruxa mesmo. Eu por isso que você vê que eu me diferencio na roupa, nas minhas vestimentas. Eu não tenho que vir de vermelho e preto por exemplo. Eu decido a cor que eu quero. Se eu quero azul, é azul; se eu quero preto, é preto. A minha situação é única aqui dentro do Amazonas. Então, são poucas bruxas. No Rio de Janeiro existem muitas, mas aqui no Amazonas somos poucas. Na cabeça desse cavalo, que eu escolhi – porque eu escolhi, não foi ele que me escolheu -, a única bruxa que desce em um mortal aqui no Amazonas sou eu. O resto, se aparecer, é conversa, eu só venho nesse cavalo mesmo.

Dona Caldeirão 09 por você.


Oi, Zé! Oi, Zé! Ô Zé enganador

Enganou a filha alheia com palavras de amor

Ô, não fui que enganei ela

Foi ela quem se enganou

Dona Caldeirão 10 por você.

Seu Zé Pelintra

O meu nome verdadeiro não é Caldeirão. Meu nome verdadeiro é Safira. A pedra maior de Lucifer. Sou a mulher de Lucifer, a primeira e a única, uma mulher que ele não conseguiu, devido justamente a eu ser bruxa, não ser uma pombogira. Meu nome Caldeirão é usado quando eu venho na linhagem de pombogira na Umbanda.

Dona Caldeirão 15 por você.


Seu Roxo e Dona Molambo

Dona Caldeirão 19 por você.

Pombogira do Baralho

Meu filho se chama Cláudio Máximo, conhecido como Max, a descendência dele é indígena e portuguesa. O avô dele era português, que trabalhava com sacaca, e a vó dele era indígena, do cabelo teso. Ele puxou mais pra índio, mas ele carrega estes dois sangues. Têm muitos terreiros, mas eu escolhi ele, por causa da sinceridade e por causa do que ele tem de nascença. É Umbanda. Eu sempre cultuei a Umbanda. A Umbanda torna-se um mistério. O mistério se cura com quê? Com o feitiço. A lua cheia. Então, ele tem um pouco de bruxo mesmo, por isso eu escolhi ele aqui dentro desse Amazonas. Ele tem essa descendência desde nascença. Ele hoje está fazendo 23 anos de trabalho comigo na coroa dele.

Dona Caldeirão 04 por você.

Hoje à noite eu tive um sonho lindo

Sonhei com ele e ele estava sorrindo

Ele vai ser meu, só se eu não quiser

Ou ele deixar de ser homem

E eu deixar de ser mulher.



Sim, meu filho é homossexual, ele assume muito isso. Ele se assumiu desde os 15 anos de idade. E isso não atrapalha em nada. A homossexualidade dele não influencia em nada, a não ser pro bem. A Umbanda é uma religião livre. O gosto dele é o gosto dele. É assim que ele se sente bem, e eu também, por isso eu sempre vou respeitar e auxiliar nessa decisão dele a todo momento. Eu sou a única entidade na cabeça dele que visto saia. Os outros cabocos-mulher que ele carrega não vestem saia. Pra mim, ele é meu cavalo maravilhoso, e é isso é que é mais importante.

Dona Caldeirão 23 por você.

Pai André e seus filhos, que foram prestigiar a festa de Dona Caldeirão.


Caboca Ita e Seu João Légua.

Aê Codó, terra querida

Aê Codó de minha vida

Cheguei agora do Codó

Mas eu não vim falando só

Dona Caldeirão 27 por você.

Ele respeita muito todas as religiões, e defende muito a Umbanda, porque ele é Umbanda crua. Ele não me cultua. Digamos que ele me respeita, mas ele não me cultua, porque eu sou bruxa e ele é Umbanda. Eu sei muito o que tá acontecendo por aí, porque eu sou poliglota, eu falo muitas línguas. Eu sou carioca, mas eu também sou um pouco amazonense, mas só um pouco, porque na verdade eu sou inglesa. A Inglaterra pra mim é perfeita, porque os ingleses tem os seus horários pra tudo, mas tem bruxaria, o que é mais importante. Eu cultuo muito mais isso do que meu cavalo. Você vê assim que o cavalo cultua uma coisa, de um jeito, eu cultuo outra. Mas em cima dele eu sou quem eu sou; o resto acontece.

Dona Caldeirão 22 por você.


Exu Maria Molambo
Trabalha na encruzilhada
Ela toma conta, ela presta conta
Ao romper da madrugada
Pomba gira minha comadre
Me protege noite e dia
é por isso que eu vou
na sua feitiçaria

Dona Caldeirão 28 por você.

Caboco Sibamba

Eu avalio a minha festa como um evento; porque eu não faço festa, eu faço evento. E pra mim, os convidados é que dizem. Se tá todo mundo bem, tá tudo muito bom. E também as pombogiras, pois eu cultuo elas, as pombogiras brasileiras-africanas, as ciganas, só elas que não me cultuam, só porque eu sou bruxa. E quem cultua bruxaria? No Amazonas, ninguém. Ele, meu cavalo, cultua um pouco, mas não tudo.

Dona Caldeirão 11 por você.

●●● TENDA DE SANTA BÁRBARA CABANA NEGO GERSON ●●●

PAI JOÃO DO SIBAMBA —

Rua Maçarico, nº 119 — São José II (Manaus-AM)

Telefones: (92) 3249-7802 / 8152-5116

CAPOEIRA BANTOS NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Nós vivemos aqui nessa terra

Lutando para sobreviver

No lugar onde poucos têm muito

E muitos têm pouco comer

Olhando isso fico triste

E me pergunto qual é a solução

Eu tô feliz porque tenho a capoeira

Como uma forma de expressão

Tenho um canarinho cantador

Berimbau afiando e um cavalo chotão

E uma morena faceira

Que me deu o seu amor

E um menino chorão.

Ai, meu Deus, quando eu partir

Desse mundo enganador

Ao meu filho eu deixarei

Uma coisa de valor

Não é dinheiro, não é ouro nem é prata

É meu berimbau maneiro

Que meu amor me deu

Não é dinheiro, não é ouro nem é prata

É meu berimbau maneiro

Que eu ganhei do meu avô

Meu berimbau toca Iuna e Benguela

Toca paz e toca guerra

Toca até juras de amor.

Não é dinheiro, não é ouro nem é prata

É meu berimbau maneiro

Que eu ganhei do meu avô

Capoeira Bantos 01 por você.

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Ontem, no dia em que se comemorava o Dia da Consciência Negra por todo o Brasil, com a afirmação de todas as inumeráveis manifestações das culturas afro-descendentes, no Novo Aleixo, zona Leste de Manaus, o grupo de capoeira Bantos, sob o comando do monitor Luciano, se reunião numa comunhão para conversar, jogar e pensar sobre a capoeira, que, dentro dessas manifestações afro, é hoje uma das mais reconhecidas pelo mundo afora.

Capoeira Bantos 02 por você.

Mas deixemos que Luciano fale sobre sua trajetória, sobre seu trabalho atual, sobre os entendimentos da capoeira e da consciência negra:

O objetivo dessa atividade de hoje é conversar um pouco sobre o Dia da Consciência Negra, porque a capoeira que nós jogamos foi criada pelos negros que vinham como escravo, foi criada dentro da senzala. Durante muito tempo a capoeira foi malvista, porque vinha dos negros, por causa do preconceito, que ainda existe um pouco. O grupo Bantos em Manaus está com seis anos aqui dentro de Manaus, vindo do Amapá. Começou com o professor Jari, que hoje está pra lá pra Macapá, jogando sua capoeira por lá. Mas ele fez sua parte aqui e vem aqui pelo menos uma vez ao ano vê como estão as coisas. E a gente continua aqui levando esse trabalho, que é importante pra gente e pra comunidade, pra todos que veem a beleza da capoeira e a sua importância cultural.

Capoeira Bantos 03 por você.

Eu aprendi capoeira com o mestre Espiga, quando eu tinha doze anos de idade; hoje eu tenho trinta, então faz dezoito anos que eu jogo a capoeira todos os dias. Temos esse trabalho aqui com a Igreja Francisco Xavier e também lá na Igreja Católica Nossa Senhora de Aparecida, temos uns alunos lá também. O nosso trabalho não se restringe só à capoeira, a gente faz um acompanhamento escolar, fazemos reunião com os pais também pra conversar sobre as relações deles com os filhos.

Capoeira Bantos 04 por você.

Além de ser um dia especial dos negros, que lembra a luta que eles tiveram, que é a luta que continua, a nossa luta, e também brincar um pouco com essas crianças, tentar fazer com que elas cresçam bem dentro da capoeira, e não só na capoeira, mas na vida pessoal delas como um todo. A capoeira tem um papel de diversão, mais vai além porque compreende toda a vida da pessoa e é a única luta brasileira autêntica. A criança não perde só o medo de cair, mas se movimenta livremente e aprende a tomar decisão livremente.

Capoeira Bantos 05 por você.
Capoeira Bantos 06 por você.

Marcley, um jovem de 17 anos, que tem uma deficiência física, fala sobre sua experiência de 4 anos com a capoeira, de como ela o auxilia física e mentalmente:

Eu busquei a capoeira por curiosidade. Eu tenho dezessete anos e faz uma base de uns quatro anos que eu pratico a capoeira. Eu comecei antes com o professor Jari, que viajou lá pra Macapá, que é a terra dele. Foi o professor Jari que me convidou, aí quando eu entrei não quis mais sair. Agora a gente tá aqui com o Luciano, porque ficou na responsabilidade dele. Eu aprendi muita coisa com a capoeira, a ter mais paciência, a ver melhor as coisas, ajudou muito com relação aos meus pais também. A minha deficiência física não atrapalha em nada a capoeira. A capoeira é que me ajuda a coordenar melhor os movimentos e, principalmente, a mente.

Capoeira Bantos 07 por você.

Conversamos também com Dona Jovem e com a mãe de Thalisson, uma das crianças que participa do projeto, e elas afirmaram estar contentes com com os resultados alcançados com a capoeira.

Meu nome é Jovelina, mas eu sou conhecida como Jovem, todo mundo aqui só me conhecem como jovem. O meu neto é o Thalisson, ele começou assim que abriu aqui esse trabalho. A capoeira tá servindo pra ele, ele tá se espertando mais, tá se desembaraçando. Eu nunca tinha vindo não, aí eu disse: ‘Eu vou olhar hoje’. É legal, é muito bom. Lá em casa, quando ele não tá na aula, ele só que tá de perna pra cima, brincando.

Capoeira Bantos 15 por você.

A capoeira fez o Thalisson melhorar bastante, tanto na escola como em casa. Ele tá mais cuidadoso com as coisas dele, ele tá observando o crescimento do próprio corpo dele. Com a capoeira ele vê melhor as coisas, vê que não precisa ele se meter com outras coisas na rua, ele procura o que é útil pra ele. Se ele vai pra rua é pra brincar a capoeira dele com os colegas, aqui. (Mãe de Thalisson)

Capoeira Bantos 08 por você.
Capoeira Bantos 09 por você.

Ao final, conversamos com Edmar e Adeíze, dois dos coordenadores do trabalho, que falaram sobre o Dia da Consciência Negra, sobre os projetos realizados e sobre a fundamental inserção da capoeira, fazendo uma avaliação sobre o evento:

Isso aqui é uma CEB’s, faz parte da Área Missionária São Francisco Xavier, onde nós temos um projeto com crianças, um projeto do Moccocci, no qual nós trabalhamos com crianças carentes de rua. Nós abrimos esse espaço para a capoeira porque nós achamos de bem trazer o jovem para participar uma arte autêntica do nosso povo. Pra isso, contamos com a colaboração do Luciano, e estamos felizes não só por ver o bonito trabalho que ele realiza, mas também por ver pais aqui acompanhando os seus filhos, apreciando esse trabalho. Que bom que a gente tá aqui lembrando da escravidão, e comemorando que ela não existe mais, mas que é importante lutar pelos direitos dos negros, das pessoas pobres. Que bom que a gente tá podendo fazer isso nesta comunidade com a capoeira, com todas essas crianças.

Capoeira Bantos 11 por você.

Eu sou uma das coordenadoras da comunidade, e tenho também motivos pessoais para gostar desse trabalho. É que os meus dois filhos sofrem um de asma e o outro de arritmia cardíaca, vieram pra capoeira e melhoraram totalmente do problema da asma. Além da saúde deles, antes era um gasto horrível com remédios, e baixou totalmente. No geral, o trabalho aqui vai muito bem. A gente tem um projeto que trabalha com crianças, totalmente voluntário. Temos um grupo de 40 crianças de rua, de 7 a 17 anos; dessas, 10 participam da capoeira. A capoeira chegou em boa hora.

Capoeira Bantos 12 por você.

    - Grupo Bantos de Capoeira -

    Área Missionária São Francisco Xavier

    Rua Wilton Vieiralves

    Contatos: 8843-6721 (Luciano)

    9111-5696 (Adeíze)

DONA GIRA NO SÍTIO DE MÃE MARIA DO SEU JACAÚNA

Ela vinha caminhando a pé

Para ver se encontrava uma cigana de fé

Ela parou e leu minha mão

E disse, e falou toda a verdade:

Amigo, você não se engana

Pombogira Cigana é um Exu de fama.

Bem que eu lhe avisei

Pra que você não jogasse essa cartada com ela,

Você parou no valete e ela parou na dama.

Amigo, você não se engana

Pombogira Cigana é um Exu de fama…

Mãe Maria Gira 01 por afinsophiaitin.
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Essa maravilhosa festa, nesse magnífico ambiente, na estrada do Brasileirinho, foi a festa realizada todos os anos há mais de três décadas no terreiro de Mãe Maria do Seu Jacaúna.

Mãe Maria Gira 02 por afinsophiaitin.

Mãe Maria Gira 16 por afinsophiaitin.

Conversamos com seu Gilson, que é presidente do terreiro de Mãe Maria, que nos falou dos significados dessa festa dentro da Umbanda e, especificamente, para o Centro Espírita Nossa Senhora da Conceição, nome oficial do Terreiro de Mãe Maria.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.


Dona Jarina (Socorro) e Dona Padilha (Graciete)

Mãe Maria Gira 07 por afinsophiaitin.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 09 por afinsophiaitin.
Caboca Jurema (D. Jandira)


Seu Exu Caveira (Socorro) e Seu Exu Veludo (Sr. Marcos)

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 14 por afinsophiaitin.
Seu Sibamba (Pai João)


Mãe Maria Gira 18 por afinsophiaitin.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 20 por afinsophiaitin.
Seu Baiano (Mãe Vera)


Mãe Maria Gira 21 por afinsophiaitin.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 23 por afinsophiaitin.
Seu Zé Pilintra (Pai Carlos de Xangô)


São várias Giras, várias Pombogiras. Nós conhecemos, dentro da Umbanda, sete; mas são mais, por que já existem outras e outras. Tem Maria Padilha, Maria Molambo, Pombogira Cigana, Pombogira da Praia, Pombogira do Pandeiro, Pombogira do Baralho… Mas a Pombogira do Baralho é a Gira Cigana. Tem gente que pensa que são duas; não, a Gira Cigana é a mesma do Baralho.

Mãe Maria Gira 27 por afinsophiaitin.


Aqui nós recebemos a Dona Gira Cigana. Por isso, com a festa de Seu Jacaúna e de Se Zé Pilintra, a festa da Dona Gira é uma das três grandes festas da casa. Só de terreiro, faz 34 anos que nós viemos acompanhando Dona Maria e todos os anos nós fazemos essa festa. A festa da Dona Gira esse ano começou sábado, entrou pelo domingo, segunda-feira era feriado, então continuou. Nós começamos aqui no terreiro, daqui fomos pro sítio e foi assim três dias de festa. Vem muitos pais de santo, vem pessoas olhar.

Mãe Maria Gira 26 por afinsophiaitin.

Mãe Maria Gira 31 por afinsophiaitin.

No sítio é especial porque é perto da natureza, tem mata, e a nossa maior falange é Oxóssi, e na Umbanda nós temos a Dona Jurema, que é a Rainha das Matas. Então na mata virgem a gente toma banho nas águas, faz o descarrego. Pra dar banho em médium não pode ser em água parada, temd e ser em água corrente. A mata é sagrada, então a gente tem mais confiança.

Mãe Maria Gira 28 por afinsophiaitin.

Todo mundo gostou da festa. Tudo muito ótimo. O sítio tava muito enfeitado. Os zeladores de santo que foram lá saíram todos muito bem satisfeitos. Esse ano foi uma festa muito linda Dona Gira, muito linda pra todos.

Mãe Maria Gira 32 por afinsophiaitin.

CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

MÃE MARIA DO SEU JACAÚNA

Beco Cel Bolsinha, nº 119 — Zumbi I (Manaus-AM)

DONA GIRA NO TERREIRO DE PAI JOÃO DO SIBAMBA

Abre essa cova, eu quero ver tremer

Abre essa cova, quero ver balancear

Maria Padilha das Almas

O cemitério é o seu lugar

É no buraco que a Padilha mora

É lá na rua que a Padilha vai girar

Pai João Gira 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

A Tenda de Santa Bárbara Cabana Nego Gerson, também conhecido como Terreiro de Pai João do Sibamba, afinal são 75 anos de idade, com mais de 50 dedicados ao culto da Umbanda. Mas deixemos que o próprio Pai João conte um pouco de sua trajetória nesse dia 30 de agosto, quando da Festa de Dona Gira, na qual Pombogira Maria Padilha completava 36 anos na cabeça de Pai João.

Eu tenho 75 anos de idade. Eu sou da Paraíba, me criei em Fortaleza, em Fortaleza me desenvolvi. De lá eu cheguei aqui em 66; moro há mais de 40 anos em Manaus. De santo, eu tenho mais de 50 anos. Quando eu cheguei em Manaus em 66, botei um centro lá na Cachoeirinha. Depois fui pro Coroado. Do Coroado eu trabalhei 14 anos com Umbanda em Porto Velho. Aqui nessa casa eu tô com 9 anos. O padroeiro da casa é Oxóssi.

Pai João Gira 04 por você.


O minha primeira entidade foi Nego Gerson Feiticeiro, quando eu tinha lá pelos meus 17 anos. Aí eu fiquei trabalhando com ele, desenvolvendo. Daí eu passei a ser perseguido pelo Sibamba. Como aqui no Amazonas o pessoal todo só procurava o Sibamba, aí começaram a me chamar de João do Sibamba. Seu Sibamba completou na minha cabeça 50 anos agora em junho passado.

Pai João Gira 09 por você.


Pai João Gira 13 por você.

De lá pra cá eu fiz um serviço para um senhor que era prefeito de Santo Antônio de Içá. Foi o primeiro serviço dela na minha cabeça. Foi resolvido. Ele ficou muito admirado. Eu pagava prestação da minha casa, aí um dia ele chegou na minha 7h da manhã, tinha vindo do interior, pra pagar o terreno pra mim. Ele pagou o terreno e disse que ia ajudar a fazer a casa do seu Sibamba. Aí foi quando nós começamos a fazer esse centro de alvenaria e organizamos tudo isso.

Pai João Gira 10 por você.

Pra animar mais ainda a festa chegou caboco Sibamba, o beberrão, sempre alegre, sempre brincalhão, um dos mais reconhecidos curadores em todo o Brasil. E junto com Sibamba outras entidades vieram firmar seus pontos.


Seu navio está em terra

A luz no mar já clareou

Seus marujos são de guerra

Sibamba bebo chegou

Ele vem no banzeiro da água

No tombo da maresia

Pai João Gira 14 por você.

A minha Umbanda é uma Umbanda limpa. Eu só trabalho na linha de Umbanda astral. Faço minhas obrigações de Exu. Quando eu vou fazer meu trabalhos, faço minha obrigações. Quando vou fazer serviço pesado, faço descarga de pólvora, sacudimento de pipoca, pra poder eu tratar do cliente. Eu não sei qual foi o serviço que foi feito, então eu tenho que descarregar o cliente pra aquele mal não cair dentro da casa também.

Pai João Gira 21 por você.

Dona Caldeirão na cabeça de Max, filho de Pai João.


Meus trabalhos são mais com Sibamba, Nego Gerson e Maria Padilha. Agora o atendimento vai de 5h da tarde e vai até umas 11h da noite, dia de sexta e dia de segunda. Tem época que dá muita gente, aí o atendimento começa 2h da tarde. Cliente meu, pode ser rico, pode ser pobre, na minha casa é um tamanho só.


E pra completar o axé do terreiro cheio de médiuns e entidades, Mãe Maria do Seu Jacaúna, filha de santo de Pai João, veio com seu axé para distribuir suas bençãos e receber a saudação dos presentes.

Pai João Gira 18 por você.


Os trabalhos que mais aparecem é com cura, remédio pra doenças e negócio de amarração. Não faço serviço assim com bode, trabalho pesado, eu nunca gostei de trabalhar. Quando a gente faz um trabalho pesado, fica um pouco de energia pesada na casa. A demanda fica e é preciso descarregar a casa pra não ficar aquele fluido mal. Por isso que eu pouco trabalho com Exu.

Pai João Gira 26 por você.

Foi então que baixou a homenageada do dia, Pombogira Maria Padilha das Almas, que, na ponta dos pés, veio cantar, beber, bailar, compartilhar com todos sua força e luz.


Ela é uma rosa que nasceu no meu jardim

Ela é uma rosa que nasceu na encruzilhada

É ela, Maria Padilha, Maria Padilha

Maria Padilha, a mulher de Lucifer

Pai João Gira 17 por você.

Essa foi a Festa da Gira. Todos os exu-mulher é Gira. Tem a Pombogira Maria Padilha, tem a Pombogira Cigana, tem a Pombogira das Águas. Dona Maria Padilha completou 36 anos na minha cabeça. Meu sobrinho veio de Roraima, porque no dia que ele nasceu au ainda não trabalhava com ela. Mais ou menos 3h da tarde ela me pegou no terreiro de casa. Me cortou todo, queria ver o menino, queria ver meu sobrinho que tinha nascido, filho da minha irmã que morava na minha casa. Aí levaram ela, a Dona Padilha no hospital pra ver o menino. E ela só saiu quando viu o menino. Isso faz 36 anos.

Pai João Gira 29 por você.

Pai João Gira 32 por você.

Dona Cigana debaixo de uma figueira

Ela sambava em cima de uma fogueira

Dona Cigana deu uma gargalhada

E chamou todos os Exus para sua encruzilhada

Pai João Gira 30 por você.

No Coroado eu tinha 45 médiuns. A Maria eu puxei da Cachoeirinha pro Coroado. Aí foi quando eu viajei pra Porto Velho, e as que podiam ter centro, eu fiz a banquinha. Quando eu abri aqui, eu queria trabalhar só, não queria saber de ‘média’ nem de ninguém. A Maria era que trazia as dela pra cá. Aí os meus clientes diziam: “Seu João, por que o senhor não bota umas média?” Aí foi quando eu comecei de novo. Tá com 6 meses, rapidinho já tenho 16 média. Além das média, tem aparecido muitas pessoas que me ajudam. Muitos clientes vem, eu faço uma caridade, e por meio dessa caridade a pessoa arranja mais outras pessoas, que acabam me ajudando muito.

Pai João Gira 31 por você.

Dona Cigana e Dona Maria Padilha.


Pai João Gira 33 por você.

Com a idade que eu tenho, os meus trabalhos direitinho, tanto tempo, pra mim me incorporar com o guia não precisa muita coisa não. Firmei o pensamento, ele já vem. E se for preciso o guia passa três dias na minha cabeça, mas porque eu já sou veterano. Pela lei, eu já sou babalorixá.Daqui, 31 de dezembro, eu ia trabalhar no Rio de Janeiro, só pra dar passe no pessoal. Fiz trabalho em São Paulo. O pessoal gostava de mim, me levava, doutor, trabalhei pra juiz que me levou pra trabalhar pra família. Hoje eu já tô mais cansado, já não quero mais andar por aí, quero mais é ficar no meu centro.


Dona Maria Padilha, já na cabeça de Marlene, e seu Zé Pelintra na cabeça de Socorro.

Dizem que pombogira é uma rosa

Que nasceu no meio dos espinhos

Pombogira é uma rosa, pombogira é um rosa

Que abre os teus caminhos

Pai João Gira 40 por você.

●●● TENDA DE SANTA BÁRBARA CABANA NEGO GERSON ●●●

PAI JOÃO DO SIBAMBA

Rua Maçarico, nº 119 — São José II (Manaus-AM)

Telefones: (92) 3249-7802 / 8152-5116

SEU ZÉ PELINTRA NO TERREIRO DE PAI CARLOS DE XANGÔ

Aê Palmeirão dos Índios

Aê Bouqueirão de Arara

Sou eu José Pilintra de Pernambuco

Boqueirão de Arara

Sou eu José Pilintra de Pernambuco

Palmeirão de Arara

Pai Carlos - Zé Pilintra 01 por você.

Que festa animada foi a festa de seu Zé Pelintra no terreiro de Pai Carlos de Xangô, ocorrida no Novo Israel II. O simples estava cheio de filhos de Pai Carlos, de convidados de outras casas e de pessoas que simpatizam com toda a beleza e alegria das religiões afro.

Pai Carlos - Zé Pilintra 02 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 03 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 04 por você.

E logo veio seu Exu Marabô trazendo um falo pendurado no pescoço, e trazendo para todos com ele uma mensagem de amor, fertilidade, prosperidade e sorte, como nos explicou a bela cambona Diane de Oxum (à direita na foto abaixo).

Pai Carlos - Zé Pilintra 07 por você.

Mara, Mara, Mara, é Marabô

Exu é pequenininho

Mas Exu é do amor

Exu é pequenininho

Mas é bom trabalhador

É Marabôôô…

Pai Carlos - Zé Pilintra 05 por você.

Eu quero que todo mundo fique acomodadinho. Façam de conta que você estão na casa de vocês. Que minha casa seja a casa de vocês, que casa de santo é a casa da prosperidade. É a casa da alegria. Que a casa bata na porta de vocês, que traga muita fartura, muito ouro. O dinheiro que não falte no bolso de vocês, nos cofres. Porque o meu está guardado, bem guardadinho. Então, sorte para todos que estão aqui! Sorte e Alegria! Que os inimigos de vocês não possam mais do que vocês! E a tristeza vai caminhar…

Pai Carlos - Zé Pilintra 06 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 40 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 08 por você.

Chegaram então as pombogiras com seus maravilhosos cantos, suas vigorosas danças e suas gargalhadas. Como diz a entidade que se chama Exu Maria Quitéria do Cruzeiro das Almas (ao centro na foto abaixo), entidade que acompanha Pai Luiz de Iansã há 24 anos: “Exu é alegria! Exu é prosperidade! Exu é abertura de caminhos!

Pai Carlos - Zé Pilintra 24 por você.

Cai chuva no meu terreiro

Cai chuva no meu quintal

No meio da encruzilhada

Maria Quitéria, uma gargalhada


Quando a palmeira pendia

Quando a palmeira pendia

Um olho d’água rolava

No meio da ventania

Eu perguntei a Lúcifer

Que iluminava esse dia

Abriu as portas do inferno

Saiu Maria Padilha


No meio da festa, um acontecimento inesperado: caiu um dos tambores. Dada a importância maior dos tambores dentro de um terreiro, acompanhamos didaticamente o que se seguiu. Imediatamente seu Marabô ordenou total silêncio no terreiro, pediu uma espada (pana) branca, uma taça com água e uma vela acesa para o ritual de levantar o tambor, e firmou um cântico enquanto levantava.

Pai Carlos - Zé Pilintra 11 por você.

Caminhou, caminhou

E a tristeza caminhou

Marabô veio girar

E a tristeza caminhou

Passou-se então à distribuição da apimentada, saborosíssima farofa de Exu. Todos fizeram fila para receber das mãos de seu Marabô a abençoada farofa e junto com ela as bênçãos dos santos.

Pai Carlos - Zé Pilintra 14 por você.

Farofê, farofá,

Farofa amarela que Exu vai dar

Farofê, farofá,

Farofa amarela que Exu vai dar

Pai Carlos - Zé Pilintra 16 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 15 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 18 por você.

Antes de ir seu Marabô colocou o chapéu no meio do terreiro para quem quisesse colocasse uma moeda, algum dinheiro no chapéu e fizesse o seu pedido para o Exu do Amor.


No reinado de meu pai

O ouro é moeda falsa

Quem tem, tem-tem-tem

Quem não tem

É quem quer dá


Pai Carlos - Zé Pilintra 23 por você.

E eis que chegou o dono da festa. Uma das mais conhecidas e respeitadas entidades das religiões afro: trazido ao terreiro por Pai Lala, seu Zé Pelintra. Conversamos com o mestre da Jurema e deitamos abaixo essa conversa, entremeada com imagens e cantos da magnífica festa.

Pai Carlos - Zé Pilintra 26 por você.

São 35 anos que eu trabalho na cabeça do seu Carlos, e hoje é um dia de alegria pra mim porque eu sou um caboco velho da Jurema, venho como mestre da Jurema. Então digo para o povo que estude o espiritismo, porque o espiritismo é como uma escola: o yaô entra para iniciar o santo e segue… Se os pais souberem o que estão fazendo, a religião vai ser sempre uma coisa muito linda. Todas as religiões são muito bonitas, e a nossa é muito bonita se levada a sério. O santo é uma coisa maravilhosa.

Eu me criei em 1974 na cabeça dele, no primeiro barracão, na Praça 14, na casa de Pena de Arara, que era casa de Mãe Francisca. Nessa casa, completou agora no dia 29 de junho passado 23 anos de casa aberta, que foi comemorado pelo santo da casa, que é Badé, que no Candomblé é chamado de Xagô. Nós somos da Mina Jejo Nagô, nós somos mineiros aqui. Badé que reina nesse terreiro. A casa aqui é de Badé com Oxum. Hoje, a gente tem uma história, um projeto onde a gente pode falar assim: “É lindo o espiritismo!”


Eu tenho muitas vitórias na cabeça de seu Carlos, com pessoas que eu já trabalhei, pessoas aleijadas, pessoas doentes que às vezes até a medicina não consegue entender, porque eu sou um doutor. Então, coisas no passado, que a medicina não conseguia dizer, não conseguia fazer, e como eu sou um espírito, nós podemos fazer um milagre através de Deus. A pessoa quando chega com fé leva toda a esperança, leva toda a alegria, e toda a tristeza vai embora. Às vezes um doente chega dentro da casa da gente doente, e a gente faz uma reza simples, mas o poder de Deus é maior.

Pai Carlos - Zé Pilintra 29 por você.

Lá se vem do outro mundo

Com grande saber profundo

Ele vem do outro mundo

Lá vem Zé, lá vem Zé lá da Jurema

Lá vem Zé, lá vem Zé do Juremar…

E quem é Zé? Saravá, saravá…

E quem é Zé? Saravá, saravá…

Pai Carlos - Zé Pilintra 42 por você.

A gente faz todo tipo de ebó. No caso, o ebó pro amor, quando um homem tá sem uma mulher, uma mulher sem um homem, aí a gente ajuda. Amor é uma coisa que Deus deixou no mundo, não faz mal a ninguém. A gente procura unir as pessoas, e não desunir, porque o amor traz prosperidade, porque o amor. Aqui ninguém mata, ninguém esfola, nada desse tipo de coisa, a gente só faz trabalho pra trazer o amor, pra ajudar quando a pessoa está desempregada, tá doente. A religião não é muita das coisas que muita gente fala, muita gente discrimina. Mas me disseram que formaram uma lei que é correta, que ninguém pode falar mal assim da religião de ninguém, mas ainda existem pessoas que comentam o que não deve ser comentado.

Eu digo assim: “Acima de Deus não há, abaixo de Deus não tem, acima de Deus, dos astros, nós somos mensageiros do bem.” Eu sou conhecido mundialmente. Nos quatro cantos do mundo, em toda parte do mundo nós temos uma forma de trabalho, porque a humanidade, em toda a parte, precisa da gente. O povo até vai em outras igrejas, mas sempre ele tá junto com a gente, porque, na saúde ou na tristeza, o povo procura muito a gente, pois quando ele chega dentro da nossa religião ele consegue tudo que buscava, consegue vencer muito.


Ele se chama José Pelintra

Nego do chapéu derramado

Quem mexer com Zé Pelintra

Ou tá doido ou tá danado

Ou tá doido ou tá danado

Pai Carlos - Zé Pilintra 30 por você.

O povo tem que educar bem os sus filhos, para que ele saiba o tipo de religião que pratica. Muitas vezes o povo diz assim: “Não vai pra macumba, menino, que é coisa da parte do Diabo.” Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Se fosse, não teria tanta gente com a gente em nossa casa. O Diabo leva muita culpa, e ele está em cima das pessoas mesmo, não é a gente não. A gente não pode ser responsável pelo que as pessoas fazem. Às vezes a gente tá dentro do barracão, chega o cicrano, quer pagar, quer matar. A gente aconselha: “Não faça isso. Tenha amor no coração pelo próximo, você tem tanta coisa boa pra fazer nesse mundo.” Eu, Zé Pelintra, mestre da Jurema, gosto de trabalhar para as pessoas que necessitam do meu trabalho. Bateu na porta da nossa casa, eu só não posso é tirar da morte, porque da morte só Deus. Mas tudo nesse mundo eu já fiz, já levantei aleijado, já tirei gente do hospício, do hospital desenganado dos médicos, não somente em cima da cabeça desse bablaô, mas em cima das cabeças de muitos médiuns bons por aí.

Eu ainda chamo o seu Carlos de “meu menino”. Ele já vai fazer 50 anos, eu comecei a trabalhar na cabeça dele ele tava com 13 anos de idade. Ele sempre foi uma pessoa muito correta e gosta das coisas certas. Tudo que ele faz ele pede a mim, ou então eu faço na cabeça dele. Ele é muito dedicado ao santo. Os pais e as mães que bem souber, eduque seus filhos no caminho certo.

Pai Carlos - Zé Pilintra 31 por você.

Seu Zé passou então para a linha de malandro, e pela alta madrugada a festa continuou no pique do tambor e do repique.

Pai Carlos - Zé Pilintra 32 por você.

Caboco bom, caboco bom

Caboco bom é o que sabe trabalhar

Caboco bom é o que sobe no coqueiro

Tira o coco, bebe a água

E deixa o coco no lugar

Segura o coco, Margarida

Não deixa o coco cair


E assim nesse ritmo o sol raiou e a festa continuou, agora já numa roda de pagode, que começou com Adoniran Barbosa e passou por vários mestres do samba brasileiro. Enquanto a cerveja não parava de cair, o ogan Irã segurava na batida, e os convidados e até entidades presentes caíram no samba no pé até não mais parar…

Pai Carlos - Zé Pilintra 35 por você.


Na Baixa do Sapateiro

Formou-se uma confusão

Era o malandro Zé Pelintra

Sambando de pé no chão

Pai Carlos - Zé Pilintra 36 por você.

●●● PAI CARLOS DE XANGÔ ●●●

Rua Fábio Lucena, nº 55 — Novo Israel II (Manaus-AM)

Telefones: (92) 3636-5770 / 9161-8342 / 8119-4415

OBRIGAÇÕES NO CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJE NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Dinho e Flor 01 por você.
Da esquerda para a direita: Pai Lairton da Oxum, Mãe Emília de Toy Lissá, Pai Dinho (Júlio César) de Azaá Ká, Floriza de Navé, Pai Brasil de Lissá, Simone (esposa de Pai Brasil), Pai Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Badé.

Essa foi uma grande e maravilhosa festa no terreiro de Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá, ocorrida nos dias 31 de julho e 01 e 02 de agosto passados, nos quais se comemorava o aniversário do Centro dos Tambores de Mina Jeje Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá e sendo também realizadas as obrigações de dois filhos da casa, Pai Dinho (Júlio César) de Azaá Ká e Floriza de Navé.

Dinho e Flor 04 por você.
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Dinho e Flor 06 por você.
Pedro Nunes e família, presidente da Federação Amazonense de Pugilismo.

Dinho e Flor 05 por você.

Dinho e Flor 07 por você.

E quem nos fala sobre os preparativos anteriores e os significados desses três dias de festa é sua maior responsável, Mãe Emília de Toy Lissá:

Faz 26 anos que eu vim da Praça 14 pra cá, 26 anos que esse terreiro foi inaugurado aqui. E teve também a obrigação de dois filhos, meu filho carnal, o Dinho (Júlio César) de Azaá Ká, que estava atrasada, e a Floriza, que está se preparando pra noviça, está iniciando, dando as primeiras obrigações. Mesmo ela sendo noviça, ela já tinha várias atividades, já era oborizada. E dentro da Fucabeam ela é meu braço direito, é como uma guia da casa. O Dinho é meu filho carnal, e é a segunda pessoa dentro desse terreiro. Ele está pagando a obrigação dele de anos e anos que estava atrasada. A primeira obrigação ele deu em São Luís do maranhão, com Jorge Itaci de Oliveira. Ano que vem ele dá outra obrigação, aí terminam os graus dele.

Dinho e Flor 11 por você.

Dinho e Flor 10 por você.


Dinho e Flor 08 por você.

Antes dos três dias de festa pública houve sete dias de preparação interna, só com os da casa. São as oferendas, são as obrigações que se faz. Durante estes sete dias, é só pra fazer isso dentro de casa. Tem que fazer antes de começar as festas maiores. Depois se toca três dias. No primeiro dia toca-se pra Lissá, que é Oxalá; no segundo dia é pros voduns; no terceiro dia, pros encantados. Quando vem pais de santo de outras nações, nesse último dia é liberado pra eles cantarem pras nações deles.

Dinho e Flor 19 por você.Dinho e Flor 15 por você.

Dinho e Flor 18 por você.

Dinho e Flor 20 por você.

Veio muita gente, irmãos de santo do Maranhão, de Belém, sobrinhos, vieram participar da festa. Pai Brasil, que é de Lissá também, filho também de Dom Jorge, como eu. Pretendo ir no Pará conhecer a casa dele. Pai Miguel, irmão de santo, que conheço há muitos anos. Ele vem toda festa de aniversário do terreiro, desde que inauguramos, ele sempre vem, sempre ele está presente.


Dinho e Flor 23 por você.


Pai Brasil de Lissá, da casa Mawukwê (“O Sopro da Vida”), de Belém-PA, irmão de Mina de Mãe Emília também estava presente e nos falou do que viu e sentiu no terreiro de sua irmã:

A Mãe Emília é do vodun Lissá, da família de Kevê Ossô, e, por coincidência, eu também sou untó e vodunon desse mesmo vodun. Então, a energia já soma duas vezes, não só por ela ser uma irmã minha, de descendência de uma mesma casa, que é a Casa da Fé em Deus, de São Luís, no Maranhão, como do próprio vodun que a gente carrega, que é o mesmo vodun. Logicamente que existem em cada região algumas diferenciações no toque, nas cantorias, devido ao próprio linguajar e tudo. Mas a essência, o contexto de uma maneira geral, na forma ritualística que aconteceu o toque para o vodun é o que acontece no meu axé, é o que acontece no axé do meu pai de santo, e aqui eu também tive a alegria e o prazer de ver um Tambor de Mina, ver um orixá, que foi a Oxum, ver o vodun Azaá Ká, ter o meu irmão comigo, Pai Miguel, que veio de São Luís pra comandar esse tambor.


Dinho e Flor 22 por você.

Dinho e Flor 38 por você.
Mestre Cristiano, da capoeira Legião Brasileira.

Enfim, eu acho que isso que o Tambor de Mina está precisando, é isso que a afro-religiosidade está precisando, é de unir. Se não existir união, os evangélicos cada vez mais vão se fortificando, cada vez mais vão se unindo, e nós afro-religiosos brigando até por um poder – acredito que cada um tem o seu axé, cada um tem sua força -, então, em cima dessas coisas, em cima dessa fala é que eu acredito que há necessidade de unir. Tendo união, vai ter paz, e, tendo paz, com certeza o Tambor de Mina, não só no Maranhão, como também no Pará, como também no Amazonas, só vai evoluir cada vez mais. Mãe Emília está de parabéns por tudo aquilo que eu vi, e hoje ainda é a primeira noite, vão haver mais duas noites, eu tenho certeza que vai ser tudo como manda o figurino do Tambor de Mina.

Dinho e Flor 32 por você.

Dinho e Flor 33 por você.

Dinho e Flor 34 por você.


Dinho e Flor 37 por você.

Pai Dinho, que é filho carnal de Mãe Emília, e que, segundo ela, é a segunda pessoa dentro do terreiro, demonstra na conversa que nos concedeu uma vida de envolvimento com as religiões afro:

Dentro de qualquer nação, cada obrigação tem um propósito, cada obrigação tem um grau, ou seja, aumenta o conhecimento da gente. Então, na minha nação, Mina Jejo Nagô, aumentam os meus conhecimentos, confirma os meus voduns, os meus orixás, porque eu paguei a minha última obrigação, de deitar, foi em 1989, em São Luís do Maranhão, com Dom Jorge. Como eu não tinha mais feito nenhuma obrigação, agora essa obrigação é pra confirmar tudo o que eu já fiz, ou seja, pra me atualizar. Daqui a um ano eu vou fazer uma outra obrigação, que é mais um outro grau que eu vou receber dentro da nação Mina.

Dinho e Flor 39 por você.



Devido à experiência que eu tenho, devido ao tempo que eu tenho de nação, é necessário eu fazer essa obrigação pra serem confirmados os meus orixás, serem confirmados os meus voduns, pros meus voduns poderem trabalhar e aumentar meus conhecimentos. A única coisa que a gente leva é o nosso conhecimento e a nossa experiência, isso nunca vai se acabar. É uma obrigação muito valorizada pra mim, principalmente porque eu sou a raiz da casa da Mãe Emília, que é minha genitora, e eu sou o herdeiro nato desse terreiro de Toy Lissá/Agbê Manjá. Então, isso tudo faz parte do tempo da Mina, do tempo da minha Mãe de Santo.

Dinho e Flor 46 por você.


Dinho e Flor 47 por você.

Então veio um dos momentos mais bonitos da festa, o momento que Azaá Ká liberta os pássaros que estavam presos. Pai Dinho fala sobre o significado desse ritual:

A cerimônia dos pássaros simboliza o quê? Prosperidade. Do meu vodun, Azaá Ká, qual é a palavra principal? “Não prenda os animais! Deixem soltos para que eu possa caçar.” É até uma mensagem ecológica, em um ritual que simboliza prosperidade. E a gente pede para as pessoas que pegam no terreiro pra não prender, para soltar.

Dinho e Flor 51 por você.


Dinho e Flor 54 por você.

Também Mãe Emília nos falou desse belíssimo ritual:

Essa foi uma saudação de liberdade de soltar os pássaros, por Azaá Ká. Os pássaros estavam presos, e ele veio e soltou todos. É como se fosse um abrimento de caminhos, uma luz que libertou as vidas daqueles pássaros. Isso faz parte de Oxóssi, de Azaá Ká. Significa o quê? Que eles não matam, só matam por necessidade, o que tem que comer. Mas os pássaros devem continuar soltos. Se estão presos, eles libertam, eles não gostam de ver bichos presos. Fizemos simbolicamente o ritual das matas.

Dinho e Flor 55 por você.

Dinho e Flor 57 por você.

Dinho e Flor 60 por você.

Dinho e Flor 62 por você.

E já ia pelo segundo dia de festa, então colocamos aqui a continuação da conversa com Pai Dinho sobre seu vodun, Azaá Ká:

Essa obrigação não deixa de ser um casamento confirmado. Toy Azaá Ká já era fundamental pra mim, e passa a ser mais fundamental ainda. Toy Azaá Ká pra mim hoje é tudo. É uma lição de vida, é uma lição de comportamento, é uma transmissão de poder pra eu poder ajudar muita gente, poder transmitir a calma, poder ajudar as pessoas a resolver alguns problemas através da mão dele. Ele é um vodun da linha de Oxóssi, que é um caçador, e eu espero prosperar muito com ele, que é um vodun das matas, e por isso veste o verde – suas cores são verde, vermelho e branco.

Dinho e Flor 72 por você.

Dinho e Flor 64 por você.



Dinho e Flor 66 por você.

E também Floriza de Navé, conhecida no terreiro de Mãe Emília simplesmente como Flor, também nos falou de sua obrigação, de sua vodun, Navé:

Eu tenho quatro anos na casa, mas a obrigação de vodun é a primeira. Eu passo a receber um vodun, no caso, Nochê Navezuarina, que no Candomblé chamam Oxum. Hoje é como se fosse o meu batismo, é a confirmação, é um renascimento. A gente cresce dentro da religião, tendo um costume de tudo, é todo um aprendizado que a gente recebe aqui dentro, mediunicamente, espiritualmente. Eu já recebo, com isso, um grau dentro da casa, e assim vou poder participar de rituais que eu não podia. Na minha família, a religião vem de berço, veio de minha avó, de minha mãe, meus filhos, tá no sangue. Navê pra mim é tudo, ela é dona das riquezas, é uma grande mãe. Ela é superprotetora, ela é graciosa. Com a presença dela eu passei a ver de outras formas as coisas.

Dinho e Flor 74 por você.


Dinho e Flor 78 por você.

Dinho e Flor 77 por você.

Tanto Mãe Emília quanto Pai Dinho e Floriza teceram elogios ao papel fundamental de Jéssica de Iemanjá (ao centro na foto abaixo), como guia da casa, em conduzir as obrigações com o empenho e a dedicação exigidos, como salienta Mãe Emília:

A Jéssica é uma guia da casa, cumpre o seu dever, respeita a religião. E tem aquele amor, aquela dedicação, filha de Iemanjá, como ela é.

Dinho e Flor 112 por você.

Dinho e Flor 79 por você.


Dinho e Flor 80 por você.

Pai Dinho, em mais uma fala sua, deixa uma mensagem para todos que cultuam os cultos afro, seus irmãos e a todos que simpatizam com essas fundamentais religiões, que fazem parte da história de nosso povo:

Uma coisa que eu digo pra todos que frequentam nosso culto, que todas as nações se possam dar as mãos, procurar ser diferente, porque é uma coisa que falta ainda, a gente ainda é carente disso, a gente ainda é carente de vestir a camisa, de dizer eu faço parte dos cultos afro, sem vergonha e sem demagogia, com peito aberto, de cabeça erguida. Temos que estudar bem nossos orixás, nossos voduns, se aprofundar, levantar essa bandeira, não só de cultuar, mas mostrar pra sociedade, fazer um trabalho social também.

Dinho e Flor 82 por você.

Dinho e Flor 83 por você.

Dinho e Flor 89 por você.


Dinho e Flor 90 por você.

Dinho e Flor 91 por você.

Dinho e Flor 92 por você.

E Mãe Emília, com sua serenidade e sua sabedoria, deixou mais uma vez seus votos de amizade, esperança, todos os bons afetos, bons fluidos para todos os adeptos e gostam da proximidade com as religiões afro:

Que esses 26 anos sejam de muito axé, de muitas forças de Toy e Lissá, de Agbê Manjá, de luz para todos aqueles que participam do culto. Daqueles que vem em busca de uma paz, que eles sempre batam nessa casa. Que Lissá, que é o próprio Deus, nos dê força, luz, muito axé pra eu continuar por muitos e muitos anos junto com meus irmãos, com os visitantes, é o que eu desejo a todos, paz, amor, esperança.

Dinho e Flor 100 por você.

Dinho e Flor 93 por você.

Dinho e Flor 94 por você.

Dinho e Flor 97 por você.

Dinho e Flor 102 por você.


E deixamos aqui mais algumas imagens dessa imensa e magnífica festa, com suas cores, seus sons, suas comidas singulares, contagiantes aos olhos e ao espírito…

Dinho e Flor 104 por você.

Dinho e Flor 106 por você.

Pai Edson de Codoense e seu Zé Raimundo (Pai Válter).

Seu Baianinho (Pai Miguel) e Pai Tota.

Pai Tota incorporado e Pai Lala.

Dinho e Flor 115 por você.

Dona Chica Baiana (à esquerda).

Dinho e Flor 120 por você.

Dinho e Flor 84 por você.

Dinho e Flor 86 por você.
Dinho e Flor 87 por você.

CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJO NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

- Mãe Emília de Toy Lissá -

Rua Pintassilgo, nº 100 — Cidade Nova II – Núcleo II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9995-3894

FESTA DE CABOCO NO CENTRO DE UMBANDA OGUM ROMPE-MATO

O que caboco lá na mata serenou (bis)

Já mandei içar bandeira pra caboco baiador (bis)

Mãe Regina 01 por você.

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Para quem gosta de ver Umbanda boa, velha Umbanda de pé no chão, em casa simples, mas cheia de devoção, espiritualidade e muito axé, terá de ir um dia numa festa lá na grande Compensa, no terreiro de Mãe Regina, Centro de Umbanda Ogum Rompe-Mato.

Mãe Regina 03 por você.


Mãe Regina 02 por você.

Tem hora pra começar, não tem hora pra acabar”, foram umas das primeiras palavras que Seu Sibamba falou logo que chegou na festa, ocorrida no sábado passado, onde se comemorava seus 27 anos na cabeça de Marco Antônio, filho de santo de Mãe Regina, e 18 anos de Caboco Roxo na cabeça da mãe de santo, além do aniversário de 30 anos da médium Sônia.

Mãe Regina 06 por você.


Eu quero ver quem vem

Eu quero ver quem é

Eu quero ver caboco bom

É no balanço da maré

Mãe Regina 10 por você.

Mãe Regina 13 por você.

Entre um ponto e uma pitada de fumo, conversamos com o sempre festeiro, alegre, um dos maiores catimbozeiros da Umbanda: Seu Sibamba. Conversa essa que deitamos aqui acompanhadas de imagens de diversos outras entidades que viam saldar o terreiro e todos os presentes:

Mãe Regina 09 por você.

Sou Caboco Sibamba da Vera Cruz Trindade. Sou um cearense de 76 anos. O negoceiro aqui não é pra matar ninguém, é pra salvar as pessoas, com a força de nosso senhor Jesus Cristo, com a força de Deus e meu padim Pade Ciço. Trabalho com meu filho há 27 anos. Pela primeira vez, que meu filho vai fazer 41 anos, que ele sentiu força, sentiu confiança, e eu pedi pra ele fazer essa obrigação pra mim, essa festa que tá acontecendo hoje. 27 anos na coroa de meu filho, trabucando, fazendo caridade a quem precisa sem precisar de um vintém, sem precisar de um pataco formoso, porque tudo que tá acontecendo cá é as pessoas que tão dando. Essa festa não é pra mim, é do povo, é pro povo.


Mãe Regina 14 por você.

A pessoa vem atrás de uma palavra, saber uma palavra, vem também atrás de cura, e quando a pessoa chega dentro dessa casa, todo ser humano tem seu livre arbítrio pra pensar o que pensa, mas a partir do momento que você fala o nome de nosso senhor Jesus Cristo, Ele tá lá. Essa Umbanda que você tá vendo aqui é Umbanda velha, de caboco, numa casa pequenininha, de coração aberto. Todas as pessoas que entram nessa casa vem com seus próprios pés, vindo em busca de uma felicidade, em busca de pelo menos uma palavra, ou que sim ou que não, e sai daqui com a sua alegria, com as suas coisas realizadas.

Mãe Regina 22 por você.

O meu navio tá no porto

A lua no céu clareou

Meu marujo de guerra

Sibamba bebo chegou


Muitas vezes chega alguém dentro do terreiro e diz: “Quero que o senhor me fale.” Não. Eu preciso conhecer tua essência, eu preciso saber o que você tá vivendo pela primeira vez. Eu prefiro te conhecer, pra não te falar mentira, pra não te dizer coisa que você não quer saber. Nós somos apenas um instrumento, e isso já vem de muito tempo. Já veio dos escravos que vieram lá da África pra cá, e que foram colocados nesse Brasil velho, onde já existiam os índios cultuando a nossa origem, existiam os pajés, só que ninguém sabia da cultura. O povo acredita naquilo que vê. A língua é o chicote do mundo: às vezes fala a verdade e às vezes fala a mentira. A vida é como a palma da mão, não tem um dedo certo. O maior é o que a gente dá cotoco pros outros. Você começa aqui, nasce nu, aprende a se vestir, você chega aqui, e aqui é o dedo maior, você faz de tudo pra não cair dele, porque se você cair você vai começar tudo de novo. Se você sente vontade de fazer uma coisa, vá lá e faça. Se você errou, mas você foi lá e fez. Se você acertou, você foi lá e fez. Você não ficou naquele “porém”: será se eu faço? Será se eu deixo de fazer?



Aqui acontece coisas que muito não vê. Você chega aqui flagelado e sai daqui, com a força de Deus Pai, bom. Mas nem toda vez é assim. Porque aqui também acontece aquilo que às vezes acontece no mundo dos homens de branco, as pesoas só procuram quando já tá no final do seu negoceiro. A fé cura. Aí as pessoas dizem: “a Macumba”. Macumba é um instrumento de couro que existe na Bahia. Isso aqui é uma nação, assim como Ketu, Jejo, Candomblé. A Umbanda é velha, é muito antiga. Caboco continua aqui trabalhando. Se quiser acreditar, acredite; se não quiser, eu não vou dizer pra acreditar. Mas aqui é bom. Cada qual procura seu cada qual, procura sua melhora, pra ouvir, pra aprender o caminho, porque Deus não escreve certo por linhas tortas não. Deus escreve certo por linhas retas. O ser humano é que entorta a conversa. A língua tem o poder de derrubar um homem de dois metros e meio. E o ouvido ouve o que quer.

Mãe Regina 26 por você.

Zé Pelintra, Zé Pelintra

Boêmio das madrugadas

Vem na linha das almas

E também das encruzilhadas


Isso aqui não é meu, é de Ogum Rompe-Mato, mas eu tenho terreiro em Belém, Salvador, Recife, Fortaleza, já fiz muita coisa nesse mundo pra quem já foi desenganado dos médicos, mas dentro dessa casa aqui eu fiz um negoceiro pr’um filho meu que já tinha andado em muito terreiro, já tinha ido pras igrejas, e ninguém tinha dado a cura do moço. São oito anos de pertubação, de disse-me-disse. Com três meses eu botei ele bonzinho.

Mãe Regina 27 por você.


Mãe Regina 28 por você.

Mãe Regina 32 por você.

Conversamos ainda com o vigoroso Caboco Roxo na cabeça de Mãe Regina, que não só fez os agradecimentos e saudações, como também colocou sua firmeza e posição sobre as principais questões das religiões afro, como preconceitos e difamações. Uma conversa que entra em proximidade justamente sobre o principal motivo do trabalho deste bloguinho com as religiões de matrizes africanas. Também esta conversa deitamos aqui, entremeadas com imagens da continuação da festa:

Mãe Regina 33 por você.

Se as pessoas tivessem consciência, não faziam o que fazem, porque é daqui dos cabocos, do espiritismo que os outros crescem em religião, porque o povo evangélico faz o mesmo que nós faz aqui dentro. Aonde que Jesus Cristo diz que pra você ter um pedaço no céu você tem que pagar? Ele veio na terra pra dizer isso pra você? A palavra do pecador, do homem da terra, é que diz isso. Você cai se você quiser. O que ele quer é bandeira [dinheiro]. Mas Jesus veio e lutou pra fazer o mundo dEle. Quando Ele chegou no templo e viu que tinha mais era bandeira, ele passou a destruir tudo aquilo. Eu quero dizer que aqui nessa casa humilde quando a gente vem nessa casa a gente não vem por acaso, a gente vem pra trabalhar. A gente vem pra ajudar o ser humano dessa vida. Se ser pra nós, a moça bonita diz que é pra nós; se não ser pra nós ela manda ir pros moços da farda branca [médicos].

Mãe Regina 34 por você.

Mãe Regina 30 por você.
Dona Jô, Seu Flexeiro, Seu Zé Pelintra, Josiane

Chama papai, mamãe, para me ajudar

A lua nasceu, ela foi feita pra clarear

É o Caboco Roxo, mamãe, que vem saravá


Mãe Regina 37 por você.

Aqui nas águas doce nós não federação que luta por nós, como tem nas águas salgadas. Belém, Bahia, Rio de Janeiro. Lá tem quem luta por nós. Aqui nas águas doce, o povo não respeita nós. Aonde a gente vai arriar uma obrigação, o povo chega lá e chuta. Pra dar oferenda, pra dar ao nosso povo aquilo que eles precisa, a gente vai arriar na beira da praia, se bota um bebericador, ele vai lá e toma, ele vai lá e mexe. Mas ele não sabe depois a volta do que der. Vem depois a volta, vem depois a cobrança. Eu acho assim no mundo do pecador, respeite a religião de cada um. Não queira ser mais do que ninguém se Deus é só um. Não adianta você pedir uma coisa e seu pensamento ser outro.



Mãe Regina 43 por você.

Ó, Senhor, abençoa essa filha que eu tô nela! Dona Regina, que é a zeladora de santo aqui dessa casa, filha de Ogum Rompe-Mato. Eu estou esperando uma oportunidade pra eu falar o que eu tenho engasgado dentro de mim pra defender a minha religião. Porque aqui não existem federações. Federações são pra lutar, pra defender a sua religião. Eu quero falar, porque os evangélicos da Universal já vieram aqui dentro da nossa casa pra querer levar minha filha pra lá, e tudo que eles fazem lá dentro é o mesmo que a gente pratica aqui. É o sal bento, é a rosa, é tudo. Se é o mesmo, por que eles falam mal da gente? Por que eles discriminam? Quem crê em Deus crê em Deus. Por que a primeira palavra que eles diz é o Diabo? Não, o erro quem faz é o ser humano na terra. O Diabo já tá tão escabriado, poque dizem de tudo ruim que é ele o culpado; mas o culpado é o ser humano. É ele que pratica o erro e depois diz que é o Diabo. A minha filha quer falar essas coisas, porque ela só é pequenininha, mas ela tem axé. Ela tá com 36 anos nesse cavoucador dela, mas ninguém nunca venceu ela. E eu tô aqui com ela. Eu me chamo caboco Roxo e eu não vim em vão. Eu vim aqui fazer o bonito junto com meu irmão, nosso boniteiro formoso.


Mãe Regina 44 por você.

Senhor, meu pai, orixalá

Senhor, meu pai, orixalô

Vamos festejar nosso reinado

Que é feito de paz e amor

Mãe Regina 46 por você.


Mãe Regina 51 por você.

E como Seu Sibamba falara, a madrugou chegou e se foi e a festa não parava, porque os pontos continuavam rezados com devoção, o toque no tambor cada vez mais contagiante e dança tomava conta da área de fora do terreiro, irradiando axé para toda a grande Compensa…

Mãe Regina 49 por você.


Se o tambor tocar eu danço

Até o amanhecer

Olha, quase que eu não vinha

Até o dia amanhecer

Mãe Regina 48 por você.

●●● MÃE REGINA DE SEU ROMPE-MATO ●●●

Rua São Pedro, nº 151 — Compensa II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3625-7897

CONVITE MINA JEJE NAGÔ

O Centro dos Tambores de Mina Jeje Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá,

na pessoa de Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá,

Convida

Toy Lissá

O Ilê Asé e adeptos para mais uma Comemoração de ano

dos Tambores de Mina Jeje Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá

e também para a saída da obrigação de

Azaá KáNavé

.

Julio César de Azaá Ká

e

Floriza de Navé

.

.

.Nos dias: 31 de julho e 01 e 02 de agosto.

Com início às 20h (31 e 01),

No domingo, dia 02, às 17h.

Agbê Manjá

Os Negros Mina, tão valentes e tão fortes,

onde não alcançaram com os braços,

alcançarão com sua Fé e tradição.”

Atenciosamente,

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá

Endereço: Rua Pintassilgo, nº 100 Cidade Nova II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9995-3894

OBRIGAÇÃO E SAÍDA DE OGANS NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Wagner-Junior 01 por você.
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No sábado (11) e segunda-feira (13) tivemos uma obrigação de três anos, do garoto Wagner de Oxóssi, e uma saída, de Junior de Oxaguiã, no terreiro de Mãe Valkíria.

WAGNER DE OXÓSSI, ALAGBÊ DE IANSÃ

Wagner-Junior 02 por você.

Conversamos com o alegre garoto Wagner, que nos falou que desde os seis anos participa dos cultos afro no terreiro de Mãe Valkíria, que é sua avó carnal, e que aos sete anos fez sua saída como Alagbê de Iansã. Aqui ele, junto a Iansã, sendo conduzido por Pai Gilmar de Yemonjá, faz sua obrigação de três anos.



Mãe Valkíria acrescenta algumas histórias a respeito da trajetória do pequeno Wagner no Candomblé em seu terreiro:

Wagner-Junior 05 por você.

O Wagner é alagbê de Iansã. Ele é meu neto. Foi feito pelo Pai Gilmar de Iemanjá, confirmou ele pra minha Iansã. Ele é de Oxóssi. Então Oxóssi confirmou ele pra entregar pra minha Iansã. Sábado ele pagou obrigação de três anos. Apesar de ele ter dez anos de idade, ele já faz a obrigação de três anos, porque ele foi feito bem novo, com sete anos. Graças a Deus, hoje ele é uma pessoa sadia, é uma criança meiga, uma criança boa. Em vista do que ele era nós podemos dizer que tivemos um grande sucesso com o Wagner, que só no fato de que ele vivia doente, Oxóssi acolher ele e hoje ele não ter mais os problemas que ele tinha já é uma vitória.


Ele é filho do meu filho Nato, também de Oxóssi, também ogan confirmado. No dia que o pai dele tava fazendo sete anos de santo ele foi confirmado. Hoje ele tem três anos de santo, quando o pai dele fizer quatorze anos de santo ele faz sete. Vão dar obrigação juntos mais uma vez. Dentro da minha casa Oxóssi é tudo, por isso pra mim é uma satisfação.

Wagner-Junior 11 por você.

Wagner-Junior 10 por você.

Wagner com Brasinha, erê de Iansã.

JUNIOR DE OXAGUIÃ, AXOGUM DE IEMANJÁ

Na continuação na segunda-feira (13), houve a saída de mais um ogan da casa de Mãe Valkíria, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá, um rapaz ativo e envolvido em diversas atividades religiosas e comunitárias.

Wagner-Junior 21 por você.

Conversamos com Junior, que além de candomblecista, cultua outras religiões e outras práticas, faz parte de uma banda heavy metal, publica com outro parceiro um zine na zona Leste de Manaus e já tem publicada uma novela literária. Deixamos aqui esta conversa, entremeada com imagens de sua saídaWagner-Junior 18 por você.

Faz cinco anos que eu convivo com a religião, e faz alguns meses que eu aderi como minha religião. Mais uma religião que eu participo, não propriamente religiões, mas práticas. Eu ainda tenho ligação com o hinduísmo. Eu resolvi adentrar ao Candomblé pela paixão que eu comecei a sentir pelos orixás e a grandeza que é tudo isso. Então eu quis participar não só de fora, mas dentro da religião.

Wagner-Junior 12 por você.


Wagner-Junior 19 por você.

Afora isso, eu tenho um zine também que trabalha com heavy metal, no meio underground. Foi desse meio justamente que me veio a curiosidade de conhecer o Candomblé. Foi ao contrário do que geralmente o pessoal vê de fora, com preconceitos. Eu comecei a ver de outro lado. E eu vou continuar com a Umbanda, todas as minhas práticas, eu participo também de alguns rituais, como o Calendário da Paz, que é do Tizoco Maia. Uma coisa não impede a outra, o Candomblé é uma religião pagã, sem preconceitos.

Wagner-Junior 13 por você.

Wagner-Junior 16 por você.

Wagner-Junior 20 por você.

Vou procurar me desenvolver, porque eu gosto muito de ser radical, no sentido de na raiz das coisas, e misturar o que eu consigo, indo buscar os panteões de antigas religiões, um pouco de cada, procurando sempre ascender. Eu procuro conhecer um pouco e ver se tem alguma coisa a ver comigo. Eu conheço um pouco de Umbanda, e conheço um pouco de Candomblé, e pretendo conhecer mais ainda agora que eu confirmei a entrada na religião.

Wagner-Junior 22 por você.


Wagner-Junior 17 por você.

Mãe Valkíria falou-nos também de suas espectativas quanto à saída desse novo babá de corte de sua casa, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá:

Pra mim é uma satisfação eu ter o Junior como meu ogan, de minha Iemanjá. É uma honra ter mais um ogan na minha casa. Cada filho de santo que a gente tira na casa da gente é uma satisfação. O Junior, em especial, é uma pessoa muito cativa à religião, é uma pessoa muito sábia. Eu espero que ele leve à frente, com cada vez mais gosto. Esta é uma obrigação que ele fez com muito sacrifício, que todo mundo que passa pelo roncó sabe que é muito sacrificante. E ele venceu, e por isso eu espero que, por ele ser uma pessoa muito dedicada e sendo uma pessoa meiga, como ele é, uma pessoa boa, ele entenda que a lei do santo é essa. Às vezes a gente sofre um pouco, mas depois a gente vence e é recompensado. Tudo que a gente faz pros orixás, a gente tem recompensa. Orixá não é riqueza; “eu vou fazer um santo hoje, amanhã tô rico”. Ele dá luz, dá proteção, prosperidade, abre os caminhos da gente, e a gente trabalha e vai pra frente. Só desejo pra ele muita saúde, muita paz, prosperidade, caminhos abertos pra ele e pra todos que estiverem na minha casa.

Wagner-Junior 26 por você.


Wagner-Junior 29 por você.

Wagner-Junior 30 por você.

●●● MÃE VALKÍRIA DE IANSÃ ●●●

Rua Coiama, nº 20 — João Paulo II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9117-3545

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN: 14 ANOS NA POTÊNCIA DO CANDOMBLÉ

14 Anos de Pai Geovano 01 por você.
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Essa festa, ocorrida no sábado trasado, foi a festa dos 14 anos de santo do babalorixá Pai Geovano de Ajagunnon, nesta casa que foi onde iniciamos estes trabalhos com as religiões afro, e mais uma vez esse respeitado pai de santo fala a este bloguinho com toda a singela e sabedoria que o acompanha sempre, numa entrevista longa que distribuímos com imagens do santificado ritual:

Essa festa foi uma das minhas obrigações, que no axé de Ketu nós temos primeiro a feitura, a iniciação, depois disso temos obrigações de 1, de 3, obrigação de 7, que quando recebe-se o ibaxé, que é chamado de decá, que quando nos tornamos pais ou mães de santo, zeladores de orixás. Depois disso as obrigações só serão repetidas de sete em sete anos, geralmente em uma festa só. Depende tanto da questão financeira quanto do tempo. Hoje em dia não dá mais pra se fazer um mês de festa, porque todo mundo trabalha, todo mundo tem seus afazeres. O Candomblé não é feito de pessoas desocupadas. São pessoas que trabalham, que estudam, que fazem faculdade, fazem cursinhos, pra um dia vencer na vida também, é um direito deles e que os orixás apoiam e ajudam, pois só assim eles irão progredir em suas vidas.

14 Anos de Pai Geovano 05 por você.


14 Anos de Pai Geovano 04 por você.

Essa festa foi de 14 anos. Já estava atrasada, eu já estou com 17 anos de santo, raspado, porque eu já havia passado mais de 4 anos de abiã, antes de iniciar, mas isso não conta. Já estava atrasada, uma porque é uma obrigação muito grande, tem de ser tudo muito certinho, tem de dar de comer aos santos todos, fazer todos os fundamentos da casa, a cumeeira, o entoto, os exus, os santos. A gente se prepara anos pra fazer uma obrigação destas. Graças a Deus foi uma obrigação muito bonita, não faltou nada. Com muita gente bonita, muita gente do axé, muita gente que veio prestigiar, me senti muito honrado. Agora vem a de 21, até lá da para a gente se preparar.

14 Anos de Pai Geovano 08 por você.


14 Anos de Pai Geovano 06 por você.

14 Anos de Pai Geovano 07 por você.

Eu vejo a minha trajetória como muito boa, porque com 14 anos de santo, eu já estou na terceira casa, uma casa mesmo e este é meu segundo barracão. Para quem conhece minha trajetória, pode dizer muito bem que da minha feitura de santo pra cá a minha vida foi simplesmente progresso visível ao olho de qualquer um. Pra mim é muito satisfatório, é muito reconfortável saber que meus santos me apoiam, meus santos me dão luz, meus santos me dão caminhos, me dão retorno de tudo que eu faço.

14 Anos de Pai Geovano 10 por você.

14 Anos de Pai Geovano 11 por você.

14 Anos de Pai Geovano 12 por você.

14 Anos de Pai Geovano 21 por você.

A COMPANHIA DE PAI RIBAMAR DE XANGÔ

O que me deu aquele tchan pra eu entrar mesmo na religião, saber que aquela era realmente a minha religião foi o simples fato da presença do orixá, principalmente no Seringal, onde é o axé do meu pai. Na primeira vez que eu fui lá, a primeira vez que eu entrei num terreiro de Candomblé, estava saindo um Oxalufã, de um irmão de santo meu, aquilo me tocou muito. Eu senti a presença do santo, eu senti a presença do orixá ali naquele instante. Então isso foi um incentivo muito grande. E foi a maior satisfação conhecer meu pai, que hoje em dia ele não é só meu pai, é um irmão, é uma pessoa que eu tenho muita consideração, a gente tem até nossas desavenças, que todo mundo tem, como em toda família tem, mas jamais eu lhe faltei com o respeito, nunca ocorreu algo que me impedisse de acrescentar deposi que ele é um grande amigo, em todos os sentidos. Se não fosse por ele, a minha obrigação não tinha saído, porque hoje em dia o comércio da religião é muito grande. Você tem que ter um amigo, uma pessoa que já vem contigo há muito tempo, uma pessoa que tu confie, que não te engane, da qual você conheça a índole, e isto eu tenho na minha família de santo, que é meu pai. E pretendo dar também a mionha obrigação de 21 com ele, enquanto ele tiver vida e eu também, eu espero estar com ele.

14 Anos de Pai Geovano 14 por você.


14 Anos de Pai Geovano 15 por você.

14 Anos de Pai Geovano 18 por você.

E Pai Ribamar de Xangô, em seu discurso no decorrer da festa, exalta a dedicação de Pai Geovano à religião, ele que o fez e sempre o auxiliou nessa jornada que os santos vem abençoando a cada dia com mais axé, porque a cada dia de devoção, de aprendizado, o babalorixá vai tornando especial sua forma de culto aos orixás.

Essa obrigação de meu filho Geovano de Oxaguiã. Pra mim é uma satisfação imensa, porque ele iniciou na minha casa, ficou muito tempo, depois fez o santo, deu a obrigação de 1, deu a de 3, a de 7, e hoje estamos na festa de 14 anos dentro do ilê dele. Aqui tem muitos filhos de santo dele, ogans, ekédis. Pra nós é muito motivo de satisfação acima de tudo ver uma casa dentro dos cultos afro prosperar.

14 Anos de Pai Geovano 19 por você.

14 Anos de Pai Geovano 17 por você.

14 Anos de Pai Geovano 24 por você.

14 Anos de Pai Geovano 25 por você.

14 Anos de Pai Geovano 26 por você.

O MAGNÍFICO RUM DE PAI LÍDIO DE OXAGUIÃ

Quando indagamos a Pai Geovano quem era o senhor que puxava o xirê com tanta simplicidade, leveza e alegria, ele explicou-nos ser nada menos do que o conhecido e respeitado bablorixá baiano Lídio de Oxaguiã:

14 Anos de Pai Geovano 42É meu avô de santo, Lídio de Oxaguiã. É pai de Pai Ribamar de Xangô, meu pai. Ele é do axé Opô Afonjá, e tem um dos maiores axés de Salvador, em Itaparica, onde ele mora. Um dos maiores axés de Salvador é o axé de Lídio de Oxaguiã, em Itaparica. Ele está aqui em Manaus dando obrigações de alguns irmãos de santo. Como era minha obrigação, ele veio dar uma volta aqui em casa, que foi uma surpresa muito grande pra mim, porque ele deixou de fazer o compromisso dele pra vir pra minha festa. Foi uma alegria muito grande. É difícil a gente ter uma pessoa vinda de longe, com o respaldo que ele tem, pra prestigiar nossas festas. Então, eu só tenho é a agradeceer a Oxaguiã e à presença dele na minha festa. O rum que ele deu no meu santo foi muito bonito, de muito bom gosto, ele é uma pessoa muito centrada no que faz. Então, eu só tenho a agradecer.

14 Anos de Pai Geovano 22 por você.

Pai Lídio de Oxaguiã, Pai Ribamar de Xangô, Pai Geovano de Oxaguiã e Pai James d’Ogum


14 Anos de Pai Geovano 29 por você.


ROBSON DE OXÓSSI, OGAN DE OXAGUIÃ

Também foi dada a obrigação do ogan Robson, segundo ogan da minha casa. Também estava atrasada, pois ele deu a de 3, e já está chegando a de 7. Dentro da religião o Robson tem sido muito bom, mas como ele é muito jovem é claro que às vezes ele não tem toda aquela responsabilidade que uma pessoa de 30, 40 anos tem. É um caminho árduo pra ele, mas ele vai se aperfeiçoando, tomando mais conhecimentos das coisas. É um ótimo ogan, um querido filho, eu tenho um apreço muito grande por ele. É uma pessoa que eu não meço esforços de ajuda para que ele continue na religião, continue o amor que ele tem pelo santo.

14 Anos de Pai Geovano 31 por você.

O Robson é meu filho. Eu crio ele desde 10 anos de idade, hoje em dia ele tem 26 anos, é uma pessoa que se eu estiver chorando ele chora comigo, se eu estou rindo ele tá rindo comigo, se eu estiver doente ele está perto de mim, e a mesma coisa eu faço por ele. Então é por isso que ele tem esse apreço grande por mim e eu também por ele. Agradeço muito a Oxalá por um dia ter aberto as portas da minha casa e ter adentrado o Robson pra dentro dela, que hoje em dia ele é um dos alagbês da minha casa que tem muito conhecimento, tem um aprendizado muito grande de atabaque, sem ele minha casa para de tocar porque ele é um incentivador, ele é o chefe dos atabaques da minha casa.


E conversamos com o próprio Robson sobre sua trajetória como ogan, sobre seu longo e contínuo aprendizado e sobre sua expectativa em tocar e cantar aos orixás, pois, como ele mesmo nos falou uma vez, a importância dos ogans é tão grande, na medida em que os próprios atabaques na África são cultuados como orixás.

Essa obrigação é de três anos, que estava atrasada, e já tem a outra de sete, que também está atrasada, e que eu pretendo pagar ano que vem. Eu estou muito contente. Eu comecei a participar do Candomblé desde criança, entre os 10, 11 anos. Desde quando eu morava em outro bairro eu já era simpatizante e frequentava terreiro de Umbanda, eu ia pra festas de Cosme e Damião, ia pegar bombom. Eu via o pessoal tocando e achava legal, o pessoal às vezes deixava eu tocar, eu não sabia muito, mas como deixavam eu fui aprendendo.

14 Anos de Pai Geovano 33 por você.

Eu ainda não conhecia o Candomblé, aí quando eu conheci melhor a religião, quando eu vim pra cá pro Geovano, que hoje é meu pai de santo, eu me interessei e até hoje estou aqui. Ele me ensinou a tocar, e eu comecei a frequentar outras festas, em casas pra ver como era o ritmo que eles tocavam. Fui prestando atenção e aprendi um pouco. Aqui é que nem a gente tá na escola, é um idioma, a cultura afro-brasileira, que a gente tem que aprender. Quando a gente vai vendo o que as rezas em yorubá querem dizer aí fica mais fácil. Dá pra eu tocar e cantar o básico de Exu a Oxalá, mas ainda não sei o bastante Porque há uma importância muito grande do ogan dentro do Candomblé, principalmente o alagbê, é ele que toca, que canta e anima as festas. Se o pai de santo não estiver por perto é o alagbê que tem de iniciar tudo.

14 Anos de Pai Geovano 34 por você.

A DESENVOLTURA DOS PEQUENOS OGANS

Foi a saída de mais dois ogans da minha casa, duas crianças, com a autorização da mãe e do pai. São crianças muito cobradas pelo santo, não pelo que eles fizeram, mas pelo que eles passaram, pelas promessas que a mãe fez para que eles vivessem, porque eram crianças muito doentes; então, chegou um momento que o santo em si queria a obrigação deles, fizemos. Tem um que tá com três anos, o outro vai fazer dois anos.

14 Anos de Pai Geovano 35 por você.

São jogados búzios para ver o que os orixás falam, se é pra iniciar, a gente inicia. (Todo o ritual, com toda a obrigação que por ventura se venha a fazer para uma pessoa, ela tem de ser autorizada automaticamente pelo orixá dela.) O menor é de Oxóssi e o maior de Oxaguiã. Não é porque sejam crianças que vai fugir da hierarquia, não foge, tem de ser como o orixá manda, tem de ser como o antigo. Se for um aleijado, a mesma coisa; se for um mudo, a mesma coisa; se for um rico, a mesma coisa; se for um pobre, também. O fundamento é um só. Pra ogan, por exemplo, são sete dias de recolhimento; pra ekédi, também; pra yaô, depende do orixá, tem orixá que faz com 21 dias, tem orixá que faz com 16, com 12, e assim vai.

14 Anos de Pai Geovano 36 por você.

Eles não apresentaram nenhuma dificuldade. Da limpeza de corpo deles, que eles tiraram ebó, aliás, todos nós, porque o Robson e eu também tiramos ebó. No caso deles, minha maior surpresa e alegria foi começar os preceitos e ver que parece que eles nasceram pra isso mesmo. Quando foram colocados os preceitos neles, no caso contra egun, pra evitar de espíritos ruins encostarem neles, eles aceitaram com a maior tranquilidade e, detalhe, quando um contra-egun desatava, eles corriam imediatamente pra eu amarrar de novo, pra que não ficasse caído, como se eles já soubessem que aquilo era uma proteção pra eles. Se fosse rezar de manhã, como aconteceu, eles acordavam, estavam caindo de sono, mas estavam ali, falando não sei o que, que eles não falam direito, só fazem escutar, na hora de bater palmas eles batiam. Quando terminava a reza, eles simplesmente viravam pro lado e dormiam. Na hora de tomar banho, eles iam tomar banho, tudo assim com uma maior naturalidade, como se eles já tivessem vivido essas experiências há tempos. E na festa, como todo mundo viu, eles estavam muito à vontade.

14 Anos de Pai Geovano 38 por você.

A IMPORTÂNCIA DA BANDEIRA DA NIGÉRIA PARA O CANDOMBLÉ

Eu quis fazer assim com essas bandeiras. É uma interligação, do Brasil para o Amazonas e à Nigéria, que é o berço dos nossos orixás, do Ketu, que foi lá a primeira cidade de Ketu. Então, esta bandeira nós temos de levantar, porque apesar de estarmos no Brasil, vivermos no Amazonas, mas é a África que nós cultuamos, é a África que nós temos em comum.

14 Anos de Pai Geovano 41 por você.

Então você vê, eu quis fazer uma homenagem também de história, você vê que na minha parede tem 16 orixás, todos muito bem desenhados. É uma homenagem que eu fiz, porque a gente está acostumado a ir pelos barracões, chega lá tem um monte de imagem de Santa Bárbara, de São Benedito, de São não sei que, São não sei de onde. E as nossas imagens, dos nossos orixás, por que não tem? Santa Bárbara é Santa Bárbara, não é Iansã. Quem diz isso está falando uma coisa muito errada. Tem sim uma ligação de se esconder atrás dessas imagens, mas isso foi no passado, hoje em dia nós temos mais porque nos esconder atrás de imagens que não sejam as dos nossos orixás. Então eu quis fazer uma homenagem a mais ao berço dos orixás, à Nigéria, por isso eu coloquei a bandeira da Nigéria.

14 Anos de Pai Geovano 39 por você.

Teve a presença de muitos pais de santo, que não deu pra gente olhar bem tudo, poRque numa obrigação grande assim, a gente fica meio atarantado, fica desnorteado, depois incorpora com o orixá, aí é que não se vê mais nada. Graças a Deus, o que deu para eu perceber, eu só não vou citar nomes para não ser injusto para com outros. Eu agradeço a todos, podem contar que nas festas na casa deles, sempre que for convidado, irei retribuir a presença deles aqui, porque eu fiquei muito honrado.

14 Anos de Pai Geovano 40 por você.

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN ●●

Travessa Guape, nº 173 — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3682-5727 / 3638-7472 / 8111-5335

LANÇAMENTO DO CD “ALESSANDRO DE OGUM CANTA AOS ORIXÁS” E OUTROS EVENTOS LIGADOS À CULTURA E RELIGIÕES AFRO

CD Orixás 01 por você.Clique nas imagens para ampliá-las.

Além da importância político-cultural-religiosa do lançamento do CD Alessandro de Ogum Canta aos Orixás por ser a primeira gravação musical dos cultos afro no Amazonas, o evento, organizado numa parceria da Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (Abucabam) e a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Amazonas (Fucabeam), realizou-se como uma confraternização e fortalecimento dos laços afetivos entre as diversas vertentes dos cultos afro existentes em Manaus.

CD Orixás 12 por você.

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá (presidente da Fucabeam), Babalorixá Alessandro de Ogum e Pai Lairton da Oxum.

O evento ocorreu na sede da Fucabeam, e quem falou a este bloguinho foi Pai Lairton de Oxum, presidente da Abucabam:

Hoje é um momento importante pra nós, porque estamos lançando, em parceria com a Fucabeam, o primeiro CD da religião, um CD com rezas da nação Ketu. O CD é do babalorixá Alessandro de Ogum. E hoje é especial também porque nós estamos aqui reunidos não somente a nação Ketu, estamos fazendo a reunião de várias nações: Angola, o Tambor de Mina, Mina Jêjo Nagô, babalorixás, yalorixás de várias nações estão se juntando hoje aqui nesse lançamento. Todas as religiões já gravaram CD’s com louvações, com rezas, orações; nós estamos lançando o primeiro hoje no estado do Amazonas. Hoje, no lançamento, a gente aproveita para mostrar um pouco da cultura afro-brasileira. Está sendo apresentada uma exposição do tambor de Mina, uma exposição de livros da coleção da editora Pallas, com livros referentes às religiões afro-brasileiras, e haverá ainda a apresentação do balé afro Mutalembê e de uma roda de capoeira. Tudo isso vai fazer parte desse evento em torno do lançamento do CD.

CD Orixás 14 por você.

Na alegria de ter realizado um feito singular e de fundamental importância para as religiões afro do Amazonas, o jovem babalorixá Alessandro falou-nos que desde pequenino vive na religião afro, cultuando-a sempre com devoção e responsabilidade, e nos disse dos motivos que o levaram a realizar este trabalho:

É o primeiro CD que tá sendo gravado aqui do Amazonas. A gente tá colocando aí para as pessoas ouvir e gostar da música dos orixás. De Exua a Oxalá, e um xirê completo. Foi um trabalho muito grande pra mim e pros meus irmãos que fazem parte do CD, mas graças a Deus, a Ogum e todos os orixás estamos aí de bom axé. O povo vai gostar…

CD Orixás 10 por você.

Para quem desejar ouvir o CD:

Alessandro Canta aos Orixás

Fones: (92)3645-9161 // 8133-7392 (Entrega a domicílio)

Disponível também em diversas cabanas de produtos afro.

alessandro_capa

O povo gosta de tudo que auxilia na afirmação da cultura afro, e não apenas os filhos e pais de santo estão gostando, mas também os simpatizantes e todos que são contrários à intolerância religiosa, a qualquer forma de intolerância.

Com essa espiritualidade, saímos para dar uma olhada nas belas exposições presentes no amplo terreiro.

EXPOSIÇÃO TAMBOR-DE-MINA

CD Orixás 03 por você.
Roupa de Oxalá e Rosários (fios de contas, guias), acima alguns instrumentos musicais, como o gã (ferro) e o xequerê (cabaça)


Roupas das Tobossis (Princesas meninas do Daomé) e bengalas dos Voduns e Nagô Gentil

CD Orixás 06 por você.

E o Boi dos Encantados; aqui o Estrela do Oriente, que você já ouviu mugir aqui neste bloguinho.

CD Orixás 08 por você.

EXPOSIÇÃO DE LIVROS AFRO-RELIGIOSOS

CD Orixás 32 por você.

Havia ainda uma exposição/stand de obras da Pallas Editora, que tem um projeto desde 1980 de publicar livros privilegiando temas ligados às nossas origens étnicas e culturais, inclusive com linha infanto-juvenil, escritos por estudiosos e autoridades religiosas afrodescendentes.

APRESENTAÇÃO DE CAPOEIRA: LEGIÃO BRASILEIRA

CD Orixás 15 por você.

E quando entrou Mestre Cristiano e a moçada da Legião Brasileira o terreiro foi preenchido de toda a musicalidade, movimentos e dança da capoeira. Sentindo o axé, o Mestre passou a envolver todos os presentes e aquilo que seria uma demonstração passou a ser um ritual coletivo.

CD Orixás 18 por você.

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

Eu quero ver você bailar

No meu berimbau

E todo mundo é do embalo

Do meu berimbau

CD Orixás 19 por você.

Essa menina é danada

Do meu berimbau

Eu quero ver você tocar

No meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

CD Orixás 16 por você.

Foi então a hora de mostrar as habilidades com o cacetinho, em uma das mais vigorosas modalidades da capoeira: o Maculelê, que Mestre Cristiano, inicialmente explicou não se confundir com a popular Dança do Cacetinho, e falou de sua origem com o Mestre Popó, na Rua da Linha, há tantos passados lá em Salvador.

CD Orixás 21 por você.

Certo dia na cabana um guerreiro

Certo dia na cabana um guerreiro

Foi atacado por uma tribo pra valer

Pegou dois paus, saiu de salto mortal

E gritou pula menino, que eu sou Maculelê

CD Orixás 22 por você.

Então um pandeiro pulou pra roda, e não somente as garotas da Legião Brasileira caíram no samba, muitas das que estavam na platéia foram convidadas e não titubearam.

CD Orixás 24 por você.

Mulher bonita

Do cabelo enrolado

Da boca pequena

O nariz afilado

CD Orixás 25 por você.
Aqui, Flor, representando a Fucabeam.

CD Orixás 26 por você.

Homem para ser livre

Domina sua mente

E jamais será escravo

CD Orixás 17 por você.

DOCUMENTÁRIO SOBRE JORGE BABALAÔ

Na sequência, foi feita a reprodução de um documentário sobre o Babalaô Jorge da Fé em Deus (São Luís do Maranhão), pai de santo de Mãe Emília e um dos mais conhecidos e importantes babalorixás do Tabor-de-Mina do Brasil.

CD Orixás 27 por você.

Falecido em 2003, Pai Jorge era respeitado não apenas pelos conhecimentos das religiões afro, mas também pelo engajamento na luta pela preservação de todos os cultos afro no Maranhão, e assim, por suas atitudes, contribuiu, e contribui, com a resistência das religiões de matrizes africanas em todo o Brasil.

CD Orixás 31 por você.

BALÉ AFRO “MUTALEMBÊ”

CD Orixás 28 por você.

Eis que vieram as garotas do Balé Afro “Mutalembê”, formado em 2005 a partir dos movimentos da negritude em Manaus, com o objetivo de difundir através da dança a beleza, conhecimentos e posições da cultura afro para a comunidade de Manaus. Nesse evento, fizeram alguns números com músicas do cancioneiro popular ligadas à cultura e à religião de matrizes africanas, como a maravilhosa composição de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Guerreira, conhecida na voz da guerreira Clara Nunes.

CD Orixás 29 por você.

Se vocês querem saber quem eu sou

Eu sou a tal mineira

Filha de Angola, de Ketu e Nagô

Não sou de brincadeira

Canto pelos sete cantos

Não temo quebrantos

Porque eu sou guerreira

Dentro do samba eu nasci,

Me criei, me converti

E ninguém vai tombar a minha bandeira.

CD Orixás 30 por você.

Com certeza esse evento foi fundamental para aproximações democráticas dentro dos diversos cultos afro e manifestações afro em Manaus. Uma verdadeira confraternização de todos aqueles que comungam a possibilidade de um mundo sem intolerância, onde todos possam compartilhar sua beleza cultural de forma plena e livre. Axé!

CD Orixás 33 por você.

AFIRMAÇÃO DAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS E COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NA CONFERÊNCIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL

Os líderes das religiões de matriz africana tiveram atuação marcante na 2ª Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial, encerrada nesse domingo (28). A plenária final referendou uma série de propostas destinadas a garantir o combate à intolerância religiosa.

Os delegados recomendaram o mapeamento cartográfico social dos terreiros de todo o país, a garantia de aposentadoria para religiosos e a responsabilização de emissoras de TV ou rádio pela veiculação de matérias de cunho racista e discriminatório, com multas diárias no caso de práticas de intolerância.
O ministro da Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, se comprometeu a formular um plano nacional de combate à intolerância religiosa e a apoiar a criação de um fórum nacional do movimento de religiosos de matriz africana. “Estamos à disposição das entidades para essa luta, que consideramos extremamente legítima”, diz o ministro.
O diretor de projetos e pesquisa da Federação Brasiliense e Entorno de Umbanda e Candomblé, Ribamar Veleda, acredita que a conferência marcará uma novo momento na conscientização da sociedade. “É uma luz que estávamos buscando ao longo de muito anos e que agora começa a se acender. Sabemos que muito tem a ser feito, mas sabemos que o pontapé inicial está sendo dado aqui hoje”.

A comunidade indígena também avalia como positivos os debates e encaminhamentos da 2ª Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial. A defesa dos territórios indígenas e do processo de regularização foi reforçada na plenária final por representante de outros movimentos, como negros e ciganos. No âmbito institucional, a Seppir se comprometeu a analisar a proposta de criação de uma subsecretaria indígena.

Para a representante do Conselho Nacional das Mulheres Indígenas, Maria Helena Azumezohero, a garantia de espaço para as comunidades na conferência e o diálogo com outros movimentos também são importantes conquistas. “Tivemos a participação aqui de representantes indígenas de todos os estados e, por isso, conseguimos avançar nas nossas propostas. Agora vamos aguardar uma resposta sobre a subsecretaria na Seppir.”

A liderança indígena também levou para aprovação na plenária final recomendações na área de educação, principalmente visando ao cumprimento do Plano Nacional de Educação Indígena e ao aumento da oferta de vagas para índios no ensino superior.

Reproduzido da Agência Brasil.

ARRAIAL DE SÃO JOÃO NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Arraial São João 01 por você.

Clique nas imgens para ampliá-las.

Fogueira, iguarias juninas, quadrilha de crianças e um boizinho lá do Maranhão, foi no Arraial de São João no terreiro de Mãe Emília de Toy e Lissá, que mantém a maravilhosa tradição há quase três décadas.

Todo ano, desde quando eu morava na Pça 14, eu faço esse arraial, já faz mais de 25 anos. Sempre assim com alegria, vem os amigos, é uma tradição que a gente sempre faz. Todo ano a gente comemora São João, faz a fogueira, faz esse arraialzinho, tudo é dado de graça.

Arraial São João 02 por você.

E logo veio a primeira atração da noite, uma engraçada e divertida quadrilha de crianças dançantes e sorridentes em brincar de corpo e alma na noite de São João.

Arraial São João 03 por você.


Arraial São João 06 por você.

No intervalo, a meiga Mariana distribuía as fichas para os convidados, tudo de graça, como falou Mãe Emília. E no delicioso cardápio: tacacá, vatapá, milho cozido, bolo de tapioca, mingau de milho, mungunzá. Tudo com direito a repeteco…

Arraial São João 07 por você.

Arraial São João 08 por você.

Arraial São João 09 por você.

Arraial São João 10 por você.

Teve quem agradecesse e quem fizesse os seus pedidos a São João ao redor da fogueira ardente em labaredas.

Arraial São João 11 por você.

Arraial São João 12 por você.

Então chegou a hora do boizinho vir ao terreiro para brincar, hora tão esperada pela moçada afinada, que não chegada ao boi comercializado. Mãe Emília nos faz a apresentação do tão amado boizinho:

O boizinho chama-se Estrela do Oriente. Tá com três anos que veio do Maranhão. Ganhei da casa de santo do Pai Zé Catarandi. Eu fui pra uma festa lá, e quando terminou tudinho, na hora da matança dos bois, me enregaram ele. Aí eu batizei ele aqui, com toda cerimônia. Vem umas entidades do povo de Légua, que vem dançar. No dia do boizinho, elas acompanham, vem comemorar, louvar, porque o boi pertence ao povo de Légua lá, então eles vem também, o povo de Légua.

Arraial São João 14 por você.

Arraial São João 13 por você.

Como anunciou Mãe Emília, a primeira entidade que veio, para dançar como miolo do Estrela do Oriente, baixando em Danilo, filho da Mãe Orny, foi seu Manezinho de Légua, que santificou as evoluções na velocidade da ginga no terreiro.

Arraial São João 15 por você.

Arraial São João 16 por você.

Já em Mãe Orny quem veio foi Dona Suzana de Légua, que já foi entoando toadas melodiosas e dançando sempre vigorosamente.

Arraial São João 31 por você.

Boi, Boi, Boi,

Vaqueiro meu vá se preparar

Se tu vais no Codozinho

Se tu vais no Maranhão

Vá dizer pro meu Pai Légua

Que aqui está melhor do que lá


Arraial São João 22 por você.

As matracas, cada vez mais afinadas, fez empolgar os brincantes, e o boizinho Estrela do Oriente, boi de raça, vindo lá do Maranhão, passou para as mãos de um por um, que o empunhavam com carinho e devoção.

Arraial São João 17 por você.

Arraial São João 18 por você.

Arraial São João 20 por você.

Arraial São João 24 por você.

E assim o boizinho tão amado no Terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá fez, segundo Mãe Emília, apenas uma pequena demonstração, mas que, para este bloguinho, é uma apresentação do autêntico boi, fora da simulação comercial parintinense. Mãe Emília recorda…

Esse boi de hoje tá muito folclórico, não é mais como o boi de antigamente. Meu pai dançava no Mina de Ouro, no Corre-Campo, Tira-Prosa, logo que começou, eu ainda era mocinha e acompanhava ele no boi. Você via aquela trincheira de índio, você dizia que era índio de verdade, agora se acabou desses bois, tá tudo muito artificial.

Arraial São João 23 por você.

Arraial São João 25 por você.

Ainda segundo Mãe Emília, Estrela do Oriente já tem algumas toadas compostas, ela e os filhos irão compor mais, irão ensaiar e no ano que vem fazer uma apresentação maior, com o ritual completo do verdadeiro Bumba-Meu-Boi. Este bloguinho com certeza virá para ver toda a beleza do Estrela do Oriente. Urra, Meu Boi!

Arraial São João 26 por você.

Danilo com o Estrela do Oriente, aqui já sem seu Manezinho de Légua, a entidade-miolo do boi.

Arraial São João 30 por você.

Arraial São João 28 por você.

CONVITE CANDOMBLEZÍSTICO

alessandro_capa

A Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM) e a Associação de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM) convida a todos os adeptos das religiões afro para o lançamento do CD – Alessandro de Ogum Canta aos Orixás.

Local: Rua Pintassilgo,100 – Núcleo 2 – Cidade Nova 2, Manaus, AM – sede da Fucabeam

Data: 27.06.09

Horário: 20h

Colktail e apresentações culturais (balé afro e roda de capoeira)

TODOS SERÃO BEM VINDOS…

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Fonte: ArtFolk

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(92) 8809-5152

__________________________

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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