Arquivo para a categoria 'Agenciamento de Enunciação'

IRMÃ DULCE É SANTA, EMBORA O PAPA QUEIRA PROVA

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A notícia veiculada pelo Vaticano de que o Papa Bento vê em Irmã Dulce possibilidade de santificação, mas precisa de demonstração explícita de milagres, nos concede um elemento trans-teológico para um acurado exame quanto a esta demonstração que pede o Sumo Pontífice.

Quem tem conhecimento do trabalho realizado por Irmã Dulce na Bahia, comprometida com as causas desesperadoras da violência social sobre os mais pobres, tem o entendimento da natureza e do grau de santidade de suas ações. Pois, se realizar milagres é atuar no mundo como potência criadora de qualquer forma de liberdade, Irmão Dulce, além de seus mais de setenta anos, operou profundos e inimagináveis milagres junto a esta classe explorada, humilhada e ofendida. Conseguiu, juntamente com estes irmãos, auxiliá-los a ter crença na vida sem o tom da provação que é imposta aos pobres para que eles aceitem resignados “seus lotes de dívida” (Deleuze), como objeto de sua culpa que serve ao juiz de suas condições de devedores terrenos. Nada deste “ranger de dentes”, e nem passivo apoio ao “muro das lamentações”. Irmã Dulce, em sua singeleza e inteligência ontológica, sabia que a condição de ir para o céu é ser livre na terra, para que o fiel possa se prover dos adereços que agradam a Deus em sua festa de encontro com os mortais. O sofrimento, para Irmã Dulce, não é condição para chegar ao céu. Se permitir a exploração não é escolha que garante a realização do belo sonho da imortalidade da vida no Paraíso.

Ser sobrevivente na pobreza nordestina é uma questão que vai além da estreiteza moral e política dos homens que representam as instâncias econômicas, políticas, jurídicas e sociais, conforme afirma a insigne e inteligente jornalista/ética Marilene Felinto, sobre si mesma quando se toma como uma retirante do nordeste que se tornou sobrevivente. Irmã Dulce também tinha essa percepção e raciocínio das condições degradantes impostas aos pobres pelos “senhores da terra e do céu” (como diz o poeta amazonense), mas diferia quanto ao fato de querer que o pobre permanecesse em sua terra mais existindo dignamente como ser humano, o que faz ser digno diante de Deus.

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Agora o Sumo Pontífice quer comprovação de milagres da Irmã Dulce. Mais os milagres que Irmã Dulce realizou se atualizaram no momento em que mudou realidades, no instante ontológico junto aos necessitados de suas práxis, e isto é intransportável temporal e espacialmente para hoje servir de testemunho milagroso. É o “hic et nunc” de sua obra estética junto aos seus irmãos. A unidade de sua presença no próprio local onde se encontrou, sua autenticidade, presença única vinculada a sua obra histórica, como afirma o filósofo alemão Walter Benjamin, sobre a Aura na obra de arte que, para nós serve, como Aura sagrada em Irmã Dulce, o que faz com seus crentes acreditem em sua presença.

Sua faculdade racional, capaz de examinar as condição dos pobres, permitiu Irmã Dulce elevar seu espírito através de suas obras, de suas realizações. Cânones que a dogmática sacralizadora não está levando em questão quando pede comprovação de milagre na ordem da superstição. Do incorpóreo, do etéreo do conceito teológico de alma beneficiada pela atuação de Irma Dulce só pelos signos codificantes da linguagem da Igreja. Fato que beira a ironia, a ponto de alguém poder afirmar que Irmã Dulce está mais para Prêmio Nobel da Paz que para canonização.

Com Nobel ou sem Nobel, com Papa ou sem Papa, Irmã Dulce é santa, pois sua existência ainda hoje carrega a Aura dos milagres. Mesmo que não venha ocupar um espaço na parede sagrada da hagiografia.

Viva, Irmã Dulce, nossa santa!

1º DE ABRIL, DIA DA MENTIRA, É UMA TREMENDA MENTIRA

Se o princípio lógico da verdade é a objetividade, a concordância do enunciado com o que se tem como realidade sensível e intelectível, o que pode ser provado por estas duas faculdades, o 1º de abril, como enunciado, dia da mentira, é uma tremenda mentira. Como dia de um mês que possui concordância sensitiva e intelectiva no tempo e no espaço, ele é uma verdade. Portanto, tratado como mentira, é uma mentira.

Para que o dia 1º de abril fosse o dia da mentira, o mês de abril teria que ter um dia a menos. O seu dia 1º não existiria, por ser uma mentira. E, como ele, todos que tivessem referência com esta data. A inexistência deste dia anularia qualquer referência que se quisesse real a ele. Não existindo o dia 1º, abril começaria no dia dois. Assim, estaríamos mais novos. Alguns bebês não nasceriam, e também muita gente não morreria. E o salário — de quem tem —, renderia mais.

Mas aqui salta um impasse. Se o dia 1º de abril não existisse, nós estaríamos impedidos de mentir. O que é humanamente impossível. Basta lembrar o adágio popular: “Errar é humano”. O erro é a ausência da verdade e a preponderância da mentira. Sem mentira o homem seria perfeito, o que seria o fim do mundo. O fim do movimento. E o mundo segue os véus, as máscaras os adornos da mentira. O mundo quer desnudar a mentira para ver o que ela esconde. Certamente, nada.

O certo é que, em um mundo que se fabula tanto a verdade, a mentira tem sempre que mostrar sua cara. Até mesmo quando ela é uma verdade. Por exemplo. A democracia, para a corrupção, é uma mentira. Não é verdade necessária ao povo. As investigações do delegado Protógenes, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, recebendo este sentença de condenação do juiz De Sanctis, para os advogados de Daniel Dantas, são mentiras. E, assim, muitas verdades são tomadas como mentiras. Isto porque o princípio determinante da verdade ou da mentira é um conjunto de valores condensados em um sistema. E o juiz que sentencia o que é verdadeiro ou mentiroso, é aquele que detém a força deste sistema. Sistema quase sempre tirânico, como o capitalista, e, sistema, quase menos, democrático, em função da tirania.

Então, neste dia que se diz 1º de abril, vamos fazer prevalecer o sistema de valores democráticos, e vamos anunciar algumas mentiras como verdades. Freudianamente, a mentira pode ocultar um desejo de verdade para quem nela se encontra envolvido. Exemplo: dizer que o Fernando Henrique é o príncipe dos sociólogos é uma tremenda mentira, mas para ele é um imenso desejo de que seja verdade.

Vamos às enunciações mentirosas, e, para tal, contamos, também, com as mentiras do nobre acessador deste bloguinho intempestivo. Olha aí uma verdade nietzschiana que no senso comuníssimo salta como mentira: intempestivo.

MENTIRAS, VALHA-NOS DEUS!

<> Amazonino, prefeito de Manaus cassado em primeira instância pela excelentíssima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, hoje, em sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, teve confirmada sua absolvição.

<> De acordo com a avaliação do MEC sobre o ensino nos estados brasileiros, publicada hoje, o Amazonas deixou o penúltimo lugar, passando a ocupar o primeiro lugar em aproveitamento escolar.

<> O governador do estado do Amazonas, Eduardo Braga, em reunião com seu secretariado, mais autoridades e empresários, depois de avaliar o quanto as políticas públicas do estado necessitam de verbas para que a sociedade tenha seu direitos atendidos, decidiu não mais colocar o nome de Manaus como sede da Copa em 2014. E de quebra não vai mais construir a ponte Manaus Iranduba, pois viu que se tratava mais de uma vaidade pessoal do que necessidade social e econômica. Todo dinheiro que seria gasto será usado para o Bem Comum.

<> Empresários donos das mídias de Manaus decidiram, em grupo, mudar suas orientações editoriais. A partir de hoje não mais se submeterão às imposições dos governos. Afirmam que serão democratas reais. O primeiro ato será aumentar os salários dos jornalistas, fotógrafos, todos os profissionais midiáticos, e resguardar todos os direitos trabalhistas dos mesmos.

<> Justiça afirma que o PSDB não foi o criador do valerioduto.

<> Em reunião de seu partido PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, abdicou de sua candidatura à presidência.

<> A Central Globo de Produções decidiu terminantemente pôr um fim às telenovelas, o Fantástico, Jô, BB, e todos seus tele-jornais, principalmente o Jornal Nacional. Na esteira, demitiu Xuxa, Angélica e marido, Galvão Bueno, Bial, entre outros.

<> As organizações Globo publicaram, hoje, carta documento contando e assumindo todos os episódios históricos em que conspirou contra a democracia brasileira.

<> O ministro da Educação assinou, hoje, decreto que acaba com o vestibular para o ingresso na universidade pública.

<> A partir de hoje, Dunga não é mais técnico da seleção, em seu lugar foi contratado Romário.

<> Para colocar um basta definitivo em sua rusga contra o técnico da seleção Argentina, Maradona, o ex-jogador Pelé afirmou que sempre teve o ex-jogador Maradona como o melhor jogador do mundo. E que sempre foi seu fã.

<> Em missa matinal, o Papa surpreendeu o mundo: afirmou que é a favor da camisinha, assim como de todas as formas de contraceptivos.

<> Os senadores Arthur Neto, Agripino Maia, Mão Santa, Heráclito Fortes, Efraim, Sérgio Guerra, e mais Fernando Henrique encontraram-se hoje, no Palácio do Planalto, com Lula, e exigiram que ele se candidate ao terceiro mandato.

<> Ivete Sangalo, Seu Jorge e Hebe Camargo entram em estúdio, hoje, para gravar uma música em homenagem aos dois mandatos de sucesso de Lula.

<> As empresas Firefox, Netscape, Internet Explorer e Google notificam aos usuários virtuais que a partir de hoje estarão desativando suas redes.

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PELO DIREITO AO BANQUETE NA MESA DO POBRE

Os Comedores de Batata - Van Gogh

Os Comedores de Batata - Van Gogh

Fartura é um bichinho que anda lentamente e juntando restos de comida. É muito comum nos interiores do Amazonas. Pela crença popular, quando a fartura passa é que tempos de vacas gordas estão chegando. Infelizmente, nos interiores abandonados dos estados e nas grandes e pequenas cidades, nem vacas magras chegam. Às vezes, a mesa do pobre é que nem uma longa noite sem sonhos. O problema é que os pobres estão acordados e muitas vezes não lhes resta nem pesadelos, apenas vareação, pilora, piripaque nas crianças raquíticas e adultos esquálidos. Realidade objetiva imposta violentamente pelo banquete indigesto dos poderes.

É justamente esta realidade objetiva que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e representantes estaduais do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), reunidos ontem e hoje em Brasília na oficina Construindo o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), tentam modificar, discutindo “medidas para assegurar o direito humano à alimentação adequada”. Nada contra o tradicional chibé, mas é que são necessárias muitas outras proteínas para que uma criança cresça saudável e um adulto sinta-se sadio do que as encontradas no pirão de farinha, água e sal.

Banquete de domingo, na rua Rio Jaú, zona Leste de Manaus.

Banquete de domingo, na rua Rio Jaú, zona Leste de Manaus.

No encontro será discutida a implementação do sistema, criado pela Lei de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan) em 2006, que atribuiu ao Sisan a competência de articular e coordenar as políticas públicas e a ação do Estado para assegurar o direito humano à alimentação adequada. (Agência Brasil)

Para a fenomenologia, a realidade humana é ôntica e ontológica; ou seja, para realizar suas ações necessárias ativamente no mundo (ontologia), preservando seu ser, o homem necessita antes preservar seu ente, a partir das contingências comer, dormir, transar, vestir, beber, etc. É nesse sentido que Lula criou provavelmente o mais importante programa social em execução atualmente no mundo, o Bolsa-Família. Não apenas abundante, o banquete na mesa do pobre tem de conter variedades de alimentos e seguir um número adequado de refeições, e não apenas quando a criança berrar.

A partir daí, é só inventar outras fomes, a de justiça, por exemplo se são mesmo os pobres que tudo inventam , como tão bem sacou o de-compositor Tom Zé e o lançou no seu Desafio

Meus senhores, vou lhes apresentar

A figura do homem popular,

Esse tipo idiota e muquirana

É um bicho que imita a raça humana.

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O doutor exagera e desatina

Pois quando o pobre tem no seu repasto

O direito a escola e proteína

O seu cérebro cresce qual um astro

E começa a nascer pra todo lado

Jesus Cristo e muito Fidel Castro

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Refrão:

Africará mingüê e favelará

mérica de verme que deusará

Iocuné Tatuapé Irará

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Veja o pobre de hoje: quer tratar

Do direito, da lei, ecologia.

É na merda que eles vão parar

Ou na peste, maleita, hidropisia.

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Mas o Direito, na sua amplitude

Serve o grande e o pequeno também.

Além disso quem chega-se à virtude

E da lei se aproxima e se convém

Tá mostrando ao doutor solicitude

Por querer o que dele advém.

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Refrão

FÓRUM MUNDIAL MÍDIA LIVRE

Midia Livre 01 por você.

Midialivristas de todo o mundo, uni-vos! No antigo NPI, atual Escola de Aplicação da UFPA, ativistas de mídias alternativas do mundo inteiro se encontram para discutir e disseminar modos alternativos de informar e de produzir informação e conhecimento. Na manhã de hoje, duas mesas temáticas trataram da situação da mídia tradicional e apresentaram os eixos que serão levantados pelos midialivristas no fórum. À tarde, uma grande roda viva onde todos puderam participar e dar a sua contribuição.

No horário da manhã, as mesas de convidados fizeram a animação, tratando das questões relativas ao desenvolvimento do midialivrismo e da mídia e sua posição em relação à crise.

Na mesa que tratou da relação entre mídia e crise, os convidados Luiz Hernandez Navarro (La Jornada), Sandra Russo (Página 12), Pascual Serrano (Rebelión), Marcos Dantas (PUC-RJ), Joaquim Palhares (Carta Maior), Altamiro Borges (Vermelho), Joaquín Constanzo (IPS), Bernardo Kucinski e Ignácio Ramonet, traçaram um preciso e profundo quadro da mídia em relação à chamada crise, e mostraram que esta não se reduz ao seu viés econômico, mas é um crise do próprio jornalismo, além de responsabilizar diretamente a mídia pelo clima de horror que toma conta do cenário econômico.

Ignacio Ramonet, sempre lúcido, apontou os destroços do chamado neoliberalismo a partir da crise financeira. Para ele, a crise afeta não somente o espectro econômico, mas principalmente a credibilidade e força dos meios de comunicação, em estreita relação com as instâncias responsáveis pela irreponsabilidade do mercado. Ele pontou que o clima de desespero da mídia não vai muito longe, bastando para isso que o leitor perceba que a própria mídia, ela mesma participante da rede do sistema financeiro, está em ruínas. Ele apontou o surgimento de governos pró-esquerda na América Latina como uma evidência do enfraquecimento da mídia oficial, o qual deve ser aproveitado pelos midialivristas.

Silvia Russo, do periódico argentino Pagina 12, destacou o surgimento de um sentimento de cidadania e protagonismo na América do Sul. Ainda, para ela, o martírio da linguagem é o grande inimigo da comunicação. A expropriação da palavra pela grande mídia é um das armadilhas que existe contra a comunicação, e é neste campo que a mídia alternativa pode e deve atuar.

Midia Livre 03 por você.

Marcos Dantas, da PUC-RJ, salientou que a palavra mídia pode carregar um equívoco. Por detrás do termo mídia existem pessoas, profissionais, e mais, um patrão, que não é jornalista, e que pauta o jornal de acordo com os seus interesses. Ele cita o exemplo de Chico Mendes, que quando ganhou um prêmio internacional da ONU, foi notícia de pé de página no Jornal do Brasil, mas que, quando faleceu, o mesmo editor do jornal desengavetou uma entrevista feita por um jornalista e que, à época, não foi aproveitada. A lógica do mercado no jornalismo midiático. Dantas salienta que esta estrutura de mídia precisa ser enfraquecida, já que submeter a notícia à lógica do mercado é inverter o sentido público do jornalismo.

Para o combativo jornalista espanhol Pascual Serrano, a mídia deve ser responsabilizada não apenas por noticiar a crise com histeria, mas por fazer parte do sistema econômico-financeiro que a causou. Para ele, houve uma verdadeira expulsão do jornalismo pensante da grande mídia. A orientação mercadológica, ele sublinha, permite apenas aos analistas favoráveis ao discurso do patrão emitirem sua opinião em rede nacional. Ele cita o exemplo de um noticiário cubano, muitos meses antes da deflagração da queda das bolsas, onde vários jornalistas e analistas já anunciavam o que estaria por vir.

Midia Livre 05 por você.

O professor Bernardo Kucinski aponta o predomínio de um discurso genérico da mídia sobre a crise, procurando fazer prevalecer a tese da “naturalidade”, como se os resultados da temeridade dos financistas fosse algo natural. Ele sublinha por exemplo, que a crise sequer é mundial (nenhum banco na Índia faliu, nem no Japão, nem no Egito, por exemplo). Apontou ainda o viés político que a mídia nacional carrega em transformar a crise em algo maior do que ela é, com o objetivo de atingir o governo Lula. Citou ainda uma pesquisa sobre a financeirização da mídia econômica. Segundo ele, o trabalho citado mostra que os bancos investem desde muito tempo em departamentos de assessoria técnica econômica, que se transformaram em “fontes obsequiosas”, ávidas de transformar a versão do patrão em verdade factual. Para ele, paradoxalmente, quem melhor cobriu a crise americana foi a própria mídia Americana.

Para o periodista Joaquím Constanzo, a profissionalização da mídia alternativa é necessária para que se possa disputar em termos de audiência e amplitude. Ele cita o exemplo do IPS, onde trabalha, e que tem uma grande estrutura de jornalismo internacional, e mesmo assim “é uma gota no oceano” da informação. Segundo ele, a mídia, com seu alarmismo, tenta ocultar que a crise financeira significa o fim do modelo financista predatório.

Altamiro Borges, do site Vermelho, responsabiliza a mídia não apenas por criar um clima de terror econômico, mas de ser, ela mesma, a origem de toda a onda especulativa. Para ele, é preciso fortalecer a mídia alternativa, disputar as verbas governamentais em condição de igualdade com a mídia oficial, montar fóruns regionais de mídia e criar uma pauta nacional, sem subtrair a diversidade que caracteriza a mídia alternativa.

Para o argentino Luiz Hernandez Navarro, do La Jornada, a mídia mergulha numa crise sem ter resolvido a sua própria crise: a diminuição massiva do consumo de jornais e, menos massiva, mas significativa, da tevê, a deteriorização da profissão jornalística, a falta de sintonia com a atualidade e a transformação da informação em mercadoria. Na sua visão, a mídia alternativa deve focalizar a luta para que a informação continue sendo um bem público, e procurar impor a sua própria agenda em relação à mídia oficial.

Midia Livre 07 por você.

Joaquim Palhares, da Carta Maior, observou que o cenário da América do Sul é a prova de que o Fórum Social Mundial, oito anos atrás, já tinha a leitura do que hoje ocorreria. As mudanças no mundo tem uma forte relação com a circulação alternativa de informação, sobretudo na internet, e que permitiu o alinhamento mais à esquerda da América do Sul e a eleição de Obama nos EUA, por exemplo.

RODA VIDA DA LIVRE-MÍDIA

Midia Livre 11 por você.

No horário da tarde, fez-se uma grande roda, onde as temáticas eram apresentadas pelos próprios participantes do fórum. Dentre várias verbalizações, idéias e alternativas apresentadas nos segmentos de rádio comunitária, software livre, produção independente de informação, tevê e WebTV, internet e outros, este Bloguinho bateu um papo com a moçada da rádio 103 FM – A Voz da Resistência, de Belém:

O que vivemos aqui no Pará em relaçào a radios comunitárias é uma discriminação, somos chamados de marginais, de derrubadores de aviões, e esperamos que com esse fórum possa mudar essa situação. Denunciamos a truculência da polícia federal, e já fomos presos, certa vez, por 19 agentes da PF, 05 agentes da anatel, fortemente armados. Neste dia, na outra sala estava um dos mandantes da morte da irma dorothy, falando ao telefone calmamente enquanto os integrantes das rádios eram coagidos a dedurar os colegas. E na última terça-feira, na semana passada, novamente outra batida da PF ocorreu, levando todo o nosso material.”

Também registramos o toque da moçada do Fórum de Tevê Alternativa, Documentaristas e WebTV:

A tevê alternativa tem como objetivo o registro das lutas sociais e a memória histórica, além da diversidade cultural, além do uso para informação das populações e dos movimentos sociais, indígenas, negros, estudantes, fazendo com que a câmera e a linguagem da produção de informação na tevê fosse apropriado pelos movimentos sociais. O audivisual é absolutamente pssível quando os movimentos sociais se apropriam da linguagem da tevê e constrói novas linguagens.”

Ao mesmo tempo, o companheiro Jacinto Mango, da Rádio Sol Mansi, de Guiné-Bissau, na África, nos falou sobre a potência-democrática das ondas de rádio por lá:

Trabalhamos no que era uma rádio comunitária católica, e que agora se transformou em tevê. São jovens que trabalham com vídeos, rádio e cinema, com o objetivo de transmitir valores culturais e educacionais da nossa sociedade, o objetivo é dar voz a quem não tem voz.”

Diretamente do Fórum de Produção de Conhecimentos Livre, o companheiro Marcos, do Intervozes, nos fala sobre o seu trabalho:

O processo de amadurescimento do laboratório está ligado à apropriação do conhecimento e a descentralização do conhecimento. Troca de experiências, e reflexão sobre as patentes do conhecimento, na arte, na literatura, na música, na cultura digital. O laboratório é o espaço de convergência de tudo isso. Estamos amadurescendo este espaço na UFPA, com cinema, grafismo digital, espaço que preserva o software livre.”

O movimento falou ainda sobre o perigo da Lei Azeredo e a vigilância na internet, lembrando que na frança o usuario que baixa conteudo em copiright é banido da internet, por que lá tem 4 provedores somente, e que a lei deveria virar-se ao contrário e trabalhar as licenças livres, já que atualmente tudo o que é colocado em sites como you tube, google, yahoo, pertence a eles, e não ao autor. Propriedade intelectual, modelo de licenciamento inaceitável da parte das gravadoras, o patenteamento dos transgenicos que transformam a vida em propriedade, e a discussão deve continuar nas oficinas de mídia livre do fórum.

Midia Livre 14 por você.

MIDIALIVRISTAS NA CAMINHADA DA ABERTURA DO FSM

O Fórum Mundial de Mídia Livre continua suas atividades na manhã de hoje, a partir das 9h, e às 15h, todos se dirigem para a Escadinha, ao lado da Estação das Docas, para a Marcha de Abertura. O FMML está acontecendo no antigo NPI, atual Escola de Aplicação da UFPA, à Av. Tancredo Neves (Perimetral), 1000 – Terra Firme.

CELEBRAÇÃO DA ÁGUA — LEONARDO BOFF E A ECOLOGIA DO CUIDADO (parte 2)

Leonardo Boff 07 por você.

Então esta é a compreensão que está se impondo até 2001, era uma hipótese científica. Em 2001, em um grande congresso com mais de 3 mil cientistas em Amsterdã, James Lovelock com Margulis, sua companheira Lynn Margulis, e o seu grupo trouxeram as provas científicas para mostrar que a Terra efetivamente é um super-organismo vivo. E foi aceita pela comunidade científica. Então deixou de ser uma hipótese e passou a ser uma teoria científica, que em ciência significa verdade científica.

Então a Terra é Gaia, a Terra é vida. E o último livro de James Lovelock se chama A vingança de Gaia, dadas as ameaças que durante séculos e agressões sistemáticas que nós fizemos contra Gaia, chegou o momento em que ela perdeu o seu equilíbrio, ela não consegue sozinha se auto-equilibrar, se auto-regular, por isso o aquecimento, por isso as secas, por isso as violências da natureza. E não é possível, diz Lovelock, que Gaia se vingue, porque os biólogos nos dizem que quando uma espécie de forma permanente e continuada agride as demais espécies, a própria Terra tende a isolar essa espécie e eliminá-la, como nós eliminamos uma célula cancerígena. Oxalá não tenha chegado o momento em que Gaia, por amor a si mesma e aos demais seres ameaçados por nós, nos elimine, e aí seria um justo castigo por todos os crimes que durante milênios nós perpetramos contra ela. Com muita dor, ela poderá continuar sem nós, quem sabe lá a diante a partir de um ser mais complexo possa existir o princípio da intelegibilidade e do amor, porque a inteligência e a consciência estão primeiro no universo e porque primeiro estão lá é que estão em nós, desde o princípio será mantido desde esse início do processo de evolução, mas nós teremos capacidade, nós veremos adiante que essa é uma situação possível, eu creio que Gaia ainda poderá ser resgatado pelo amor humano, pelo compromisso, pela compreensão, da mudança da nossa forma de cuidar da vida, de cuidar do planeta.

O segundo momento dessa ecologia não é só vê-la como comunidade de vida, vê-la como Gaia, mas é ver a sociedade humana, a ecologia social, a ecologia político-social. Porque cada sociedade organiza sua forma de relação com a natureza. Algumas de uma maneira extremamente benevolente, como os nossos índios tupis-guaranis, os yanomamis daqui da Amazônia, que cada vez que derrubam uma árvore fazem um rito de desculpa porque não gostariam de sacrificar uma árvore, mas tem que derrubá-la porque tem que fazer uma porta, tem que fazer um barco, tem que fazer um remo. Eles se sentem e profunda comunhão com a natureza. Enquanto nós, o paradigma dominante ocidental, que hoje foi globalizado, orgnizamos uma sistemática agressao a todos os recursos da Terra. Porque o propósito do nosso paradigma civilizatório é dominar, estar por cima da natureza e não junto com os demais seres. É a vontade de poder e a vontade de dominação. E estruturamos as formas de produção de consumo, que supõe a produção ilimitada de bens e serviços, mesmo devastando a natureza sem nenhum sentido de solidariedade com aqueles que vêm depois de nós, porque eles também têm direito de herdar um planeta limpo, cuidado.

Então, o projeto civilizatório se propõe explorar de forma ilimitada tudo o que a terra pode oferecer não é suportável pela terra, que é um planeta limitado, pequeno, velho e que já é capaz de se auto-reproduzir. Esse modelo, que foi universalizado, que já tem mais ou menos 400 anos e que agora entrou em profunda crise e seguramente não será uma crise cíclica, que passa e depois ganha um outro patamar e continua, no meu modo de ver é uma crise terminal. Esse sistema não tem mais condições de garantir a vida humana para todos os seres humanos. Porque nós atingimos os limites do planeta. Os limites do planeta são os limites do capital.

Em 20 de setembro estourou uma crise econômico-financeira que ganhou todo o noticiário mundial e continua até os dias de hoje. No dia 23 de setembro, os organismos que acompanham o estado da terra publicaram a capacidade de sustentabilidade da terra e nos deram os dados, dizendo que a partir de agora, 23 de setembro de 2008, nós estamos consumindo 30% a mais do que aquilo que a terra pode produzir. Para podermos sobreviver, precisamos de uma terra inteira e mais 30% de uma terra que não existe. Então ficou claro que a terra se tornou insustentável e até foi chamado em inglês de “Earth Shut Day”, “o dia da grande travesia”. Passamos do limite. Significa que essa forma de produçao, que se chama em termos de modo de producão, Capitalismo, e em termos políticos, Liberalismo, não tem mais condições de se reproduzir e ser levada a diante porque não tem mais terra suficiente, não tem mais recursos suficientes, e esse é o limite de nosso modo de produção. A necessidade de passar de um modo de produção destrutivo para um modo de produção regenerador dos recursos da terra, capaz de dar sustentação a toda comunidade de vida. Esse é o grande desafio civilizatório em que todos nós, as religiões, as ciências, as comunidades, os sindicatos, as escolas, as universidades devem trazer uma colaboração. Não desse movimento sustentável, porque esse se mostrou absolutamente insustentável. A lógica desse tipo de desenvolvimente se opõe diametralmente à lógica da vida. Esse tipo de desenvolvimento vive de duas ilusões: a ilusão de que os recursos são infinitos, que podemos tirar da terra o quanto pudermos, e hoje sabemos que os recursos são finitos, já passamos da capacidade da terra; a segunda ilusão é de um infinito temporal, que podemos ir assim para a frente indefinidamente, pois sabemos dos cálculos que foram feitos e se os países ricos quisessem socializar o bem-estar que eles tem para toda a humanidade, nos precisaríamos de duas terras semelhantes a essa. 20% da humanidade consome 80% de todos os recursos e serviços da terra, da natureza. Um profundo edifício social que gera uma injustiça ecológica, isto é, produção sistemática de pobres e famintos. Depois da crise da alimentação, de 860 milhões de pobres passaram prara 930 milhoes, o último dado.

Leonardo Boff 09 por você.

Esse sistema produz extrema população de um lado e extrema pobreza do outro. Trezentas e vinte e cinco famílias do mundo possuem 80% de toda a riqueza do planeta. Isso revela profunda injustiça social, e se revela como injustiça ecológica, porque cobra um preço da natureza: deflorestamento, poluição do ar, contaminação do solo e do ar, e acrescento a escassez de água potável. Uma profunda injustiça com a relação com a natureza. Por isso que a Carta da Terra propoe não um desenvolvimento sustentável, mas um modo sustentável de viver, viver com os recursos próprios de cada região, de cada ecossistema, que atende às necessidades humanas, que atende aos valores culturais da região, que pense nas gerações futuras, porque nos tememos que daqui a duas ou tres gerações nossos filhos e netos se voltarão a nós e nos amaldiçoarão e dirão: “Vocês sabiam, vocês sabiam sobre os riscos que giravam sobre a terra. Vejam que ar temos que respirar, vejam que águas temos que tomar, vejam em que solos envenenados temos que pisar, vejam que alimentos contaminados e transgênicos temos que comer. Vocês sabiam e nada fizeram ou pouco.” Nós não queremos ser amaldiçoados pelos nossos descendentes.

A ecologia social tem que pensar hoje essa questão da incapacidade, dessa maneira de organizar a economia, de sustentar a sociedade, a política, mandou para o limbo a ética, só sobrou a economia. Por isso tudo é feito mercadoria, desde o sexo até a santíssima trindade, tudo é oportunidade para ganhar dinheiro. E é nesse contexto que se coloca a questão da água. Porque o grande desafio hoje é o grande debate mundial com respeito a água é isso: a água é um bem econômico? A água é um bem vital. A agua é uma mercadoria? Ou a água é um bem da natureza insubstituível, vital, comum. E hoje sabemos que há uma corrida mundial para privatizar as águas. O Banco Mundial e o FMI só emprestam a países que têm pouco poder politico, só emprestam a comissão que permitir a privatização das águas. Quem domina a água tem poder sobre a vida, e quem tem poder sobre a vida tem poder total . Então, a agua é fundamental, e nós sabemos que uma das crises que vai afetar a humanidade ao longo dos anos é a crise da água potável, porque de toda a água do planeta só 3% é agua potável, e desses 3% só 0,7% é acessível aos seres humanos. Ou porque está nas calotas polares, ou porque está em poços profundos, ou porque está no alto das montanhas do Everest, ou então no interior da Amazônia. Então só 0,7% é do uso humano, e, desses 0,7%, 70% é para a indústria, seja pra agro-indústria, seja pra indústria pesada. Só 10% para matar a sede dos seres humanos. Há muita água no mundo, são 34 mil km3 de água. Nos só consumimos 6 mil km3. Água não falta. Ocorre que 60% da água está apenas em 9 países, e é profundamente mal distribuída pela própria natureza. Hoje há mais de 1 bilhão de pessoas com insuficiência de água potável. E segundo hoje a última reunião da FAO, que tratou desse tema, se nós não cuidarmos, se não fizermos políticas publicas mundiais, entre os anos 2020, no máximo 2030, mais da metade da população mundial tera insuficiência de água e começarão a desaparecer. Não é sem razão que um grupo de grandes políticos e cientistas criaram um fórum mundial alternativo da água, em Florença, sugerindo fazer um contrato social mundial ao redor, porque todos os seres humanos, toda comunidade de vida precisa de água. Falta no mundo hoje um contrato social mundial, por isso vivemos hoje sob o domínio de uma potência imperial hoje no mundo inteiro que impõe sua vontade a todos os demais. Graças a Deus, outra política é possível; esperamos que com Obama, num outro Estados Unidos, diferentes alternativas também sejam possíveis.

A advertência da FAO é que, se nos próximos anos não cuidarmos de fazer uma política solidária, haverá guerras e grande devastação para garantir acesso às fontes de àgua potável, porque podemos suportar a fome por 12, 13, 17 dias, mas não podemos suportar a sede por mais de 3 dias, nos desidratamos e morremos. Então a água é fundamental e é importante que nós da teologia, das religiões, das tradições espirituais, exaltemos profundamente o carater espiritual da água que é ligada a vida, um dos ciclos mais poderosos e nos traduzem a experiencia do divino, do sagrado, de Deus mesmo. Eduquemos os nossos professantes ao respeito aos recursos fundamentais pra vida. A ecologia social tem a ver com esses problemas, com as alternativas para que se mantenha a vida de Gaia, para que os modos de produção, temos que produzir para atender as necessidades humanas, mas em consonância com os ciclos da natureza, com sentido de solidariedade generacional e com uma forte percepçao de equidade, distribuição equitativa dos recursos da terra e ao mesmo tempo dos recursos dos nossos projetos técnico-científicos. A ciência feita com consciência beneficia toda a humanidade e não só o mercado.

A terceira vertente dessa ecologia, que eu considero talvez a mais importante, que é a ecologia mental. É o que se passa nas nossas cabeças, porque se nós exploramos e agredimos, se nós acumulamos, se nos matamos, se nós poluímos, porque há dentro do ser humano um projeto. Aconteceu uma revolução na mente do ser humano e ela já começou há dois milhoes de anos atrás quando surgiu pela primeira vez o homo habilis, aquele tipo de ser humano que começou a usar o instrumento, um bastão, um pedaço de pedra para melhor dominar a natureza e culminou com mais força no neolítico quando criou a agricultura, criou a irrigacção, quando criou a civilização agrária e chegou a sua plena expansão com o projeto moderno da total dominação da natureza pela tecno-ciência. Tudo isso é um projeto. Se a nossa mente humana está doente, ela passa essa doença para a terra e a doença da terra nos afeta psicologicamente e nos faz também doentes. Como despontar dentro de nós? Eu acho dois grandes preconceitos que nos temos: o primeiro que é o antropocentrismo e outro que é dominação e o tipo de razão orientada para a dominação. Já Einstein dizia que é mais fácil decompor um átomo do que tirar o preconceito de dentro da cabeça da pessoa. Então nós estamos cheios de preconceitos. A grande ilusão de preconceito que é cultural entre nós da tradição judaico-cristã e de cera maneira ajudamos a consolidar é o antropocentrismo. O antropocentrismo diz: o ser humano é o centro de tudo e as coisas só valem na medida em que se ordenam ao ser humano, ao seu uso. Essa visão não se sustenta a partir de uma visão de sucesso da evolução. Quando 99,98% da terra estava pronta, emergiu no processo de evolução do ser humano. Então a terra não precisou de nós para elaborar sua imensa biodiversidade. Nós não assistimos o nascimento da terra. Nós somos produto da própria terra e ela não produziu a nós apenas, produziu a toda a comunidade de vida. Nossos irmãos e irmãs, os povos que são os minerais, outros povos que são os vegetais, outros povos que são os animais, as diferentes etnias humanas. Tudo isso é produção da terra, mas ela produziu a nós algo que é único no processo de evolucção conhecido, produziu um ser com consciência e por isso com responsabilidade com a missão de ser o guardião e o cuidador dessa herança que o universo nos entregou. Por isso não cabe o antropocentrismo, cabe a profunda comunhão com todos os seres e a nossa responsabilidade e o cuidado para com toda a comunidade de vida, porque esse é o nosso lugar junto dos seres da terra e do universo. Esses seres que têm essa vocação, essa missão de ser os guardiães, os cuidadores desse jardim do Éden.

O segundo preconceito que nós temos, o segundo obstáculo para a intergração ecológica é a utilização da razão para a dominação, aquilo que nós chamamos a razão instrumental-analítica. Esquecemos as outras utilizações da razão, ontem atentadas pelo Sergio Torres: a razão da subjetividade, do diálogo com as pessoas, a razão simbólica, a razão do coração. Nós precisamos da razão analítica instrumental, porque nós precisamos de aparelhos que funcionem. Eu quando subo no avião não quero saber de muita cordialidade, quero saber se essa turbinas funcionem, que me levem direto ao Pará e que não me joguem no oceano, na floresta Amazônica. Então nós precisamos da razão. Mas a razão sozinha, que é o racionalismo, cria em nós uma espécie de lobotomia, uma espécie de insensibilidade para com as coisas. Nós não sentimos os bilhões passando fome, nos não choramos com a natureza que grita, os animais que desaparecem, com as três mil espécies de seres vivos que todos os anos somem definitivamente dada a agressividade de nosso processo industrialista. Nos não sentimos. Então, junto com a razão instrumental-analítica, que criou o antibiótico, que nos levou à Lua e nos trouxe de volta, mas essa mesma razão criou uma máquina de morte, que pode matar de 25 mil formas diferentes de toda a espécie humana, seja por armas químicas, biológicas, nucleares. Nós criamos essa máquina. Então a morte não é só a morte individual, o gênero humano é mortal. Não podemos mais falar da imortalidade da espécie humana. Nós criamos os meios de liquidar a nós mesmos. Entao, o fim das espécies não é uma obra de Deus, que intervém, pode ser uma obra dos próprios seres humanos. Quando um amigo de muitos de nós aqui, Miguel d`Escoto, assumiu a presidência da Assembléia da ONU, fez esta denúncia: existem 31 mil armas atômicas, basta estourar 3 mil delas para equivaler a 200 megatons, a 200 mil bombas que caíram sobre Hiroshima e Nagazaki e eliminaram as espécies, existem 3.100 espalhadas por vários países, submarinos, postos militares, estão em alerta máximo, em um minuto e meio pode ser disparada e levar a tragédia a civilização humana. Isso ele denuncia no discurso inaugural dele como presidente para dizer qual é a nossa responsabilidade como povos, como nações face à máquina de morte que nós construímos. Quem vai impedir um acidente? Quem vai frear a mão de um enlouquecido que toma o telefone vermelho? Eu perguntei uma vez quando estávamos numa reunião na Carta da Terra: “É verdade que você poderia produzir uma crise nuclear e destruir a espécie humana?” Ele disse: “Havia generais que me pressionavam para o último encontro com o ocidente, para o enfrentamento nuclear. E eu sabia que se eu aceitasse essa proposta ou vacilasse seria o fim da especie humana. Não haveria sobreviventes para contar essa tragédia.

Então, nós criamos este tipo de razão. Não vamos negar que essa razão, porque precisamos dela, mas uma ciência com consciência, uma ciência que incorpore a razão cordial, porque nós sabemos pela ciência e pela biologia que a camada mais fundamental do ser humano não é a razão, é o sentimento, é coração. No coração estão os valores fundamentais da cordialidade, da convivência, da amizade, do amor. É por essa razão cordial que nós temos as relações humanas e tornamos possível a nossa vivência nesse planeta.

Mas essa razão foi colocada no limbo, ela foi colocada sob suspeita porque ela atrapalha o diálogo objetivo da ciência. Mas hoje, mais e mais, a própria ciência mais dura diz: a ciência tem que servir a vida e, por isso, ela tem que incorporar essa dimensão da responsabilidade e cordialidade e profundo sentimento por todas as coisas, porque tudo o que existe merece existir e tudo o que vive merece viver. Todos os seres, por mais humildes que sejam, têm um valor intrínseco em si mesmos. Não apenas porque se ordenam ao uso humano, cada ser gera algo para o universo que mostram a possibilidade de a energia transpor as possibilidades que estão presentes no processo da evolução.

Nós temos que preservar, portanto, para além dessa razão instrumental analítica, o espírito do cuidado, humanitário, a sensibilidade profunda que nos faz abraças o mundo e as pessoas como irmãos e irmãs de uma grande família. Fundamentalmente, devemos resgatar a nossa capacidade de cooperação. A lei suprema do mercado e da economia é a competição, é a concorrência. Por isso que na concorrência só um ganha e todos os demais perdem. Quando a lei básica do universo, nisso os astrofísicos e cosmólogos insistem cada vez mais, não é o darwinismo biológico da vitória dos mais fortes, porque se isso fosse verdade os dinossauros estariam aqui até os dias de hoje, porque há 133 bilhões de anos eles foram soberanos neste planeta.

A lei fundamental do universo é da cooperação de todos com todos, é a rede de relações, um ajudando o outro para que todos possam viver livres dentro dessa imensa biodiversidade. Então, hoje nós temos mais do que nunca que viver essa dimensao da solidariedade, da cooperação de todos com todos no ciclo da natureza se nós quisermos ter uma mente ecologicamente orientada, que ajude a ver diferentemente a terra, vê-la como mãe, como um super-organismo vivo e não termos vergonha de nossas raízes terrenais humildes. Viver aquela vida de São Francisco, que abraçava todos os seres e se sentia irmão do sol, irmão da lua e com isso estabelecer uma imensa fraternidade, uma vida de paz dos seres humanos com a terra. Na verdade nós estamos fazendo uma guerra contra Gaia. O último livro do grande folósofo da ciência Michel Serres se chama isso, Guerra Total, diz que até hoje fazemos guerras de exército contra exército, depois de nação contra nação, depois de cultura contra cultura. Hoje, a humanidade inteira se reuniu para fazer uma guerra contra Gaia, atacando-a em todos os lados, no solo, no ar, todas as frentes para derrotar Gaia. Não teremos chance se derrotarmos Gaia, estaremos perdidos, porque o nosso paradigma civilizatório nos fez isso. Nos colocou em cima para eliminá-la e não ao pé dela pra proteger e manter a vida.

Por último, uma ecologia integral, isto é, entender que somos parte do imenso universo, que nos pertencemos ao sistema solar, que um sol vagabundo de quinta categoria, pequeno, entre outros milhões de sóis que existem, e uma galáxia média, via láctea, que é uma entre outras milhões de galáxias, que somos parte desse universo, que todos nos somos sustentados pelas quatro energias que ninguém sabe defini-las porque precisamos delas pra definirmos, que é a forca gravitacional, a energia eletromagnética, a energia nuclear fraca e forte. Essas quatro energias se que sustentam o universo inteiro, sustentam cada um de nós e atuam sobre os processos naturais históricos. E hoje nos compreendemos e talvez seja necessário recordar algumas datas que contam a nova cosmologia, ou seja, a nova visão que temos do universo, do planeta terra, da humanidade de cada um de nós.

Uma data importante é 1924, quando um astrônomo amador inglês descobriu que não existe só uma galáxia como a nossa, pra ele existiam cem, e que todas as galaxias estão em rota de fuga, tão fugindo uma da outra, que o universo está em expansão. Portanto, o natural não é a permanência, o natural é a evolução, é o movimento. Em 1927, um astrônomo belga, padre, Georges Lemaitre, numa conferência, diante de Einsteisn, levantou a hipótese que se todas as estrelas estão se afastando, fugindo uma da outra, é sinal de que elas estavam em algum momento juntas e aí começaram a se afastar, e levantou a hipótese do big bang, aquele pontozinho extremamente carregado de energia, que depois se inflaciona, cresce e vai produzindo o universo em expansão. E Einstein considerou isso uma hipótese louvável para entender o universo em expansão e a auto-criação. Ele, que até aquele momento achava que o universo era fixo, um sistema fechado. Agora é um sistema aberto. E essa prova foi trazida em 1965 por dois grandes cientistas americanos, Arno Penzias e Albert Wilson, que captaram de todas as partes do universo, um pequeno ruído, mas constante, de forma aguda, e depois os cientistas analisaram a luz das estrelas mais distantes, como um último fossil, um último eco da grande explosão. E tomou como referência a galáxia mais distante que chega a nós na velocidade na velocidade da luz, recompondo a luz vermelha que chega a nós, disseram: “O universo tem 3,7 bilhoes de anos.” Então todos nós estávamos juntos naquele pontozinho, milhares de vezes menos que uma cabeça de alfinete, carregados de energia e matéria, que depois se expansiona a um tamanho macro, ao tamanho de uma maça e o grande big bang permitiu então jogar essa energia enorme e criar as grandes estrelas vermelhas dentre as quais se formaram todos os elementos físico-químicos que formaram os seres, também explodiu e formaram todos os seres por todo o universo, criaram os sóis, via-lácteas, criaram as condições para que a evolução chegasse à complexidade e cada vez mais densa até irromper na existência como consciência. Então a vida é um capítulo da história do universo e a vida humana um sub-capítulo menor da história da vida, nós pertencemos a esta imensa história. Estamos no quadro geral de todas as coisas. Um pequeno planeta como o nosso, que está no sistema solar 27 mil anos-luz do centro da galáxia da espiral, pequenino, um planeta irrisório que nem a terra, mas há energia suficiente para surgir a vida e cada vez mais se regulando à auto-consciência e nós estamos aqui para pensar tudo isso.

Leonardo Boff 10 por você.

Esse grande cientista, talvez o maior de hoje, Stephen Hawking, disse em seus dois grandes livros, Uma Breve História no Tempo, e o outro, Nova História do Tempo, disse que naqueles bilionésimos frações de segundos depois do big bang as energias não tivessem se equilibrado de uma forma tão sutil que impedisse uma expansão demasiada não haveria estrelas; ou se atraísse de tal maneira todas as coisas, ela explodiria sobre si mesma e não haveria seres, mas houve um caos e se formaram as estrelas, criaram-se as condições para a emergência da vida e emergisse aquilo que nós somos agora. Porque se fosse uma fração milionésima de segundos diferente outro seria o mundo e nós não estariamos aqui para falar isso. Por isso que o Stephen Hawking e outros grandes cientistas falam do princípio cosmológico, isto é, a energia que está dentro de nós, que leva para frente e deixa cada vez mais estruturada e a realidade, cada vez mais complexa, o irromper da vida, da consciência, da capacidade para o amor entre os seres humanos. Esse principio cosmológico atua continuamente. Os cientistas chamam por um nome muito infeliz, de vácuo quântico, quer dizer, vácuo não tem nada, é aquele abismo que contém todas aquelas energias que vêm à tona, que estão agindo atrás de todos os seres, atrás de todos nós, nos mantendo vivos em sistemas e mantendo eterno diálogo entre os seres, trocando informações, nos enriquecendo. E tudo isso forma nossa vida, nós fazemos parte desse universo. Todos os povos originários, os indígenas vivem essa dimensão de sentir-se filhos e filhas do sol, sentir-se unidos ao universo, as enrgias, a água, a montanha, isso é natural. Nós, não. Nós nos exilamos da terra, nós exilamos a nossa capacidade de sentir. O que importa é retornar a terra como a nossa grande mãe, sentir que somos parte deste imenso universo. Poder celebrar, poder louvar, poder sentir que vivemos situações certas, nada indefinidas, mas que a proposta fundamental que rege todo o passado, que permitiu que chegássemos até aqui, porque se fosse impossível, se houvesse demasiadas catástrofes, ou desvios ou atalhos nós não teríamos chegado até aqui. Se chegamos, como diz o grande David Bohn, é como se o universo intuísse qua lá na frente iriam submergir os seres humanos e organizasse todas as coisa para que ele finalmente nascesse. Quando estavam vivos os dinossauros, nosso ancestral humano, do tamanho de um coelho, vivia a 70 metros de altura, tremendo de medo, para não ser devorado pelos dinossauros, alimentando-se de flores. Ninguém saberia que desse pequeno animal iria surgir o ser humano. Quando desapareceram os dinossauros, ele pode descer e fazer sua trajetória. Se nos perguntássemos qual é o proximo passo, possivelmente diríamos que o próximo passo era ter mais dinossauros, maiores ainda, mais devoradores. Não. O próximo passo era outra coisa, era a fragilidade do ser complexo, que foi evoluindo até emergir ao primatas, e dos primatas os seres humanos, do ser humano o homo sapiens até o homem moderno de hoje, que somos nós. E toda a sua história está ligada ao universo inteiro, com suas energias, nós estamos imersos nessas energias, importa invocá-las para que elas nos socorram, principalmente neste momento. E é por terminar, é nesse contexto que nós colocamos a questão teológica, porque se dizemos que tudo veio daquele big bang e nem sou eu que coloco, é o próprio (inaudível), que colocou num debate acadêmico nos Estados Unidos. Quando ele diz: “O que havia antes daquele pequeno pontozinho que explodiu?” E ele responde: “Nós não sabemos.” Não pode ser o nada, porque do nada não vem nada. O que nós podemos dizer é que antes havia o inefável, havia o mistério, havia o indefinido. Pois são exatamente os nomes pelos quais na tradição religiosa dá-se o nome daquilo que nós chamamos “Deus”. Havia o inefável, o mistério, criou-se aquele pontozinho, o que está por trás de toda essa energia que vem produzindo o processo de evolução. As religiões tem de ter a coragem de tirar essa energia poderosa do anonimato, ter coragem de dar-lhe um nome, chamá-la de Caos, de Vida, de Javé e, finalmente, de Deus. Por isso mais do que nunca é importante que nós realizemos essa atitude, porque ela tem como consequência o sentimento de profunda reverência, profundo respeito, profunda espiritualidade. É aquilo que os astronautas nos legaram quando suas naves espaciais olhavam pra terra e diziam: “Daqui de cima não há diferença entre terra e humanidade. É uma unidade só, um pequeno planeta que cabe na nossa mão, podemos escondê-lo atrás do nosso polegar, mas tudo que é de grandioso, de adorável, as nossas familias, nossa pátria, nossa casa. Nós só temos aquele pequeno planeta, temos que aprender a amá-lo. Quando perguntaram a Asimov, esse grande cientista, qual é o grande legado que a humanidade fez com as viagens espaciais, ele só respondeu para a revista Time com essa resposta: “O grande legado foi termos a consciência de que terra e humanidade é uma unidade só.” Não é que a terra está aqui e a humanidade está ali. Não é que a bisofera esta aqui e a terra esta ali, é uma totalidade só. As religioes nos transmitem esse sentimento que os astronautas setiram, de profundo respeito e reverência, eles diziam, nós choravamos, nós gozávamos, nós adorávamos o criador de todas as coisas. E esse pequeno planeta azul e branco, resplandescente, que é a nossa casa. É essa reverência, é essa experiência religiosa que nós temos que resgatar. Todas as ciências, todas as instituições devem ajudar a encontrar uma atitude adequada. Então a grande função das religiões e do cristianismo não é falar da natureza, mas falar de criação, que nos remete ao criador. Ensinar ao cuidado a reverência, reverenciarmos os textos sagrados, a obra, mas todo o ser que revela o criador, de onde todas as coisas vem, para onde todas as coisas retornam, o nome que a ciência dá para toda essa realidade poderosa, para essa energia que cria todas as coisas, que não tem nome, mas que nós lhe damos um nome, o nome do nosso amor, da nossa reverência. Então as religiões devem suscitar essa capacidade do ser humano, porque essa reverência, é o cuidado, é o respeito que vão por limites em nossa voracidade, que vão reeducar nossa vontade de dominação. Se a escritura diz iluminai a terra, nos devemos iluminá-la como Deus iluminou. A criação foi entregue à consciência, dominai a criação, mas dominai, não a estragueis, porque se vocês a estragarem não haverá ninguem depois de vocês que vai resgatar. É nessa percepção que as religiões, que as igrejas devem dar e colaborar com a humanidade, que estamos impregnados com essa energia poderosa que nós chamamos “Deus”, “espirito sagrado”, que sonha na flor, espírito que está no animal, espirito que sabe, que sente o ser humano. Este espírito criador é o Deus das religiões. Essa espirritualidade nos leva ao respeito, à solidariedade, ao cuidado e a preservação. Se nós não dermos essa colaboração, nós poderemos ser cúmplices de uma catástrofe e não sobreviverá ninguém.

Eu termino dizendo que a nossa situação hoje, no meu modo de ver, não é de tragédia, mas é de crise, e toda crise isola, purifica, é uma oportunidade que permite um salto de qualidade pra frente. Nós todos somos convocados a atravessar essa crise e purificados para que se evite a tragédia. E que a terra e a humanidade deem um salto na direção para mais unidade, mais integração de todos, mais amor à natureza, mais cuidado com todos os seres, especialmente os seres vivos, entre os seres vivos os seres humanos, e entre eles os que mais padecem, que são as grandes maiorias da humanidade, que são as vitimas da exploração da fome e da miséria.

Termino com a referência do livro da Sabedoria, capítulo 12: “Senhor, tu criaste todas as coisas, todas elas te pertencem. Protege-as, protege-as porque tu és o soberano amante da vida.” Nós cremos nesse soberano amante da vida, que não vai permitir que a morte triunfe sobre a vida, mas vai permitir que a colaboração fale mais que a competição. Que a vida vale mais que a morte, que o planeta terra tem como Deus e seu senhor, e nós, os seus hóspedes, seus inquilinos, seus cuidadores, o jardim do Éden que devem cuidar e proteger. Muito obrigado!

O afinado Peterson Colares numa conversa com Leonardo Boff.

O afinado Peterson Colares numa conversa com Leonardo Boff ao final da palestra.

CELEBRAÇÃO DA ÁGUA — LEONARDO BOFF E A ECOLOGIA DO CUIDADO

Leonardo Boff 01 por você.

No primeiro dia das atividades no III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, a água, o planeta, o cuidado com a nossa casa, ou como se refere a ela o teo-filósofo Leonardo Boff, Gaia, foi o tema dominante.

A aula magna da abertura dos trabalhos do fórum, dada por Boff, foi um lúcido depoimento filosófico, e que mostrou o quanto é urgente que se modifique o modo de produção capitalista, tirando de foco a produção desenfreada por uma relação.

Antes de sua fala, porém, a organização do evento trouxe aos participantes um belíssima e tocante encenação, a nos mostrar toda a potência e importância do líquido precioso, ressignificando o seu aspecto simbólico assumido em todas as religiões, e colocando-a na materialidade do existir, como bem acima das relações comerciais, sendo impossível a existência humana na Terra sem a sua democratização.

A encenação foi acompanhada pela tocante canção, de autoria da bela Iva Rothe, que você confere abaixo:

Água lava

Água leva

Água livra

Água louva

Água cai como luva em mim.

.

Água lava

Água leva

Água livra

Água louva

Água cai, bebo chuva

.

Desci nas cheias da água

A água do mar é

Amor

É cheia

Vai pra areia

Sereia

Norato

Tinta

Teia

.

Sei lá

Sei não

Do que a água é capaz

O que a água faz

Amor

É cheia

.

E volta à aldeia

Pro mato

No ato

Vinda

Ceia

.

Água lava

Água leva

Água livra

Água louva

Água cai como luva em mim

.

Água lava

Água leva

Água livra

Água louva

Água cai, bebo chuva”.

Leonardo Boff 04 por você.

LEONARDO BOFF E AS ECOLOGIAS REVOLUCIONÁRIAS

Em seguida, Boff iniciou a sua aula magna, a qual este Bloguinho trará ao leitor intempestivo na íntegra, sendo esta a primeira parte, e a segunda, publicada neste domingo.

Bom dia a todos e a todas, quero cumprimentar todos aqui na mesa e agradecer a todos aqueles ao nível internacional e ao nível local que ajudaram a preparar este encontro, que é sempre cheio de surpresas quando não, dificuldades , mas que pertence ao processo da libertação. Especialmente quero agradecer às pessoas da infra-estrutura que quase sempre são invisiveis, mas que são elas que fazem funcionar encontros da magnitude deste. O tema que me foi proposto é de gravidade extraordinária e ao mesmo tempo de grande atualidade. Nós estamos neste momento, a humanidade inteira envolvida em crises suecessivas que começaram com as crises econômico-financeiras, mas que revelaram crises mais profundas. Eu vejo que há cinco grandes crises que nós vamos enfrentar: duas de natureza conjuntural, mas com tendência a ser estrutural, que é a crise econômico-financeira e, especialmente, as crises estruturais e sistêmicas, que é a crise mundial do aquecimento, a crise energetica e a crise de excassez de água potável. Diante de um quadro desses, nós lutamos contra, que é a percepçao comum da humanidade, que assim como estamos não podemos continuar. Nós temos que mudar. A questão é a qualidade desta mudança, para que não seja apenas mais do mesmo, isto é, mais produçao, mais consumo, mais exclusão, mais agressão ao sistema da vida. Esse sistema não pode mais ser prolongado, porque ele pode nos levar à escuridão. Nesse último tempo, pode levar a humanidade ao caminho já percorrido pelos dinossauros, a ameaça de guerra sobre a espécie humana.

Leonardo Boff 03 por você.

Nós temos que enfrentar novos caminhos, novas alternativas, e essas alternativas não são simplesmente objeto da simples liberdade e do bom gosto dos homens, é uma necessidade que a história nos impõe. Ou nós mudamos ou vamos ao encontro de situações dramáticas e, por vezes, de grandes tragédias coletivas. Nesse contexto, quero lembrar a primeira frase da Carta da Terra, que é um documento que nasceu do trabalho que veio de base da humanidade. Durante oito anos, mais de cem mil pessoas do mundo inteiro se colocaram a pergunta: “O que nós queremos para o nosso planeta terra? O que nós fazemos merecer para a humanidade?” Depois de oito anos de trabalho, saiu um pequeno documento que foi logo acolhido pela ONU, pela UNESCO, e cujo propósito dos que nela trabalharam sobre a animaçao, especialmente, de Mikhail Gorbachev, que mais do que nunca se preocupa hoje com as questões da sobrevivência do planeta. O nosso propósito é levá-lo à ONU, para que seja agregado ao documento que é a carta das nacões unidas sobre os direitos humanos. Então teríamos um documento sobre a dignidade da terra e outro sobre a dignidade humana. Esse documento começa com a seguinte frase: “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro e a escolha é essa: ou formar uma aliança global para cuidar uns dos outros e juntos cuidarmos da terra; ou então arriscar a nossa destruição e a devastação da diversidade da vida. Para podermos dizer essa palavra que parece uma palavra de alarme e de pânico, consultamos grandes centros de investigação como a Real Academia de Ciências de Londres, como o MIT e também o Instituto Max Planck de Munique de Pesquisas Científicas. As três instituiçoes disseram, segundo os dados que nós temos, esta é a situação do nosso planeta Terra. Então o desafio é criarmos, dadas as ameaças que imperam sobre o mundo, criarmos uma aliança global de cuidado uns dos outros, porque se não cuidarmos da vida humana ela não tem condições de se reproduzir e vai de encontro com o medo e o desaparecimento. Se não cuidarmos da casa comum, que é o planeta Terra, nós não teremos onde ficar, porque esta é a única casa que nós temos, o Planeta Terra. Então, face a essa realidade, se impõe uma reflexãzo séria que nos aponta para práticas concretas que pensam no ciclo da ecologia. A ecologia aqui tem que ser bem entendida não como um procedimento técnico de administraçao de recursos escassos, mas a ecologia como uma arte, a ecologia como um novo paradigma, isto é, a ecologia como uma forma nova de relacionamento do ser humano com a Terra, com a natureza, com os processos produtivos, com as maneiras de distribuição. Uma forma nova de estabelecer a distribuição do poder, criar novos valores, de dar significação às nossas últimas árvores sobre esse planeta. A ecologia engloba todas essas questões; só se trata da ecologia como paradigmas, sobre isso que gostaria de dizer um pouco para aprofundarmos a questão das ameaças que pesam sobre Gaia, a casa comum e as ações, as atitudes e os valores que nós devemos desenvolver para encontrarmos uma resposta à altura do desafio e que garanta futuro para nossa espécie humana e que garanta as condições para que a Terra possa continuar viva, com a sua integridade, com a sua vitalidade. A terra é muito mais fora do que nós. Nós há milênios estamos entrando numa guerra contra Gaia, e nós não temos nenhuma chance de ganhar essa guerra, pela voz que existe em nós, de Oxalá, nós mereçamos viver ainda nesse planeta.

Leonardo Boff 05 por você.

Há menos de um mês atrás, Mikhail Gorbachev, numa reunião da Carta da Terra, em Amsterdã, repetiu a frase: “Nós precisamos de um novo paradigma de civilização, necessitamos de uma coalizão de valores, que garanta o futuro da vida humana e que o futuro do princípio vida, porque se nós não fizermos isso, nos próximos trinta, quarenta anos, a Terra poderá continuar, mas continuar sem nós, a espécie humana.

Então a primeira coisa que nós precisamos compreender quando falamos de ecologia é o amplo aspecto que essa categoria “ecologia” é pensada e vivida hoje por todos aqueles que estão se preocupando com o futuro da vida e da Terra. Primeiro nós temos aquilo que é comum, que é assimilado pela grande mídia mundial: a ecologia como meio ambiente, entre os ambientalistas. Entretanto, temos que enriquecer essa compreensão de meio ambiente e que na verdade todos estamos cansados de meio ambiente, nós queremos é o ambiente inteiro.

É importante entender que o meio ambiente não é uma coisa exterior a nós. Não é que a Natureza está lá e nós estamos aqui, nós formamos uma grande comunidade, porque nós tomamos ar, respiramos, comemos, nós fazemos parte de sistema. Para compreender melhor essa questão da ecologia com o meio ambiente, eu acho que duas categorias devem ser compreendidas, que é o meio ambiente como comunidade de vida e a Terra como Gaia, como super-organismo vivo. Quando em 1953, dois grandes cientistas norte-americanos, Watson e Crick — Watson faleceu há uns meses atrás —, quando esses dois cientistas descodificaram o código genético, se deram conta de uma coisa surpreendente, que alguns consideram talvez uma das descobertas mais importantes para os seres humanos. Descobriram que todos os seres vivos, desde a matéria mais originária, que surgiu há oito bilhões de anos atrás, passando pelos dinossauros, pelas plantas, pelos pássaros, chegando a nós, que todos os seres vivos temos os mesmo tijolinhos de base que constroem a vida, isto é, temos os mesmos 20 aminoácidos e as 4 bases constatadas que todos conhecem das aulas de biologia: a adenina, a guanina a tinina e a citocina, isto é, aqueles elementos químicos que permitem a combinacao dos aminoácidos e assim a biodiversidade. Todos os seres têm essa mesma fórmula de base; por isso que todos os seres vivos são primos, são irmãos entre nós. Entre uma minhoca e nós, há 46% dos elementos comuns, entre o chimpanzé e os seres humanos há apenas a diferença de um gene e muitos biólogos suspeitam que ele tem esse gene, mas não tem nenhum interesse em ser ativado para não se transformar em ser humano. Ele está feliz nas florestas, subindo e descendo as árvores, comendo a sua comida, profundamente integrado na natureza.

Leonardo Boff 06 por você.

Então, o que na verdade existe não é meio ambiente, o que existe é comunidade de vida, e a vida não existe sem o seu substrato físico-químico, porque as células dos seres vivos estão em profundo diálogo com os elementos físico-químicos, os seus nutrientes e a sua vida. Então, todo o processo do universo está ligado à corrente da vida e nós somos o libelo dessa corrente da vida. Por isso que defender a natureza é defender a vida, defender nossos irmãos. O nosso desafio é pelo primeiro princípio da carta da terra é cuidar e proteger com compreensão, com compaixão e com amor a toda a comunidade.

Nós, seres humanos, ocupamos um lugar singular, que é o lugar da responsabilidade, que nós somos seres éticos. Nós podemos ser o anjo bom que protege e cuida da natureza, assim como podemos ser o satã do planeta terra, que transforma o jardim do Éden, que transforma num matadouro, num processo de grande devastação e exploração. Nós vivemos nessa grande comunidade de vida que hoje está ameaçada e é de nossa responsabilidade protegê-la, cuidá-la.

Segunda categoria importante, é ter uma compreensão melhor da terra. Normalmente na visão capitalista se entende a Terra como baú das coisas mortas da qual nós podemos tirar serviços, recursos para a utilização humana. Esse é um conceito pobre e redutor da Terra. A Terra é muito mais que isso. A Terra é um super-organismo vivo, como diz o grande biólogo, talvez o maior vivo hoje, que criou a palavra biodiversidade, Edward Wilson, se eu apanhasse uma colher com um pouco de terra eu me identifico com super microscópios de 30 a 50 bilhões de microorganismos presentes nesse punhado de terra. Imagine em todos os solos da terra. Por isso que do mesmo chão nascem os frutos e as flores da diversidade das plantas. Tudo aquilo que nós admiramos, que tem como substrato a Terra, que é a própria Terra. Mas a prova científica disso nos trouxe um grande cientista, James Lovelock, que tinha como tarefa com sua equipe junto à NASA de construir aparelhos que, colocados nas naves espaciais dos foguetes, pudesse identificar vida no universo. E esse aparelhos não identificaram nenhum sinal de vida, mas quando se voltavam para a terra, todos os ponteiros enlouqueciam porque apontavam aí tem vida. Então Lovelock e sua equipe comparou as condiçoes da terra com nosso dois vizinhos Vênus e Marte, porque hoje temos condições científicas de saber quanto de carbono, quanto de oxigênio, quanto de ferro, de enxofre cada estrela, cada planeta tem. Ele se deu conta que a terra se comporta como um super-organismo vivo que equilibra os elementos fisicos e biológicos de tal maneira que ela continuamente pode manter e reproduzir a vida. Ele analisou os principais elementos que compõem a vida na terra e se deu conta que sempre há milhões e milhões de anos, a terra sempre tem 21% de oxigenio, se descesse a 18 nós desmaiariamos, se subisse a 27 ou 28 nós não teríamos condiçoes de acender um fósforo sequer, porque queimaríamos o oxigênio logo. Pra sempre manter esse equilibrio produz esses 21% de oxigênio. A salinização dos oceanos, tão importante para os climas, para os regimes das estações, para a própria vida, há bilhões de anos sempre tem 3,4% de sal; se subisse a 6, seria como no mar morto, não haveria vida. Então, a terra mantém esse sutil equilibrio. Da mesma forma, mantém os outros elementos fisico-quimicos, como o magnésio, o ferro e o enxofre, para que a vida tenha a qualidade que ela tem hoje e ela possa sempre permanecer. Então, a terra é viva e nós somos a própria Terra que no momento da sua evolução, da sua complexidade, a terra começou a sentir, a pensar, a amar, a cuidar e esse momento é a emergência do ser humano. Por isso que homem e mulher precisam da terra fértil, e que Adão, na narrativa biblica, vem de Adamar, que significa “terra fecunda”, “terra fertil”, e Adão é o homem e a mulher vivos, filhos da terra…

(Continua amanhã.)

III FÓRUM MUNDIAL DE TEOLOGIA E LIBERTAÇÃO — BELÉM — 2009

Pessoas provenientes de todas as partes do mundo — da Oceania, passndo por todos os continentes, e chegando ao Brasil —, de diversas concepções religiosas — católicos, protestantes, afro-religiosos e outras — se reuniram ontem (21) para o início do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, que vai até o próximo domingo (25).

Evento que ocorre desde o início sempre colado ao Fórum Social Mundial, o FMTL está ocorrendo no Centro Cultural Tancredo Neves – CENTUR, tendo como principal temática nessa edição ECOLOGIA E ESPIRITUALIDADE, e é um evento não apenas de caráter religioso, como falou Frei Luís, o diretor do FMTL, sendo religiosamente ecumênico e, principalmente, diz respeito a todas as pessoas, independente o credo que professam (ou não), que estejam interessadas na busca por um mundo melhor, sem miséria, sem exploração, sem fome, sem violência física e epistemológica; enfim, um mundo onde exista, para além do Capitalismo, a possibilidade de comunhão, solidariedade, fraternidade, respeito aos direitos de todas as pessoas sem distinção.

Este bloguinho está presente no FMTL e traz aqui algumas falas, entrecortadas por imagens da abertura do evento, ocorrida ontem à noite.

Leonardo Boff e sua esposa, Ana Júlia e Frei Luis

Leonardo Boff e sua esposa (à esquerda), Ana Júlia e Frei Luís

Pe Sergio Torres, um dos idealizadores do FMTL

Pe Sergio Torres, um dos idealizadores do FMTL

Como um dos inspiradores desse Fórum Mundial de Teologia e Libertação, desejo recoradar alguns conceitos teológicos anteriores a este Fórum, para situá-lo em uma perspectiva histórica e ligá-lo com experiências passadas, em particular com uma conferência que participei em 1976, na Tanzânia. Nessa oportunidade, um grupo de teólogos e teólogas se autoconvocaram para um encontro que se unificou na criação de um espaço próprio que unisse todos os continentes, como antes não existia. Nessa oportunidade, foram produzidos os apontamentos de um projeto teológico muito bom, que, de uma parte, mostrava continuidade dos temas tradicionais da teologia; mas ao mesmo tempo apontava uma ruptura epistemológica com o passado. Gostaria de enumerar algumas características desse projeto tradicional por uma parte, mas criativo e inovador ao mesmo tempo. (…) Uma primeira característica é o surgimento de uma nova teologia contextual, que rompeu com o conceito de uma teologia universal e de uma teologia contextual européia. Começaram a aparecer teologias falando de Deus, falando de Jesus Cristo como centro de sua concepção, dentro de sua distinta perspectiva: teologia africana, teologia asiática, teologias de diversos cultos da América Latina, teologia indiana e muitas outras. Uma segunda característica desse movimento, que significou um tremendo avanço: surge com força o temas dos pobres, o tema da pobreza, que interpela a teologia. Em terceiro lugar, a partir da mensagem evangélica sobre o amor de Deus, sobre o amor ao próximo, aparece um tema poderoso, que pouco a pouco se impôs: o tema da práxis ou do compromisso dos cristãos pela transformação da sociedade. (…) Começamos o III FMTL e, como sabemos, o tema principal será a ecologia. Um fórum teológico sobre a ecologia é um grande desafio para a teologia. O paradigma ecológico supera o antropocentrismo, reinterpreta a subjetividade da modernidade, introduzindo o conceito de diversidade, mútua dependência de relações. Esse paradigma modifica a forma de conhecer, pois, por uma parte, utiliza os avanços da ciência moderna, como a astronomia, a física quântica e, ao mesmo tempo, valoriza as ações simbólicas, as ações emocionais, as ações do coração.




Frei Luis, Diretor Executivo do FMTL

Frei Luís, Diretor Executivo do FMTL

Viemos para a Amazônia, essa exuberante região de biodiversidade, onde a vida escorre pelos rios, respira pelas matas, canta pelos pássaros, se doa pelos frutos, sonha, sofre e espera pelo coração humano, fala e adora nas diversas línguas dos povos amazônicos. Nós temos viva consciência, mais do que todas as gerações que nos antecederam, que somos habitantes de um pequeno planeta, uma pequena casa azul e redonda suspensa no imenso espaço estelar. Isso nos ajuda a entender que somos realmente uma família; estamos mais próximos uns dos outros do que imaginamos para o bem ou para o mal. Mas nós viemos a Belém, a cidade do Círio de Nazaré, onde uma multidão de milhões de pessoas se sente uma só grande família. A Amazônia pode abrir o coração para abrigar, em família, todas as formas de vida.





Ana Júlia Carepa, governadora do Pará

Ana Júlia Carepa, governadora do Pará

Aqui já foi dito da exuberância da Amazônia, e, hoje, o Pará representa a síntese dessa exuberância da Amazônia. A síntese, inclusive, pro bem e pro mal, porque aqui é um estado cheio de complexidades e eu quero principalmente dar essa palavra de incentivo, de solidariedade à realização desse fórum com a preocupação, no coração da Amazônia, com a teologia, com a sustentabilidade. O Fórum Social Mundial, e os diversos fóruns que acontecem antes e durante o FSM são organizações da sociedade civil, e o nosso governo fez todo o esforço para dar apoio à realização desse fórum, porque nós também nos identificamos com os princípios do FSM, procurando realizar um novo mundo. Nós temos um compromisso com a floresta, e um compromisso a partir do ser humano, por isso estamos realizando o maior programa de recomposição florestal e reflorestamento do planeta Terra: um bilhão de árvores em cinco anos, recuperando um milhão de hectares de terras já degradadas, além de ações no sentido de impedir o desmatamento, de impedir a destruição dos nossos rios, com uma ação de recuperar o que já foi destruído; mas nós queremos também que o homem e a mulher do nosso estado tenham os seus direitos adquiridos e respeitados, por isso não abrimos mão de políticas públicas de promoção humana. (…) Nós não temos dúvida de que um outro mundo é possível, e eu vou citar você, Leonardo Boff: “Hoje nós não temos mais a arca de Noé, que salve alguns e deixe perecer os demais. Ou nos salvamos todos ou perecemos todos.” A questão é: o que fazer para garantir a vida e tornar esse mundo melhor? (…) Parabéns pela realização desse fórum, que ele possa contribuir para que aqui todos possam contribuir que a nossa floresta tem riquezas fantásticas, que nós não queremos que elas fiquem intocáveis, que nós queremos aproveitar essas riquezas para que as pessoas possam viver bem sem precisar destruí-la, fazendo com que nós, nossos tataranetos possam usufruir também dessas riquesas. Sintam-se em casa nessa cidade, que é o coração da Amazônia, que hoje se transforma, com o início do Fórum, no coração do mundo, e que mostram pro mundo que também é possível construir uma nova sociedade, com sustentabilidade, no coração da Amazônia.

Pela abertura do evento, vê-se sua importância e a vivacidade que vai tomar conta das mais de quarenta oficinas que ocorrerão nestes dias. Acompanhe aqui neste bloguinho, que continuará divulgando essas movimentações tão necessárias politicamente, espiritualmente para o aumento de agir das pessoas no mundo.

O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA A CRISE QUE NÃO EXISTE

Já foram muitos os pronunciamentos de Lula dizendo o quanto a tão aclamada crise não assusta e nem impedirá o Brasil de continuar a crescer. Sua insistência em se dispor a argumentar sobre este assunto demonstra o quanto o seu governo é pautado na razão. Ontem, em pronunciamento natalino, transmitido por redes de rádio e televisão, Lula disse que o Brasil está preparado para a crise:

Quero dizer, com toda a serenidade, que a crise não nos assusta. O país está preparado e tem comando. Seguiremos acompanhando com lupa a situação da economia, 24 horas por dia. O que tiver que ser feito, será feito. No tempo certo e na dose adequada. E sempre dialogando com o país.”

De acordo com a Agência Brasil,Lula continuou o pronunciamento falando sobre “as medidas tomadas pelo governo para evitar uma recessão no país por conta da crise, como controle da inflação, redução da dívida pública, diversificação dos produtos de exportação, reserva internacional de US$ 201 bilhões, aumento no número de empregos com carteira assinada, redução de impostos para estimular o consumo, reforço no caixa dos bancos estatais e quitação de dívidas com organismos internacionais, entre eles, o Fundo Monetário Internacional (FMI)”.

O presidente Lula ainda fez crítica aos países ricos em relação à crise:

Esta crise, que afeta todo o mundo, foi provocada pela falta de controle do sistema financeiro nos países mais ricos. Em vez de cumprirem seu papel na economia, financiando o setor produtivo, os bancos viraram um grande cassino. A jogatina foi longe, mas, um dia, a conta chegou. Bancos quebraram, um grande número de empresas entrou em dificuldades e milhões de trabalhadores perderam suas casas ou seus empregos.”

Por fim Lula falou sobre a economia nacional nacional:

Aqui no Brasil não tivemos este tipo de crise. Nosso sistema bancário estava e está saudável. Nossa economia, arrumada e organizada vem crescendo a taxas robustas, as maiores dos últimos 30 anos.”

OS ESFORÇOS EM VÃO DA MÍDIA VENAL

Aqueles que, deste ou daquele modo, se fizeram decididos em acompanhar os fatos hodiernos através da mídia venal instalada no Brasil, talvez estejam a se perguntar o porque do presidente Lula insistir em afirmar que a crise não assusta. Assim, como fazem questão de ecoar o veneno midiático da caricatura do presidente como irresponsável por fazer os pronunciamentos que tem feito sobre a crise tão querida pela mídia reduzida cognitivamente. Estas questões, colocadas não como problemas derivados de uma existência constitutiva democrática, como seria em uma mídia que tivesse seu ofício como uma disciplina cívica, fazem parte da moral de classe burguesa da mídia que a impede de se aproximar da razão do bom senso e efetuar análises coerentes sobre a situação do país relativo à crise. Mas isto, de forma simples e clara, é explicado: esta mídia é inimiga do governo federal que nunca antes na história deste país fez tanto para o Brasil progredir em todos os níveis necessários para a melhoria da existência e para a produção da política como a construção do bem comum. E, ainda, que exista este esforço teratogênico desta mídia para realizar as inversões dos acontecimentos, as últimas pesquisas de popularidade sobre o governo Lula alcançaram índices históricos nunca antes vistos no Brasil; e desta vez até das classes mais abastadas, muitas vezes o mais emblemático público defensor da irascibilidade midiática. Se é verdade que nossos inimigos nos assustam pelo seu nível de inteligência, o governo Lula pode prosseguir em seu suave caminho de construir um país mais digno através de políticas públicas efetivas sem se assustar.

PARABÉNS DO FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Talvez existam duas formas de parabéns. Uma, como homenagem-reconhecimento de alguém para outra. Aniversário, um feito, conquista, realização, sempre um tributo reconhecedor. Homenagem que coloca ambos no círculo da dependência. O que homenageia precisa se mostrar capaz de compreender o outro naquilo que ele imagina de si. O homenageado precisa se sentir reconhecido como merecedor. Um acordo tácito chantagista. Outra, como confirmação de alguém por si mesmo como produtora do necessário para outro alguém. É nessa forma que se mostra a potência ontológica do parabéns do funcionário público.

PARABÉNS - Palavra-ação composta por dois termos: para, do grego, “ao lado”, “próximo”, e bens, do latim, “valores”. Em proximidade com os bens, sem se confundir com eles, mas envolvido, para poder entregá-los como valores em cumplicidade. Exaltação.

FUNCIONÁRIO – Composta por dois termos: função, “atividade”, e ário, do latim, “ofício”, “acervo”. Funcionário, aquele que age movido pelos elementos produtivos que carrega em seu acervo profissional.

PÚBLICO – Do latim, o que é de todos. De todos, por ser por si e para si.

O AUTO-PARABÉNS FUNCIONÁRIO PÚBLICO

A atuação social comprometida como público faz o funcionário ser ele mesmo produtor de seus parabéns. Isso por sua ação como funcionário não se restringir exclusivamente ao órgão em que está lotado. Sua ação se desdobra em todos territórios em que se encontra, o que faz tomar-se como necessário à funcionalidade pública de sua cidade como Imanência Democrática. É assim que, confiante em seu talento criador-coletivo, não se submete a ordens arbitrárias de seus superiores, e nem toma atitudes prepotentes contra aqueles que procuram seus serviços. Por isso, é um servidor, e não um ser vil. Não precisa que um chefe lhe renda homenagem, pois sua festa encontra-se em se sentir responsável pelos órgãos do Estado cujas existências são dependentes dos direitos dos cidadãos. Foram criados, mantidos e modificados, quando necessários, com o único fim de satisfazer as necessidades sociais de todos.

Talento, confiança, graça e virtude, são seus princípios gerais que carrega como funcionário público, fatores imprescindíveis à satisfação da coletividade e de sua alegria. Princípios propulsores de seu engajamento social. O seu parabéns. Sua práxis trabalhista, que nem sempre tem boa acolhida salarial. Daí que de vez em quando tem que recorrer às reivindicações profissionais, amparado em sua confiança e seu talento produtivo, para melhorar sua condição econômica e não ser devorado pela ganância da mais-valia estadual. Ato que participa sem medo e sem ressentimento, pois é movido mais pela razão que pelos impulsos; estes últimos, ponto fraco do trabalhador alienado, pelos quais o patrão age para neutralizar seus direitos trabalhistas.

Escritor e ator de seu próprio texto e performance, não teme as trocas de governantes. Não calcula ganhos e perdas. Não reivindica chefia. Apenas mantém sua atitude de constante parabenizado. Não teme as perseguições funcionais promovidas pelos subalternos e lambaios dos governantes. Sabe que o que dá sentido à estrada é o caminhante; por tal, não permite ser interceptado em seu movimento.

Da aposentadoria, não faz dela um fim desesperado a ser alcançado. Não a espera para poder realizar o que não podia quando envolvido que estava em suas tarefas profissionais. Sempre fora feliz. A aposentadoria é apenas a conseqüência do direito trabalhista por tempo de serviço. Nenhum paraíso como imaginam aqueles que sabotaram suas existências e a vêem como a realização de um sonho. Em verdade, o ócio improdutivo. Para ele, o ócio produtivo como fundamento de outro modo de ser na mocidade ou na velhice. A suavidade de outras auroras.

Por isso, como contínuo trabalhador, isso tudo não passa de Parabéns do Funcionário Público.

PRÉ-SAL E O HUMOR ATIVO DE LULA

Ricardo Stuckert/PR - Clique nas fotos para abrir na Agência Brasil

Campo de Jubarte (ES) - Presidente Lula e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia), na plataforma P-34 durante a extração do primeiro óleo da camada pré-sal Foto: Ricardo Stuckert/PR - Clique nas fotos para abrir na Agência Brasil

O humor de Lula é do tamanho do Pré-Sal. A mídia seqüelada e a direitaça se desesperam. Apesar de certas discordâncias marxianas políticas como o recente afastamento de Paulo Lacerda da frente da Abin — com o Sapo Barbudo, ele acaba por aumentar sua potência de agir no próprio jogo que a mídia gosta de fazer quando tenta anular os avanços governamentais com a produção de algum “escândalo”. Ah! e Oh! Caras e bocas, my God, beicinhos, socos no ar, mas nada disso adianta, ou melhor, emperra a trajetória governamental do Sapo Barbudo, pois, principalmente depois da vitória em 2006, ele utiliza os avanços democráticos de seu governo para anular a força desses supostos escândalos. A diferença é que as notícias/novidades políticas/econômicas/sociais apresentadas por Lula não são produções quiméricas sem nada de real e, muito menos, suposições. Também aqui não têm por princípio atuar para eliminar a força de um “escândalo” produzido; mas eliminam a força desses escândalos porque estes não tem realidade e, ao contrário, as novas descobertas/novos projetos de Lula engendram novas formas de relações na população, que sente o governo de Lula estar mais para respeito aos direitos e do bem comum do que de imposição de deveres.

O HUMOR REAL CONSTRUTOR DE COMUNALIDADES

Existe um tipo de humor muito comum nas televisões brasileiras Casseta & Planeta, Jô Soares, Chico Anizio, teatrinho besteirol, comédias hollywoodianas, etc. Humor reto. Humor que não carrega nenhum desbloqueio moral da seriedade; ao contrário, afirma-o a partir de preconceitos, deturpações, mediocridades contra os gays, contra as mulheres, contra o povão, contra Lula, etc. O verdadeiro humor é aquele que serve para desbloquear os afetos e deixá-los passar livres, aumentando a potência de agir dos corpos no mundo. O riso coletivo/cósmico que afirma as comunalidades. Ontem, na primeira extração de petróleo da Pré-Sal, Lula mais uma vez fez a festa democrática ao compartilhar seu humor real com os presentes e todos os cidadãos brasileiros. Enquanto a seqüelada mídia, desesperada, fala que não se sabe a quantidade exata de petróleo no megacampo de Jubarte e que a Petrobras não tem ainda os meios de retirar esse petróleo em tamanha profundidade, Lula ergue nas mãos o primeiro litro de óleo extraído e diz que a Petrobras está indo buscar o petróleo tão fundo, mas tão fundo que qualquer dia vai vir um japonesinho junto com o óleo e que aí vai ser um incidente internacional sem precedentes. Gargalhadas gerais e totais. Lula, então, melou as mãos no óleo e saiu melando a costa dos ministros presentes e do presidente da Petrobras. Ele, depois de cheirar o óleo, botou o dedo para um ministro cheirar, mas quando o ministro foi cheirar, Lula encostou o dedo, melando o nariz do ministro. Aí saíram todos se lambuzando de óleo. A ministra Dilma que o diga: ficou com nove dedos nas costas.

É aquilo que dissemos quando do aniversário do Sapo Barbudo: são as horas de almoço dos trabalhadores. Lula carrega o humor ativo, em situação, do povo. Talvez a mídia/direitaça diga que não é postura condigna para um presidente, aí afirma de uma vez por todas seu preconceito totalmente manifesto de ter de aceitar a presença do presidente/operário.

Ricardo Stuckert/PR

Campo de Jubarte (ES) - Presidente Lula apresenta o primeiro óleo extraído da camada pré-sal Foto: Ricardo Stuckert/PR

INCLUA-SE NO 14º GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS…

Quem conclama, novamente, é a equipe Cáritas-Manaus, a partir do convite gritado a todas as pessoas e entidades envolvidas nas tentativas de fissuração do estado de coisas, que não pode suportar um verdadeiro GRITO de liberação de todas forças que tentam bloquear o avanço das potências dos homens em proximidades democrática. Este bloguinho aproveita e lança aqui esse GRITO recebido da companheira Francy Junior, da Cáritas, e o lança aqui para os intempestivos acessantes:

GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS 2008

VIDA EM PRIMEIRO LUGAR:

DIREITOS E PARTICIPAÇÃO POPULAR!

Salve! Salve!

Companheiros e Companheiras,

Articuladoras e Articuladores do Grito,

Lutadores e Lutadoras do povo.

O que você diria se lhe perguntasse por que estamos construindo o Grito 2008?
Talvez dissesse que estamos para caminhar. Caminhada de dias para resgatar, avaliar, planejar… trazendo sonhos, trazendo falas, trazendo cantos.

E CAMINHAMOS MESMO, PORQUE É NOSSA VOCAÇÃO CAMINHAR.

Talvez passe pela sua cabeça que construímos para denunciar. Porque a denúncia é parte do caminhar. Denunciamos o capitalismo,o no qual não há lugar para trabalhadores e trabalhadoras como seres humanos.

E DENUNCIAMOS MESMO, PORQUE É NOSSA FUNÇÃO DENUNCIAR.

Talvez você sinta que estamos sempre construindo para resgatar, nossas lutas. Porque o resgate faz seqüência ao denunciar. Resgatar a essência de nós mesmos(as), para daí resgatar o ser humano como centro e razão de toda criação.
E RESGATAMOS MESMO, PORQUE É EDUCATIVO RESGATAR.

Talvez você ache que estamos aqui para sonhar. Porque o sonho acompanha o resgatar. Sonhamos em construir o novo, resgatando a história que já passou para, na continuidade, construir o futuro, que já vem vindo.

E SONHAMOS MESMO, PORQUE É NOSSO DIREITO SONHAR.

Talvez você acredite que construímos mesmo, foi para inventar. Porque a invenção está colada ao sonhar. Sabemos que o sonho coletivo é realidade pura. E é assim que concretizamos o novo que inventamos. E seguimos inventando novas formas de trabalho, novas relações, novas organizações.

E INVENTAMOS MESMO, PORQUE É NOSSA MISSÃO INVENTAR.

Nada disso. Você acha que construímos para trabalhar e dar trabalho. Porque trabalho é uma forma de inventar. Trabalhamos para criar o futuro do trabalho, no qual os trabalhadores e as trabalhadoras sejam donos e donas de seu trabalho.

E TRABALHAMOS MESMO, PORQUE É NOSSO TRABALHO TRABALHAR.

Ah! Que nada. Você acha que construímos e gritamos para buscar sementes para semear. Porque semear faz parte de nossa jornada de trabalho. Corremos mundo, ou melhor…corremos Manaus. Semeando grupos, semeando esperanças, semeando mobilização, semeando animação.

E SEMEAMOS MESMO, PORQUE É NOSSA FUNÇÃO SEMEAR.

Você pensa, você acha, você sente que construímos o grito aqui para tanta coisa, que é até impossível enumerar. Mas como você reagiria se disséssemos que estamos construindo mesmo para gritar? Porque o grito é a nossa forma de nos expressar. E gritamos como um grupo cujo destino é animar a todos e todas que fazem o grito soar, para a vida estar em primeiro lugar.

O que diria se te chamasse para estar conosco construindo o 14º grito dos excluídos e excluídas?

Ah! Pensaria, diria vamos juntos e juntas gritar: VIDA EM PRIMEIRO LUGAR: DIREITOS E PARTICIPAÇÃO POPULAR.

Então entra na roda com a gente. Vem sonhar, sonhos com cheiro bom, cheiro de esperança, cheiro de vida, cheiro de luta.

Reunião de organização do Grito 2008

DIA: 18 de agosto de 2008

LOCAL: CEFAM – Avenida Joaquim Nabuco, 1023 Centro

Horário: 18:30h.

Inf: 32129030 // 96164232

Saudações de luta,

Francy Junior

Articuladora do grito 2008

Equipe Cáritas Manaus

REUNIÃO DE CÚPULA DO MERCOSUL

O encontro dos Chefes de Estados da América do Sul em San Miguel de Tucumán, na Argentina, no dia de hoje (01/07/08), sob a presidência de Lula, serviu para mostrar, além da consolidação da união e da força dos países latinos, o amadurecimento e a posição destes países frente ao poder dos estados europeus e os Estados Unidos.

Logo na abertura a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, propôs uma ampla discussão sobre sobre a crise dos alimentos. E Hugo Chávez, da Venezuela, foi a favor de criar um grupo para tratar de segurança alimentar na América do Sul. Lula apoiou o projeto e, tratando da crise dos alimentos no mundo, mostrou os ardis políticos-econômicos perpetrados pelos membros da UE e Estados Unidos, atribuindo o bio-combustível nacional a sua responsabilidade, enquanto alguns destes países especulam no mercado futuro. O mesmo expediente usado na política internacional do petróleo.

Lula lembrou também que o mais importante nesse momento para a América Latina é que todos se mantenham unidos contra as ameaças daqueles que são os verdadeiros responsáveis pela crise internacional, mas que pretendem desviar as suas autorias para os países latinos, como sempre ocorrera historicamente. O que estes povos tiveram que pagar um cruel preço. O que não poderá acontecer visto que os países latinos vivem agora um momento histórico de fortalecimento de suas democracias. No mais, o encontro transcorreu com as falas dos presentes formando um só objetivo: a segurança e o desenvolvimento da América do Sul. Ou o MERCOSUL.

Com informações da Agência Brasil.

CNI/IBOPE: SÓ DÁ LULA…

Lula-Povo

Sai mais uma pesquisa CNI/IBOPE e os números do governo Lula continuam estáveis, o que neste caso significa que se movimentam como numerais na preservação do ser democrático da população a partir de sua integridade de governar ativamente com eticidade e inteligência. Dá só uma olhada:

  • 58% de avaliação positiva do governo Lula;

  • 72% aprovam sua maneira de governar;

  • 7 é a média de 0 a 10 para o seu governo;

  • 68% é o índice de confiança no presidente;

  • 40% afirmaram que o 2º mandato está sendo melhor que o primeiro…

Não tem pra ninguém! Quem sente uma fisgada é a direita invejosa, ressentida e mau amada, que vê que todas as suas forçações de barra, juntamente com a seqüelada mídia, não aderem ao Sapo Barbudo. Dá-lhe Lula…

NÃO SE EXCLUA DO 14º GRITO DOS EXCLUÍDOS…

Participe de sua organização! Quem conclama é a equipe Cáritas-Manaus, a partir do convite que hora publicamos aqui neste bloguinho para todos que buscam se envolver nas visibilizações/discussões em torno das tentativas de modificação do estado de coisas que se quer imutável, mas que não pode resistir às relações afetivas de proximidades democráticas.

Salve! Salve! Articuladoras e Articuladores, Companheiros e Companheiras,

14º Grito dos excluídos e excluídas 2008

Vida em primeiro lugar: direitos e participação popular

O Grito dos Excluídos e Excluídas é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluíd@s.

Com essa força e alegria, estamos convocando a todas e todos a participarem da organização do Grito 2008.

Local: CEFAM – Avenida Joaquim Nabuco, 1023 — Centro (Manaus-AM)

Dia: 26/06/2008 Horário: 8:00h as 12:00h

Francy Junior

Equipe Cáritas Manaus

25 ANOS DO MOVIMENTO NEGRO NO BRASIL

Um movimento nunca surge no exato momento em que suas notas-particulares passam a ser observadas e compreendidas como realidade objetiva. Esta assertiva filosófica cabe à luta dos negros no Brasil, que se manifestou como ação libertária séculos antes de 25 anos passados. Entretanto, como atividade racial engajada na pós-modernidade brasileira, conta exatamente 25 anos. Aí a assinatura política-histórica do Movimento Negro no Brasil. Aí a importância revolucionária do lançamento, hoje, do livro 25 Anos do Movimento Negro no Brasil. Obra que não testemunha apenas a luta de 25 anos dos negros isoladamente, mas apresenta, paralelamente, as transfigurações políticas e sociais do Brasil, afirmando o Movimento Negro como força profícua na construção da democracia, que agora, no governo Lula, se solidifica. O que não quer se dizer que durante estes 25 anos, os negros sempre encontraram governos dispostos a engajar-se na luta. Pelo contrário. O período Fernando Henrique foi de pouco avanço para o Movimento, e que se não fosse a própria atuação dos negros, teria estagnado.

Em suas multiplicidades discursivas, o livro conta com textos de várias pessoas envolvidas com as questões da negritude, entre elas o ministro Gilberto Gil. Com imagens-fotográficas de Januário Garcia, o livro revela os principais acontecimentos deste percurso com fatos produzidos tanto pela ação dos negros como pela ação de outras instâncias sociais em que os mesmo eram apenas coadjuvantes. Para o presidente da Fundação Zumbi dos Palmares, Zulu Araújo, o livro será importante, como elemento histórico-didático, nas pesquisas escolares, já que fará parte dos conteúdos do ensino da cultura negra no Brasil.

Uma obra mobilizadora, capaz de fundamentar a democracia como um processual continuum de modus de viver feliz em comunalidade.

OBSERVATÓRIO DO IDOSO

Em uma sociedade que tem por leitmotivprincipal a seleção, a classificação e a hierarquização para excluir aqueles que não carregam seus enunciados pragmáticos redutores, qualquer ação para fortalecer os que foram julgados ineptos para circular neste meio, é de fundamental importância. Essa a razão da criação do Observatório do Idoso, em Brasília, que tem como objetivo discutir e apresentar políticas que atinjam eficazmente este que é diretamente vitimado por esta força social perversa. O Observatório coloca em cena os direitos dos idosos de acordo com suas necessidades históricas, espaço-temporal. Do direito à saúde, à educação, o entretimento, e a proteção contra toda forma de violência, principalmente a familiar, a mais praticada e menos denunciada.

Todavia, é imprescindível que todos nós compreendamos que o que precisamos mesmo é criar uma sociedade em que os movimentos corporais e incorporais do homem não sejam definidos por uma linguagem-jurídica capaz de determinar a sua realidade sem levar em consideração sua potência contínua que o possibilita compor encontros de acordo com suas faculdades essenciais. Seu móbil ontológico, que o faz continuamente produtivo em qualquer estágio de sua existência, só estagnando na morte. E não produto da estratégia imobilizante dos incorpóreos da linguagem-jurídica, que o transforma em idoso e aposentado. Estigma excludente da sociedade paranóica. Como se houvesse uma única realidade para o homem em que a criança e o dito idoso não podem representá-la. Quando criança, ainda não é o ‘ideal’ homem. Quando idoso, já passou deste ‘ideal.’

PORTAL DO PROFESSOR

Foi inaugurado hoje pelo Ministério da Educação e já apto à consulta, o Portal do Professor, com suas múltiplas faces informáticas para que o professor possa interagir em informações de acordo com o entendimento sobre educação, escola, ensino, métodos, programas, conteúdos, etc.

O Portal, embora direcionado ao professor, pode ser acessado por qualquer pessoa interessada nas questões da educação. É a informática, para além das superfluidades, sendo usada como forma de democratização do conhecimento.

DENISE ABRIU FREUD A LULA

A ex-secretária da ANAC, Denise, foi ao Senado mostrar seus conteúdos técnico-burocráticos, segundo ela também jurídicos, para tentar incriminar a ministra Dilma Roussef, tudo como manda a inoperância parlamentar dos intrigantes do PSDB/PFL. Entretanto, ao tentar pontuar sua inflexão vocal, sonorizando significantes enfáticos, emitiu uma voz empastada deslizando em pontuações guturais como sopros cavernosos. Crente no apoio de seus mentores, os direitistas, conduziu em público Deus, família, filhos (maravilhosos), amizade e moral espiritual, sua nova elevação metafísica, que para si a colocava acima de qualquer suspeita humana demasiadamente humana. Triste cálculo calculado pela contribuinte da economia cubana na produção charuto: Denise abriu, e Lula viu. “Só Freud para explicar a ida dessa senhora ao Senado. Como alguém fica 8 horas para não dizer nada”, afirmou o teórico da psicanálise, Lula.

O arigó, campeão da Copa Brasil, interpretou a resistência da ex-agente-aérea e não fez a contra-transferência: ela quer tirar o sentido do que já é sentido no processo de venda da Varig. Não precisou descer às profundidades do inconsciente Abreu, aberto. Nada latente, tudo manifesto. No corte do cabelo: quase Joãozinho. Na voz: persona, pelo som pode se conhecer o personagem (atores gregos com suas máscaras). Pela boca: tragar charutos (ou cigarros, nenhum dos vícios do senador Arthur“5,5%”Neto, afirmado por ele quando pedia respeito pela senhora aberta), sublimação oral (Freud).

O teórico da psicanálise, Lula, em suas andanças democráticas sempre esteve em situações em que os atos falhos e as simulações sempre se fizeram presentes. Exemplo: a escalada alpinista de Fernando Henrique subindo nas suas elevações de operário engajado. Estas andanças lhe permitiram um entendimento para além da manifestação do outro. O que quer ser tomado mais pelo que finge apresentar do que o que esconde. Lula aprendeu com os farsantes que todo homem que faz uso do engodo não é confiável, pois desviou o desejo de seu objeto. E o objeto e objetivo do homem desejante socialmente é a democracia. Por isso, compreende tão bem os desviantes do PSDB/PFL.

Nos entremeados conspiradores e abestalhados da chamada cena política da direita, Lula foi mais que Freud: mostrou para ao povo brasileiro uma psicoterapia terminada. O que para maioria dos psicanalistas é impossível por dois princípios: Um, eles não vão além de suas próprias projeções. Dois, é o grande truque deles para manterem os analisando em suas dependências. Tudo que Lula como governante não é e não pretende. Não é incapaz, e não pretende o povo aprisionado.

MAIS UM SECRETÁRIO DE BRAGA SAI TOSTADO?

Diz o ditado que o povo aumenta, mas não inventa. Há meses que entre os professores da rede estadual de educação do Amazonas sabem da fritura do secretário de educação, Gedeão Timóteo Amorim. Acontece que, desde segunda-feira recente (já são quatro dias), professores e alunos do Jorge Teixeira à Redenção, de uma ponta a outra de Manaus comentam que o supracitado secretário de educação foi exonerado pelo governador do Amazonas, Eduardo Braga, na tarde da segunda passada.

Este bloguinho pesquisou, pesquisou, e não conseguiu confirmar o boato. Entretanto, acredita que não seria necessário. Primeiro porque, crente na inteligência coletiva, percebe que o povo sente a fritura do secretário como uma inadiável exoneração; segundo porque sabe que enquanto continuar o mesmo modelo de gestão não só educacional — poucas mudanças no que diz respeito à totalidade dos serviços públicos no Amazonas será possível como pontencialidade de realização.

AS NOVAS PERCEPÇÕES DE LULA E DILMA

Todas estas visitas de Lula e Dilma ao estado do Amazonas, tanto à capital, Manaus, quanto aos interiores, não são palanque eleitoral como quer a retrógrada e desesperada direita ante á popularidade do “sapo barbudo”. É uma forma do presidente e a ministra fazerem avaliações in loco de como as verbas públicas estão sendo empregadas para o bem estar social imediato e duradouro para a população. Por isso os índios de São Gabriel tiveram uma conversa informal a sós com Lula; por isso Dilma citou aquele exemplo de uma cidade (Manaus) com o maior rio do mundo, mas sofrendo com falta d’água e com inexistência de saneamento básico. Verbas estão indo em abundância para os estados, mas ao que tudo indica não estão sendo empregadas em muitos estados de forma inteligente ou não estão sendo empregadas de forma nenhuma. Lula e Dilma devem estar caindo “de pau”, como se diz no jargão popular, nos prefeitos e governadores para a utilização das verbas públicas em benefício da sociedade como um todo. Caso isso não aconteça, aí entra em ação o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, os tribunais de contas, etc.

UM INSUPORTÁVEL SEGUNDO NA REALIDADE OBJETIVA

O leitor intempestivo poderá conferir neste bloguinho como estão os serviços públicos estaduais na tag Governo do Estado. (O leitor amazonense sabe na prática, até porque as violentações aos cidadãos que aqui constam nos foram passadas por pessoas que vivenciaram e vivenciam cotidianamente tais situações quando têm necessidade de utilizar serviços públicos básicos, indispensáveis e inalienáveis. No caso das escolas, há muitos anos Braga só fez dar continuidade, mas esse estado de coisas já se apresentava mesmo antes dele nascer — que a falta de condições físicas e de concepções educacionais que possibilitem o conhecimento como prática de novas constituições comunitárias e de mudanças existenciais, sociais e políticas massacra quem convive na práxis do dia-a-dia escolar. O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, além de auxiliar alunos que cursaram ensino médio em escolas públicas a entrarem na universidade via Pro-Uni, serviu para observar a situação do ensino público em estados como o Amazonas, que não por acaso ficou em último lugar.

UM EXEMPLO AUTOFÁGICO

Comenta-se também entre os professores que já saiu o resultado do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, e que novamente, o que não é nenhuma novidade, o Amazonas fica nas últimas colocações. Por estes motivos, só por estes, pois se sabe que pelas concepções neoliberais de educação (nada de educare = “movimentar”) o que interessa é a impressão de uma imagem do pensamento do Estado forjada em marketing e gráficos abstratos, sem substância. Como os gráficos educacionais — o ENEM e o IDEB —, do modo como foram colocados a funcionar pelo governo LULA, estão traindo suas causas, desesperam-se e começam por cortar suas próprias cabeças. Um exemplo autofágico pode ser citado no diretor da Escola Estaual Cleomenes do Carmo Chaves, que foi exonerado porque foi flagrado por um canal de televisão jogando xadrez em seu leptop durante uma reunião de diretores de escola. Mas os professores e os alunos antigos da escola sabem que nos últimos quatro anos passaram pela escola cinco diretores diferentes e nada conseguiram fazer. Tentando segurar-se com seus cargos de confiança, alguns deles até tentaram fazer um trabalho, mas diante das insuficiências materiais, de professores, auxiliares, etc, nada conseguiram realizar que impulsionasse a escola a uma atuação de importância política-social. Enquanto isso, ao término do primeiro semestre do ano letivo corrente, há classes de alunos que, de cinco, acabam tendo dois tempos de aula por inexistência de professores para ocupar as vagas.

DA INTELIGÊNCIA DO POVO

Tal qual ocorreu com José Dantas Cyrino Jr, quando secretário de educação municipal de Manaus, que professores, alunos e comunitários já sabiam de antemão que sairia, parece que o destino de Gedeão Timóteo Amorim é mais certo do que o destino do Édipo Rei. É o golpe final na dupla de secretários de educação formados em filosofia. É por isso que se diz que um diploma de filosofia não faz um filósofo, ao contrário, quando ele se torna mero agente reprodutor do Estado, não serve e o distancia do filosofar. No caso de Gedeão, não serviu nem para forjar argumentos (ainda que falsos) quando, no programa Fala Governador, era admoestado “ao vivo” (onde a vida?) por Eduardo Braga, o qual tem fama de tratar seus subalternos como lambaios. Com sua saída, na prática, nada vai mudar, mesmo que Braga coloque como secretário de educação um técnico de marketing. O povo não aumenta nem inventa, apenas sabe a partir de uma inteligência de outra ordem, atuando por fascinação, como diria Baudrillard. O caso não é exonerar o secretário; é que ele nem sequer existe, assim como estes governos. Só o vazio. Mas como diria Tom Zé, “porque a cobra já começou a comer a si mesma pela cauda”. Bom sinal!

LULA ALÉM DE FREUD

O nome de Freud é quase tão conhecido como a farinha. Tão famoso quanto outros homens famosos: Jesus Cristo, Marx, Nietzsche, Che Guevara, Maradona. Serve para variadas alusões: “Freud, explica! Freud explica, mas não resolve! É uma questão freudiana! É Freud, rapaziada! Este jogo tá Freud!”. E assim o psicanalista vai conferindo seu nome em muito territórios e estados de coisas, até na psicótica mídia-seqüelada. Escrever ou falar Freud ainda dá glamour, alguns acreditam. Até mesmo aberrando a pronúncia alemã: “O psicanalista Freudi…”. Mas o que vale é a intenção de freudianizar a ocasião. Para difundir mais ainda o nome do descendente do império Austro-Húngaro, a convite do diretor de cinema John Huston, o filósofo Sartre escreveu um roteiro sobre o edipiano-psicanalista, com o nome “Freud, Além da Alma”, que para o bem da filosofia, o diretor quis romantizá-lo, mas o filósofo da liberdade-Para-Si não aceitou. Agora tem estudante de psicologia e incautos afins acreditando que assistem o original. Mas parte da propagação do nome.

Muito sabem que Freud, mesmo patriarcalizado e emburguesado, revolucionou o pensamento. Criou a terceira ferida narcísica (a primeira foi Galileu, mostrando que a terra não era o centro do universo; e a segunda Darwin, mostrando que o homem é descendente do bom primata): o homem no subterrâneo de sua mente é um horror. Implosão da moral judaica-cristã-burguesa. Apesar de seus pseudos seguidores, e sua triangulação edipiana-familial, mostrou que o inconsciente é um oficina produtiva. Uma potência transformadora, muito diferente do que pretendem os sacerdotes da psicanálise, que o querem arcaicamente perdido em um passado destruidor do presente: a dívida do neurótico.

Todavia, o mestre vacilou quanto à terapia dos revolucionários loucos: era impossível sua cura, pois os mesmos não fazem transferência sobre o analista como fazem os neuróticos. Aí surgiram os anti-psiquiatras e trouxeram os fraturadores da mente e passaram pela fissura da censuradora normalidade. Nesta festa, estão os psiquiatras David Cooper, Ronald Laing, Berlinguer, Basaglia, Guattari, entre poucos.

Eis que hoje, pela manhã, no estado da Bahia, no município de Lauro de Freitas, foi lançado o PAC Plano de Aceleração do Crescimento. Como já habitual, onde Lula se encontra o povo está presente, expressando, compondo encontros que aumentam sua potência de agir. Passado a cerimônia introdutória, a prefeita Moema Gramacho, com uma verve e graça pouco encontrada na maioria dos prefeitos, mandou elogios reconhecedores aos presentes. Não teve preocupação, como acontece com outros administradores, em agradecer à presença dos estudantes que não tiveram aula para ir ao encontro do Sapo Barbudo. Listou as obras e trabalhos executados durante sua gestão com apoio do Governo Federal. Graciosa, comandou a festa. Foi então que colocou Freud e Lula. Falou da política de saúde mental que estavam realizando no município. E, agora sim, Freud treme, ofereceu a Lula um boneco idealizado e criado pelos revolucionários fragmentadores do desejo-burguês e do inconsciente-passivo, com o nome de “Lulinha Amigo”. Foi a cura da psicanálise: os loucos de Freud se libertaram fazendo transferência a Lula.

Sem querermos ameaçar o emprego de ninguém, mas sugerimos que, após o fim do mandato, Lula passe a atuar na política da saúde mental. Transferência ele consegue. Te cuida, Freud! Entretanto, em BG, em efeito sonoro, o povo em coro cantava: “Um, dois, três, Lula outra vez!”.

ESOPO E OS HOMENS QUE NÃO MERECEM O HOMEM

O nó fundamental do homem: querer a certeza. Tresloucado, procura certeza para validar sua existência. Não sabe: a existência é justamente a incerteza. Não pára. Quer a certeza. Para isso tenta todo tipo de troca, só assim se conforta. Poder trocar sua existência, suas qualidades e seus objetos. Encontrar as equivalências destas notas ontológicas fora de si lhe faz seguro. O filósofo Baudrillard ironiza o pessimismo do homem, afirmando não existir outro mundo para ser trocado com nosso mundo, e o pensamento não pode ser trocado pela verdade e a realidade. Tudo é só em nós mesmos. O filósofo Nietzsche já havia admoestado: o homem não pode se considerar superior aos outros seres. Para que isso fosse possível alguém teria que vir de fora para lhe avaliar e o elevar a esta categoria que ele se auto nomeia.

A mais banal e estúpida tentativa de troca por semelhança que o homem procura realizar encontra-se em sua relação com os animais. Aí as comparações que faz com estes seres singulares. A lógica antropológica do homem e sua natureza. Percebendo a ridícula condição, Esopo mostra essa natureza humana em sua fábula: Os Seres Humanos e Zeus.

“Diz-se que os animais foram os primeiros a serem feitos. Uns se viram dotados pelo dom de força, outros de velocidade, outros ainda de um par de asas.

O homem, que permanecia nu, disse ao deus:

Só eu não fui aquinhoado com nada.

Mas Zeus lhe respondeu:

Não te dás conta do presente que te dei? No entanto, foste tu que recebeste o mais belo. Recebeste a razão, cujo poder é grande entre os deuses e os homens: quem pode mais e quem é mais rápido?

Reconhecendo que se tratava de um belo presente, o homem se inclinou e se afastou agradecido.

O deus honrou todos os homens dando-lhes a razão: mas alguns não se dão conta da honra que lhes foi concedida e preferem invejar os animais que não têm razão nem sentimento.”

Em seus cochilos antropomorfizantes, Esopo também invejou os animais: atribuiu aos mesmos sentimentos e atos humanos.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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