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O TELE-SACERDOTE E SEUS LUCROS ELEITORAIS

Os sofrimentos, as desgraças, as frustrações, todas as sortes de infortúnios que jogam o homem no gueto-comum da servidão, tornando-o um esperançoso da morte, são produções coletivas e, em nenhum instante, produtos de entes metafísicos, sobrenaturais. Neste sentido humilhante, concebe-se que todos os oprimidos, humilhados e ofendidos só escaparão dos sofrimentos que os atormentam através das práxis política, econômica e social emergidas das potências racionais coordenadas não só pelos governantes, aplicando socialmente as leis constitucionais do Estado, mas, acima de tudo, com a participações efetivas destes condenados da Terra, pois só eles, e mais ninguém, podem fazer uso de suas próprias vozes como instrumento de construção de uma existência digna, onde seus Direitos e Deveres estejam amparados democraticamente no Direito Civil, manifestado como Bem Comum. Pois é sabido que só o indivíduo pode ser sua própria voz ativa.

O TELE-SACERDOTE E SEU SACERDÓCIO-ELEITORAL

Extraindo da condição e da função do sacerdote enunciadas nos conceitos histórico/teológico/político de algumas sociedades tirânicas, e compondo com partes significadas pelo filósofo alemão Nietzsche, que afirma ser o sacerdote é um personagem estranho, o tele-sacerdote predominante no meio de comunicação televisivo é um agente do pessimismo. Ele compõe o nojo pela vida com a compaixão, inocula em suas vítimas o fel da culpa, da redenção, da dívida, do medo, e atribuiu a si próprio a missão de salvar estes desvalidos. Seu sacerdócio é simular conforto, medicar consolo, alegria, proteção àqueles que ele acredita em sofrimento.

Em sua prática, inicialmente ele se auto-define como salvador desprovido de qualquer interesse pessoal. Se dedica à salvação por vocação. Não pretende auferir qualquer bônus, recompensa, reconhecimento; salva por salvar seus doentes. Todavia, não é bem assim. Ele simula uma dedicação desinteressada. Na verdade, com seus consolos, o que ele pretende é manter seus doentes, doentes. Por isso, ele medica a sua fórmula desprovida de realidade para o sofredor permanecer preso às visões produzidas por sua condição de excluído da vida. O lumpemproletariado pós-moderno. É isso que ele persegue: que o sofredor não tenha vida, não deixe brotar em si a potência criadora de uma existência ativa em que ele seja sujeito produtivo de si e de sua comunalidade, porque o tele-sacerdote tem medo da vida. Ele é um pessimista que, para suportar sua renúncia existencial, simula confortar os desesperados, sufocando a vida em todos para que suas liberdades transformadoras nunca brotem e ele permaneça se alimentando de suas frustrações. Por tal, ele interpreta um personagem que simula uma superioridade para poder se manter como necessário aos enfermos. Um pessimista que tem pavor da vida. Um personagem explorador que se nutre da palidez e da fraqueza dos que estão afogados nos guetos.

Como não sabe atuar de outra forma, ele amplia sua área de dominação: se candidata a um cargo no Legislativo ou Executivo. Eleito, sua jornada continua. Agora, com maior alcance, já que não se encontra mas só protegido pelo canal de televisão, sua igreja mestra. Agora, ele tem confraria e facilidade para outras ações dominadoras.

Mas o tele-sacerdote não é criador de si mesmo. Primeiramente, ele é criatura da criadora sócio-cultura mistificadora e mitificadora da sociedade/capitalista/paranóica/burguesa. Ulteriormente, ele é acolhido em um canal de televisão pelo responsável da administração da concessão pública, que tem interesse em lucrar política/economicamente através dos guetos fundados pelos governantes do Estado, que, também, interessados em seus lucros político/econômico, não fazem valer as leis constitucionais referentes às obrigações da aplicabilidade das políticas públicas, direito social da população.

Foi assim que se fizeram, e permaneceram anos a fio, sem nenhuma suspeição democrática da dignidade humana, Nonato Oliveira, Lupércio Ramos, os irmãos Souza, Sabino, e, presentemente, Henrique Oliveira, os deputados Marcos Rotta, Conceição Sampaio e Tabosa.

Inferi-se, desta maneira, que mesmo com a força mistificadora e mitificadora da sócio-cultura capitalista/paranóica/burguesa, se os governos realizassem socialmente o que reza a Constituição, os oprimidos, humilhados e ofendidos seriam tão pequenos que não dariam para eleger sequer um vereador. E se as concessões publicas das TV’s fossem administradas seguindo o regime democrático constitucional que visa à educação cidadã não se produziria o tele-sacerdote. E, de quebra, teríamos outros representantes na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa.

WALLACE CASSADO NA ALE-AM

Terminou agora há pouco o julgamento do deputado Wallace Souza (PP) na Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM).

No total, foram 16 votos a favor da cassação, 04 contra e 03 abstenções.

Com o democrático placar, Wallace deixa de ter foro privilegiado e perde os direitos políticos por 8 anos.

Além disso, agora como cidadão (?) comum, Wallace poderá ser julgado pela justiça comum contra as diversas acusações que correm no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), entre elas formação de quadrilha e associação para o tráfico, coação de testemunhas, porte ilegal de armas e exploração sexual infanto-juvenil.

Segundo comunicado, a decisão acertada da ALE-AM será publicada amanhã no Diário Oficial do Estado (DOE).

Acostumada a acordos tácitos na ALE amazoniquim, esta cassação só ocorreu devido a pressão popular. E a população aguardou ansiosa a decisão, como pode-se inferir de um comentário neste bloguinho minutos após o anúncio da cassação.

Oliveiras Democráticas

Exercemos o magistério. Como cidadão acompanhamos o caso Wallace pare- passo. Eis que chegou o grande dia. Esperamos a manhã toda deste 1º de outubro de 2009 e nada da sessão da ALE-AM iniciar. Quando começou já era 12:45h e chegava a hora de ir para a escola. A espectativa era grande. Ao entrarmos na sala uma aluna que, descumprindo proibição de uso de telefone na escola, escutava uma rádio e disse que estavam debatendo sobre a cassação do Deputado Wallace. Ela me emprestou o telefone/rádio e por volta das 14:45h o veredito era dado e o deputado foi cassado. Retornei às salas dando a boa nova e a gritaria de contentamento era enorme. Numa das salas gritaram alunos e o professor que passou a ministrar sua aula com mais alegria depois de nossa sociedade se ver livre de um capo.

E a pressão da população deve continuar, para que o caso Wallace não tome os mesmos rumos da cassação do deputado Antônio Cordeiro, que perdeu o mandato em 2004, após a Operação Albatroz, da Polícia Federal, desbaratar um esquema de fraude em obras públicas comandado por ele que teria desviado R$ 500 milhões, e pela qual Cordeirinho nunca sofreu condenação nenhuma na Justiça manoniquim.

CURTAS SOBRE A VOTAÇÃO DO “CASO WALLACE” NA ALE/AM

Atualizado em 14:05h:

  • Mais um dos que querem melhorar o quociente eleitoral, deputado Arthur Bisneto pede que votação seja aberta. Chico Preto volta atrás e diz que não vai revelar teor do voto.

  • Wallace faz defesa “metafísica”, se compara a Maria Madalena, cita todas as doenças das quais sofre, se diz vítima de perseguição política e usa o nome de Deus em cinco de cada quatro palavras que profere.

  • Wallace faz último apelo, ocupando ele mesmo os últimos 15 minutos do seu direito à defesa.

  • Neste momento, o advogado de Wallace, Francisco Balieiro, apresenta a defesa, que deve durar por volta de 45 minutos

  • Com 15 minutos de atraso, começou o julgamento de Wallace Souza.

  • Com a galeria totalmente lotada, Wallace chega ao plenário, vestido todo de branco (candidato(?), e é aplaudido pelas duas mulheres que carregam cartazes de apoio. Todo o restante é de vaias.

  • Como a votação será em regime secreto, alguns deputados já se aproveitam para fazer uso eleitoral da situação. Visceralmente ligado ao governo Braga, o deputado Chico Preto, envolvido com a Albatroz, afirmou que irá revelar o teor do seu voto, favorável ou não à cassação.

  • Marcada para as 12:30h, a votação do relatório do conselho de ética da Assembléia Legislativa do Amazonas, sobre a quebra de decoro parlamentar do deputado Wallace Souza (PP), atraiu manifestantes, a maioria favorável à cassação.

  • Estudantes de uma escola próxima à ALE foram até o local para protestar e pedir a cassação do deputado, acusado de formação de quadrilha e grupo de extermínio, porte ilegal de arma, tráfico de drogas e armas. Foram impedidos, no entanto. A diretora da escola os obrigou a retornar à sala de aula. É a orgulhosa educação do Amazonas em ação.

  • Detectores de metais foram instalados na entrada do acesso exclusivo aos deputados.

  • Cerca de 150 estudantes da UEA e UFAM estão no local, para acompanhar a votação e pedir a cassação de Wallace. No entanto, poucos foram autorizados a entrar.

  • Belarmino Lins, presidente da ALE, conhecido como Belão-Balão, informou que não dará entrevistas ao final do processo, seja qual for o resultado.

  • Dos 23 deputados presentes à sessão, Wallace precisará de pelo menos 13 votos a favor, se quiser manter seu mandato.

  • Apenas duas mulheres seguram um cartaz pedindo aos deputados que absolvam o deputado.

Fonte:agências de notícias no Twitter.

WALLACE INTERNADO DE CORPO E ALMA

Mesmo que Platão, na antiga Grécia, tenha operado a separação entre a alma e o corpo, e que isso tenha baseado toda as doutrinas de poder-saber, entre elas o Cristianismo, consolidado pela fundamentação do Catolicismo como religião oficial do estado Romano, numa leitura de Cristo levada a cabo por Santo Agostinho pelo viés de Paulo de Tarso, o que foi, mais ainda, consolidado definitivamente por Tomás de Aquino, mesmo assim, o mundo da práxis desmonta a todo momento o vazio desse simulacro. É por isso que o ditado popular diz que “quando a alma não sente o corpo padece”. Ou, como disse o filósofo Spinoza, “tudo que acontece no corpo humano, a alma deve percebê-lo”.

Não apenas apenas alguns padres e pastores vampiros se alimentam dessa separação operada pelo poder-saber, mas também grande parte do Judiciário e, principalmente, a corrompida classe política. Entre estes, há os que se acreditam acima do bem e do mal, acima de Deus e dos homens, utilizando-se de um como discurso vazio para dominar os outros na realidade. Apesar dessa dominação ser real, a ilusão de poder que carregam é uma fantasia. Mas como eles a acreditam real, por causa da dominação real que é efetivada por ela, vão corrompendo de forma psicótica tudo e todos que encontram a sua volta. Até que um dia um sopro democrático faça desmoronar esse arcabouço fantasioso de poder.

Na tarde de hoje foi divulgada mais uma prisão do Caso Wallace, a de seu motorista. E um pouco depois foi divulgada a internação do (ainda) deputado estadual amazonense Wallace Souza (PP) no Prontocord. Como já havia acontecido com o filho Rafael Souza e o irmão Carlos Souza, vice-prefeito de Manaus, na época da prisão de Rafael, a alma corrompida de Wallace faz o corpo padecer. “A alma e o corpo são um só e mesmo indivíduo” (Spinoza).

Ou, como disse Nietzsche na sua Genealogia da Moral: “Estar acima do bem e do mal não é estar acima do bom e do mau.” Um corpo com tantos maus encontros é um corpo degenerado e só tende a se desintegrar, juntamente com a alma, é claro. E tudo para a boa preservação da democracia.

CASO WALLACE: SÍNDROME DE PETER PAN NA ERA DA INOCÊNCIA

No discurso antes da votação na Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) que, por unanimidade, encaminhou para a Comissão de Constituição e Justiça o pedido de abertura de processo por quebra de decoro, o deputado estadual Wallace Souza (PP) chorou, disse-se inocente, descreveu lástimas familiares, utilizou-se fartamente do lugar comum “Deus” e se referiu ao filho Rafael como uma criança. Toda a mídia sequelada amazomanoniquim atém-se a esse logro de péssimo bufão. Encenadas para ocasião e/ou provocadas por ver investigações sobre crime organizado e tráfico de drogas levarem Rafa à penitenciária e esbarrarem, juntamente com a acusação de corrupção de menores, na sua (até então) imunidade parlamentar, as demonstrações emocionais do deputado, partindo do mais baixo grau do entendimento, o senso comum, o “ter visto”, “ter ouvido” do qual fala Spinoza, descambam na fantasia psicológica e não devem corromper as decisões jurídicas.

A ERA DA INOCÊNCIA DE WALLACE…

Na mentalidade desmemoriada na lembrança e na afetividade dos adultos em relação a suas infâncias, a infância aparece como uma era de inocência, pureza, retardamento, felicidade, ingenuidade, alheamento em relação ao futuro. Tudo que o cineasta espanhol Carlos Saura desmonta, em relação ao falso sentido dado à infância pela maioria dos adultos, com as imagens do seu Cría Cuervos.

Nada a ver com “princípio de inocência” ou “presunção da inocência”, princípio do direito penal que estabelece a inocência do réu como regra até que o processo instituído contra ele seja concluído e o trânsito em julgado o defina culpado em “sentença penal condenatória” (Constituição Federal art. 5º, LVII). Seguindo este princípio, Wallace, a princípio, nem poderia dizer-se “inocente”, uma vez que ainda não é réu. A não ser que ele esteja adiantando-se a uma possível morosidade da Justiça e já se coloque, peremptoriamente, como réu. Caso sua autoacusação não interesse à Justiça, a comoção muito menos deve fazer parte das decisões na ALE, em que pese as dúvidas quanto ao entendimento de muitos deputados.

A SÍNDORME DE PETER PAN DE RAFAEL…

Alguns adultos, tão afeitos que foram à era da inocência, continuam comportamentalmente imaturos, infantilizados emocional, social ou sexualmente. “Crianças-grandes”. A isto, desde a publicação do best-seller The Peter Pan Syndrome, em 1983, pelo Dr. Dan Kiley, a psicologia denominou de Síndrome de Peter Pan e passou a fazer referência a ela, embora não se tenha comprovação de ser uma doença psicológica real, não se fazendo constante nos manuais de transtorno mental.

Na tentativa de embaralhar fantasia e realidade, anulando as evidências desta, o deputado Wallace mistura as acusações que recaem sobre Rafael com os hábitos de uma criança temerária: “Como podem dizer que ele (Rafael) matou 27, 30, 37 pessoas? Como podem fazer isso com um rapaz que até hoje procura o meu quarto de noite, para dormir, com medo de ficar sozinho?”

A própria flexibilização dos números de homicídios é um truque linguistico para relativizar as acusações práticas. Mas, diferente da chamada Síndrome de Peter Pan, pelo mais famoso Complexo de Édipo freudiano, fundo universal de todo inconsciente psicanalítico, segundo a dita ciência psicanálise, toda criança terá de passar por volta da chamada segunda infância (7 a 11 anos) para uma fase posterior, da qual formar-se-á um adulto de comportamento normal ou patológico (psicose).

O deputado Wallace acrescenta que “uma psicóloga, quando olhou a foto de Rafael, disse que, pelo olhar, sabia que ele era incapaz de matar”. Não vem ao caso enquadrar Rafael (só fizemos referência a ele com a Síndrome de Peter Pan porque não é considerada real e pelas narrações de seu pai), mas muito menos vem ao caso dar crédito ou não a uma psicóloga que faz uso de uma assertiva psicológica por uma fotografia e sem pedido judicial, já que ele está sub judice. Do ponto de vista legal é totalmente irrelevante. No entanto, no inverso dos psicopatas hollywoodianos, a principal sedução de um psicopata serial é o olhar dócil infantilizado num corpo adulto. Mas não quer dizer que o olhar de Rafael…

ESVAZIAMENTO E IMANÊNCIA DO SIGNO “DEUS”

Esquecendo ou desconhecendo o enunciado de Cristo: “Dai a César o que é de César”, em todas as partes de seu depoimento, o deputado Wallace trazia Deus como testemunha. Como fazem todos os embusteiros, dentre eles políticos, padres ou pastores corruptos, e também réus de alguma acusação difícil de comprovar inocência, clama-se tanto por Deus, que ele deixa sua transcendência e vem pra terra. Por um lado é um esvaziamento da máquina abstrata “Deus”, que já era vazia e manipulada conforme o motivo do massacre desde as Cruzadas; mas, por outro lado, Deus se fez carne e habita entre os homens. “O pobre é deus na terra” (Toni Negri). A ilusão de um Deus transcendente já não existe mais. Portanto, Deus não está mais do lado do poder constituído, e mesmo que a ALE-AM venha ou não cassá-lo, mesmo que a Justiça venha ou não condená-lo, os humilhados nos programas miserabilistas, os eleitores ludibriados em votos não-democráticos já agiram para diminuir a violência e afirmar ao mesmo tempo as singularidades e as coletividades democráticas, porque são deuses e tudo podem.

CASO WALLACE SOUZA: ASSEMBLÉIA DO AMAZONAS EDIPIANIZADA E O INOCENTE DEPUTADO

A Assembléia Legislativa do Amazonas, através de seus ilustres representantes, esta semana, dá sinais de que pretende ignorar os indícios de culpabilidade e envolvimento do deputado Wallace Souza no esquema de tráfico de armas e drogas pelo qual o seu filho, Raphael Souza, é apontado como chefe e foi preso.

Entre as falas dos deputados, predomina a versão de que Wallace não teve envolvimento com a quadrilha desbaratada pela polícia civil. Entre os mais ostensivos defensores do deputado tele-miserabilista, Liberman Moreno (PHS) chegou a afirmar que não se poderia cometer contra Wallace o mesmo erro cometido ao cassar o deputado Antonio Cordeiro (da Operação Albatroz), processo feito, segundo Liberman, por pressão da mídia e sem que ficasse provada a culpa de Cordeiro.

Do outro lado, o promotor-geral de justiça, Otávio Gomes, afirmou que as investigações se concentraram na quadrilha, e o nome de Wallace surgiu em escutas telefônicas autorizadas, e que ele não era o alvo das investigações, por isso não teria sido indiciado. No entanto, o relatório apresentado traz indícios suficientes para que a procuradoria da ALE abra processo por quebra de decoro parlamentar, que após a perda da imunidade parlamentar, será indiciado pela polícia civil.

A “PSICANÁLISE” DA ALE/AM

O sujeito edipianizado constrói sua existência a partir dos elementos constituídos pela ordem subjetivadora do Capital: a dependência em órbita do Significante Despótico – regime de signos que opera uma desterritorialização relativa aos signos, enunciando-os a partir de uma ordenação que segrega, seleciona, hierarquiza, classifica e atribui valor, sempre em função do esvaziamento do sentido efetivo.

Daí que este sujeito edipianizado, capturado como sujeito-sujeitado, não pode sequer cogitar um sujeito que carregue um estatuto diverso. Assim, a uma ALE/AM subserviente aos interesses nada republicanos do governo do Estado, torna-se um enunciado que apenas evidencia a sua inocuidade o fato de não conseguir visualizar a culpabilidade de Wallace, apesar dos fortes indícios. Assim como cada voto, discurso e ato favorável ao governo do Estado denoda a dependência da ALE aos interesses braguísticos, o fato de Raphael Souza ter afirmado em depoimento que nada fazia sem o consentimento e conhecimento do pai é, para bom psicanalista, assinatura de confissão.

Como estão presos ao mesmo estatuto sígnico, ALE e Wallace não poderiam mesmo julgar um ao outro. Neste sentido, edipianamente, como diria Ruy Brito, estão todos certos…

MPE INVESTIGA IRREGULARIDADES NA FAF PRESIDIDA POR DISSICA, DETECTA FRAUDE E NOMEIA UM INTERVENTOR: ELE PRÓPRIO

Para a justiça do Amazonas, ele é o problema e a solução ao mesmo tempo!

Para a justiça do Amazonas, ele é o problema e a solução ao mesmo tempo!

O deputado estadual Luiz Castro (PPS/AM) apresentou na tribuna da ALE, ontem, 14, uma série de documentos, resultado de investigações do Ministério Público Estadual sobre irregularidades na FAF.

Segundo estes documentos, a investigação é resultado de diversos processos e ações civis públicas movidas pelos clubes e por torcedores, inconformados com as décadas de ausência de futebol profissional no Estado que quer receber a Copa do Mundo 2014.

As investigações mostram claramente que houve má gestão dos recursos (em boa parte, vindos dos cofres públicos estaduais e municipais) e fraude em praticamente todas as eleições. É bom lembrar ao leitor intempestivo que a chegada de Dissica Valério Tomaz à FAF corresponde à chegada de Ricardo Teixeira à CBF. Um mandato interminável, e que corresponde cronologicamente à decadência do futebol local. Dissica atualmente divide o sem tempo entre a presidência da FAF e a prefeitura da cidade de Eirunepé.

Uma destas irregularidades culminou na alienação da sede da entidade, que foi colocada no nome de um suposto ‘laranja’, que deve mais de 80 mil à prefeitura e é processado por roubo, furto e estelionato. A sede não foi vendida em leilão promovido pela caixa econômica federal, no final do mês passado, por falta de compradores. Há pouco menos de um mês, o governador Eduardo ‘Copa 2014 Eleição Garantida’ Braga liberou substancial ajuda financeira aos clubes e à federação, cobrando em troca resultados efetivos que tirem do Amazonas a condição de limbo do futebol brasileiro.

O juiz Roni Frank Torres Stones, que analisou o trabalho do MPE, acatou a decisão final pedida pelo ministério, e nomeou um interventor para reorganizar a entidade e promover novas eleições. O problema é que o interventor nomeado é o próprio investigado, o Sr. Dissica Valério Tomaz!

Lance para os anais do futebol local, onde juiz se transforma em árbitro e joga a favor do time que está ganhando. Perdendo, é claro, está o futebol local, que permanece como está, com copa ou sem copa. Assim como a miséria social, produto dos mesmos governos que agora pretendem ocultá-la e garantir mais alguns mandatos às custas da FIFA. Enquanto isso, os ufanistas da copa sem copa continuam no limbo do sonho dourado…

!!!!! O MUNDO É GAY – EDIÇÃO ESPECIAL!!!!!

LANÇAMENTO DA CAMPANHA “NÃO À HOMOFOBIA” E CARTILHA DA CIDADANIA AGITAM MANAUS

Maninhas, quem não foi perdeu, e quem foi quer ir de novo! O lançamento regional da campanha “Não à Homofobia”, que reuniu diversos grupos do segmento LGBT e outros movimentos sociais no auditório da ALE, ontem pela manhã, bombou!

O evento, organizado pelos movimentos sociais e pelo Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia “Adamor Guedes”, foi uma festa de confraternização. Com direito a algumas revelações que ilustram bem o grau de comprometimento de setores do governo em relação às demandas da população. No entanto, o que prevaleceu foi a alegria, a solidariedade, o humor, a ternura das pessoas que ali estavam, e que foram com o objetivo de conhecer e colaborar com a campanha.


Ilustríssimo, descolado e engajado, o companheiro Francisco Nery, membro da ONG Katiró, coordenador do núcleo de estudos e pesquisas relacionadas à orientação sexual e identidade de gênero e um dos organizadores do encontro, falou a esta colunaaaaaaça sobre os objetivos e sobre a campanha “Não à Homofobia”:

. . . . . . O que a gente está fazendo aqui hoje é o lançamento da campanha “Não à Homofobia”, que é uma campanha que foi idealizada pelo grupo Arco-Íris, do Rio de Janeiro, na parada do ano passado. E o que a gente quer com essa mobilização? É colher assinaturas virtuais no site www.naohomofobia.com.br, onde a gente está pedindo a aprovação do PLC 122/06, que pune qualquer discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Este é um projeto que o movimento social está enfatizando bastante porque hoje, no Brasil, a cada 3 dias, um homossexual é morto, e pra gente, esse projeto vai ser de suma importância para a criminalização da homofobia. E a gente também detectou em uma pesquisa recente, da UNESCO, que a escola também tem um índice de 40% de preconceito contra os homossexuais. E o que a gente quer é colher as asssinaturas virtuais, onde estas assinaturas vão direto para a caixa de mensagens dos senadores, que é no Senado que o projeto de lei está tramitando. Hoje, este projeto já passou pela CAS, que é a comissão de assuntos sociais, está na CCJ (comissão de constituição e justiça) e depois vai para a de direitos humanos. Depois disso, vai à votação. A gente está articulando as nossas bases nos estados e nos municípios através da bancada parlamentar LGBT. Este projeto de lei vai dar um respaldo, tanto político quanto como um marco legal que a gente vai estar, a partir deste, enfatizando outros, como o da união civil de pessoas do mesmo sexo, e assim sucessivamente, porque ele vai embasar, dentro da constituição federal do Brasil, assim como ocorreu em outros países, políticas públicas para a população LGBT”.

Aqui nesta colunaaaaaaça, você já tinha visto sobre a campanha, e que a meta de conseguir o milhão de assinaturas ainda não foi atingido. Em aliança com as entidades LGBT de Manaus e do Brasil, este bloguinho vai disponibilizar na sua barra lateral o banner da campanha, para que você possa assinar e indicar para os amigos. Procura aí do lado, ó.

OS DIREITOS HUMANOS DO DEMASIADO HUMANO LAURIA

O secretário de justiça, Lélio Lauria, convidado de honra do evento, em seu discurso, sequer tocou no lançamento da campanha. Com a placa do evento, anunciando a campanha às suas costas, o secretário aproveitou para evidenciar o tipo de entendimento sobre movimentos sociais e sobre a população LGBT que o governo Braga carrega. O mesmo governo que não se move para dar um final ao processo da morte do ex-presidente da AAGLT, Adamor Guedes – cujo nome batiza o importante centro de referência – mesmo após quatro anos de sua morte. O secretário aliás, não sabia informações sobre o caso, o que demonstra a falta de preparo para o evento, em se tratando de um dos temas mais recorrentes do movimento LGBT de Manaus e do país.

Outro aspecto que chamou a atenção desta colunaaaaaaça na fala do secretário foi quando ele afirmou que a secretaria, durante muito tempo, ignorou os movimentos sociais, e se concentrava nas rebeliões de presídios – muitos dos quais, segundo ele, com motivação eleitoral. Um viés punitivo em detrimento da prevenção? Outro dado preocupante e revelador: o secretário, ainda em sua fala, revelou ser possível e até necessário que estes mesmos direitos humanos, direitos universais inalienáveis, defendidos na campanha e na cartilha, podem, a depender da situação, ser suspensos em nome da ordem. O secretário fez esta afirmação quando falou sobre as rebeliões nos presídios estaduais. Em nenhum momento ele se referiu, por exemplo, à superlotação ou às torturas praticadas por agentes penitenciários e/ou presidiários em colegas.

Ainda, sobre a questão da negação da utilidade pública à Associação das Prostitutas do Amazonas (que você acompanhou nesse bloguinho, aqui e aqui), Lauria demonstrou falta de sintonia, ao afirmar que a secretaria ainda não se pronunciou oficialmente sobre o fato: se houve a coletiva de imprensa na segunda-feira passada, anunciada a este bloguinho pela companheira Sebastiana, então o chefe não está em sintonia com os subordinados. Se não houve, a secretaria não está em sintonia com a sociedade e suas demandas.

A FORÇA ENGAJADA DA DRA. MICHELLE

Na mesma secretaria, no entanto, a Dra. Michelle Custódio, coordenadora do Centro de Referência Adamor Guedes. Querida de tod@s e atuante na defesa dos direitos humanos, Michelle falou sobre a importância da Cartilha da Cidadania:

. . . . . . Com a cartilha, eles têm acesso a toda informação sobre violência, sobre direitos humanos, sobre saúde, sobre os locais que devem procurar em caso de violação dos direitos. Este trabalho é o resultado da luta dos movimentos sociais. Não só gays, lésbicas, travestis e transsexuais, como as prostitutas também. Tem material aqui para todos os segmentos sociais, para que todos usem e efetivem seus direitos de cidadão. Isto é o mais importante. É por isso que este material saiu, e vocês têm um documento que vocês podem usar, até mesmo em caso de extrema necessidade, em prisão legal ou ilegal, vocês têm em mãos um habeas corpus. Então é para que vocês façam uso, e um bom uso deste material, na defesa dos direitos de cidadão”.

Michelle também revelou a este bloguinho que a Escola Estadual Cleomenes do Carmo Chaves, localizada no Jorge Teixeira III, zona Leste de Manaus, será a escola piloto do projeto de combate à homofobia nas escolas. Michelle participará do III Encontro Nacional da ABGLT, na aprazível Belém, do queridíssimo amigo Mauro, homoerótico engajadíssimo e filosofante e de tantos outros, da qual trará experiências e o modelo a ser adotado pela SEJUS. Alô alô Eduardo ‘Copa 2014′ Braga, mais uma vitória do Grão Pará, sede de eventos nacionais e internacionais. Se a copa sobrar por estas bandas, é sinal de que, como diz o pessoal do ‘Chagão!’, o futebol acabou mesmo, hihihihihi…


Para quem não lembra, a Escola Cleomenes do Carmo Chaves foi onde ocorreu o episódio de homofobia institucional com a queridíssima Paola Bracho, conhecida por alguns como Alex, que foi enunciado (não é denúncia, é enunciação democrática) por este bloguinho (você pode ler aqui, aqui e aqui, meu bem. Coloca o dedinho aí, vai…).

A POTÊNCIA DESEJANTE DA DIVERSIDADE: WEYDMAN É MOVIMENTO SOCIAL, BABY!

Weidman Lopes, da ATRAAM, engajada e atuante militante LGBT, é do movimento social. Sabe, portanto, que aos governos, em sua maioria, e mais ainda em Manaus e no Amazonas, interessa a imobilidade. Sua fala é fortalecida pelas demandas, sempre presentes, de gays, lésbicas, travestis, transsexuais, prostitutas… Alguém que sabe reconhecer as conquistas, resultado do suor e da luta, mas que não se permite capturar pela sedução dos signos do marketing:

. . . . . . O momento é de alegria e de imensa emoção da minha parte, em estar presenciando mais uma manifestação, o lançamento de uma cartilha, e eu não poderia deixar de colocar aqui o nome do Adamor [Guedes], que graças à ele, ao fato que aconteceu com ele, há quatro anos atrás, hoje há um centro de referência, lutando contra qualquer tipo de preconceito, seja de ordem de gênero, cor, raça, enfim”.

Eu não poderia deixar de narrar aqui o fato que aconteceu na câmara com as prostitutas. Vamos lembrar a todos e todas que ano que vem é um ano político. Sou travesti, tenho orgulho, sou gay, tenho orgulho, sou lésbica, tenho orgulho, sou transsexual, tenho orgulho. A arma que vocês mais têm na mão é o voto de vocês. Então não se deixem levar, pode até parecer algo patético da minha parte, mas não é, a coisa é séria mesmo. É preciso se conscientizar que ano que vem é ano político e ver quem são realmente as pessoas que nós vamos colocar para nos representar, seja na câmara municipal, na assembléia ou na câmara federal. Por que se não tem pessoas que se identifiquem com a nossa causa ou qualquer causa que seja, fica complicado você estender a mão e votar numa pessoa dessas. Então é pensar direito em 2010 em quem você vai votar, para não acontecer o que aconteceu na câmara, mas isso é um outro processo, com o tempo a gente vai dar entrada novamente com as meninas lá na câmara, para tentar tirar a utilidade pública, porque é salutar, tem todo um trabalho social que elas fazem na rua com as prostitutas, assim como eu também faço com as travestis”.

Um momento como esse, em que a gente vê que são poucas as pessoas que estão aqui, e quem trabalha com eventos sabe o trabalho que dá organizar um como esse. Eu organizo junto com a Bruna [La Close] a parada do orgulho LGBT, e você vê a quantidade de gente que dá. Quando é um evento político, poucas pessoas se fazem presentes. Eu quero aproveitar e fazer uma cobrança à Michelle: a assembléia aprovou a lei que pune quem discrimina por orientação sexual, por unanimidade, agora só falta a regulamentação”.

A HOMOFOBIA (FOBIA MESMO…) DOS DEPUTADOS ESTADUAIS…

Humoristicamente, os deputados estaduais que estiveram presentes ao evento, mostraram a ausência de qualquer entendimento democrático, além da homofobia presente nas falas.


Perceptível e palpável, por exemplo, a indelicadeza dos deputados: dando boas vindas aos “visitantes”, praticamente todos os que falaram deram boas vindas, como se anfitriões o fossem dos movimentos sociais na Assembléia Legislativa. Curiosa inversão dos papéis: em uma democracia, o parlamento é a casa do povo, e os convidados são os parlamentares, convivas com data marcada de entrada e saída – o mandato. São provisoriamente ocupantes das cadeiras. Mas a casa é do povo. Não é o caso da ALE, ao menos na opinião de Terezinha Ruiz (DEM), Ricardo Nicolau (PR), Chico Preto (PMDB) e José Lobo (PCdoB).

Terezinha Ruiz, a primeira das parlamentares (parla-a-lamentar), aproveitou para demonstrar que carrega os mesmos códigos dos colegas vereadores, que vetaram a utilidade pública às Amazonas: falou em fé, compaixão, caridade, amor ao próximo, numa perspectiva bem paulina. Chico Preto e Ricardo Nicolau ensaiaram um discurso que mostrou a falta de intimidade com o tema e com o assunto tratado no evento. Mas a estrela foi o deputado José Lobo. Visivelmente constrangido e temeroso, ele titubeou, gaguejou, desarticulou uma fala breve, que encerrou com uma frase epitética: “as pessoas também são seres humanos”.

Calma, seu Lobo, que as ovelhas não mordem!

Calma, seu Lobo, que as ovelhas não mordem!

Risível ainda é a nota da assessoria de comunicação da ALE, que coloca o deputado Nicolau como presidente da mesa, e reduz a pluralidade dos movimentos sociais presentes ao ato à fala da Dra. Michelle. Faltaram Weydman, Francisco, Gislândia e tantos outro… Confira lá, se tiver estômago.

E O HUMOR REVOLUCIONÁRIO DO MOVIMENTO LGBT.

Uma anedota do final do evento: ao verem o deputado Carlos Alberto (PMN) que chegou ao evento no apagar das luzes, saindo à francesa, dois militantes, Fábio e Jeferson, munidos de uma bandeira do arco-íris, resolveram promover um encontro entre o movimento LGBT e a dogmática neo-paulina (Carlos Alberto é pastor da Igreja Universal). Tentando ser simpático, Carlos Alberto posou para a fotografia ao lado dos lindinhos. Mas abraçar, não senhor!


OS MOVIMENTOS SOCIAS SE CONGREGAM E CONFRATERNIZAM

Um dos objetivos do trabalho das associações e entidades LGBT em Manaus é o de costurar alianças com outros movimentos sociais. Assim nos explica o companheiro Francisco Nery:

. . . . . . “Eu coordeno o projeto Aliadas aqui no Amazonas, que é um projeto também financiado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e tende a fortalecer o movimento, não só falando com o movimento LGBT, mas também com outros, como o movimento estudantil, de mulheres, sem-terra, indígena, porque todos têm que saber qual a relação que a homofobia tem com eles, e como eles podem estar contribuindo no combate a essa discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Então a gente acredita muito nesse fortalecimento da sociedade civil com outros movimentos sociais. E a gente trabalha na perspectiva de horizontalidade e verticalidade de qualquer maneira, de todos, para todos e todas, que passem a falar sobre o que é homofobia, o que é homossexualidade, que não é homossexualismo, que não é opção, é orientação sexual e identidade de gênero, e a gente repassa isso para os outros movimentos para que eles também possam falar a nossa linguagem, e fazer o feedback. O interessante é esta relação que a gente vai ter com eles”.

Neste ritmo democratizante, de transbordamento desejante das enunciações LGBT, conversamos com a duplamente bela (linda e engajada, ai…) companheira Gislândia Batista, presidente do Diretório Acadêmico de Tecnologia, da UEA, e representante da UNE no evento:

. . . . . . Hoje, no lançamento da cartilha e da campanha contra a homofobia, estamos aqui, com a satisfação de estar representanto o segmento estudantil. Dentro da universidade nós temos grupos de discussão sobre este assunto, que para nós é tão importante quanto a causa das mulheres. A gente tem a Lei Maria da Penha, que trouxe essa abrangência para o grupo das mulheres, mas a gente precisa avançar no segmento LGBT. Temos feito algumas discussões nas universidades, participamos dos eventos e campanhas, para fazer a ponte com os estudantes, e estes levem a informação correta”.

E com que alegria encontramos as companheiras d`As Amazonas! A queridíssima Sebastiana aproveitou para atualizar este bloguinho sobre as últimas da utilidade pública. De acordo com o que ela contou, a entrevista dada a este bloguinho deu o que falar, e fez até milagre. Um vereador – cujo nome ela não revelou – aparentemente da turma do Deus Bushiano, mudou de lado e até se ofereceu para apresentar novo projeto de utilidade pública. Pode? Pode, claro. Contra a potência democrática, não adianta a hipocrisia e a estreiteza intelectiva, bobinh@s. A fala da companheira Sebastiana, forte e verdadeira, mostrou que necessárias são elas, e acessório dispensável é a própria CMM. Eles sentiram a brisa, neném… A brisa e a ponta da flecha intensiva d`As Amazonas! Te mete!


PROGRAMAÇÃO DO ABAIXO-ASSINADO ELETRÔNICO

Aproveitamos para divulgar aqui as datas e horários em que as equipes estarão nos shoppings da cidade, recolhendo assinaturas. É fácil e rápido! E você pode assinar aqui pelo bloguinho também, se shopping não for a sua praia. Se for, escolha aí qual você quer, e assine pela criminalização da homofobia, baby! Um cheiro e até domingo!

18 e 19 de Abril:

Shopping São José

Horário: 10h às 22h

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25 e 26 de abril:

Shopping Studio Cinco

Horário: 10h às 22h

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02 e 03 de Maio:

Shopping Grande Circular

Horário: 10h às 22h

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09 de Maio:

Millenium Shopping

Horário: 10h às 22h

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16 e 17 de Maio:

Manaus Plaza Shopping

Horário: 10h às 22h

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23 e 24 de Maio:

Manauara Shopping

Horário: 10h às 22h

A BRECHTIANA MARIA DA PENHA NA CIDADE DAS HEROÍNAS

Do vazio do poder e do engodo-simulacro da democracia representativa, que entende o demos apenas como número e não como composição intensiva das potências de agir de seus habitantes, pode-se extrair alguns acontecimentos, sintomas do quão aguda é a doença social produzida pela subjetividade do capital, tão graves quanto a alcunhada crise, mas sem a mesma visibilidade midiática.

Manaus, que elege dentre seus representantes para o exercício do legislativo quase todos os exploradores televisivos e radiofônicos da miséria social – sintoma do sintoma? – e que tem autoproclamadas representantes do movimento feminino nas instâncias legislativas e executivas mulheres (no signo sujeitado faloculturalmente, que fique claro) que se sujeitam aos desígnios e interesses muy machistas de maridos, amantes e patrões. Cita-se aqui a economista Renata, que jamais se quis líder, representante ou edil (ainda), mas que expôs, com farta documentação, afirma a Procuradoria Geral da República, as agressões físicas e psicológicas sofridas por ela e pela primeira-dama, capitã de um Centro de Desenvolvimento Humano, desferidas pela dupla de sócios, o governador Eduardo Braga e Ney Barros. Cabia Maria da Penha neles. Elas, no entanto…

MARIA DA PENHA, BRECHT E AS GARCIANETTES

Na manhã de ontem, na Assembléia Legislativa do Amazonas – ALE, a convite da deputada Conceição Sampaio (PP), a meiga Maria da Penha falou sobre a lei que batizou, com a sua história doméstica, que ela fez transbordar politicamente, expondo as entranhas da boa família de classe média e suas violências cotidianas. Maria, que sofreu todas as formas de violência e fez-se democrática apenas por não querer para as outras aquilo que havia ocorrido a ela: anos de violentação, um tiro pelas costas e a não condenação do ex-marido.

Não sabe, talvez, a doce e engajada Maria que a deputada que a convidou, e que se pretende a defensora das mulheres indefesas, elegeu-se e elege-se graças à condição de insegurança social, física, psicológica, alimentar, de pertencimento, intelectual, de convívio e de ausência da proteção do Estado produzida pelos governos aos homens e mulheres, em toda a parte de Manaus. Governos aliados ao PP de Conceição, através de seu presidente, o ex-deputado Francisco ‘Sortudo‘ Garcia. Talvez por isso o silêncio da defensora das mulheres quando a agressão a ser investigada é a do governador. É na emissora de Garcia – poderia ser em outra, todas se fazem iguais, mas é lá – que Conceição, que começou como repórter esportiva e se orgulha de ter entrevistado Roberto Dinamite, só de toalhinha, no vestiário do Vivaldo Lima, passando pelo programa dos já decadentes Nonato Oliveira e Lupércio Ramos, com quem aprendeu que exibir o desespero criado pela miséria social dos governos é atalho para chegar um dia a fazer parte destes governos. Sempre, é claro, mantendo a subalternidade, já que Manaus é a cidade que não teve uma mulher sequer compondo chapa na eleição para a prefeitura. Se até as universidades da cidade, pretensas detentoras do título de consciência intelectual da sociedade, caíram na esparrela, porque não Maria da Penha?

Mas Maria da Penha escapa. Não carrega os mesmos elementos de culpa, resignação e ressentimento desse movimento feminista nascido ao largo do paternalismo dos Garcia, com conceições, rebecas e iguais. Escapa ao falso truanismo falocrático de Lins, Sinésios, Rottas, Souzas, Bragas, Mendes e tantos outros, apenas vetores do mau encontro que é a subjetividade falocrática, ainda predominante nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Enquanto em mil vinhetas supercoloridas as Garcianettes se heroicizam na perpatuação da miséria, Maria da Penha, na sua atuação, compõe com Brecht: pobre da cidade que precisa de heroínas!

SEGUE A FARTA DISTRIBUIÇÃO DE MEDALHAS NA ALE-AM

Na Grécia, sociedade dos amigos, onde a filosofia, com sua potência itinerante vindo de fora, encontrou uma imanência capaz de se fundar como modo democrático de ser, haviam os deuses, os semi deuses e os homens, os mortais. Aí criou-se os entremeios valorativos das relações desses seres. Os deuses, superiores aos semi-deuses, os conduziam. Os semi-deuses, superiores aos homens, os conduziam. Na linhagem deísta, ambos tinham poderes de estabelecer ordem, classificação e julgamentos. Menos os homens, que se satisfizeram em criar um mundo com suas leis, mas sempre submetidas às leis dos deuses. Eis que um dia o semi deus Prometeu se aporrinhou, e resolveu trair o deus dos deuses: Zeus. Roubou-lhe o fogo da sabedoria e o entregou aos homens. Para quê? Criaram um mundo de babaquice, onde a vaidade em todos os seus espectros é a nota glamourosa da insegurança. Então, choveu festival de heroicidade. “Este é o melhor! Aquele é muito melhor! Sou mais aquele! E por que não aquele! Ora, ora, se todos são melhores, honras a todos!”.

O DEUS B(A)ELÃO

Ontem, quinta-feira(?), dia 10/07/08, foi manhã de distribuição de medalhas na ALE. Para maior charme: comenda. Desta feita foi a vez do Desembargador Arnaldo Carpinteiro Pérez, propositura do símbolo maior da ‘gratidão’, o deputado Belarmino Lins, alcunhado, para amaciar seu ‘grato’ ego, de Belão, mas no cyberspace, Balão. Como os deuses eram superiores aos semi e aos homens, aqueles sabiam muito bem quem eram estes. O que dava aos deuses o poder de homenagear quem bem quisesse. Assim fez o deus Balão. Conhecedor do Desembargador, propôs a sessão especial na casa.

O Desembargador foi à tribuna e discursou a sua existência de homem dedicado ao cumprimento das leis que lhe foram conferidas para protegê-las como autoridade do Estado. Teceu alguns auto-elogios no ardo cumprimento da jurídica profissão, agradeceu a homenagem, e deu por encerrado sua parte na tribuna. Em seguida foi ao púlpito o representante do governador, o secretário de governo, ex-deputado José Melo. Homem também muito ‘grato’. Vindo do SNI, foi grato aos ex-governadores Mestrinho e Amazonino, e, agora, grato a Eduardo Braga, e gratamente um dos nomes que aparece nas gravações da Polícia Federal na Operação Vorax. Evocou Deus para elogiar o Desembargador, mas não esqueceu de elogiar, também, os deputados pelos serviços prestados aos projetos do governo que representa. Elogio que ofuscou ainda mais o elogio de sua lavra ao homenageado.

BELÃO, O MORTAL

Belão estava que era só gratidão. Aquela que leva a mão ao peito, na impossibilidade de afagar o coração. Mas Belão não tem vocação para deus. Talvez de tanto ser grato não conseguiu a performance de um deus que sabe quem é o outro, e por isso lhe homenageia para se considerar superior ao homenageado. Belão deixou escapar sinais de que se sente um simples mortal, mesmo com todo reconhecimento de seu reconhecedor, o governador. Tudo que não queria deixar transparecer aos inimigos: sua singela insegurança. Se é que é possível um simples mortal ter inimigos. E o momento da grande revelação se deu quando o homenageado, deixando a posição abaixo de Belão, que o elevou a categoria Comenda Rui Araújo, subiu ao Olimpo e agradeceu sua escolha, por Belão, para receber a medalha e o elogiou, afirmando, diante de todos, os brilhantes serviços prestados por Belão ao estado do Amazonas. Aí não deu outra: Belão acusou o cruzado de direita: desapareceu da cátedra presidencial.

ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE NA ALE-AM? BE(A)LÃO!

Inúteis passeios esses nossos pela Assembléia Legislativa do Amazonas. Inúteis gracejos esses nossos com a história. Inúteis inutilidades as confluências parlamentares. Inúteis coerências. Fim de mandato? Viva, o “novo mandato”! Viva, Belão! Viva o Balão! Basta soprar. É flutuação. Para onde mandar, vai seu coração.

A manhã de hoje foi manhã de festa na ALE. Tudo no ALE e olhe. Similares parceiros/pareceiros. Salvo o modelo e a cor do paletó, era um voto só. Boa claque para assoprar o balão e jogá-lo para onde manda o vento: os anseios do governador Eduardo Braga. 18 sopros parlamentares contra 1 em branco, e o resto ausente. Branco é cor, assim como ausente é presente. Presente ao bom Belão, Balão: mais uma legislatura presidencial para o gáudio de seu senhor, a quem serve com esmero contra a população amazonense, seja quem seja o senhor.

VIVA O PRESIDENTE!

O presidente preside a presidência. A presidência é um corpus de leis. A presidência legislativa é um corpus constituído por signos democráticos que enunciam e preservam os direitos legislativos de um povo. O corpus legislativos é o corpus democrático. Simular um corpo é imitar uma cópia caricata distante da imagem original. Caricaturistas parlamentares caricaturam com seus votos o corpus democrático da ALE. A ocultação de seu corpus democrático. A recondução de Belão à presidência é a sombra exemplar da ocultação da democracia nessa casa popular. Enquanto o Belo-Balão infla, o corpus coletivo cianozeia. Uma casa acometida da pior enfermidade anti-democrática: os interesses pessoais. A perenização de Belão é a demonstração exemplar.

PARA QUE SERVE O NOME DEUS

Em discurso de agradecimento pela gratidão dos pareceiros, Belão deixou escapar ventos de gratidão: “Sou muito grato! Sou um homem de gratidão! Um homem sem gratidão não é um homem!”. O grato Belão se dirigia ao dublê de Lupércio, o sorridente deputado Sabá, que jurou eterna fidelidade a Serafim, e agora é vice na chapa de Omar, e ao deputado Vicente, cujo nome aparece em conversas de personagens envolvidos na quadrilha de Adail que a Polícia Federal desarticulou . Na verdade, o tom enfático, quase choroso, da “gratidão”, não era para os cúmplices, mas para seu patrão, Eduardo Braga. Belão é grato. Belão foi grato a Gilberto. Gratíssimo ao ex-governador Amazonino. Se gratidão levar ao céu, Belão é um celestial na terra: é o sagrado gratíssimo. A alcunha já sugere um ente etéreo próprio das espacialidades metafísicas. Enquanto houver patrão para reconhecer sua servilidade, ele será sempre o campeão da gratidão. O primeiro do Reino do Céu.

O bom Belão, como Balão, flutua tanto em sua servilidade que chega a Deus. E em Deus lê o pensamento do Senhor e afirma: “Deus quem quis!”. Sua rerereleição. E quem vai contra um balão, objeto que não está no chão, e está mais próximo de Deus do Céu? Nem Ícaro.

Então, se o negócio é voar, o povo clama:

Vai, azulão!

Vai, azulão, companheiro!”

Bica o balão!

Bica o balão, tão ordeiro!

TRANSPARÊNCIA BRASIL TORNA VISÍVEIS ALGUNS PARLAMENTARES DE MANAUS

O conceito de transparência carrega duas enunciações: a primeira, engendrada pelo chamado senso comum e muito usada nas campanhas eleitorais coloca a palavra como significado de algo que pode ser visto. “Minha administração está aí, pra todo mundo ver. Sou transparente!”, afirmam alguns candidatos.

Mas o outro sentido que a palavra transparência carrega é mais próximo de uma análise da prática da política profissional, como um conceito necessário ao entendimento das artimanhas que alguns parlamentares preparam para os cidadãos. A transparência, ao contrário da visibilidade, é o tornar invisível. Um esvaimento, um evanescer-se, tornar-se intangível e invisível ao olhar e à percepção alheia. Assim, a transparência não pode ser considerado um conceito da política, já que esta só pode acontecer entre os sujeitos produtores do social como engendramento coletivo. Tudo visível, opaco.

Daí o trabalho de entidades não-governamentais como a Transparência Brasil tornarem-se necessários à construção de um devir democrático no país: tornar opaco aquilo que a prática a-política dos profissionais do legislativo e executivo quer manter na transparência.

Com dois projetos, o “Excelências” e o “Deu no Jornal”, a ONG criou um importantíssimo banco de dados de informações dos parlamentares brasileiros, a fim de que qualquer cidadão, com acesso á internet, possa se informar acerca da “ficha” do candidato, e divulgar as informações, seja nas escolas, no trabalho, onde quer que se queira fazer vetor desejante da Democracia. O site do projeto “Excelências” traz a lista dos parlamentares atualmente nas casas legislativas estaduais e municipais da maioria dos mais de 5000 municípios brasileiros.

OS TRANSPARENTES DA ALE/AM

Através de pesquisa, este Bloguinho apurou que, na Assembléia Legislativa – ALE/AM, 8 dos 24 deputados estaduais têm pendências com a justiça, 1 em cada 3. São eles:

Ângelus Figueira (PV) – Condenado, em 1996, a ressarcir os cofres públicos na quantia de Cr$ 3.920.350,00, por irregularidades em convênio entre o então Ministério do Bem Estar Social e a cidade de Manacapuru.

Arthur Bisneto (PSDB) – Ação de impugnação de registro de candidatura, em 2007.

Edilson Gurgel (PRP) – Improbidade administrativa, em 2007.

José Lobo (PcdoB)Improbidade administrativa, em 2002.

Liberman Moreno (PHS) – Responde a processo movido pelo Departamento de Polícia Federal do Amazonas por crime ambiental.

Wallace Souza (PP) – Denunciado pelo Ministério Público Estadual.

Walzenir Falcão (PTB) – Omissão na prestação de contas de convênio entre o Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento da Pesca Artesanal e Aqüicultura (INDEPA), presidido por ele, e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) para execução do projeto Desenvolvimento Sustentável para Agronegócios da Pesca e da Aqüicultura.

Wilson Lisboa (PcdoB) – Condenado a multa por irregularidades detectadas em convênio entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a prefeitura de Fonte Boa.

OS TRANSPARENTES DA CMM

Os vereadores da CMManaus são os mais caros da região Norte. Para sustentar as mirabolantes idéias e decisivas ações para a concepção que eles têm da cidade de Manaus, o eleitor-contribuinte desembolsará, em 2008, R$ 1.642.027,03 para cada um. São, atualmente, 37 os vereadores de Manaus, e cada contribuinte para anualmente cerca de R$ 36 Reais para bancar a casa legislativa. Dos 09 vereadores citados pelo projeto “Excelências”, este Bloguinho só conseguiu resposta do gabinete do vereador José Ricardo (PT), que falou ao Bloguinho sobre o processo que consta no TRE/AM. O restante continuou transparente: não se fez visível, ou localizável. Vamos a eles, possíveis candidatos à reeleição:

Dr. Modesto (PT do B) – Teve a prestação de contas rejeitada, referente a sua campanha a deputado estadual em 2002 e 2006.

Francisco Barbosa da Silva, o Costinha (PAN) – Recorre da desaprovação das contas de sua campanha para vereador em 2004.

Gilmar Nascimento (PSB) – Manteve decisão que rejeitou a prestação de contas de sua campanha em 2004

Jorge Maia (PTB) – Contas da campanha de 2002 desaprovadas.

José Ricardo (PT)Contas da campanha de 2002 desaprovadas. De acordo com Ricardo, o processo em questão teve as dúvidas levantadas na diligência (conferência dos documentos e dados da prestação de contas) totalmente respondidas e esclarecidas. No entanto, o processo foi desaprovado por uma outra questão, que não foi colocada para o candidato. Como não foi notificado, Ricardo não pôde se justificar e não sabia que o processo havia sido arquivado com uma desaprovação. Fato é que não houve impedimento jurídico para suas candidaturas de 2004 e 2006. Ricardo já acionou sua assessoria jurídica para verificar junto ao TRE/AM se ainda é possível reverter o resultado do processo, e “limpar” a ficha.

Massami Miki (PSL) – Desaprovada a prestação de contas de sua campanha eleitoral em 2000.

Paulo De’Carli (PRTB) – Desaprovada a prestação de contas de sua campanha para governador em 2006.

Paulo Nasser (PSC) (também aqui) – Desaprovada a prestação de contas de sua campanha para deputado estadual em 2002.

Roberto Sabino (PRTB) – Desaprovada a prestação de contas de sua campanha para deputado estadual em 2002.

Agora, eleitor intempestivo, ajude os vereadores transparentes que querem se reeleger. Não votando neles, você garante que eles continuem transparentes, invisíveis da consciência social e política da população. A invisibilidade do desprezo eleitoral.

Chá de Sumiço

FORTALEÇA A DEMOCRACIA:

DÊ UM CHÁ DE SUMIÇO NELES.

A UNIVERSIDADE E A POLÍTICA DA MULHER

Algumas pessoas que acreditam no enunciado que determina relações de hierarquia e valor dos saberes a partir das instâncias do conhecimento oficial determinadas pelo Estado tendem a acreditar que há diferença entre o ensino universitário público e o privado. Esse enunciado, que sustenta a divisão dos saberes em uma ordem hierárquica (fundamental, médio, superior, pós-graduação, doutorado, pHDeus…) cria idéias equivocadas a respeito do conhecimento, fortalecendo não uma relação do saber efetiva como corpo constitutivo da democracia, mas como corpo-objeto fetichizado como mercadoria, com valor de uso e de troca nas relações do mercado, independente se “de origem” pública ou privada.

Assim, alguns incautos acreditam que, porque estudaram na “federal”, são melhores do que os que estudaram nas privadas. Esquecem, por exemplo, que os mesmos professores que dão aula na pública, também o fazem na privada, com a mesma “competência”, e que, pior, muitos professores que fazem carreirismo nas universidades privadas foram alunos das federais, e reproduzem lá o que aprenderam, em termos de saber e de prática em sala de aula. Um desastre educacional.

Por isso, talvez apenas a estes incautos soe estranho que UNINORTE, UFAM, Ciesa, UEA e Nilton Lins tenham convidado para falar sobre a atuação da mulher na política a deputada estadual Conceição Sampaio (PP), que foi alçada à cadeira na ALE-AM graças ao seu aprendizado no antigo programa A Hora do Povo, que já era cópia de programas policialescos e de exploração da miséria da população, e do igual Câmera 13, onde continua a usar a condição de miserabilidade criada pelos governos anteriores e atuais, dos quais seu mentor e professor, Francisco Garcia, é aliado, para benefício eleitoral próprio.

Conceição afirma em suas palestras que é preciso fazer o povo gostar de política, porque não gostando, estará sempre condenado a ser governado pelos que gostam. Não fosse a certeza da incapacidade da deputada em produzir humor, diríamos que a frase é um sarro aos vetustos doutores, que ou não entenderam a tirada da deputada, ou compartilham do mesmo conceito de política que ela. Os cursos de jornalismo das universidades também não se manifestaram quanto aos catedráticos considerarem Conceição autoridade intelectual em assuntos diversos, como a condição da mulher na sociedade, ela que se orgulha de ter entrevistado o ex-jogador Roberto Dinamite, ele só de toalha, no vestiário do Vivaldão. Exemplo de jornalismo feminista engajado.

Assim, Conceição e as Universidades ilustram duas situações: a estreiteza intelectual da Academia (pública e privada), que trabalha com saberes inertes, que não tocam a realidade social das pessoas, e que permite a prevalência do microfascismo da política de exploração da miséria praticada por Conceição e da desimportância da própria universidade no existir cotidiano das pessoas, e a inexistência de vida inteligente nos movimentos sociais voltados para as questões de gênero em Manaus, que se calam diante desse episódio. Nem a direita da esquerda, com a emblemática Vanessa Graziotin, se manifestou. Consentiu.

UM BREVÍSSIMO PASSEIO PELA ALE DO AM

Quando se conhece a subjetividade da democracia representativa esculpida pelos corpos materiais e imateriais da inteligência e a moral do sistema capitalista, já se carrega à priori o entendimento de que não existe diferença na atuação da maioria dos parlamentares da Câmara de vereadores de Manaus e da Assembléia Legislativa do Amazonas. Seja em um breve passeio em qualquer hora, dia, mês e ano, a subjetividade dolorosa se mostra com suas teias imobilizadoras.

UMA EXPOSIÇÃO DA DOR A-DEMOCRÁTICA

Tema Discussão para assinaturas da instalação de uma CPI (imitação da moda da direita do Congresso) proposta pelo deputado Wallace Souza, irmão do deputado federal Carlos Souza, candidato à prefeito de Manaus, ambos apresentadores de programa de TV em que a miséria tem lhes servido de dividendo eleitoral. Modelo perverso importado das TV’s de São Paulo e Rio. Objetivo da CPI: investigar o prefeito do município de Coari, Adail, sob suspeita de corrupção, posse do dinheiro público, além de crime sexual contra a infância e adolescência. Já sob investigação da Polícia Federal e Ministério Público.

Deputado Libermam Moreno Defendendo a instalação da CPI, faz elogio aos deputados que já assinaram, aproveitando para julgar o deputado Sinésio, líder do governo, que, segundo ele, um jornal da cidade publicara que o líder estava tentando convencer deputados a não assinarem o documento para instalação da CPI.

Deputado Sinésio Com a palavra, mas antes de expor seus argumentos, afirma enfático que aquele que tivesse que falar seu nome deveria antes lavar a boca com água boricada ou soda cáustica.

Deputado Belarmino Lins Presidente da Assembléia, eterno servidor de todos os governadores, Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, e, agora, Eduardo Braga, como sempre, destilando deboche, o que estimula mais ainda o povo a desacreditar na importância democrática destes parlamentares, manda que as palavras do deputado Sinésio não constem nas notas taquigráficas.

Deputado Sinésio Rebate, afirmando que não importa, pois já ouviram.

Deputado Belarmino Lins Coadjuvado por outros deputados, continua o deboche em nuance de desumor-televisivo (niilismo-reativo) de quem nunca aprendeu com os gregos que humor é vitalidade, o que dispõe o homem à alegria da Vida , pede para o deputado Sinésio se controlar, pois sua pressão arterial está 16 por 10.

Deputado Libermam Moreno Com a palavra, faz a tréplica ao deputado Sinésio, afirmando que antes de sair de casa escovara os dentes…

E assim, interditando a democracia parlamentar, eles vão consumindo o dinheiro público que eles chamam de salário conquistado com o suor de suas verves parlamentares.

Lógica deste compromisso parlamentar: Todos, de uma forma ou de outra, sempre fizeram parte do chamado grupo político dos governadores. Do qual o prefeito do município de Coari também fez e faz.

E como perguntaria o cantor popular: “E há sinceridade nisso?”.

VOCÊ JÁ TOMOU SEU XAROPE HOJE?

Ю Demonstrando toda a sua preocupação social, poder de decisão, visão arguta sobre as questões urbanas, sensibilidade para os assuntos das minorias, e profundo respeito pela inteligência do eleitor-cidadão, a ALE (Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas) criou esta semana a Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude, e indicou para presidir a necessária comissão o deputado estadual Wallace Souza (PP).

Wallace, com seu irmão Carlos, são campeões de abusar do direito de imagem de crianças, jovens e adolescentes no seu programa televisivo policialesco de exploração da miséria social criada pelos governos dos quais eram e são aliados. Para o perfil da ALE, uma escolha certa.

DUAS NOTAS NO MESMO TOM

Notas Musicais

PRIMEIRA NOTA: DÓ – Mostrando-se preocupados com o trabalho junto ao povo, os inteligentes e sensíveis deputados estaduais do Amazonas receberam 17 novos carros para uso nas comissões da casa. Trocaram os carros modelo popular por ‘picapes’ de última geração. Embora fique a dúvida de se alguns deputados terão envergadura para dirigi-los, o fato é que a ALE toma a decisão no calor da discussão sobre o inchamento do trânsito na cidade. Mais de 3000 veículos por mês entraram em circulação nas ruas da cidade. Com sua decisão, a ALE deu um importante reforço para que esta média aumente em 2008. Prova da participação efetiva da casa nas discussões e da visão panorâmica que nossos deputados têm com relação aos problemas de Manaus. Sobretudo o transporte. Não o coletivo. E agora, passageiro-transeunte?

SEGUNDA NOTA: RÉ – Mostra inequívoca da submissão da ALE aos desígnios do executivo estadual, a indicação do nome do radialista Josué Filho para conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) por parte dos deputados vai além: atesta a ausência da capacidade epistemológica de compreensão dos conceitos de política e de social, que permeiam uma cidade. Josué Filho é radialista, ouvidor-geral do Estado (curiosamente, conhecido por ser um comunicador que atropela seus entrevistados e interlocutores, não permitindo aos entrevistados sequer concluírem uma frase), filho do ex-radialista Josué Cláudio de Souza, que ensinou ao filho a arte de usar a rádio a serviço de quem está no governo, independente da estirpe. Ao ser agraciado pelo novo cargo, não resistiu: “Mais do que lágrimas nos olhos estou com um sorriso nos lábios de satisfação. Era um sonho meu, me perdoem a franqueza, nesse canto de cisne, nesse chegar de outono manter o status, minha vaidade de amor ao serviço público”. Nem desconfia que a vaidade é uma idéia equivocada que o sujeito tem de si, a partir da falsa idéia que ele passa a outrem, e que, por conta disso, passa ele próprio a acreditar. Um duplo engano, segundo Nietzsche. Uma ilusão que alimenta uma existência desprezadora de si, e que por ser ilusão, jamais poderia ser tomada como necessária à res pública de qualquer cidade. Da vaidade, que é um engano, uma idéia inadequada, não pode surgir o Amor, que é potência criadora. Se Josué acredita, capturado pelo engano decadentista da 3ª = melhor idade, estar no seu “canto do cisne”, no seu “outono”, então não pode amar. E sem amor, não há produção. Portanto, a vaga para o TCE foi preenchida, mas continuará inoperante. E agora, ALE?

DUAS NOTAS DA MESMA CANÇÃO

PRIMEIRA NOTA – FÁ: Sobrecodificação da sociedade disciplinar na sociedade de controle tem urgência na Câmara Municipal de Manaus. Trata-se do projeto de lei 140/2007, de autoria do vereador Gilmar Nascimento (PSB), que torna obrigatória a instalação de câmeras de vídeo nas escolas públicas e privadas de Manaus. Acontece que por fora das malhas do castigo e da recompensa da escola tradicional sempre escaparam singularidades, devires, mutações imperceptivas e incapturáveis. Era então preciso passar a outra forma de dominação: a sociedade de controle. Agora não apenas se vigia para punir, mas para garantir que os gestos, os gostos, o ver, o falar, tudo possa parecer natural, quando na verdade já foi forjado pela fábrica das subjetividades recortadas, esvaziadas e preenchidas por superfluidades que se travestirão de originalidade, de particularidade. Como sempre há algo escapando, é preciso então a segurança a partir das novas tecnologias para “flagrar” o desvio. É onde se encontram as duas sociedades — a disciplinar e a de controle — e vão atuando conjuntamente. Quando o vereador diz que “todos os dias, os jornais noticiam casos de violência nas escolas. Na semana passada, uma criança foi atingida com um tiro em frente a uma escola, por sorte não morreu. Isso tem que acabar e nós temos que criar mecanismos para dar segurança e garantir aos pais o retorno dos seus filhos para casa”, primeiro ele faz um recorte deslocado de uma realidade, sem analisar sua totalidade. Por que a presença de estudantes tem se tornado “atrativo para assaltantes”? O vereador trabalha com um conceito rasteiro de violência como sendo apenas o que comumente pelo viés sociológico se denomina violência urbana. Por acaso as câmaras de segurança captaram as imagens da violência institucional que se acumula em toda a tradição escolar? E a violência presente numa concepção de segurança, advinda de limitações intelectuais, que toma os efeitos pelas causas? Se a escola é o local por excelência do ensino, o que ela terá para ensinar ao assaltante capturado? Irá para a prisão? Finalmente também na sociedade de controle, a partir do uso das novas tecnologias pelo poder, chega-se à exacerbação da proximidade da linha institucional dura que predominou a partir do séc. XIX: a escola e a prisão. Você será visto 24h por dia; portanto, aja naturalmente! Como já colocamos sobre o projeto de se colocar câmeras em ônibus, quem vai preso: o assaltante ou sua imagem assaltada?

SEGUNDA NOTA – SOL: Questionado sobre os 4.613 mandados de prisão que não foram cumpridos no Amazonas, um número maior que o número de presos no estado, o secretário de segurança, Sá Cavalcante, disse que “provavelmente” a maioria desses mandados já teriam sido revogados. Dizendo-se preocupado com isso, o dep. Luiz Castro (PPS) disparou: “Podemos estar à mercê de milhares de bandidos, passeando nas ruas e ameaçando a sociedade. Sendo verdadeira a afirmativa do secretário, estamos também diante de uma falha de informações entre os poderes da segurança”. Será que o deputado está querendo confirmar que a insegurança é uma questão psicológica, como disse o governador Eduardo Guerreiro de Sempre Braga? Se for, a paranóia passou de um nível individual e se generalizou no Estado constituído. Nas contas do deputado, todos acabaram se tornando possíveis “bandidos”. Se uma pessoa nem soube do seu mandado de prisão, ela é “bandida”? Parece que há um desconhecimento por parte do deputado dos códigos incorporais que se inscrevem cristalizando no corpo e transformando-o em criminoso. Na falta disso, ele parece querer inscrever esses códigos da “bandidagem” em toda a sociedade.

Assim, todos vão sendo assaltados pela falta de entendimento democrático do poder constituído. Essa limitação de entendimento, que distancia homens públicos do real e acaba por reduzir a esfera pública, tratando-a como privada, a partir de uma abstração de segurança, por acaso também não é insegurança que causa insegurança?

OS PRESENTES MARAVILHOSOS DO EXECUTIVO E LEGISLATIVO À BELA MANAUS

Quem viu você

Não pode mais esquecer

Quem vê você,

Logo começa a querer.

Manaus, Manaus, Manaus,

Minha cidade querida.

Manaus, Manaus, Manaus,

És a cidade sorriso,

Esperança da nossa Amazônia”.

(Canção de Manaus, Áureo Nonato)

Quando o inimigo se aproxima, vem devagar, com cara de amiguinho, e escondendo atrás de si um presente, pode desconfiar: é trambique na certa. Hoje, aniversário de Manô, a bela Manaus, alcunhada pelos ‘muy amigos’ da arte gastrô-servil de Princesinha do Norte, políticos, artistas, as chamadas personalidades locais rendem homenagem a ela, os mesmos que, em comemorações passadas evidenciavam no enunciado o ressentimento e a dor da não-existência: “é uma cidade que a gente tem que gostar e amar”.

Pronome possessivo não compõe com amor. O amor é uma produção do afeto/razão, através do conhecimento e do aumento das potências. O que não acontece com os que pretendem fazer do significante ‘amor’ uma realidade palpável apenas pela ilusão da linguagem.

O Executivo municipal/estadual e o legislativo (ALE e CMM), quando chega a época de comemorar o aniversário da cidade – cidade-sorriso, meu ciúme, por amor a Manaus – esbaldam-se em declarações de amor eterno, no compromisso cívico, ético e amoroso pela cidade que administram. Mas o que a ilusão do significante que eles tomam como real não consegue encobrir são os fatos decorrentes da inépcia e gestão ineficiente da cidade durante todo o ano, no qual a cidade de Manaus é ‘presenteada’ pelos efeitos dos atos irrefletidos dos deputados, senadores, vereadores, prefeito, governador, secretários, assessores, mídia, entre outros. Este Bloguinho Intempestivo separou 13 ‘presentes’, preparados pelos nossos governantes, ilustrando todo o amor, carinho e cuidado que eles têm com a nossa cidade metropolitana:

O Jovem e o Parlamento: Deputados do Amazonas aprovaram um projeto designado como Parlamento Jovem. Permite estudantes participarem das sessões para compreenderem os meandros legislativos: os caminhos de funcionalidade da casa. Pequeno Expediente, Ordem do dia, apresentação e votação de Projeto de Lei, etc. O óbvio. O desnecessário, principalmente…”

A SEMED e o conto da Escola Escolada: “Quando a Prefeitura de Manaus, por secretarias suas, como a SEMED, vem fazer justificação para o pagamento de empreiteiras no primeiro semestre da gestão Serafim, que deveriam construir escolas, mas que nenhuma construção existia, pode-se afirmar que essa nefasta prática existia antes e que continuou existindo…”

PROSAMIM – do Marketing como Negação da Vida: “Orgulho do governo, grande peça publicitária da eleição passada, o PROSAMIM (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) vende a idéia da melhoria da qualidade de vida através da melhoria da saúde e do entorno urbano. Ganha, diz a propaganda, o ribeirinho (sic) e os habitantes da cidade…”

Os Bons Ventos da SEMED: “…Ah, não poderíamos esquecer nesta lista de novidades esvoaçantes o revolucionário frango invertebrado, tantas vezes mais caro do que o frango convencional, para deleite dos paladares exigentes de alunos e pais das comunidades manauaras! Ah, como pensam no bem-estar do povo estes nossos gestores educacionais!”

Uma Mão Lava a Outra! Quando Tem Água!: “Uma patologia crônica social/hidrográfica que se arrasta a séculos como as magníficas performances políticas dos governante passados e presentes. Um tema sempre tratado entre o mítico do rio Amazonas e o científico da cidade. Onde o mítico sempre leva a melhor: a água existe em nossa imaginação…”

A Doença Mental e os Governos: “…em Manaus as tentativas de intervenção no quadro de produção subjetiva da doença mental inexistem, e ficam somente no terreno do marketing governamental, aliás, como a maior parte das questões políticas…”

Que Venha a Prefeitura! Projeto Oceânico Poseidon!: As águas correm para o rio, o rio corre para o mar, o mar deságua no oceano… No oceano está Poseidon. E é por isso que os moradores da (que nunca foi) rua Rio Jaú, do Novo Aleixo, juntamente com a AFIN, conclamam as outras ruas Rios transbordantes de Manô para invocarmos o senhor dos oceanos e mares para ativação do PROJETO OCEÂNICO…”

Comunidade Escolar vs Marketing SEDUC: “Numa escola com tantos problemas, onde professores dizem que até para fazer uma sessão de cinema é dificultoso, onde falta até o pincel de quadro, é antiético que sua imagem esteja sendo usada pela Secretaria como exemplo de atividades culturais, principalmente quando se tem um Secretário com formação em filosofia. Mas, como se diz, há uma distância muito grande entre um filósofo…”

O Caos no Transporte Coletivo e os Governos: “Do mesmo modo que o prefeito, o governador Eduardo Braga também taxou a ação dos trabalhadores rodoviários de arbitrária e sem justificativa plausível. O que é mais plausível do que a falta de condições do transporte coletivo em Manaus e a péssima situação dos funcionários das empresas…”

Democracia e Pensamento Mágico: “A aprovação ontem, em segundo turno, da lei que cria a região metropolitana de Manaus, pelos parlamentares da ALE, Assembléia Legislativa do Amazonas, expõe dois enunciados impossíveis de serem atualizados como reais no regime discursivo do Amazonas…”

Da Hilariedade de Alguns Projetos de Lei: Em Manaus, alguns projetos de lei de autoria dos vereadores (e outros de proposição do executivo, a prefeitura), levam-nos a duas observações: 1) a ausência de elementos cognitivos-afetivos para compreensão das correlações de força que surgem no plano social…”

Audiência Sobre Suspeita de Irregularidades no PROSED: “…de modo algum conseguiu explicá-las racionalmente, deixando em “transparência” apenas, segundo ex-gestores, a postura autoritária da atual gestão, tornada bem clara por Sérgio Augusto quando categorizou que ‘durante essa gestão não há qualquer possibilidade de autonomia escolar’…”

Despotismo da Quimera Melindrosa: “O PCCS foi aprovado. Melindrosamente, na madrugada de hoje, numa sessão extraordinária (não confundir com o extraordinário filosófico de Nietzsche), tentativa de armadilha para pegar o movimento dos professores desprevenido…”

LINHAS INTENSIVAS PARA ALÉM DO BURACO NEGRO

Claro, este Bloguinho sabe e eles não que a Manô não se reduz aos atos dos seus governantes e seus efeitos no plano da socialidade. Vagamundeando pela city, encontramos linhas de fuga, vibrações, zonas de vizinhança, que também fazem ressoar os afetos alegres, que aumentam as potências de agir.

Pessoas de todas as idades que compreendem a ausência da comunalidade, mas que com seus afetos e suas produções enfraquecem os blocos de ressentimentos, imigrantes (paraenses, maranhenses, interioranos, acreanos, rondonienses, roraimenses, cearenses, e tantos outros) que produzem encontros dos corpos materiais e imateriais e compõem processuais de singularidades pelos bairros manauenses afora, educadores que diluem a violentação nas escolas e transformam a sala de aula e o aprender numa experiência alegre do saber comunitário, trabalhadores que compreendem a importância comum dos seus ofícios e produzem para além da produção do lucro, carregando afetos transformadores, velhos que escaparam à codificação perversa da temporalidade cronos e da chantagem da aposentadoria e da ‘melhor idade’, jovens e crianças que ultrapassaram o ao ‘si’ que seus familiares e professores queriam que fossem, para transbordar na alegria da com-vivência, artistas (raros) que confiam e conhecem seu talento, e que escaparam à edipianização subserviente ao pai-governo, jornalistas (mais raros) que compreendem a força comunitária da notícia como análise do fato ampliando a rede da inteligência coletiva, todas essas singularizações que, no plano do número são poucos, mas como devir-minoria auxiliam a cidade a continuar sobre-existindo ainda que as forças reacionárias cotidianamente ajam para enrijecer o corpo-cidade.

Adeus, Manaus!

Está chegando a hora da partida

Adeus Manaus

Meu adeus será por toda minha vida.”

(Waldick Soriano)

PEQUENAS GRANDES ATUAÇÕES: SINÉSIO

@.@ No programa Roda Viva, edição local, o deputado Sinésio Campos (PT-AM) falou sobre a importância da construção da ponte do Rio Negro, e enfatizou a necessidade de se aproveitarem as riquezas do município do Iranduba. Como exemplo, citou as “jazidas ricas em argila”. O deputado é presidente da comissão de recursos minerais da ALE.

@.@ Ainda no mesmo programa, o deputado, do alto da sua veia judicativa, aproveitou para questionar o que tinha sido feito com os 60 milhões que o governo federal cedeu à prefeitura para resolver o problema da distribuição de água na cidade de Manaus. O vereador José Ricardo, também do PT, aproveitou o ensejo e perguntou ao colega – que é líder do governo na ALE – por que o governador ainda não tinha usado os 400 milhões de reais também doados pelo governo federal para resolver situações análogas, em Manaus e no interior.

@.@ Questionado por um telespectador com relação a quando o Amazonas terá uma oposição de verdade, o deputado respondeu secamente: “quem tem que fazer oposição é quem perdeu a eleição”. O deputado, que não saiu do tatibitate da politicogastria, acredita ilusoriamente na oposição como sendo a parte perdedora, preterida pelo povo. Neste caso, até o PSDB – que não é oposição, pois não posiciona no mundo nada que carregue elementos constitutivos do novo – é, para o deputado, uma oposição. Não há diferença.

@.@ Preocupado com a questão da criança e os perigos que rondam a boa educação, o deputado sinaliza com um projeto de Lei que institui a disciplina e o controle dos espaços nas Lan Houses. Com o projeto aprovado, as lans terão que manter um banco de dados dos seus usuários, não permitindo que menores de 12 anos freqüentem em horário nenhum, e os maiores de 12 e menores de 16 não poderão freqüentar após à meia-noite sem a autorização dos pais. O deputado afirma se basear no ECA, pois as lan houses – e a internet – se constituem perigo em potencial para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Idéia que, se fosse desenvolvida de forma a tocar em outros ambientes sabidamente impropícios ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e intelectivo das crianças, terá de ser aplicada nas escolas escoladas da SEMED e SEDUC, e poderá enterrar definitivamente as pretensões da CMM em desenvolver o projeto do parlamento jovem.

O JOVEM E O PARLAMENTO

Conta uma lenda antiga que, estando uma cidade sob o domínio da estagnação política- social, seus dirigentes, preocupados com o que de mais grave poderia acontecer, consultaram os mais velhos e receberam a resposta de que não havia nada de novo sob a luz do sol. Angustiados e impotentes se curvaram sob a força do imponderável. Quando tudo parecia perdido, eis que se apresenta um sábio, vindo de terras distantes, e diz haver algo de novo sob a luz do sol: A juventude. Pois bem, o sábio tinha a compreensão das mutações ontológicas que acontecem quando gerações antecedentes, comprometidas historicamente com a existência coletiva, criam eticamente uma morada aos homens para que eles vivam como responsáveis pelo mundo e deixem para as gerações posteriores a livre responsabilidade de criar sempre o novo, onde a polis se movimenta continuamente. Mas quando gerações perdem esse compromisso, deixam como legado aos jovens a descrença pela vida. E só somente a crença em sua própria potência como criadora do novo, pode a juventude, livre de um passado negador, produzir o novo sob a luz do sol.

Deputados do Amazonas aprovaram um projeto designado como Parlamento Jovem. Permite estudantes participarem das sessões para compreenderem os meandros legislativos: os caminhos de funcionalidade da casa. Pequeno Expediente, Ordem do dia, apresentação e votação de Projeto de Lei, etc. O óbvio. O desnecessário, principalmente quando alguns possuem TV a cabo e podem muito bem aprender todos estes códigos sem ter que ir ao ambiente. Entretanto, para os que não possuem, uma simples visita dos estudantes resolve. O certo é que os deputados autores do projeto afirmam categoricamente tratar-se de algo imprescindível aos jovens para sua formação democrática. Talvez até, teoricamente, auxiliasse se a postura dos deputados fosse realmente democrática. Se primassem pela autonomia do Poder Legislativo e não se tornasse um simples serviçal do Executivo. Se os projetos saíssem de uma reflexão impulsionada pela potência democrática e não dos interesses particulares e da ficção megalomaníaca, como o projeto da ponte metropolitana, Manaus-Iranduba. Se práxis internas do legislativo não se apresentasse como deboche. Como comumente sai do deputado Berlarmino Lins, autor do projeto, que na presença dos estudantes e diretores de escolas – que o elogiaram – acreditando possuir verve humorística, apresentou performance de piadista inútil, pior que Jô Soares, com a conivência do deputado Sinésio, também mote da graça desgraçada. Todavia, este quadro não serve a percepção e cognição dos jovens. Os jovens carregam suas próprias potências e não precisam de mestres que, nem no passado ou presente, tiveram compromissos ontológicos fundamentado na potência/virtús da democracia. Se nossos jovens acreditarem no realismo raso destes antigos, cairão na impotência de que não há nada de novo sob a luz do sol, e serão responsáveis pelas mazelas e frustrações dos velhos. Velhos cronológicos e epígonos: os jovens que já nasceram de cabelos brancos. Os que acreditaram nas certezas dos antigos reacionários. Mas os jovens sabem que parlar, parlamento, é produção de entrelaçamentos de potências individuais resultantes na potência comunalidade democrática. O resto é ficção eleitoral.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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