Arquivo para setembro \23\-04:00 2007



ISTO É CANDOMBLÉ E UMBANDA AFIN

Realizamos esse trabalho enquanto uma pesquisa aparentemente antropológica, mas que encarna, para usar uma palavra comum aos cultos afro-brasileiros, por inúmeros motivos viemos falar e que pela percepção das pessoas que acompanharam o trabalho desse bloguinho é bem percebível.

Primeiro, a Umbanda e o Candomblé, Umolocô, Mina Nagô, são cultos muito freqüentes em todos os bairros de Manaus; porém, são muito fechados devido a preconceitos de pessoas que não se aproximam ou que pela proximidade sem entendimento podem gerar alguma banalização prejudicial. Neste caso, os maiores preconceitos são de grande parte das religiões cristãs, que não aceitam outra crença e introduzem elementos dos cultos afro-brasileiros para combatê-los como demoníacos, diabólicos, quando nenhuma relação têm com isso, estando em outro plano.

Outro ponto para realizarmos esse trabalho é a proximidade desses cultos com a Natureza, enquanto elementos a serem observados, não existindo basicamente uma moral de bem e mal, mas os desígnios originais da Natureza, que regem a vida das pessoas segundo sua capacidade de ação, independente de posição social e econômica.

Tudo isso vai gerar um culto diferente e livre de todos os preconceitos das outras religiões cristãs comuns em Manaus, sobressaindo-se na música e na dança, levando em conta o corpo e seus movimentos, a voz e suas performances, onde a mistificação não seguirá a ordem da sanção, mas sim da liberdade oral e gestual.

Com toda essa liberdade de crença e ação, é por isso que os cultos da Umbanda, Candomblé, Umolocô, Mina Nagô, todos os cultos afro-brasileiros sofrerão perseguição, no mesmo tempo em que se defende oficialmente a liberdade de crença e expressão. Há um medo do que é diferente, desconhecido, pujante, vital. A alta incidência de homoeróticos não é por outro motivo: são as únicas religiões conhecidas que não carregam qualquer forma de preconceito ou pecado individual.

Por todos esses motivos, as religiões afro-brasileiras se apresentam, dentro do painel religioso, como possibilidades de outras construções onde não permeiem o preconceito, o medo, a sanção, mas, ao contrário, o movimento, a voz, o canto, o grito, o corpo, a sexualidade, a subjetividade, a totalidade do ser. No caso do Brasil, desconhecer ou ignorar isso é não levar em conta os enunciados de formação do povo brasileiro, recortando-o de sua autenticidade.

i iNDA TEM FRANCÊS QUi DiZ QUi A GENTi NUM SEMO SERO

ATENÇÃO COMPANHEIROS DA ITINERÂNCIA INTERNÉTICA. ESTE POST É ANTIGO, O BLOGUINHO INTEMPESTIVO É ATUALIZADO TODOS OS DIAS. ACONTECE QUE O COMPANHEIRO REPÚBLICA VERMELHA NOS LINKOU NESTE POST, E NÃO NO LINK DO BLOG.

PARA OS QUE QUISEREM LER O CONTEÚDO ATUALIZADO DO BLOG, COLOCAMOS OS LINKS

AFINSOPHIA.BLOG.COM

E

AFINSOPHIA.WORDPRESS.COM.

ABRAÇOS INTEMPESTIVOS!

@ ABANDONANDO SEUS BISTURIS, DOIS MÉDICOS do SPA da Alvorada tiveram um conflito particular e um deles chegou a puxar um revólver para ameaçar o outro, tudo na presença dos pacientes. Foi preciso a intervenção da polícia para que o conflito fosse aparentemente contornado. Mediante todos os problemas da saúde pública, pergunta-se: faz parte? E inda tem francês…

@ DIZERES QUE ESCAPARAM DA VISITA DE LULA A MANAUS: Contam que quando Serafim subiu ao palanque, a tensão tomou conta de parte da platéia, temendo chuva de vaias, que não aconteceu. Mas também contam que, quando seu filho Marcelo subiu, e os apupos começaram, foi dada imediatamente a ordem para que os funcionários presentes aplaudissem. Outras vozes disseram que, quando Eron se dirigia ao palanque, ouviu do meio da multidão algo que lhe enraiveceu, causando confusão e fazendo-o desistir. Ainda, Lula, notando a ausência do deputado Sinésio, brincou, dizendo que os dois eram iguais e, colocando a mão espalmada ao lado do ombro, completou: “com exceção à altura”. Mas a voz que ecoou nas risadas de todos foi a que respondeu a pergunta de Lula: “quero que me digam quem é o amazonense que é contra a Zona Franca de Manaus”, ao que um desconhecido respondeu num grito: “Arthur!!”. Risada geral. E inda tem francês…

@ NÃO ESQUECENDO, DIA 05 DE OUTUBRO é o dia para a não renovação da concessão da REDE GLOBO pelo Governo Federal. Como a emissora já demonstrou, desde sua consolidação, atrelada ao regime militar, passando por toda a sua programação, que nada tem de conteúdo que sirva à existência dos telespectadores. Não sendo por causa do Jornal Nacional e outros jornalecos, que tentaram a todo custo derrubar de forma criminosa a candidatura de Lula em todas as eleições que participou, mas que nada pôde fazer em 2006. Prova de que mais do que nunca, a população não acredita e não precisa da Globo. E inda tem francês…

@ “CHÁVEZ É LOUCO”, DECLARA TIÃO VIANA (Senador PT-AC), que, segundo notícias, está mais próximo de FHC e o tucanato do que de Lula e o PT. No rol dos que praticam exercício ilegal da profissão, o senador poderá ser processado, uma vez pelo que consta não ser psiquiatra. E inda tem francês…

@ A LIGAÇÃO ENTRE AS CÂMARAS MUNICIAPAIS, ESTADUAIS, FEDERAIS E SENADO pelo portal Interligs deverá estabelecer a mesma ligação que estas câmaras tem com a população, uma vez que mandam os projetos para o executivo sempre em jogatinas, acordões, todo tipo de taciticidade, não permitindo uma legislação para a população. E inda tem francês…

@ ENQUANTO A COCA-COLA DOMINA O BUMBÁ PARINTINENSE, do Garantido vão sendo leiloados prédios por ordenação da justiça trabalhista por causa de dívidas com trabalhadores. E dessa vez não bastou também o apoio da Nestlé. Ou o motivo seria outro para que um boi violentasse de tal forma seus realizadores, os trabalhadores? E inda tem francês…

@ ALI KAMEL QUER SER O GRANDE CENSOR DO BRASIL. O diretor de jornalismo da Globotária, ferrenho defensor de todas as formas de censão à liberdade dos corpos (inclusive o seu próprio, a começar da inteligência), escreve artigo em O Globo e Estadão, acusando o livro “Nova História Crítica – Oitava Série”, de Mário Schmidt, de defender os regimes comunistas, e o governo, por tabela, de promovê-lo. No entanto, como já se sabe, o livro foi incluído em processo de escolha por professores, e na realidade passou a ser usado no período FHC, e agora o MEC o retirou, a pedido de um dos professores da comissão. Mesmo isso não seria justificativa para o ataque, já que o livro faz críticas aos chamados regimes socialistas. O fato demonstra o quão alguém tomado pelo enunciado delirante da paranóia do Estado totalitário é perigoso, ainda mais aliado a uma empresa de comunicação que se formou no mesmo bloco discursivo do enunciado persecutório, e que segrega constantemente signos paranoizantes e diminuidores da potência coletiva da coletividade. E inda tem francês…

@ 16ª COPA DO MUNDO GAY NA ARGENTINA, ocorre a partir da próxima segunda-feira em Buenos Aires. É a primeira vez que o evento se dá na América do Sul, nada mais justo que ocorra na capital que já oficializou a união civil entre homossexuais e é um dos lugares onde mais se combate a homofobia e defende a liberdade cidadã GLBT. 28 equipes de várias partes de mundo participarão do torneio. Do Brasil, mesmo com os avanços de visualização do mundo gay, nenhuma equipe está inscrita. Parece que por aqui o futebol ainda é uma coisa pra machinho. Mais uma vez a Argentina sai na frente. E inda tem francês…

@ O VEREADOR WAL QUER MAIS UMA VEZ ENCARAR a parada com os iguais da CMM. Dessa vez o vereador quer colher pelo menos 50 mil assinaturas populares para forçar na Câmara Municipal o estabelecimento do número de cargos comissionados do serviço público. A medida diminuiria o paternalismo e a subalternidade dos servidores públicos, dando um golpe na jogatina com os cargos de confiança. Dá-lhe Wal! E inda tem francês…

@ AÉCIO NEVES ESTÁ ENVOLVIDO NO TUCANODUTO MINEIRO, é o que afirma o blog República Vermelha, o qual vem trazendo várias análises da ligação de Marcos Valério e Azeredo, e agora também Aécio, aquele que se apresenta como um dos possíveis presidenciáveis tucanos (ou se apresentava, já que os tucanos gostam da pose de algozes do Mensalão?). A mídia é que não quer sensacionalista e por isso não usa a expressão “Mensalão Tucano” e insiste apenas em “Caixa 2 Mineiro”. Com certeza, não é por princípios éticos. E inda tem francês…

@ O PEDAGOGO SÍLVIO SANTOS APRESENTA a partir de domingo no SbesTeira, baseado em programa norte-americano, “Você É Mais Esperto do que um Aluno da 5ª Série?”. Além do aproveitamento do nível educacional histórico brasileiro para fins de entretenimento lucrativo com a ridicularização do outro, revela algo que o pedagogo não percebe: que importância tem os conteúdos programáticos distantes da realidade dos estudantes? Que importância tem esse programa para a aproximação de uma realidade cidadã às pessoas? E inda tem francês…

@ SERAFIM E EDUARDO BRAGA JUNTOS PELO PAC. Quando eles se separaram? O que aproxima ou distancia um ser de outro é a semiótica de posicionamento no mundo, principalmente político. Por esse critério, os dois são iguais e nada de política, só… E inda tem francês…

@ CANDIDATURA DO DEP. FEDERAL FRANCISCO PRACIANO À PREFEITURA DE MANAUS, está sendo lançada hoje na sede do PT em Manaus. Contando com o apoio da maioria, mas tendo posição contrária de parte da cúpula, entre eles o destro do prefeito Serafim, Dr. Marcus Barros, entre outros, que temem pela ameaça do filhinho Marcelo Serafim, que disse cortar todos que não apoiam a candidatura de seu papaizinho. A AFIN já há muito vem defendendo aqui neste bloguinho a candidatura de Praça, talvez a única alternativa aos acordões que se instalaram em Manocity. Vejamos como caminha a democracia petista por aqui. E inda tem francês…

Vamos que vamos

Quem foi ainda não chegou

E quem chegou já foi embora

De onde nunca ninguém foi…

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

Uma sacada fora (ob) da cena (scenus) do lugar de ação (torius) da imprensa

<- A máxima do programa de TV e site do Observatório da Imprensa, dirigido pelo jornalista Alberto Dines, “Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito”, nos conduz a duas obviedades jornalísticas predominantes. Uma é que em função da homogeneidade da grande imprensa constituída de clichês e partidarismo reacionário, jornalismo de mercado, já é impossível lê-la. Outra, é que o próprio Dines não se permitiu fazer um estudo semiótico para compreender que é impossível construir um conteúdo discursivo que escape ao enunciado como “unidade elementar do discurso” (Foucault) realidade dominante se não desconstruir a semiótica sobrecodificadora elaborada para ensignar a ordem de sujeição tão proferida, ingenuamente, pelo jornalista observatoriante. Dines não sai do tório, o lugar da cena jornalista seqüelada. Daí que a visão permanece escotomizada, apesar do “nunca mais vai ler”.

<- Em seu artigo A Imprensa Baleada, o jornalista responsável pelo comunicatório Observatório da Imprensa, Alberto Dines, escreve: “Quando o senador Renan Calheiros manda abrir uma CPI contra a Editora Abril, porque a principal revista do grupo, Veja, tem revelado os seus estranhos negócios, cria-se um paradigma de intimidação e terror que logo se irradiará para outros setores da sociedade”. Visualizações não vistas por Dines: 1- Renan é a-democrata, carece de suspeita. 2- CPI é tribuna midiática da maioria parlamentar, principalmente dos reacionários ditos oposicionistas. 3– A revista Veja, pós Mino Carta, esse sim jornalista/cívico, é vizeira do cacojornalismo difamatório/escandalizante. Sobrevive materialmente do que a antipsiquiatria chama de delusão. 4– Os estranhos negócios de grande parte parlamentar são de domínio público. 5– Como paradigma, é histórico/social, não se cria magicamente por um sujeito. 6– Terror é uma subjetividade reativa produzida por elementos materiais e imateriais perversos saídos do medo dos tiranos. Exemplo: Bush.

<- Ainda no mesmo artigo, Dines afirma que “a imprensa não pode ser criminalizada porque denuncia abusos, ela existe justamente para denunciar abusos”. Breve obscenatoriedade: em seu comentário, onde a Veja é destacada, Dines deixa saltar um pastoreiamento/ovelhante que para nós não cabe a um homem que se quer o fragmentador da percepção congelada. Já que a Veja é, das revistas panfletárias, a que mais abusa da criminalização do outro. Principalmente quando este outro está próximo de Lula. Mesmo distante. Mesmo nas distâncias: perceptiva e intelectiva.

<- O guru da seqüelada Veja, Diogo Mainardi, disse que “O papel da imprensa é apenas dar informação e comentá-la. Se o leitor ou o espectador quiser protestar, ele que se vire”. Seria democrático se assim fosse. Mas não é. Ainda mais saindo da vejamainardifrenizada. Uma dissipação não se torna discurso se não for apanhada epistemologicamente. Daí não poder formar. Muito menos dentro como in. Dentro é um lugar que não existe. Por tal, o jornalismo não in–forma. É disforme. Quem forma é o sujeito da fôrma. Por outro lado, para comentar um objeto é preciso que o sujeito do comentário carregue signos além dos signos que conceituam o objeto. Para poder apresentá-lo como outro discurso que antes não havia se mostrado cognoscível. Mas isto é querer demais do dissipado Dioguinho. Chegar a este estágio é implosão geral.

<- “Com o caso Renan, o último adeus do PT à Ética”, ajuíza a psicodélica Veja. Adeus poderia ser: ir de encontro a Deus. Mas que Deus? O deus da Veja: a irracionalidade medrosa travestida da lógica: Como sou homenzinho, papai! Machinho, machinho, mamãe! A mística do dominado. E ética? No emaranhado do palavrório, ela surge como defesa paranóica do capital. Tudo que me faz bem, não importa o mal a quem. Quer filosofia na Veja? Impropério. Como a Globo, é para inebriar. Parafraseando Heloisa Helena: Para falar em ética, lave a boca! Mas como lavar a boca quem não a tem? Por isso, é muda? Talvez até destituída de todo o aparelho fonador e das conexões neuro-cognitivas. Só vê quem não carregar a ética da Veja.

PONTOS DO BURACO NEGRO

Buraco Negro em Esquizo-Análise é um sistema que captura corpos para se alimentar

A maior parte das rádios de Manaus são difusoras dos governos.

A inteligência e o pudor ainda não chegaram em programas de TV de Manaus.

O inimigo do jornalista é seu silêncio diante da empresa que o rotativa.

O conceito de Saúde Mental no Amazonas sofre de surto político.

A psicose da psiquiatria amazonense idealiza normalidade social.

Psiquiatras amazonenses têm doença mental como corte na natureza humana.

O medo de secretários faz creditarem aos governantes saberes que não detém.

Programas sociais no Amazonas não saem do público e do político.

Transporte Coletivo tem sido deslocamento de corpos.

Redução do ICMS é mais uma ameaça para o PIM.

Para secretaria, “propriedade intelectual” é só mais um recurso para gerar lucros.

Na visita de Lula, prefeitura usa funcionários para marketing e população fica sem atendimento.

Movimento grevista protesta ouvindo Scorpions.

UM ENCONTRO INFERNAL DEMOCRÁTICO

Hugo Chávez, Rafael Correa e Lula já estão em Manaus para discutir o que há de comum entre eles: mudanças políticas, sociais, econômicas na América do Sul e também o ataque que sofrem das direitas ressentidas, das elites golpistas e das mídias desesperadas.

LULA

Quando veio a Manaus no ano passado, nem o papa, que vinha acompanhado de Deus, teve a presença tão concorrida quanto o sapo barbudo. Tanto que o Amazonas deu a maior porcentagem de votos a Lula no 1° e 2° turnos da eleição passada. Também pudera, nunca havia ocorrido na história brasileira tantas melhorias no Brasil, em todos os aspectos, para todos os segmentos sociais, do mendigo ao banqueiro. Nunca a voz de um presidente brasileiro fora ouvida com respeito pela comunidade internacional.

Algumas mudanças que não ocorreram ou que estão se dando morosamente é mais em decorrência da burocracia sistêmica, que passa pelo Congresso e Senado (conhecendo-se a realidade destes, a capacidade administrativa de Lula sobressai-se ainda mais); do ressentimento elitista, que busca atravancar qualquer tentativa de mudança, mesmo estando no saldo; e a mídia, que tenta desviar as percepções lúcidas que a população vê no governo Lula.

CHÁVEZ

Quanto ao presidente venezuelano Hugo Chávez, como já dissemos aqui nesse bloguinho, nunca um presidente na América do Sul se envolveu em tantas questões em seu país, pelo continente sulamericano e por outras partes do mundo. E isso tudo enquanto afronta/confronta o fascismo de Bush, que até golpe de estado já promoveu para derrubá-lo. Podemos dizer que sem a subjetividade Chávez (porque não falamos evidentemente apenas de um sujeito), que levou o povo a confrontar a elite golpista na Venezuela em 2002, não se teriam garantido as mudanças que o Evo Morales tem realizado na Bolívia, Kirchner, na Argentina, e Rafael Correa, no Equador.

RAFAEL CORREA

Do trio que se encontra hoje em Manô, o equatoriano Rafael Correa é o mais jovem. Iniciando seu mandato no início desse ano, ele já encontrou no Equador a linha de choque elitista que permeia a sulamérica, como no caso dos 57 deputados que foram expulsos pelo Tribunal Supremo Eleitoral por tentar através de corrupção emperrar a criação de uma Assembléia Constituinte, a qual deverá ser eleita no próximo dia 30, a possibilidade de Correa ficar com a maioria das cadeiras, e talvez a única chance de tirar o Equador das mãos das oligarquias seculares que regem o país. Se ocorrer, uma das primeiras medidas do presidente será dissolver o parlamento, uma das bancadas de deputados mais medíocres e corruptas do continente.

O ENCONTRO

Ao contrário do que gostaria a elite midiática e a mídia elitista, os três, com estas singularidades, só poderiam encontrar-se como amigos, a própria pauta é aberta, e o diálogo se instaura, como convém à democracia, o que só poderá aumentar a potência de agir, carregando toda a população sulamericana numa potência maior, democrática. Desse encontro poderão sair modificações para estes três países e para todos da América do Sul.

ENTRETANTOS AMAZONIQUINS

Outro fator, entretanto, que atrapalha, emperra o processual das mudanças sociais, políticas e econômicas desses governos democratas são outras esferas executivas. No Amazonas, Lula vem também assinar contratos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a implementação de projetos de construção de casas populares na capital e outros municípios do estado. Aí dependerá muito dos governos estadual e municipal, que tem aproveitado as ações do Governo Federal mais em peças de marketing do que em mudanças concretas, bem visível na real condição das escolas públicas, do transporte coletivo, da saúde pública, da urbanização e saneamento. Tudo ausente. Mas a inteligência de Lula, como impulsiona pra frente todo um povo, há de suplantar a inércia e o engodo dos governos daqui, como já acontece com outros programas federais, como o Bolsa Família, o Luz para Todos, a Farmácia Popular, etc. Aliás, daqui, sentimos democraticamente próximo Lula, e também Hugo Chávez e Rafael Correa. Os demais governos encontram-se tão desgovernados e muito distantes.

EDUCAÇÃO, MORAL E AS ESCOLAS

Em Manaus, escolas da iniciativa privada vendem a educação como produto associado a dois aspectos mercadológicos e de forte apelo marketista: o foco nos ditames do mercado de emprego, e a tendência de associar educação e moral.

A educação como produto, seja oferecida pela iniciativa privada ou pelo Estado, é sempre associada com a moral. Considera-se uma boa educação aquela que transmite os valores nobres e faz com que o aluno possa, em sociedade, reproduzir os signos que aprendeu e incorporou.

Processo de apropriação da faculdade cognitiva do ser humano, o conhecimento é confundido com informação e se perde a potência do educar, a fim de produzir corpos hábeis para a produção de capital, e passivos para qualquer outra espécie de criação. Neste aspecto, a moral tem um importante papel.

Diz o filosofante Nietzsche que toda moral é uma moral de classe. Ela carrega valores e dizeres que afixam posições dentro das relações sociais e institucionais, seja qual for a instância (seja ela macroscópica, como nas instituições, seja capilar, atuando diretamente nos corpos e na família). É portanto de se esperar que, numa sociedade hierarquizada, e que vende como ideal de existência o sucesso econômico (através da exploração do outro), que a moral seja identificadora, selecionadora, classificadora. Produz-se assim o consumo incorporal dos valores de classe, que leva algumas pessoas a tomarem para si estes valores e fortalecerem os microfascismos cotidianos (o ódio da classe média aos elementos que carregam dizeres/signos das chamadas classes baixas, como o ódio à prostituta, ao mendigo, a impossibilidade da mídia e da autoproclamada elite de suportar um presidente advindo das classes trabalhadoras e que deu certo, por exemplo).

Vista desta forma, a moral é não apenas um item importante do se dar bem na subjetividade hostil do Capital, mas habilidade e valor necessário e cobiçado para as famílias bem adequadas a este modo de produção de subjetividade.

Do que entende-se facilmente que, aliado a um engodo marketista de futuro promissor através dos signos informacionais que o mercado de empregos segrega, a disseminação disciplinar da moral nas escolas funciona como um chamariz para pais que entendem seus filhos como investimento econômico e vêem, pelo ressentimento do fracasso que foi sua existência, a possibilidade – abortada – de “se dar bem” através do sucesso dos filhos. Com isso, distendem na temporalidade do existir os mesmos elementos laminadores da autonomia, alegria e criatividade das crianças enquanto corpo-singularidade pelos quais foram capturados quando eles mesmos eram crianças. Resultado de quem não conseguiu ler o mundo e compreender o si para além do Si.

Como o marketing não tem compromisso com o conteúdo, e o produto consumido é a própria ilusão que o marketing produz, e não o anunciado, o que estas escolas, sejam públicas ou privadas não podem oferecer é educação. Como não sabem que educação é processual de produção de modos de ser através dos encontros que aumentam a potência de agir, expandem a consciência e engendram a inteligência coletiva, tem que se contentar em apenas vender a quem quiser comprar o falso brilho da ilusão.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez uma cidade com um povo muito crente e devoto. Certa manhã, o pastor chegou diferente dos outros dias, foi ao púlpito, olhou confiante os fiéis e sentiu a cumplicidade religiosa. Não era para menos: era o mais respeitado e venerado representante de Deus da cidade. Não esperou os cânticos iniciais e fez sua revelação angustiante. Contou que na noite anterior Deus lhe aparecera e afirmara que não existia. Os fiéis riram, acreditando ser mais uma das tiradas para motivá-los. Mas não era. E continuou, com ênfase, contando a revelação de Deus. Tudo não passara de um erro histórico. Ele não era Deus dos habitantes deste planeta, mas de um outro planeta. Os primeiros profetas se enganaram em suas visões e O tomaram como seu Deus. Os fiéis, desesperados, perguntaram como iriam viver sem um Deus. O pastor respondeu que sempre viveram sem Deus. Todas as orações foram para o nada, já que não havia Deus para os homens. Foi então que um jovem levantou-se e disse que se Deus não existe o homem tem que ser seu próprio criador e seu destino. Os fiéis choraram longamente e foram saindo da igreja. Na rua, viram pela primeira vez um mundo sem sombra e lamento. E em uníssono, soltaram uma estrondosa gargalhada. No outro dia, o pastor contou que Deus aparecera e lhe contara ter havido um equívoco: ele existia e era Deus dos homens. Os fiéis sorriram e responderam não precisar mas de um Deus. Sabiam como viver suas vidas. E que, desde o dia anterior, a igreja passara a ser apenas um local de agradável encontro fraterno.

!! As juras de amor afirmavam ser o casal mais apaixonado de Manaus e que, com tão concreto amor, jamais se separariam. Nem terremoto, tornado, tsunami conseguiriam esse feito. Certa tarde, entediados com a vida de classe média bem nutrida, cujo entretenimento é o óbvio inócuo, resolveram inovar: usar pela primeira vez um ônibus. Felizes, entre beijos e abraços, chegaram à parada e nem precisaram fazer sinal: havia umas dez pessoas para entrar. Entraram contentes como exploradores de um novo mundo. Passaram na catraca, sem lugar para sentar, ficaram em pé. O espreme-espreme fez ficarem mais colados um no outro e os beijos eram inevitáveis. Cada parada mais gente entrando e o calor aumentando. Ele reclamou, ela sorriu. Os dois reclamaram e se separaram. Ela disse eu te amo, ele não respondeu. Ela ficou calada, recebeu uma cotovelada e uma mão na bunda. As freadas e caídas nos buracos apavoraram os dois, separados por outros corpos. Ansiedade, pânico, queriam descer, mas não podiam. Até que o ônibus chegou ao ponto final do bairro. Eles desceram, ficaram em silêncio, então cada um telefonou para os parentes para irem buscá-los. Nunca mais se falaram. Ele se apaixonou por outra jovem, e ela fez um blog para analisar e dar opiniões sobre os governos municipal e estadual, mostrando o quanto o povo sofre pelas péssimas administrações públicas.

!!! No conforto do lar, acompanhado por duas boazudas, alguns envelhecidos uísques e um encrespante filme pornô, ouviu arrombarem a porta. Correu para pegar o berro, mas não deu tempo: a polícia chegou primeiro e lhe deu voz de prisão. Pirou de vez. Tinha sido acusado por estelionato, falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, adultério, contrabando, sonegação fiscal, mas estava limpo, falou aos policiais. Para fortalecer o argumento, disse que seu advogado, com sua incomparável inteligência, tinha conseguido derrubar todas as acusações e ele era um homem livre. Um dos policiais mostrou-lhe um documento e disse que ele até poderia se livrar de todas as acusações, mas só depois que seu advogado, com sua incomparável inteligência, fosse aprovado em insuspeita prova da OAB.

!!!! A princesa o beijou e ele virou um príncipe. E tinha de aprender os ofícios para ser rei, tinha até de aprender a beijar para casar com a princesa de um encontro casual. De tudo, o estranho era que, a despeito de poder e riqueza, crescia dentro de si um terrível medo da morte. Arranjou então um cururuzão, botou em cima de sua cama e fugiu. A princesa, quando viu o cururu, beijou-o, beijou-o, e nada. Um dia foi ao jardim, o sapo aproveitou para fisgar moscas; apesar do nojo, a princesa não interferiu, pois para ela parecia que ele se divertia. O sapo aproveitou e escapuliu para a lagoa. A princesa correu desesperada, e fica lá beijando sapo cururu, na esperança de encontrar seu príncipe encantado. Enquanto isso, o rapaz, agora sem nome, sem riqueza e, principalmente, sem medo da morte, segue por aí pelo mundo…

*…..::: CHAGÃO! :::…..*

 Chagão!

Θ SÉRIE C. E houve o jogo do FAST Clube contra o ABC, realizado hoje, no Floro de Mendonça, em Ita. O placar, 2 para os fastianos (Arlindo e Bazinho), 3 para os ABCênianos (2 de Nêgo e 1 do histórico Bem-Hur). A situação do time amazonense se complica no grupo 25 da terceirona, mas do jeito que as coisas estão, é bem possível que na próxima semana o itacoatiarense esteja em outro grupo, enfrentando outros times, então nada de desesperar ainda, torcedor metropolitano! O próximo jogo – por enquanto – é diante do Rio Branco (AC), no próximo dia 26.

Θ COPA SUDAMERICANA. Confronto entre times brasileiros e argentinos: Boca vence o São Paulo por 2 a 1 e joga pelo empate na volta, no Brasil. Lanús vence o Vasco da Gama por 2 a 0, e pode até perder por um gol no Rio de Janeiro. Botafogo vence o River no Rio e pode empatar em Buenos Aires. Goiás perde por 3 a 2 para o Arsenal. Destaque para a relevante discussão da transmissão do jogo na Bombonera pela TV aberta após o segundo gol de Palermo: ele é ou não casado com uma brasileira? Diante deste importante fato a ser desvendado, o narrador por pouco não perde o gol do time paulista, quase aos 45 do segundo tempo.

Θ CURTA DA COPA DO MUNDO FEMININA. Os jogos da última rodada dos grupos C e D foram adiados para amanhã, em virtude do furacão Whipa que atingiu a China. Inclui-se aí o jogo da seleção brasileira com a Dinamarca. Basta um empate para que as brasileiras se classifiquem para as quartas-de-final do torneio.

Θ LIGA DOS CAMPEÕES. Resultados dos jogos destacados por esta coluna na segunda-feira: Arsenal 3 X 0 Sevilla (Grupo H), Porto 1 X 1 Liverpool (Grupo A), Sporting Portugal 0 X 1 Manchester United (Grupo F) e Barcelona 3 X 0 Olympique Lyonnais, com show de Messi, e grandes jogadas do time azul-grená, principalmente no primeiro tempo com Ronaldinho e no segundo com o mexicano Giovani dos Santos. Destaque ainda para o empate entre Chelsea e Rosenborg (Noruega) em 1 a 1, que terminou com a demissão do técnico português José Mourinho. A próxima rodada da fase de grupos acontece no dia 03 de outubro.

Θ KERLON, RESPEITE A MEDIOCRIDADE! Como parar o atacante Kerlon, do Cruzeiro, quando ele coloca a bola na cabeça e corre em direção ao gol? Para o lateral Coelho (Atlético-MG) e Luís Alberto (Fluminense), só na base da violência. E ainda acham o recurso do atacante azulino uma falta de respeito ao profissional. Futebol profissional, sério e medíocre, que não tem lugar pra alegria nem para o intempestivo, não é futebol. O tal drible de Kerlon não é revolucionário, mas causa estranhamento nos jogadores que estão acostumados aos movimentos repetitivos do operariado futebolístico. Expõe a anemia criativa do futebol brasileiro. Como o vagabundo chapliniano, Kerlon desconcerta pela simplicidade. Se o futebol fosse mais alegre, seria proibido o zagueiro tocá-lo, e que desse um jeito de tirar a bola do seu nariz. Kerlon diz que vai continuar insistindo no seu drible por acreditar que é mais importante a habilidade que a truculência.

Θ NEM SEMPRE O FUTEBUSINESS VENCE. Entre os times do Nottingham Forest e Leicester City, o que vale é o jogo, o contrato entre os jogadores. Três semanas atrás, a partida entre os times pela Copa da Liga Inglesa que contava 1 a 0 para o Forest foi interrompido no intervalo, devido ao infarto sofrido pelo jogador Clive Clarke, que foi socorrido e sobreviveu. Nesta terça-feira, em novo jogo, já que o anterior tinha sido cancelado, os jogadores do Leicester resolveram permitir que o Forest iniciasse a partida com o placar da anterior. Deixaram que o goleiro do Forest, Smith, desse a saída e fizesse o gol. O que a FIFA chama de fair play é, neste caso, uma evidência de que o futebol ainda pode ser um jogo entre seres humanos, e não produção de lucro sobre a exploração do trabalho alheio. Resultado do jogo: Leicester 3 X 2 Forest.

O PRESTÍGIO DAS PALAVRAS

As palavras são recursos lingüísticos usados pelo homem como crença em um mundo imóvel e definido. A lógica da segurança como ilusão necessária à sua existência espaço-temporal. Ou história constituída. Modelo referencial para o desenrolar de suas ações. Por tal, dependendo da importância da época, algumas palavras são capturadas e se tornam elementos figurativos a-dialógicos exibidos no mercado da sedução lingüística. Status palavrório. Os clichês enfáticos dos momentos dominantes. Pérolas rolantes dos salões das estrelas das amenidades política, social, econômica artística, mística, etc. Sem elas não há dança. Quer dizer: o mundo não faz que gira. São palavras enunciadas solitárias, mas com grande força discursiva. Ou, palavras se destacando em um texto. De qualquer sorte, elas mostram em qualquer ocasião seus prestígios, pois sem elas o sujeito do discurso não é nada. Não é tido como inteligente, sério e responsável no território onde procura enfatizar seu estado de coisa. Deus, trabalho, ética, moral, segurança, educação, amor, vergonha, corrupção, natureza, são algumas das prestigiosas. Sem essa lógica da imobilidade lingüística, não dá para acreditar na seriedade de um homem se em sua atividade profissional ele, compulsivamente, não evocar a palavra Deus. Ainda mais se confessar-se temente a Ele. O governo Serra em São Paulo não se torna real se não atentarmos para seu marketing: “O governo trabalhando por você”. Assim como, em Manaus, a eficiência da prefeitura sem o seu: “A prefeitura mostrando trabalho”. O mesmo ocorre com o parlamento. Sem as enunciações sígnicas ética, moral, corrupção e vergonha, ele não é crível. Vejamos no nosso caso, principalmente se não forem enuciadas por nossos orgulhos telúricos, Jefferson Peres e Arthur. Já na promoção da fobia social, a segurança cai como um bem enunciativo incontestável a quem faz uso. “A educação que transforma”, excita os educalólogos. O amor, principalmente o “amor ao próximo”, faz um grande bem material ao seu usuário. Embora algumas palavras sejam mais prestigiadas em lugares particulares, entretanto, neste momento a palavra que é o bicho linguístico do glamour palavrório, é a tal da natureza. Mesmo sem ninguém apresentar o seu objeto e seu conceito, ela corre solta em múltiplas bocas e ouvidos. Nem o Ibama, o Inpa, o Gren peece, Ongs, igrejas, universidades, tecnologias… Está na crista da onda. Quer ser enturmado mundialmente? Enuncie: “natureza”. Até o Bush enuncia. Todavia, nunca esquecer a fonte usual deste carrossel palavrório, de onde saltam livres e soltas, sem nenhum pejo estas palavras calculisticamente aderentes: as mídias. Território da festa geral, próprio para o sedutor e inebriante desfile cacolálico regido pela entropia racional. Lá, onde não há movimento, só palavras prestigiadas.

TRÊS SERAFINADAS AQUÁTICAS

Primeira. A crença de que a administração de um ponto só vai gerar irradiação marketeada do feito para outros pontos e preencher um governo por completo é antiga no que concerne aos administradores manoniquins. Talvez por isso Serafim esteja tão crente que a campanha de levar água garanta a possibilidade de sua reeleição.

Segunda. Como vai garantir a reeleição em bairros onde a divulgação desse feito é desmentida pela realidade? Como no São José I, onde a população tem sofrido constantemente com a falta d’água, mesmo depois dos dias que não teve porque, segundo a prefeitura, estavam ligando as adutoras que solucionariam todo o problema da ineficiência da distribuição de água na Zona Leste.

Terceira. Não garante, principalmente porque a população, atenta que está para os seus direitos de cidadania numa totalidade democrática, não cai mais nessa de um administrador escolher apenas uma instância social, enquanto as outras instâncias vão sendo melindrosamente colocadas de lado. E a violência do transporte coletivo? E as escolas que estão sem aulas? E o desvio de verba da merenda escolar? E as crateras e abismos nas ruas?…

A UMBANDA UMOLOCÔ DO TERREIRO DO PAI FRANCISCO

 

No terreiro do Pai Francisco as tradições da Umbanda Umolocô, umbanda pura como chamam, permanece viva. No seu terreiro, lá no Morro da Catita, ele está sempre atento para os rituais, os pontos, as obrigações. De fala fácil, Pai Francisco foi encadeando assuntos da Umbanda com simplicidade e autoridade, e agora postamos aqui uma parte dessa longa entrevista que ele nos concedeu antes do Toque Pra Exu.

Existe muito preconceito, nós da Umbanda cultuamos a Natureza, as matas, as águas, os animais, o céu, as cachoeiras. Se nós não mostrarmos uma coisa boa pro público, o público não vai gostar do que vê dentro de nossa casa. A minha casa, vocês estão vedo, é humilde, mas é uma casa que tem força, eu sou uma pessoa que já estou muitos anos no santo, a minha feitura. Aqui comigo vem vários tipos de gente, vem pai-de-santo, vem zelador de santo. Gosto muito de respeitar todos os convidados que vem em minha casa, porque Deus não quer a gente com arrogância com ninguém. Nós mesmos que fazemos a nossa arrogância com as pessoas. Mas tem pessoas que não querem fazer as coisas direito, cultuar o santo direito, os fundamentos verdadeiros. Aí começa a aparecer aquelas coisas ruins dentro da nossa Umbanda. Uns já enganam os outros; o outro vai e gasta aquele monte de dinheiro e não acontece nada. Minha nação é Umolocô. Eu trabalho na Umolocô, trabalho na Umbanda e na Mina, e sei um pouco de Candomblé. Agora magia negra, essas coisas, aí já não é comigo, eu não vou mentir. Esses anos todos eu trabalho, estou muito feliz, meu santo me deu tudo o que eu queria, que eu não quero riqueza, pisar em cima das pessoas, eu quero ter o que comer, ter o que dar para as outras pessoas, porque tem muita gente que passa fome. Aqui quando tem festa dá muita gente. Hoje é um toque pra Exu e Pombogiras. Muitas vezes as pessoas chamam de diabo, de demônio, mas nós não trabalhamos com demônios. Nós trabalhamos com entidades de luz, só que se mexer com eles, eles têm poder.

DOS TIPOS DE TRABALHO

Aqui eu não faço trabalho pra matar ninguém, pra quebrar a perna de ninguém, não faço trabalho pra botar bicho em ninguém. Aqui eu tiro muito é coisa ruim de cima das pessoas, minhas entidades. O pessoal vem com bicho na garganta, pecador vem com bicho no estômago, é na perna, coisa horrível; meu Preto Velho já tratou de uma senhora que veio com um bicho na vagina, a mulher gritava de dor, tratou aqui e ficou boa. Aqui eu faço santo, eu tiro ebó das pessoas, às vezes a pessoa está caída, não tem pra onde correr. Chega gente enfeitiçada, o Preto Velho trabalha, a pessoa fica boa. Então isso tudo é muito gratificante pra mim e pra ele, porque eles vem em cima da minha coroa, da minha matéria e fazem tudo isso com carinho, sempre tratando as pessoas direito. Já veio gente oferecendo muito dinheiro pra minha entidade fazer trabalho pra quebrar perna, pra botar bicho dentro da barriga pra matar os outros, pra destruir famílias. Eu disse não, meu amor, esses trabalhos eu não faço. Eu só faço cura, santo, e trabalhos pra pessoa que está desempregada, pra amor, mas esses tipos de trabalho pra maldade eu não faço. Sabe porque não faço, meu amor, é porque se o orixá faz a maldade, daqui um tempo a maldade vem em cima de mim, daí eu vou ficar doente, com problemas, eu vou ter de gastar muito dinheiro pra tirar as quizilas, as quiumbas de cima de mim. Eu chego, converso, meu amor, não faça isso não. Eu digo vá numa igreja, qualquer denominação, porque eu não tenho preconceito nem contra evangélico nem nada. Os evangélicos gostam muito de meter o pau na gente, mas eles pra lá e eu pra cá, só quero é que eles não mexam comigo. Então eu falo, não faça isso, aí às vezes a pessoa sai daqui com raiva. Mas eu não faço, porque eu sei que Oxalá é um homem muito simples, se ele tiver um pão, ele reparte no meio. No tempo que ele andava no mundo, ele dava às vezes o pão pros seus fiéis e ficava com fome. Mas ele se alimentava do Espírito Santo, porque Deus estava lá em cima, então Ele dava o pão aqui na terra. Por que o ser humano pega montes de dinheiro pra acabar com a vida dos outros, será que ele não pensa que depois vem pra cima de si. Depois, oh!, meu Deus! Deus não castiga ninguém. Nós mesmos que nos castigamos. Nós que fazemos coisas erradas.

ORIGEM DA UMBANDA

A Umbanda surgiu há muitos anos atrás, foi fundada no Rio de Janeiro. Eram os negros que cultivavam, porque o Candomblé veio da Umbanda. Tinha aqueles Pretos Velhos, que hoje em dia ninguém dá mais valor, que é o orixá que até com o santo maior ele se comunica, até com Deus se for possível, porque ele não tem maldade dentro do coração dele. Daí da Umbanda veio o Candomblé, veio Umolocô, veio o Jejo, Mina Nagô, veio Magia Negra. A Umbanda é uma coisa simples, os cabocos, os pretos velhos trabalham com folhas, com ervas da mata, eles tinham as mirongas deles, tinham as feitiçarias deles, mas sempre ajudando o próximo, uma coisa muito antiga, uma coisa muito bonita. Muitos chamam de casa de “macumba”. O nome não é esse, macumba é uma árvore que há muitos anos a Umbanda era cultuada no pé dessa árvore. Como os negros cultuavam no pé dessa árvore, botavam tambor, vinham as mulheres com aquelas baianas bonitas.

UMBANDA E CANDOMBLÉ

Há muita diferença entre a Umbanda e o Candomblé. Começa pelo amancio, o médium joga os búzios pra saber qual é seu santo, depois ele é catulado, na Umbanda catulado é uma feitura, raspa a cabeça, faz um cortezinho, no Candomblé não, é feita uma feitura completa, sete cortes em várias partes, até na língua. Outra coisa é que no Candomblé não vira caboco, só caboco de nação. Aqui não, cultua-se o Preto Velho, que as pessoas não querem mais cultuar, o Preto Velho é o poder e as pessoas não sabem, vira caboco de água, caboco de mata, caboco da cachoeira, caboco do toco, da estrada, Jurema, cabocos que estão todos em extinção, porque as pessoas não cuidam direito, aí eles começam a se afastar, cabocos velhos como Seu Ubirajara, Seu José Tupinambá, Seu Rompe Mata, Seu Sete Flechas, Seu Sete Estrelas, Seu Estrela D´Alva. Tem médium que quando entra no santo pensa que aquilo é uma brincadeira.

A DESCOBERTA DA MEDIUNIDADE

O médium desde pequeno ele já traz uma sina, ele começa a ter visões, ele começa a ver as coisas, ele começa a passar mal, ele desmaia na escola, dentro de casa, aí levam ao médico e ele não sabe o que é, porque quando o orixá vem na gente, a gente fica assim (minha mão não está gelada?). Quando o orixá vem na gente ele abaixa a nossa pressão. Então já não é a gente, já é ele que está ali manifestado. Então a criança começa a ter problema, por volta dos 8 anos, o máximo é 10 anos pra cair no santo, aí tem o grau 1, grau 2, estes não viram com a entidade, só o 4, o 5, o 6, o 7, o 10 e o 15, que tem a coroa aberta, que é esse fundo no meio da cabeça, que é o ori da pessoa, onde a gente faz todas as obrigações é em cima da nossa cabeça, pra que fortaleça o nosso corpo, porque o orixá já é fortalecido. Aí quando a criança passa mal, muita gente acha que é loucura, doidice, aí leva para uma igreja, o pastor puxa o cabelo, taca a cabeça na parede, e não é nada disso, não tá vendo que aquilo é um problema espiritual. Problema espiritual tem de ser resolvido com outro espiritual, tem de levar num terreiro, num barracão, lá a entidade vai saber olhar, quando ela olha no rosto da pessoa ela sabe. Então o pai-de-santo vai dizer que esse rapaz é médium, o grau é esse. Tem que cuidar do santo dele, porque quando a pessoa, a criança começa dar estes desmaios, não é o santo que está fazendo isso, são as coisas ruins do tempo que envolvem aquela pessoa, como ele tem a coroa aberta, nós temos o poder de receber tudo, meu amor. Aí quando nosso santo não é cuidado, aí nossa vida cai, nós não conseguimos amor, trabalho, não conseguimos descansar, ter paz, corre pra ali, pra ali, mas não dá certo, só vai dar certo quando fizer aquilo que tem de ser feito.

AUSÊNCIA DE FEDERAÇÃO

Tem uma federação, mas ela não tem advogado, não tem recursos. Por exemplo, eu vou passando bem ali na rua, aí uma pessoa tem raiva mim e diz: “Ei macumbeiro fuleiro”. É uma calúnia e difamação, porque isso que eu estou fazendo é uma profissão como qualquer outra, só porque outros trabalham com enxada, com pá, na caneta, nós trabalhamos com o espiritismo, com as entidades. É uma profissão, porque nós trabalhamos pro público. Atiram pedra na gente, se você andar com a roupa, é até arriscado baterem na pessoa. Estão agredindo a natureza da gente. Não tem uma federação pra chegar e dizer: “Tem o direito de fulano de tal, eu ia passando na rua e ele me difamou.

MARMOTAGENS NO TERREIRO E NA IGREJA

Tem muitas igrejas que em vez de abrirem a bíblia e dizerem como a pessoa tem de se comportar, como a pessoa tem de amar o seu irmão, eles vão chamar é demônio, aí começa a dar ponto de fogo, pegando as nossas coisas pra trabalhar lá, é despacho, cachaça no meio da igreja pro pessoal passar por cima, enxofre, inventam, pegam um óleo ungido, compram lá no Centro, e dizem que é lá do Egito pra ungir as pessoas, pra enganar, e a gente não faz isso. Tem muito umbandista que engana. Deveria ter uma federação para combater essas marmotagens, tem gente usando o nome da entidade, fica morto de bêbado. Meu filho, quando a entidade vem na coroa da pessoa, ela toma a noite todinha, quando ela sobe, você não sente nem o cheiro da bebida, porque ela leva o álcool e fica a água pra gente urinar. Então, não está com o santo, está fingindo, dá-se o nome de equê, veste aquela roupa toda pra se amostrar e não tá com nada. Tá ocorrendo muito isso aqui em Manaus. É pombogira caindo pelo chão, que não é pombogira, é caboco morto de bêbado. Tudo isso está denegrindo a nossa imagem.

UMA ÉTICA UMBANDISTA

Aqui esse barracão é uma escola, a Umbanda é uma escola. Ensina desde a humildade e sabedoria pra fazer as coisas. Mas tem gente que leva muito a pagode, depois vão sofrer as conseqüências. A cabeça de uma pessoa é fina. Você mexer na cabeça de uma pessoa que é médium, se não souber mexer, acaba com a pessoa, destrói a pessoa, porque está fazendo coisa errada. Às vezes a pessoa vai com alguém que engana, cai a perna da pessoa e não tira, às vezes a pessoa é tão inocente, meu filho, quando alguém diz pra ela “eu vou tirar”, a pessoa acredita. A pessoa está frágil, porque essas coisas de feitiço dói, bichos dentro das pessoas, escorre aquele pus, aquela baba, como a pessoa quer ser é curada, então ela vai dando dinheiro, vai dando, vai dando. Aí quando já ganhou muito dinheiro o covarde despacha, “olha, não tem mais jeito”. Só não tem mais jeito quando a feitiçaria é de muito tempo, que ela já está enraizada dentro da pessoa, como aqui veio uma senhora, já faz muito tempo, botaram duas aranhas no corpo dela, as bichas andavam dentro do corpo da mulher, quando a gente pegava na costa da mulher, ela virava um bicho, se transformava, só que ela já estava com 10 anos. Eu botava um alguidar, eu dei um remédio de ervas, ela botava aquela baba com um monte de ova, chega me dava pena. Aí meu Preto Velho chegou com ela e disse “minha filha, não tem mais jeito”, tá enraizada a sua doença. Então eu não vou mexer com a senhora, porque a senhora vai morrer nas minhas mãos e sua família vai dizer que fui eu que lhe matei. Porque nas famílias, se tem alguém que não gosta da Umbanda, diz logo “ah!, foi o macumbeiro que matou”. Não é. É a mesma coisa de a pessoa ir pro médico, Ave Maria, com um câncer que já está enraizado, o médico vai despachar, porque não tem mais jeito. Como é que ele vai cuidar de uma doença que já está enraizada, já tomou conta de partes do corpo? Não tem condições. A mesma coisa é nossa espiritualidade, se é 1 ano, 2, 3, 4, tem jeito. Ela vinha a 10 anos botando essa baba, meu Preto Velho despachou, ela chorava, “ai, eu quero ficar boa”. Aí eu dizia, “mas, minha filha, não tem jeito; se eu for mexer dentro da senhora pra tirar essas aranhas, quando você começar a botar, você vai morrer”. Ela tava fraca, fraca, fraca. Eu despachei ela terça-feira, quando foi sexta-feira a pobre da velhinha morreu. Olha aí se eu tivesse enganado a mulher, se eu não tivesse dito a verdade, tivesse pedido dinheiro, porque a mulher era rica. A filha dela disse “eu quero que a sua entidade bote a minha mãe boa, não importa o dinheiro que eu vou lhe dar”. Eu disse “não, minha filha, eu trabalho com meu suor, não trabalho por causa do dinheiro; me desculpe, mas sua mãe não tem mais jeito”. Por que que não falam a verdade? Não custa nada dar a mão ao ser humano, porque só o que muda em nós é o pensamento, porque você pensa de um jeito, eu penso de outro, mas muitas vezes nossos pensamentos se juntando, a humanidade faz coisas boas.

Deixamos aqui essa foto de uma senhora que tocou um xeco-xeco durante todo o toque do sábado passado, a qual quando perguntamos o seu cargo, ela disse não ter nenhum, que ia somente para animar a festa. E como animou!

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# Oi gente amiga, demorei, mas essa edição é especial, porque fui convidada pelo Nelson Rocha para a apresentação da peça de teatro BOIZINHO RIZOMA NAS TRAMAS DA ZONA FRANCA VERDE, que ocorreu lá na sua fábrica de sorvete, na Cidade Nova, com o pessoal da AFIN, com direito à minina Naianaquê arrasando no xeco-xeco. Agradeço ao Nelson por ter me convidado, foi maravilhoso, todo mundo adorou, principalmente as crianças, que ficavam acarinhando Rizominha, afagando suas fitas, e tiraram fotos com ele e tudo.

# Ao final da apresentação, várias pessoas falaram sobre suas impressões da peça, começando pela linda Camilinha, de 8 anos:

A peça foi muito bem projetada e é muito divertida.

# Em seguida foi a vez do padre Reinaldo Cardoso, que considerou os temas abordados na peça:

Gostei muito da peça. Um tema atual: a Zona Franca Verde. Achei uma crítica real e sincera do que o governo tem feito com esse estado, com muitos aproveitando os recursos do estado para si próprio, e não levando pro povo, pros ribeirinhos, para todas as pessoas que trabalham efetivamente para o desenvolvimento desse estado e usufruindo do dinheiro para si próprios. Então, é uma crítica que todo mundo deveria ter em mente sobre os recursos que realmente deveriam ser distribuídos pro povo. O programa ZFV poderia e pode ser um bom programa, mas teria de ter alguém competente e com responsabilidade para poder fazer ocorrer de verdade.

# E, da terra do bumba-meu-boi pra Manaus, o maranhense Maurício passou sua energia do verdadeiro boi para a AFIN e para todos:

Minha família é toda de maranhenses, de São Luís, vocês tem de continuar com esse trabalho, é muito bonito, vocês tem de continuar alegrando o povo, alegrando o público…

# E a já conhecida da AFIN de outras apresentações, Aline, desta vez observou aspectos religiosos constantes na peça:

Quando houve a parte a respeito do padre, nos instigou, mas infelizmente é a realidade, é uma crítica de coisas que a gente vê na religião. Tem coisas que não gostaria que acontecesse, mas que sabemos que ocorre.

# E o afinadinho Kalyan-Chumbinho, juntamente com as outras crianças, demonstraram sua admiração para com o boizinho Rizoma:

Esse boizinho é tão bonitinho, eu queria subir nele.

Ao final teve farta distribuição de sorvete. E aí saímos pra pegar uma sopa e tomar umas duas com o Nelson. E duas, e duas, e mais duas… e por isso só agora que deu pra vir aqui nesse bloguinho. O pessoal da AFIN avisa que aceita convites para apresentações gratuitas em escolas, igrejas, terreiros, cemitério, associações comunitárias, etc. Os fones de contato são (92) 3213-4205 / 3667-4030 / 9631-6845/ 9190-1949 /8807-3402


Dessa vez não cansei do rock

Quero que o teatro continue

Me dando o toque…

Beijos Vertebrais!

…..::: CHAGÃO! :::…..

Chagão!

Θ CLÁSSICOS NO BRASILEIRÃO. Em minas, deu Cruzeiro (4 a 3); no Rio, deu empate em 1 a 1 entre Flamengo e Vasco. No Rio Grande, Grêmio vence pela contagem mínima. E ainda teve Botafogo vencendo o Corínthians (de novo) por 1 a 0. Atlético PR 2 x 1 Palmeiras, Figueirense 4 x 1 Juventude, Sport 3 x 1 Paraná. O líder continua sendo o São Paulo, nove pontos à frente do Cruzeiro. Santos, Botafogo e Grêmio completam os cinco primeiros.

Θ G-14 QUER DAR À FIFA SEU PRÓPRIO VENENO. O grupo dos mais ricos times europeus quer que a FIFA e a UEFA passem a indenizá-los sempre que um de seus jogadores seja convocado para uma seleção nacional, seja para amistosos ou jogos oficiais. O G-14, que tem em seus quadros times como Milan, Arsenal, Real Madrid e Barcelona, ameaça inclusive se rebelar e fundar uma associação alternativa de futebol. Atualmente o grupo conta com 18 clubes. Nada mais natural no futebusiness do que proteger o seu investimento. A idéia, tornada pública pelo presidente do Barcelona, incomodou a cúpula das entidades internacionais, que acusou os clubes de pensarem no dinheiro em detrimento do esporte. Ao que os clubes poderiam responder que apenas aprenderam com a FIFA/UEFA, estas principais responsáveis nos últimos 50 anos pela transformação do futebol em máquina de fazer dinheiro em detrimento da autonomia e da ludicidade do esporte como jogo-comunalidade. Os jogadores, como operários bem comportados, aguardam passivamente pela decisão de seus patrões. Não se fazem mais Sócrates, Hugos Sanchéz e Maradonas como antigamente…

Θ CAMPEONATO AMAZONENSE TERÁ SÉRIE B. Com a participação de oito times (Nacional B, Cepe/Petrobrás, Tarumã, Holanda/Rio Preto da Eva, CDC/Manicoré, Olímpico Esporte Clube, UniniltonLins e Penarol/Itacoatiara), começa dia 21 de outubroa segundona do campeonato amazonense. Como? Se não tem nem primeirona, se o campeonato amazonense se resume à subalternidade da FAF à CBF e os times são filiais eleitorais de vereador e deputado, como vai ter segunda? Se numa cidade que cultua o futebol alienígena carioca e paulista pela ausência de futebol local, o campeonato amazonense não tem força nem para marcar jogo no mesmo horário dos jogos do campeonato carioca (com o qual já foi preconceituosamente comparado), como ter segunda divisão? Se for para continuar este esquema que mantém o futebol em quinto plano e os interesses pessoais na frente, não haverá nada de novo.

Θ SÉRIE C. Ainda no rescaldo da confusão de liminares e decisões judiciais que continuam modificando os grupos e confrontos da terceirona, foi confirmado (por enquanto) o próximo confronto do RMMiano FAST Clube de Ita. Será (será?) na próxima quarta-feira, contra o ABC de Natal. É aguardar para conferir se o jogo acontecerá, e se será validado pela tabela remendada do torneio.

Θ COPA SUDAMERICANA. Na próxima quarta-feira, no La Bombonera, tem Boca Jrs e São Paulo. O time argentino, assim como o brasileiro, é líder do campeonato nacional, e caso vença a competição (q ue entra agora nas oitavas-de-final) torna-se automaticamente supercampeão das américas, já que venceu a Libertadores. O time será o mesmo que enfrentou o Banfield pela nona rodada do Apertura. O São Paulo deve poupar alguns titulares, escalando a equipe em função da condição física de cada jogador. E ainda tem Vasco da Gama enfrentando o Lanús, na mesma data.

Θ TORNEIO APERTURA DA ARGENTINA. Boca Júniors goleia o Banfield por 6 a 0 e divide a liderança com o Independiente, que por sua vez, fez 3 a 1 sobre o Colón. Já o River venceu por 3 a 1 o Lanús, e está em terceiro lugar. Em quarto o Vélez, e em quinto, o Argentinos Júniors. Na próxima rodada, dia 23, o Independiente pega o lanterna, Olimpo, o Boca enfrenta o Gimnasia (14º), e os milionarios alvi-rubros encaram o Tigre (8º).

Θ NOTAS DA COPA DO MUNDO FEMININA. A Argentina se despede da competição com 1 gol marcado e 18 sofridos, incluindo os antológicos 11 a 0 para a Alemanha. As brasileiras fecham sua participação na primeira fase com a Dinamarca, na quarta-feira, 08h, depois de vencer as neozelandesas e chinesas. Praticamente classificada, a seleção nacional deve topar com Austrália, Canadá ou Noruega nas quartas-de-final.

Θ LIGA DOS CAMPEÕES. A primeira rodada dos grupos da LC será realizada nesta quarta-feira, 19. Destaque para Arsenal e Sevilla (Grupo H), Porto e Liverpool (Grupo A) Sporting Portugal e Manchester United (Grupo F) e Barcelona e Olympique Lyonnais, que será transmitido às 14:30h horário Manaus, pela Record (TV aberta).

O PERDÃO

Evangelho é uma palavra grega que significa “a Boa Mensagem”. A Boa Mensagem como aumento da potência da vida. O novo. O novo, beatitude. Beatitude onde não cabe a culpa, o castigo e a recompensa. Seu antípoda é o disangelho: dys, do grego, mau estado, defeito, pecado, culpa, castigo, redenção. Cristo era um evangelista: era livre, carregava a potência da vida. Era um idiota, no sentido grego: um ser privado da semiótica dominante do Império Romano, tiranicamente ressentido, e dos sacerdotes judeus, que esperavam com sua vinda livrá-los da culpa do assassinato de Moisés. Mas a Cristo não importava a cultura constituída. A ele interessava a fundação do Reino do Pai, e sabia não ser possível se colocando como salvador daqueles que haviam traído a si mesmo e acreditavam na salvação com os mesmos códigos da decadência. A lei totalitária. Por isso, disse ao judeus: “A lei foi feita para os servos, – amai a Deus como eu o amo, como seu filho! Que nos importa a nós, filhos de Deus, a moral!”. Pilatos sabia. Razão de proferir: “Ecce Homo” – Eis o Homem (João 19,5). Assim, declara que ser filho é entrar no sentimento geral da transfiguração de todas as coisas, a beatitude, o sentimento de eternidade e perfeição: O Pai. “Este foi verdadeiramente um homem divino, um filho de Deus”, falou o ladrão que escapava também da semiótica classificadora: a moral valorativa. “Se sentes isso, então estás no paraíso, és também um filho de Deus”, considerou Cristo, que viveu como ensinou, não redimir os pecadores, mas para fundar a vida como vontade de Potência, como falou o filósofo Nietzsche. A vida sem culpa e ressentimento. Sem a má consciência tirânica-tiranizada.

O NOSSO PERDÃO

“Quem ama (o próximo) nasceu de Deus e conhece Deus; quem não ama não conhece, pois Deus é caridade”. João, Epístola I, cap. IV, 7 e 8. Deus é justiça e caridade, mas não uma justiça viciada e nem uma caridade exibicionista. “Quem faz o bem, não diz a quem”, dito bíblico escapado da contabilização dos disangelistas. O vereador foi violado nos dois principais estratos do sistema capitalista-disangelista: a propiedade privada e o dinheiro. Ele se diz cristão sem saber que o único cristão foi Cristo. E sem difenciar cristianidade (condição cristã), cristianismo (a fé e o movimento) e cristandade (o conjunto dos cristãos). Por tal, não entende, como afirma Hobbes em seu Leviathan, que “quem pretende provar faz juiz da prova aquele a quem dirige o seu discurso”. Dirige o discurso a-teológico à imprensa, que se mantém da notícia-mercadoria (lucro), acreditando que vai afetar o leitor-cúmplice: ele é um cristão, sabe perdoar. “Muita gente se ofereceu para te matar e eu não deixei. Acredito que Deus é capaz de mudar as pessoas”. Como democrata cristão, regime político construído pela comunalidade, o vereador poderia dizer quem se ofereceu para matar aquele que dormia no sofá de sua casa, foi pior que Judas (o vereador repetiu o clichê anti-Cristo que, historicamente, não dá para equiparar o valor da moeda romana com o real, ou dólar), traindo-lhe por dois mil dos 45 que levaram, já que este, como violador do sistema capitalista, antes de ser preso se encontrava juridicamente sob a custódia do estado. Pois bem, o filósofo Nietzsche diz que “cada época possui o seu próprio tipo divino de ingenuidade”. A filósofa judia/alemã Hannah Arendt afirma que a maior criação do cristianismo foi o perdão. Saber perdoar. Mas perdoar implica razão. Caso contrário não se poderia pensar a impossibilidade do Holocausto jamais. O perdão em Cristo é uma análise política social e não um produto da superstição calculista. Como toda experiência passa pelo sistema nervoso-central, qualquer propaganda do perdão que sai da imaginação mistificada não é perdão. Assim, o perdão não existe. É só fantasia para acalmar culpa.

FANTASIAS PERDOANTES

Nas eleições passadas para prefeito e vereadores, o vereador violado era braço forte do candidato Amazonino. Não se sabe com que força jurídica conseguiu-se tirar do ar uma emissora dos proprietários que os tem promovido e ontem o colocaram em primeira página. Com a derrota de seu líder, passou para o lado do prefeito Serafim, que se viu à época da campanha eleitoral acusado por amigos do vereador de envolvimento com a médica Soraia, fato que, segundo o prefeito, abalou muito sua família, criada nos princípios cristãos, mas que nem por isso o impediu de considerar o hoje vereador como modelo do cristão. E nesse terço de perdoantes a população se pergunta como ficarão os perdões para as próximas eleições: se o vereador da renovação carismática voltar ao velho protetor Amazonino, Serafim ainda o considerará o modelo do cristão? A imprensa patrocinadora do evento policial-místico vai comemorar: eis o cristão? Se ficar com Serafim, Amazonino vai dizer que ele não é cristão? São tantos candidatos a Cristo que só nos resta, simples mortais, a suspeita racional que o uso do nome de Cristo é um recurso de encontrar vantagem para projetos particulares. E como diz Nietzsche: “Falar muito de si próprio pode ser também um meio de se esconder”. Ou então, “só quem se transforma continua meu parente”. E como a transformação é muito difícil, difícil fica a democracia com estes perdoantes. Ainda bem que aí não cabe amém!

TOQUE PRA EXU NO TERREIRO DO PAI FRANCISCO

Vem Exu, vem dançar

Essa é uma noite bonita

É uma noite de luar

Foi essa noite, lá no famoso Morro da Catita, no Terreiro do Pai Francisco, onde se cultua a Umbanda Umolocô.

O milho cozido foi jogado sobre o telhado, o terreiro foi defumado como deve ser, e quando o cheiro da vela indiana se espalhou o toque começou.

Então baixou a Maria Molambo de Pai Francisco, a dona do terreiro, que comandou o terreiro com sua presença e sua sensibilidade no canto dos pontos.

Em seguida, com seu gênio difícil, muito bravo, baixou Exu, foi preciso Maria Molambo interferir para acalmá-lo. Somente assim ele saiu para cumprimentar o povo.

Aí baixaram várias pombagiras e cabocos, fazendo a festa animada com suas belezas, seus pontos e suas danças.

Maria Padilha

Zé Pilintra

Pombogira do Amor

Maria Rosa

Exu Marabô

Pombogira Rainha

 

RIZOMINHA URROU SOBRE A ZONA FRANCA VERDE


Conforme anunciado aqui no bloguinho, a AFIN foi até a escola Francisco Guedes e compartilhou com estudantes e professores de lá o vetor teatral BOIZINHO RIZOMA NAS TRAMAS DA ZONA FRANCA VERDE. Todos se envolveram e a ludicidade do bumba-meu-boi tomou conta do espaço, enquanto as falsas sustentações da Zona Franca Verde, que seqüestrou o boizinho Rizoma para forjar uma credibilidade midiática, iam-se desmoronando.

Além de participar com seus risos, sua rosticidade e corporeidade, os estudantes e professores participaram, como convém á democracia, com seus entendimentos, após à apresentação, como sempre ocorre nos vetores teatrais da AFIN.

Quero falar que foi muito bonita a apresentação, pra quem assistiu pela primeira vez, eu gostei, porque é uma peça que está preocupada com a cultura das pessoas e também com a sociedade e a política de nossa cidade, e também é muito engraçada. Adorei!

Eu sou cearense, e conheço as festividades do bumba-meu-boi do Maranhão e de outros lugares do nordeste. As pessoas que conhecem boi aqui em Manaus, conhecem só o boi a partir dos anos 90, o boi da coca-cola. Não conhecem o boi mesmo, enquanto manifestação folclórica comunitária. E a AFIN, mais uma vez sai na vanguarda artística de realizar um trabalho de resgate de tradições populares, e sempre com a crítica, que é uma marca da AFIN, neste caso à Zona Franca Verde, que, como diz a peça, não existe, não deu certo e é realmente igual ao Terceiro Ciclo. Não existe em Manaus, (Bejamim, professor)

Eu sou do Maranhão, de Santa Inês, eu vi o bumba-meu-boi verdadeiro de lá do Maranhão. Quero dizer que a primeira vez em todos esses anos que moro em Manaus que vejo realmente um boi. O trabalho que vocês estão fazendo é um resgate histórico e cultural. (Raimundo, estudante)

i iNDA TEM FRANCÊS QUi DiZ QUi A GENTi NUM SEMO SERO

@ “EU PODERIA TER CONTRATADO A MÔNICA (Veloso) para o meu gabinete, mas não o fiz”, disse Renan, em seu discurso de defesa no Senado contra sua cassação, olhando direto nos olhos do senador amazonense Jefferson Péres, que ficou calado, pois segundo afirmam contratou uma amante para trabalhar em seu gabinete. Fato registrado na Folha de São Paulo. Além de mostrar escorregões morais do senador Pedro Simon e Heloísa Helena, que também permaneceram calados. A miséria ética dos ressentidos, como diz o filósofo Nietzsche, é que todos os atos que os próprios autores executam de acordo com a ilusão de suas culpas, serve para transferir para o outro. Ninguém é compulsivamente perseguidor da retidão, sem que não carregue afetos transgressores que lhe perturbam e, portanto, são transferidos aos outros, afirmava Freud. I inda tem francês…

@ “O AMOR É LINDO”, falou o cantor o mote-chavão que serviu aos opositores de Itamar. O parlamento e a imprensa carregam essa banal igualdade: tomam relações amorosas como motivos detratores contra os outros. Quebra de decoro. Amar só é indecoroso quando é psicopático. Exemplo: um homem que sente prazer em espancar a mulher. Entretanto, que pecado ou crime existe em se envolver com uma mulher ou homem, mesmo quando se toma como casado? Nenhum. Pois se fosse crime ou pecado se condenaria o objeto amado como um mal. Mas pelo contrário, como disse o filósofo Plotino, “o amor é o olhar pelo qual o amante vê o objeto amado”. Pode até ser que alguém seja atraído pelo mal, mas é impossível se querer o mal como companheiro próximo, para alegria. Estes juízes são sempre, como diria Shakespeare, os invejosos e impotentes. Não há pecado em nem um homem ou mulher amante, já que Deus é amor. I inda tem francês…

@ NUM SEMINÁRIO QUE HOUVE A RESPEITO DO PROJETO INTERLIGS, do Senado Federal, que pretende interligar todas as casas legislativas brasileiras, o governador Eduardo guerreiro de sempre Braga, numa homenagem ao Legislativo, afirmou: “Isso prova o valor que o Governo está dando ao Poder Legislativo, pois a democracia é o melhor dos sistemas, por mais mazelas que possa ter”. Pergunta-se: haveria aí uma ironia do governador em relação ao Legislativo nessas “mazelas”? Não diretamente. Mas nas entrelinhas invisíveis para intelecções reduzidas se sobressai o enunciado de valor do governador ao legislativo. Se aí ele está certíssimo, de outro lado demonstra o entendimento que tem sobre “Democracia”, como sendo um governo onde se sobressaem mazelas, e não as relações de comunalidades que formam uma potência livre e autônoma. É que em suas igualdades os iguais mostram as suas contradições autofágicas que fazem corroer o âmago da tirania. I inda tem francês...

@ GOVERNO DO ESTADO, ALE-AM, CMM, TODOS OS PODERES criticaram os números demográficos constantes em todo o estado, porque em muitos lugares reduziu-se o número de habitantes. Quando os números são favoráveis a eles, nem desconfiam, como no caso da quantidade de crianças subnutridas na capital (8,5%) e no interior (15%). Estes números não estariam também errados? Não são muito maiores os números de crianças subnutridas? E os adultos subnutridos? Para a Coordenação de Alimentação e Nutrição da Secretaria de Estado da Saúde (SUSAM), é uma questão de educação alimentar, porque temos muitas riquezas alimentares. Estes nutricionistas do não tem tu vai tu mesmo secretário de saúde do estado, Wilson Alecrim, não sabem o preço do feijão, do arroz, da carne, queijo…, de tudo o que é necessário para as crianças serem alimentadas de forma saudável. Enquanto tivermos governos com esses entendimentos, são só números.

               Vamos que vamos

                             Quem não foi não volta

                                          E quem foi também não

                                                          Pois volta não existe

BOIZINHO RIZOMA NAS TRAMAS DA ZONA FRANCA VERDE

UMA URRADA ECOSÓFICA

Eia, moçada, gente amiga companheira! Olhaí o boizinho Rizoma! Por carregar o rastro da potência lúdica-artística popular do negro e do nativo na sua relação com o mundo, materializado na festa do Bumba-meu-boi, ele interessa, como toda linha rizomática e manifestação da potência comunitária, ao buraco negro da Subjetividade do Capital. Por ter se tornado festa popular, da relação do homem com a terra, do negro com seu corpo e seu espaço cotidiano, do nativo atravessado pelo devir-animal, da política – interesse de todos os humanos – que atravessa como fluxo os corpos, produzindo a alegria do existir que se exprime nas vozes, toadas e cantorias do Bumba, é que o Rizominha corre perigo por aí.

Depois do pessoal da ALCA, que quis cloná-lo, agora é a Fazenda do Governo do Estado que o sequëstrou para tentar se apossar dessa potência lúdica e através dela, vender como verdadeiro o vazio do marketing da Zona Franca Verde. Projeto que, como os outros, atuais e antigos, é todo ilusão e nenhum movimento comunitário filosofante. Vende a ilusão do desenvolvimento econômico para o chamado interior do Estado, como outros projetos já fizeram, e não levam em consideração que uma comunidade se constrói pelo engendramento das forças comunitárias que surgem nas relações entre as pessoas, seus talentos e a inteligência coletiva, produzindo o Novo no mundo.

Mas o nosso Rizoma não tem medo, sabe que ele captura e imobiliza pela imaginação. Como boi de raça vindo do Maranhão, boi-filosofante, ele encara a parada e não se vende como muito boi de canga que arma sela pra político montar. Ele convida para a brincadeira do bumba-meu-boi, onde o amor, a alegria e o fluxo da Vida estão mais próximos das pessoas e aumenta suas potências de agir.

Pobre do boi que aceita canga,

Amolece os chifres e cala seu urro,

E deixa de ser boi.”

(Provérbio urrante)

DIÁLOGO URRANTE

Êta, meu boizinho! Quer dizer intão que o Bumba-meu-boi não é apenas uma brincadeira criada no Maranhão alesadamente só pra animar as festa junina? Foi criada pela consciência social do negro, índio, caboco, classe pobre, mão de obra explorada no ciclo econômico do gado no Brasil Colônia como forma de expressar essa realidade e produzir novas realidades mais prazerosas pra esta gente tão humilhada? E por isso é um ato social? Uma hurrada da liberdade? Cacete! Essa eu não sabia. Agora intindi porque Bumba quer dizer Zás! Bate! Chifra, meu boi! E também intindi porque a classe rica tinha medo desta festança e várias vezes proibiu sua apresentação. Porque é um teatro onde os artista é o povão. A nêga Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi mais melhor da fazenda; o nêgo Chico, seu companheiro, mata o boi pra tirá a língua; o Amo do Boi manda o Diretor dos Índios prender o Chico e assim se movimenta a festa popular que ainda conta com o Vaqueiro, Rapaz do Amo, Cazumbá, Dr. Cachaça, Padre e outros.

Sim. Também acredito que é um teatro religioso: liga em comunhão pela arte e a inteligência. Principalmente quando o boi morre e depois ressuscita e com ele ressuscita também o povão revigorado, confirmando sua liberdade não dando brecha para a competição, porque na competição os artista não é livre: ele procura satisfazer os desejo dos juiz e não o seu desejo de festa, como acontece com outras manifestações que se passam por povão. Acho que isso acontece porque dizem que competir é da natureza do gado. Coisa de espertinho. Intão o teatro BOIZINHO RIZOMA NAS TRAMAS DA ZONA FRANCA VERDE, onde tu é o bicho e é encenado com ação original do boi do Maranhão, conta a história do teu seqüestro, Boizinho Rizoma, pelo Governo do Estado, que pretende fazer o tal markete com tu, já que nas paradas tu é o único boi de raça, sangue puro, vindo do Maranhão e que ninguém põe sela e muito menos canga… tá bom. Não vou mais falar. Tá começando a chegança e o público já quer entrar na festa.

E não perca, apresentação do vetor teatral, da AFIN, “Boizinho Rizoma nas Tramas da Zona Franca Verde” hoje, às 19:30h, na Escola Municipal Francisco Guedes, no Tancredo Neves, que fica atrás do posto de saúde Leonor Brilhante, na Grande Circular. Atenção Moradores desta Comunidade! Todos estão convidados…

A AFIN aceita convite para apresentações gratuitas deste vetor teatral.

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

Uma sacada fora (ob) da cena (scenus) do lugar de ação (torius) da imprensa

% O colunista da Folha de São Paulo Sérgio Malbergier afirma que “o que aconteceu no Senado Federal foi o retrato exato da classe política brasileira”. É verdade. Só que apenas 3/4. Já que em um postal apareceria também a própria empresa que lhe serve de emprego. Basta que ele estude a história passada e presente de seus patrões.

% Fernanda Krakovizs e Sérgio Navarro, respondendo Bate-Papo. Fernanda: “…Não é possível comprovar, porque o voto é secreto. Eles podem mentir, como fizeram na enquete feita pela Folha”. Como D. Fernanda pode conduzir um colóquio se não conhece o conceito secreto? Qual voto é secreto? O dos senadores na sessão ou na enquete? Sílvio: “O papel da imprensa é fiscalizar a atuação de parlamentares. Não concordo que a atuação da imprensa no caso Renan tenha sido partidária”. Meia verdade. A imprensa que ele defende acusa, julga e condena, sem direito do acusado se defender. Já se tornou uma prática banal. E inclusive produz pauta para o parlamento. É partidária midiática, pois Renan não representa mais nenhum privilégio. Como representava nos outros governos que serviu.

% Outro colunista da Folha, Josias Souza, classificou a resultado da votação com o clichê da vez: “…sessão da vergonha”. Como alguém pode julgar um ato de outro como vergonhoso se sua profissão de fé não lhe permite a desconstrução de sua subserviência para poder envergonha-se?

% Manchetes das inteligentíssimas. Folha: “Senadores absolvem Renan”. Só poderiam ser senadores, ninguém mais. Jornal do Brasil: “Senado contra o povo”. Uma existência reduzida tende a reduzir tudo a sua redução. O Senado não é o povo, assim, como o JB não pode inteligir o povo. O povo carrega heterogeneidades que o jornal não suporta. Correio: “Vergonha Nacional”. Cai no mesmo clichê do sabujo Josias. E na pretensão do JB quanto ao Nacional. Por mais que recorra à ilusão, o correio jamais será uma nação. Estadão: “Renan escapa da cassação com ameaças e a ajuda do Planalto”. Seria bom que o tradicional reacionário jornal apontasse quem ameaçou os senadores do PSDB e PFL (que se quer democrata, mas está difícil) que votaram na absolvição para os dois partidos expulsá-los e eles passarem para base de apoio do governo.

% O mago da amenidade, Diogo Mainardi, da Veja, com sua verve original de capacho, quer saber quem está lhe grampeando. Muita pretensão: quem vai querer conhecer seus textos privados, que são tão cristalinos como sua própria inteligência.

% Reinaldo Azevedo, outro óbvio da seqüelada Veja, diz que os bons jornalistas são aqueles que não foram demitidos pelas empresas que trabalham. Está coberto de logicidade. Eis porque é bem empregado. Jamais seria demitido de muitos outros jornais e revistas. Faz parte dos textos úteis à abstração da vida como esperança da imortalidade.

PONTOS DO BURACO NEGRO

Buraco Negro em Esquizo-Análise é um sistema que captura corpos para se alimentar

O conceito de política para personagens do Amazonas é pré-reflexivo.

Em analogia metaforizante, Jefferson Péres justapõe zumbi à decoração.

Mesmo carente de fogo o senado, Renan é “figura queimada” para Arthur.

D. Luiz faz premonição ditatorial, desconhecendo a democracia.

No surto Renan, jornais locais são afetados pela seqüela da imprensa sudestina.

Em entrevista, prefeito afirma desconhecer ônibus com janelas fechadas.

Mostrador do itinerário dos ônibus na porta traseira estão avariados.

Manaus é uma cidade onde o papel dos artistas é “animar” shows estatais.

Onde se apresenta apenas o invólucro formal dos projetos federais.

Cidadania para os poderes públicos é reivindicar direitos e não, realizá-los.

Enquanto governo se ufana de produção pesqueira, Rondônia exporta tambaqui para o Amazonas.

Os governos querem resolver o que não vêem e não resolvem o que vêem.

Orçamento Democrático é a opção por uma prioridade entre todas que não serão sanadas.

O próprio prefeito descumpre as leis, quanto a embargo de obras pelo Iphan.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.242.025 hits

Páginas

setembro 2007
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Arquivos