Arquivo para outubro \31\-04:00 2007

CORTEJO NO ILÉ AŞÉ DO PAI-GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN

Atendendo a pedidos de leitores desse bloguinho, postamos aqui o primeiro trabalho que realizamos sobre o Candomblé, trata-se de um Cortejo, seguido de um toque no terreiro do Pai Geovano em 09 de junho deste ano de 2007.


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Foi lá na IV Etapa do Jorge Teixeira, já na extremidade com o Valparaíso. Começou com um almoço servido aos convidados, seguido de rezas e cantos como preparativos/produções para o acontecimento singular: o cortejo para levar Oxaguiã (Ògiyán) e seu ibá para o novo terreiro. Oxaguiã é uma das qualidades de Oxalá, “é um santo jovem e guerreiro, que luta pelo aparecimento de coisas novas e boas”, explica-nos o jovem candomblecista Douglas de Souza.

Após o cortejo, a energia dos candomblecistas continuou em cima, o batuque dos atabaques e a batida dos agogôs soaram no terreiro e puxada pela potente voz de Pai Geovano (ao centro, na foto acima) formou-se a roda de Candomblé: cerca de três horas de cantos, rezas e danças para louvação de vários santos do terreiro, enquanto a bandeja de delicioso mingau circulava como comida do santo para os convidados.

Depois de tudo isso, Pai Geovano ainda nos atendeu com simpatia e conversou com lucidez sobre alguns assuntos que dizem respeito às vivências candomblecistas: como, por exemplo, a desinformação que leva à formação de preconceitos e deturpações com relação ao Candomblé; sobre o trabalho dele e dos filhos em estudos e pesquisas, principalmente sobre a língua Yorubá presente nos rituais, para que possíveis distorções não venham afastar os favores dos santos; finalmente, sobre o que ele denominou de “obras sociais no terreiro”, afirmou que pretende utilizar o espaço para rodas de capoeira, diversos cursos para a comunidade, aulas de Afoxé (músicas e danças do Candomblé) e teatro.

Afinadamente, aproveitamos a ocasião para firmar a realização em próxima edição do vetor literário da AFIN, o “Phylum”, de uma entrevista com Pai Geovano para desenvolvermos estas e outras questões e ele abriu também as portas de seu barracão para este Afinsophiacontinuar com esse trabalho que vimos realizando aqui a respeito da religião do Candomblé.

A MÍDIA NÃO REFLETE A OPINIÃO PÚBLICA

A mídia é uma instância social comunicacional organizada por códigos lingüísticos conceituais, imagéticos e sonoros emanados das relações individuais como fatos consumados ou imaginados. Como instância democrática, transportadora de enunciados coletivos, ela é uma disciplina cívica. Sua práxis carrega considerações semióticas auxiliares à construção da rede de comunicação entre os indivíduos necessária à veiculação de seus saberes produzidos por suas faculdades perceptiva, cognitiva, sexual, imaginativa, volitiva, afetiva, etc, quando de suas experiências singulares. Em seu processo de comunicação, ela procura realizar, em sociedade, o feedback de suas mensagens imprescindíveis à lógica e à ética da realidade referencial dos indivíduos na construção de suas cidadanias. Seus direitos e deveres democráticos. Seu ato de informar se realiza como alternância entre o in=dentro (saído dos encontros fora) com forma=imagem: combinações de códigos do sujeito produtivo. O homem poiético. O criador de si em comunalidade.

A OPINIÃO PÚBLICA

Opinião salta da palavra grega Doxa. Como enunciado político, opinião é um comentário sobre um fato, objeto ou idéia nascido da práxis social dos indivíduos quando da construção de sua realidade histórica. Carrega como elementos opinantes uma força intelectiva. Algumas vezes ocultada pela imaginação. O que faz com que o fato, o objeto e a idéia não sejam atingidas como conhecimento. Entretanto, a opinião sempre sai de um processual coletivo. Jamais individual. Mesmo quando se mostra apenas como um enunciado imaginativo, força um desdobramento cognitivo como inteligência coletiva. As sociedades em suas multiplicidades produtivas tecem e movimentam suas próprias opiniões singulares. Daí se encontrar as variações de realidades expressadas nos juízos saídos das experiências destas sociedades. Já pública salta do latim publicus como enunciado político a potência de si, por si, para si. A potência democrática. Encontro das potências liberdades individuais voltadas à produção do Código Civil. A constituição dos direitos e deveres socializados como cidadania. A comunalidade. Daí a máxima: o que é comum em todos. Comum porque sai, é produzido e endereçado a todos. De sorte que aquele que se apossa do público é alienado a esse público. Portanto, um corrompido.

A MÍDIA SEQÜELADA

É possível situar a mídia brasileira nestes dois enunciados? Com toda boa vontade, não. Ela não é uma instância social portadora de códigos comunicacionais atuantes como disciplina cívica. Ela não processa elementos educacionais como auxiliares à produção de cidadania. Ela não compõe o público potência/comunalidade. Ela está para ele como alienação, corrompida, seqüelada. Seqüelada não porque sofreu a ação de um agente patogênico que lhe alterou a essência. Não. É seqüelada por se tratar de uma tara democrática. Seqüelada perceptiva, congnitivamente não vê o fora. Existe em suas dores. Sempre foi assim. Sua pathobiografia, sempre contrária ao público, confirma seu espírito seqüelado. Seu corpo/fonte constitui-se de agentes teratológicos emissores de aberrações opiniáticas dirigidas ao controle do receptor. Monstros sádicos/persecutórios cuja principal missão é impedir que a mensagem teratológica seja decodificada para a fantasia catastrófica continuar prevalecendo. Daí o abuso do significante/ecolálico em seus enunciados sonoros/imagéticos/gráficos. O discurso da imobilidade. Tudo muito bem planejado por uma engenharia psicótica. Por isso, sempre persegue metodicamente um personagem cujos desejos coletivos confluem. JK, Jango, agora Lula. Teratologizar Lula para enfraquecer os desejos coletivos é seu delírio maior. Seu delírio capitalista de mercado. Mas não consegue. Congregam-se em orações Mainardi, Reinaldo, Jabour, Clóvis Rossi, Noblat, Cony, Mitre, Catanhêde, Leitão, Jô, Hipólito, Josias… E nada. Transfigura imagens, clama aos raios e trovões… Nada. É impossível uma subjetividade imobilizada no infantilismo da superstição aprisionada teratologicamente por monstros nazi/fascistas refletir a opinião pública. É impossível uma mídia paralisada por sua seqüela cultuada compulsivamente alcançar o movimento produtivo da opinião pública. Então, só lhe resta os mimos monstruosos. Quis ser Mercúrio, mensageiro dos deuses, sem suspeitar que os deuses têm seus caprichos. Agora paga a ousadia de querer usurpar um trono para ser tomada como uma deusa da sensibilidade e sapiência. Glória da ignorância.

ENUNCIAÇÕES DAS ESQUERDAS DE MANAUS

Muitos equívocos os homens cometem seduzidos pelos signos lingüísticos. Tomam os enunciados pelo objeto, crendo ter alcançado seus corpos perceptivo ou intelectivo. Forjam existências, crentes em uma realidade irrefutável. Por elas lutam e morrem, mas nunca suspeitam do imaginativo/lingüístico. Definem-se como identidade inalterável. A identidade sem experiência do real que enunciam. Assim, definiram-se esquerda. Uma definição sem atuação. Não se é apanhado em uma experiência transformadora, mas por uma superstição lingüística. Brada-se: “Sou da esquerda!”. Nos últimos estertores da ditadura, aqui em Manaus, aconteceu muito disso. Muitos esquerdas resíduos castradores familiais. Ódio/amor pai/pastor/mãe complacente/marimacho projetados aleatoriamente. Como diria o filósofo Deleuze: muitos falsos drogados, falsos esquizofrênicos, falsos rebeldes escritores, atores, pintores…, tudo sem exame do real. A maior parte emergidos no fim de 70, quando ninguém era mais preso, e 80, menos ainda. Hoje, estabelecidos, continuam não suspeitando de sua esquerda. Não pensa direita e esquerda com Deleuze como percepção/ponto. A direita como um cartão postal. Parte de casa, chega a rua, o bairro, a cidade, o país, o mundo. Se tudo corre bem para si, lutará para assim permanecer: em sua casa cartão postal. A esquerda percebe no ponto/ horizonte. Caminha do distante periférico para a casa. Primeiro pensa o mundo fora. Lá no ponto/horizonte onde as políticas não chegaram. Lá onde não há vaidade e segurança burguesa, o que é próprio da direita. Muitos desses esquerdas são deleuzianamente direita. Eis porque é impossível as transformações pensadas por Marx acontecerem por aqui. Aqui brincou-se e brinca-se de esquerda. Até governantes direitas gostam de brincar de esquerda.

Pois bem, a razão deste esquerdismo enunciatório, deve-se ao comentário enviado a este bloguinho intempestivo pela filósofa, educadora e amiga Humsilka Amorim. Em seu comentário ela trata de um texto publicado por nós em maio com o título Parla! Parla! Lamento, onde examinamos os juízos do deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB-AM), sobre os pronunciamentos do deputado federal Francisco Praciano (PT-AM) quanto à adesão do comunista ao governo de Eduardo Braga, um direita apresentado pelos direitas Amazonino e Gilberto Mestrinho, ex-governadores, e sua afirmação de ser o criador da esquerda no Amazonas. A filósofa, em seu comentário, rebate a afirmação do comunista e lista os nomes, para ela, atuantes na construção da esquerda amazonense. Para que nossos amigos blogueiros, principalmente os que ainda não leram, fiquem inteirados do texto, republicamos no afinsophia.blog.com e publicamos no afinsophia.wordpress.com. Assim como também o texto da filósofa…

Nietzsche diz que as ações dos homens são valorações apresentadas de duas formas: adotadas e refletidas. As primeiras, em maior quantidade, são transportadas na infância e conservadas na vida adulta. Negação do atual. A segunda, bem menor, é atualizada racionalmente na vida adulta. Embora ambas sejam antagônicas, nas práticas sociais elas se confundem e são confundidas. A filosofia apresenta exemplos concretos. O filósofo alemão Heidegger, ao ser questionado por sua participação como reitor no governo nazista de Hitler, se defendeu dizendo que cometera um erro. O filósofo francês Sartre, percebendo a armadilha lingüística/moral, defendeu-o, afirmando que o alemão cometera um equívoco. Erro e equívoco. O erro apresenta-se como efeito resultante de uma idéia adotada como única verdade possível em um território temporal. Uma estreiteza do pensamento. O equívoco, uma escolha variante em uma multiplicidade de idéias transportadoras de elementos virtuais imprevisíveis cuja atualização/futurante depende do entrelaçamento das variações das potências. No primeiro caso, a não realização apresenta um julgamento moral: sou culpado. No segundo, um convite a novos movimentos por outros territórios: idéias. Não há culpa. Há sempre um pensamento livre construtor. Pois bem (sem ser um bem), a ‘parla’ dos dois parlamentares, o camarada Eronildo Bezerra e o companheiro Francisco Praciano, no nosso humilde e restrito entendimento de manaura, é mais um lamento que fala dado o emaranhado de erros (auto-produzidos), em maior quantidade, e equívocos (menos importantes a ambos).

O camarada afirma — em cores sem o riso tese de Lênin, como via o filósofo Althusser e o humor de Marx que pertubava a burguesia — que construiu a esquerda do Amazonas pedra por pedra, tijolo por tijolo (cabe Chico Buarque: “Tijolo por tijolo num desenho lógico”. A lógica, uma criação do homem para tranqüilizar a consciência de quem teme o intempestivo). E os outros companheiros? Ricardo Parente, Sardinha, Rui Brito, Humsilka… Robinson Crusoe, solitário na ilha, cria seus objetos materiais tendo como referência sua memória-social, resultante de sua vivência coletiva. Mesmo a idéia de homem refletida em seu ‘caso’ Sexta-feira, se atualiza como coletiva. Confirma a história construída pelas forças sociais nos propósitos de Marx. O Eremita, solitário na floresta, diz ao Zaratustra de Nietzsche, que se recolheu por não suportar mais os homens. Todavia, continua pensando coletivo. Nada está posto só. Nenhum homem constrói sozinho. Mesmo ficção. O feito sozinho carrega a ilusão do Mito do Herói. Enunciação hercúlea. Um homem temeroso e esperançoso, diria o filósofo Spinoza. Nos mostram os norte-americanos: Homem-Aranha, 3000… Cristo, real e não metafísico, renegou. Desespero dos judeus. Poucos entendem. Em suas teses sobre Feuerbach, Marx, afirma que “o ser humano não é uma abstração inerente ao indivíduo isolado. Na sua realidade, o conjunto das relações sociais”. Marxistamente, infere-se que a propalada esquerda é uma mistificação.

A MORTE RONDA

O camarada lembra do perigo dos contestadores serem mortos. A última prisão no Brasil aconteceu em fins da década de 70: em Recife o ativista cristão Cajá. De lá para cá ficou por conta da nostálgica heroicidade. A truculência havia arrefecido lenta e gradualmente. Mesmo com os aparelhos de segurança ainda em função. Coisa que nenhum estado abdica. E a maior parte dos homens, também. Entretanto, sejamos justos com a prisão do ator Greco, comemorada entusiasticamente depois de uma manifestação pela Amazônia na praça da matriz. Fim de 70 e começo de 80, ser preso era a glória. Correr da força policial local e se esconder no ICHL, entre a Major Gabriel e Emílio Moreira, era o bicho. Metamorfoseia-se até em fato histórico das lutas populares em livro didático. As passeatas consentidas, clamando, historicamente, ao já anêmico refrão (que afirmasse Vandré): “Quem sabe faz a hora…”. O revolucionário chavão: “O povo unido jamais será vencido!”. Se a repressa ainda tivesse força para prender, torturar, e matar teria feito. Nada segura a irracionalidade. Nem herói. A subjetividade era outra. Lembremos João Batista de Figueiredo. Mesmo pedindo que o esquecesse. Nos parece que o camarada toma sua história como uma moralidade própria para comparar como superioridade sobre outras. Como um status de engajamento esquerdista chega a dar ordem ao companheiro para que ele deixe o PT, lembrando o tempo da ditadura com o seu: “Brasil, ame-o ou deixe-o!”. Ingenuidade duas vezes: a história de um homem só diz a ele: não serve para comparação com outras — são suas partículas corporais e incorporais que o conduzem ao ser social. As comparações de currículos nos remete ao patriarcalismo-fálico freudiano, com sua teoria da rivalidade genital em grande parte dos homens: todo homem é meu rival sexual. Por fim, tudo que aconteceu com um homem, como afirma Sartre, está tematizado. Não conta mais. O que conta são suas atualizações nos movimentos intensivos presente/futuro.

FRAGMENTAÇÃO DO MATERIALISMO

Se no caso não contar, contemos, pois, sobre o argumento crítico do camarada para defender sua participação e de seu partido no governo estadual (municipal também), com o camarada Lênin, em seu artigo de 1901, Por Onde Começar, quando se refere a situação semelhante dos comunistas amazonenses como “praticismo estreito”. Ou quando, em Que Fazer?, se opõe à crítica socialista daquele momento muito parecida com a hodierna: “Aqueles que não fecham os olhos, deliberadamente, não podem deixar de ver que a nova tendência “critica” no socialismo nada mais é que uma nova variedade do oportunismo”. Nos parece saltar do argumento um empirocriticismo e um neokantismo: puro Idealismo. Mistificação teocrática. Nada de Materialismo Histórico e Materialismo Dialético. Se Marx diz na Ideologia Alemã que “as circunstâncias moldam os homens, do mesmo modo que os homens moldam as circunstância”, até onde poderemos acreditar que os comunistas amazonenses moldarão o governo que servem sem o materialismo? Se mostrarão, no poder,os problemas que a direita procura sempre esconder(Deleuze). Ainda mais quando o camarada promete falar sobre o governo no devido tempo.

DA IGUALDADE CAMARADA E COMPANHEIRO

A igualdade não existe, mas como abstração, sim. Portanto… O camarada e o companheiro em dois momentos se mostram iguais. I–Momento: Quando falam de esquerda tomam como posição o conceito topos-anatômico-realeza: a esquerda do Rei. Não percebem que a esquerda faz parte do corpo possuidor da direita. Conjunção de partes-totalidade: a esquerda está ligada à direita. Faz até carinho. Unidade corporal. Daí a confusão: O que é esquerda? O que é direita? Não tomam o conceito do filósofo Deleuze, para quem esquerda é uma questão de percepção horizontal: o que encontra-se distante de mim. O que me compromete com o Outro em uma linha periférica, me obrigando ao contínuo movimento deviriano como potência de ser. Direita, a territorialidade imóvel: o que está em mim sem o Outro. Minha alienação. Meu Em-Si: nada me escapa, nada me sopra. Os meus quereres: prepotência, ambição, vaidade, egolatria, preconceito, reacionarismo, reconhecimento, capachismo, subserviência arrivista…

Fixado no conceito topos-anatômico-realeza, o companheiro afirma que as esquerdas estão ganhando espaço no Amazonas. Temos deputado, senador… A eleição de alguém está ligada à opinião valorativa do eleitor. O eleito foi Alfredo, não João Pedro. Como se diz: ele está senador por cortesia da lei eleitoral. Mas se dissermos que o ministro Alfredo é esquerda? Bem, aí o senador João Pedro é esquerda expansiva. Se um corpo rígido e o Manifesto Comunista no sovaco não faz o esquerda, pelo menos uma enunciação faz. II-Momento: Quando conceituam o talento de Márcio Souza. Em homenagem na Assembléia ao ex-membro do governo Fernando Henrique, o camarada considera sua literatura simples, fácil, de bom agrado. Inteligente. Se acredita analista literário por ser um privilegiado: ter lido mais de mil livros. Não se lê um livro, nem mil. Um livro é um devir-afeto não quantificado. Escapa como intensidade indivisível. Quando quantificado é um conglomerado de enunciados sobrecodificados do discurso da semiótica dominante. Envolvido em seus conceitos reconhecedores, não percebe que um escritor, como fala Foucault, escreve para perder o rosto. Não para ser reconhecido. Se perder nas hecceidades intempestivas, impessoais, nas zonas de indiscernibilidade. O que transforma o mundo. Ou Deleuze: “Todo escritor é uma sombra… Não pode haver narcisismo de uma sombra”. A melancolia do ritual acadêmico e as lágrimas do acadêmico ritualizado imortal. O rosto é do burguês. Um significante ecolálico. Uma vaidade capitalista. Uma estratégia de pôr o já posto. Vide: Paulo Coelho. Falar das massas, só com romantismo europeu. Nada de corte. Nada de ruptura. Só a glória desnarcisada. Lawrence, Beckett, Kafka não tinham rosto: não eram escritores. O companheiro, ufanista, pede que a Câmara Municipal outorgue um prêmio ao talentoso ajuricabano, por seu sucesso na Globo. Petistas enciumados protestam. Mas o companheiro tem razão: um escritor rostificado é para TV. Território nobre da dolência existencial. Ponto central das celebridades do Show voyeur do espectro possessão da mente. A crueldade inútil, para o cineasta Rossellini.

No mais, observando de longe nossas esquerdas diáfanas, respeitamos o que elas tomam como suas posições, pois compactuamos com Brecht: Todo homem se sente melhor em sua própria pele.


O TEXTO DA FILÓSOFA

Camaradas e companheiros que construiram a esquerda em Manaus através do movimento estudantil nuniversitário e secundarista: Francisco Wilmar (Autor de 3 Manifestos Socialitas, visando combater a ditadura militar e fazer a revolução), Jorge e Ivanete Machado (atuação política no sindicato dos jornalistas e no CREA/Arquitetura-Secretaria de Estado, que fez o projeto da nova Ponta Negra), Lilian Farias e Cristina Tolentino (titulares na EBN e Faculdade de Medicina-Diretório Acadêmico), Nestor Nascimento (líder do MOAM-Movimento Alma Negra), Guto Rodrigues e Orlando Farias (atuação no sindicato dos bancários e dos jornalistas), Laerte Aguiar (advocacia e magistério), Humsilka Amorim (Voz da Unidade e Dirigente do Comitê do PCB/Amazonas), Lúcia Cordeiro (atuação no sindicato dos jornalistas).

Outros: Nonato Pereira, Luiza Garnelo, Xisto, Ana, Dayse.

Secundaristas: Marivon, Marinelson, Pai da Mata, Carril, Pinto, Mara…

Companheiros: Marco Aurélio, Luis Marreiro, Marcos José, Ricardo Parente, Maciel, Beckinha, etc…
Vale um artigo sobre a construção da esquerda em Manaus, vale incrementar uma cultura oposicionista, vale relembrar velhos amigos.

Obrigada,

Humsilka Amorim – Filósofa e Professora

MANAUS: UM PASSEIO PELA NÃO-CIDADE

SAÚDE MENTAL

Um Olhar Sobre o Território Segmentado de Manaus

Diz-se, a repeito do Estado do Amazonas e sua capital, Manaus, que ficam numa região geográfica isolada por vias terrestres do restante do Brasil, pela Floresta Amazônica, patrimônio da Humanidade, segundo a ONU. Esta região sempre sofreu, de acordo com o discurso oficial, diversas limitações em termos de expansão territorial e econômica devido à preocupação com a preservação deste patrimônio natural . A partir da segunda metade do século XX, com a decadência do chamado ciclo da borracha, a região caiu num declínio econômico, do qual somente sairia, supostamente, com a criação da Zona Franca de Manaus, em 1967. Embora saibamos de todos os furos deste entendimento sobre o quadro econômico da região, esta é, em linhas gerais, a versão ainda aceita por alguns estudiosos e pela quase totalidade da classe constituinte dos poderes governamentais locais. A partir daí é possível compor um quadro que carrega algumas compreensões sobre a condição da saúde mental no Amazonas.

Uma compreensão: este conceito de economia, de estagnação, é próprio da subjetivação capitalista, e tem por objetivo consolidar o modelo econômico de relações que, num país em desenvolvimento como o Brasil, ainda carece de certas estruturas. Fica, portanto, a região amazônica, neste contexto de expansão do modelo de economia industrial, como uma região de dependência de outras áreas, conforme pode se verificar no quadro acima exposto. Dependência econômica, no capitalismo, significa ser ao mesmo tempo consumidor dos produtos industrializados de ponta, e fornecedor de mão-de-obra barata. Evidentemente que as relações não são apenas materiais, mas ultrapassam este domínio. Portanto, significa estabelecer uma estratégia de dominação onde esta relação de dependência se consolide nas mais diversas áreas da convivência humana. Manaus passou a ser um centro importador não só de gêneros alimentícios, mas de um modo de existência típico de setores mais avançados da economia capitalística. Importação de bens materiais, de enunciados, de ressentimentos.

Outra compreensão: uma das conseqüências mais mortíferas deste modo de produção de existência é que, a partir do processo de anulação das potências afetivas e de ação das pessoas, impede-se a construção de outras formas de subjetivação, e esta imposição discursiva-corpórea que se constitui como “única verdade” faz com que os corpos adoeçam, com que os afetos arrefeçam. Existir num quadro em que o corpo esteja preso a limitações estéticas e que os afetos sejam impedidos de se constituir como composições positivas é uma violência, e deixa suas marcas, seja nas inúmeras patologias que acometem o corpo (as doenças da modernidade), seja na tentativa de capturação dos fluxos revolucionários pelos enunciados normatizadores da Psiquiatria e da Psicologia, ou seja, a chamada doença mental.

A partir destas duas compreensões, é possível apontar dois processos que estão intimamente ligados à questão da saúde mental em Manaus.

Migração e Subjetivação. A ilusão de incremento econômico que a ZFM engendrou, trouxe também o processo de incentivo à migração (patrocinado pela farta propaganda veiculada pela classe parlamentar amazonense, principalmente nos últimos 25 anos, visando manter-se nos cargos eleitorais mais propícios à apropriação de recursos financeiros), sobretudo de cidades do interior de estados como Maranhão, Pará e Ceará. Estas pessoas carregam dos seus locais de origem formas de existir e de se relacionar com o outro e com as coisas. Isto se modifica profundamente quando da chegada à Manaus, e toma-se consciência do engano: terão de lidar com uma miséria ainda maior do que a de onde saíram (pois muitos venderam tudo o que tinham e gastaram suas economias na viagem), com o desemprego, com a fome, com a ausência de solidariedade, com uma situação inversa à toda propaganda governamental e de consumo que é veiculada nos meios de mediatização. O desespero surge como conseqüência do engano e da ausência de perspectivas que atinge a maciça maioria dos migrantes. Esta condição torna o terreno fértil para a proliferação do alcoolismo, da exploração pelas igrejas apocalípticas e da violência-ressentimento principalmente da juventude sem perspectivas. Processo semelhante ocorre em outras cidades e até outros países, como pudemos verificar recentemente na França, com o enfoque que recebeu da mídia o revide dos imigrantes, em sua maioria africana e do leste europeu, à constante violência e restrição que sofrem da sociedade e do governo francês. Tanto lá quanto cá, os representantes do governo constituído nada compreenderam, e respondem como de costume: mais violência.

Enunciados da Dependência. A atuação dos governos nos últimos 25 anos principalmente tem contribuído em muito para a proliferação desta subjetivação criadora de enfermidades do corpo e do existir. As políticas implementadas nas mais diversas áreas tem por interesse muito menos o desenvolvimento de lideranças e comunidades autônomas e capazes de compreender, discutir e resolver seus problemas do que engendrar a mercadorização dos serviços públicos e incentivar a concentração de renda. Na saúde, a absoluta falta de investimentos por parte dos órgãos competentes, a mudez e a paralisia política das classes profissionais envolvidas no processo (e que muitas vezes preferem mesmo a mudez, pois que mais ganham em termos de recursos financeiros com a falência da saúde pública), criam um estado de miserabilidade que em nada tem de comum com a propaganda oficial. Na educação, o sucateamento das estruturas, a adoção de uma concepção de educação tecnicizante, excludente do pensamento e da criatividade, adoradora da repetição e da obediência cega, subserviente aos melindres do mercado de trabalho, que infelizmente é compartilhada conscientemente ou não pela maioria da classe técnica e docente (formada numa universidade que aceita e dissemina esta mesma definição de educação, incapaz de compreender sua própria condição, que dirá promover uma ampliação do entendimento com a sociedade), e que tem como conseqüência a transformação das escolas em locais de expiação e humilhação. Nas assim chamada Cultura, a fomentação de uma classe de técnicos – que não são artistas – subalternos de uma visão segregadora e elitista (e em Manaus existe elite?) – que privilegia alguns, usando como critério a bajulação, o clientelismo, o nepotismo, ignorando que um artista é um agenciador de fluxos revolucionários, de afectos e perceptos, e que a arte deveria ser um devir comunitário. Na assistência social, promovendo o assistencialismo que fortalece a dependência e a baixa auto-estima, fomentando programas de atendimento aos chamados excluídos que não ouve, não vê e não compreende o quadro social em que vive e trabalha, aliado à psicologia, psiquiatria e outras áreas da saúde mental com a mesma perspectiva de controle social. Enfim, utilizando os mecanismos governamentais para fortalecer essa subjetivação da dependência, característica de um modo de produção pautado no discurso vazio. A própria compreensão sobre o que vem a ser a floresta, seja sob a perspectiva do turismo, seja a do protecionismo, a da maioria das ONG´s ecológicas, e a mesma concepção: entendem a floresta como uma abstração, um enunciado significante desprovido de materialidade. Resumem-se a repetir o discurso capitalista, que vê a floresta como mercadoria e, mesmo quando procuram defender e preservar, é como mercadoria, como objeto de consumo que o fazem. Pouco ou nada aprenderam com os povos nativos que, à época da conquista do território ainda-não brasileiro, constituíam uma população de mais de um milhão de habitantes em relação ecosófica com a floresta, fazendo parte da mesma, num devir naturante.

Estratégias de Laminação: Saúde Produzindo Doença.

Pode a Saúde Mental aliar-se a governos que engendram enunciados produtores da doença mental? Em Manaus, parece que sim. A compreender todo este contexto, devemos ainda, infelizmente, somar um olhar psiquiátrico que ignora e pior, ajuda a compor este quadro de atraso epistemológico e decadência social na cidade. Todos os projetos que envolvem o uso do termo “saúde mental” na cidade de Manaus (e no Estado) estão intimamente ligados com a manutenção destas estratégias de laminação dos fluxos revolucionários, voluntariamente ou não, visto que em sua estrutura de implantação seguem o mesmo modelo desospitalizante, já explanado acima, desconsiderando todas as reflexões a respeito do processo de desinstitucionalização (ou ignorando-as, o que dá no mesmo). Acreditam que a pulverização dos serviços oferecidos no hospital psiquiátrico em células dispostas nas zonas geo-eleitorais é fazer a reforma psiquiátrica. Acreditam que se unir aos governantes que produzem a subjetividade laminadora é fazer a revolução. Pior, ignora-se a diferença entre as estruturas físicas do hospital e as estruturas semióticas da instituição (confunde-se “vamos desmontar a Psiquiatria” com o “vamos desmontar o hospital”), demonstrando uma certa falta de élan perceptivo-racional ao ignorarem que as grandes modificações na estrutura epistemológica da Psiquiatria ocorreram, em sua maioria, dentro dos hospitais psiquiátricos, e que era todo o tempo de uma transformação das consciências e das atitudes que se falava, e não das estruturas físicas e/ou do engodo burocrático. O entendimento oficial seja do governo, seja das instituições responsáveis por esta discussão, oscila entre o silêncio reacionário (de que nos falava Sartre) e a repetição atabalhoada de enunciados e discursos não-examinados e por isso mesmo em desconformidade com uma idéia de Reforma Institucional.

Enquanto este delírio impõe seus tentáculos nos diversos locais de atuação e discussão, transformando em discussões epistemologicamente características do pensamento mágico infantilizado (do tipo “este hospital é meu”, “eu sou o herói disso-e-daquilo”), enquanto não se for capaz de produzir saberes e afetos não comprometidos com a manutenção deste quadro social adoecido-adoecedor, enquanto não se perceber que a Reforma Institucional é Ético-Estética e Política, mais do que segmentaria, e que deve envolver a todas as pessoas politicamente conscientes das suas potências criadoras, modificando assim o entendimento sobre o conceito de saúde mental, pouco se poderá fazer para mudar este quadro.

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# “Ai! Perdi as forças!”, gritou e desabou a Laurinda, depois de mandar ver na Parada GLST. Até agora está dormindo como uma deusa grega. Nem sei se as deusas gregas dormiam. Acho que deusas não dormem. O certo (ou incerto?) é que a festança foi boa para quem acredita na livre expressão de cada um. Entretanto, em acontecimentos como estes sempre ocorre de se manifestar alguns percalços. Por exemplo, os organizadores permitirem corpos alienados buscarem evidências, como no caso dos parlamentares. Tá na cara que só estão em busca de aceitação eleitoral. Os GLST não precisam de madrinha. Isto fica parecido com torneio de pelada. Quem é a madrinha do torneio? As meninas e os meninos têm se tornar a causa mais politizada para não ficar com este rosto de mendicância que só serve aos aproveitadores. Bicha não é coitadinha. Na verdade, bicha nem é bicha. Bicha é deboche. Antes da bicha existe a singularidade de pessoa. Não pode se colocar sempre como alienado político/social. Ir à luta, mas com cientificidade social. Só assim a exclusão enfraquece e desaparece. Nesta segundona não há lugar para TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual.

# O senador Cristovam Buarque discursa no Senado sobre educação, desapreciando, ainda no seu interminável ressentimento, a política educacional do governo Lula. Entre muitas acusações, afirma que as escolas deveriam eleger seus diretores. O senador Jefferson Péres pede um aparte e afirma que em Manaus o prefeito realizou este ato. Os diretores das escolas do município foram escolhidos em seleção, acabando com o velho vício do clientelismo e dependência política em que os diretores eram escolhidos de acordo com o interesse dos políticos. Que bonitinho, o senador! Que bonitinho o paladino da moral! Só que o bonitinho esqueceu de falar do real atual. A seleção foi só uma péssima encenação para mostrar para os inimigos políticos, tipo ex-prefeito e governador Amazonino, que agora a coisa era séria. Hoje a SEMED é um universo de perseguição com funcionários e professores temerosos. Sem falar dos muitos diretores que foram demitidos por não concordarem com a administração Ciryno e família. O velho clientelismo e os privilégios dos apaniguados estão a todo vapor no telúrico batelão das negociatas. Bonitinho, procure conhecer Manaus.

# “O Futuro será melhor”. Diz o outdoor do candidato a prefeito, ex-prefeito e ex-governador Amazonino. A Licinha pirou. Ou melhor, destrambelhou metafisicamente e ficou analisando o enunciado e inquirindo a todos. A enunciação teológica é: “O futuro a Deus pertence”. Só Deus é Senhor dos tempos. O antes, o agora e o depois. Só ele é onisciente para saber o conteúdo do infinito. Só ele é onipresente para está em todos os tempos: está no futuro vivendo o que já se encontra ocorrendo. Emperiquitada metafísica/politicamente, ela perguntou se o Amazonino é Deus. Ou se já era quando foi prefeito e governador. Como Deus, em sua onisciência sabe tudo e pode fazer o melhor. Se era, porque não fez Manaus a melhor cidade do mundo e o Amazonas, também, o melhor estado do mundo? Pelo resultado das obras, não era. Manaus e o Amazonas existem pessimamente. Então, se não era e como agora afirma que o futuro será melhor, é porque ele nesse período em que esteve distante das governanças ele encontrou o dom divino. Sendo assim, ele não é mais humano. E não sendo humano não pode se candidatar, pois de acordo com nossas leis, eleições são com os humanos. Daí que não sendo mais candidato, e detendo o dom da premonição, ou da futuração: o futuro será melhor, ele vai ter que se haver com os outros candidatos que lhe vão querer como aliado. Ele poderá ensinar como o futuro ser melhor. Bem que Manaus está precisando urgentemente.

        Assim é que não canso do rock

                    Porque não fui de reboque

                                Muito menos fiquei parada

                                            Por isso estou ressaqueada

                                                        Mas se tiver quem me convoque…

Beijos e Abraços Vertebrais!

PARADA GAY MANAUS: APESAR DA FESTIVIDADE, AINDA NÃO HÁ UM CORPO POLÍTICO

Clique aqui para acessar a PARADA GAY MANAUS 2008.

Clique nas foto para ampliá-las

Um arraso a VII PARADA GLBTT MANAUS 2007! “DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA PRA TODOS”. O arco-íris estava lindo. As bichas, todas montadas. Veio gente de tudo o que é lugar do Brasil, dos interiores do Amazonas e de Manô a participação foi maravilhosa, vindo gente de todas as zonas, de todas as idades, para se movimentaram nessa festa de cores e liberação do corpo e da alma. Ao todo devem ter participado quase 200 mil pessoas entre homoeróticos, gays, lésbicas, trans, travestis, heteros, simpatizantes, desvelados, descobrindo-se, encontrando-se, um verdadeiro pansexualismo. O que não vale é ficar enrustido, segurando no pescoço o machismo.

Apesar de toda essa borbulhança, diferente de outras Paradas Gays pelo Brasil, houve uma apropriação eleitoreira de certos parlamentares, os quais não têm nenhum entendimento do corpo enquanto potência atuante no mundo, e, mesmo com sua presença física, em suas ações percebe-se que comparecem apenas folcloricamente ou por encontrarem no número de participantes do evento uma caixa de ressonância eleitoreira, como o vereador Braz Silva, o primeiro a discursar sobre o carro de som. Outro destes carros trazia um imenso banner da vereadora Conceição Sampaio e um outro vinha fazendo uma campanha aberta ao vice-governador prefeiturável Omar Aziz. Finalmente, a vereadora Glória Carrate, além de ser posta como madrinha do evento, foi praticamente quem deu início oficial à Parada. É claro que essa atitude aproveitadora dá-se somente porque existe em Manaus a falta de organizações politicamente constituídas no entendimento do homoerotismo como uma luta pela liberdade de minorias oprimidas – não é uma questão de número, mas de posição de discurso – e não um servilismo, em decorrência de aquisições físicas estruturais, aos grupos dominantes. O oportunismo de uns com o servilismo de outros funda uma tirania que dificultará uma tomada de posição político-cidadã independente da opção sexual de quem quer que seja. As organizações GLBTT não podem cair nessa barganha-chantagem desses parlamentares parasitários.

Mas, por outro lado, havia também entidades ligadas às questões de liberdade sexual, direitos humanos e estudantis. E foi nessa que as doidas da AFIN se envolveram lá numa conversa com umas amigas da Movimentação Anarquista Organizada, que deram um toque fundamental:

VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICA HOMOFOBIA? Homofobia é o preconceito contra aqueles que amam pessoas do mesmo sexo. É o preconceito contra pessoas que têm sentimentos, anseios, necessidades e esperanças como qualquer outro ser humano. O que há de errado nisso? Nada! Não devem existir regras para o amor. Ele deve seguir apenas o respeito e a liberdade”.
E assim o som continuou, e as performances cada vez mais belíssimas, esplêndidas até que a madrugada se vá com o sol que, tal qual o arco-íris, também é gay. Aliás, como afirmamos sempre aqui nesse bloguinho intempestivo, o mundo é gay. O movimento GLBTT, portanto, tem de seguir em todos os dias do ano, em todos os cantos do planeta enquanto uma alegria intensiva liberadora da vida em todos os sentidos, em toda sua potência.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ GARRINCHA, DEVIR-PERNA TORTA. Há dois tipos de acontecimento. Um é um equívoco da inteligência, quando trabalha apenas com o visível e o perceptível, e não percebe que o que se passa para além disso é muito maior e mais intenso. O acontecimento real, aquele que carrega elementos materiais e imateriais de transformação, acontece no movimento. Não o físico, perceptível, mas aquele que só se percebe quando aconteceu, não se deixa capturar, escapa, transborda. Garrincha foi um acontecimento. Uma hecceidade, individuação sem sujeito, um acontecimento. Algo passou nele, que passa em todo mundo – há milhões de jogadores de futebol, sempre o houve – mas quando esse ‘algo’ passou pelo corpo-mané, foi modificado. Uma ruptura se deu, um devir passou, e Garrincha apareceu. Os grandes jogadores entraram para a história. Garrincha passou. É que a história tem sua linguagem, e como toda linguagem, captura, seleciona, exclui e conta algo que em sua formatação se pretende neutro, mas que faz parte – Foucault já o sabia – das relações de força. Garrincha foi incapturável. O futebol, quando jogo e não entretenimento, faz parte da condição existencial do ser humano. Homens se fazendo livres criando entre si regras para com-viver. Garrincha transbordou as regras do jogo. O campo desaparecia, o espaço se alterava, Mané provava com os pés a ineficácia da teoria da relatividade Einsteniana, antecipando a física quântica. Onde está Mané? “Só dribla para a direita”, diziam os técnicos europeus. O drible é sempre o mesmo, o zagueiro já sabe pra onde ele vai puxar, sempre para o mesmo lugar, o mesmo movimento, e mesmo assim ninguém pega, não há como se antecipar. A perfeição do drible é criar outros espaços, só Mané e Maradona sacaram essa. Por isso, Mané subverteu o futebol. Criou um outro, a partir de si, na impessoalidade do movimento incapturável do Ser. O futebol de Garrincha não é o mesmo de Pelé. Por isso, Pelé pode ser comparado, Garrincha não.

 

Mané Botafogo

Primeira Garrinchada: Mané entorta o conceito de corpo – “era um pobre resto de fome e de poliomielite, burro e manco, com o cérebro infantil, uma coluna vertebral em S e duas pernas tortas para o mesmo lado”, descreve Eduardo Galeano. “Nunca houve um ponta-direita como ele”, completa. Como pode um corpo inútil e improdutivo fazer o que faz Garrincha? É que ninguém sabe do que um corpo é capaz, até que ele mostre, espinozianiza com as pernas o Mané Filosofante.

Segunda Garrinchada: Mané entorta as regras do jogo – contam que num jogo contra a Alemanha, amistoso preparatório para a Copa de 1962 (se esta coluna não se engana), Mané driblou o time inteiro, e parou a bola sobre a linha do gol. O técnico brasileiro, desesperado, pediu que arrematasse. Ele retirou a bola, voltou à entrada da área, e driblou de novo, toda a zaga alemã. O técnico esbravejou, ameaçou tirar Mané do time, acusando-o de irresponsável. Semanas depois, no Chile, Mané ganharia o mundial, quase sozinho, assombrando o mundo. É que o jogo só é jogo quando são os homens livremente que o fazem, e o homem só é verdadeiramente homem quando joga, sartreaniza o Existencialista Mané.

Terceira Garrinchada: Mané entorta as certezas do mundo – toda história e crônica sobre Mané quase que invariavelmente termina com a lição moral: ‘foi derrotado pelo álcool’, ‘irresponsável, gênio, inconsequente’, ‘não soube administrar o sucesso’. Mané não cabia na pequenez do mundo, procurava pelo inperceptível, só o invisível é que lhe servia, com a bola, com o copo, com os lábios da morena, Mané “limava pacientemente o muro”, para, como Van Gogh, descobrir o que havia pode detrás. “Furava o guarda-chuva, para que os raios do sol pudessem passar”, como fez D. H. Lawrence. Talvez tivesse sido um atleta, não fizesse o que fez. Garrincha jamais soube o que era ser um atleta, menos ainda o que era ser sucesso. Não lhe interessava. ‘É que eu vi demais, entendi demais, muito para que este corpo suportasse, por isso minha saúde sempre foi pequena, como a dos filósofos’, deleuzeaniza a Hecceidade Mané.

No futebol atual, que deixou de ser jogo para ser entretenimento, existe cada vez menos espaço para que homens, no uso de sua liberdade, talento e potência criadora, possam criar para além do óbvio aquilo que tornou o futebol uma comunalidade: o devir. Mané, que foi acontecimento, não tem aniversário. Tem data comemorativa. 28 de outubro, data do acontecimento devir-perna torta, vulgo Mané Garrincha.

Θ GOL DE GARRINCHA: Foi em 1958, na Itália. A seleção do Brasil jogava contra o Fiorentina, a caminho do mundial da Suécia. GarrinchaEm ação! invadiu a área, deixou um beque sentado, e se livrou de outro, e de outro. Quando já tinha enganado até o goleiro, descobriu que havia um jogador na linha do gol: Garrincha fez que sim, fez que não, fez de conta que chutava no ângulo, e o pobre coitado bateu com o nariz na trave. Então, o arqueiro tornou a incomodar. Garrincha meteu-lhe a bola entre as pernas e entrou no arco. Depois, com a bola debaixo do braço, voltou lentamente ao campo. Caminhava olhando para o chão. Chaplin em câmara lenta, como que pedindo desculpas por aquele gol, que levantou a cidade de Florença inteira” (Eduardo Galeano, Futebol ao Sol e à Sombra)

Θ BRIGA NO EX-CLUBE DOS 13: Reportagem desta semana na revista Carta Capital, assinada pela excelente Phydia de Athayde, mostra os bastidores de reunião do chamado Clube dos 13 (na verdade com 20 integrantes), que relata o racha entre dirigentes. Alguns, interessados no atual regime de cotas de transmissão capitaneado pela Globotária, que submete os clubes a risíveis proventos diante do valor de mercado das respectivas marcas, e outros, que preferem um modelo de gestão mais próximo dos clubes ingleses, que negociam diretamente com as emissoras de TV seus jogos. Será que vão defender também o grau de profissionalismo do futebol inglês, modelo de futebol entretenimento, e que mesmo assim não escapa da sanha especulativa de milionários que tem comprado os clubes um a um? A disputa também envolve uma proposta da rede Record pelo campeonato brasileiro de 2009. A rede teria oferecido pelo menos o dobro do que paga a Globotária, e mesmo assim o clube rejeitou. Excelente matéria de quem não foi sequelada pela limitação epistemológica que contamina a grande mídia esportiva.

Θ MARADONA DRIBLA NOVAMENTE a IER (imprensa epistemologicamente reduzida). Desta vez, em entrevista à colombiana RCN, El Diez toca mais uma vez na ferida que ninguém toca. “Caso tivesse abraçado Blatter, seria da família FIFA, mas seria um filho da puta. Estaria do lado de Pelé, de Platini e Beckenbauer. (…) Todos [eles] alcançaram lucro, mas isto é triste. Querem mais um na família, mas não me interessa”. Todos sabem que Maradona, além de inigualável em campo, também é ferrenho opositor do futebusiness fifático, que retira do jogo aquilo que ele tem de mais necessário à existência: a autonomia e a liberdade do homem. Maradona, como um psicólogo (nietzscheano, claro), com sua inteligência e independência, analisa os fatos, e escolhe ficar ao lado dos jogadores. Aproveitou e mandou um recado aos domesticados jogadores argentinos da seleção de Basile: “O problema é a falta de fome de glória. A fome de correr atrás da bola não morre nunca: é preciso respeitá-la”. Messi e Aguero têm muito o que aprender, dentro e fora das quatro linhas.

Θ APERTURA’07 URUGUAY: em sua 10ª fecha, os Rampla Juniors voltaram a liderar (22 pts). Defensor Sporting (20), Danubio (18), Wanderers (16) e Tacuarembó (15) completam os cinco primeiros. Resultados:

Danubio 2  X  2 Bella Vista

Tacuarembó 3  X  3 Central Español

Nacional 3  X  1 River Plate

Rampla Jrs 2  X  1 Juventud

Cerro Porteño 2  X  0 Miramar Misiones

Progreso 2  X  3 Wanderers

Liverpool 4  X  0 Fénix

Peñarol  X  Defensor Sporting (Adiado)

Θ APERTURA’07 CHILE: em sua 17ª jornada, o líder continua sendo o Audax Italiano, com 39 pontos, seguido pelo Universidad de Chile, com 35. O’Higgins (32), Colo Colo (30) e Cobresal (29) completam os cinco primeiros. Resultados:

Wanderers 0  X  4 Colo Colo

Deportivo Concepción 3  X  2 Palestino

Univ. Catolica 3  X  1 Puerto Montt

La Serena 1  X  1 Cobresal

Univ. Chile 2  X  1 Lota Schwager

Cobreloa 2  X  1 CD Everton

Huachipato 2  X  0 Univ. Concepción

Melipilla 4  X  0 Coquimbo

Nublense 4  X  0 Antofagasta

Audax Italiano 2  X  0 O’Higgins

Θ APERTURA’07 ARGENTINO: em virtude das eleições porteñas, donde foi eleita Cristina Kirchner, não houve neste final de semana rodada do Argentino.

Θ NACIONAIS EUROPEUS: Bundesliga: o líder Bayern de Munique visitou o Borussia Dortmund e empatou sem gols. Segundo colocado, o Hamburger SV foi até Duisburg e venceu o time local pela vantagem mínima. Werder Bremen, Karsruher e Schalke 04 completam os cinco primeiros. La Liga: o ainda líder Madrid venceu em casa o Deportivo de La Coruña por 3 a 1. O Barcelona venceu também em casa o Almería por 2 a 0. Villareal, Valência e Atlético de Madrid completam os cinco primeiros. Ligue 1: o líder Lyonaiss venceu fora de casa o Paris Saint-German, por 3 a 2. Com um jogo a menos, em segundo lugar, o Nancy empatou sem gols fora de casa com o Metz. Rennes, Bordeaux e Le Mans completam os cinco primeiros. Premier League: o líder Arsenal empatou em 1 gol com o Liverpool, na terra dos Beatles. Os red devils do United golearam o Middlesbrough por 4 a 1 em casa. Manchester City, Chelsea e Blackburn seguem. Serie A: líder do calcio, a Internazionale tropeça sem gols em Palermo contra o time da casa. Bom resultado para o Roma, que venceu o Milan berlusconiano e a torcida do histérico narrador da TV aberta brasileira (ai, Kaká, se você soubesse…) por 1 a 0 e segura um segundo lugar. Fiorentina, Juventus e Udinese completam. BWIN Liga: o líder Porto FC joga amanhã contra o Leixões, em casa. O Benfica, com a ajuda do ganês-americano Adu, venceu o Marítimo por 2 a 1, e segue em segundo. Sporting, Guimarães e Marítimo completam os cinco primeiros.

Θ BRASILEIRÃO’07 já tem seu campeão (aliás, faz tempo): falta um ponto para o São Paulo efetivar o pentacampeonato nacional. Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Grêmio e até o Flamengo lutam por uma vaga na Libertadores. Resultados:

Cruzeiro 1  X  1 Atlético PR

Fluminense 1  X  1 Atlético MG

Santos 3  X  0 Goiás

América RN 0  X  1 Flamengo

Grêmio 4  X  3 Náutico

Sport Recife 1  X  2 São Paulo

Corinthians 2  X  1 Figueirense

Juventude 1  X  1 Botafogo

Paraná 1  X  0 Internacional

Vasco da Gama 2  X  2 Palmeiras

NEGLIGÊNCIA MÉDICO-HOSPITALAR ESTADUAL

Chegou até este bloguinho intempestivo a notícia de que um morador do município de Itacoatiara deu entrada no Hospital 28 de Agosto no dia 25 de outubro com a perna fraturada. Lá teria sido atendido por uma médica traumato-ortopedista. Esta após o atendimento lhe deu alta e encaminhamento para o Hospital Adriano Jorge e CEFRAM (Centro de Fraturas do Amazonas). Sem nada conhecer em Manaus o morador de Itacoatiara disse não saber onde as respectivas instituições ficavam e não tinha quem o acompanhasse. Foi então levado de ambulância até a rodoviária. De lá o metropolitano-itacoatiarense, sem saber a violência a qual foi submetido, posto que não teve seus direitos de cidadão esclarecidos por uma funcionária pública nem por um responsável pela instituição que lhe orientasse, pagou sua passagem e retornou ao município de Itacoatiara.

Tendo a fratura infeccionado, o itacoatiarense retornou a Manaus ontem. Foi atendido no Hospital João Lúcio, onde foi informado que sua fratura tinha se agravado devido aos cuidados inadequados que recebeu no momento que teria sido atendido pela primeira vez. Já no Hospital João Lúcio foi encaminhado para o Ambulatório Araújo Lima.

Casos como este não são isolados na Região Metropolitana de Manaus. Este bloguinho tem recebido e noticiado situações onde o serviço de saúde pública é percebido como não atendendo as necessidades da comunidade. Este bloguinho intempestivo se manterá informado. Enquanto isto o sindicato dos médicos está só a bailar…

LULA: UMA RESISTÊNCIA QUE SE FEZ BRASIL

Lula

Aniversarialmente, o que vale são os encontros, as experiências do existir, e aquilo que se produz. Quando a temporalidade cronos procura capturar a data para o uso de um consumo vazio – a festa, os presentes, as homenagens servis – então é ilustração da decadência, da submissão a um entendimento errôneo de passado. No entanto, quando se aproveita a data para contrair a memória, a fim de produzir no presente afectos e perceptos que carregam fluxos de alegria, então está valendo. Quando a existência é atravessada pelos acontecimentos, transbordando a inexistência do indivíduo, e a irrupção do fluxo vital, aí se pode falar em aniversário.

E é nessa onda-fluxo que este Bloguinho Intempestivo ilustra aqui algumas das muitas linhas existenciais-afetantes que atravessaram a existência do companheiro Inácio da Silva, feito ‘Lula’ no seu caminhar, ele, nascido como corpo bio-político em 27 de outubro de 1945, e milhões de outros Lulas e o Brasil todo, que não cabe na pequenez da direita.

Um não-lugar da Eternidade …uma linha cortava por baixo da crosta como um metal, um phylum, escapando do panóptico biônico do SNI e das garras de aço dos torturadores num movimento contínuo, imperceptível, agregando trabalhadores, filósofas, sindicalistas, educadores, estudantes, músicos, agricultores, metalúrgicos, uma multidão de territórios existenciais de potências singulares relacionadas numa vizinhança micropolítica, ativando uma Multiplicidade autônoma e dinâmica…

1989 …nessa zona de proximidade democrática, a Multiplicidade resolveu tomar partido como uma forma de defesa dos fortes, como diria Nietzsche — fortes porque constroem coisas, dizeres, afetos de resistência —, contra a representação massacrante. Em 89 o Movimento entrou bruscamente numa lentidão, diminuindo sua velocidade devido a um choque com o corpo mau da Mentira — mau não no sentido maniqueísta de bem/mal, mas no sentido spinozista como aquilo que diminui a potência de um corpo para agir no mundo. Mas, como diz Hannah Arendt, “uma mentira pode até ocultar uma verdade, mas jamais substituí-la”. E a verdade, pequena verdade autêntica das minorias excluídas se manifestou na linha que não se subordinou aos pontos segregadores do poder e prosseguiu…

1994 …na sua trajetória intensiva, muitos se chegaram a ela somente para fazer pose e gravar sua imagem miraculosa na fotografia, exibindo a toga e o anel como superação da foice e do serrote. Como no enunciado desvelador da sordidez cretina da “pirangação”, dito por um burguês no Encouraçado Potenkim, de Eisenstein, no momento em que explode a Revolução na Rússia: “Pérolas com os porcos”. E assim o Embuste saltou, gestalteanamente falando, do fundo rastejante para o primeiro plano a operar, como mágico a iludir, a prestidigitação fantasiosa; não conseguindo anular, contudo, no plano do real, o olhar desinfantilizador e o gesto desmistificante operados pela Multiplicidade afetiva desejante aos seus truques de charlatão…

1998 …desmascarado, o Embuste endureceu ainda mais na Tirania desesperada de perpetuação elitista: primeiro rasgaram-se as cartas dos homens e se forjaram outras com falsas novidades; depois a direita estúpida e violenta decepou um dedo do operário e exibiu sua “mão grande”, perfeita, absoluta, instituindo seu império de dor e subserviência ao Império maior, americano. Mas outras cartas continuaram a ser escritas, em letras miúdas foram se insurgindo de todos os pontos tocantes à linha livre da Multiplicidade…

2002 …diante da cristalização da linha dura, que bloqueou os afetos por 8 longos anos, ela não se deixou capturar, abriu frestas de luz no buraco negro (Baudrillard) e perseverou no seu devir constante. Mas eis que as “armadilhas do devir” (Deleuze e Guattari) vieram tentar impedir a passagem do fluxo multifluente com o recrudescimento da violência, que transpareceram na boca: de senadores e deputados tanto da Direita elitista (e “elite” significa “melhor”. O que tem de melhor na elite brasileira?) quanto da Ultra-Esquerda (que toca à direita), conluiados com a mídia globolizada, que corroborou com palavras vazias de interesse público, mas carregadas de preconceito e embrutecimento; o próprio Ministro do TSE trouxe o des-curso da “ingovernabilidade”. Parecia até, como gorgolejaram os “mais justos”, que a Multiplicidade sofria o golpe nazi-fascista da eliminação. Mas “o covarde só chuta cachorro morto”. E eis que pelo meio da noite, justamente na vitrine high societydo discreto charme da burguesia de Amaury Jr, Fafá de Belém destoou, relembrando quando ela, o engajado Gonzaguinha e outros artistas subiram em palcos com Lula; o de-compositor, jardineiro, politizado Tom Zé foi por aí e explicou que o tal do propalado Mensalão já existia desde o tempo da monarquia, passando por Collor e FHC; Marilena Chauí, com a serenidade da filósofa-prática, preparou-se e saiu de “escudo e ginete” para enfrentar os hunos; Mino Carta chamou-o pra conversar: “Vai lá e fala”; Hugo Chávez convocou-o: “Conclama o povo”…

2006 …e começou a aparecer de todos os pontos da linha os trabalhadores, mendigos, sem-terra, crianças, poetas, sem-teto, lésbicas, estudantes, domésticas, carpinteiros, cristianos, transexuais, pedreiros, simpatizantes, músicos, seringueiros, atores, macumbeiros, blogueiros, orkuteiros, agricultores, motoristas, gays, sorveteiros, peixeiros, filósofos, diminuindo a força da falácia representação pela tomada de posição. Agora eram muitos “olhos do espírito” para perceber a Grande Mentira; infinidades de ofícios e experiências em vez da simulação universitária; se um dedo lhe falta, existem zil para formarem trezentos milhões de mãos. Lula ganhou o debate. Não era ele, era a Multiplicidade. Eram as horas de almoço dos operários. Sabe o que é isso? Alckmin não sabia. Na fotografia dos novos dias, uma criança toca o rosto de Lula, olho no olho, há ternura ali. Ninguém de direita alcança isso. Uma cartografia de desejos que se cria com tudo o que escapa para a suavidade, a inteligência, o humor da Multiplicidade L U L A, que segue aniversariante…

i iNDA TEM FRANCÊS Qi DiZ Qi A GENTi NUM SEMO SERO

@ SENADOR DO PSDB SE RESSENTE DA FALTA DE DIPLOMAe de quebra ainda quer levar Lula na jogada. O senador de Goiás, Marconi Perillo, que recebe aulas exclusivas– literalmente excluindo outros alunos – em uma faculdade particular de Goiânia, junto com sua esposa, afirma que não pretende seguir o exemplo de governantes que se contentaram somente com o diploma do tribunal superior eleitoral. Nem poderia. Não se pode nem copiar a si mesmo, quanto mais aos outros. Mas Perillo, se fosse capaz, poderia depreender da leitura existencial da atualidade, que o diploma precisa mais de Lula do que Lula de um diploma. Lula carrega saberes constituídos no seu existir, nos encontros que compôs, por isso seu saber é constituinte, está sempre em movimento, daí a impossibilidade dos PSDBestas e DEMos tocarem nele, mesmo com a ajuda da imprensa golpista e de partidos aliados oportunistas. Evidência de que o sentimento de inferioridade do PSDB em relação à Lula não atinge apenas FHC. Quando da campanha que reelegeu o sociólogo, a mão espalmada foi uma forma de hostilizar e evidenciar a ausência – que é presença – do dedo de Lula. Quatro anos depois, nem as mãos espalmadas de Serra foram capazes de salvar eleitoralmente o partido que quebrou o país. Como toma como verdade a ilusão da superioridade dos saberes, criada através da hierarquização do ensino pelo Estado, não consegue entender que os saberes são produzidos na cotidianeidade das pessoas, através do uso da inteligência e potência de agir criadora que o homem possui, e somente quando capturados pela ordenação sígnica do Estado é que entram na hierarquia dos saberes oficiais, mas aí já perderam sua força afetante, se transformaram em anódino conteúdo programático ou resultado de pesquisa universitária. O saber está para os homens livres como a filosofia está para os não-filósofos, transbordando afirmação do filosofante Deleuze. Apontar o dedo acusador e exercitar a faculdade judicativa-policialesca em direção a quem não se enquadra no seu padrão de existir é afirmar a própria ignorância. I inda tem francês…

@ “APESAR DE ESTE SER UM PAÍS MACHISTA, VOTAREMOS NUMA MULHER”, afirma ‘El Diez’ Maradona, confirmando voto à candidata Cristina Kirchner. A candidata e esposa do atual presidente, Nestor Kirchner, tem a preferência nas pesquisas, e salvo um desastre, deve vencer no primeiro turnocom folga. Os oposicionistas, cuja candidata mais próxima de Cristina nas pesquisas é Elisa Carrió, já se dão por vencidos. Com uma gestão mais voltada para a recuperação econômica e dos direitos sociais subtraídos nos anos de neoliberalismo explícito (Menem, De LaRua), Néstor, presidente já reeleito, tal como Lula, tem chances de eleger até poste a seu sucessor. Ninguém na Argentina quer o retorno das políticas de subserviência ao FMI e aos EUA, o aumento da dívida externa e o desalinhamento com a tendência esquerdista em crescimento na América Latina. Ainda que para isso tenham que engolir o hominismo que por lá é tão intenso quanto o daqui, os portenhos preferirão uma bela e inteligente mulher no poder aos velhacos que afundaram um dos países mais ricos do mundo. A eleição será neste domingo. I inda tem francês…

@ VENEZUELA É CONFIRMADA NO MERCOSULpela comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Mesmo com a papagaiada de DEMos e PSDBestas, que foram à sessão mas não votaram, e a abstenção de Fernando Gabeira, que se preocupa fortemente com a repressão à liberdade de imprensa naquele país (mas no Brasil…). Faltando somente o Brasil e o Paraguai votarem, a querela em torno da adesão por aqui é mais um dos inférteis terrenos por onde cansada turma que se diz oposição pretende avançar na sua luta contra o governo de Lula. Mesmo os empresários brasileiros, maiores incentivadores das sucessivas tentativas de golpismo pela direitinha, aguardam ansiosamente pela abertura do mercado venezuelano aos produtos nacionais, através da integração daquele país ao Mercosul. Detalhe interessante é que o porta-voz dos que se dizem contrários à integração é o senador Eduardo Azeredo, beneficiado maior pelo esquema de caixa 2 das campanhas tucanas, o chamado ‘mensalão do PSDB’. I inda tem francês…

@ “GLOBO FARÁ ‘CRÍTICA ÁCIDA’ AO SISTEMA”, deu no blog Diário Gauche. Trata-se de uma minissérie que se chamará O Sistema, que terá personagens totalmente rebeldes, do dedão ao calcanhar, passando pela cabeça, com figurino hippie comparado na Daslu provavelmente. Serão histórias de quem já teve preso cartões no caixa eletrônico, provável também assistirmos greves por aumento de mesada, ou que baterão o pezinho enquanto não ganharem um Mitsubish de presente de Natal, e otras cositas mas, e mais, e mais, e mais… Assista e se torne um revolucionário Classe A. I inda tem francês…

@ E ASSIM O IMPÉRIO GLOBÓLICO VAI DESPENCANDOnuma perda de audiência desesperadora para eles, conforme a edição 468 da revista Carta Capital. Enquanto isso a Record só subindo aos céus. Mas isso é o que menos importa. Como diz Muniz Sodré, a questão não passa pela significação, é na sua forma que a tv é degradada/degradante desde a sua origem. O que as abaterá finalmente, mais dia menos dia, logo ou daqui a 300 anos está em seu próprio coração: a nulidade de sua Tela Total, como fala Jean Baudrillard. I inda tem francês…

@ LIONS FOR LAMBS” (LEÕES E CORDEIROS), NOVO FILME DE ROBERT REDFORD, vem para pôr mais ainda à mostra as mentiras que Bush-Blair forjaram para invadir o Afeganistão e o Iraque, e também como a mídia norte-americana ficou passiva e apoiando o absurdo massacre. Já na estréia em Berlim, Redford, um dos poucos atores e diretores politizados de Hollywwod, aproveitou para fazer analisar como o ambiente americano, depois do 11 de setembro, acabou ficando favorável para os falsos e desumanos intentos de Bush. Desse vez, o sensível diretor de Nada é Para Semprepretende fazer um estudo perceptivo da subjetividade americana atual. Como vem de Hollywood, pode ser que venha a Manaus. I inda tem francês…

@ SERÁ QUE OS TUCANADOS AINDA ACREDITAM EM MASSA DE MANOBRA?Ou será o que os PSDBestas entendem ser um “partido de massa”? Já estávamos pensando na possibilidade de encontrar o Arthur Neto e o Arthurzinho pelas periferias de Manaus, quando descobrimos no Conversa Afiada que para eles isso significa apenas que a partir de agora ouvirão a “base”. Mas será que sua majestade, Fernando Henrique deixará o paço real, tendo ao seu lado Tasso Jereissati e Serra, numa proximidade de Aécio Neves e Arthur, o lagartixa, subindo pelas costas? Essa é a primeira vez que ouvi falar na “base” tucanada, pensávamos ser um partido apenas de cúpula. Só agora entendemos por que Fernandinho Henriquinho está tecendo tantos elogios ao governo Lula. I inda tem francês…

@ VII GAY PRIDE MANAUS, AMANHÃ, DOMINGO, 28 DE OUTUBRO DE 2007, A PARTIR DAS 17H, PRAIA DA PONTE NEGRA. Será uma oportunidade para quem quer se liberar no plano sexual, mas não somente no plano sexual, também para diminuição da carga de homofobia reativa dos que vivem sob o domínio da dor e não aceitam a liberdade de atuação dos corpos livres no mundo seja esse corpo homo, hetero, macho, fêmea, trans, bi, etc. A quem não puder ir, resta um consolo, é só acessar o bloguinho da AFIN na 2ª feira e acompanhar os eventos ocorridos nessa festa de alegria e liberdade… I inda tem francês…

Vamos que vamos

Que a cada dia que a gente vai

O bom é não chegar

Mas a cada dia não ficar…

BUSH: PARALISIA NA FACE DO CAPITALISMO

O barco do governo Bush continua fazendo água, os ratos fugiram, e parece que o comandante do navio está disposto a continuar inexoravelmente navegando rumo à terra da Liberdade e da Democracia Eternas. Alienado dos acontecimentos e seus efeitos, o comandante continua acreditando – e acreditou desde o início, quanta ilusão – que está com o Leme nas mãos. Nunca esteve.

Como já colocado aqui neste bloguinho, o governo Bush é a expressão de uma forma de produção do capital à qual interessa a especulação financeira e os investimentos sem nenhum tipo de risco. São os atuais capitalistas, cujas decisões são tomadas apenas levando em conta a relação do lucro, em detrimento dos efeitos sociais e políticos. Como no episódio do estouro da bolha do mercado imobiliário americano, onde bancos centrais da Europa (principalmente na Alemanha) tiveram sérios prejuízos, sendo obrigados a repor as perdas dos investidores que venderam casas a quem não podia pagar, sabendo que não podiam pagar, e mais ainda, sabendo que os governos entrariam no negócio arcando com os prejuízos.

O governo de Bush, após duas investidas desastrosas no Oriente Médio (Afeganistão e Iraque), que mais fortaleceram os chamados inimigos do que estabeleceram modelos de democracia à luz do sonho americano, tenta salvar o que ainda resta da sua política internacional cometendo os mesmos equívocos que antecessores já haviam cometido, e que, com muito esforço, alguns antecessores de Júnior conseguiram minimizar com diplomacia e negociação.

ALVOS: IRÃ, VENEZUELA, CUBA, MAR CÁSPIO

Existe muita cortina de fumaça em torno das verdadeiras questões em jogo. Enquanto os mídias colocam a questão EUA-Europa-Irã em termos morais, e até certo ponto de maneira pueril, querendo fazer as pessoas acreditarem que o problema é o desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte do país governado pelos aiatolás, a questão central – mais uma vez – é o petróleo. Mais precisamente as reservas sob a região do Mar Cáspio (mais de 140 mil milhões de barris, pelos cálculos mais modestos). Russia, China e os próprios EUA querem avidamente o controle da região. Para tal, no mapa da política internacional, os americanos mantém o controle direto do Afeganistão, Israel e Iraque, e tem influência forte no Paquistão, Turquia, Geórgia e Ucrânia. E quer o Irã. Aos russos, resta confiar na liderança do ex-KGBesta Vladimir Putin, que planeja ‘manter a paz’ na região através do acordo de conveniência com a China, e a influência em países como o Azerbaijão, Turcomenistão e o Casaquistão. Para isso, russos e chineses são constantemente aliados na luta para que o Conselho de Segurança da ONU não tome sanções contra o Irã. Putin não quer conflitos na região, e para isso conta com alguns aliados na Europa, ainda que sua imagem controversa desperte nos vizinhos a ojeriza dos grandes czares de outrora.

Oriente Médio

Em relação à Venezuela, Bush já tentou retirar o presidente eleito, reeleito e re-reeleito democraticamente, Hugo Chávez, à força, financiando um golpe de estado em 2002 que fracassou. A Venezuela é uma peça importante neste jogo, já que tem uma das maiores reservas de petróleo, e um presidente que insiste em duvidar das boas intenções e da competência dos norte-americanos para com a proteção do mundo. Chávez acredita que a América Latina precisa de autonomia, e insiste ainda mais na necessidade da presença do Estado na economia, para garantia dos direitos civis e do acesso das pessoas aos seus direitos garantidos pela constituição. Para tal, pretende aprovar uma nova constituição que, dentre outras coisas, altera o conceito de propriedade e garante o direito a reeleição indefinidamente. Para os americanos, uma heresia que compromete o próprio conceito de democracia. Embora no Paquistão e no Egito – aliados dos EUA – possa, na Venezuela não pode. Mesmo que sejam eleições diretas, com auditoria internacional. Prova de que os americanos não sabem o que é democracia.

Cuba é caso antigo. Desde a revolução que os americanos aguardam pelo fim do regime da ilha que já foi prostíbulo de luxo dos milionários ianques. Há pelo menos 50 anos, “fontes bem informadas de Washington anunciam a iminente queda de Fidel Castro, que ia despencar em questão de horas”, ironiza, com fino humor, o Obdulio Varela das letras uruguaias, Eduardo Galeano. Bush ainda acredita. Com a aproximação das eleições na ilha – que é exemplo de civilidade e democracia para os EUA e o mundo, diferente das norte-americanas – Bush aproveita para requentar as eternas ameaças. Agora planeja compor um fundo internacional, que seria doado ao país, caso Fidel e a revolução sejam eliminados. Como desconhece que as relações se dão num plano para além da economia e da dor, Bush ignora que a revolução toca na existência das pessoas, não apenas em Cuba mas no mundo inteiro, como uma forma de resistência que aumenta as potências de agir e engendra comunalidades, como mostram os cinemas de Benito Zambrano, Habana Blues, e Win Wenders/Ry Cooder, Buena Vista Social Club.

MÍDIA E DECEPÇÃO

Bush, marionete dos interesses internacionais, desconhece a força das palavras que diz. Prisioneiro da dor de uma existência malograda, sua única reação é causar dor. Bush agora, através das palavras e de seus aliados mais importantes – a mídia, proclamam a terceira guerra mundial, caso o Irã consiga a tecnologia do urânio enriquecido.

A mídia, nesse contexto, age com uma estratégia que o filósofo francês Paul Virilio chama de ‘Decepção’: bombardear as pessoas com excesso de informações, sem uma contextualização que permita às pessoas estabelecer uma linha intensiva afetivo-cognitiva com os acontecimentos, a fim de posicioná-los no mundo e poder se posicionar em relação a ele. Dentro desse vazio do significante que é a notícia produzida pela grande mídia, os interesses perpassam sem que as pessoas possam compreender o que leva o presidente de um país rico e armado a temer uma pequena república teocrática do outro lado do mundo.

O que as pessoas também não sabem é que para Bush, o Júnior, tudo também não passa de uma ilusão. Ele também não compreende a abrangência dos atos que comete em nome dos interesses do mercado internacional. Quando usa o nome de Deus para justificar seus atos, ele sabe que está mentindo. Mas quando a questão é capturar o transbordamento, os efeitos destes atos, ele é incapaz de compreender. Com uma capacidade cognitiva limitadíssima, a moral de Bush é impregnada pelo patriarcalismo-burguês-cristão. Mexeu com papai, mexeu comigo. Não por acaso foi fácil imbuí-lo do interesse passional em derrotar e matar o ex-amigo do papai Bush Pai, Sadam Hussein. Não por acaso Bush vê como ameaça qualquer nação ou pessoa que lhe encare de frente. Com uma existência calcada no medo e na insegurança, só lhe resta reagir da forma que aprendeu: com mais violência. E quando suas fantasias paranóides compactuam com o delírio imperial expansionista do capital, abre-se a possibilidade para acontecer o que atualmente está ocorrendo no mundo. A disseminação do medo, o uso da insegurança pelas forças reacionárias para contaminar o mundo com a dor e com a violência, o fanatismo, o desespero.

Somente com a alegria, o humor, a inteligência, a suavidade é que se podem enfraquecer estes blocos reativos.

Hugo Chávez e Fidel Castro

PONTOS DO BURACO NEGRO

Buraco Negro em Esquizo-Análise é um sistema que captura corpos para se alimentar

Comemoração festiva de Manaus corrompe Poema À Posteridade, do teatrólogo alemão Brecht.

Ao afirmar que Manaus se autodefine, prefeito confirma a opinião pública.

Márcio Souza, um dos contratados para o ato festivo manauara, desaprecia a gestão Serafim e ele não comenta.

Apesar do deslumbramento de Márcio Souza, sua textualização repete a caricata melancolia que impede a ruptura do arcaico.

Comemorações evidenciam a inexistência de uma política pública artística.

Programa da TV Câmara tem caráter de campanha do presidente CMM.

Projeto Pequeno Parlamento da CMM é regressão infantil.

Em vistas do período eleitoral, os mesmos antigos jargões.

É criada mais uma secretaria como atravessadora entre os indígenas e seus direitos.

Somente após cinco anos, governo afirma que deu primeiro passo para melhorar a vida das pessoas.
Governo usa o nome de Deus para justificar miséria.
Arte para prefeitura é mistura de ritmos e teatro lamê.
Artista subserviente se ilude na grandeza dos holofotes do governo.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez um Lobo Mau. Um Lobo Mau tão mau, tão mau, mas tão mau que parecia que era bonzinho. Tinha um jeito cordial, compreensivo, atencioso, ma um tanto recatado. De um recato tal que ao passar pelas ruas as marocas fofocavam entre si ter ele algum segredo. Tinham razão as mexeriqueiras: ele guardava um sublime e maravilhoso segredo. Era apaixonadérrimo platonicamente por uma linda adolescente graciosa, brejeira, falante, inteligente, amada e respeitada por todos da cidadezinha, chamada Chapeuzinho Vermelho, em razão de em alguns momentos usar um lenço sobre seus anelados cabelos claros. Era tão amada que, inclusive, as próprias marocas jamais fofocaram sobre sua beleza de causar inveja. Temeroso de fazer a abordagem amorosa dado sua profunda timidez, Lobo Mau vivia dias angustiantes e noites indormidas imaginando beijá-la, acariciá-la, mimá-la como um fino cristal. Porém, certo dia descobriu que todas as quintas-feiras pela parte da tarde ela ia visitar sua vovozinha que morava em um linda casinha no bosque. Bolou um plano: só para vê-la, de longe, ia segui-la, sem ser visto, até a casa da vovozinha. Seria sua grande glória que nem cupido poderia proporcionar-lhe. Esperou a quinta feira, foi para a praça, caminho do bosque, esperou ela passar, deu um tempo e começou a segui-la, escondendo-se atrás das árvores. Todo cuidado era pouco. Não queria ser surpreendido por ela. Seria a morte. Lá ia ela, linda, brejeira, maravilhosa, com sua mochila nas costas, jogando miolos de pão aos passarinhos. E ele, feliz, o Lobo mais feliz do planeta. Quiçá do universo. Nessa felicidade, teve um puta susto. A Chapeuzinho desaparecera. Ele destrambelhou de vez. Perdeu a timidez e mostrou a cara: saiu correndo, procurando por ela, desesperado, pensando no pior. Quem sabe até que um Lobo Mau pudesse tê-la seqüestrado. Angustiado e ofegante, chegou na frente da casinha. Passo ante passo, empurrou a porta, que estava encostada, e entrou. Andou pelo cômodos até chegar ao quarto da vovozinha. Leu um bilhete que ela deixara para a netinha, dizendo que saíra para um hip-hop com as amigas, nisto ouviu alguém cantando entrando na casa. Ele tentou se esconder, mas não encontrou um só móvel que lhe coubesse. Olhou para cama e viu o vestido da vovozinha, seus óculos e sua toca de dormir. Não contou desgraça. Se vestiu com a roupa da vozinha, colocou os óculos e se meteu embaixo das cobertas com a cabeça para fora. Era Chapeuzinho quem havia entrado. Desaparecera porque tinha ido pegar flores para sua vovozinha. Se aproximou da cama, beijou a testa da boa velhinha e sentou ao seu lado em uma cadeira de embalo. E o Lobo Mau virou uma chaleira de tanto suar de pavor. Então, a bela adolescente começou a perguntar para que aqueles olhos tão negros, aquelas orelhas tão triangulares e aquela boca tão grande, e ela/ele foi respondendo o para quê daquelas partes. Quando disse que a boca era para lhe beijar, a Chapeuzinho pulou em cima dele, perguntado o que ele estava esperando. Se abraçaram apaixonadamente entre confissões e juras de amor eterno. E tomem beijos, beijos, abraços, abraços, risos, risos, felicidade infinita, intempestiva, aí Chapeuzinho deu uma grande gargalhada acompanhada da afirmação histórica que ele, Lobo Mau, era o primeiro travestir do mundo infantil. No domingo não deu outra: lá estavam Chapeuzinho e o Lobo Mau, vestido de vovozinha, na VII Parada GLTS (Gay, Lésbicas, Transexuais e Simpatizantes).

SÁBIA GENTE BRASILEIRA

A inteligência objeto de inveja dos outros

? Não houve acordo algum. Isso é bobagem. O caso do Azeredo não merecia sequer discussão, pois ocorreu antes dele se eleger senador”. (Senador Álvaro Dias, do PSDB, sobre o arquivamento da representação contra o senador Azeredo, ambém do PSDB)

? “Recebi muitos e-mails de eleitores me pedindo para não votar a favor [da CPMF] e alguns usaram um tom ameaçador e disseram que não votariam mais em mim. O que eu quis dizer foi que já tomei minha decisão e não volto atrás”. (Senador Jefferson Péres, sobre votar a favor da CPMF)

? “Adam Smith demonstrou que a cobiça de um indivíduo pode ser nefasta, mas a soma da cobiça de todos os indivíduos cria um equilíbrio ideal, que propicia o enriquecimento das nações. Levei 20 anos para aceitar esse princípio elementar…”. (Mainardi, colunista da Veja, sobre porque é da direita)

? “Manaus é uma cidade diferente que se auto define. Como diz o Aníbal Beça, ‘a gente não mora nela, ela que mora na gente’”. (Prefeito Serafim, sobre a cidade de Manaus)

? “Manaus, o futuro será melhor”. (Outdoor do ex-prefeito e ex-governador do Amazonas, Amazonino Mendes)

? “Eu me dou nota 8”. (Romário, jogador e técnico do Vasco depois de sua desclassificação da Copa Sulamericana diante do América do México)

? “De 68 para cá, só teve um administrador público que pensou grande a questão: Arthur Neto”. (Escritor e ex- Diretor da Funarte no governo Fernando Henrique, Márcio Souza, comentando a administração pública da cidade de Manaus)

? “Ao contrário do que as pessoas estão falando, eu não estou me mobilizando politicamente; estou quieto, no meu canto, estudando, que o que eu mais faço é isso: estudar a coisa pública”. (Amazonino Mendes)

? “Criou-se a Câmara Cidadã para se aproximar da população, porque a população não vai à Câmara, porque a população é carente, vai ter de pagar 2 reais para ir, 2 pra voltar”. (Leonel Feitoza, presidente da Câmara Municipal de Manaus)

? Governador do Amazonas, Eduardo Braga, afirmou que a defesa da Amazônia só ocorrerá com o combate à pobreza e mais educação.

? “O viaduto da Recife deve ficar pronto até 31 de dezembro. Esse prazo só será alterado se chover muito nos próximos meses”. (Serafim Correa, prefeito de Manaus)

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ SOBRE ROMÁRIO TÉCNICO. Que o baixinho, ex-embaixador da Globotária na seleção Nike (passou a bola pra Kaká), é oportunista, ninguém no Brasil tem dúvidas. E quando a chance é de se colocar como objeto do olhar classificador midiático, para ele se torna irresistível, pois somente assim ele pode manter a ilusão do existir, já que nada produz que não seja redundância e clichê, o vazio. Por isso derramou lágrimas filmadas em close pelas câmeras da Globotária, quando o técnico Felipão não o levou pra copa 2002. Por isso chorou quando seu amigo, Eurico Miranda, vice-presidente do Vasco – e um dos cartolas responsáveis decadência do futebol nacional – mandou fazer uma estátua, quando da farsa estatística e marketista dos mil gols. Agora, como técnico interino do Vasco, mais uma vez os holofotes se voltam para o jogador. Típico do futebol brasileiro, com um ranço de amadorismo que exclui o talento e o intempestivo do jogo, e expressa somente a falta de compromisso com o clube, os jogadores e a torcida. Por essas e outras é que o time, que até ia bem no Brasileirão, anda despencando. Enquanto for utilizado apenas para satisfazer a doença existencial de alguns jogadores e dirigentes, dificilmente se poderá esperar alguma coisa do time alvinegro.

Θ HUMOR ROMARÍSTICO: 1) Dizem que em reunião após a saída do técnico Celso Roth, Romário teria dito aos dirigentes do Vasco que só aceitaria um técnico que o escalasse. Uma semana depois, os dirigentes chamaram o baixinho, e disseram: “Nem Nelsinho, nem Passarela, nem Leão, nem Joel Santana, nem Aderbal Lana, nem o Cavalo, nenhum deles aceitou o cargo com a condição que tu colocou, baixinho! Só encontramos um profissional que aceita ser técnico e te colocar em campo”. Quem? – perguntou, ansioso, o jogador. “Tu”, responderam os dirigentes. 2) Quando foi anunciado aos jogadores que o novo técnico seria o Romário, um deles se adiantou, e perguntou: e aí, baixinho, quem vai jogar a próxima partida? Romário: vai EU, vai tu, ele não vai, vai ele, vai ele lá… 3) E depois da desclassificação contra o América do México, na copa Sudamericana, o baixinho está ameaçando entrar na justiça contra a zaga do time mexicano, que constantemente chegava primeiro nas bolas lançadas à área. Alega que foi desrespeitado no estatuto do idoso, que assegura acesso exclusivo e privilegiado aos seus assegurados.

Θ RODADA DA CHAMPIONS LEAGUE: Pelo grupo A deu Besiktas no encontro com o Liverpool (2 a 1), enquanto o Marseille e o Porto FC ficaram no zero. Marseille e Porto respectivamente em primeiro e segundo. No grupo B Chelsea e Rosemborg venceram seus confrontos, ambos por 2 a 0. Destaque para o peruzaço que o goleiro do Chalke 04 tomou, no primeiro gol do time inglês. Os dois times vencedores lideram a briga pelas vagas. No grupo C, o Real suou para vencer o grego Olympiakos, ainda que o placar sugira um baile. Robinho, ao contrário do que disse a imprensa nacional e internacional, não deu show, e o Olympiakos perdeu mais por sua ineficácia em equilibrar ações ofensivas e defensivas que pelo mérito madrilenho. No outro jogo do grupo, o Werder Bremen venceu a Lazio por 2 a 1. Pelo grupo D, o Benfica venceu o Celtic com gol solitário de Lucho González, enquanto a sensação Shakhtar Donetsk foi goleado pelo Milan, 4 a 1. Os italianos e os ucranianos dividem a liderança. No grupo E, Barcelona e Rangers não saíram dos dois bocejos, enquanto o Lyonaiss venceu finalmente, por 2 a 0 o Stuttgart. No grupo F, O Dínamo de Kiev foi goleado pelo red devils, 4 a 2, e o Roma venceu o Sporting, 2 a 1. No grupo G, A Inter venceu o CSKA, 2 a 1, e o Fenerbahce empatou sem gols com o PSV. Por fim, encerrando a rodada, o grupo H teve surra do Arsenal, sensação européia, no Slavia Praha, cabalísticos 7 a 0! Na outra partida, o Sevilla venceu o Steaua Bucareste por 2 a 1. Estes jogos completam as rodadas de ida da fase de grupos da Champions, e nos próximos dias 06 e 07 de novembro, haverá a primeira rodada da fase de returno.

Θ COPA SUDAMERICANA agora só habla castellano. O Milonarios (Col) venceu o São Paulo por 2 a 0, gols do capitão Ciciliano, e agora enfrenta o vencedor de River Plate (Arg) e Defensor (Uru). O Vasco da Gama até venceu, mas apenas por 1 a 0, insuficiente para se classificar, e agora vai assistir aos americomexicanos enfrentarem o vencedor do confronto entre Arsenal (Arg) e Guadalajara (Méx). Na sua sexta edição, a Copa Sudamericana ainda não viu um time nacional levantar a taça.

Θ APERTURA CHILENO, na sua 16ª fecha, que se iniciou no dia 23, com o jogo em que o Puerto Montt venceu o La Serena (2 a 0). Hoje, 6 partidas: Unión Española 1 X 3 Univ. Catolica / O’Higgins 3 X 0 Melipilla / Palestino 6 X 0 Wanderers / Cobresal 2 X 2 Nublense / Lota Schwager 2 X 1 Deportes Concepción / Coquimbo 0 X 1 Univ. de Chile. Amanhã jogam CD Everton X Huachipato / Universidad Concepción X Audax Italiano / Colo Colo X Cobreloa.

Θ ANIVERSÁRIO DO REI? No dia 23 de outubro, se comemora o aniversário de Pelé. Um equívoco. Pelé não nasceu neste dia. Nascido em 1940, Edson Arantes do Nascimento completou 67 anos, mas a marca ‘Pelé’ nasceu em Santos, em 1956, quando o garoto Edson começou oficialmente no futebol. Sempre associada ao futebusinness, a marca Pelé ajudou a FIFA a consolidar seus domínios econômicos sobre o futebol, e é a maior fonte de renda do milionário Edson. Pelé, a marca, teria hoje 51 anos. Edson, o aniversariante, enquanto jogador foi, para muitos, insuperável. Eleito pela revista francesa L’Equipe, em 1981, o atleta do século, título referendado em 1999 pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), Edson jamais deixou escapar a oportunidade de faturar com a sua carreira. Antes mesmo de encerrá-la, já compreendia o valor do marketing. Foi jogar nos EUA, numa das primeiras tentativas da FIFA de conquistar o mercado norte-americano, até hoje avesso ao esporte. Como homem de negócios, Edson conseguiu o que outros grandes craques, de semelhante importância, como Garrincha, não conseguiram: lucrar financeiramente com a sua fama. Edson sabe muito bem quando vestir a camisa e ‘ser’ Pelé. Dentro de campo foi brilhante, sempre criticado pelos adversários pela deslealdade, mas admirado pelos mesmos adversários, que o aplaudiam gol após gol. Parou uma guerra civil no Congo Belga, em 1969, em duas partidas pelo Santos. Ganhou quase tudo o que disputou, e formou um Santos quase imbatível, bicampeão mundial de clubes. É considerado por muitos, dentro e fora do futebol, ‘o Rei’. Fora de campo, ajudou a ditadura brasileira (‘o povo brasileiro não sabe votar’), foi ministro da justiça do governo FHC, onde ajudou a aprovar a lei que leva seu nome, e que escancarou de vez o futebol brasileiro à voracidade do mercado internacional, teve filhos não reconhecidos, brigou com parceiros de música, como o sambista Noite Ilustrada, que o acusa de roubar letras de músicas, bancou o pai traído quando seu filho Edinho foi flagrado num envolvimento com o tráfico de drogas, dizendo a clássica frase do egoísmo paterno-burguês: ‘onde foi que eu errei?’, abusou e continua dando demonstrações de inveja e ressentimento em relação aos seus recordes e status de ídolo, sobretudo em relação a Romário, Ronaldo Nazário e Maradona. Com este, protagonizou ano passado momentos raros de descontração, quando foi entrevistado no programa La Noche Del Diez, na Argentina. É criticado pelo movimento negro, por não assumir sua condição e não aproveitar sua notoriedade para militar nas ações políticas. Como homem, não fez a leitura existencial do mundo, necessária ao amadurecimento e á compreensões mais profundas de si e do mundo em que vive. Preferiu alhear-se, adotando a lógica do amor ao capital: cada um por si e o diabo que fique com o último. Edson Arantes do Nascimento, 67 anos, dono da marca ‘Pelé’: em campo, um gênio; fora dele, um homem comum.

OS PRESENTES MARAVILHOSOS DO EXECUTIVO E LEGISLATIVO À BELA MANAUS

Quem viu você

Não pode mais esquecer

Quem vê você,

Logo começa a querer.

Manaus, Manaus, Manaus,

Minha cidade querida.

Manaus, Manaus, Manaus,

És a cidade sorriso,

Esperança da nossa Amazônia”.

(Canção de Manaus, Áureo Nonato)

Quando o inimigo se aproxima, vem devagar, com cara de amiguinho, e escondendo atrás de si um presente, pode desconfiar: é trambique na certa. Hoje, aniversário de Manô, a bela Manaus, alcunhada pelos ‘muy amigos’ da arte gastrô-servil de Princesinha do Norte, políticos, artistas, as chamadas personalidades locais rendem homenagem a ela, os mesmos que, em comemorações passadas evidenciavam no enunciado o ressentimento e a dor da não-existência: “é uma cidade que a gente tem que gostar e amar”.

Pronome possessivo não compõe com amor. O amor é uma produção do afeto/razão, através do conhecimento e do aumento das potências. O que não acontece com os que pretendem fazer do significante ‘amor’ uma realidade palpável apenas pela ilusão da linguagem.

O Executivo municipal/estadual e o legislativo (ALE e CMM), quando chega a época de comemorar o aniversário da cidade – cidade-sorriso, meu ciúme, por amor a Manaus – esbaldam-se em declarações de amor eterno, no compromisso cívico, ético e amoroso pela cidade que administram. Mas o que a ilusão do significante que eles tomam como real não consegue encobrir são os fatos decorrentes da inépcia e gestão ineficiente da cidade durante todo o ano, no qual a cidade de Manaus é ‘presenteada’ pelos efeitos dos atos irrefletidos dos deputados, senadores, vereadores, prefeito, governador, secretários, assessores, mídia, entre outros. Este Bloguinho Intempestivo separou 13 ‘presentes’, preparados pelos nossos governantes, ilustrando todo o amor, carinho e cuidado que eles têm com a nossa cidade metropolitana:

O Jovem e o Parlamento: Deputados do Amazonas aprovaram um projeto designado como Parlamento Jovem. Permite estudantes participarem das sessões para compreenderem os meandros legislativos: os caminhos de funcionalidade da casa. Pequeno Expediente, Ordem do dia, apresentação e votação de Projeto de Lei, etc. O óbvio. O desnecessário, principalmente…”

A SEMED e o conto da Escola Escolada: “Quando a Prefeitura de Manaus, por secretarias suas, como a SEMED, vem fazer justificação para o pagamento de empreiteiras no primeiro semestre da gestão Serafim, que deveriam construir escolas, mas que nenhuma construção existia, pode-se afirmar que essa nefasta prática existia antes e que continuou existindo…”

PROSAMIM – do Marketing como Negação da Vida: “Orgulho do governo, grande peça publicitária da eleição passada, o PROSAMIM (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) vende a idéia da melhoria da qualidade de vida através da melhoria da saúde e do entorno urbano. Ganha, diz a propaganda, o ribeirinho (sic) e os habitantes da cidade…”

Os Bons Ventos da SEMED: “…Ah, não poderíamos esquecer nesta lista de novidades esvoaçantes o revolucionário frango invertebrado, tantas vezes mais caro do que o frango convencional, para deleite dos paladares exigentes de alunos e pais das comunidades manauaras! Ah, como pensam no bem-estar do povo estes nossos gestores educacionais!”

Uma Mão Lava a Outra! Quando Tem Água!: “Uma patologia crônica social/hidrográfica que se arrasta a séculos como as magníficas performances políticas dos governante passados e presentes. Um tema sempre tratado entre o mítico do rio Amazonas e o científico da cidade. Onde o mítico sempre leva a melhor: a água existe em nossa imaginação…”

A Doença Mental e os Governos: “…em Manaus as tentativas de intervenção no quadro de produção subjetiva da doença mental inexistem, e ficam somente no terreno do marketing governamental, aliás, como a maior parte das questões políticas…”

Que Venha a Prefeitura! Projeto Oceânico Poseidon!: As águas correm para o rio, o rio corre para o mar, o mar deságua no oceano… No oceano está Poseidon. E é por isso que os moradores da (que nunca foi) rua Rio Jaú, do Novo Aleixo, juntamente com a AFIN, conclamam as outras ruas Rios transbordantes de Manô para invocarmos o senhor dos oceanos e mares para ativação do PROJETO OCEÂNICO…”

Comunidade Escolar vs Marketing SEDUC: “Numa escola com tantos problemas, onde professores dizem que até para fazer uma sessão de cinema é dificultoso, onde falta até o pincel de quadro, é antiético que sua imagem esteja sendo usada pela Secretaria como exemplo de atividades culturais, principalmente quando se tem um Secretário com formação em filosofia. Mas, como se diz, há uma distância muito grande entre um filósofo…”

O Caos no Transporte Coletivo e os Governos: “Do mesmo modo que o prefeito, o governador Eduardo Braga também taxou a ação dos trabalhadores rodoviários de arbitrária e sem justificativa plausível. O que é mais plausível do que a falta de condições do transporte coletivo em Manaus e a péssima situação dos funcionários das empresas…”

Democracia e Pensamento Mágico: “A aprovação ontem, em segundo turno, da lei que cria a região metropolitana de Manaus, pelos parlamentares da ALE, Assembléia Legislativa do Amazonas, expõe dois enunciados impossíveis de serem atualizados como reais no regime discursivo do Amazonas…”

Da Hilariedade de Alguns Projetos de Lei: Em Manaus, alguns projetos de lei de autoria dos vereadores (e outros de proposição do executivo, a prefeitura), levam-nos a duas observações: 1) a ausência de elementos cognitivos-afetivos para compreensão das correlações de força que surgem no plano social…”

Audiência Sobre Suspeita de Irregularidades no PROSED: “…de modo algum conseguiu explicá-las racionalmente, deixando em “transparência” apenas, segundo ex-gestores, a postura autoritária da atual gestão, tornada bem clara por Sérgio Augusto quando categorizou que ‘durante essa gestão não há qualquer possibilidade de autonomia escolar’…”

Despotismo da Quimera Melindrosa: “O PCCS foi aprovado. Melindrosamente, na madrugada de hoje, numa sessão extraordinária (não confundir com o extraordinário filosófico de Nietzsche), tentativa de armadilha para pegar o movimento dos professores desprevenido…”

LINHAS INTENSIVAS PARA ALÉM DO BURACO NEGRO

Claro, este Bloguinho sabe e eles não que a Manô não se reduz aos atos dos seus governantes e seus efeitos no plano da socialidade. Vagamundeando pela city, encontramos linhas de fuga, vibrações, zonas de vizinhança, que também fazem ressoar os afetos alegres, que aumentam as potências de agir.

Pessoas de todas as idades que compreendem a ausência da comunalidade, mas que com seus afetos e suas produções enfraquecem os blocos de ressentimentos, imigrantes (paraenses, maranhenses, interioranos, acreanos, rondonienses, roraimenses, cearenses, e tantos outros) que produzem encontros dos corpos materiais e imateriais e compõem processuais de singularidades pelos bairros manauenses afora, educadores que diluem a violentação nas escolas e transformam a sala de aula e o aprender numa experiência alegre do saber comunitário, trabalhadores que compreendem a importância comum dos seus ofícios e produzem para além da produção do lucro, carregando afetos transformadores, velhos que escaparam à codificação perversa da temporalidade cronos e da chantagem da aposentadoria e da ‘melhor idade’, jovens e crianças que ultrapassaram o ao ‘si’ que seus familiares e professores queriam que fossem, para transbordar na alegria da com-vivência, artistas (raros) que confiam e conhecem seu talento, e que escaparam à edipianização subserviente ao pai-governo, jornalistas (mais raros) que compreendem a força comunitária da notícia como análise do fato ampliando a rede da inteligência coletiva, todas essas singularizações que, no plano do número são poucos, mas como devir-minoria auxiliam a cidade a continuar sobre-existindo ainda que as forças reacionárias cotidianamente ajam para enrijecer o corpo-cidade.

Adeus, Manaus!

Está chegando a hora da partida

Adeus Manaus

Meu adeus será por toda minha vida.”

(Waldick Soriano)

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

Um sacada fora (ob) da cena (scenus) do lugar da ação (torius) da imprensa

Obscenatório da Imprensa

<- “Lula afirma em entrevista que não pensa em terceiro mandato, mas se o cavalo passar arriado pela frente da porta ele senta”, afirmou o ex-protegido de Adolf Bloch, jornalista Carlos Heitor Cony, em seu Diário Íntimo na BADNEWS. Cony se mostra como aqueles sujeitos que têm complexo de Deus: conhecem o futuro, principalmente se este futuro é das pessoas que ele nutre aversão. Nisto não contam a autonomia das pessoas, suas experiências, os acasos construtores de realidades, não, nada disso conta. A história futura é previsível pelas evidências presentes, que de acordo com que podemos inferir de sua afirmativa, para ele Lula é um deslumbrado pelo poder. Por isso, espera um acontecimento favorável que lhe conduza ao terceiro mandato. Cony, em seu hábito de fantasiar o outro com sua própria fantasia, o que o jornalismo sequelado proporciona, não atina que projeta em Lula suas idéias/teológicas moralizadas em conturbados rastros democráticos saídas de seu indefinido conceito de socialista juvenil. Bons tempos aqueles da ditadura, hein, Cony.

<- “No Brasil, a despeito do desejo de um naco expressivo do petismo, Lula jura que não pretende disputar a re-releição… Ainda assim, não custa lembrar o que dizia o líder do socialismo bolivariano do século 21 antes de chegar ao poder”, adverte Josias de Souza, da Folha de São Paulo. O mesmo enunciado paranóico de Cony. Ou seja, de toda mídia sequelada. Os Lulafóbicos. O pavor de Lula. Por que pavor? Lula é um tirano? Está destruindo o pais? Cerceando as liberdades? Não. O Brasil vive o contrário destes temores antidemocráticos. A descrença no outro, que é própria destes mídias mercadológicos, faz com que ignorem que é inconstitucional o terceiro mandato. E nesta ignorância aniquilam o povo brasileiro que construiu a democracia e permitiu a redação da Lei Maior. Mas esperar o quê de gente como o Lula? Ele pode rasgar a Constituição e aí… É a moral da consciência vil. A subjetividade do jornalismo intrigante, velhaco e estereotipado. Josias faz essa pauta. É muito bem amestrado para servir a Folha.

<- “A palavra ‘Petralha’ não é a fusão de “Petista” com “Canalha”, ou eu teria optado, sei lá, por ‘Petinalha’. Petralha é a variação petistas dos ‘irmãos metralhas’: sempre de olho na caixa forte”, respondeu Reinaldo Azevedo, da Veja, ao jornalista Daniel Henrique Diniz Barbosa, que analisou a fúria do vejafrênico contra todos que não se identificam com seu infantilismo midiático. Como um atoleimado fronteiriço entre a encenação de machinho, machinho e a auto piedade, o Naldinho se quer um respeitado examinador político. Mas Naldinho, em sua oralidade lítero/bom-bom, não pode perceber a impossibilidade da formação de imagens e idéias. Não sabe que na zona fronteira predominam imagos simulantes saídas da escotomização perceptiva e intelectiva. É por isso que seus textos não se fundam como realidade (pelo menos dominante) política/social. E se manifestam como regressivos. “Sei lá”, ele enuncia de uma forma que dar para ouvir a inflexão. Daí recorrer a entes infantilizados como “irmãos metralhas”. Que por sua vez saíram do moralismo/oral polimórfico capitalista de seu autor norte-americano, que lhe cai bem como ilusão de dominação. Naldinho põe palavras, frases, sentenças como ataque de quem se amargurou. Põe sempre a dor. A dor da tristeza de seu olhar temeroso do fora. Naldinho brinca de ir até fora, mas não vai. Então, como Rei, se tranca em sua torre de marfim e fica jogando garatujas pela janela imaginando que é ele quem está brincando na rua junto com os outros meninos, principalmente do PT. Mas ReiNaldinho não brinca. Até isso ele simula. Simulando ele passa para outro compartimento da torre e faz que brinca com o outro, que também não brinca, seu amiguinho Mainardinho. E assim são felizes, mas se alguém lhes contrariara, eles batem os pezinhos.

<- “Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados”, escreve Noblat. Ibraim Sued, se vivo, processaria o colunista do Globo por tão mal plágio que lhe faz. Nem é colunismo social e nem político. É Noblat, com seu limitadíssimo senso de análise dos fatos, somado a sua ojeriza ao governo Lula, como prova inconteste de duas realidades da comunicação que se vive no Brasil. Uma, os cursos de comunicação estão cada vez piores. Duas, a imprensa vive seu maior momento de liberdade. Até a liberdade de ir e vir pelos braços da ignorância. Acesse os indicados por Noblat e seja bem informado, mas agüente as conseqüências quando se deparar com outra realidade.

<- “Que valores os pais estão passando para seus filhos?”, pergunta Ruth de Aquino, editora-chefe da revista Época, em um texto que tem a pretensão de ser a pedagogia midiática dos pais com filhos playboys. Os filhos que apelam e são defendidos pelos pais. Atos inconcebíveis pela editora-chefe. Como dublê de pedagoga, D. Aquino deveria perguntar também que valores o jornalismo de mercado, que ela sustenta e é sustentada, está fazendo pelos filhos? Ou ela acredita que a educação social é muito bem pontuada? Em família é assim, na escola é assim, na igreja é assim, no bailinho é assim,… tudo com uma identidade própria? Não é. Há uma circularidade de experiências e o jornalismo tece também esta circularidade de códigos. Fala, se impõe. E seu jornalismo preconceituosamente sequelado contribui fortemente para as fantasias de dominação destes playboyzinhos que ela contesta.

MANAUS: UM PASSEIO PELA NÃO-CIDADE

METROPOLIZANDO O ANIVERSÁRIO DE MANAUS

Manaus

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

(Fernando Pessoa, Aniversário, 1929)

Quando os encontros proporcionam o aumento da potência de agir, não há a necessidade de se configurar um dia especial para que se festeje, ainda que seja o aniversário. Como o chapeleiro louco das fantasias esquizo de Alice, todo dia é festa, um desaniversário. Que não foi capturado pela temporalidade cronológica e cria novas linhas de existências a partir das experiências (sempre únicas) que vão sendo engendradas pelo movimento do acaso. E se for uma cidade-aniversariante, as linhas são criadas pelos desdobramentos das atividades que preservam sua existência física e afetiva. Toda ação realizada na cidade é pública, toda cidade só prospera na liberdade, pois sua efetividade é sua coletividade, como dizem Hannah Arendt e Maquiavel.

Uma cidade que nunca nasceu como fluxo intensivo de criação, na ação livre e coletiva de seus habitantes é uma não-cidade. Uma pontuação burocrática deslocada da comunalidade que compõe relações entre as pessoas e seus espaços.

Amazonas

SOBRE A RMM

A Região Metropolitana de Manaus foi criada por decreto estadual no dia 30 de maio de 2007, e aglutina os municípios de Manaus, Iranduba, Novo Airão, Careiro da Várzea, Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. O entendimento geosocial sobre uma região metropolitana envolve áreas urbanas adjacentes, que podem ou não ser conurbadas (cidade-núcleo e cidades adjacentes). O mais importante para se definir quando uma região pode ser submetida ao mesmo regime de gestão pública – o objetivo principal de se definir uma aglomeração urbana como RM – é o grau de interação social e econômica entre estas áreas. Qual a relação econômica que existe entre os municípios que formam a RMM? No Estado do Amazonas a produção econômica e a distribuição da riqueza sempre foi concentrada. Tanto na cidade de Manaus (a quarta mais rica, segundo o último levantamento do IBGE), quando na relação entre os municípios, a concentração da renda e da produção econômica são acentuados, de forma que as cidades adjacentes a Manaus acabam nem por depender desta e nem desenvolver pólos econômicos que permitam o enfraquecimento das estruturas de força que mantém a miséria social que existe nestes municípios. De forma que a RMM (Região Metropolitana de Manaus) é mais uma ilustração da administração marketista do governo do Estado, e da subalternidade dos prefeitos da capital e do interior.

Vista aérea de Manaus

HUMOR TRANSBORDANTE RMMIANO

?!RMM!? – O FAST Clube, time fundado em 1930, antigo tricolor do Boulevard, que já venceu o Fluminense (RJ) e empatou sem gols com o Cosmos, sem Pelé, se antecipou e em 2001 mudou-se para a cidade de Itacoatiara em busca de patrocínio. Agora, com a RMM, como ficam os torcedores fastianos? E o nome, é FAST de Itacoatiara, ou FAST da RMM? A coluna ‘Chagão!’ deste bloguinho alcunhou carinhosamente o tricolor de FAST RMMiano.

?!RMM!? – De passagem por Manaus, um cacique da tribo dos Maués levantou a seguinte dúvida: “se agora não tem mais Manaus, e sim RMM, como fica a questão do feriado? Os outros municípios não têm direito? É pauta para se reinvidicar na Assembléia Legislativa!”.

?!RMM!? – Comenta-se que, se a política marketista dos governos estadual e municipal é que seus governos se pretendem definitivos, e suas obras, marcos iniciais da história manauense, o feriado de 24 de Outubro, considerado aniversário de Manaus desde os tempos em que a data foi instituída pelo atual senador ‘Nosso Orgulho’ Arthur Neto, quando era prefeito, não existe mais. A partir de 2007, o aniversário da RMM deve ser comemorado todo dia 30 de Maio. Essa o ‘guerreiro de sempre’ deixou passar…

?!RMM!? – E o prefeito Serafim, que queria trocar o feriado do dia 24 para sexta-feira, a fim de melhor explorar o mercadológico-eleitoral ‘Boi Manaus’, não sacou a hilariedade das contradições RMMianas, não conseguiu e, sem argumentos e nem humor, teve que antecipar a festa. Essa o braço direito do prefeito deixou passar.

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# Gente, que lambança! O Lula diz que os demos estão retendo a votação da CPMF, e eles se sentem ofendidos. Afirmam que Lula faltou com o devido respeito contra o partido dito democrata. Acreditam que foram assemelhados com o colega Tinhoso. Mas como esses pefelistas são cheios de não me toques, democracia. Até o Jabourino concordou com Lula (mesmo que não concordasse, Lula estaria certo). Eu, da base de meu tietismo, acredito que Lula afirmou sua inteligência de presidente. Mas os pefelistas levaram para a superstição e se atolaram de vez: mostraram que não entendem de lingüística e muito menos de política. Confundem o Demo e o Kratos. Demo, no grego, é povo, que surge como potência ética na Eudemonia: a vida ativa como produção racional. Eles não possuem e nem praticam. Kratos é Poder. Não como força, mas Poder como movimento criador. Eles não carregam. Juntemos Demo-povo = Potência/Ética mais Kratos-Poder = movimento criador e temos filosoficamente democracia, aquém e além do conceito de regime representativo político/jurídico promulgado pelo estado moderno. O que os Agripinos e os Maias possuem de Eudemonia e Kratos? O conceito religioso do mal. De um mal saído do infantilismo fantasioso. Na figura desenhada de um ente inexistente: Demônio. Como diria Freud: a crença no conceito sem objeto. O indemonstrável. Como podem se tomar por democratas? E o pior: arrogantemente se consideram os legítimos democratas do Brasil. Em razão do nome. Que pretensão!” filosofou a Filó, ontem na casa da Diatribe, torcendo contra o Santos, Cruzeiro e Grêmio para seu Palmeiras permanecer em segundo lugar. Da minha parte é segundona sem TDPM Transtorno Disfórico Pré Menstrual.

# Enquanto os médicos vão ao baile, o Arnaldo Tribu, acreditando ser o super-homem com toda aquela barriga, vai tirar um aparelho de ar-condicionado da parede, cai, sente uma forte dor nas costelas, acredita não ser nada e acorda no sábado retrasado, importunado por uma forte dor. Cedinho, com seu plano de saúde da UNIMED, procura consulta. O médico plantonista bate a radiografia e diagnostica o que ele já tinha se auto diagnosticado: não tem nada. “Tome antiinflamatório que a dor passa”. O Dr. Tribu acreditou. Tomou o remédio, a dor passou. Passou o efeito do remédio, a dor voltou. Foi à outra clínica. Fez os exames: costela fraturada. Agora está usando sutiã para imobilizar. Quem foi ao baile, afirma ter sido maravilhoso.

# Amanhã, dia 23, o Senado fará uma sessão especial de comemoração dos 40 anos da morte do Che. Estou louca de ansiosa para ver e ouvir os Agripinos e os Arthurinos. Já imaginou, meu nego, as representações da casta intelectual da raça nacional, discursando sobre a existência do argentino revolucionário? O que falarão Arthur, Mão Santa, Heráclito Fortes, Jereissati, Guerra, Cristóvam, Malta,… ? Isso que se chama um espetáculo imperdível!

# E eu é que não perco a parada, parada não, que eu não fico, eu só topo a parada que é movimento libertador da homofobia e potencializador das liberdades sexuais e políticas dos corpo para maravilhosos encontros. Por isso não topo aqueles que vão se auto-intitular padrinhos, madrinhas calculando votos, falsos trejeitos (aqui). Mas com certeza lá toparei as loucas da AFIN e vai ser um arraso de alegria intensiva. Por isso, dia 28, próximo domingo, a partir das 17h, na Ponta Negra, a VII Parada Gay de Manaus. Pois se não, se o mundo é gay e eu tô no mundo.

Assim não canso do Rock

Nem que o tédio me enforque

Ao som do floc-floc

O embalo de um loque.

Beijos e Abraços Vertebrais!

A FÁBULA EDUCACIONAL DO SECRETÁRIO E SEUS BICHINHOS

Os professores de Manaus se sentiram ofendidos pelo prof. Dr. Sérgio Augusto Freire de Souza, Subsecretário de Educação do Município de Manaus, sobrinho do Secretário José Dantas Cyrino Jr, por ele ter-lhes comparado a animais na Arca de Noé. Mas não há motivo para se sentir ofendido. O Dr. Serginho não escreveu nada. Primeiro porque, desde que se sabe com Michel Foucault da inexistência do sujeito, escrever requer sempre uma coletividade, “selecionar as vozes sussurrantes, convocar as tribos e os idiomas secretos”, como dizem os filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari. Segundo porque o ato de escrever compreende sempre forçar a linguagem em favor de uma minoria, nunca se dá para reforçar o estado de coisas constituído de um ponto de travação situado na maioria. E terceiro porque, a partir daí, quanto mais um iludido sujeito se outorga sujeito de enunciação, mais ele se presta ao papel que lhe é imposto como sujeito de enunciado, triste sujeito sujeitado. Esse é o vício daqueles que, desconhecendo esses três postulados, tem na escritura uma operação meramente lingüística e não observam a “pragmática (semiótica ou política) que define a efetuação da condição da linguagem e o uso dos elementos da língua”, acabando por se tornarem no escritor pequeno burguês, meros “representantes políticos e literários de uma classe para a classe que representam”, como diz Karl Marx no 18 Brumário.

Então, sem nenhuma compreensão política/literária, Dr. Serginho resolve incursionar por uma fábula. Mas não observou que Esopo, ou as fábulas que lhe são atribuídas, por exemplo, sendo grego, não carrega efeito moral (seria preciso observar os trajetos dessa tradução), pode-se dizer que nele a questão fundamental é conhecer o corpo e a alma para poder agir pela razão e não ser facilmente arrebatado pelas paixões provenientes dos encontros fortuitos. Está mais para uma ética à maneira de Spinoza. O teatrólogo e poeta Bertolt Brecht, que sabia disso, tomou a estrutura das fábulas antigas justamente para fissurar a realidade social e política capitalista, mas não utilizou animais, é o que se pode perceber na sua peça a A Santa Joana dos Matadouros, onde ele vai pegar uma personagem numa figura histórica, Joana Dark, para discutir a exploração do trabalhador, o idealismo cristão e a organização e desorganização dos trabalhadores. Como não leu ou não compreendeu Brecht, Serginho despencou no maior erro dos modernos que pretendem trabalhar com fábulas: a antropozoomorfização. A fabulação como fuga do real, infantilização da escrita, disseminando a moral burguesa/cristã/capitalista. Por isso ele não consegue passar nenhum humor criador de liberação, pois seu humor é reativo, interditado, uma vez que originado da dor.

Mas Serginho não está só. Uma voz o comanda e ele obedece. No entanto, esse caráter autoritário do regime de signos baseado na significância do signo significante rapidamente transita para um outro regime, o despótico, baseado na subjetividade. Não é à toa que ele pega como texto base a passagem bíblica da Arca de Noé, para não ter como escapar. A arca de Serginho nunca irá aportar. A subjetividade despótica fecha-se em si, tende ao buraco negro. Como um deus déspota e cruel, ele irá prender todos dentro de sua arca. Ninguém poderá escolher nem ao menos saltar ao mar. Pode-se dizer que a atual gestão municipal é como uma arca lacrada. O sub-secretário Sérgio é sobrinho do secretário Cyrino (pela proximidade da AFIN na época da escolha, pretendíamos que fosse ao menos Arminda Mourão), que por sua vez foi professor do prefeito Serafim no curso de direito da UNIP. Essas proximidades todas colocam em suspeição o preenchimento dos cargos públicos na Prefeitura de Manaus. No caso de Cyrino e Sérgio, tio e sobrinho, não acarretaria nepotismo?

Além de não compreender da potência natural dos animais, o texto de Serginho não tem a ver somente com uma tentativa prepotente frustrada de análise crítica da realidade escolar, ele institui com a força da subjetividade dura a impossibilidade de qualquer mudança. Seu texto não é a representação de nada; é a fabricação de uma realidade. Como diz Foucault nAs Palavras e as Coisas, “livre da relação, a representação pode se dar como pura apresentação”. O que a atual gestão de Serafim-Cyrino nos pode apresentar? Todos que tiverem alguma singularidade, que tentem escapar do modelo da educação mercadológica, devem ser bloqueados, eliminados. Nesse sentido, pode-se dizer que a gestão atual da Semed e, por extensão, também da Prefeitura de Manaus são piores do que as que passaram antes dessa, que se dizia como possível mudança. Aquelas operavam mais no autoritarismo (comandar, controlar), esta vai além e conjuga uma formação subjetiva despótica. Por isso uma resistência não passa somente pela destituição do Subsecretário, como querem muitos professores e até, eleitoreiramente, alguns vereadores. Não é somente transição de regimes de signos, é necessário liberar uma linha de criação para a oralidade maquínica daqueles (estudantes e educadores) que pensam de outro modo, por onde passa a educação como processual democrático liberador das potências ativas existenciais.

Diante disto, o Dr. Serginho escreveu porque se acredita um escritor. O filósofo Sartre diz em sua obra O que é a Literatura? que qualquer pessoa que foi alfabetizada é um escritor. Sartreanamente, o Dr. Serginho é um escritor: foi bem alfabetizado.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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