Arquivo para 1 de novembro de 2007

OUTRO CASO DE NEGLIGÊNCIA MÉDICO-HOSPITALAR NO 28 DE AGOSTO

Depois do caso-descaso noticiado no domingo passado aqui neste blog, chega-nos outro que se coloca na mesma linha de negligência e desrespeito ao paciente ocorrido no Hospital Estadual 28 de Agosto. Trata-se de um rapaz chamado J. M. de S., de 17 anos, que faleceu nesse hospital devido a infecção hospitalar, segundo a informação que obtivemos de familiares.

J. M. havia sofrido um atropelamento na estrada de Presidente Figueiredo no dia 18 de de setembro deste ano. Conforme uma amiga, o carro o arrastou numa bicicleta e não prestou socorro. O rapaz foi atingido gravemente em todo o corpo. A família reclama que não houve cuidados adequados do Hospital 28 de Agosto em decorrência da gravidade da situação do paciente, que sequer ficou numa sala isolada. Apesar disso, o paciente vinha tendo melhoras consideráveis, até que por volta do dia 17 de outubro recente foi detectado que ele havia sido acometido de infecção hospitalar. Segundo a amiga de J. M. nos informou, uma pequena ferida situada acima da região glútea, próximo ao cóccix, que proliferou rapidamente, e infeccionando pelo interior do paciente. Depois dessa infecção, J. M. sofreu duas paradas cardíacas: a primeira vez, somente após um estardalhaço feito pelo acompanhante, foi levado para a sala de reanimação e posteriormente para a UTI. Depois teve a segunda parada cardíaca, mais forte, e não sobreviveu, falecendo no dia 23 de outubro.

Segundo as informações das pessoas que estiveram com J. M. durante todos esses dias em que ficou internado no Hospital 28 de Agosto, a negligência, o desinteresse e desrespeito pela vida do paciente foi revoltante.

Diante de tudo isso, e com o laudo de infecção hospitalar em mãos, a família já entrou em contato com advogado e entrarão na justiça para cobrar as responsabilidades pelo ocorrido. Esse blog acompanhará, como vem fazendo, essa história, não como um fato individual, mas como uma observação crítica da forma de como os serviços públicos fundamentais vão sendo negligenciados na cidade de Manaus.

DURA LEX CONTRA A ‘PIRATEAÇÃO’

O nómos, em sua coletividade, o que faz uma potência ativa perseverar em seu ser, nunca separa os homens — a falsa sentença “a minha liberdade acaba onde começa a do outro” —, ao invés disso, a partir de suas singularidades aproxima-lhes pela razão, formando uma potência única, superior, democrática. Ao contrário, a lei moral opera pelo medo imposto a uns e o privilégio concedido a outros — a minha liberdade começa onde acaba a do outro —, deixa de ser nómos e passa a ser tiranomia. A lei do tirano. Dura lei.

Quando vereador Braz Silva (PSDC), líder do prefeito na Câmara Municipal de Manaus,defende enfaticamente “uma posição séria por parte da Policia Civil e Militar” para coibir a pirataria de CD’s e DVD’s em Manaus está apenas repetindo inadvertidamente o enunciado romano DURA LEX, SED LEX <“a lei é dura, mas é a lei”> própria dos estados autoritários, tirânicos, onde não se observa com o entendimento, enquanto “modo infinito do atributo pensamento” (Spinoza), a linha dura do estado de coisas atual, rígido; não vendo, portanto, as criações comunitárias para escapar em linhas flexíveis e linhas de fuga, verdadeiros cortes epistemológicos e existenciais.

UMA ESTRATIFICAÇÃO ECONÔMICA

A partir da Indústria Cultural inserem-se pelo menos três estratificações: a primeira diz respeito à velha dominação econômica; o povo que não pode pagar pela música que é dele, feita para ele, como diz Marilene Felinto num texto do qual pirateamos abaixo um trecho. Mas com a pirataria o povo pode armazenar mais de 500 músicas em formato mp3 em um único DVD.

Aos ditos artistas bem situados no mercado, que passam os finais de semana em gugus e faustões, é que interessa o fim da pirataria. Zezé di Camargo, que saiu das plantações de verduras para as fazendas milionárias de gado, é contra a pirataria. Roberto Carlos, sua majestade da mágoa/ressentimento/dor na natalina noite globólica, também é contra. Calypso sabe que Jô não a quererá vê-la mais que uma noite ao ano, mas Joelma e Chimbinha também não o querem, é no meio do povo que sobrevivem, por isso saíram direto do estúdio e foram levar seu último CD para os camelôs “fazerem o que bem entenderem”.

UMA ESTRATIFICAÇÃO DOS AFETOS

Associada à econômica está a serialização das formas de sentir. Phillips e Ivete Sangalo, tudo a ver com os cansados. A Indústria Cultural pretende controlar os gostos. Aí, principalmente a pirateação caseira via internet — será que alguém mandará algum dia a polícia vasculhar de casa em casa quando os pobres tiverem computador como hoje têm televisão — ajuda na explosão das possibilidades de escolha, fazendo fugir das prisões dos sentidos. Sem a pirateação na rede, como alguém que nunca saiu de Manaus conheceria o mineiro Sirlan, que gravou um único disco, no qual todas as músicas foram censuradas pela ditadura militar; ou a sensibilidade de Paulo André e Rui Barata, ali no Pará; ou a paraibana Cátia de França e sua poiésis sonora social; e o bumba-meu-boi de Papete, então?

Hoje, é possível assistir ao documentário Sicko, de Michael Moore, que trata do sistema de saúde norte-americano, no mesmo dia em que estreou nos cinemas dos EUA (clique aqui para baixar). Ajuda-nos a perceber e intervir no nosso. Em Manaus, jamais o assistiríamos, pois que não vem via Hollywood. Blow-up, de Michelângelo Antonioni, quantos não o viram não por desentendimento kinemasófico, como querem os preconceituosos, mas porque não podem comprá-lo. Um pacote com cinco películas de Almodóvar, então?

UMA ESTRATIFICAÇÃO DISCIPLINAR

Será que Braz não viu nada disso? Apenas obedeceu e repetiu as palavras de ordem da Indústria Cultural, das multinacionais, do empresariado local, sem observar bem a situação em sua totalidade, levando adiante a velha fórmula disciplinar. Mas o empresariado local e Braz estão preocupados somente com os pequenos vendedores das ruas, das praças, que inventam novas formas de trabalho. Uma fábrica vai fechar por causa da pirataria. Mas quantos empregos não se fizeram por causa da pirataria. Mas a fábrica é mais importante para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus. Mas se a ZFM já era flácida antes do povo manoniquim saber sequer que existiria um aparelho chamado computador. De modo que o mais importante acaba sendo a manutenção da exploração generalizada do trabalhador nas fábricas do PIM.

Enquanto Lula já foi até acusado de ter visto cópia pirata de filme, que por sinal nem valia a pena; enquanto o ministro da cultura, Gilberto Gil, vai percebendo que a questão da pirataria deve passar por um debate que envolve toda uma nova concepção de leis que devem ser modificadas, inventos tecnológicos, novas formas de pensar, há quem venha apoiar a utilização truculenta da polícia. Há algo na pirateação que esses não querem ver: ela mostra o quão barato poderiam ser os produtos culturais.

Para Braz, que é metido a ironias, damo-lhe forças:

Vereador, sua luta é grande. Boa Sorte!

 

CÓPIA DE LIVRO E PIRATARIA – TUDO DIREITO

Marilene Felinto

(…)

O abalo sofrido hoje pela obra (artística ou intelectual) é de outra natureza. A massa não se interessa pela obra original como fetiche, como objeto de culto ou instrumento mágico. Pouco importa à massa se a cópia pirata do CD não tem a capa original. A música toca com a mesma autenticidade, e muito mais barata. É a sociedade de consumo cavando na marra o direito de acesso ao que é caro. O discurso asséptico embutido nas ações de combate à pirataria no país – o de que a produção pirata teria vinculação com o crime organizado e que extinguiria empregos – é hipócrita e esconde coisa pior. Esconde que a propaganda de massa é que é a grande incentivadora da pirataria. A indústria cultural – da massificação propagandística da arte – dos países capitalistas está chafurdando em seu próprio excesso: a pirataria de CDs, softwares, roupas e outros produtos industrializados (e de grife) em geral é o vômito da indústria cultural e de sua propaganda feroz.

O consumidor da cópia de livros como ferramenta educacional e de acesso ao conhecimento, entre uma população que não tem poder aquisitivo para comprar livros; e o consumidor da camisa ou do par de tênis piratas são personagens do mesmo processo de mudança nas condições de produção e distribuição da mercadoria. A era da eletrônica vem democratizando ironicamente o poder de ação que se tem hoje sobre esses processos (como não tinham os homens de antigamente).

Atenção para o fato de serem os jovens os maiores consumidores de produtos pirateados no Brasil hoje. Isso é sintomático de quê? De algum ideal socialista ou da voracidade de consumir (venha como vier a mercadoria a ser consumida)? Se formos bons (e eu não sou), diremos que é sintoma de uma desobediência saudável, de uma janela entreaberta no alheamento, de uma revolta (ainda que inconsciente) contra a preservação do monopólio do capital (privilégio de apenas uns poucos), contra a concentração de bens, de renda, de saberes e de prazeres. (Leia e faça a pirateação aqui)

Marilene Felinto é escritora e jornalista.

Artigo publicado na seção Desaviso, na Revista Caros Amigos – Ano X, número 109, Abril 2006.

ENCONTROS CASUAIS

! Fim de tarde, fim de serviço, espera da condução. Um cano gelado no pescoço, uma imposição e a entrega do celular. Ficou lívida e gelada. O cara ainda olhou para trás e jogou um beijo. O beijo aéreo diminuiu seu temor, mas não diminuiu a dor da perda do objeto comprado no dia anterior. No dia seguinte foi o comentário na empresa. Coitada pra cá, coitada pra lá, esta cidade está inabitável, ninguém faz nada… Mas em sua contabilidade, a vida continuava. O que mais amava ainda possuía: a vida. Foi um grande susto, mas tudo bem, estava com vida. Dos males, o menor. A sua vida não tinha preço que a pagasse. Sempre falava para si que nada no mundo se comparava com sua vida. O seu único amor. Antes de sair para o almoço o chefe se aproximou e lhe deu um presente: um celular. Último modelo, com todos os recursos teletecnológicos da pós-modernidade. Tímida, não quis aceitar, mas com a insistência do chefe, aceitou. Agradeceu e saiu lembrando dos comentários da amigas sobre os olhares do chefe para ela. Olhares que em alguma vezes percebeu de esguelha. Fim da tarde, fim de serviço, espera da condução. Gritos atrás de si, ela se virou e viu um rapaz com um revólver passar correndo por ela, a turba correndo atrás dele, distante ele parou e atirou em direção à turba. A bala furou sua farda em cima de seu peito na área do coração. A turba atônita gritou que ela fora atingida e ia morrer. Ela sentiu o cheiro da bala, passou a mão sobre o tecido, sentiu uma vertigem, lembrou de seu tesouro, sua vida e esperou o último suspiro. Esperou, esperou, esperou: não veio. Continuava respirando livre e solta. Lembrou que a farda tinha um bolso e no bolso colocara o celular. O celular lhe salvara. No outro dia chegou na empresa charmosíssima em uma saiinha de atentar o Clodovil. Barriginha de fora, expulsa por uma leve mine blusa. Esperou o chefe chegar. 10h ela entrou em sua sala, ficou em sua frente, levantou a malvada saiinha, o chefe gaguejou, ela mandou-o calar, se aproximou, abriu sua braguilha e sentou em seu colo. Era tudo que o chefe sonhara. No galope patronal, ela lembrou que não sentia nenhuma atração por ele. Visualizou o celular furado pela bala celular e sorriu afirmando para si que uma simples transa não era mais importante que sua vida.

SÁBIA GENTE BRASILEIRA

A inteligência objeto de inveja dos outros

? “Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigues de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal.” (Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sobre a pobreza nas favelas)

? “É terreno fecundo para a criminalidade.” (Jornalista Bárbara Gancia, da Folha de São Paulo, sobre a pobreza)

? “O Brasil não é a Venezuela.” (Aécio Neves, governador de Minas Gerais, sobre os comentários de um terceiro mandato de Lula)

? “Ética para mim não é pose, não é bandeira eleitoral, não é construção artificial de imagem para uso externo. Ética para mim é compromisso de vida. Agir eticamente para mim é tão natural quanto o ato de respirar.” (Resposta do senador Jefferson Péres ao conteúdo de um dossiê que o acusa de fraude na Companhia Siderúrgica da Amazônia)

? “A trajetória de vida do senador Péres é coerência de vida política, lisura e honradez que merece o respeito de todos os brasileiros. Receba meu sincero abraço.” (Senador Renan Calheiros)

? “Com o projeto que foi apresentado corremos o risco de assistir à montagem de uma grande máquina de propaganda partidária.” (Jorge Brnhausen, comentando a criação da TV Pública pelo governo Lula)

? “É a primeira vez que um prefeito comparece à Câmara para entregar pessoalmente a Lei Orçamentária para ser analisada pelos vereadores.” (Leonel Feitoza, predidente da Câmara Municipal de Manaus)

? “É importante que a nossa população não se deixe levar por denúncias desse tipo, que já foram totalmente esclarecidas, mas que de repente tentam manchar o nome não só do senador Jefferson Péres, mas do Amazonas.” (Vereador Gilmar Nascimento, a respeito das acusações de corrupção do senador amazonense)

? “Não sei que força superior é essa que está fazendo com que as polícias responsáveis em combater esse problema não cumpram com o seu papel.” (Vereador de Manaus, Braz Silva, a respeito da pirataria)

? “Essa Casa passa por um momento complicado, não podemos ficar aqui armando circo para o prefeito.” (Vereador Fabrício Lima, pelo prefeito Serafim não se deixar sabatinar a respeito da Lei Orçamentária Anual)

? “Fizemos a nossa parte. Ajudamos o Brasil a conquistar a Copa. Agora, espero que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reconheça isso confirmando Manaus como sede.” (Eduardo Braga, Governador do Amazonas)

? “Até agora o governo nos jogou palavras ao vento. Nós queremos números.” (Senador Arthur Neto, sobre as propostas do governo em relação à CPMF)

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ AGORA É OFICIAL!!! COPA 2014 NO BRASIL! Alegria, festa em todo o território nacional, com direito a vasta comitiva na sede da FIFA, onde o anúncio foi feito. Candidato único, o Brasil foi o último país escolhido pelo critério de rodízio de continentes (um dos poucos resquícios que ainda existiam de critério esportivo na FIFA). A partir de agora, mais do que nunca, vai valer o critério financeiro e político para a escolha das sedes dos mundiais. Significa dizer que dificilmente se poderá pensar, por exemplo, em um Uruguay’2030, comemorando o centenário da copa no país em que se deu o primeiro mundial, se levarmos em conta a pouca expressividade econômica – e infelizmente, futebolística nas últimas duas décadas – do país sudamericano. Quem saiu ganhando foi a Inglaterra, que poderá novamente sediar um mundial, já em 2018. Que a Copa do mundo nunca foi democraticamente ‘do mundo’, se sabe desde o início (quase sempre foi uma copa América do Sul – Europa nas participações, e sempre nos títulos), mas desde que a FIFA assumiu a questão da administração do esporte, cada vez mais a pátria das chuteiras é o dinheiro, e não as nações.

Θ EM MANAUS, QUE SE PRETENDE SEDE, o governo do Estado preparou uma festa no Teatro Amazonas, com estudantes de escolas públicas e do projeto Bom de Bola, do governo Estadual, com direito a muito marketing, discurso de prefeiturável, e a pose papagaio-de-pirata do governador Eduardo ‘Guerreiro de Sempre’ Braga, que foi escolhido para discursar em nome dos governadores, em Zurique. Dudu Guerreiro discursava, na tentativa de colocar a questão ecológica – da qual nada conhece – mas que, aos olhos do incauto estrangeiro pesa, pelo fato de ser o governador de um Estado no interior da floresta (visão antropocêntrica do homem europeu, que já desapareceu, se é que um dia existiu). Ao menos pela ótica do comitê organizador da campanha. Mas o que interessa à FIFA é o verde dos dólares, e não o da mata. Das 18 cidades que se candidatam a sub-sede do mundial, Manaus aparece como a nona colocada. O comitê brasileiro esperava obter a permissão para pelo menos 17 sub-sedes, mas só poderá contar com 10. Ou seja, a copa do mundo certamente vai virar moeda de campanha eleitoral nos próximos anos para os governos estaduais e prefeitura.

Θ O BRASIL TINHA A SEU FAVOR dois quesitos fortíssimos. A ingerência quase cinqüentenária de João Havelange e companhia ilimitada no órgão máximo do futebusiness, e de seu genro, Ricardo Teixeira, na CBF, já garantiu ao Brasil diversas regalias no mundo do futebol, e não seria desta vez que os brasileiros perderiam essa oportunidade. Mas mesmo essa relação familial-institucional não garantiria a conquista não fosse a regra de rodízio de continentes até então adotada, que previa obrigatoriamente uma copa na América do Sul. Sem oponentes – a não ser Colômbia e Argentina, que retiraram suas candidaturas a favor do Brasil -, só restou a Blatter e os seus conselheiros referendar o país como sede. O caso imediatamente levou à revisão e abolição da regra, sem a qual dificilmente os brasileiros veriam o espetáculo dos quebra-canetas internacionais.

Θ E ATENÇÃO: URUGUAIOS JÁ ESTÃO DE OLHO! Presidente da Associação Uruguaia de Futebol, José Luis Corbo, classificou como justa e inteligente a escolha do Brasil como sede da copa de 2014. Para ele, “uma copa do mundo no Brasil será, sem dúvida, uma imensa festa popular, e esperamos que muitos uruguaios, incluindo nossa seleção, sejam partícipes dela”. Cuidado! Olha o Maracanazzo!

Θ ENQUANTO ISSO, NA ALEMANHA, Pelé tem três bons motivos para não ter ido ao anúncio do Brasil ’14: 1) O patrocinador oficial da copa do mundo FIFA é a administradora de cartões de crédito VISA; a de Pelé, a Mastercard. 2) O comitê brasileiro levou Romário, com quem Pelé fez ‘corta-aqui’ desde o tempo em que o baixinho oportunista resolveu caçar os recordes do alter-ego e significante mercadológico de Edson Arantes, onde um vai, o outro não vai. Duas polaridades iguais se repelem, é físico. 3) O evento da FIFA não pagava cachê. A feira de grama sintética para os campeonatos africanos, nova Meca do mercado de produtos esportivos europeus, pagou gordos proventos para o Rei. Se você fosse o Pelé, onde estaria? Alemanha ou Suíça? E se fosse o Edson Arantes?

Θ FIFA QUER SER DEUS? É ponto comum no entendimento jurídico do Estado que seu corpo constitutivo é o corpo das leis. Não fossem elas, estaríamos, segundo seus defensores, numa condição de barbárie igual ou superior à chamada pré-história. Acima do Estado, somente Deus, segundo os ditames do Estado burguês. Muito embora a prática tenha demonstrado, no decorrer dos fatos, que este Deus tem numeração, cores variadas, e atenda pela graça de Mr. Money, dinheiro, bufunfa, pacote, dimdim, proventos e outras alcunhas. A FIFA, que já transformou o futebol em futebusiness, que colocou a ADIDAS como empresa carro-chefe do futebol no mundo, que decide que pode ou não chutar a bola, a que altura, e se vale ou não o gol (vã ilusão, diria o craque-3500-metros Evo Moralez), agora se pretende acima das leis dos estados nacionais. Qualquer país que tente ingerir suas respectivas confederações e/ou federações de futebol, será sumariamente eliminado do quadro de associados da entidade. O que equivale a impunidade total para presidentes e representantes de confederações, como Manuel Burga, presidente da FPF (Federação Peruana de Futebol), reeleito para mais quatro anos, e que se recusa a adaptar o futebol peruano às novas leis de regulamentação dos esportes naquele país. Burga, que venceu na eleição, a contragosto dos dirigentes dos principais clubes peruanos, afirmou só se reportar administrativamente à FIFA. A lei peruana permite a destituição do dirigente do cargo e a indicação de três interventores indicados pelo Estado peruano, mas caso isto aconteça, a FIFA já anunciou que punirá o país com a desfiliação, e consequentemente a eliminação automática das eliminatórias da copa 2010, e de todas as categorias de base do futebol profissional. No Brasil, Ricardo Teixeira usou o episódio para pressionar congressistas a votar contra a CPI do Corinthians/MSI, alegando que prejudicaria as negociações da vinda da copa para o país. O caso é que a copa virá, e muito provavelmente a CPI, não. Ilustração da pós-modernidade, entendida a partir do filosofante e ex-torcedor do Milan, Antonio Negri, onde os interesses financeiros se sobrepõe às normas organizadoras do estado de Direito, a FIFA é uma instituição de mercado, com interesses particulares, um orçamento e arrecadação maiores que a maior parte dos países do mundo, com afiliados em maior quantidade que a ONU, e que não ameaça se tornar uma gigacorporação mundializada e mais forte que os países. Ela já é. E depois o Chávez é que é ditador…

Θ ALGUNS CAMPEONATOS EUROPEUS tiveram rodada neste meio de semana. La Liga: o Real Madrid aplicou uma peia de 5 a 1 no Valência, sem o técnico Quique Flores, que saiu por divergências com jogadores e com parte da diretoria do clube. O Villareal assumiu a vice liderança ao bater o Levante por 3 a 0. Mas pode ser ultrapassado pelo Barça, que joga que joga amanhã em Valladolid contra o time local. Atlético de Madrid e Valência completam os cinco primeiros. Serie A: rodada do calcio com o líder Internazionale batendo o Genoa por 4 a 1. Em segundo lugar e mantendo a perseguição, a Roma venceu o derby local com a Lazio, em emocionantes 3 a 2. Juventus, Fiorentina e Udinese completam os cinco primeiros.

Θ BRASILEIRÃO É TRICOLOR!!! Time que mais aproximou sua administração de uma linha empresarial, onde não tem salário atrasado, compra jgoadores regulares e ainda revela em casa, o time paulista parece estar acima do padrão nacional em termos de organização. Bi-campeão, quinto título brasileiro, o São Paulo é o grande campeão dos torneios em formato liga (pontos corridos). Enquanto os outros times ainda se adequam a esse formato, o tricolor paulista parece encontrar nele sua forma ideal de competir. Com 73 pontos, 15 pontos à frente do segundo colocado, faltando quatro rodadas para o fim do certame, o time venceu hoje o América de Natal (com campanha pífia, 16 pontos e apenas 4 vitórias), quando um empate era suficiente para garantir a taça. No meio e embaixo da tabela, onde os times são mais emparelhados técnica e taticamente, Santos, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro e Grêmio disputam as vagas da Libertadores ’08. Ao revés, mais de oito times ainda tem chances de conhecer a série B do campeonato nacional. Do Internacional (supreendente) para baixo, todos estão com chances. O América de Natal, que veio de lá, para lá retorna em 2008. Veja os resultados da 34ª rodada (os jogos Botafogo e Cruzeiro, Internacional e Sport, Palmeiras e Juventude ocorrerão nesta quinta):

Atlético-PR 2 X 0 Grêmio

Figueirense 0 X 2 Fluminense

Atlético-MG 0 X 0 Paraná

Flamengo 2 X 1 Corinthians

Goiás 2 X 3 Vasco

Náutico 1 X 2 Santos

São Paulo 3 X 0 América-RN

Θ MARADONA EL DIEZ ANIVERSARIA: Diego Armando, nascido a 30 de outubro de 1960, como a maior parte dos craques, num subúrbio de uma cidade grande, Villa Fiorito, em Buenos Aires. Com passagens pelo Boca Juniors, Barcelona, Napoli – onde se consagrou futebolística e politicamente, ao lado dos brasileiros Careca e Alemão – e outros clubes, Maradona, mais que um craque – um dos maiores, porque não há maior, mas singularidades – é um homem consciente da sua importância política e comunitária em seu país e no mundo. No futebol, criou uma linha de singularidade, modificou tempo e espaço, desmontou paradigmas ao discutir e questionar com razão, humor e inteligência as ingerências da FIFA. Na copa de 86, calou a boca de Havelange, que dias antes teria mandado os jogadores se calarem e jogarem, ainda que no calor do meio dia mexicano, o qual mesmo o local Hugo Sánchez não suportava. Ganhou, e ainda fez o gol mais bonito de todas as copas. Junto com Sócrates e o próprio Sánchez, El Diez peitou Havelange e Cia e ajudou a fundar o sindicato internacional dos jogadores profissionais. Quando Carlos Menem, então presidente da Argentina – e responsável pela tragédia neoliberal que atingiu aquele país – apontou o dedo para julgar Diego, este apontou ao povo e disse: “vá governar para eles, que estão passando fome”. Em sua luta aberta contra o vício, transbordou a luta dos jogadores contra o massacrante modo de existência dos jogadores do futebusinnes, transformados em operários da bola, amestrados a serviço de interesses muitas vezes escusos e que sacrificam suas vidas – por vezes literalmente – em nome de uma mentira: o entretenimento que é o vazio-significante do que é o futebol como jogo filosofante. Enquanto Pelé era referendado como atleta do século pela alta diretoria da FIFA (recompensa a anos de serviços prestados), Maradona era eleito numa votação mundial pela internet como o jogador de futebol do século XX. Jamais fez fortuna, mas conta com amigos como Fidel Castro, Hugo Chávez, Eduardo Galeano, é admirado e querido pelos torcedores napolitanos, por ter levado pela primeira vez um clube do sul da Itália às conquistas nacionais e internacionais mais importantes da Europa, quebrando a tradição econômica e o preconceito dos nortistas. Liderou protestos contra a política imperial dos EUA de Bush, e acima de tudo, não ficou preso à moralidade padronizante dos pensamentos e emoções que se quer passar como opinião pública. “Não sou exemplo para ninguém”, afirma. Não se quer como tábua moral judicativa do outro, mas como companheiro do caminho que se faz. Assim, apóia os jogadores jovens de seu país, se alegrando a cada vez que surge um novo talento, como Leo Messi, e discute com eles as questões políticas que envolvem o futebol. Sabendo que a força nada pode contra a potência criadora, enfrenta a FIFA e a própria AFA (associação argentina de futebol), em prol dos interesses dos jogadores. Maradona é craque – futebolisticamente e comunitariamente.

Quien viene allá

con la pelota en los pies

la torcida hace Ola

y está gritando Olé

Porteño de familia pobre

qui una estrella iluminó

con mucha lucha y garra

no boca juniors se consagró

y con la magia en sus pies

el mundo conquistó

Don diego, diego, diego, dieguito

Mara, mara, mara, mara, maradona

Siempre respetando los adversarios

mismo siendo del mundo campeón

cuando entra al campo

trae en la camisa, alma y corazón

siempre en la vida luchó

y siempre humilde será

y nunca negó caridad

a quien precisa ayudar

(“Maradona”, canção composta por um torcedor brasileiro)


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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