Arquivo para 7 de novembro de 2007

O TELE-JORNAL E A DOR

O medium televisivo, enquanto intermediário eletrônico, carrega em seus sistemas de sinais e informação uma função-linguagem específica. Esta age de acordo com o regime de signos (semiótica) próprio a este medium que é o significante que remete o signo ao signo. Seus transportadores de entretenimento vazio (revistas eletrônicas semanais, programas de auditório, de humor estagnado-preconceituoso-homofóbico) e em especial de noticias esfaceladas (telejornais), entre outros, são organizados, repartidos e passados ao público-telespectador obedecendo a estes pressupostos de forma que reforcem a linha dura do estado de coisas que impede a criação coletiva.

Do Conceitos Tele e Jornal

& Tele provém da forma grega tele, distante, ao longe. Usado como prefixo em telecomunicação para denotar o estreitamento da distância entre espaços através de médias (intermediários) eletrônicos. Nestes teles a presença passa a existir quando a separação entre Fonte (codificador) e um receptor (decodificador) atinge o máximo. Daí a noticia nos tele-jornais estipularem uma aproximação física-psicológica de imagens e sons, mas intensificar a distância do entendimento como reflexão critica entre o tele-espectador e as noticias.

& Jornal vem de jornada. É transportador de noticias. Pode ser produzido e divulgado a partir de uma variedade de intermediários e por diversos sinais: letras (impressão), som (rádio), audiovisual eletrônico, digitalizado (tevê, informática).

A TV Icônica e o Tele-Jornal

O medium televisivo é organizado através do ícone. Classe de signo que remete a uma semelhança direta. Não requer um esforço intelectual para que seus sinais e imagens sejam captados. Na tevê icônica não há a possibilidade do tele-espectador realizar uma reflexão critica a partir das imagens e sons que ela transmite. Ela age de forma hipnótica. Todavia, diferente do que o americano McLuhan sustenta como sendo o conjunto de pontos luminosos que preenche a tela da TV, deixando espaços vazios que devem ser ocupados pela percepção do telespectador, o caráter hipnotizante da TV é a própria estrutura do medium televisivo que realiza o ato hipnotizante. Esta estrutura não se resume ao seu aspecto eletromagnético, mas à inexistência de comunicação, a impossibilidade de decodificação por parte do tele-espectador, a sobrecodificação de signos imagéticos e de sons, a paralisação cognitiva e o significante que remete ao significante, rasteiramente, deslocando o significante televisivo para o significante familiar que constituem a TV tanto como uma semelhança direta como dispositivo hipnotizador.

O tele-jornal funciona dentro desta estrutura, pois não trabalha a noticia como um acontecimento dentro de uma realidade natural (mundo das coisas) e histórica (mundo dos homens) que se torna pública. A composição de acasos que engendra o acontecimento, que é interpretado a partir das experiências dos envolvidos e assim constitui o fato, que é decodificado e passado como noticia a outros, é desprezado pelo tele-jornal. A notícia como práxis no mundo é inexistente nos tele-jornais. Para o tele-jornal a noticia é sem profundidade. Ela apenas deve encarnar o estado de coisas rígido, dissipa e fragmenta a realidade, uma vez que a trata como mera eventualidade, algo irrelevante à Vida (movimento intenso que corre por fora da realidade estagnada). É desta forma que o apresentador do Jornal Nacional, William Simpson Bonner, pode comparar o seu telespectador com o personagem Homer Simpson, o estereótipo do retardamento americano; que Carlos Nascimento pode usar uma linguagem coloquial e fazer comentários vazios sobre as reportagens apresentadas pelo tele-jornal na rede SBT de televisão em que é funcionário. Tais atos são possíveis porque o tele-jornal como o medium televisivo faz-se uso da função-linguagem fática (Ramon Jakobson), linguagem de contato onde os sinais televisivos são usados de forma a estabelecer uma reciprocidade entre a identidade-TV e a identidade-familiar.

Da Predominância da Dor

A escalada (noticias selecionadas como principais) que os tele-jornais priorizam são aquelas que proporcionam a dor. Esta preocupação se dá em razão dos tele-jornais agirem de acordo com uma linguagem emocional, onde o que importa é a Padronização das Emoções (Paul Virilio). O conjunto apresentador-noticias superficiais deve ser colocada ao público-telespectador de maneira que gere a comoção, a pena, a compaixão, a culpa, a indignação, o medo, a des-sexualização do sexo, a ética como moralidade, a corrupção unívoca, entre outros sentimentos constituídos, para afirmar a estagnação intelectual do tele-espectador, ganhar a confiança da família e ser bem aceito nos lares. Tudo isto precisa ser visto e sentido. Deve-se ter um fundo onde este conjunto apareça nitidamente, onde estas expressões saltem ao lares e a empatia seja realizada. Esta substância de expressão é a rostidade, os traços que vão se formando e se petrificando no rosto do apresentador. A dor é a sua maior ejaculação. Seu rosto cristaliza as emoções padronizadas e leva até a casa, ao ambiente familiar a confiança de se ter um apresentador que não somente transmite noticias,mas que as sente, que se comove, que chora e se indigna com a situação do país e do mundo. Seu rosto torna público a dissipação da realidade feita pelas noticias vazias, seu rosto é a grande arena da intolerância, da tirania do telejornal que não informa, não comunica, não movimenta a alegria de agir pela inteligência. Mas há o final do tele-jornal. Aí vem as notícias amenas, a esperança. E seu rosto ensaia um sorriso, mas os traços formados são estereotipados e seu sorriso é a marca da dor que é o bojo de suas intenções. Como o tirano, a TV quer implantar a tristeza nos corpos. Sem a dor o tele-jornal e a tevê, que funcionam desta forma, não existiriam em uma subjetividade capitalística.

& Esta coluna acredita na possibilidade da expansão da consciência pelas experiências autênticas que fazem soltar novas percepções, a criação de novos olhares sobre o mundo. Na alegria-estética de perceber o medium televisivo como uma violência à inteligência coletiva, contamos com a sua contribuição.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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