Arquivo para dezembro \31\-04:00 2007

BARQUINHOS PRA IEMANJÁ DE DONA DORA E PAI GEOVANO…

Eu sou filho de Iabá

Iabá é minha mãe

Oh! Rainha do tesouro

Doce Iabá do fundo mar

Flores, jóias, perfumes, espelhos, bebidas, velas e pedidos para a Rainha do Mar em agradecimentos pelas conquistas deste ano e pelos desejos para que no próximo ano ela continue nos deitando as suas bênçãos. Foi assim que Dona Dora foi até a Ponta Negra arriar as barcas para Iemanjá…

Esse barquinho é pra ela, é pra Iemanjá, são as coisas, as jóias dela, as velas. Colocamos na correnteza e ela vai embora e aí vai sumindo, ela não alaga. Ela vai embora com tudo dentro, as jóias, vai os pedidos. A gente faz os pedidos e bota dentro da barca e esses pedidos que vai dentro da barca acontecem. Aconteceu comigo, aconteceu com meus clientes. Todo ano eu venho colocar, mas já estava com dois anos que eu não colocava. Todo pedido vai dentro daquela barca, os pedidos de todo o pessoal do terreiro, vai tudo ali dentro, e vai dos clientes. Esse ano vai ter coisas boas. Esse ano nós vamos ter êxito na vida porque eu botei a obrigação de Iemanjá. Todo ano quando eu botava a minha vida vivia bem. Esse ano teve muito problema e eu arriei esse ano, e no ano que vem a gente vai ter muito êxito na vida. Eu já tava com dois anos que eu não arriava a obrigação, porque o meu Pai de Santo disse que eu não podia arriar a obrigação pra Iemanjá porque lá onde eu tava eu arriava. E aqui em Manaus eu tinha um Pai de Santo, que era o Delmar, ele disse: “Aleijado não pode arriar obrigação pra Iemanjá”. Como que não pode, se eu arriava e dava certo? Aí esse ano eu arriei, o Pai mandou eu colocar e eu vim arriar a obrigação. Esse ano vai melhorar a vida de todo o mundo que vai os pedidos dentro da barca.

Pai Geovano, que acompanhou Dona Dora na preparação e realização do cumprimento dessa obrigação, também falou a este bloguinho sobre este ritual…

Isso é uma obrigação que a gente faz pra Iemanjá agradecendo o que nós adquirimos no ano que está se passando e pedindo pra que ela traga prosperidade, porque assim como ela vai seguindo, as nossas vidas sigam também, nossos caminhos sejam abertos, nossos amores que perdemos no passado e que queremos muito, que no futuro volte e tudo mais. Esse espelho, essas bijuterias que a gente oferece pra Iemanjá pra que ela se lembre da gente o ano todo. É esse o ritual da barquinha solta no mar, representando a nossa liberdade em adquirir coisas e um agradecimento que o mais profundo de todos.

ENQUANTO SERAFIM SEGREGA, O POSEIDON SEGUE…

O prefeito Serafim, às vésperas do ano que inicia, afirma em entrevista televisiva que os buracos que ainda existem nas ruas de Manaus, após grande operação da SEMOSBH, se existirem, são “residuais”.

Poseidon I

O resíduo, na semiótica capitalística, é o resto, aquilo que resulta de uma operação, tenha sido algo não esperado ou que “sobrou”, não reagiu, não “aconteceu”. Para Serafim, portanto – e não adianta dizer que não teve a intenção: a palavra escapa ao falante e transborda sentido – os bairros do Novo Aleixo, Monte Sião, Cidade de Deus, Nova Cidade e outros, onde o projeto Poseidon continua vivo e pulsante, são resíduos da Manaus que ele acredita administrar. Ou seja: não fazem parte dela.

Poseidon II

Mais que um desrespeito à cidade (maior exemplo de uma não-cidade é um administrador que não consegue, perceptivamente, compreendê-la), é uma demonstração de que o prefeito e sua equipe não dispõem dos elementos epistemológicos e afetivos necessários à criação de linhas intensivas produtoras de uma cidade-comunalidade.

RESÍDUO-DEVIR

Para a filosofia, no entanto, o resíduo quer dizer outra coisa. Para os filósofos Deleuze e Guattari, o resíduo é justamente o elemento que carrega o intempestivo, o inesperado. Quando se descobriu o processo de refino do açúcar, foi por acaso: era o resíduo de outra experiência. O mesmo se deu com a penicilina e com os raios-x. O resíduo na filosofia é o resultante de um processual, uma experiência: resultado de um encontro de corpos onde as noções comuns proporcionam o surgimento de um outro corpo, para além das expectativas. 1+1 não é igual a 2. 1+1 = 1. É sempre um outro surgindo, carregando o novo. Comunitariamente, os “resíduos” de uma cidade produzem no corpo-cidade alterações nos modos de existir que estão para além do mero entendimento estatístico da ciência oficial dos governos. Daí a impossibilidade de serem capturados tal como são. Somente uma intensidade pode sentir outra intensidade. E esta prefeitura (assim como o governo do Estado e os poderes legislativos e judiciários do Amazonas) não tem intensidade alguma. São corpos com baixa potência de agir, esmagados pelo ressentimento e pela inação. E a população sente isso.

Poseidon III

Veja aqui as linhas do Projeto Poseidon que deixaram rastros neste Bloguinho:

Monte Sião na Trajetória do Projeto Poseidon

Projeto Poseidon e a Comunalidade Natalina

Projeto Poseidon, Meteoro, Kafka e Comunalidade

Projeto Poseidon e as Crianças no Movimento das Águas

E Poseidon Vai Chegando Intempestivo…

Que Venha a Prefeitura, Projeto Oceânico Poseidon…

DAS PROXIMIDADES ATIVAS DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

O final de um ano é tido como um momento de avaliação e futurações para o ano vindouro. Pelo (des)entendimento capitalista, a essa questão passa sempre pelas cifras/lucro armazenado e como armazenar mais e mais. Para as pessoas que mantém uma relação de afetividade, de vivência autêntica com os outros, é um momento de entrar numa conversação para ver em coletividade o-que-valeu-a-pena e fazer projetos reais de futuras realizações comunitárias. Durante o ano de 2007, realizamos neste bloguinho intempestivo alguns trabalhos a respeito das religiões Candomblé e Umbanda. Como as religiões afro-brasileiras são muito procuradas nestas épocas para fazerem suas previsões, devido aos seus conhecimentos e sensibilidade em perceber acontecimentos que se darão ou que podem ocorrer, estamos trazendo aqui as previsões de alguns Pai de Santo que nos abriram as portas dos barracões neste ano. Então, aproveitamos também para agradecer ao Pai Gilmar, Pai Francisco, Pai Geovano, Pai João Bosco, Pai Ribamar e todos os outros da imensa comunidade de todas as religiões afro, que, além de uma crença bonita, pujante, praticam, lutam por enaltecer, diminuir preconceitos de manifestações que estão na própria indiscernível origem de nossa cultura, enquanto criações intempestivas que preservam nossa essência de agir, de viver.

AS PRE-VISÕES DE PAI GILMAR, FÔMU DE IEMANJÁ

SOB A REGÊNCIA DE OGUM

O ano de 2008 vai ter como patrono Ogum, junto com Oyá, Iansã. Será um ano de muita guerra, muita batalha, muito problema e principalmente muita confusão. As pessoas que gostam e que acreditam na força do mundo espiritual, seja ela os orixás e os cabocos, que se peguem muito com Ogum, o senhor da estrada, o senhor da guerra, o patrono da confusão, não de fazer confusão, mas sim de resolver. As pessoas que querem resolver problemas amorosos, financeiros, de doença, que se peguem com Ogum, São Jorge na Igreja Católica, peça a ele pra ajudar, porque vai ser um ano de muito fervor, um ano muito quente, mas vai ser um ano muito bom.

DAS CONFUSÕES NA POLÍTICA

Na política vai ser um ano de muita briga, até mais do que a gente tá acostumado a ver. Nessa política que vem aí no ano de 2008, vai ser um ano de muita confusão, muito disse me disse, muita coisa podre, muita coisa suja vai ser colocada tudo pra fora.

Pro Brasil, vai ser melhor de um modo geral. Se as pessoas prestarem mais atenção, além do que já prestam, vai ser um ano muito bom, muito positivo.

Um político muito influente vai falecer esse ano, eu não sei o nome dele, mas é um político muito influente. Porque tem muitos políticos influentes, o Arthur, o Jefferson Péres, o Amazonino, o Gilberto Mestrinho. Um deles, eu não sei qual é, mas nós vamos ter uma perda muito grande esse ano de 2008, provavelmente na metade do ano, do primeiro pro segundo semestre.

DA POLÍTICA COMO JOGO DE AZAR

Tem alguns políticos que já me ligaram, o Gilmar Nascimento, que é meu amigo pessoal. Mas eu não gosto, acho política igual jogo, jogo de azar. Acho uma coisa muito improvável, primeiro porque se eu jogar hoje, pra hoje é uma coisa, porque mesmo que eu vá prever o que vai acontecer daqui a dois dias, mas daqui a uma semana pode ter mudado porque o presságio, o tempo de hoje está abafado, com o sol quente, porque o sol tá lá em cima e ele não some, tá abafado por causa das nuvens e com pancadas de chuva, mas daqui a meia hora o sol pode tá abrindo. O próprio presságio do momento vai falar uma coisa, daqui a uma semana vai mudar completamente. Tem previsões certíssimas, mas eu, em particular, não faço. Eu gosto, eu gostei de você, me dei bem com você, aceitei suas propostas pra mim. Lógico que a proposta é feita pra coletividade, mas pra minha cabeça o que você está propondo a ser vereador e se eu acho que vai fazer, então eu vou e voto em você. Tem gente que vota até pela beleza. A mulherada votou no Collor porque achava ele bonito e olha a merda que fez.

DA INCONSTÂNCIA DOS POLÍTICOS

Na eleição passada, ele [Gilmar Nascimento] veio foi na frente da minha casa, gravei entrevista com ele e tudo. Ele disse que vinha e que ia ajeitar a nossa rua, porque realmente é uma coisa pequena. Aqui atrás não, aqui atrás é grande, que tem aquele mural de pedra que chamam de rip-rap. Mas aqui não, aqui é só canalizar. Lá na frente mais é canalizado, e porque aqui nada? A gente pediu dele. No outro dia ele estaria aqui, cadê? Vai fazer quatro anos e até hoje. E muito pelo contrário, foi um dos políticos que virou as costas pro projeto do Parque dos Orixás, e nem quiseram ler. E vamos começar a briga de novo, porque a ministra Marina Silva também já está a nosso favor porque nós falamos com ela quando esteve aqui em Manaus, falamos que o projeto não foi pra votação, não foi lido, e ela disse que é inconstitucional. Qualquer cidadão, isso ela falou, pode até pegar papel higiênico e escrever o projeto e eles têm que ler no papel higiênico. O que vai fazer quando o presidente se manifestar e colocar em votação aí cada um se coloca como sim ou como contra. Mas não se recusar a ler. Ela disse que tem um monte de coisas aí. Primeiro porque é inconstitucional, tem que ler, e segundo, que tem a discriminação e aí vem um monte de coisas, e ela disse que era pra reformular de novo o projeto e etc, que ela seria uma das militantes.

DAS VÃS CRENÇAS DOS POLÍTICOS

Não foi eu que falei com ele, eu não gosto de mentir, mas eu falei com uma das secretárias dele particular, a Mariene, da Semasc. Ela veio aqui em casa várias vezes em reunião, com os santinhos do Marcelo Serafim, disseram a mesma coisa, que iam ajeitar a rua toda, até hoje desde o ano passado. No começo deste ano, tinha um buraco imenso aí na frente, aí agente pediu, pediu, e vieram ajeitar. Aí nessa descida pra cá, colocaram uma placa na rua com quase 700.000 quera o custo da obra pra ajeitar as ruas. As ruas. Ajeitaram só a rua principal, nem a outra e nem a descida. 700 mil reais eles gastaram pra ajeitar duas ruas. Até hoje. Eu falei com ele lá na câmara, disse “e aí?”, ele disse que já tava tudo certo e até hoje. Nunca veio na minha casa, e nem ligar…

O HOMEM INGRATO

Feliz Ano Novo! Adeus, Ano Velho!”. Antes era apenas uma enunciação tomada como ingênua, lembra? Hoje, porém, além de um chavão, é uma palavra de ordem. Um imperativo. Tu vais cair nessa, 2008? Não acredito que vais deixar barato essa perversa ilusão temporal. Ora, ora, anual! Embora o homem ingrato te tenha como um cronos, uma linearidade pontuada, tu és movente, indivisível, incapturável. No teu interstício escorre Aion. O fora, o além do exterior e o mais próximo, distante do interior. Queira ou não queira o homem ingrato, tu sempre escapas. Mas se não acreditas, intempestivo, olha só. Na passagem do 31 de dezembro de 2006, para o 1 janeiro de 2007, o homem ingrato, exultante, cantou este mesmo enunciado do “Feliz Ano Novo! Adeus, Ano Velho!”. Esperou este teu parente com ansiedade jamais vista. Quis vê-lo. Tê-lo. Tudo nada mais que o futuro paraíso prazeroso. Fez pedidos, promessas, duvidou, tudo como comprometimento 2007 à felicidade. Como se diz: o 2007 era o bicho da goiaba. A idéia do “agora vai”. Hoje, neste 31, é tua vez. Não te engana, 2008. Este homem é ingrato. Como diz a estorinha infantil: “Hoje ele te dá mel, amanhã te dará fel”. Ou como diz a toada do boi maranhense: “Carne seca na janela, se alguém olha pra ela (Catirina) pensa que lhe dá valor”. O homem ingrato não te tem valor, 2008. Saca esta. Uma vereadora, que se diz da esquerda, deseja para Manaus, em 2008, portanto em tI, o mesmo que 2007. Antecipadamente, ou a priori, como diriam os intelectuais, te culpa por tudo que é Manaus hoje. Uma cidade cujos afetos não se constituem em comunalidade: aumento da potência de agir sócio-politicamente. Saca esta outra. O governador Eduardo Braga se coloca em outdoor, em matéria da revista Isto É, conhecida como marqueteira da propaganda paga, que é o político do Meio Ambiente de 2007. O que inferes disto? Isto mesmo. Ele projeta o teu comprometimento. E o que é que tu tens a ver com esta autoglorificação? Nada. Mas vais ter que pagar. Outra sacada. Quantos neste momento estão culpando o 2007 como responsável por suas incompetências administrativas e já depositando em ti a responsabilidade de um sucesso futuro. Recurso que Lula não adota. Eficiente, se alegra com as realizações políticas/sociais junto ao povo. De certa forma, esperando a passagem temporal, tua chegada, sem nenhuma alucinação paranóica. E os amantes do ocultismo, que procuram os pais de santo para te escarafunchar e saber o que guardas como surpresas futuras? E os invejosos, que esperam que tu vingues os fracassos deles? Fernando Henrique, Arthur Neto, Agripino Maia, Mão Santa, Heloisa Helena, Tasso Jereissati, Diogo Mainardi, Eliana Catanhêde, Ali Kamel, Heitor Cony, Clovis Rossi, Josias Souza, Jô Soares, Lúcia Hipólito, Miriam Leitão, Jabour, Bonner-Simpson…; todos rezando para que faças Lula fracassar. Se for possível, nas eleições que carregas.

Então, embora nós saibamos que não podes saber nada do passado, tu vais ter que tomar posição: ou acreditas no que estamos mostrando ou espera o teu 31 de dezembro para saber a verdade. Pois foi assim com os outros anos. O homem ingrato compulsivamente troca um ano por outro sem qualquer consideração. Parafraseando o teatrólogo alemão Brecht: “Troca de ano como se troca de sapato”. Portanto, 2008, sejas mais Aion que Cronos. Mais devir que ressentimento e má consciência supersticiosa.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ MAIS UM JOGADOR MORRE NO CUMPRIMENTO DO DEVER. Desta vez foi na Escócia. Motherwell FC e Dundee United disputavam neste sábado partida referente à 20ª rodada da Premier League escocesa, quando, a cinco minutos do fim, o capitão do time da casa, Phill O’Donnel, 35 anos, caiu em campo, foi socorrido, mas não resistiu e faleceu momentos depois. Ainda não há causa comprovada da morte. O jogador serviu à seleção de seu país em 1993, e registra passagem pelo Sheffield Wednesday (Inglaterra) e Celtic (Escócia). Mais um para a lista dos atletas cujo corpo não suportou a mudança do futebol de ludus para labor. E o futebol cada vez mais feio…

Θ JANELA DE CONTRATAÇÕES ABRE EM JANEIRO. Na Europa, é o momento em que os times podem negociar jogadores. Há, por conta disso, muita especulação, como não poderia faltar a um business que movimenta mais que a economia da maior parte dos países do mundo. Milan quer Ronaldinho. A imprensa espanhola “fritou” o jogador durante os últimos meses, acusando-o inclusive de não querer pagar os impostos, que aumentam após sete anos vivendo na Espanha. Berlusconi o quer. Mas a imprensa inglesa já conta com as melenas do gênio de Porto Alegre nas hostes do ultradireitista Chelsea, de Roman Abramovitch. Afora Ronnie e as mudanças nos mais-mais do velho continente, há a esperança de jogadores que se destacaram (e que têm um bom agente/empresário) conseguirem migrar de centros menos valorizados (leste europeu, Ucrânia, Holanda, Escandinávia, África, América do Sul, dentre outros) para ganhar em Euros e aparecer no olho do furacão da mídia internacional. Jogadores, treinadores, dirigentes correm atrás do dinheiro. A bola continua se apaixonando perdidamente pelos mais feios, mais tortos, mais desprezados e mais odiados pela moral capitalista…

Θ CAMPEONATOS REGIONAIS EUROPEUS. Estreando no ‘Chagão!’ os campeonatos nacionais de Escócia e Grécia. Alemanha, Espanha, França, Itália e Portugal esperam pelos presentes de Noel da janela de transferência de jogadores, enquanto pulam três ondinhas por dias melhores. Enquanto isso…

INGLATERRA: Em sua 20ª jornada, vira vira revirou! O Arsenal, primo esnobe do Arsenal de Sarandí (Argentina), recuperou a liderança hoje. Contou com uma vitória não-elástica (se fosse elástica, ia e voltava) fora de casa contra o Everton, 4 a 1. Contou ainda com a conivência do ex-time de Tevez, o West Ham, que venceu o atual time de Tevez, o Manchester United, 2 a 1. Chelsea, Liverpool e Manchester City completam os cinco primeiros.

HOLANDA: Empate técnico entre PSV Eindhoven e Feyenoord na Eredivisie. Ambos tem 36 pontos, mas o time dos cansados e piauífóbicos da Philips tem mais gols marcados e um saldo maior. Lidera, pois. Desta feita, bateu em casa o NAC Breda por 2 a 1. Já o Feyenoord, antigo líder isolado, não passou de um empate magro (1 a 1) com o SC  Heerenveen. Ajax, FC Groningen e Roda JC completam os cinco primeiros.

ESCÓCIA: A Premier League da Escócia conta com 12 times que jogam, rejogam e re-rejogam entre si, num total de 33 rodadas até que saia o campeão. Apenas uma justificativa para aquele canecão de cerveja ou uma farta dose de Scotch. A 20ª rodada foi disputada neste sábado, com vitória do atual líder, o Celtic, para alegria do Papa, por 3 tentos a zero contra o Gretna. Lidera com 43 pontos. Três a mais que o Glasgow Rangers, que também venceu, 2 a 1 fora de casa contra o Hibernians, para também alegria dos protestantes. Motherwell, Dundee United e Aberdeen completam os cinco primeiros.

Grécia: A National League da terra dos filósofos conta com 16 clubes, entre sofistas, socráticos, ptolomaicos, estóicos, platônicos e aristotélicos. O atual líder é conhecido carinhosamente como Atlético de Constantinopla, ou AEK, que tem 33 pontos. Em segundo lugar, vem o alvirrubro Olympiakos, dois pontos atrás. O tradicional Panathinaikos corre em terceiro. Asteras Tripolis e Aris (seria o Aris a versão futebolística do deus da Guerra? Alguém sabe?) completam os cinco primeiros, na rodada de número 14.

PREFEITURA: MARKETING EM DETRIMENTO DA URBANIDADE

O prefeito Serafim afirmou em entrevista que 145 ônibus novos entraram em circulação em Manaus, em 2007. Outros 40 estariam por chegar, totalizando em 31 de março os 500 propalados nos vidros traseiros dos coletivos manoniquins. A propaganda oficial, feita em outdoor, diz que serão 500 novos coletivos, com mais de 200 já rodando. O prefeito Serafim é economista.

Mais que uma distorção dos valores, a tentativa do marketing prefeitural só consegue, como diz o jornalista Mino Carta, produzir “furos n’água”. Dos entendimentos que podem ser extraídos do episódio, este Bloguinho Intempestivo destaca dois:

1) A ausência de um pensamento urbanístico para a cidade de Manaus. Situação que vem de praticamente todos os governos e prefeituras anteriores, e que continua na atual gestão municipal. A malha viária urbana de Manaus foi feita sem critério algum, sem um projeto de cidade que pensasse a distribuição das vias em termos do crescimento econômico e social. Manaus, como se diz no senso comum, sem um entendimento real da dimensão do problema, é um enorme inchaço. E não se percebe na atual administração a possibilidade intelectiva e a disposição existencial para fazê-lo.

2) A confirmação de que a linha administrativa da prefeitura tem uma preocupação maior com o marketing do que com as ações. O marketing, como já colocado aqui pelo Bloguinho, é um discurso sobre o vazio, um significante descolado de seu significado. Portanto, não tem força de ação senão numa subjetividade que permita a esses códigos suplantarem o real (ilustração: a moral das igrejas apocalípticas, os valores “nobres” da classe média, tentando em vão imitar as medíocres autoproclamadas elites). Para o povão, que pega ônibus todos os dias, que abre as janelas e encara o projeto Posseidon na sua rua, que vê a propaganda dos dutos que vão acabar com a falta de água mas que continuam pagando por vento nas torneiras, dentre outras manifestações do real que anulam a peça marketista, a propaganda não pega.

i iNDA TEM FRANÇÊiS Qi DiZ Qi A GENTi NUM SEMO SERO

@ BOLSA-FAMÍLIA TRANSFERE MAIS DE R$ 8,9 BI. O programa principal do governo Lula, o Bolsa Família, garantiu a transferência de renda à 45,8 milhões de brasileiros, correspondentes à aproximadamente 11 milhões de famílias. O programa, que exige em troca a permanência da criança na escola, o acompanhamento no posto de saúde das crianças e o pré-natal das grávidas é responsável por um acréscimo de 45% na renda familiar desses brasileiros. Entidades como o Banco Mundial e o IPEA, em pesquisas, constataram que, à parte erros e malversações prefeiturais, o programa realmente atinge a base da pirâmide sócio-econômica (Fonte: MDS). È de se compreender as atitudes da direitaça, quando luta para acabar com fontes de financiamento destes programas, como a CPMF. Embora ainda não tenha permitido um significativo aumento da autonomia econômica dessas famílias (por condições que ultrapassam a alçada do programa – é uma questão de subjetividade capitalística), o programa diminuiu em muito os mecanismos e estratégias de cooptação e chantagem de politiqueiros que se elegiam em função da miséria alheia. Num mundo onde a fome fisiológica é transformada em fome social, programas como o Bolsa Família e seus correlatos latinos e africanos não são uma solução permanente, mas incomodam e muito as estruturas de dominação social de mais de 500 anos. I inda tem françêis…

@ CLASSE C ATACA NO COMÉRCIO ONLINE. O portal Mega Omni, que agrega mais de 35 mil micro e pequenas empresas, além de pessoas físicas que atuam no comércio pela internet, divulgou dados da sua performance anual que permite demonstrar como a classe C (crescente no governo Lula) tem incrementado o comércio online. Os notebooks e computadores pessoais são o sonho de consumo dessa classe, que se beneficia da queda de preço para comprar. Segundo a consultoria e-bit, 45% das compras feitas na internet são feitas por famílias com renda de até R4 3 mil, contra 38% em 2001. Resultado do aquecimento da economia: quando os eleitores sentem no bolso as mudanças, não tem teratogenia nem factóide de mídia golpista seqüelada que consiga derrubar governo. I inda tem françêis…

@ BENAZIR BHUTTO E A POLÍTICA INTERNACIONAL ESTADUNIDENSE. Quando a ex-primeira ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, pisou na sua terra natal, anos após o exílio, foi por iniciativa norte-americana. Temerosa com a ascensão política de partidos ligados ao extremismo islâmico num país cuja ditadura militar é protegida pelo governo estadunidense, a secretária de Estado Americano Condoleeza Rice convenceu Bhutto a se aliar ao ex-adversário e atual presidente, o general Pervez Musharraf, para compor um governo de coalizão. Um atentado a bomba recebeu Benazir em seu país. Com a proximidade das eleições, e antevendo a força política da adversária, o governo paquistanês começou a “limpar” o poder judiciário, afastando todos os juízes contrários aos desígnios oficiais, e preparou terreno para um retorno em trajes civis para Musharraf. Diante da força política de Bhutto, o governo encontrou dentro de casa uma grande inimiga, que começou a mobilizar seus simpatizantes contra aquela eleição. “Curiosamente”, com a morte de Bhutto (21-06-1953 * 27-12-2007), quem mais tem a ganhar é o governo de Musharraf, que pode, a pretexto de manter a ordem, prolongar o Estado de exceção no país. Os EUA ganham a curtíssimo prazo, mantém o controle sobre o governo do país. Mas dá munição para a oposição e para a crescente ojeriza internacional que vem sofrendo graças à política internacional do governo Bush, voltada para interesses econômicos de grandes corporações. I inda tem françêis…

@ SENADORES TIRANOS NÃO SUPORTAM A LIBERDADE. Por isso, alguns da base “aliada” do Governo, que votaram/gostaram do fim da CPMF, resolveram formar um bloco suprapartidário independente para fazer críticas e exigências ao governo. A lista dos nomes e seus motivos/lamentos estão no blog Amigos do Presidente Lula. Tomamos aqui algumas das palavras vazias utilizadas pelos senadores para fazermos, não uma interpretação, mas pegarmos o que vai pelas entrelinhas: 1) “Aliados do Governo”: a referência se diz a governos anteriores ao de Lula; 2) “Suprapartidários”: está certo, já que a maioria destes senadores corporativistas sempre atuaram para seu grupo, sua classe, em detrimento da população como um todo; 3)“independentes”: o são, com certeza, do público, da política, da inteligência, da democracia; “críticas e exigências”: significa “farinha pouca meu pirão primeiro”, ou “em terra de sapo de cócoras com ele”, ou ainda a fala de um burguês no cinema Encouraçado Potemkim, de Eisenstein, “pérolas com os porcos”… No mais só mágoa, ranger de dentes, por terme de participar sem querer do que nunca fizeram: trabalhos sociais, políticos, projetos inteligentes, conduta ética, etc. Mas o desespero maior, mamãe-eu-morro-de-medo, é que, assim como no caso da CPMF, sabem que, por sua inteligência/prática, Lula não precisou e nem precisará deles para governar o Brasil. Por isso viram o beicinho, batem pezinhos, mas não produzem nenhuma alegria carnavalesca. I inda tem françêis…

@ JULIE GAVRAS DIRIGE A CÂMERA para o cinema como ação política do olhar na sua estréia do cinema como ficção: A Culpa é do Fidel. Diferente das identificações de uma ultra-esquerda impotente, que assiste La Faute à Fidel! como uma denúncia à força ideológica capitalista sobre as criancinhas indefesas, e das também identificações da crítica-julgamento, que assiste como uma denúncia à imposição ideológica dessa ultra-esquerda, e que tenta abafar os anseios das novas gerações, a filha do cineasta político/filósofo/artista grego Costa-Gavras (“Z”, Estado de Sítio, O Quarto Poder) faz cinema fazendo ver para além da poeira que é a “ideologia” e liberando afectos e perceptos que não eram vistos/sentidos pelo olhar embotado de todos que destilam a bílis do ressentimento. Como cineasta-filósofa, Julie se situa à esquerda, como diferença e sensibilidade na construção da imagem como novas formas de ação no mundo. Talvez até vá às salas-shopping coca-pipoca-cola de Manô, mas por no máximo 1 dia. Ainda bem que sempre existem outras formas de ver kinema. I inda tem françêis…

Vamos que vamos

Quem foi, passou

E quem não foi

Já vai chegando…

MONTE SIÃO NA TRAJETÓRIA DO PROJETO POSSEIDON

A rua, como diz o filósofo italiano Toni Negri, é onde todas as ações de uma cidade acontecem. A inexistência da rua em uma cidade atesta a inexistência do espaço público por excelência, a inexistência de política, a inexistência da própria cidade. O que existe é apenas uma jogatina entre grupos que se auto-revesam na dominação decorrente do poder constituído está sendo usado meramente para fins privados por usurpação da coisa pública.

 

 

 

 

O bairro do Monte Sião está localizado na Zona Leste de Manaus, entre a Cidade de Deus, o Valparaíso e o Jorge Teixeira. Lá podemos constatar aquilo que vimos mostrando neste bloguinho através do Projeto Poseidon e que pode ser visto e sentido pela população em todas as zonas da cidade: o péssimo serviço de construção de ruas nas gestões passadas da Prefeitura de Manaus, sem saneamento básico, com materiais de última qualidade em obras paliativas (o famigerado asfalto papelinho), geralmente em períodos eleitoreiros.

Na atual gestão as coisas não continuaram como antes. Nem isso. Como se pode depreender das fotos postadas aqui, você poderá fazer um ‘passeio’ nas ruas do Monte Sião, onde praticamente todas as ruas estão destruídas. Em conversas com os moradores, eles falaram a respeito dessa situação: a dificuldade de locomoção; a erosão fácil pela água das chuvas; a impossibilidade do tráfego de carros, o que impede a passagem regular da coleta de lixo e a entrega de mercadorias aos mercadinhos e tavernas; o mau-cheiro da lama acumulada, que, como se sabe, também acarreta o aparecimento de doenças, etc.

Os moradores relataram que já fizeram reuniões em algumas ruas, já procuraram a SEMOSBH (Secretaria Municipal de Obras, Saneamento Básico e Habitação), que dizem ser um “longo nome pra nenhuma ação”. Também já passaram por lá vários desses programas de televisão, inclusive alguns ligados a parlamentares (vereadores e deputados), quase todos podendo também ser responsabilizados pelo péssimo serviço de construção dessas ruas e a falta de solução atual para o problema. Houve ainda quem lembrasse que um dos “carros-chefes” da gestão do prefeito Serafim, ao lado da “promessa” de água encanada para toda Zona Leste, é a “Operação Tapa Buracos”. Mas, na prática cotidiana de andar por estas ruas-valas, a população sabe que a atual gestão da Prefeitura de Manaus nunca ‘passeou’ por lá, mas nem por isso perde o humor e, neste final de ano, sorri, futurando: ano que vem tem eleição!

PENDENGA NA ELEIÇÃO DO PT Oh!, my darling!

Segundo fontes ligadas ao PT, a candidata derrotada nas eleições do partido, Mariene Pantoja, após entrar com um recurso junto à executiva nacional, realizou ontem sua posse do diretório estadual do partido. A pendenga na eleição do diretório estadual se deu porque o até então vencedor, Sinésio Campos, obteve pequena vantagem.  O grupo ligado a Mariene, que conta com o apoio de 9 dos 17 membros da atual executiva estadual, entrou com recurso junto à nacional, visando eliminar os votos dos diretórios dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Urucurituba e Benjamim Constant, que estariam em pendência financeira com o estadual. Seus votos, portanto, não valeriam. São estes municípios que deram a vitória ao deputado estadual. O deputado tinha marcada para amanhã sua posse, o que, até o momento, não foi confirmado se irá ou não acontecer.

Segundo o site do PT, caberá à comissão formada pelo Diretório Nacional resolver as pendências judiciais referentes aos pleitos estaduais, assim como estes, aos municipais. Esta comissão será formada após a posse da nova diretoria eleita, marcada para ontem, 26.

De qualquer forma, a verdadeira questão, como já foi colocada neste bloguinho (aqui), é saber se com o resultado da eleição, o partido irá se apequenar ou desaparecer no limbo da subserviência aos partidos do governo e da prefeitura. O que, independente do candidato que assumirá, dá no mesmo. Tanto Mariene quanto Sinésio defendem interesses eleitorais, aliados, um ao governo do Estado, a outra, à prefeitura. Nenhum dos dois sintonizados com os interesses de um partido de massas que foi o PT (talvez nunca o tenha sido no Amazonas). Os colegas deputados que comemoraram efusivamente a eleição de Sinésio podem ficar despreocupados: o que vale para um, vale também para outro. São iguais.

Vença quem vencer, o PT Oh, My Darling! permanece.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ EL DIEZ MARCA GOLAÇO CONTRA BUSH. Depois de jogar uma partida de showbol com o Brasil, Diego encontrou-se com o encarregado do embaixada para os negócios iranianos, Mohshen Baharavand, e presenteou o país árabe com uma camisa 10 com os dizeres “Com todo o meu carinho para o povo do Irã”. Mais que negócios, Diego faz diplomacia, e aproveita para alfinetar os americanos. Ainda que eles não gostem de futebol, o resto do mundo sim, e a campanha de Maradona, se pouco, serve para promover discussões sobre política internacional em públicos que são pouco afeitos a isso: os torcedores. “Estoy con los iraníes de todo corazón, de verdad lo digo, lo digo porque lo siento y estoy con el pueblo de Irán“, afirmou durante o encontro. Dieguito faz a parte dele; resta às ONG´s, educadores populares e interessados nas linhas intensivas da política como potência de agir em comum fazerem a sua, aproveitando o gancho pra aprofundar a discussão. O que não aconteceu com a Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA), que condenou a vontade do craque em conhecer o presidente iraniano. A AMIA foi vítima de um atentado a bomba em sua sede em 1994, atribuída por eles a militantes amparados pelo regime iraniano. Maradona, que nada tem a ver com ressentimentos – principalmente de quem condena a dor alheia, mas cultiva a sua própria como um estandarte para a opressão, caso de muitos israelitas que correm a gritar quando se acham vítimas, mas nenhuma palavra sobre o massacre israelense sobre o povo palestino – continua dando seus dribles, agora no campo da política internacional.

Θ NO LESTE EUROPEU A CORRUPÇÃO É MAIS VISÍVEL. Bulgária, Romênia, Croácia, Sérvia, Bósnia, dentre outros. Países onde a máfia tem relação direta com o futebol. No site esportivo MaisFutebol, de Portugal, uma reportagem sobre jogadores lusos que estão desistindo de jogar na pátria de Hristo Stoitchikov (que se diz mais catalão que búlgaro) pelas condições de trabalho. Afirmam que o país é atrasado, xenófobo, os dirigentes manipulam os resultados e não honram os compromissos financeiros. Não, não é o Brasil. Embora a descrição funcione sem nenhum retoque. No seu livro “Como o Futebol Explica o Mundo”, o jornalista estadunidense Franklin Foer viaja a alguns destes países, e embora tenha uma leitura liberal do mundo (um centro-direita política camisa 5 do Milan, embora o jornalista torça pelo Barcelona), mostra com competência como o futebol está imbricado pelos microfascismos (e macrofascismos) do mundo globalizado. Faltou á Franklin – que é amigo de Andrew Jennings – e aos portugueses apenas expandir a sua leitura: o fascismo no futebol não se restringe aos gritos xenófobos das torcidas, nem ao comportamento criminosos de algumas torcidas, ou ao sistema de organização dos campeonatos em alguns países, mas à organização máxima do futebol, a FIFA, que não presta contas a nenhum governo ou órgão internacional, tem um orçamento maior que a maioria dos países que são afiliados, e influência para modificar políticas públicas continentais em favor de seus interesses.

Θ E FALANDO EM CORRUPÇÃO… Depois da Coca-Cola e do Mac Donald´s, os estadunidenses encontraram um outro objeto que pode abrirO mentes, corações e bolsos para sua “causa ideológica”, nome que mal esconde a conquista de mercados consumidores e recursos naturais às custas da soberania dos países. Passeando pela zona livre de Bagdá, o militar reformado e técnico em Tecnologia da Informação, Justin Porto, pensava de que forma poderia diminuir a enorme ojeriza que o povo iraquiano sente por seus “salvadores”, quando resolveu inadvertidamente brincar de bola com um garoto. Resultado: ficou amigo do menino, e as hostilidades (ao menos para com ele) diminuíram. Agora, o militar, cheio das boas intenções, está organizando uma campanha para que americanos doem bolas de futebol para crianças do Iraque. A mesma filantropia que os estadunidenses já usaram na América Latina, quando inventaram a Aliança para o Progresso, que abria os mercados nacionais para as boas ações dos filantropos ianques (e gordos lucros para suas empresas). Até acreditamos que Porto esteja crente da boa ação de sua iniciativa, mas ele poderia escrever nas bolas algo como “USA Out!”, ou algo do gênero. E falando em bondades estadunidenses no Iraque, digite “soldados americanos no Iraque” na procura de imagens do Google, e vejam a desproporção entre fotos de “boas” ações e as de tortura que aparecem.

Θ AO CONTRÁRIO, NA FAIXA DE GAZA, palestinos e israelenses mostram como se pode usar o futebol para enfraquecer velhos ressentimentos. Com a coordenação do Centro para a Paz Shimon Perez, a escolinha de futebol, localizada na conflituosa região, reúne crianças palestinas e israelenses em torno do futebol. No torneio realizado, com participação de 500 crianças, os times foram mesclados entre os cidadãos das diferentes nações. Lá, barreiras como o idioma e as crenças ideológicas dão lugar ao divertimento e ao futebol. Embora se saiba que a grande maioria dessas crianças, quando crescerem, poderão adotar sem nenhuma dificuldade um dos lados da batalha, a tentativa é válida pela resistência através do futebol, e se contaminar pelo menos uma parte destas crianças para que cresçam sem carregar os signos da estupidez e da guerra, já será uma vitória.

Θ CAMPEONATOS REGIONAIS EUROPEUS. Na maior parte dos países, uma pausa para que os goleiros possam comer peru sem recriminações e os jogadores tomarem umas sem a imprensa cair em cima de inveja. Porém, na terra da rainha e na terra dos moinhos e das flores – Holanda (que estréia aqui no ‘Chagão!’), a bola não para de rolar:

INGLATERRA: A 19ª rodada aconteceu hoje, com exceção do jogo entre Manchester City e Blackburn, que deve ocorrer amanhã. Os Red Devils do Manchester United, mesmo sem Carlitos Tevez golearam fora de casa o Sunderland, 4 a 0, e assumiram a ponta da Premier League. O Arsenal tropeçou fora de casa, dois bocejos contra o Portsmouth, e está um pontinho atrás. O Chelsea agora em terceiro, fez eletrizante jogo com o Aston Villa, 4 a 4. Liverpool e Manchester City completam a tabela.

 

HOLANDA: O campeonato holandês, conhecido como Eredivisie League conta com 18 times na sua primeira divisão. O certame iniciou hoje sua 17ª rodada, com três jogos: Feyenoord 2 – 0 Sparta Rotterdam, NEC Nijmegen 2 – 2 VVV Venlo e FC Gronigen 2 – 1 PSV Eindhoven. Mais seis jogos amanhã completam a rodada. A classificação é a seguinte: Feyenoord (35pt), PSV Eindhoven (33pt), Ajax (31pt), FC Gronigen (30pt), SC Heerenveen (29pt).

Θ SAI A TABELA DO BRASILEIRÃO A E B! A Série A inicia em 10/05 e termina em 07/12. A Série B (que todo mundo vai assistir a partir deste ano) começa no dia 09/05 e termina em 29/11, se São Jorge ajudar. Mesmo com os executivos globais pelejando contra a Record e alguns clubes para manter o monopólio, e fazendo campanha entre os clubes do Clube dos 13 para que o formato do torneio retorne aos mata-matas, a fórmula de pontos corridos já conquistou a maior parte dos torcedores, que não precisam ficar a ver navios quando seu time é eliminado: tem torcida até a última rodada, nem que seja para não cair. Aliás, a iniciativa só podia vir mesmo de uma emissora que acredita na limitação epistemológica de seus telespectadores. Por isso o ‘Chagão!’ faz a campanha “Respeite seu ouvido, Futebol na TV só sem som”. Vai abaixo a primeira rodada:

Série A (10 e 11/05):

Botafogo x Sport
Inter x Vasco
Vitória x Cruzeiro
Portuguesa x Figueirense
Coritiba x Palmeiras
Náutico x Goiás
Flamengo x Santos
Ipatinga x Atlético-PR
Atlético-MG x Fluminense
São Paulo x Grêmio

 

Série A (10 e 11/05):

Brasiliense x Marília
Corinthians x CRB
Bragantino x Santo André
Barueri x Gama
São Caetano x Ponte Preta
Ceará x Juventude
ABC x Vila Nova
Paraná x Avaí
Bahia x Fortaleza
Criciúma x América

O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

DA AFETIVIDADE À ECONOMIA NATALINA FANTÁSTICA

Dos Conceitos

& Fantástico. Do grego phantastikós. Enquanto adjetivo, pode ser algo criado pela fantasia, fictício ou falso; mas seu sentido mais usado é como qualidade que identifica algo fora do comum, algo extraordinário.

Fantástico: um programa ordinário

Fantástico é o nome que a “Revista Eletrônica” da Rede Globo de Televisão (RGTV), que é transmitida aos domingos recebe. A escalada (organização e distribuição das notícias ao longo do programa) deste programa dominical faz com que o significado da palavra “fantástico” se esvazie e se torne um signo capturado pela subjetividade lingüística capitalística. Veiculada como signo representativo da forma de informar e comunicar peculiar a RGTV (manter a comunicação/informação como elemento de falseamento da efetividade da realidade, impotencializando a ação dos tele-espectadores), a palavra “fantástico” adentra no escalonamento de significantes ordinários próprios à não informação do médium televisivo. Todas as notícias veiculadas por este programa não escapam do estado comum da ordem estabelecida, ele inscreve em seu corpo comunicacional a freqüência do cotidiano preso à redundância. Suas noticias não causam a informação como criação do novo no mundo, mas adesiva todo o ordinário (o que é habitual, comum, dentro da ordem, mediano) à sua estrutura de programa televisivo.

O Natal Ordinário do Programa Fantástico

Entre as notícias que formaram a programação do Fantástico no último domingo, em sua edição especial de natal, famílias que estavam distantes de seus familiares de diferentes estados brasileiros apareciam para comunicar palavras de afeto e desejar um feliz natal àqueles queridos por eles e física-geograficamente separados. A câmera focalizava a pessoa ou família que emitia a mensagem natalina, que só era interrompida pelos pronunciamentos do repórter que indicava local e o horário que estes espaços que serviam de cenário para a reportagem estariam funcionando. Estes locais eram os principais shoppings das cidades da reportagem. Ao fundo das pessoas as imagens eram de enfeites natalinos, dos presentes e das lojas. O programa dominical da RGTV uniu o afeto típico ao significado do natal com os recursos econômicos próprios à data simbólica que é o natal. As famílias (visivelmente de classe média alta) dispunham de suas emoções à medida que o programa realizava o significante econômico natalino. Mesmo havendo outras reportagens neste mesmo programa que esperavam explorar o afeto natalino, o que vigorou foi o signo econômico do natal como uma data benéfica ao Mercado. As próprias emoções se tornaram mercadoria quando as famílias ligavam suas falas a compras de presentes, tendo como fundo um dos principais símbolos do capitalismo e do ultraliberalismo global: o shopping.

Esta prática é comum ao médium televisivo. Ele impõe a informação dentro dos modelos da economia de mercado e assim faz com que o significado de palavras e ações seja reduzido à imposição da ordem que exige o ordinário como elemento necessário para a conservação das emoções e da passividade televisiva.

Sendo a televisão uma estrutura propriamente ordinária, como ela haveria de entender o natal para além da data simbólica estipulada cronologicamente? Como ela haveria de compreender que quando Jesus, filho de Maria e do operário José, nasce, o que é anunciado não é o nascimento do salvador, mas a de uma criança no mundo, no meio de nós, pois é o nascimento do Novo?

Esta coluna acredita na possibilidade da expansão da consciência pelas experiências autênticas que fazem soltar novas percepções, a criação de novos olhares sobre o mundo. Na alegria-estética de perceber o medium televisivo como uma violência à inteligência coletiva, contamos com a sua contribuição.

A FANTASIOSA MORALIDADE DA FOME E MORTE DE DOM CAPPIO

O Bispo de Barra, Dom Cappio, após um desmaio, encerrou a greve de fome. Mas não cessou de insistir na temática da morte. Afirmou agora que “Lula” morreu, e que o governo pertence a Luís Inácio da Silva. Mas nem mesmo se estivesse falando em termos de identidade, a morte seria possível. O que Cappio não percebeu é que Lula não é um indivíduo. “Lula” é uma partícula-signo que carrega elementos desejantes que sequer pertencem a Luís Inácio. Não é Lula que resolveu se chamar de Lula. Foram as pessoas envolvidas com ele, nas lutas, nos movimentos sociais. O nome, como afirma o filósofo Deleuze, só é realmente um nome ao cargo de um exercício de despersonalização. A volta em si, desmontar os entendimentos clichezados que se adesivaram desde a infância para a leitura do mundo a partir do não-lugar, como sacou Foucault. Nem Lula nem ninguém poderiam jamais matar “Lula”, porque no fluxo vital, não há morte. A igreja, que lucra com a morte, até se pretende proprietária dos corpos pela moral, mas não consegue capturar o incapturável.

Embora muitos articulistas (inclusive o insípido Alexandre Garcia, abonado pela ditadura, e pena sempre alerta dos interesses conservadores) tenham insistido em criticar o bispo no seu próprio terreno – a teologia –, afirmando que seria pecado dar cabo da própria vida, uma suposta contradição para quem diz defendê-la acima de tudo, a questão pode ser observada de outra perspectiva. A greve de fome é uma prática ascética transposta para a política. Kafka, no seu conto “Um Artista da Fome”, mais que qualquer psicanalista, sacou que a fome só pode ser encarada como modo de existir no seu limiar máximo. O artista kafkiano recusa-se a comer nos últimos minutos antes de padecer, e afirma estar enamorado da fome. Não é o caso de quem usa o próprio corpo como recurso produtor de dor para tentar capturar o outro pela culpa e má consciência. Dom Cappio, como sua versão manoniquim, Rogélio Casado*, ao primeiro sinal do corpo (que é político, apesar de seus proprietários), desistiram, e já era de se esperar. A comoção gerada com a atitude do bispo nada mais é do que o resultado de dois mil anos de má consciência infligidas pela igreja. Só quem foi cegado no caminho para Damasco caiu nessa. Até Gandhi, que também fez greve de fome, sabia disso.

Outro equívoco do Bispo, quando afirma que a sua oposição ao governo de Lula é por motivos éticos e morais. Assim o fosse, não poderia ser oposição. A ética não é lugar, não se opõe. É produção, movimento, não posição, imobilidade. É construção coletiva de elementos materiais e imateriais que permita à potência se realizar cada vez mais perfeitamente, como afirma Espinosa. Assim sendo, pode um bispo falar em ética, quando é representante de uma instituição que lucra com a miséria há mais de dois mil anos, e que produziu ao longo de sua existência a maior parte das estratégias de dominação biopolítica que posteriormente foram usadas pelo capitalismo? Pode, claro, mas como palavra vazia, o significante. Palavra morta, para ficar no tema que anda agradando ao bispo.

Enquanto o bispo utiliza a estratégia do ressentimento e da má consciência para protestar (ressentimento e má consciência que estão, aliás, no cerne da criação do catolicismo paulino, que prega um Cristo eternamente preso à cruz), a igreja e o Brasil perdem a lucidez e a atuação política de Aloísio Lorscheider, que parte para outras composições físico-químicas e outros encontros, deixando uma lembrança-corpo que ainda carrega elementos da alegria comunitária. Lorscheider era amigo de Lula, e atuante nos movimentos sociais.

* Rogélio Casado, psiquiatra, se diz articulador da Reforma Psiquiátrica no Amazonas. Reforma que nunca chegou, apesar de ser amigo do governador Eduardo Braga, e ser coordenador de saúde mental desde o início do governo, e agora também reitor de assuntos comunitários da UEA. Casado fez, no final da década de 80, uma greve de fome contra as condições do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, e no primeiro delírio, levantou e comeu. Leia aqui uma nota sobre a atuação de Casado a UEA.

DAS DIFERENÇAS NAS FUTURAÇÕES

£ Enquanto a vereadora Lúcia Antony (PC do B/AM) deseja que em 2008 Manaus continue com o crescimento que teve em 2007, o presidente Lula afirma no programa Café com o Presidente que “2008 será infinitamente melhor que 2007”. Evidente, nenhum dos dois são profetas ou tem o dom da predição do futuro (que aliás, nem existe). Mas como faz parte do Ser o ato de futurar, ou seja, construir no plano da existência uma expectativa como expressão do Desejo a se conceber, é possível levar em conta os dois enunciados. No entanto, só se pode criar uma perspectiva futura levando em conta as condições materiais e imateriais com que se conta no presente. Nos oito anos de réveillon tucanos, o povo já expectava: muda o calendário, as coisas permanecem. Com Lula, não. Há a possibilidade de expectar algumas mudanças, ainda que não sejam aquelas que modificarão profundamente as seculares relações políticas e sociais de submissão ao capital estrangeiro. No caso da vereadora, expectar um ano para Manaus com o mesmo ritmo de 2007 é demonstrar um entendimento sobre o social muito próximo ao da direita: epistemologicamente reduzido, com as percepções sendo substituídas pelas imagens-clichê da mídia marketizada de prefeitura e governo. Senão aí, neste engodo, onde mais a vereadora teria visto crescimento social em Manaus?

£ E Lula ainda espetou a direitaça, que deve ter uma ceia natalina indigesta com os números divulgados durante o ano de 2007. Afirmou o presidente que o povo pobre está comprando mais, tornando-se consumidor. Embora não seja uma revolução social, como também falou o presidente, comer e consumir é sinal de que as pessoas terão possibilidade ao menos de suspeitar daquilo que está acontecendo ao seu redor. A eleição de Lula, a despeito do massacre midiático, é uma evidência disto. A repercussão negativa do fim da CPMF pela população, embora não encontre eco na opinião pública oficial e bem educada da classe mídia, também fará em breve ecoar seus dizeres nas urnas. Arthur e FHC, dois políticos profissionais com baixíssima popularidade no país, que o digam.

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# Segura essa: Dia de Natal, segundona, cinco dias após do TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual. Segura mais essa: Ano Novo, muita lombra, período fértil, e como diz o bolereiro Nunes Filho, “estou subindo pelas paredes”. Pode, mamãe? Entrar o Ano Novo sem um novo imbricamento erótico/existencial é pecar contra carnedade. “Mas não tem nada não. Tá tudo azul na América do Sul”. Na falta da covardia dos cinco contra um, la palmita della mana, dos ditos homens, vai o el dedo delator. Como disse o antipsiquiatra africano, David Cooper: “Não importa a forma, o que conta é o orgasmo”. Ou como afirmam, os chê, Kleiton & Kledir: “Ser feliz é tudo que se quer”.

# Concorrências entre as TVs Globo, Roberto Carlos e Record, Fábio Júnior. Empate em audiência. Saltar de uma para outra, Ambrósio, ‘tu viu’, tudo igual conforme o princípio de identidade. “Mas que a terra se move, se move”, como disse o ajudante de Galileu, Andreas, na peça de Brecht Galilleu Galilleu.

# Um bêbado na frente da igreja São Sebastião gritou: “Papai Noel não existe!”. Uma senhora saindo da igreja, contrariou-o: “Existe sim. Não está vendo ele na praça?”. Ao que o amigo de Dionísio respondeu: “Só se for o do prefeito Serafim e do governador Eduardo Braga que vivem brincando de governar a capital e o estado”.

# Enquanto isso o companheiro Lula comenta os feitos de seu governo. Mobilidade social ascendente das classes pobres. Os ricos gemem e a classe média deplora. Como diria seu Paduk na peça Lux In Tenebris, Luz Nas Trevas, de Brecht: “A inveja é uma merda!”. E nós daqui da linha do Equador que não temos nem a merda para invejar como política.

# Ambrósio, estando o Papai Noelson distribuindo sorvete para as crianças do bairro Novo Aleixo, abraçou uma que lhe disse não querer sorvete, mas sim brinquedo. Ao que o bom velhinho, em sua performance, respondeu que não tinha brinquedo, só sorvete. A criança baixou a cabeça e foi embora. E aí, Ambrósio, o que dizes? A infância está na comida ou no brincar? Nas duas? Mas o que faz uma criança rejeitar o comer e preferir o brinquedo? Será que esta criança já estava tão alimentada e por isso elegeu o brinquedo como sua necessidade? Ou apenas queria manter a fantasia do poder de Papai Noel em realizar sonhos fora da perversa realidade social? Ou será que seu devir criança lhe deslocou para um território onde percebeu ser o brinquedo o elemento de criação de sua existência movente? Hein, Ambrósio? Por onde andam os governos que não sabem da fome e do brincar das crianças? Ambrósio, Ambrósio… Olha lá.

# Perdoa-me, meu amor! Nesta noite de Natal não posso ficar contigo. No meio desta rua deserta,

            Eu vejo a criança que passa

            Carregando a marca

            Da insensatez

            Seus olhos sem presente e futuro

            Levam o orgulho do mundo burguês

            E quem vai pagar esta obra prima

            Cuja letra rima

            Com assassinar

            E quem vai pagar as noites

            Em que os açoites

            São as canções de ninar

            E você que se acha inteligente

            Mostra-se inconseqüente

            Ao não querer tomar partido

            Mas não se iluda

            Por acaso está salvo
Pois você também é alvo

            Mas se sua sorte mudar

            Está perdido

            Enquanto você fica consumindo

            Discursando lindo

            Sobre a sua segurança

            Na rua abandonada e escura

            A tara da loucura

            Assassina

            Outra criança

            Cansei do Rock!

            Não sei onde

            Me coloque.

            O meteoro se aproxima

            Não sei se suporto

            O choque.

Abraços e beijos Vertebrais natalcientes!

UMA BAGACEIRA NATALINA AFINADA

Eu queria ser poeta

E decifrar os versos prontos falando de amor

Mas não sobrou algumas palavras

E por isso decidi falar usando o som

A música penetra a alma

E pode chegar até seu coração…”

Tudo começou com a situação da ex-rua Rio Jaú, no Novo Aleixo, conhecida já neste bloguinho a partir do Projeto Poseidon. Devido à inexistência da rua produzida pelos governos passados e presentes na não-cidade de Manaus, os moradores resolveram fazer do Natal algo além do que a festa simplesmente familial e resolveram fazer uma festança comunitária. Para tanto, contactaram Mário Augusto, “O Bonde do Bolero”, como é conhecido nas casas de Manô, prepararam as comilanças, do bode assado ao pato no tucupi, cotizaram para as bebelanças, e quando o bolerão rolou caíram na ginga e na beleza de festejar com aquilo que nenhum péssimo governo poderia impedir: a alegria.

Meu nome é Mario Augusto. Tenho 37 anos de carreira, na luta, ralando direto. Eu tô com 8 meses aqui em Manaus, trabalhando, lutando, tô com 3 CD’s gravados, 2 de forró e 1 de bolero. Sou de Fortaleza, nascido em Tiaguá, mas casei no Pará, em Monte Alegre que é a minha terra. 25 anos de casado no Pará. Eu andei em Marabá, Serra Pelada, no tempo dos garimpos, fazendo show com banda, Belém do Pará, Macapá, Oiapoque, Chuí, na Colômbia, sempre com banda. Agora eu tô com carreira solo. É por aí o caminho…

Aqui em Manaus, eu queria que aparecesse um empresário pra me empresariar, porque as minhas canções são muito boas. Eu sou cantor e compositor. O meu CD eu gravei agora no Fast Clube em Manaus. São 6 canções minhas, inéditas, e 12 dos outros cantores que a gente liga e pede permissão pra gravar as canções. No momento aqui em Manaus eu tô conhecido como “O Bonde do Bolero”, Mário Augusto, que com oito meses eu já vendi quase mil CD’s. Eu espero que apareça uma pessoa pra me iluminar e crescer em Manaus, porque essa terra aqui é muito boa, bonita e maravilhosa. Gostei daqui e vou ficar aqui, lutando aqui. O outro rapaz que canta é meu filho, o que toca é meu filho, por sinal, muito bom, toca divinamente bem. Começou com 13 anos. Ele está no trabalho comigo há 7 anos.

Eu sou um cara muito humilde, eu gosto de fazer amizade, como cantor, como profissional. Gosto de abraçar a todos, faço um show alegre, contente, gostoso e só canto sorrindo. Quem quiser me contratar no momento, quem quiser me conhecer, quiser conhecer o meu trabalho, o meu CD, meu telefone é 9612-2627 ou 9605-1893. Eu levo esse show pra qualquer canto do Brasil. Tenho as minhas dançarinas, tenho um grupo formado com toda a galera, são 8 pessoas. Tô tocando pra galera me conhecer…

E assim o galo cantou e a festa continuou, e continuará comunitariamente no corpo e na afetividade que aproxima as pessoas numa linha existencial lúdica fazendo microfissuras na realidade objetiva excludente que o poder constituído propaga e deixando passar no arrastapé do bolero e do forrobodó experiências que, como diria Nietzsche, nunca passarão pelo sistema nervoso central dos ressentidos elitistas, que somente o povão, com toda a sua diversidade, nas suas criações intempestivas, inimagináveis vão tecendo como novidade: Natal…

 

O BURAQUINHO DA XUXA

O filósofo francês Deleuze afirma que mesmo capturado por uma subjetividade sujeitadora, cuja pragmática é voz de comando do buraco negro, território imobilizante das potências criativas, todo sujeito carrega um buraquinho por onde pode atravessar a inteligência, linha de fuga/produtiva, capaz de causar rupturas impulsionadoras de novas formas de percepções/cognições-afetivas. Pois bem, e não é que a tia Xuxa, negando a voz de comando do buraco negro Globo, arreganhou seu buraquinho e permitiu atravessar uma nesga de inteligência, enunciando em público a estesia em que está paralisada a fantasmática mídia: “Não sou só eu que estou perdendo audiência, é a Globo como um todo”. Alguém, em sua maldade, poderá perguntar: “Mas isso é inteligência?”. E logo responder: “Isso o eleitor do Lula já sabe”. Certo, mas se tratando de alguém acometida da fabulação infanto-juvenil que muitos acreditavam ser destituída desta faculdade intelectiva, é mais do que prova. Tanto é que seu feito a coloca em grau de superioridade epistemológica ao borbulhante calunista social da Veja meu bem, Mainardi, que mesmo com todo seus rompantes fantasiosos de intelectual, segundo o filósofo Maurício Colares, em seu texto, “Lula é uma Anta?”, é destituído de tal buraquinho; portanto, é tapado. Fato que a tia Xuxa, dita infantilizada (doença da infância), na força de seus hormônios quarentões conseguiu eximir de si diante da opinião pública. O que o seqüelado/midiático não consegue. Além de quê, não ficou só em seu argumento de defesa. Ridicularizou o dogma da mãe do Ali Kamel, afirmando que “a própria novela das oito, que sempre foi o carro-chefe da Globo, está perdendo audiência”. Se ela vai continuar atualizando essas vibrações intelectivas, será ou não sua questão. O que nos importa é que ela disjuntou pontos paranóicos do buraco negro. Cortou por dentro a rede quando se acreditava ser ela um ponto bem fixado. Por tal, pedimos sua bênção, tia Xuxa! Valeu o presente de Natal. Mas como somos gulosos, queremos mais.

O NATAL COMUNITÁRIO DO PAPAI NOELSON

O Natal é o nascimento do Novo. Novas relações nas quais as pessoas possam entrar em proximidades autênticas, para além das performances utilitaristas que tentam se apropriar das manifestações subjetivas construídas comunitariamente. Assim, todos os anos, desde 2002, Nelson Rocha deixa passar os fluxos do Papai Noelson e sai por bairros da cidade de Manaus distribuindo sorvetes gratuitamente para a criançada e para todos que entram afetivamente, independente de cronologias, no gosto dos diversos sabores do sorvete. Todo o evento sendo organizado por Nelson, proprietário da fábrica de sorvetes Sempre Frio, com a participação e auxilio de amigos e comunitários. A AFIN acompanhou Papai Noelson na distribuição que ocorreu ontem desde a manhã até a tarde e traz aqui imagens e uma entrevista com o Papai Noelson sobre as afecções de entrar numa linha lúdica com as pessoas. Corre a meninada, vêm todos que é o sorvete do Papai Noelson que vai passando.

Há 14 ou 15 anos atrás eu descolori a barba brincando num bar, o clube da esquina, uma amiga minha fez o gorro do Papai Noel e eu saí por aí e eu vi que as crianças começaram a achar interessante, ficavam brincando. Passaram-se um 7 ou 8 anos, aí em 2002 eu me caracterizei de Papai Noel, mas era mais uma brincadeira mesmo. Só que eu tive a intensão de fazer a entrega de sorvetes só aqui no Núcleo 5, eram 50 caixinhas de sorvete. Eu ainda não estava caracterizado como Papai Noel, só estava com a barba, o gorro e uma camiseta vermelha. Em 2003 tive a intensão de fazer, mas houve um acidente com um parente da Vitória. Em 2004 nós começamos com 5.000 copinhos de sorvete, em 2005 com 10.000 copinhos e foi virando tradição. As pessoas aqui do Núcleo 5 principalmente, porque na época nós fazíamos só o Núcleo 5 e o Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando foi em 2006 nós fizemos aqui no Núcleo 5, no Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e fomos a caminho da Carbrás. O negócio já foi mais sério. Em 2006 já foi pra 14.000 copinhos de sorvete.

As crianças me cobrando, as crianças aqui do Núcleo 5 e do Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já me chamam de Papai Noel durante o ano todo. E eu fui cultivando a minha barba, 4 a 6 meses; esse ano eu deixei de agosto pra cá. E esse ano, com ajuda da comunidade, nós fizemos mais do que dobrar o número de sorvete: 30.000 copinhos de sorvete e num bairro novo, que nós não tínhamos ido: o Novo Aleixo. Virou uma festa, uma alegria enorme, todo mundo participa, as pessoas vêm, aparece voluntário não sei de onde, que vão surgindo. Esse ano, por exemplo, eu investi pouco, eu gastei dinheiro meu pouco. A comunidade participou, eu ganhei 25 fardos de açúcar, 2 fardos de leite, a produção que auxilia aqui fazendo a matéria. Eu faço questão apenas de dar uma contribuição simbólica pra eles. Quem banca economicamente é só eu com a ajuda desses voluntários que aparecem. Tem gente que eu nem conheço que tava participando aí. Economicamente até o ano passado foi só eu. Esse ano não, esse ano a comunidade ajudou. Não teve um parlamentar. Teve fornecedor que doou fardos de açúcar. Mas muita gente ajudou.

Ontem eu fiz parte de um evento da TV Amazonas como um Papai Noel voluntário. Eu fiquei emocionado. Eles estavam distribuindo presentes numa comunidade carente do Novo Israel, eu nem sabia que aquilo lá era Novo Israel ainda. Uma das crianças ganhou uma bicicleta, ela chegou em mim, me abraçou e disse: “Meus desejos todos foram realizados. Eu sabia que ia ganhar uma bicicleta, mas não sabia que ia ver o Papai Noel”. Aí foi lágrima. Foi muito emocionante, eu gostei muito da participação. É um veículo de comunicação, tem seus prós e seus contras, mas um evento desse é muito bonito e eu participo de novo ano que vem.

Ano passado uma loirinha agarrou a calça do papai noel, ela devia ter uns 8 anos eu acho. E ela tava chamando a irmã mais nova e disse: “Eu falei pra você que ele existia, ele veio e ele está aqui”. Como é que não chora. Esse ano eu propus pra mim que eu não iria chorar porque o evento ia ser maior e realmente até agora a pouco eu não tinha chorado. Mas a que mais me marcou foi essa do ano passado, que a menina agarrou e não largava a minha calça.

Eu não aceitaria nenhum tipo de envolvimento com alguém que quisesse tirar proveito econômico num evento como esse, a não ser que eu seja pego na rasteira. Eu estou disposto a ano que vem dobrar o número de sorvetes e fazer nesses 4 bairros que eu fiz hoje num dia e no outro dia difundir isso indicando um lugar onde as pessoas vão receber o sorvete, pra se concentrar num local só, num dia só porque fica mais fácil, a gente não tem condição física pra agüentar o dobro ano que vem. Esse ano eu tô esgotado. É muito cansativo.

Em 2005 perguntaram o que o Papai Noelson desejava pra 2006 e eu disse pro jornal Diário do Amazonas, dentre outras coisas, eu desejava a reeleição do presidente Lula. A gente já vinha participando da campanha, em 2002 tínhamos produzido um adesivo: “Por um Brasil decente, Lula presidente”. Em 2006 fizemos outro: “Em 2002 votei em Lula; em 2006, Lula outra vez”. Esse ano, como todo mundo sabe e vê que o governo de Lula está dando certo, independente dessa mídia horrível, e eu não vou falar nome porque todo mundo sabe quais são, que está sempre dando privilégios à classe que tem privilégios há muitos anos, então eu desejo que o Lula continue o que está fazendo, porque está bom demais e evolua e faça o seu sucessor em 2010.

PROJETO POSEIDON E A COMUNALIDADE NATALINA

E o Projeto Poseidon vem para participar da novidade Natal com os moradores da que nunca foi rua Rio Jaú. Em outubro recente, um membro da Associação dos Moradores até pediu ao subsecretário da SEMOSBH que ele desse a restauração da rua de presente de natal para os moradores da ex-rua. Pelos códigos de entendimento administrativos da cidade, não existem diferenças entre a atual gestão da Prefeitura de Manaus e as anteriores, mas pode-se dizer, numa avaliação natalina entre a atual gestão e as gestões outras mesmas que a atual gasta menos do que as outras em ornamentações das ruas da cidade e dos prédios públicos. Talvez por isso a ex-rua também não tenha ganhado seu presente de natal. Natal significa nascimento, natalidade. Novo. Por tal a atual gestão não pode comemorar o natal, não tem nada de novo, nem de velho. Não tem nada. Enquanto isso os moradores só preparando as comilanças, bebelanças e a festança da alegria de existir em comunalidades…

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ IER TAMBÉM NA ITÁLIA. Quando saiu o resultado do sorteio das oitavas-de-final da Champions League, a imprensa italiana correu a perguntar do técnico do AS Roma, Luciano Spaletti, 48 anos, o que pensava sobre a sorte do time da capital. Respondeu, iniciando sua fraseologia lenta, que preferia ter, é claro, outro adversário. Quando os periodistas italianos achavam que o técnico se havia enredado na linha dura da submissão ao marketing madrilenho, eis que completa a sentença: “Gostaria de ter visto a cara dos dirigentes do [Real] Madrid quando saiu o papel com o nome do Roma”. Spaletti sabe do que fala. O Roma tem um dos times mais bem armados, que apresenta um futebol vistoso (à moda européia) e também o maior protagonista de altos e baixos do certame internacional atual. O time é capaz de meter medo nos merengues, mas também perder de 7 a 1 para o Manchester United, como ocorreu na temporada anterior. De qualquer forma, será um confronto interessante, com torcida deste ‘Chagão!’ pelo time giallorossi. E você, leitor intempestivo?

Θ CONFRONTOS DAS OITAVAS-DE-FINAL CHAMPIONS LEAGUE. Aproveitando o ensejo, segue abaixo, devidamente comentadas, as oito pelejas sorteadas no início da semana, nos confrontos entre os classificados na fase de grupos da Champions League:

Chave 1:

Schalke 04 – FC Porto (19/02)

FC Porto – Schalke 04 (05/03)

Confronto entre alemães e portugueses na primeira oitava. Embora os times lusos tenham o costume de decepcionar nas fases mata-mata, a superioridade técnica do FC Porto é evidente. O ‘Chagão!’ acredita que dá FC Porto.

 

Chave 2:

AS Roma – Real Madrid (19/02)

Real Madrid – AS Roma (05/03)

Confronto imprevisível. A depender muito mais da inconstância do plantel de Spalletti do que do futebol dos merengues. Caso estejam num dia inspirado, os romanos mandam Robinho e companhia limitada de volta pra casa mais cedo do que pensavam. Se não, corre o risco de tomarem duas goleadas, ali e lá. O ‘Chagão!’ aposta nos franquistas, mas torcerá declaradamente para os romanistas.

 

Chave 3:

Olimpiakos – Chelsea (19/02)

Chelsea – Olimpiakos (05/03)

O berço da civilização ocidental versus a rainha-mãe do imperialismo mercantilista. A equipe grega dificilmente pode com as estrelas azuis do time ultra-direitista da terra dos Rolling Stones. A não ser que baixem esses craques no time alvi-rubro.

 

Chave 4:

Liverpool – Internazionale (19/02)

Internazionale – Liverpool (05/03)

Aqui vai sair faíscas. Este e o outro confronto entre ingleses e italianos prometem ser os jogos mais duros até aqui desta liga. O time vermelho, embora não encante pelo futebol que apresenta, é perigoso e costuma se dar bem nos confrontos mata-mata. O time azul, filial da seleção argentina, está deitando e rolando no calcio, e caminha a galope para mais um scudetto. O que não significa nada. O ‘Chagão!’ desconfia que dá Inter, mas torcerá pelos Reds.

 

Chave 5:

Celtic – Barcelona (20/02)

Barcelona – Celtic (04/03)

Aqui o favoritismo parece todo ao lado dos blaugranas, que já enfrentaram a face protestante da Escócia, e agora vai dar de contra com a católica. O Celtic, nos seus melhores momentos, conseguiu ganhar do Milan em casa, mas vai dar trabalho a Ronaldinho, Messi, Eto’o ou quem quer que jogue nesse ataque inflacionado. Deve dar Barça, mas torceremos pelos filhos do novo testamento.

 

Chave 6:

Olympique Lyonaiss – Manchester United (20/02)

Manchester United – Olympique Lyonaiss (04/03)

Embora seja um grande time, o ultra-super campeão francês não consegue editar sua supremacia fora das fronteiras gaulesas. Por pouco não se classifica num grupo onde só encararia de igual para igual o Barcelona. Aqui deve dar Manchester, talvez até com facilidade.

 

Chave 7:

Fenerbahce – Sevilla (20/02)

Sevilla – Fenerbahce (04/03)

O Galinho de Quintino montou no time turco uma seleção do campeonato brasileiro 2005-2006, com alguns bons jogadores locais. O time conquistou a torcida, e é o primeiro turco a chegar às oitavas-de-final da Champions. Infelizmente, topa com um dos melhores da Espanha, cogitado inclusive como um dos melhores da Europa. Torceremos para o time com a camisa clone-do-Peñarol, mas provavelmente deve dar Sevilla.

 

Chave 8:

Arsenal – Milan (20/02)

Milan – Arsenal (04/03)

A correria meio tresloucada dos Gunners contra a jogada única do campeão do mundo (perninha calibrada de Seedorf + carreira de Kaká + empurrão pras redes de Inzaghi). Mesmo com o futebol “descerebrado” do Arsenal, acreditamos que deve se dar bem diante da experiência berlusconiana. Destaque: o primeiro confronto entre esses dois times deve marcar a estréia de Alexandre Pato no time rossonero.

 

Θ COLO COLO É CAMPEÃO CHILENO. Após ficar em quarto lugar na fase classificatória, o tradicional time chileno foi eliminando um a um os adversários dos playoffs, e fez a final com o Universidad Concepción. Venceu a partida de ida por 1 a 0, e goleou por 3 a 0 hoje, em casa, sagrando-se tetracampeão do certame chileno.

Colo Colo

!!!PARABÉNS AOS CAMPEÕES!!!.

Θ REGIONAIS EUROPEUS. Na Alemanha a rodada será somente após o ano novo. Nos restantes, rodada normal. Os resultados:

ESPANHA: Clássico dos clássicos espanhóis, os blaugranas receberam em casa o Madrid. Sem Messi, restou aos barcelonistas se pegarem em Santo Eto’o, que não fez milagre. Com um gol da Bestia Julio Baptista, o Real é mais líder do que nunca, sete pontos à frente dos rivais. O Espanyol venceu fora de casa o Atlético de Madrid (5º colocado), 2 a 1, e ultrapassou o submarino amarelo Villareal, que empatou em 1 a 1  com o Recreativo Huelva e agora é 4º.

 

FRANÇA: Confronto direto entre o líder Lyonaiss e o Nancy, este segundo colocado e jogando em casa, pela salvação do torneio francês. Resultado, empate em um a um. Bom para o Bordeaux, que venceu fora de casa o Sochaux por 1 a 0 e se aproximou dos líderes. Caen e Le Mans completam os cinco primeiros.

 

INGLATERRA: O Arsenal venceu o clássico com o Tottenham (2 a 1) e mantém um ponto de diferença para o segundo colocado, o Manchester United, que venceu o Everton, com a ajuda do puto de ouro, Cristiano Ronaldo. Chelsea, Manchester City e Liverpool completam os cinco primeiros.

 

ITÁLIA: Internazionale carimba a faixa do campeão do mundo no clássico milanês. Placar, 2 a 1, Cambiasso e Julio Cruz. A Roma segue na perseguição, vencendo a Sampdoria por 2 a 0. Juventus, Udinese e Fiorentina completam os cinco.

 

PORTUGAL: Enfim os portugueses descobriram que o FC Porto não é invencível. O time perdeu fora de casa para o Nacional, por 1 a 0. O Benfica se aproveitou e venceu por 3 a 0 o Estrela Amadora, se aproximando, embora ainda faltem 7 longos pontos de diferença. Sporting, Guimarães e Vitória de Setúbal completam os cinco.

E POR FALAR EM NATAL…

Principalmente para a cultura Ocidental, o Natal é uma festa ideal. Ideal como perspectiva/expectativa: Olhar desejo/produtivo fora. Futuração alegria/satisfação comunalidade. Rastros contagiantes democráticos. Ou seja: Quando os homens compõem afetos alegres com corpos matérias e imateriais. Trabalham, têm saúde e amam.  Entretanto, como idealização o Natal, na sociedade capitalística (Guattari: códigos culturais que vão além dos códigos econômicos) é um recurso da força opressiva: determinar nos homens apenas a esperança de um ‘mundo por vir’. Esperar o invisível, o indemonstrável,  postando-se como vítimas ao domínio do capital. Por onde perpassa a dita caridade cristã dos senhores. Truque da imaginação calculista divorciada do real o território atualizante do Natal. Enquanto homens fantasiam a esperança, os senhores vivem na bonança. E quando estes senhores encontram um governante capaz de fortalecer este truque, aí o Natal torna-se natal: círculo do vazio. Aí a materialidade da habitação: local da festa; o trabalho: salário para obter o necessário; a comida e a bebida; ingredientes da comunhão real, é substituída  pela fantasia esperançosa. Sem os objetos da experiência os homens recorrem à imaginação da espera.

Durante oito anos a maior parte do povo brasileiro recorreu à imaginação para atravessar o Natal. Durante oito anos, os objetos necessários a experiência se mostraram uma mera idéia ofuscando tenebrosamente na imaginação. Porque há governantes que vivem de suas representações mentais. Seus atos saem dessas representações para eles tão reais. Para eles, democracia é apenas uma idéia representada como conteúdo da consciência criada por ela mesma. Não um conteúdo produzido na experiência junto com outros homens de onde originam-se o trabalho, a habitação, a comida, a saúde e o amor. Modus de ser por onde se realiza o Natal. Assim, constitui-se os oito anos de Fernando Henrique: tempo da democracia como representação mental. A democracia/idéia do homem real inexistente. Foi desse Topos Uranos ideal que ele imaginou governar o Brasil. O Brasil imaginário. O Brasil onde a experiência direta é impossível e é substituída pela anti-percepção: representações mentais. Anulação do real/social. Denegação política. Por isso ele afirma que Lula não tem formação intelectual. Mas não pode anular Lula. Pois Lula, diferente do sociólogo/imóvel, carrega um intelecto não formado, sempre pronto para engendrar atos políticos impulsionados pela potência de suas experiências junto ao povo brasileiro. Seu intelecto não é um topos onde ele se esconde para evitar o real/social. Seu intelecto movimenta-se na ordem dos entrelaçamentos políticos de seus devires/experiências. Daí porque a maior parte dos brasileiros poder nesta fluência festeira vivenciar o Natal. O Natal com um Cristo da produção tecida na experiência comunalidade com seus amigos. Daí, Lula ter razão (operação racional) em afirmar: “O Fernando Henrique tem mais formação intelectual que eu, mas eu sei administrar o Brasil muito mais que ele”. Por tal, o povo completa: “Eis o Natal!”


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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