Arquivo para 5 de dezembro de 2007

RENAN, O SENADO E A DUPLA JA

A votação, no senado, para cassação ou absolvição do senador Renan, teve momentos, pré e pós, humorísticos dignos de uma ópera bufa. A começar pelos pronunciamentos recheados de tergiversações do “não tenho nada contra o senador”, “está em jogo o futuro do senado”, “se não fizermos justiça o que vamos dizer para nossos netos”…, elementos imprescindíveis ao espetáculo burlesco. Performance perfeita para disparar no Ibope. Entretanto, o que mais saltou ao riso foram os desempenhos da dupla JA: Jefferson e Arthur. Os ilustres representantes da verve amazonense no senado. O J, o ideal da moral. O A, o “orgulho do Amazonas”.

DA POLÍTICA E DECEPÇÃO DO A

O A, dando continuidade à compulsiva verborragia simulante, incorporou seu personagem senatorial, logo, logo depois que Renan anunciou sua renúncia. Aproveitou a marcação cênica e já gesticulou um vamos pensar no substituto. O senador petista Tião Viana, interino na presidência, mandou um devagar com o andor que a santa é de democracia(?). Em seguida, perguntado sobre os possíveis candidatos à presidência, respondeu um sendo bom para nosso partido, nós acatamos. Nada de sendo bom para o Brasil. Permitindo ao público a inferência que para eles, “o meu pirão primeiro”. Ou, como diria o cineasta alemão Werner Herzog, “cada um por si e Deus contra todos”. Em seu pronunciamento, falou não ter nada pessoal contra Renan, elogiou a carreira política do réu, os bons diálogos que mantiveram, ou seja, reconhecimento de sua importância parlamentar. E pediu, em nome da moral, da sociedade e da honra do senado, sua cassação. Divulgado o resultado da votação, se mostrou transtornado, afirmando estar decepcionado. Inquirido sobre a possível votação a favor de Renan de alguns membros de seu partido, respondeu que era possível. Para quem horas antes, ou minutos, era todo euforia sobre seus parceiros e certeza deificada da conjugalidade do PFL, se não era a encenação da encenação, é de transtornar o intransitivo. Locado no intransitivo, levou o público a pergunta: “Que líder é este, meu, que não conhece a fidelidade dos intransitivos de seu partido e do PFL? Lidera quem? Será que só é líder para a Globo e outras seqüeladas?”.

DA MORAL E O “OVO DA SERPENTE” DO J

Já, o J (belo trocadilho/foniátrico beleza), carregando seus preceitos morais milenares, determinado historicamente pela realeza dominante, como diria o filósofo Nietzsche, subiu ao púlpito sacro/político do senado (porque existem senadores que se acreditam estar em nenhum degrau abaixo de deus, pelo menos o deus deles) enunciando está em uma missão que não pediu e não queria. O público aplaudiu e inferiu um raciocínio do tipo como se não queria, porque aceitou, e engatou a não mais dúvida de que se tratava de uma contagiante bufonada. Indicados para relatores, outros não aceitaram e passar bem, colegas. J, não. Aceitou ser relator, porque não queria aceitar. Aí saltam as indagações hegelianas: “Quem analisou as provas/indícios? Foi o J que não queria aceitar, o que aceitou não querendo, ou os dois? O sujeito-indivíduo, o sujeito-absoluto ou o absoluto-englobante? Em qualquer pessoalidade performática, não foi o J. quem analisou. Daí, a primeira brecha para passar a suspeita sobre a coerência jurídica/epistemológica de J. Quando elaborava seu relatório não era ele quem era o sujeito da práxis jurídica/parlamentar, senhor de si mesmo saído de seu livre arbítrio senatorial. Como diria o poeta: “ninguém ama um ser/amor que não se quer”. E como diria o filósofo da liberdade, Sartre: “todo ato do homem é sua escolha. Até quando escolhe não escolhendo”. Entende-se, então, que J é responsável por seu relatório. Talvez Sartre, para o senador da moral, não importe, já que é um bom cristão e o filósofo um bom ateu. Seguindo seu gestual, o amazonense mostrou mais uma vez ser antibrechetiano ao querer sempre está na pele de outro (Brecht, em sua ironia, diz que todo homem está mais seguro em sua própria pele). Transladou-se epidermicamente ao afirmar que se fosse Renan, no momento em que foi procurado por João Lira, seu acusador, para um negócio com sinais ilícitos, como senador e ministro, mandava ele procurar outra pessoa. O paternal recurso de querer ser modelo para o outro. Ou o enunciado da análise fenomenológica da procura do outro em mim mesmo. O incômodo de minha imagem. Povoar o mundo com a imagem que tenho de mim mesmo. Estou em todos como exemplo imagético. A eliminação do outro em sua liberdade de ser. Ainda tentou filosofar, mas caiu na armadilha parabíblica do bem aventurados os meus imitadores, pois deles serão os meus erros: falou tratar-se de um sofisma a defesa de Renan, um argumento falso querendo se passar por verdadeiro. Talvez, por cultuar o texto platônico do Mundo Ideal, o Topos Uranos, onde habitam os modelos reais das res (coisas) que são sombras no Mundo dos Sentidos, mundo dos fenômenos, as aparências, o senador lançou mão deste recurso socrático-platônico. Não deu outra: o errado é que está certo. Platão é um filosofrastro (falso filósofo) e os sofistas são os filósofos. Platão é maníaco-depressivo em sua busca do Ser vivendo no não-ser, o mundo empírico. Os sofistas são devirianos vivendo em um mundo das contínuas mudanças, onde o movimento e o tempo são indivisíveis. Onde a realidade é produto das combinações dos acasos. Onde nada sai de uma providência. Que digam os filósofos Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Nietzsche, Marx, Deleuze, Negri, Guattari, Rosset… O senador escorregou no filosofema. Em síntese, usando um termo proferido pelo amazonense senador, sua acusação foi pífia. Daí porque foi fácil para Renan, o tautológico, derrubá-lo; também, com pífio argumento. Não precisava nem usar o recurso afirmativo de que se a moda de julgar senadores apenas por indícios sem provas pegasse a maioria do senado seria cassada. Renan lembrou ao amazonense que ele sabia das histórias eleitorais, em seus estados, da a maioria dos senadores ali presentes e ausentes. Fato esquecido pelo amazonense. Os expedientes escusos de serem eleitos através da chantagem, ameaça, uso amaldiçoatente da fúria de um deus perverso, troca de favores, tudo que é antidemocrático. Capturado por seu ideal de senado, fez ouvido de mercador às vozes antipopulares, antisenatoriais, destes senadores em seus estados. Lá onde plantaram suas raízes rumo ao senado. O ponto de confluência da maioria simulante. Por tal, é risível querer se apoiar no cineasta/filósofo Ingmar Bergman para sustentar sua profecia de que o “O Ovo da Serpente” (cinema de 1979) começou no senado. Além de que, dado o qüiproquó senatorial, não salta nenhum nazista com o talento dos nazistas do Reich. E, cá pra nós, a serpente não tem nada a ver com os negócios do homem e muito menos com o texto moral do senador.

VOCÊ JÁ TOMOU SEU XAROPE HOJE?

O senador Garibaldi Filho (PMDB/RN) acredita que será o novo presidente do Senado Federal. Veja seus argumentos:

“Acredito que na quarta-feira, se Deus quiser, vocês me verão ali. Tenho a experiência necessária, a experiência que se requer numa hora como essa, de crise, de desafio, tudo isso que se houve hoje em relação ao Senado da República. Eles são coerentes. Não vão me dizer uma coisa ontem e amanhã me dizer outra. Não podemos admitir que um senador possa vir a ser traído por seus colegas. Não acredito que alguém do Senado queira se prestar a esse papel” (Agência Senado).

O episódio é apenas mais uma ilustração da ‘sessão barbitúricos’ que foi a votação do processo de cassação de Renan Calheiros. Além da temeridade do senador Garibaldi, que acredita na coerência dos mesmos senadores que tentaram cassar Renan pelas mesmas razões que a maior parte deles é culpada, o senador lembrou o delírio do vazio do poder de outro político ilustre, em outra volta do ponteiro da temporalidade cronos.

Na véspera das eleições municipais paulistas de 1985, Jânio Quadros e Fernando Henrique Cardoso eram os candidatos mais cotados. As últimas pesquisas davam a vitória ao príncipe dos sociólogos. Na véspera da eleição, se achando o vencedor, FHC senta na cadeira do prefeito, suspira, e sai inflado, orgulhoso. No dia seguinte, o povo paulista dá a vitória à Jânio, e FHC se sente traído. Os eleitores disseram uma coisa ontem e amanhã votaram outra.

Déjà vu?

Enquanto isso, Lula só…

ELES NÃO TINHAM COMO ‘CAÇAR’ RENAN

Pela segunda vez, e dessa vez sem sessão secreta, Renan Calheiros (PMDB) foi inocentado das acusações. Mas todos que acompanham o caso, sabem que o que menos conta aí é a inocência. Há muito que essa época passou pelo senado. Talvez nunca tenha existido aí. Existe a inocência? Isso não importa. O que importa ao senado é se os eventos que aí ocorrem servem para aumentar a potência de agir da população ou, ao contrário, só servem para diminuí-la. Mas só para efeito de compreender o que se passa na casa senatorial, façamos o esforço racional de perceber como funciona a concepção falseada de política na imaginação dos senadores. Culpado ou inocente? Em que momento um senador deixa de ser inocente e passa a ser culpado. Por acaso os senadores já não conheciam certos “trambiques” na trajetória política de Renan? Por que somente agora era necessário atacá-lo? É que ele era presidente do senado, e, principalmente, como presidente, era uma força muito grande de apoio ao Governo Lula. E se fosse alguém da a-posição? Quanto tempo levaria um verborroso Arthur Neto (PSDB)? Será que não iriam investigar até a falta de comprovação da “aplicação de recursos transferidos pelo extinto Ministério do Interior à Prefeitura de Manaus em 1989” (aqui)? Não apareceria misteriosamente nenhuma mala pra incriminá-lo? Para continuar aqui com nossas representações amazoniquins, quanto tempo o paladino da moral, Jefferson Péres (PDT), conseguiria provar que o dossiê sobre ele distribuído aos senadores não é verdadeiro? Sabe-se muito bem, que por aí o que menos importa é a verdade. Que digam as inconsistências das provas no próprio relatório contra Renan, apresentado pelo supra sumo da moral senatorial. Provavelmente há piores que Renan, e poderíamos citar infindáveis casos, mas todos são inocentes até se tornarem “a bola da vez”. Renan estava servindo para disfarçar a inutilidade de nosso senado federal, mas sua sinceridade era desesperadora, principalmente para a a-posição, porque era um espelho, e já se passava muito tempo. Por que Renan não foi até o fim como presidente do senado? Está certo que sua renúncia foi uma jogada de Lula em favor da aprovação da CPMF, mas Lula tem conseguido fazer bons governos, apesar da lama da política brasileira, como diria Bertolt Brecht. Esse é o mérito real do sapo barbudo. A verdade pode não importar ao senado, mas para a população importa. Como diz Hannah Arendt: “uma mentira pode até ocultar uma verdade, mas jamais substituí-la”. A população percebe que “inocente” ou “culpado”, no senado federal, é questão de ocasião. Quem será a próxima bola da vez da sanha justiceira no senado? A justiça nunca passa pelo justiceiro. Justiça, neste caso, como defende Cláudio Weber Abramo, talvez só com a extinção do próprio senado. Quem vota?


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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