Arquivo para 25 de dezembro de 2007

UMA BAGACEIRA NATALINA AFINADA

Eu queria ser poeta

E decifrar os versos prontos falando de amor

Mas não sobrou algumas palavras

E por isso decidi falar usando o som

A música penetra a alma

E pode chegar até seu coração…”

Tudo começou com a situação da ex-rua Rio Jaú, no Novo Aleixo, conhecida já neste bloguinho a partir do Projeto Poseidon. Devido à inexistência da rua produzida pelos governos passados e presentes na não-cidade de Manaus, os moradores resolveram fazer do Natal algo além do que a festa simplesmente familial e resolveram fazer uma festança comunitária. Para tanto, contactaram Mário Augusto, “O Bonde do Bolero”, como é conhecido nas casas de Manô, prepararam as comilanças, do bode assado ao pato no tucupi, cotizaram para as bebelanças, e quando o bolerão rolou caíram na ginga e na beleza de festejar com aquilo que nenhum péssimo governo poderia impedir: a alegria.

Meu nome é Mario Augusto. Tenho 37 anos de carreira, na luta, ralando direto. Eu tô com 8 meses aqui em Manaus, trabalhando, lutando, tô com 3 CD’s gravados, 2 de forró e 1 de bolero. Sou de Fortaleza, nascido em Tiaguá, mas casei no Pará, em Monte Alegre que é a minha terra. 25 anos de casado no Pará. Eu andei em Marabá, Serra Pelada, no tempo dos garimpos, fazendo show com banda, Belém do Pará, Macapá, Oiapoque, Chuí, na Colômbia, sempre com banda. Agora eu tô com carreira solo. É por aí o caminho…

Aqui em Manaus, eu queria que aparecesse um empresário pra me empresariar, porque as minhas canções são muito boas. Eu sou cantor e compositor. O meu CD eu gravei agora no Fast Clube em Manaus. São 6 canções minhas, inéditas, e 12 dos outros cantores que a gente liga e pede permissão pra gravar as canções. No momento aqui em Manaus eu tô conhecido como “O Bonde do Bolero”, Mário Augusto, que com oito meses eu já vendi quase mil CD’s. Eu espero que apareça uma pessoa pra me iluminar e crescer em Manaus, porque essa terra aqui é muito boa, bonita e maravilhosa. Gostei daqui e vou ficar aqui, lutando aqui. O outro rapaz que canta é meu filho, o que toca é meu filho, por sinal, muito bom, toca divinamente bem. Começou com 13 anos. Ele está no trabalho comigo há 7 anos.

Eu sou um cara muito humilde, eu gosto de fazer amizade, como cantor, como profissional. Gosto de abraçar a todos, faço um show alegre, contente, gostoso e só canto sorrindo. Quem quiser me contratar no momento, quem quiser me conhecer, quiser conhecer o meu trabalho, o meu CD, meu telefone é 9612-2627 ou 9605-1893. Eu levo esse show pra qualquer canto do Brasil. Tenho as minhas dançarinas, tenho um grupo formado com toda a galera, são 8 pessoas. Tô tocando pra galera me conhecer…

E assim o galo cantou e a festa continuou, e continuará comunitariamente no corpo e na afetividade que aproxima as pessoas numa linha existencial lúdica fazendo microfissuras na realidade objetiva excludente que o poder constituído propaga e deixando passar no arrastapé do bolero e do forrobodó experiências que, como diria Nietzsche, nunca passarão pelo sistema nervoso central dos ressentidos elitistas, que somente o povão, com toda a sua diversidade, nas suas criações intempestivas, inimagináveis vão tecendo como novidade: Natal…

 

O BURAQUINHO DA XUXA

O filósofo francês Deleuze afirma que mesmo capturado por uma subjetividade sujeitadora, cuja pragmática é voz de comando do buraco negro, território imobilizante das potências criativas, todo sujeito carrega um buraquinho por onde pode atravessar a inteligência, linha de fuga/produtiva, capaz de causar rupturas impulsionadoras de novas formas de percepções/cognições-afetivas. Pois bem, e não é que a tia Xuxa, negando a voz de comando do buraco negro Globo, arreganhou seu buraquinho e permitiu atravessar uma nesga de inteligência, enunciando em público a estesia em que está paralisada a fantasmática mídia: “Não sou só eu que estou perdendo audiência, é a Globo como um todo”. Alguém, em sua maldade, poderá perguntar: “Mas isso é inteligência?”. E logo responder: “Isso o eleitor do Lula já sabe”. Certo, mas se tratando de alguém acometida da fabulação infanto-juvenil que muitos acreditavam ser destituída desta faculdade intelectiva, é mais do que prova. Tanto é que seu feito a coloca em grau de superioridade epistemológica ao borbulhante calunista social da Veja meu bem, Mainardi, que mesmo com todo seus rompantes fantasiosos de intelectual, segundo o filósofo Maurício Colares, em seu texto, “Lula é uma Anta?”, é destituído de tal buraquinho; portanto, é tapado. Fato que a tia Xuxa, dita infantilizada (doença da infância), na força de seus hormônios quarentões conseguiu eximir de si diante da opinião pública. O que o seqüelado/midiático não consegue. Além de quê, não ficou só em seu argumento de defesa. Ridicularizou o dogma da mãe do Ali Kamel, afirmando que “a própria novela das oito, que sempre foi o carro-chefe da Globo, está perdendo audiência”. Se ela vai continuar atualizando essas vibrações intelectivas, será ou não sua questão. O que nos importa é que ela disjuntou pontos paranóicos do buraco negro. Cortou por dentro a rede quando se acreditava ser ela um ponto bem fixado. Por tal, pedimos sua bênção, tia Xuxa! Valeu o presente de Natal. Mas como somos gulosos, queremos mais.

O NATAL COMUNITÁRIO DO PAPAI NOELSON

O Natal é o nascimento do Novo. Novas relações nas quais as pessoas possam entrar em proximidades autênticas, para além das performances utilitaristas que tentam se apropriar das manifestações subjetivas construídas comunitariamente. Assim, todos os anos, desde 2002, Nelson Rocha deixa passar os fluxos do Papai Noelson e sai por bairros da cidade de Manaus distribuindo sorvetes gratuitamente para a criançada e para todos que entram afetivamente, independente de cronologias, no gosto dos diversos sabores do sorvete. Todo o evento sendo organizado por Nelson, proprietário da fábrica de sorvetes Sempre Frio, com a participação e auxilio de amigos e comunitários. A AFIN acompanhou Papai Noelson na distribuição que ocorreu ontem desde a manhã até a tarde e traz aqui imagens e uma entrevista com o Papai Noelson sobre as afecções de entrar numa linha lúdica com as pessoas. Corre a meninada, vêm todos que é o sorvete do Papai Noelson que vai passando.

Há 14 ou 15 anos atrás eu descolori a barba brincando num bar, o clube da esquina, uma amiga minha fez o gorro do Papai Noel e eu saí por aí e eu vi que as crianças começaram a achar interessante, ficavam brincando. Passaram-se um 7 ou 8 anos, aí em 2002 eu me caracterizei de Papai Noel, mas era mais uma brincadeira mesmo. Só que eu tive a intensão de fazer a entrega de sorvetes só aqui no Núcleo 5, eram 50 caixinhas de sorvete. Eu ainda não estava caracterizado como Papai Noel, só estava com a barba, o gorro e uma camiseta vermelha. Em 2003 tive a intensão de fazer, mas houve um acidente com um parente da Vitória. Em 2004 nós começamos com 5.000 copinhos de sorvete, em 2005 com 10.000 copinhos e foi virando tradição. As pessoas aqui do Núcleo 5 principalmente, porque na época nós fazíamos só o Núcleo 5 e o Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando foi em 2006 nós fizemos aqui no Núcleo 5, no Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e fomos a caminho da Carbrás. O negócio já foi mais sério. Em 2006 já foi pra 14.000 copinhos de sorvete.

As crianças me cobrando, as crianças aqui do Núcleo 5 e do Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já me chamam de Papai Noel durante o ano todo. E eu fui cultivando a minha barba, 4 a 6 meses; esse ano eu deixei de agosto pra cá. E esse ano, com ajuda da comunidade, nós fizemos mais do que dobrar o número de sorvete: 30.000 copinhos de sorvete e num bairro novo, que nós não tínhamos ido: o Novo Aleixo. Virou uma festa, uma alegria enorme, todo mundo participa, as pessoas vêm, aparece voluntário não sei de onde, que vão surgindo. Esse ano, por exemplo, eu investi pouco, eu gastei dinheiro meu pouco. A comunidade participou, eu ganhei 25 fardos de açúcar, 2 fardos de leite, a produção que auxilia aqui fazendo a matéria. Eu faço questão apenas de dar uma contribuição simbólica pra eles. Quem banca economicamente é só eu com a ajuda desses voluntários que aparecem. Tem gente que eu nem conheço que tava participando aí. Economicamente até o ano passado foi só eu. Esse ano não, esse ano a comunidade ajudou. Não teve um parlamentar. Teve fornecedor que doou fardos de açúcar. Mas muita gente ajudou.

Ontem eu fiz parte de um evento da TV Amazonas como um Papai Noel voluntário. Eu fiquei emocionado. Eles estavam distribuindo presentes numa comunidade carente do Novo Israel, eu nem sabia que aquilo lá era Novo Israel ainda. Uma das crianças ganhou uma bicicleta, ela chegou em mim, me abraçou e disse: “Meus desejos todos foram realizados. Eu sabia que ia ganhar uma bicicleta, mas não sabia que ia ver o Papai Noel”. Aí foi lágrima. Foi muito emocionante, eu gostei muito da participação. É um veículo de comunicação, tem seus prós e seus contras, mas um evento desse é muito bonito e eu participo de novo ano que vem.

Ano passado uma loirinha agarrou a calça do papai noel, ela devia ter uns 8 anos eu acho. E ela tava chamando a irmã mais nova e disse: “Eu falei pra você que ele existia, ele veio e ele está aqui”. Como é que não chora. Esse ano eu propus pra mim que eu não iria chorar porque o evento ia ser maior e realmente até agora a pouco eu não tinha chorado. Mas a que mais me marcou foi essa do ano passado, que a menina agarrou e não largava a minha calça.

Eu não aceitaria nenhum tipo de envolvimento com alguém que quisesse tirar proveito econômico num evento como esse, a não ser que eu seja pego na rasteira. Eu estou disposto a ano que vem dobrar o número de sorvetes e fazer nesses 4 bairros que eu fiz hoje num dia e no outro dia difundir isso indicando um lugar onde as pessoas vão receber o sorvete, pra se concentrar num local só, num dia só porque fica mais fácil, a gente não tem condição física pra agüentar o dobro ano que vem. Esse ano eu tô esgotado. É muito cansativo.

Em 2005 perguntaram o que o Papai Noelson desejava pra 2006 e eu disse pro jornal Diário do Amazonas, dentre outras coisas, eu desejava a reeleição do presidente Lula. A gente já vinha participando da campanha, em 2002 tínhamos produzido um adesivo: “Por um Brasil decente, Lula presidente”. Em 2006 fizemos outro: “Em 2002 votei em Lula; em 2006, Lula outra vez”. Esse ano, como todo mundo sabe e vê que o governo de Lula está dando certo, independente dessa mídia horrível, e eu não vou falar nome porque todo mundo sabe quais são, que está sempre dando privilégios à classe que tem privilégios há muitos anos, então eu desejo que o Lula continue o que está fazendo, porque está bom demais e evolua e faça o seu sucessor em 2010.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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