Arquivo para 16 de janeiro de 2008

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Θ ESTRATÉGIAS DO CAPITALISMO FINANCEIRO NO FUTEBOL. A FIFA proibiu que empresas que não sejam times de futebol tenham contrato com jogadores. Não faz mal. Em São Paulo, a empresa de marketing Traffic, que negocia direitos de transmissão de campeonatos e que agora está investindo no Palmeiras de uma forma muito semelhante à que a MSI entrou no Corinthians registra seus jogadores num time chamado Desportivo Brasil, que não tem time profissional, antes de vendê-los ao time verde. Lenny, Diego Souza e Gustavo são os três reforços do verdão-radioativo para 2008 que foram adquiridos pela operação Desportivo Brasil (o nome do clube “laranja” que cede seu CNPJ para a Traffic). Se a lógica dos negócios do capitalismo financeiro, conhecido nas quebradas como neoliberalismo, é sempre o da garantia do lucro dos investidores em detrimento do erário público (ver o caso da guerra no Iraque e do estouro da bolha imobiliária norte-americana), pode ser que o futuro do Palmeiras seja substituir ou até mesmo realizar o clássico com o Corinthians – na segunda divisão.

Θ COPA SÃO PAULO DE FUTEBOL JÚNIOR. Foi bom enquanto durou. O Leão da Vila Municipal foi eliminado na primeira fase do mata-mata do torneio de juniores. O azul e branco de Manaus foi goleado pelo Fluminense (RJ): 5 a 0. Agora a competição entra nas oitavas-de-final, com a supremacia de sudeste e sul.

Θ VALORES E PREÇOS NO MUNDO DO FUTEBOL. Enquanto na categoria Sub-Ruim do Novo Aleixo o time que quiser disputar (já são 18 confirmados) paga a módica quantia de R$ 100,00 / time, no campeonato amazonense a FAF quer cobrar R$ 50,00 por jogador do clubes em disputa. O Bloguinho Intempestivo convida então os clubes amazonense que acharem que o preço cobrado pela FAF inferior ao valor do certame, que procure o Sr. De Mulher, no telefone 9905-1678, e faça já a inscrição para o certame mais equilibrado da região norte. E tem mais: enquanto o eterno diretor da FAF, Dissica Valério Thomaz diz que não abre mão dos cinquentinha por jogador, com o companheiro De Mulher dá pra negociar os cem reais em módicas parcelas. Além de se apresentar num palco célebre (o mítico Campo do Roma), os times locais ainda contarão com a torcida mais animada – e quase sempre em maior número que a do Amazonensão – da zona Leste, além de uma premiação que não engana. Brincadeiras à parte, nem de longe a direção da FAF pensa em termos de futebol sequer como negócio, dirá como esporte, diferente do entendimento comunitário que têm os envolvidos no campeonato do Campo do Roma.

Θ AMAZONENSE 2008. Com ou sem 50 reais, o campeonato amazonense começa no dia 19. Com a vitória do Holanda no torneio início, a expectativa é que os grandes (e o Amazonas tem time grande?) tenham que suar se quiserem garantir vaga como representantes do Estado na terceirona. Confira a tabela da primeira rodada:

19/01 – Sábado (Vivaldão):

16:00: São Raimundo – Libermorro.

18:00: Rio Negro – Sulamérica.

 

20/01 – Domingo:

16:00: Nacional – CEPE (Vivaldão)

16:00: FAST Clube – Holanda (Floro Mendonça – Itacoatiara).

16:00: Princesa do Solimões – América FC (Gilbertão – Manacapuru).

NINGUÉM SEGURA ARTHUR, PRESIDENTE DO BRASIL!

Arthur Neto, senador do PSDB, candidato à presidência da república. Como se fala no jargão estereotipado da linguagem politicofastra, “articulações” já começaram para a composição de alianças. Só que em derredor (sem meio) de tal enunciação atemporal e assubstancial, saltam três proposições-miragens. Enunciados não sustentados por um senso racionalmente demonstrável.

Primeira Proposição-Miragem Por qual partido o senador candidato-temporão vai concorrer? Pelo PSDB? Não. Serra, eterno candidato, e Aécio, candidato dissimulante, não permitirão. Muito menos o próprio partido, mesmo com aval de seu pastor, Fernando Henrique. Mas digamos que o candidato dissimulante Aécio resolva sair do PSDB e se candidatar por outro partido e Serra, o eterno, peça perdão ao espírito de seu fã maior, Otávio Frias, ex-proprietário da Folha de São Paulo, que pensava em não morrer antes de vê-lo presidente, resolva se recolher, vestir o velho e tradicional robe inglês e ir fazer bilu, bilu, bilu nos netos? Também não será o escolhido. Existem Jereissati, Alkcmim, o próprio Fernando… O certo é que o Neto seria, talvez ainda teria que vencer o talvez o último da lista do partido. Tal qual na foto de lançamento da candidatura de Alckmim a presidência em que em primeiro plano aparecem os donos do partido e atrás, aparecendo só a cabecinha, ele. Por aí não dá.

Segunda Proposição-Miragem Como é um social democrata, pode muito bem sair do PSDB e ir para a aguerrida, engajada e ética agremiação pefelista. Lá poderia realizar, se ganhasse a presidência, todos seus planos democráticos, pois experiência parlamentar junto aos abnegados e indormidos guardiões da democracia, não lhe falta. E juntamente com Agripino Maia, selar compromissos partidários para compor seu inteligente e insuspeito ministério com as pastas ministeriais distribuídas nas seguinte instâncias praticativas: Mão Santa, ministro da alegoria; Fernando Henrique, ministro do narcisismo sem espelho; Tasso Jereissati, ministro das questões sexuais; César Maia, ministro da fabulação; Efraim de Morais, ministro da lambança… Nomes e posturas é o que não faltam nestas hostes capazes de formar o governo que revolucionará a cena política nacional. Talento para administração da coisa pública não lhe falta. Quando prefeito de Manaus não deixou sombra de dúvida. Que o digam os camelôs.

Terceira Proposição-Miragem Esta Proposição-Miragem também poderia ser chamada de Proposição-Irônica-Hilária. Vejamos, Arthur, quando candidato ao governo do Amazonas nas eleições passadas só conseguiu abiscoitar 5% de preferência eleitoral. Votos talvez de velhos amigos, ou dos complexados descendentes do Cacareco. Não conseguiu a performance eleitoral da candidatura ao Senado quando da aliança metafísica-teológica com pastores da Igreja Assembléia de Deus. Agora, com o fim da CPMF, em que, sob as orações de seu guru Fernando Henrique, foi o herói dos empresários da FIESP – Federação das Industrias do Estado de São Paulo, inimigos da Zona Franca de Manaus, é possível que não abiscoite nem 0,0,5%. Visto que sempre fora visto por grande parte da população manauara como pró São Paulo. Além do entendimento que a maior parte da população amazonense tem de seu ato ilógico: responsável pela trepidação nos projetos sociais do Governo Lula. O grande amor desta população. “Mexeu com Lula, mexeu comigo!”. Aqui não tem para ninguém que não seja Lula. Neste quadro também surgem todo o Norte, o Nordeste, o Sudeste, principalmente os governos Aécio e Serra, que foram contra o fim do imposto. Desprovido da confiança política nacionalmente necessária a uma candidatura, sobra-lhe a bazófia, a verborragia dos clichês, ou como diz o psiquiatra Binswanger: Maneirismo lingüístico. A fala afetada sem ação verbal. Pura anemia para uma jornada eleitoral. Por último, a mídia seqüelada, de quem é freqüentador assíduo. Mas nada suficiente para ganhar eleição, já que o povo fez muito bem a leitura deste texto levando duas vezes ao Palácio da Alvorada aquele a quem confia, escrevendo que depois dele a demagogia jamais se criará em terras brasileiras.

Bem, quanto a sonhar, todos podem, mas, como diria Freud, com a condição de saber que sonho no sono é um estado onírico, e sonho em vigília é ilusão: denegação da realidade. Estado muito perigoso.

O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

TELEJORNAL: QUEM OLHA QUEM?

De tanto olhar, a gente esquece que pode também ser olhado.”

(Roland Barthes)

Há noventa e nove anos os irmãos Lumière, pela Casa Lumière, demonstraram, mandando cineastas-repórteres ao mundo, que imagens de outros lugares poderiam chegar aos olhos de todos, mesmo que houvesse uma distância espacial-física a perder de vista o horizonte. Acontecimentos transformados em fatos ou meras curiosidades ocorridas em lugares distantes, a partir de então, chegavam como notícias, informações em pequenas salas de projeção onde eram exibidas ao público.

Começavam assim os chamados jornais-cinematográficos ou noticiários de actualidad, como eram chamados. As imagens trazidas de longe, postas em aparelhos (cinematógrafos) que as colocavam em movimento ou simplesmente paradas aos olhos do público, inauguravam a diminuição das distâncias geográficas no espaço e subtraiam o domínio físico temporal da regularidade início/meio/fim, uma vez que as imagens podiam ser vistas várias vezes e em ordens invertidas à maneira de quem as estivesse controlando através dos aparatos tecnológicos da época.

A nova maneira que as imagens chegavam até o público transportava os olhos para outros lugares. A distância era diminuída. A imagem, frente às testemunhas oculares, fazia com que a sensação da velocidade imperasse na percepção.

Antes do advento do aparelho televisão, já havia telejornais. Etimologicamente “jornal” vem de jornada e pode ser entendido como uma espécie de conjunto de fatos que ocorreram na jornada de um período limitado, como um dia. Daí a palavra “jornalista” ter o seu sentido etimológico de analista de um dia. Como a ação dos irmãos Lumière proporcionou que fatos, notícias e informações fossem deslocadas de seus locais de origem para olhares distantes, já se realizavam, portanto, uma análise de um dia, ou de uma jornada limitada, à distância. É o que indica a junção de tele=distância com o étimo de jornalista, jornal. Se a televisão nos sugere uma tele-visão, uma percepção visual do ao longe, os noticiários de actualidad, já realizavam este deslocamento perceptivo-visual.

Os jornais-cinematográficos, inclusive, antecipavam o que se chama hoje globalização. Eles tornavam-se telescópios do mundo, fazendo com que o lugar, o local, fosse atingido por uma série de informações e tomasse ares de totalidade. Diluía a hegemonia temporal-espacial da estagnação do acontecimento isolado. Contudo, ocorria um alastramento da informação com pequeníssimos repertórios (quantidade de informação), o que aumentava a audiência do público. A informação chegava como algo novo, uma surpresa. A própria maneira que o cinematógrafo fazia com que as imagens surgissem aos olhos realizava um corte na percepção constituída, quando apresentava imagens em planos que esquartejavam o corpo humano e colocavam imagens em movimento. Diferente da globalização hodierna que, através de um acúmulo exorbitante de informações “irradiado” pelos mass media, faz da informação um código mercadológico, onde “a informação oculta a informação” (Ignacio Ramonet), posto que sejam muitas informações, truncadas, para serem consumidas.

Se os jornais-cinematográficos tinham as informações como uma surpresa ao público, os atuais telejornais televisionados, e também suas versões na internet, fazem da informação shows, espetáculos, onde o que menos interessa é a autenticidade ou a importância social da notícia do que o impacto emocional padronizado que ela irá causar no tele-espectador.

O telejornal, em seu fascínio pelo “espetáculo do evento”, desconceitualizou a informação, imergindo-a novamente, pouco a pouco, no lodaçal do patético. Insidiosamente, estabeleceu uma espécie de nova equação informacional que poderia ser formulada desta maneira: ‘Se a emoção que vocês sentem ao ver o telejornal é verdadeira, a informação é verdadeira’”. (Ignacio Ramonet)

Os telejornais televisionados apresentam outro tipo de censura, diferente daquela que esconde, oculta, próprio dos regimes ditatoriais. Este outro tipo de censura é aberto e, ao invés de ser acionada pela escassez sistematizada de informações, opera na abundância. O intuito da grande quantidade de informação nos telejornais televisionados é não informar. A informação, quando se dá de modo que sua repercussão não se limite em um primeiro que comunica um segundo, mas pela redundância é re-passada constantemente a terceiros, de um grau a outro, justapostamente, ela impõe ordens, e todos os enunciados surgidos apenas ecoam as ordens anteriores. É a constituição da informação como palavra de ordem imposta pelos telejornais televisionados: uma abertura enorme de informações que não fazem outra coisa a não ser conservar uma subjetividade midiática pautada na truncagem da informação e invenção de factóides, próprios do Globalitarismo.

É preciso falar primeiramente aos olhos”. Era o que dizia o homem da estratégia, Bonaparte. O telejornal televisionado fala aos olhos. Sempre falou. Os olhos que, quando pensavam está descansando frente à “janela para o mundo”, se entretendo, apreciando um mundo que o estacionar significa a morte, onde a informação é veloz e em grande quantidade, onde tudo é aberto, mas também, onde “nenhuma imagem é inocente” e o signo sonoro é quase que obsoleto e serve apenas para se casar com as imagens que convém, não percebiam que, neste mundo das distâncias-próximas dos visuais e dos auditivos, eles também, eram olhados, examinados, calculados, vistos (e não ouvidos em razão do transe hipnótico que se encontram e, se muito falam, dizem o que são programados para dizer). O olho dos telejornais televisionados é o olho da harmonia do estado de coisas, o olho que garante a identidade mercado-consumidor.

Olhos encantados para uma janela aberta para o mundo, olhos olhados por uma janela que vai fechando as percepções. O telejornal televisivo expressa bem a televisão, o “telescópio doméstico”. Ele é espetáculo, show, entretenimento e informações vazias. Por isto sua escalada (a organização e distribuição das noticias) é muito parecida com a organização de filmes da indústria cinematográfica hollywoodiana. Tem um começo, um meio e um fim bem definido e sempre acabam se não com a esperança de tudo vir a dar certo um dia, com o tradicional Happy End. Ainda não há os efeitos especiais milionários produzidos nestes filmes, mas já tem seus galãs e suas musas, e quanto aos efeitos especiais, estes existem sim, não milionários e postos em fleches sucessivos e acelerados, mas feitos na velha forma truncada e dissimulada. Talvez tenha sido dessa intimidade que Berlusconi tem, não só com o telejornal, mas com toda a mídia golpista e seqüelada, que ele tenha sido inspirado para proferir a frase: “Quem não gosta de televisão não gosta da América”.

Esta coluna fará uma pesquisa sobre o telejornalismo televisivo seguindo alguns aspectos que fazem parte de sua escalada como: política profissional, violência, Verdade, estética, padronização das emoções, esporte, entre outros.

Esta coluna acredita na possibilidade da expansão da consciência pelas experiências autênticas que fazem soltar novas percepções, a criação de novos olhares sobre o mundo. Na alegria-estética de perceber o medium televisivo como uma violência à inteligência coletiva, contamos com a sua contribuição.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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