BRECHT E A ESTÉTICA DO HERÓI SURRADO

Caricatura Bertolt Brecht

O filósofo Walter Benjamin em suas análises sobre as expressões políticas da estética moderna apanhou a estética do teatrólogo Bertolt Brecht e cunhou o seguinte enunciado sobre o teatro brechtiano: “O teatro Épico e o teatro do herói surrado, aquele que chega a reflexão. Ao contrário do herói não surrado, o que não chega à reflexão”. Esta a grande  proposta do teatro épico/pedagógico do alemão Brecht que hoje, 10 de fevereiro de 2008, completaria 110 anos se biologicamente estivesse vivo.  Mas como não era Dercy Gonçalves, eis que seu espírito, seu  pensamento, o seu ser filosofante, continua se movimentando, se mostrando como novas formas de desdobramentos, tecendo cada vez mais a trajetória do “herói surrado do teatro épico”. Eis que apesar de todos os espectros do capitalismo, que acredito tê-lo enterrado com o advento do neoliberalismo, e jogado a última pá de cal com a queda do muro de Berlim, a estética engajada na vida cotidiana mostra a força da reflexão dos povos oprimidos tentando construir suas histórias, tema essencial de seus textos e encenações. E acima de tudo, mostrando com sua força produtiva, mais uma decepção na onisciência do sistema capitalista que o tomava como arte morta sob a força hegemônica do teatro burguês, ou digestivo. Estética política movente, pode ser vista em expressões variadas, tanto em heróis surrados, como em heróis não surrados, além do Verfremdungseffekt (efeito de distanciamento, ou alienação, ou estranhamento…), que desmonta a passividade espectador, colocando-o como platéia-participante, responsável ontologicamente pelo tema carregado no texto. No primeiro caso, o governo Lula, com suas políticas sociais levando a povo a novas reflexões sobre suas vidas, para compreender que a miséria histórica não é uma condição do homem, mas criação dos tiranos na avidez dos lucros. O Lula brechtiano juntamente com o trabalhador (povo) que o teatrólogo didaticamente pretendia vê-lo livre das correntes da opressão histórica. A liberdade do homem. Lula humorado como o teatro do homem da Augusta. O humor necessário para examinar a realidade social e transformá-la alternadamente. No segundo caso, os personagens-teses: a burguesia tupiniquim que nunca chega a reflexão, o que há de mais reacionário na sociedade humana, necessário ao exame pedagógico de seu teatro para saltar as sínteses e atingir a dialética social, cujos personagens do drama aristotélico em questão em questão, estão representados por Fernando Henrique, Arthur, empresários, principalmente a turma da FIESP – Federação das Industrias do Estado de São Paulo, a mídia seqüela e os sabujos do PFL e PSDB. Todos visivelmente perambulando andrajosamente nos palcos do capitalismo tanático. Aí a encenação brasileira deste nosso Berlim Ensamble (Companhia teatral de Brecht) sob a direção de Lula, o operário que para “os que estavam no poder teriam se sentido mais seguros, se não tivesse existido” (versos do Poema à Posteridade).

 

DO POBRE B.B.

 

Eu, Bertolt Brecht, nasci nos negros bosques.

No colo de minha mãe me fui para a cidade grande

Ainda pequenino. Mas o frio dos bosques

Enquanto eu viver hei de sentir.

 

Na cidade de asfalto sinto-me à vontade.

Munido desde o início de todo sacramento

De morte: jornais, fumo e aguardente.

Sou preguiçoso e desconfiado, mas feliz.

 

Mostro-me amigo dos homens. Como eles

Também uso chapéu-coco.

E digo: são bestas de cheiro singular.

Mas retruco: que importa? No fundo, também eu.

 

Por vezes, de manhã, nas cadeiras vazias de meu quarto

Uma mulher eu ponho a balançar-se.

Mas as contemplo indiferente e digo:

Pois bem, comigo é que vocês não vão contar.

 

À tarde reúno à minha volta os homens.

Chamamos-nos um ao outro: Gentleman.

Eles descansam os pés em minha mesa

E dizem: vai melhorar. E eu nem pergunto quando.

 

Na bruma da manhã mijam os abetos,

Seus parasitas, os pássaros, começam a gritar.

É a hora em que no bar eu esvazio o copo, jogo fora

O cigarro e adormeço inquieto.

 

Temos vivido, nós, volúvel casta,

Em casas que julgamos indestrutíveis

(Assim é que construímos os arranha-céus de Manhattan

E as delicadas antenas que divertem o Atlântico).

 

Dessas cidades restará: o vento que as perpassa!

A casa alegra o guloso: ele a esvazia.

Sabemos ser efêmeros.

E depois de nós haverá… nada digno de nota.

 

Nos futuros terremotos eu espero

Não venha a apagar-se o meu cigarro por causa da amargura.

 

Eu,Bertolt Brecht, atirado às cidades

Desde os negros bosques, no colo de minha mãe, em

                                                            Tenra idade.

 

            Balada escrita em 1921

Tradução do alemão para o italiano de R. Fertonani. E do

Italiano para o português por Fátima de Souza

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