Arquivo para 15 de fevereiro de 2008

CLINAMEN

___ oblíquas variações infinitas dos corpos ___

___________Sussuros_______Ruídos_____________Rumores___Flutuações______ Não me falas       falas de mim   névoas de vozes  me mostram  queres uma insuflação para me teres        sou a loucura das vozes que me querem    mas me escapam                

Não me pergunte quem sou eu e não me diga para permanecer o mesmo: é uma moral de estado civil; ela rege nossos papéis”                        (Foucault)       Você acredita que aquele que foge de suas teias morais comete escândalo. Mas quem lhe contou que sua moral é a moral do homem? Lembre-se, enquanto é tempo, a sua mídia, seus parlamentares, pastores, empresários, juizes, professores, economistas… nada possui para criar um mundo necessário. Aos olhos de ver, isto é um escândalo. Trapaça a Vida. Não confunda: sua sonoridade escandalizante não permuta proposições. “Eu apoio tudo que for pela transparência(Senador Heráclito Fortes – PFL).” “Como é grande meu amor por você(Roberto Carlos)”.         ______________Disseram-lhe que o mundo é Gay. Ocorreu-lhe preocupações: o mundo não é lindo, colorido, alegre, dissoluto. Têm guerras, torturas, assassinatos, trapaças, cobiça, só o mal. Nada é Gay! Confundiu atroz civilização com mundo. O mundo é cintilações, vibrações, caos, ruídos de fundo, desordem, absurdo, choques, encontros, aleatórios, átomos desordenados, laminares, transversões, dispersões, turbilhões, ascendências, descendências, circulações, versus, vertex, verto, eterno retorno, vontade de potência… Gay! Eis o mundo!       “Nós, os poetas, erramos porque rimamos, também os nossos olhos com olhos de alguém que não vem”                              (Lamartine Babo)               Pelos personagem, era para Ciro Gomes nem tomar conhecimento. Atores da Globo foram à Câmara Federal pleitear mudanças na transposição do Rio São Francisco. Carlos Vereza, ex-comunista da zona sul carioca (Ela é carioca, ela é carioca), lamentou-se franciscanamente. Osmar Prado chorou (Não sei porque razão) afirmando não ser “uma representação”.   Letícia Sabatella, preocupadíssima com a vida (minha vida, olha o que é que eu fiz) fabulou: “Espero que o debate não seja teatro”.  Da parte dos globais, claro que não: não possuem inquietações dionisíacas. Por tal não protestam a transposição do cérebro da Globo para lixeira espacial.   “Se queres enriquecer Pítocles, não lhe acrescentes riquezas: diminui-lhe os desejos”                           (Epicuro)    _______________________Susto! O Lula pirou! Nomeou para ministro da Igualdade Racial o Pelé! Edson Santos! Não é o Pelé! O Pelé é Edson Arantes.          Lua  luz         luana              luiz             “Que uma mulher pode ou nada, isto eu já sei. É o grito da D. Moral todo dia no ouvido da gente”                         (Gonzaguinha)            Upa, upa, cordeirinho!             Para medicina esportiva, Ronaldo é um fenômeno.               A mídia escandalosa diz que os partidos de oposição, em relação ao governo Lula, têm que ter uma posição radical. “Ser radical é tomar as coisas pela raiz. Para o homem, a raiz é o próprio homem”                          (Marx)   Pô, meu, como que abstrações podem chegar à raiz?    O anedotário carrega: se não dá para nada, vai ser jornalista. Se não escreve ou fotografa, vai ser chefe. Se não sabe ser chefe, vai ser professor de jornalismo. MainardiCatanhedeClóvisRossiReinaldoBonnerLeitãoMitreJosiasConyZZZZZZZZZZ, a se perder.                            Revista americana, Variety. Opinião de Jay Zeissberg sobre o espertinho filme de José Padilha (Olha o Padilha! Padilha era um delegado mau do Rio de Janeiro, romantizado pelo jornalismo alienado e falsos malandros. Moreira da Silva ajudou) no Festival de Berlim querendo abiscoitar o Urso de Ouro (Ouro para o bem do Brasil! Década e 60: você deu?): “Uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como filme de recrutamento de seguidores fascistas”.      Le Monde : “Segue o neo conservadorismo hollywoodiano   montagem frenética, câmara epilética, narrativa que não deixa nenhum espaço à ambivalência. Não é preciso ser hipersensível para ver no filme uma apologia à tortura e execuções extrajudiciais”.      José Padilha (transmigração das almas? Mentepsicose? Reminiscência platônica? Vá lá saber! A metafísica tem metafísica que a própria metafísica desconhece), tirando as broncas: “Os críticos que atribuem um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros. (…) Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso”. Na verdade, me preocupo é por isso que argumento deprimido. Caso contrário não falaria nada. O que vim fazer aqui em Berlim metido em um Urso de Ouro? Já ganhei a metralhadora de ouro e a bala de prata, o que quero mais?                    ___________________ “O terrorismo lembra-nos insidiosamente que a guerra é um sintoma delirante que funciona na meia-luz do transe, da droga, do sangue, da unanimidade que identifica em seu próprio corpo-a-corpo aliados e inimigos, vítimas e algozes”                         (Paul Virilio)

DOIS GOLPES NO FAMILIARISMO MÉDICO-INSTITUCIONAL AMAZONENSE

GREVE DO SIMEAM

Ontem, em assembléia realizada na faculdade de medicina da UFAM, os mais de 1200 médicos filiados ao SIMEAM (Sindicato dos Médicos do Amazonas) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Em alguns postos de saúde, já não houve atendimento na manhã de hoje.

Os grevistas reinvidicam aumento do piso salarial e a incorporação de gratificações e do abono Salário-Base, além de melhorias nas condições de trabalho e a implantação do PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários) da categoria. O piso salarial nacional é de R$ 7,5 mil. Os pisos definidos por Governo do Estado e pela Prefeitura de Manaus são de, respectivamente, R$ 380 e R$ 300. Com os abonos e gratificações, chega a R$ 3 mil, aproximadamente. A grande preocupação dos médicos é que, com a aposentadoria, as gratificações e abonos desaparecem, e o que sobra é apenas o salário definido pelos patrões.

O que não acontece com as aposentadorias de médicos que passaram por cargos como reitor e secretário de saúde, por exemplo. Estes, embora sejam uma minoria quase sempre ligada a uma ou duas famílias, podem ficar tranqüilos. Em entrevista recente a uma emissora de tevê, o atual secretário de saúde do Estado, Wilson Alecrim, disse que a greve era um direito, mas lembrou aos colegas de profissão que o salário pago no Amazonas é o maior do Brasil. O que, pelas informações já divulgadas pelo SIMEAM (acima), não é real.

Caso aceitem as reivindicações dos grevistas, SUSAM e SEMSA aumentarão em mais de R$ 80 milhões a folha de pagamento. Um verdadeiro choque de gestão, considerando o modelo advindo do liberalismo do Estado Mínimo implantado na rede de saúde estadual.

NOVAS REGRAS PARA O CURSO DE MEDICINA

Outro assunto que deve tirar o sono de reitores e secretários de saúde principalmente da família Alecrim, que ocupam os dois cargos, na SUSAM e na Nilton Lins , é a movimentação do MEC, que prepara novas regras para os cursos de medicina.

No governo FHC, o Ministério da Educação se destacou pelo fortalecimento das universidades privadas, que tiveram uma verdadeira pandemia. Calcula-se, pelos números do próprio MEC, que as faculdades de medicina tenham pelo menos dobrado neste período. O atual ministro, Fernando Haddad, que já fez o mesmo processo de regulação no ano passado com as faculdades de Direito (que diminuiu as vagas para o curso oferecidas pela Uni Nilton Lins, do governador Eduardo Braga), convidou o médico e professor universitário, defensor da CPMF, ex-ministro do governo FHC, e uma das poucas vozes lúcidas da medicina brasileira, Adib Jatene, para coordenar a equipe que irá definir as novas regras de funcionamento das faculdades de medicina no Brasil. Perigo à vista para as universidades descompromissadas com a importância social da medicina, visto que Jatene já se declarou contrário à criação/manutenção de cursos sem critério ou garantias de implantação responsável e que garantam um ensino de qualidade. Como ficará o curso de medicina da Nilton Lins, implantado pela família Alecrim (a coordenadora do curso é a esposa do secretário, Graça Alecrim), que teve a aprovação do MEC de Paulo Renato Souza em tempo recorde, quando de sua implantação?

Jatene pretente reformular e normatizar as Residências Médicas, que hoje são definidas pelas instituições, sem um critério único, o que faz com que os processos de seleção para as vagas possam ser definidos ao gosto do freguês, como no caso recente do Hospital Tropical de Manaus.

Com a greve dos médicos e a possibilidade de novas regras que enfraqueçam o familiarismo que toma conta das universidades e instituições médicas em Manaus, é possível que os médicos-reitores, carreiristas, secretários e afins já pensem na aposentadoria compulsória. De preferência, pra eles, com todos os abonos e gratificações, é claro. Para a população, eles saindo, já é um ganho.

DOS FAZERES E DIZERES DA ECONOMIA MENOR

Os pobres se esquivam pelas barreiras e

cavam túneis que enfraquecem as muralhas.”

(Toni Negri, filósofo italiano)

LUIZ CARLOS: NO BALANÇO DAS CADEIRAS DE MACARRÃO

Na ordem do capital, muitas produções do povo passam à linha do grande capital, sendo então traçadas as suas modelações por designers profissionais, passando a ser serializadas e fabricadas em larga escala, perdendo seu caráter artesanal. Este parece não ser o caso das cadeiras de balanço, particularmente as que são feitas com “macarrão”. Procura-a em uma loja e não a encontrarás. Não se sabe exatamente onde ou quando elas surgiram ou quem as inventou; o que se sabe é que elas existem por várias partes do mundo, e que por onde passa vai sofrendo adaptações regionais de tecidos, cores, tamanhos, formas, presente em quase todos os lares de determinadas cidades, sempre tendo na mão dos fabricantes-artesãos a sua universalização por fora do Grande Mercado Global. E quem, depois de um dia de labuta, quem não quer sentar para relaxar, ler um livro, assistir um filme, quem não quer sentar sozinho ou com a namorada, o amante, o neto amado no embalo de uma cadeira confortável ao seu corpo e sua alma, propício para a reflexão ou para suavidoce reino de Morfeu? É só escolher: se tiver a armação, é só pedir ao artesão para trocar o macarrão; se não, é só chamar Luiz Carlos e experimentar…

 

Luiz Carlos Meu nome é Luiz Carlos, geralmente me chamam de enrolador de cadeira, mas eu faço mesmo é a cadeira completa, fabrico a cadeira. Tem camarada que só faz mesmo é enrolar, reformar. Eu faço e reformo. Se tiver a armação, eu reformo; se não tiver, eu entrego prontinha.

Bloguinho — Você é daqui mesmo de Manaus?

Luiz Carlos — Sou, só que eu já corri muito trecho. Eu conheço de Santa Helena a Joce, conheço BV8, Bonfim, Normandia, Boa Vista, quando eu servia o quartel, quando teve aquela história que ia ter uma invasão pra lá, em 82, aí foi todo mundo pra lá.

Bloguinho — Quando foi que você aprendeu a fazer essas cadeiras?

Luiz Carlos — Faz vinte e três anos.

Bloguinho — Mas você já exerceu outras profissões?

Luiz Carlos — Sim, eu sou operador de máquina industrial; sou vigilante formado, despachante de veículos, no caso, ônibus urbano, mas como já estou na idade que ninguém quer dar emprego, aí me dediquei somente a esse trabalho de cadeira, graças a Deus, estou indo bem.

Bloguinho — Muitos pedidos?

Luiz Carlos — Muitos. Dezembro, então, eu fico devendo pros meus fregueses, porque não dá tempo de eu fazer tudo.

Bloguinho — Como foi pra você aprender?

Luiz Carlos — Eu aprendi só olhando. Foi em Tabatinga; passei dois anos lá. Eu servi o quartel lá. Os peruanos trabalham muito lá com artesanato. Não só desse tipo aqui, mas de todo tipo, fazem o desenho dentro, o desenho que a pessoa quiser. Eu fazia com eles lá, por curiosidade, via eles fazendo, peguei muita amizade lá, aí sempre eu treinava, mas não era pensando em ter essa profissão não, e o que está me ajudando hoje em dia é esse trabalho.

Bloguinho — Me diz uma coisa, nas lojas a gente vê muitos tipos de cadeiras, mas desse tipo a gente não vê…

Luiz Carlos — Cadeira desse tipo aqui, em loja não vende.

Bloguinho — Aí eu vejo que esse tecido assim cruzado é diferente daquele modelo simples.

Luiz Carlos— É, esse tecido assim é outro tipo de trabalho, diferente do tecido comum horizontal apenas, no simples a gente gasta mais ou menos 1 kg, que é só uma peça.

Bloguinho — E uma assim, com cores trançadas?

Luiz Carlos — Numa dessas que eu tenho aqui, você gasta duas peças e meia de macarrão. Dá pra fazer até duas num dia, começando cedinho, terminando à noite.

Bloguinho — E quanto está custando uma cadeira dessas completa?

Luiz Carlos — R$ 150,00. Agora só o tecido mesmo, só pra tecer é R$ 80,00. Cada uma peça dessas de macarrão custa R$ 21,00, eu gasto duas peças e meia. Aqui, só de macarrão eu gasto em torno de R$ 50,00, fora o ferro e todo o trabalho. O meu lucro é pouquinho, não é muito não. Se for à vista é R$ 150,00, mas se for à prazo é R$ 180,00. É o que eu ganho, ganho mais um pouco quando é assim, porque à vista eu ganho bem pouquinho mesmo.

Bloguinho — E à prazo, como é a negociação?

Luiz Carlos— À prazo é no máximo 3 vezes de R$ 60,00. Dá pra fazer até de R$ 160,00, de duas vezes.

Bloguinho — Você sabe fazer também com desenho?

Luiz Carlos — Sei, mas algumas coisas mais leves, assim como escudo de time. Mas assim mais arrochado mesmo, é muito tempo que leva, três, quatro dias…

Bloguinho — Tem muitos outros tipos de trançado?

Luiz Carlos — Tem muito outros tipos. Eu estou aprendendo um novo agora, que é bem mais difícil do que esses que eu faço, que veio na cadeira de um freguês meu que é lá de Parintins. Ele perguntou se eu sabia fazer desse tipo. Eu disse que não, e mostrei esse outro modelo. Ele gostou e comprou. Aí eu pedi dele os restos para eu aprender. De vez enquanto eu faço, desmancho, até fazer completa, sem erro.

Bloguinho — E essas que estão aqui prontas?

Luiz Carlos — No caso essas daqui estão feitas assim porque o freguês me pediu, é esse meu cliente lá de Parintins, meu cliente já há muito tempo, ele já fez várias dessas aqui comigo já. Na casa dele em Parintins tem bem umas seis que eu fiz pra ele, essas daqui ele vai levando já pras filhas dele.

Bloguinho — E você vai fazer uma viagem pra lá pra Parintins…

Luiz Carlos — Vou me hospedar na casa dele. Ele mesmo disse que vai conseguir a clientela pra mim. É uma pessoa muito bacana. É por isso que eu vou levar umas dez cadeiras dessa, pra ficar na praça, para o pessoal ver os modelos. Ele disse: “se tu levar vinte, tu não chega até lá com as vinte, porque vão te comprar no barco”. No caso de lá, têm os bois, aqui no branco eu metia um coração vermelho, aqui no azul eu colocava um branco. Ele até me deu toda a idéia de como o pessoal vai querer as cadeiras lá.

Bloguinho — Você tem outras profissões, pensa em voltar a trabalhar empregado?

Luiz Carlos — Estou decidido a trabalhar só com as cadeiras agora. Eu não sei como vai ser o dia de amanhã. Mas conforme for minha força de vontade, o meu pensamento de montar minha firmazinha…

Bloguinho — Uma pequena empresa?

Luiz Carlos — Exatamente. Eu já tava com o dinheiro pra comprar o meu material todo — máquina de solda, lixadeira, etc —, mas aí a minha geladeira queimou. A mais barata que tem é mil reais. Só aí já foi o dinheiro da máquina.

Bloguinho — Não pensa em tentar conseguir algum financiamento no Sebrae, algo assim?

Luiz Carlos — Não, vou não. Se é pra eu procurar facilidade e depois estarem me cobrando, ficar me preocupando, “final do mês tenho de pagar não sei quanto”, o banco toma até a casa da gente. Se de repente não dá certo, eu vou perder o único bem que meus filhos têm. Eu vou conseguir, eu compro todo meu material e monto minha firmazinha. O necessário é uma máquina de solda — que eu faço ali na casa do meu colega, que é metalúrgico, ele só me cobra a energia —, um torno e uma lixadeira, pra começar. Quando eu voltar de Parintins, eu compro.

Bloguinho — Você cursou até que série?

Luiz Carlos — Até a 8ª série. Eu tava fazendo o primeiro, mas aí veio a época que eu me empreguei, comecei a trabalhar no 3°turno, 10 da noite até de manhã, aí não tinha mais como. Eu tive que escolher: ou eu continuava estudando ou parava o meu trabalho, aí ia passar necessidade…

Bloguinho — Pretende continuar a estudar?

Luiz Carlos — Não sei, vai depender muito do meu esforço, porque é cansativo trabalhar nisso, chega a noite, as pernas estão pedindo a Deus pra descansar. Porque eu trabalho por encomenda, mas trabalho nas portas também, à domicílio, eu saio na minha bicicleta por aí oferecendo serviço, fazendo reforma, tem dia de sair de casa 7 e meia da manhã e chegar 8, 9h da noite. Cansadão mesmo. Olha, tecer essas cadeiras, os movimentos dos braços tudo é repetitivo.

Bloguinho— Qual o seu itinerário, geralmente?

Luiz Carlos — Eu ando pelo Dom Pedro, Beija-Flor, Hiléia, Alvorada, Redenção, tudo eu ando, mais perto daqui, eu ando no Nova Cidade, Nova República, Cidade Nova, Osvaldo Américo, tudo por aí eu costuro na minha bicicleta. Quando você me ver assim saindo 7h, pode dizer assim: “ele vai pra longe”. E é pra longe!

Bloguinho — E os negócios sempre são bons?

Luiz Carlos — Tem dia que a gente ganha bem um dinheiro. Agora tem dia que a gente só agradece a Deus por estar com saúde pra ir no dia seguinte pra batalha.

Bloguinho — As condições das ruas por aí, você que anda muito na sua bicicleta, estão parecidas com essa daqui ou…?

Luiz Carlos — É o seguinte, você sabe que a nossa rua é escrota, toda esburacada, mas tem bairro por aí que é pior do que o nosso. Você me acredita que naquele bairro descendo ali depois do DB da Cidade Nova, o Riacho Doce, aquele bairro ganha do Novo Aleixo em termos de buraco nas ruas. Eu não consegui passar de bicicleta na rua. Tem rua lá que as pessoas estão furando umas o quintal das outras, que é pra passar, que não dá pra sair pela frente, só por trás. E não é só uma, duas ruas, não, é o bairro todinho. O camarada não sai pra rua quando tá no inverno não.

Bloguinho — Na sua opinião, porque as ruas ficaram e estão continuando desse jeito?

Luiz Carlos — Sabe, é muita falta de vergonha na cara desse prefeito aí. Não é possível que uma prefeitura, arrecada tanto imposto do pessoal, não ter condições de arrumar um bairro daqueles. (Não digo nem a nossa rua), o prefeito que me desculpe, mas é um cachorro mesmo sem-vergonha aquele cara. E não é só lá no Riacho Doce não. Eu ando muito, mas muito mesmo por aí, é buraco, avenidas principais mesmo cheias de buraco. Não tem nem meio fio por onde a gente andar, com medo de ser atropelado na beira de uma rua por um carro qualquer, porque nós não temos por onde andar, não tem meio fio pro pedestre, não tem calçada, não tem nada, tudo arrebentado.

Bloguinho — Pra melhorar um pouco, então, só com uma boa cadeira?

Luiz Carlos — Toda pessoa tem uma cadeira dessa em casa, de balanço, pra descansar. Isso é uma coisa que é mesmo que uma geladeira, um fogão, não pode faltar na casa de ninguém uma cadeira dessa. Chega do trabalho, cansado, senta, só é relaxar..

*A quem necessitar do serviço de Luiz Carlos ou estiver interessado em uma de suas cadeiras, ele atende pelo celular (92)9148-4175, ou ainda contactá-lo na rua Rio Jaú, n°48 – Novo Aleixo (Manaus-Am).


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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