Arquivo para 27 de fevereiro de 2008

COLUNA DO MEIO…

ALGUMAS QUESTÕES NO ENTORNO DA AMAZÔNIA

Mudanças Climáticas e o Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia

Nos dias 21 e 22 de fevereiro, legisladores dos países mais ricos do mundo, mais os 5 países (Brasil, China, Índia, México e África do Sul) em desenvolvimento, se reuniram em Brasília para mais uma reunião para discussão sobre as mudanças climáticas. As diversas reuniões deste grupo é organizada pela Globe (Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado) e tem como objetivo elaborar e avaliar documentos com propostas para “enfrentar” as mudanças climáticas. O documento elaborado nesta reunião será levado para a próxima, em julho, no Japão. Desta vez não houve um grande avanço nas discussões, segundo as notícias na internet, os legisladores do G8 terminaram a reunião com acordos parciais.

Na reunião, o presidente Lula e a ministra Marina Silva apresentaram novamente o projeto para o Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia. Em discurso, Lula afirmou para os “donos do mundo” que nos últimos quatro anos o Brasil investiu mais de US$ 250 milhões no enfrentamento do desmatamento da Amazônia, algo inédito numa administração pública brasileira. Segundo Lula, o fundo captará recursos com base na redução das emissões de carbono oriundas do desmatamento. Buscaremos captar US$ 1 bilhão, por ano até 2012, e destiná-los integralmente para combater o desmatamento e mudar o modelo de desenvolvimento a partir do uso sustentável das nossas florestas“.

Lula também aproveitou para analisar como funcionam os mecanismos de controle social dos países ricos na questão ambiental, pois “os países mais ricos, com o maior descaramento, conseguem argumentos para não cumprir os acordos. (…) Alguns países que estão entre os maiores poluentes do mundo se esquivam de suas responsabilidades e tentam transferi-las aos países mais pobres”. Como Lula percebe o mundo de maneira diferente a dos esquemas dominantes, disse ainda que “os protocolos só servem para os pobres cumprirem e os ricos, com a maior desfaçatez, arrumam argumentos para não cumprir. (…) Os países pobres precisam ter muito cuidado, porque, nós que somos vítimas do desmatamento e do aquecimento global, iremos mais uma vez pagar a conta“. Como por exemplo a posição dos Estados Unidos nessas discussões, na qual tudo o que é decidido por seu presidente é no sentido de esmagar e segregar os países pobres na procura por um “desenvolvimento” econômico a todo custo.

E alguns jornalistas e especialistas com SDC (Síndrome de Deficiência Cognitiva) ainda insistem em dizer que não houve avanço nas negociações dessa reunião. Talvez não da parte deles e de Bush, mas de Lula…

Sai resultado da habilitação para concessão florestal em Jamari

Ao contrário da concepção ingênua dos ambientalistas e pesquisadores como por exemplo Niro Higuchi (membro do IPCC) em declarações em programa de televisão , considerando a concessão florestal como a pior medida já realizada pelo Ministério do Meio Ambiente e defendendo o mito de uma Floretas Amazônica intocada, Marina Silva e sua equipe avança em mais uma etapa no projeto de desenvolvimento sustentável da floresta amazônica.

Após o combate contra o processo de licitação para concessão florestal, iniciado em novembro do ano passado, saiu dia 21/02 o resultado da habilitação para concessão florestal na Flona Jamari. Das 19 propostas enviadas ao Serviço Florestal Brasileiro, de 14 empresas envolvidas, apenas seis empresas estão habilitadas a continuar no processo de licitação.

As empresas habilitadas foram: Amata S/A, Civagro, Porto Júnior, Sakura Madeireiras, empresas representadas pelo consórcio liderado pela Alex Madeiras e ZN Madeiras. O sítio do Serviço Florestal Brasileiro disponibilizou a ata da sessão de julgamento das propostas das empresas concorrentes. Como as concessões são realizadas a longo prazo, a prática desse documento exige um trabalho responsável de fiscalização pelo governo atual e por muitos que virão. À população, cabe não deixar retornar a inexistência de qualquer tentativa de solucionar estas questões.

Extinção Zero é no Pará

Enquanto o governador Eduardo “Guerreiro de Sempre” Braga se aproveita dos programas do Governo Lula para promover sua imagem, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, procura outros caminhos e lança o Programa Extinção Zero. Trata-se de uma articulação entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a ong Conservação Internacional. O programa tornou pública uma lista com 181espécies ameaçadas de extinção no estado do Pará, chamada Lista Vermelha, e cria um comitê gestor para efetivar um plano de preservação dessas espécies.

Durante o evento para assinatura do decreto, a governadora Ana Júlia foi questionada sobre a atuação dos governos federal e estadual para a contenção do desmatamento no Pará e a atuação das madeireiras ilegais, e disse que os madeireiros estão tentando intimidar o Estado. Doa a quem doer, e leve o tempo que for necessário, vamos tirar de lá toda a madeira apreendida. Vamos continuar. Nem que eu e o secretário de meio ambiente tenhamos que passar a usar coletes a prova de balas“. Infelizmente, para quem acompanha a situação no Pará, passando pela morte de Dorothy Stang, não é exagero; mas, felizmente, pelas bandas do Pará parece existir um empenho do governo estadual em solucionar as históricas questões fundiárias e em reduzir significativamente o desmatamento, bem diferente das bravatas amazônidas premiadas.

O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

OS DESENHOS ANIMADOS: A TRISTEZA NA TEVÊ

É grande a influência que a televisão exerce, atualmente, na hierarquia da mídia. E como sua programação está cada vez mais relacionada à lei do business e, conseqüentemente, à lógica do mercado, que fundamenta o ultraliberalismo que apartou a opinião (doxa/política) do espaço público de criação e alegria, a informação na tevê (e em outros veículos midiáticos) sustenta três características principais: ela deve ser fácil, rápida e divertida. A informação é produzida na televisão como uma ficção, com a função definida de distrair. Ela não surge como o esforço intelectual/material de aperceber as relações entre as pessoas, os objetos, as instituições, os espaços e seus cruzamentos a fim de se tornar um elemento constitutivo da cidadania. Ao contrário, as informações emitidas pela tevê apresentam-se como a paralisação da criação social, posto que sintetizam a realidade segundo os ditames da subjetividade capitalística. Daí ela ter que ser fácil, rápida e divertida, no claro intuito de impedir o estranhamento das imagens e da linguagem televisiva e nos conservar na empatia. É o que ocorre com os chamados desenhos animados, que tem como principal público as crianças e os adultos infantilizados.

Em 30 de abril de 1998 em Los Angeles, uma central de televisão, interrompeu sua programação infantil (uma vez que não é para crianças, mas infantilizada) para “informar” “ao vivo” um suicídio. As câmeras controladas/controladoras da mídia serva do mercado pegaram tudo: o homem ateando fogo em sua roupa e logo depois, com um fuzil, atirando em sua cabeça. A programação infantil era constituída de desenhos animados.

Este fato é contado pelo jornalista filosofante Ignácio Ramonet em seu A Tirania da Comunicação. Ele continua dizendo: “As crianças passaram portanto da violência virtual dos desenhos animados a uma das cenas realistas mais brutalmente traumatizantes”.

Os desenhos animados são fáceis, rápidos e divertidos. Pelo menos, é esta a impressão que vários tele-espectadores (que não são apenas crianças ou adolescentes) compartilham. São nestes onde muitos encontram a felicidade de se sentar e ver aqueles personagens antropomorfizados/seqüelados, que carregam com eles os signos do mundo do business e da lógica do mercado mundial. Eles demonstram sentimentos humanos padronizados, próprios da subjetividade capitalística, como: somente o mais esperto se dá bem, sensualidade sem sexo, o dinheiro como objeto de desejo, homofobia, violência gratuita, a divisão do mundo em céu e inferno, a paranóia estadunidense dos infindáveis ataques à Terra e a seu país, o ilimitado poder dos norte americanos, o estereótipo do estúpido e do imbecil, a banalização da inteligência, pornografia, propaganda ideológica, apologia ao consumo, entre outros.

O caso ocorrido em Los Angeles ilustra bem a insuficiência cognitiva da tevê, impulsionada pelo acordo latente que ela assegura com o mercado internacional. Pouco importa quem seja o tele-espectador. Ele sempre é um dado, um número cuidadosamente mensurado pela segmentaridade dura da tevê-mercado. Importa é lucrar. Se há uma preocupação por parte dos donos temporários das concessões dos canais de tevê com a divisão de horários, classificação de censuras, pesquisas de “opinião” para identificar público-alvos, é porque estas medidas são necessárias ao controle exercido pela mídia televisiva.

E os desenhos animados assumem bem este controle. Eles funcionam como coordenadas semióticas que vão impondo às crianças imagens/linguagem já prontas, constituídas. Isto dificulta a produção de imagens por parte das crianças. A criatividade e a variação contínua própria à criança, que não se encontra em uma espacialidade e temporalidade determinada por instituições e subjetividades laminadoras, vão sendo minadas pelas imagens/linguagens pré-concebidas dos desenhos animados.

No entanto, há a criança livre, que a partir de suas experiências únicas produz suas próprias imagens. A criança que está FORA do mundo duro que a tevê ajuda a conservar. A criança que preserva o seu ser como variação contínua infinita, que se metamorfoseia a cada novo contato com um modo de existência diferente. A criança que a tevê não consegue alcançar. A criança que brinca no tempo irreversível do turbilhão de criações e animações-alegres.

Enquanto a mídia televisiva se fecha em si própria, se encolhendo até os pés dos patrões do grande capital, com seus desenhos que nada animam e só conservam a tristeza, a criança joga, livremente, seu pião talhado da madeira e com ele participa dos movimentos que escapam à tristeza do mundo-adulto.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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