Arquivo para 23 de abril de 2008

A LÓGICA DA INSIGNIFICÂNCIA JORNALÍSTICA

Do mesmo jeito que clonarão biologicamente os seres humanos no futuro, mas no fundo eles já têm, mental e culturalmente, um perfil de clones”, afirma o filósofo Baudrillard sobre a sociedade da insignificância, onde os discursos e os gestos como figuração social são programados. A “atividade mínima, radical, exclusiva que, por sua própria repetição, torna-se virtual” (Baudrillard). A banalidade pura como confirmação de que nada mais há para ser revelado. Esta, a lógica da insignificância perpetrada pelo jornalismo de mercado, para quem tudo é mercadoria (vazio), até mesmo a existência do homem. A existência esgotada, sob a verdade virtual. O produto comercializável por Gilberto Dimensteinsua ausência de significância social. Ou o niilismo do desejo. Homicídio coletivo do discurso. Estase sensorial e cognitiva. Corpo imóvel do jornalista e de seu leitor.

É esta lógica da insignificância jornalística que o leitor significante encontra quando tenta ler um texto deste universo jornalístico. É a violência da negação da leitura: não há discurso diverso. Só replicância-literária. A clonagem textual. Então, o que poderia ser uma experiência de leitura/cognitiva torna-se apenas uma experiência sensorial. Isolamento sensível. Anorexia intelectual.

Esta cumplicidade viral/virtual (repetição) mostra-se em total abrangência em todas empresas jornalísticas do mercado editorial. A heterogeneidade dos discursos dar lugar ao macro-texto-matriz circunscrito pelo mercado cujo desejo é o lucro. A homogeneidade da insignificância. Inscrição do desaparecimento da razão.

Uma breve exposição da desrealização do ser social e do real jornalístico. Três jornalistas do jornal Folha de São Paulo escrevem sobre o infanticídio, em questão, a meiga criança Isabella: Eliane Catanhêde, Hélio Schwartsman e Gilberto Dimenstein. Embora o mesmo tema tanático, espera-se diferenças de enunciados e conteúdos. Já que se trata de três existências com percursos ontológicos diferentes. Mas nada diferente ocorre quanto ao tratamento intelectual ao tema. Os três confirmam Baudrillard: “no fundo eles já têm, mental e culturalmente, um perfil de clones”. Não disjuntam o tema friccionando suas margens, rachando sua crosta social, desdobrando suas bordas endurecidas pela semiótica mítica/mística. Não cansam de repetir, sem entrelinhas, o que em outros jornalistas acusam de “curiosidade mórbida da sociedade” (Catanhêde), “imprensa ávida por sensacionalismo” (Hélio Schwartsman). “Mórbida”,Eliane Cantanhêde sentencia Catanhêde. E onde não há morbidez neste texto: “Porque fica a sensação de Isabella continuar sendo asfixiada, maltratada, humilhada e finalmente jogada do sexto andar todos os dias…” Por que a jornalista todo dia joga a criança do sexto andar? Por piedade? A piedade é um afeto supersticiosamente duplamente mau: ódio contra si mesmo (um) projetado no outro (dois). Minha culpa histórica que não assumo. Herodismo hipócrita. Ainda mais quando a jornalista categoriza: “Algumas vezes, me envergonho. Outras, me convenço de que não é só um dado da realidade, mas também um mal necessário”. Pura replicância jornalística. Nada de exame da matéria (infanticídio) e muito menos análise de suas formas de desenvolvimento (causas históricas), só lamento alienado no seio da sociedade tanática. Nada de vergonha real, só supersticiosa, a que não carrega os corpos revolucionários da cólera contra si, que nos faz tomar a realidade como possível de outras formas ontológicas. Daí porque recorre à dor sádica-narcísica coletiva (alguns diriam masoquista) do “mal necessário” para chamar a atenção da sociedade para discutir o tema do infanticídio. Pobre sociedade. Miserável jornalismo: uma criança tem que ser assassinada para chamar a atenção social sobre a violência infantil. Dimenstein, chama de doméstica.

Por sua vez, Schwartsman, em sua molaridade jornalística “filosofastra” o tema como “uma tragédia pessoal e familiar”. No mesmo círculo macabro da insignificância, Dimenstein infantiliza-o, julgando que “a criança vira a depositária do estresse da pobreza combinada com o desequilíbrio emocional dos adultos”. Perverso reducionismo que os impede de entender que se trata do delírio histórico de um sistema despótico que se metamorfoseia em todos os territórios: família, escola, igreja, trabalho, entretenimento, economia, etc. Por tal, não é “uma tragédia pessoal e familiar”, e nem “estresse da pobreza”. É o corte paranóide da Vida que arrasta a maior parte da sociedade com seus elementos fóbicos-persecutórios, alojando-a no gueto da compulsão coletiva do paraíso da segurança-isolada: o individualismo-insignificante. O Hélio Schwartsmangrande reality show fantasmagórico. A supremacia do vulgar. O que faz com que as profissões não sejam uma prática cívica para o bem comum. Mas um estado individualista como dos jornalistas “meu bom patrão”.

Matam-se crianças porque matam-se infâncias. A morte de uma criança não é só o ato de destruir as funções biológicas de seu corpo, mas também de seu espírito. Daí que a criança cresce, mas a infância se mantém aprisionada, e o fantasma-adulto ronda, com seu ódio, em figura de um sujeito passivo, violento, frígido, desconfiado, irritado, invejoso, pessimista, vulgar, canalha, capacho, trapaceiro, covarde, ambicioso… Toda forma de dor que um adulto interditado pode interditar em uma criança. Assim, prevalece a lógica da insignificância da sociedade clonada. Comprovação do clone pelo simulacro lingüístico, todos os três — Catanhêde, Schwartsman, Dimenstein — usam a mesma expressão desrealizante do ser: “a pequena Isabella”. Pequena é medida; criança é devir.

AS CHUVAS E OS GOVERNOS ZELADORES DE MANAUS

Quando os trovões anunciam a chuva que vai cair, os habitantes manoniquins fecham a janela, e muitos começam a rezar: sabem que a ajuda, se vier, só virá de lá. Dos governos, os atuais e os anteriores, são responsáveis, bem mais que São Pedro, pelo medo que toma conta das inúmeras áreas de alagamento da cidade quando o tempo anuncia chuva.

Na última quarta-feira (13), moradores das zonas Leste, Centro-Oeste e Norte de Manaus sofreram com a chuva mais intensa do ano até agora. Várias famílias perderam suas casas. Outras, com as casas na iminência de cair, também tiveram que ir para abrigos improvisados em quadras de escolas públicas e outros locais. Os bairros mais afetados foram o Nova Esperança e Alvorada (Centro-Oeste), Bairro da União (Norte) e Zumbi dos Palmares (Leste). Situação que parece déjà vu, lembrando o temporal de 09 de abril de 2007, quando os estragos foram superiores.

Mais que coincidências, os temporais de 2007 e 2008 vêm colocar à mostra a ausência de um política habitacional e de uma organização social na construção dos espaços urbanos, que estão presentes nas atuais administrações públicas municipal e estadual, mas que são práticas comuns dos governantes de Manaus há décadas.

AS CASAS-FANTASMA DA PREFEITURA

Em 2007, o prefeito Serafim tentou se aproveitar da superstição popular, atribuindo as chuvas (e os estragos) à São Pedro. A população, no entanto, não estava disposta a aceitar a justificativa religiosa. Reivindicou os direitos, e embora nem todas as famílias tenham sido beneficiadas, a prefeitura colocou pouco mais de 150 famílias em um programa emergencial, onde receberiam uma bolsa-aluguel, no valor de R$ 250,00, além de acompanhamento social durante quatro meses.

O detalhe com relação a este atendimento foi que havia um número muito maior de famílias desabrigadas após os temporais do início de abril. A tática da prefeitura à época, segundo fontes intempestivas, era “cansar” os desabrigados, incentivando-os a procurar moradia com parentes. Dentre os que resistiram heroicamente quase o mês inteiro nas quadras das escolas e abrigos improvisados. Um alento: receberam um colchão, uma geladeira, um fogão, uma botija de gás e a inclusão no recebimento do benefício emergencial.

O contrato inicial do bolsa-aluguel, ou benefício emergencial (o programa não tem nome oficial), era de quatro meses, a contar de maio de 2007. Com a visita do Ministro das Cidades e a liberação de verbas federais para cobrir os estragos materiais, tudo indicava um rápido desfecho para o caso. No entanto, um ano depois, os beneficiários continuam no aluguel. A primeira tentativa de solução incluiu casas do conjunto habitacional Parque dos Buritis, que estava previsto para ser inaugurado agora em abril, mas que não encontrou no primeiro edital lançado nenhuma empreiteira que se interessasse pela obra, fazendo com que as previsões mais otimistas esperem o residencial pronto para dezembro, segundo informações apuradas por este Bloguinho.

Diante da impossibilidade de manter por mais tempo as mais de 150 famílias no aluguel, a solução adotada pela prefeitura foi incluir as famílias no projeto de reposição de casas que está retirando moradores das margens do igarapé do Mindú. No entanto, as famílias têm encontrado dificuldades em encontrar casas dentro dos critérios da Caixa Econômica Federal, que financia a compra através de carta de crédito, e ainda não sabem qual alternativa terão caso não encontrem moradia no prazo estipulado pela prefeitura.

Existirão ainda em Manaus casas devidamente documentadas (com título definitivo de propriedade) no valor da carta de crédito da CEF, que é de 21 mil Reais? Ou, como as casas do Parque dos Buritis, que ainda não existem, estas também são casas-fantasmas?

O PROGRAMA MARKETÍSTICO-HABITACIONAL DO GOVERNO DO ESTADO

Cerca de duas semanas atrás, quando um temporal causou estragos no Sovaco da Cobra, área localizada no bairro da União, zona Norte de Manaus, o governador Eduardo ‘Guerreiro de Sempre’ Braga aproveitou para anunciar que o PROSAMIM iria entrar imediatamente no local, minimizando os danos causados pela chuva. Aproveitou e fez campanha para seu candidato prefeiturável, Omar Aziz. Duas semanas depois, outra chuva, e os moradores do Bairro da União continuam esperando o maquinário do PROSAMIM chegar.

Este Bloguinho já falou sobre o PROSAMIM, mostrando que o programa é apenas mais um elemento marketístico do governo Braga, pois não criou elementos corporais e incorporais necessários ao saneamento básico das áreas atingidas, que continuam poluídas. Também já noticiou que o condomínio Parque Residencial Manaus, entregue aos moradores retirados das margens dos igarapés, já sentiu a potência de Poseidon, além de apresentar outros problemas.

No ano passado, o governo Estadual, já em clima de campanha eleitoral, durante o período de calamidade pública pelas chuvas de abril, ofereceu a várias famílias desabrigadas um auxílio para reconstrução das casas no valor de R$ 500,00, em parcela única. Além de incentivar o retorno às áreas de risco com a medida, o governo ainda tentou lucrar com as imagens dos servidores da prefeitura que ajudavam na distribuição de material. Como os servidores não usavam uniformes e não carregavam nenhum tipo de identificação, as imagens foram para a propaganda governamental como se fossem servidores estaduais, o que causou atrito entre iguais: prefeitura e estado. Houve ainda vários episódios de conflitos envolvendo famílias que não receberam o benefício do governo (os 500 Reais) e foram reclamar às portas da SEAS (Secretaria Estadual de Assistência Social). Não foram atendidos.

PREFEITURA E GOVERNO DO ESTADO: BONS ZELADORES

No entanto, acreditar que apenas as administrações de Serafim e de Braga foram responsáveis pela situação que vivem a maior parte dos moradores de Manaus quando chove é desconhecer que eles são bons zeladores da situação que encontraram quando assumiram.

Manaus passa há décadas por um processo de inchaço social, resultante do lucro obtido pela chamada indústria das invasões – que Serafim tentou coibir, com algum sucesso -, pela ausência de preocupação com questões urbanas e pela inapetência de todos os governantes anteriores, incluindo Amazonino, Arthur, Gilberto Mestrinho e iguais.

É preciso abrir o olho nestas eleições. O período de chuvas está no fim. Mas ano que vem tem mais.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.243.143 hits

Páginas

Arquivos