Arquivo para 27 de abril de 2008

DA LÓGICA E DA MORAL DA NÃO-EQUIVALÊNCIA

ou

MAS EU JAMAIS MATARIA MEU FILHO

Tudo que é humano é humano. Nada escapa. O filósofo Lucrécio dizia que as perturbações do homem são produtos de suas criações míticas e místicas. Seus rituais sobrenaturais e seus deuses metafísicos. A realidade imaginária que o homem precisa para negar o homem. A ilusão do fazer aparecer e do fazer desaparecer, segundo o filósofo Baudrillard. A verdade ontológica fundadora do real. Tudo que existe, existe, porque tem equivalente como prova de sua realidade. O bem, o mal; o falso, o verdadeiro; o finito, o infinito… E sou eu quem mostra a equivalência de minhas certezas. Sejam certezas lógicas ou morais. Meu pensamento é verdadeiro, pois é oposto ao do outro. Meu bem é um bem, pois é contrário ao bem do outro. Há sempre algo equivalente para afirmar a minha realidade. Um mercado de trocas: minhas certezas. Sempre poderei trocar minha mercadoria lógica e moral como fundamento da realidade. Há sempre uma demanda para mim. Há sempre minha mais-valia lógica e moral. Meu ganho existencial.

A REALIDADE COMO NÃO-EQUIVALÊNCIA

O jornalista dos casos policiais afirma contagiado que o que mais impressiona a sociedade na morte da meiga Isabella é o fato de todas as provas indicarem que foram o pai e a madrasta seus autores. O pai. O pai é imperial. O pai é sagrado, é teológico, é superior, é protetor. É pai porque faz o filho. O que se faz é o fruto. Como o pai, o fruto é sagrado. A sagração transcende a existência terrena. Mas na terra há dores, traições, interdições, violências, invejas, injúrias, ódios, situações inacabadas… Há Ismênia, Etéocles, Polinice, Édipo, Creontes, Brutus, Herodes, Hamlet, Yago, Rômulo, Remo, Moisés. Não basta ter filhos para as perturbações desaparecerem e o amor brotar. São múltiplas as interdições para travar a vida e impedir que a potência vontade de existir prevaleça. Ninguém diz para si em um belo dia: “Hoje vou matar meu filho!” Um pai que mata o filho já foi morto antes. Um torturador já foi torturado antes. A voz que exige a justiça de qualquer forma, foi injustiçada de qualquer forma. Toda injustiça é injustiça. O filósofo Platão dizia que justiça é o que é justo. Um ato que não sai de um delírio. Mas que combina consigo mesmo. Que seja feita a justiça. No mercado da troca da não-equivalência, meu ato é menos mal que o dele. Nada de quem não tiver pecado que atire a primeira pedra. Realmente nenhuma violência é igual, mas todas auxiliam na interdição da vida e produzem o ódio e, conseqüentemente, a dor da reparação: o juiz. Assim, estes juizes montam seus tribunais e condenam.

A SENTENÇA

____ Eu já estuprei, mas jamais mataria minha filha _____ Eu roubei o dinheiro público, mas jamais mataria um filho ______ A minha igreja usa Deus para explorar a miséria do povo, mas não teria coragem de matar um filho _____ Já torturei crianças, mas um filho meu não mato ______ Sei que, como médico, não exerço bem minha profissão, mas minha família está acima de tudo ______ Sei que vivo de um comércio que se sustenta da exploração, tenho que pensar na minha família _______ Eu voto no PSDB e no PFL, pois sei que é bom para as crianças e os jovens _____ Escamoteio notícias, faço truncagem com reportagens, falo enfaticamente no Jornal Nacional, mas não tenho coragem de negar uma Coca-Cola para minha filha _______ Escrevo tele-novelas, e penso em meus sobrinhos ______ Sei que o BBB é uma violência à inteligência e aos afetos dos telespectadores, mas penso nos meus filhos. Sei que sou voz de comando da mentira, sou preguiçoso, persigo e reprovo meus alunos, mas meus filhos acima de tudo ______ Toda publicidade que faço só tem um objetivo: seduzir o consumidor. Eu preciso alimentar meus filhos _______ Faço gol com a mão amparado pelo juiz, mas quero que meus filhos sejam honestos _______ Sou um jornalista que só escreve o que o patrão manda, apesar disso, quando chego em casa, beijo meus filhos e vou dormir ______ Meus programas de humor são discriminadores de gente feia, preto, homossexual, mulher. Eu preciso de dinheiro para educar meus filhos ______ Eu minto, sou um canalha, vou ser eleito, mas não toquem nos meus filhos _____ Minha filha estuda em uma escola que prima pela disciplina e o respeito _____ Não importa o que eu faça de mal, o que importa é que respeito meus pais, minha esposa e meus filhos ______ Quando saí de meu país, deixei minha família. Aqui no Iraque, Afeganistão, Faixa de Gaza… Sei que mato crianças, mas só penso em voltar e beijar meus filhos ______________________________________ Sei que o mundo está perdido, mas que tempos são estes em que o pai mata a própria filha, meu Deus? Que vergonha de ser homem, minha filha! Perdoa-me, agora tenho que trabalhar!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

O HIPER-BEIJO E O REAL

Há amor em um beijo que não é beijo? Quando os lábios se colam, a saliva se mistura, o calor aumenta, o tesão emerge, mas tudo isso não é sentido, mas apenas sugerido pela fria telinha da tevê, houve o beijo?

O autor novelístico está esfuziante! “A bicharada está em polvorosa, a audiência vai sair pelo cu!”, pensa. Não sabe que a inteligência não passa pelo hiper-real. Tolinho!

O hiper-real é o faz-de-conta do faz-de-conta. É o real tão artificializado que desaparece com a significância. Nada mais tem motivo. É tudo significante: o vazio. Não há nada do outro lado da cortina. Nem debaixo da saia.

A Globo já sacou a força consumista do chamado público GLBT. Assim como simula a existência de personagens substanciais de outras categorias (a mocinha que luta e consegue seus objetivos, a malvada que é movida pelo ódio cego, o gay que sofre com o preconceito, a mulher submissa, o machão, e por aí vai), as novelas também são campeãs do hiper-real: o não-amor. Um beijo na telinha, não importa a ferramenta da sexualidade que o corpo carregue e como ela é usada por este corpo, é sempre um significante, o vazio, a ausência de um beijo. Não há sequer o rastro…

Na ausência, pela dor, o videota-consumidor é capturado e se deixa levar. “Finalmente aparecemos na telinha! Mil vivas à Vênus Platinada, estamos na telinha global, ou na telinha do bispo, ou não importa onde. Temos representação, vez e voz!”. O beijo enquadrado na tela e esvaziado da sua corporeidade. É um produto-emotivo, um pacote que confirma o enfraquecimento dos afetos (estes sim, produções dos encontros dos corpos que modificam e criam modos de ser). O beijo-clone, todos iguais e nenhum acontecimento.

Se um beijo é constitutivo do ato erótico, como explicar que as novelas sejam eficientes meios de controle de natalidade? Onde está o furor erótico das cenas e beijos de língua da novela afetando os videotas? “Hoje em dia, é possível encontrar sexualidade em tudo, menos no sexo”, já sacava Baudrillard. Não há nada, nem encontro, nem saliva, nem hormônios, nem tesão. Só o encontro da imagem formada pelos pixels da telinha com a idéia-abstração da memória-lembrança, capturando e imobilizando a potência erotizante dos corpos.

Sacaram, meus amores? Muito bem!

E agora vamos ver os sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ Suicídio entre Jovens GLBT. Uma pesquisa promovida pelo Parlamento Europeu envolvendo 44 países descobriu que o maior índice de suicídios entre jovens pertence à vertente GLBT. Cruzes! A pesquisa trata o problema como um caso de saúde pública (não deveria ser doença social?). Mas calma, calma, nenéns. Não é a erotidade que é apontada como causa dos suicídios, mas a discriminação e a estigmatização social. Então o jovem gay, a jovem lésbica não se suicidam, são suicidados! Daí a importância de se discutir o mundo gay para além dos clichês. Por isto, esta coluna entende o mundo gay como o mundo onde a Vida corre fora, onde os fluxos vitais produtores da alegria estão para além da organização social humana, e é preciso produzir modos de existir mais próximos destes fluxos vitais. Inclusive no corpo, no amor e no sexo. Faça a sua parte, meu amor. Salve uma vida. Faça o mundo mais gay! Sentiu a brisa, Neném?

Φ Angela Ro Ro saca do hiper-real. A bela Ângela Ro Ro aproveitou a deixa da não-bela Ana Carolina pra dar uma curtida no mundinho consumista que de gay não tem nada. Enquanto a ruiva canta as dores do amor romântico que cultua a dor, e usa seus relacionamentos como vitrine para a venda de produtos-emotivos, Ro Ro usa o humor e tira uma onda. Inventa um amante-padre-paranormal para brincar. Expor através do humor o engodo mercadológico da ruiva. Afinal, o que temos a ver com a existência erótica-amorosa de Ana Carolina? Na sociedade de consumo dos zumbis que se alimentam da dor alheia, tudo. Mas não Ângela. Ela, nesta, foi pedagoga. Ensinou o amor, a alegria, o humor. Ampliou o mundo gay! Bota na vitrola uma Ro Ro aí, moçada! Sentiu a brisa, Neném?

Φ Preparativos para o “Dia Mundial Contra a Homofobia”. No próximo dia 17 de maio, mais de 600 milhões de pessoas, cerca de 10% da população mundial, estará dizendo não à homofobia em várias manifestações mundico afora. A data, embora simbólica, é mais um dia que expôs a homofobia como doença social do que propriamente uma data de comemoração. Neste dia, em 1990 – somente 18 anos atrás – a OMS declarou a homossexualidade um comportamento normal e a livre orientação sexual um direito humano. Mas antes tarde do que nunca, e o que a OMS fez foi apenas ratificar a luta do movimento social gay. No Brasil, que é campeão mundial de homicídios com motivação homofóbica, ainda há muito por se fazer, e poucos são os movimentos organizados e que pensam a questão para além dos chavões. Em Manaus, isso ainda não existe, e o movimento fica à mercê dos padrinhos e madrinhas de ocasião, ávidos dos votos dos incautos. Independente disso, prepare a sua movimentação, e no dia 17 faça uma festa da política comunitária para enfraquecer o enunciado homofóbico! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, meninas/os:

FAÇA O MUNDO GAY!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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