Arquivo para 29 de abril de 2008

O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

POR UMA MÍDIA QUE VÁ PELO MEIO

Ampliar a Noção Habitual de Mídia

Responsabilidade moral de erradicar o mal e mostrar as enfermidades sociais”. Este era o axioma central que fundamentava a transformação do jornalismo em profissão no século XIX, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Este axioma foi evoluindo junto às mídias e se constituiu como o código moral de classe cristalizado nos meios de comunicação. A mídia foi se estabelecendo como veículo de denúncias das mazelas sociais para se conservar como mantenedora da ordem. Então sua função não ficou em apenas fazer com que informações passassem de um ponto a outro no espaço e no tempo, mas também a de um agente “social” que destacasse casos na multidão de acontecimentos que servissem como exemplos para manter a constante manutenção da disciplina e do controle da ordem normativa.

A noção habitual de mídia então passou a ser entendida como uma espécie de vitrine que coloca à mostra a realidade para todos. Leva a realidade a ser vista através de suas técnicas e modelos de veiculação midiática. O profissional da mídia (seja lá qual for a sua função) se torna responsável por conscientizar o público e servir de exemplo.

Daí um problema habitual: sendo o modelo de mídia que se toma como oficial, centrado em grandes dinastias familiares, o que fazer para que a mídia não se limite aos ditames da moral de classe dessas dinastias midiáticas?

Talvez seja deste problema, colocado de maneira muito rápida, que nasça os brados que reivindicam uma mídia livre/alternativa, a partir de uma mudança de modelo. Mas a questão não é bem esta. Nem a do problema. Nem a da sua afoita solução.

Antes mesmo de a mídia funcionar como instrumento de dominação por essas dinastias, ela já se pretende como agente conservador da dominação capitalística. Percebe-se isto quando se vê que a mídia realiza uma antecipação de denúncias e repressões àqueles que infringirem a semiótica capitalística. O discurso da mídia é fundamentado em enunciados persecutórios próprios de um regime de signos despótico. Entretanto, a própria mídia desconhece isso. De tão inserida na subjetividade capitalística, ela faz isso com naturalidade e passa a ser personalizada por esta subjetividade dominante. Tanto que ela na ânsia de cumprir seu dever moral, naturalmente, só mostra o sujeito como indivíduo em momentos específicos.

Os meios de comunicação falam do mundo das pessoas, que transformam em até superpessoas. No jornal, no rádio, na televisão, nas revistas, o indivíduo só aparece no registro policial, quando se personaliza através da violência. Ou então no Carnaval, quando se torna personagem de um fato da história nacional. Ou ainda no misticismo ou no futebol, quando se destaca por seus dons ou poderes superiores. (Laymert G. dos Santos)

Uma noção ampliada da habitual de mídia, portanto, não está somente na abolição da lógica de mercado da sua organização. Uma questão que talvez não seja levada tanto em conta é que a noção predominante de mídia é aquela que é produzida pela subjetividade capitalística dominante. São as redundâncias dominantes capitalísticas que povoam a noção e a prática das mídias. Então, as formas de falar, os gestos, os procedimentos, a forma de usar a informação, a maneira com que os significados vão se apartando de qualquer acesso à realidade, instituem na mídia uma ordem fundamentada nos códigos capitalísticos.

Talvez a mídia seja vista somente como uma série de veículos de informações manipulados pela economia de mercado, que determina seus níveis de organização. Daí surgir idéias favoráveis de uma mídia livre/alternativa à medida que ela seja guiada pelas pessoas certas. Basta criar uma programação cultural, educacional e de entretenimento distante dos ditames do mercado. Logo se terá uma mídia comprometida com a sociedade. Todavia, a mídia não é apenas manipulada. Ela própria se esforça, com o seu aparato técnico-funcional, para teleguiar e codificar comportamentos e estabelecer valores da subjetividade capitalística. Ela traz em suas variadas estruturas técnicas (a impressão, a imagem, o som, a grafia, etc) a força de marcar a expropriação do que acontece no público e transformá-lo em uma banalidade cotidiana sem sentido, a qual é posta nas casas, fábricas, escolas e outros lugares como notícias “naturais” que repugnam, enojam ou reforçam as culpas familiares.

Transformar a mídia em livre ou alternativa não se trata de criar um modelo livre ou alternativo. A mídia pode muito bem mudar de organização e continuar mantendo sua planificação subjetiva. Ela pode ser tachada de alternativa, cultivar uma rede envolvida com os movimentos sociais, mas sempre conservando a reprodução da subjetividade capitalística. A preocupação em produzir um modelo de mídia diferente da que se toma por oficial já caracteriza uma reprodução desta subjetividade.

(…) Não se trata, nunca de propor um modelo alternativo. Mas sim de, ao contrário, tentar articular os processos alternativos quando eles existem. (Félix Guattari)

Talvez, colocar a mídia livre como uma opção não requeira uma transformação dos meios de comunicação. Mas, ao contrário, a produção de outros meios que estejam completamente fora da mídia dominante. Então são necessárias outras relações de fala e escuta, outra linguagem, criação de produções novas que não ocorrem de jeito algum na mídia dominante. Processos que atravessem as experiências das pessoas pelo meio de suas existências e não de pontos marcadores de poder. Uma mídia que se livre de qualquer ponto de referência capitalístico.

Partir do meio da existência. Partir de onde não há um começo ou um fim. Criar o caminho caminhando pelo meio dos acontecimentos. Desprezando as sistematizações arborescentes, hierárquicas de cima para baixo ou de baixo para cima dos acontecimentos. Não há o acontecimento mais importante. Há experiências que são únicas. Há encontro de experiências. Criar. Produzir o novo. Pelo meio. Pelo medium.

TOQUE PRA OGUM BEIRA-MAR NO TERREIRO DO PAI JOEL

Clique nas fotos para ampliá-las!

E novamente o terreiro de Pai Joel estava arrumado para mais um toque pra senhor Ogum Beira-Mar, o guerreiro, o abridor de caminhos. Enquanto os rapazes esquentavam os tambores, Pai Joel e Pai Francisco nos falaram sobre várias questões envolvendo as religiões afro, que estão distribuídas adiante. Começando com Pai Joel, a respeito desse toque, ocorrido no sábado passado.

Hoje vai ser um toque em louvor a Ogum Beira-Mar, que é o meu orixá da frente dessa casa, que vem sempre me proporcionando muitas coisas boas nesse ano. E há de se louvar ele no dia dele. Foi arriada obrigação agora no dia 23, que é o dia dele, com a presença de Pai Francisco, que é o meu pai de santo, que eu passei pra linha dele agora. Eu vim do Candomblé, e agora estou passando, já estou no fundamento dele. Vamos fazer um toque simples, humildemente, como a Umbanda, a Umolocô é, para as pessoas daqui de casa e outras próximas daqui.

Pai Francisco, então, falou sobre algumas especificidades de Ogum e das relações das religiões afro-brasileiras.

Esse toque pra Ogum Beira-Mar, que reina nas águas, é também pra todos os oguns, Ogum de Ronda, Ogum Humaitá, Ogum Sete Ondas. O toque é pra Ogum Beira-Mar, mas ele não vai virar; quem vai virar é o escravo que responde a ele. Seu Ogum só vira quando se vai fazer um bori, a saída do filho de santo. A gente aqui vai louvar a ele, e quem vem é a entidade que presta serviço a ele. É diferente do Candomblé, mas é o mesmo Ogum, só o que muda pra Umbanda são as catulações. No Candomblé ele já vai virar diferente, porque é uma nação. Mas onde tem Umbanda tem Ogum, porque ele é caminho, é ele que abre os caminhos. Todas as entidades tratam as pessoas muito bem, elas são do além, elas vêm pra suprir as necessidades do ser humano aqui na terra tá com maldição, tá com problema. Elas vêm trazer um pouco de alegria, tirando o peso de cima das pessoas. E é como Joel disse, ele passou pra minha linha, onde é tudo bonito, tudo formoso. A gente tá lutando pra ver se endireita as linhas, porque as linhas estão muito cruzadas, pra ver se as pessoas acreditam mais na nossa Umbanda. A nossa Umbanda está muito desacreditada por causa das pessoas que passam trote, enganam. Eu não aceito essas coisas, porque o santo é verdadeiro.

O senhor Cardoso, com seu vozeirão, falou, então ao público presente, puxando um Pai Nosso, para começar o toque.

Muito boa noite a todos. Peço primeiramente que todos nós façamos uma reflexão sobre tudo aquilo que nós passamos no dia-a-dia, as nossas atitudes, certo ou errado, que possamos fazer um exame de consciência, procurando corrigir, agindo melhor em todas as circunstâncias, para que nós possamos evoluir, aperfeiçoando-se numa harmonia em qualquer lugar que nós formos.

Caboca Brava Caboca Ita

Dando continuidade à conversa com Pai Joel, ele falou também sobre os trabalhos realizados por senhor Ogum Beira-Mar.

Seu Beira-Mar, ele tem estrada, ele é caminho, abertura de caminho. As pessoas que têm os caminhos presos, que não prosperam, Ogum está aí pra responder, pra abrir os caminhos e não deixar nenhum filho desesperado, não. Ele veio aqui pra terra por tudo isso aí. Ele veio abrir os caminhos de todos os filhos dele, com muita fé, com carinho, com toda a força que a Umbanda tem, e todas as outras linhas também, acima de tudo Deus e a nossa fé em conseguir prosperar com a vida. Eu estou engatinhando ainda, e pretendo melhorar cada vez mais com a energia que a Umbanda tem.

Caboca Jacira

E olha quem é o escravo de Ogum que viraria, conforme Pai Francisco falou, nada menos do que o alegre e festeiro Zé Malandro, que este bloguinho já conhece da festa passada no terreiro de Pai Joel.

Dona Mariana

Depois, Pai Joel passou a analisar e sugerir propostas para organização para que as religiões afro venham, na prática, a participar como religiões autênticas, uma vez que existe a liberdade religiosa e a pluralidade cultural garantidas constitucionalmente.

Mas não só eu, mas todo o pessoal, organizar mais a federação, procurar visitar os barracões. Quanto mais a gente se unir, mais as coisas vão dar certo, o próprio governo vai ter de dar uma orientação boa no respeito à religião. Aqui em Manaus você é discriminado, muito discriminado. A gente respeita todos, católicos, os evangélicos, eles também têm de respeitar a gente. Nós somos seres humanos igual a eles, somos diferentes apenas pela opção da nossa religião. A federação tem de agir nisso: o que tá errado? O que a federação pode fazer pra melhorar? Tem outros estados onde tem curso de fundamentos, como no Maranhão, Piauí, tem escolas de Umbanda no Rio de Janeiro, escolas de Candomblé, cursos sobre a língua yorubá, sobre folhas, pra ti aprender as qualidades de folhas. É uma faculdade, para as pessoas terem uma melhor formação, está faltando em Manaus uma escola tanto para o Candomblé quanto para a Umbanda. Até mesmo para se defender. Vem os evangélicos e, para ofender, chamam a gente de “macumbeiro”. Você sabe o que é macumba. “Venha cá, você sabe o que é ‘macumba’?” Ele não conhece, parece que eles chegam na igreja, dão uma lavagem cerebral neles, aí saem querendo ofender as crenças dos outros. Como é tudo desorganizado, cada um por si, vem gente, como aquela mulher que deu um golpe de quase um milhão, que saiu na televisão, aí a religião fica desacreditada. A gente tem que se reunir, se organizar mais — federação, terreiro; terreiro, federação — pra poder evoluir numa corrente só.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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