Arquivo para 6 de maio de 2008

NO ENTANTO, APESAR DA MÍDIA E DO SENADOR, O ACRE SE MOVE

Movimentos. Rotação. Translação. Meridianos. Hemisférios. Trópicos. Zonas. Latitude. Longitude. Continentes. Oceanos. Mares. VIDA! TERRA!

Na Grécia antiga, o sábio Ptolomeu criou a teoria Geocêntrica: a terra é o centro universo. Os humanos em suas vaidades, comemoraram. As teologias aproveitaram para fortalecer seus princípios de que a terra era uma criação de seus deuses, e o homem, como criatura de Deus, seu maior proprietário. A terra se movia em razão dos fios invisíveis da mão de Deus.

Chegada a Idade Média, a teoria Geocêntrica tomou mais fôlego. A igreja católica paulínea propagou-a a todos os pontos da Europa. Fazia parte da doutrinação teo-política do Cristianismo. Era o erro científico se tornando realidade transcendental. A terra como o planeta do desejo de Deus, e o homem seu grande amor.

Aprisionados no erro teo-metafísico, os homens não atentaram para pura realidade que, se a terra fosse o centro do universo, não haveria movimentos de rotação e translação, longitude e latitude, continentes e oceanos, não haveria ciclos naturais; portanto, nada de vida. Eis que um certo cientista, ateu-louco, chamado Galileu, resolveu apontar seu telescópio para o universo, e em um olhar inverso sobre a terra, percebeu que se tratava da maior cascata ptolomaica-cristã-econômica. Então, a ciência mandou-lhe a terra, ele matou-a no peito, deixou-a rolar no corpo e mandou um birranho: colocou a terra em seu lugar. Fundou a teoria verdadeira: Heliocêntrica. O Sol é o centro do universo. O Deus terreno acusou o chute.

Em razão de tão ousada jogada filosófica-científica, foi levado ao Tribunal da Santa Inquisição, o perverso sensor dogmático da igreja católica. Território da danação dos que pensavam e se comportavam diferente dos credos e das regras místicas. O verdadeiro vale de lágrimas dos infiéis condenados pelos homens-deus. Giordano Bruno que o diga.

O teatrólogo alemão Brecht partiu para sua defesa histórica e concebeu a sua peça Galileu Galilei, tomando o cientista como um simples mortal diante da força irracional-sobrenatural, colocou-o como um personagem que preza mais a vida que a heroicidade, pretendida por seu auxiliar Andréas. Assim, posiciona-o diante da fogueira-santa negando sua descoberta e dando razão ao dogma cristão. Só que à parte fala ao ouvido de Andréas: “A terra é o centro do universo, mas no entanto ela se move. Nesta deixa, Brecht salva Galileu, a ciência e, de quebra, a história. E a terra continuou o movimento de desterritorialização que executava muito antes do composto humano sobre si.

A MÍDIA O SENADOR E O ACRE

Chegada a era tecnológica, surgiu a TV e, com ela, a avidez capitalista das grades programáticas. Diante da determinação da lei federal sobre o controle de classificação dos programas pela faixa etária, e o Brasil sendo um país diversificado em fuso horário, as mídias televisivas chiaram no calor dos trópicos áudio-visual-jurídico, principalmente a mais voraz: Globo. Que chegou a exigir do governo mudanças nas regras de classificação. Aí eis que surge o Ptolomeu amazônico: o astro/físico/televisivo, senador do PT, Tião Viana, exigindo, como a Globo, que mudasse o fuso horário do estado do Acre para que a população assistisse sem problema a programação das TV’s. A queixa maior dos parlamentares sobre a lei da classificação. Como se as TV’s tivessem conteúdo imprescindíveis à existência do povo brasileiro na construção de sua cidadania. Ou na produção da democracia.

Hoje, embora vigorando a lei ptolomaica-vianiana-televisiva, adiantando o relógio acreano, o sol continua emitindo sua força, a terra continua se desterritorializando, mesmo com homens bens territorializados, inclusive o senador, e, conseqüentemente, o Acre se movendo.

O senador, mesmo não sendo filósofo, confirmou o enunciado do filósofo Lucrécio: as perturbações dos homens não saem da natureza, mas sim, das suas mitificações e mistificações.

OUTRA ILUSTRAÇÃO DO MICROFASCISMO NAS ESCOLAS ESTADUAIS

Na mesma escola do episódio objeto-meia, integrantes dos freis capuchinhos de Manaus e paroquistas que participam do projeto “Meu Velho Amigo”, da paróquia de São Sebastião, que trabalha com doutrinação católica dentro das escolas, estiveram promovendo palestras de doutrinação. Dentre os executores, há uma professora universitária que afirma trabalhar em várias faculdades particulares de Manaus. Em uma das salas, ela notou que um aluno não quis participar da oração final. Ao término, questionou o rapaz o porquê dele não ter rezado. Ela afirmou que não acreditava em Deus. “E no que você acredita?”, foi a pergunta de uma professora universitária assustada e ofendida em sua fé. “Em Darwin. O homem veio do macaco”, foi a resposta do estudante. A professora então passou a desfilar as ladainhas teofastras, com a ajuda de alunos que tinham no estudante um contestador. Ao final, vendo-se incapaz de dobrar a convicção do estudante, a professora se dirigiu à diretoria da escola, para solicitar o endereço do estudante, a fim de visitar a família, para ela a origem do problema do ateísmo do estudante.

DO SABER COMO POTÊNCIA E COMO FORÇA.

É possível a educação onde não há possibilidade de produção de saberes libertadores? Não. Onde os saberes não se configuram como corpos que produzem aumento da potência de agir das pessoas, não pode haver educação.

O filosofante Espinosa, crente convicto na idéia de Deus, fez dela o ponto de partida de sua filosofia. Deus sive Natura. A Substância. Um Deus-Natureza-Fluxo, correndo por fora do existir, e que engendra todos os entes. Um Deus-Produção, contrário ao Deus-Inação da igreja Católica Paulínica. Daí ter falado em Deus (e não o negado), e mesmo assim ter sido perseguido pela Inquisição e por governos teo-ortodoxos.

Espinosa sabia que um saber é um corpo-idéia, que produz uma afecção, quando do encontro com outros corpos. Quando este encontro se dá de maneira a diminuir a potência de ação das pessoas, é que se produziu uma idéia inadequada, uma incompreensão. Assim, a idéia de Deus na época de Espinosa, e desde antes dele, com os chamados filósofos cristãos, já estava a serviço da dominação e da força opressiva.

A idéia de um Deus antropomorfizado (carregado de paixões humanas, demasiado humanas), vingativo, ciumento, cultuador da Dor serve menos à um re-ligare do que à produção de uma subjetividade de controle das expressões e produções coletivas da multidão. É com esse Deus que o projeto dos capuchinhos trabalha.

Daí a impossibilidade da fala colocada pelo estudante ter sido compreendida pela professora: esse corpo-idéia (Deus) colocado pelo estudante produziu uma afecção no corpo-professora. Como não há noções comuns entre o corpo-idéia-Deus e o corpo-professora (elementos incorporais em comum aos dois corpos e que permite o aumento das potências), produziu-se uma idéia inadequada, não houve movimento, mas apenas a confirmação da imobilidade do corpo-professora.

Daí a frustração da professora diante da discordância do estudante a ponto dela sentir, na recusa deste a rezar, o fracasso do seu “projeto”. E tentar enredá-lo na sua imobilidade, o que o estudante não permitiu.

Tudo, é claro, contrário à uma educação transformadora. Por isso o projeto se realiza nas escolas estaduais sem nenhum tipo de oposição da direção. São corpos que compõem afetos tristes, diminuição das potências de agir das pessoas, bem de acordo com a “educação” praticada pela maioria das escolas estaduais/municipais.

Mais: com a atitude, a professora não apenas mostra sua impossibilidade epistemológica de compreensões para além dos clichês, mas também incide em um ato que atenta contra a Constituição Federal do Brasil. Impede o estudante de exercer sua crença, seja ela qual for, colocando-a como patologia diante dos colegas do estudante e da direção da escola. Discriminação. Além disso, entra – sem razão justificável – na privacidade do estudante, ao solicitar do diretor o endereço do aluno sem a aquiescência deste. Erro passível de processo civil e administrativo contra o diretor da escola, caso tenha fornecido o endereço, já que a professora não tem poderes policiais para exigi-lo, nem ele o direito de fornecer dados particulares de seus alunos a outrem sem prévia autorização ou mandado judicial.

Leia aqui uma ilustração de como a idéia de Deus pode ser usada para uma educação transformadora.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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