Arquivo para 13 de maio de 2008

O NEGRO E O SABER QUE LIBERTA

Quando analisava a condição da classe operária relacionada com as máquinas, o filósofo Marx chamavam atenção para o cuidado que o trabalhador deveria ter com a tecnologia usada como instrumento de transformação de sua força de produção em mercadoria-salário. Justo porque a ciência pertencia ao burguês-patrão. O filósofo Sartre, desdobrando o saque da sutil exploração tecnológica do empresário sobre o trabalhador, mostrado pelo filósofo do Capital, apontou outra sutil exploração perpetrada pelo patrão contra o trabalhador negro. Nisso mostrou que o trabalhador negro era alienado duas vezes: uma, pela tecnologia que pertencia ao patrão; duas, porque era negro e teria de aprender uma tecnologia branca. O que, de certa forma, colocaria-o em posição de produção inferior ao trabalhador branco.

Muito bem, neste 13 de Maio, mês do aniversário de Marx(5), noticia-se que o número de estudantes negros inclusos no ensino público, em cinco anos, é maior que em dez anos. E que, das trezentas mil vagas do ProUni, cem são para os estudantes negros. Evangelho! Boa notícia! Entretanto, é necessário que nós, negros, tenhamos sutileza para analisar até onde essa semiótica entrelaçada nos saberes curriculares, que é produto do mundo do branco, pode contribuir para tecermos nossa liberdade. Até onde, sutilmente, ela afirma e preserva, ocultamente, sua força alienadora. Não devemos esquecer que a técnica branca aprendida/apreendida por nós na revolução industrial operou em nosso corpo a primeira prótese como corpo alienado. Ou seja, o prolongamento da máquina em nosso organismo, alterando de forma cruel suas funções originais. A pedagogia das máquinas era na verdade um cirurgia para transformar nossa força de produção natural em uma força virtual adaptada para operar mais eficazmente como fonte de lucro do patrão. O que para eles era uma humanitária obra cristã. Eis a irônica paródia do cinegrafista Hélio Petri em seu cinema “A Classe Operária Vai ao Paraíso”, onde o personagem principal, um torneiro, ama sua máquina.

Ser incluído no ensino superior é um direito, mas é preciso se obrigar a examinar as armadilhas que estes saberes podem engendrar para impedir que nos libertemos.

ARTHUR: DIAS SIM, DIAS NÃO

O filósofo Marx, para quem as aparências não enganavam, portanto via o invisível, disse certa vez, que “não se deve julgar um indivíduo pelo que ele pensa de si próprio”. Entendendo a fenomenologia do aparecer como fundação ontológica do homem, o filósofo Sartre tomou a enunciação marxiana e desdobrou-a: “Um homem não é o que ele pensa de si, mas o que ele faz”. Aí dois filósofos das liberdades revelando o truque da simulação do próprio duplo do burguês.

Os senadores Arthur e Dias, do PSDB, são modelos passiveis das vizibilizações operadas pelo pensamento da dupla-epistemológica Marx/Sartre. Ignorantes das práxis elementares da República, Democracia e Povo, atoleimadamente tentam esculpir uma figura que possa desendereçar o entendimento da sociedade sobre a caricata lista de gastos de seu mestre intelectivo e moral: Fernando Henrique. Um esforço hilário para serem tidos como democratas e republicanos.

Desenganados por Marx, que vai além do que a dupla-intrigante pensa de si imaginam-se republicanos-democratas , e por Sartre, que escancara o que fazem desfiguração da democracia , tentam magicamente inverter a realidade política-social de suas claras intenções: culpar de qualquer forma a ministra Dilma Roussef. Arthur julga (pelo julgamento que tem de si próprio) a ministra, exigindo pena por sua culpa. “Democraticamente” tiraniza o nome da ministra. Executando o papel de policial, prende; delegado, confina; e juiz, julga e condena. Fantasia: é o senhor das leis. “O Mundo aos Meus Pés”.Com os pés de barro, o nome de Dilma escapa. Dias, menos afeito ao maneirismo oral-muscular-jurídico do mensageiro de Fernando Henrique e empresários, mas muito afeito a dissimulação escorregadia, desliza no Sim e no Não. Afirmou que entregou a lista para a revista Veja, mas agora não entregou. Não cansa, como seu parceiro amazonense, de tentar desrealizar o real político por medo de uma possível cassação por quebra de decoro parlamentar.

Alguns cabotinos negadores da existência, diante de seus dias presentes inúteis, costumam, com um hercúleo esforço para se manterem suspirando, se reportarem ao passado, lamentando que tudo no passado era melhor. Por exemplo: a escola, o ensino. Para esses dias inúteis, cabe uma pergunta: Se o ensino era melhor, por que o Arthur, no seu curso de direito, não aprendeu o que é um dossiê, para poder diferenciar uma lista com dados incompletos, de um elemento enunciador composto de signos jurídico: um processo (dossiê)? E o Dias? Que experiência escolar teve para ver em uma lista um dossiê? Será que seu curso foi na verdade um curso de mágica, por isso transforma todo real em quimera, algo sem essência e existência? Bons tempos aqueles.

Maldade dos dois filósofos em despir os dias dos dois modelos de inteligência e moral política. E o pior é que depois desta nudez, a cada notícia do crescimento geral do Brasil, mais se vê neles o que eles não julgam visíveis para o povo. Não são reis, mas sempre andaram nus diante do olhar democrático do brasileiro. No caso do “orgulho do Amazonas”, de tanto ser visível o povo lhe concedeu o expressivo 5.5%. Como é bom ser justiceiro. E assim valsam: dias sim, dias não.

O 13 DE MAIO, O CAPITALISMO E AS LIVRES PRODUÇÕES

Dizem algumas línguas que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, há exatos 120 anos, por pressão internacional, principalmente da Inglaterra, que queria ver não os negros livres, mas os brancos trabalhando em troca do salário, para mais intensamente consumir os produtos da Era Industrial que estava em pleno vapor.

Encerrada a época em que seres humanos eram considerados inferiores pela cor da pele e tratados como mercadoria e força de trabalho necessária ao fortalecimento do capitalismo através da acumulação do capital das grandes nações mundiais, apenas o reconhecimento dos governos à barbárie que foi o estado de escravidão é realmente coisa do passado. Embora de uma outra maneira, vive-se hoje também o cerceamento das inteligências e das liberdades, independente de etnia ou pele.

Vive-se uma época onde os microfascismos não precisam de justificação para irromperem no social. No futebol e em outros esportes, o negro, embora seja maioria, é minoria. Na música, embora seja responsável direto por toda a música ocidental, pasteurizada pelos brancos, apenas os que se “domesticalizam” fazem sucesso. Nas faculdades, postos de trabalho onde a segmentação das relações de trabalho construíram a discriminação entre trabalho socialmente valorizado e desvalorizado, os negros estão sempre alijados.

O negro, como o homoerótico, a mulher e outras chamadas minorias interessam ao capitalismo mundial integrado na medida em que passam a consumir não apenas os produtos industrializados, mas a partir do momento em que entram no mercado imaterial dos signos-clichês e da serialidade da sociedade dos clones.

A homogeneização produzida pela máquina do capital atinge a todos indistintamente. Dela só se pode escapar como linha de fuga, como devir: devir-negro, devir-mulher, devir-criança, devir-louco, devir-minoria. O que não está no padrão. Que não carrega elementos materiais ou imateriais que existam a partir dos signos-clichês. Romper a semiótica laminadora, elaborar outras produções (para além do conceito de produção no capital) a partir do trabalho como dialética materialista, apropriando-se da matéria em pormenor e investigando seus elos internos. Trair a relação força-de-trabalho / meios-de-produção.

Quanto da riqueza das nações européias e americanas (ao Norte e ao Sul) é fruto não apenas das mãos, pernas e músculos dos negros africanos, mas também de suas produções culturais imateriais, como as religiões da natureza, a musicalidade cósmica, os sabores da gastronomia, a arquitetura, a dança, o futebol, a alegria? Existiria o capitalismo sem constituir-se em maquinário capturador das linhas intensivas produzidas pelos devires?

A liberdade não pode ser dada por outrem. Ela nasce da compreensão do Si no mundo como uma produção social: a partir daí, despersonalizado, pode-se enveredar em outros processuais, engendrar outras produções. Ser causa de si, como afirmou o filosofante Spinoza.

A Lei Áurea de Isabel (que dizem outras algumas línguas, comemorou aos beijos com um ex-escravo que continuou amante) deu margem para que um Brasil subserviente desde a sua fundação pelos brancos portugueses, espanhóis, ingleses, franceses e outros filhos de Deus (ele também branco) desse nas favelas, reduto de negros, amarelos, brancos de todas as frequências do espectro eletromagnético agora categorizados em outro espectro social: os pobres, o proletariado (proto, lúmpen). Ali, aquela que foi chamada de elite branca (não há elite, vertebralmente já sabemos) deu continuidade à limitação epistemológica com governos que cercearam a atuação dos movimentos sociais e dificultou a construção de linhas intensivas de comunalidades. Graças a ela, e dentro de suas hostes, ainda encontramos escravos à moda antiga. Em nível nacional, somente com o governo de Lula houve uma distensão desta subjetividade dura, e ainda que este não seja um governo contrário à semiótica do capitalismo, é possível, a partir desta distensão, atuar comunitariamente na construção de um país livre, onde todos possam viver com alegria, independente de etnia, cor, orientação erótica, time do coração, animal preferido ou crença religiosa.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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