O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

.A AUSÊNCIA DE REALIDADE NA TEVÊ.

Na tevê não há realidade. Os acontecimentos são engolidos pelas técnicas de produção e reprodução televisiva de imagens. As imagens em um espaço organizado que possamos perceber não são dados. Elas se constroem devido ao jogo dos órgãos sensório-motores que entre a visão e o movimento (da efetividade) vão estabelecendo coordenadas que possibilitam situar e orientar objetos na realidade. Esta espécie de jogo neuro-social vai ocorrendo a partir das relações de produção social que vai criando os modos de existência, tanto de pessoas quanto de objetos, no movimento da efetividade. Já na tevê, estas imagens surgem destituídas deste jogo, inseridas como pontos já dados. Logo estas imagens são colocadas a partir da rotina da vida cotidiana como coisas óbvias e triviais que não passam pela análise de que são frutos de relações de produção sociais captadas pelo ser humano como estímulos físicos e químicos.

Desta forma, a tevê elabora uma maciça codificação das imagens. Na tevê, as imagens não são produzidas, mas dadas em outro campo que já não é o campo da produção social que afeta as pessoas, trata-se antes de imagens destituídas de realidade, porque já não se encontram ao alcance de quem a produz e de quem as olha individualmente e se apropria delas. Elas são manipuladas, montadas, redirecionadas e organizadas para se adaptarem à ordem televisiva. Trata-se agora do que Paul Virilio chama de télescopagem, um choque entre o que é próximo e o que é distante, uma visão que não alcança a imagem que por mais que se estabeleça próxima, apresenta a distância como sua marca principal.

Ocorre, assim, uma “erosão do principio de realidade”. A tevê não trata da realidade. Nem poderia, uma vez que os acontecimentos ocorrem, se transformam e desaparecem no movimento da efetividade. O que a tevê captura é um efeito paralisado do real, que impõe ao tele-espectador como notícia destituída de suas causas. Daí compreender que a então chamada espetacularização exercida pela mídia (aqui principalmente a televisiva) está menos vinculada às questões de uma programação controlada pela força da lógica do mercado do que por uma estrutura midiática distante da efetividade; o que faz de sua programação um espetáculo em razão da realidade ser apresentada de forma mítica e mística: destituída das relações de produção social e pautadas na desrazão.

Na tevê, deve-se, ao máximo, liquidar a realidade e expropriar qualquer referência das relações sócias de produção com as suas imagens e sons. Ela estabelece uma amnésia topográfica (Paul Virilio): o lugar aonde os objetos, as relações entre as pessoas e a relação das pessoas com os objetos que vão produzindo imagens e referências, é esquecido; este é suplantado pelas imagens e sons distantes da tevê. Contudo, uma vez que a ordem da tevê é determinar uma presença de efeitos do real distante das causas na efetividade, a “realidade” televisiva ocorre quanto mais afastada estiver do movimento do real.

A perspectiva das experiências produzidas na efetividade é rejeitada pela perspectiva midiática. Assim tem sido com o caso da menina Isabella, onde sua imagem foi retirada da realidade e espetacularizada. Junto à imagem de Isabela foi destituída da realidade a própria ação humana. Da forma que os suspeitos do assassinato da menina foram tratados pela mídia (principalmente a televisiva), eles começaram a ser classificados como monstros que praticaram uma ação terrível, o que gerou uma forte ojeriza em muitas pessoas. O que a tevê não permitiu com a espetacularização deste caso foi colocar, não só este caso, mas tantos outros, a partir das relações de produção social. A cobertura midiática do caso descarta uma análise social do acontecido, que leve em conta um entendimento político que indague o caso a partir do ponto de vista de uma realidade ordenada pelo sistema capitalista, produzida pelo próprio homem. Ao contrário, a tevê e outras mídias mitificam e mistificam o caso, tirando-o do movimento da efetividade. Interessa à mídia televisiva (e outras) manipular e explorar as imagens e fazer do ocorrido apenas um espetáculo que possa tocar nos sentimentos padronizados dos tele-espectadores.

A função da tevê, portanto, seria a de fazer da realidade uma ausência. É a visão completamente destituída das relações das pessoas com o que as rodeia que suplanta a visão da superfície da realidade que nos afeta.

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