Arquivo para 4 de junho de 2008

A PRAXIS FILOSÓFICA ALÉM DA DISCIPLINA

Segundo o filósofo Michel Foucault, uma disciplina é constituída “por um domínio de objetos, um conjunto de métodos, um corpus de proposições consideradas verdadeiras, um jogo de regras e de definições, de técnicas e de instrumentos”. Como disciplina carrega elementos de um discurso ou de vários, que atuam diretamente ou indiretamente sobre os sujeitos que se tornam seus porta-vozes, muitas vezes anonimamente.

Na escola, uma disciplina é um corpus atuante da imagem do pensamento do estado colocada em prática por um agente-professor graduado e reconhecido por este estado como autoridade capaz de difundir e preservar esse pensamento através de sua semiótica discursiva jurídica-pedagógica-escolar. A prática dos conteúdos programáticos. Daí que muitos professores sejam meros passadores destes conteúdos discursivos.

Com a obrigatoriedade do ensino da disciplina filosofia nas escolas do grau médio, duas proposições se mostram para serem examinadas na compreensão do que sejam escola e filosofia.

I – PROPOSIÇÃO

Para alguns a escola é a instituição do estado aparelho ideológico —, onde o educando busca informação-formação por via das disciplinas que lhe possibilitarão ler e interpretar os códigos sócio-culturais de sua realidade, para que, munido destes conhecimentos-instrumentos, possa produzir elementos necessários à sua existência em sociedade. Nesta proposição, a escola é um território com estados de coisas bem definidos por suas funções e suas metas, e o professor atua como agente ensignador (aquele que não examinou a ordem dos signos e métodos que o graduaram) do discurso do estado, o organismo a ser preservado. Como ensignador, o professor não suspeita que é apenas a ressonância do corpus-significante dominante e jamais um educador, o que produz novas formas de percepções, afectos e cognições juntamente com o educando. A fundação ontológica do educar. Para este ensignador, o ensino de filosofia será tratado como qualquer disciplina escolar que sustenta um discurso distante da criatividade e atuação comunitária. Nada do filosofar. Apenas ilustrações de História da Filosofia com suas doutrinas e sistemas. Na verdade uma teologia com suas definições de essência, substância, Uno, primeiras causas, coisa em si, fim último, transcendência… Nada de tomar com Marx que “os filósofos não brotam da terra como cogumelos. Eles são frutos da sua época, do seu povo”. Muito pelo contrário. Para si, os filósofos são entes vegetativos.

II – PROPOSIÇÃO

Já para outros a escola é um território que, embora com estados de coisas definidos, é o espaço-virtual de bons encontros capazes de aumentar a potência de agir do educando. Uma espécie de topos-grego democrático, sociedade dos amigos, onde se movimentam uma imanência especulativa, a amizade dos plurais e o diálogo criador. Aí o professor-educador tece, amigavelmente com os educandos, a cartografia dos desejos, os processuais fundadores de novas formas de existências. Micros-percepções poiéticas. Entra na órbita produtora de novos conceitos; outros perceptos: novas formas de ver e ouvir; e outros afectos: novas formas de sentir, como afirmam os filósofos Deleuze/Guattari. Isto tudo na condição de que educação e filosofia são inseparáveis na experiência do pensar como potência do ver e falar. “A condição de que o olho não permaneça nas coisas e se eleve até as ‘visibilidades’, e de que a linguagem não fique nas palavras ou frases e se eleve até os enunciados”, de acordo com o enunciado filosófico, Foucault/Deleuze. Este, o jogo filosofante. Tomar-se como princípio, e não insuportável conseqüência. Na linguagem esportiva, habitante do buraco negro, mero cumpridor de tabela existencial da pálida refração do que lhe foi dado a ouvir e ver. O suporte da ilusão de possuir vontade e desejos próprios.

EDUCASÓFICA

Escapar da doxa-rígida dos enunciados dos sistemas e doutrinas filosóficas que se fazem memória-arquivo-representativo, servindo apenas para citações de salão do tipo erudição inútil. Para professores carreiristas, argamassa fundamental ao alpinismo profissional. Para algumas escolas e alguns pais, arrebatamentos purpurínicos: “Nossa escola é séria, também oferece ensino de filosofia”. “Que bárbaro, meu filhinho está estudando filosofia!”. Bizarrice da inteligência burguesa. A filosofia não é séria, é uma festa. O bárbaro da filosofia são seus devires, seus sopros, suas trepidações, e não suspiros glaciais.

Desta maneira, a disciplina filosofia na escola atuará como produtora de novos saberes e novos dizeres, deslocando-se como devir e não como memória-representativa, recognição dos conceitos e das funções escolares como modelos de clichês ensignantes. O que só ressona, não cria, não declina o ângulo do conhecimento para outras experiências. Mas interdita a Vontade de Saber, a potência que ultrapassa os discursos já postos, anêmicos e anemizantes. O que é supérfluo à educação/filosófica.

No mais, Platão pode, mas na condição de não se imobilizar em subidas e descidas maníacas/depressivas que constituem o Idealismo, com todas suas faces, como a patologia da Filosofia (Deleuze).

O “FUNDAMENTAL” DO RESSENTIDO GIANOTTI

O filósofo da “zona de imoralidade da política”, José Arthur Gianotti, ouvido pela imprensa na cerimônia de promulgação da lei que institui o ensino de Filosofia e Sociologia, afirmou que a iniciativa é uma “triste bobagem”. Para ele, os alunos não sabem sequer português, não compreendem o que lêem nos jornais, como então aprenderão Filosofia? Aponta outro suposto gargalo: a falta de profissionais habilitados nas áreas de Filosofia e Sociologia fará com que outros, de áreas diversas, assumam ad eternum os postos de trabalho, “engessando o ensino filosófico no país”.

A “ZONA DE AMORALIDADE” DO AMIGO FHC

Gianotti, amigo de FHC, quando de um raro ataque da imprensa à política subserviente e enfraquecedora do Estado brasileiro por parte do príncipe dos sociólogos, atacou a imprensa, afirmando em artigo que “os riscos morais inerentes à política são um problema dos políticos – nunca da imprensa…”. Gianotti criou a “zona de amoralidade”, que defendia FHC de qualquer crítica ao desmonte da já precária estrutura do Estado brasileiro e da venda do patrimônio nacional aos interesses do mercado que entregaram um país duplamente falido a Lula.

Quando no combate ao governo do Sapo Barbudo, a tal “zona de amoralidade” desapareceu, e os “riscos morais inerentes à política” deixaram de ser um problema dos políticos e passaram a ser considerados chagas de uma prática política irresponsável, apoiadas por uma população alienada de sua própria condição.

OS ERROS E OS INTERESSES DE GIANOTTI

Gianotti confunde a Filosofia com a História da Filosofia. Primeiro erro. A filosofia para Marx não é um corpo inerte, um conjunto de negatividades que são condição material para a produção social humana. A História da Filosofia, como matéria morta, não serve à educação. Somente a Filosofia que “ativa o Pensamento” e “afirma a Vida” interessa a uma práxis revolucionária. Gianotti afirma que mais importante que estudar Filosofia é apreender as coordenadas semióticas das outras disciplinas escolares (português, matemática, história). É justamente retirando o elemento filosofante destes saberes, através da academicização (ou a especialização do conhecimento, que Marx viu), que o Estado hierarquiza e esvazia do seu elemento de potência ativa esses saberes. Quando já não há mais qualquer possibilidade de que esse conhecimento se territorialize na existência cotidiana das pessoas é que serve aos interesses do Estado (e do Mercado).

Por isso Gianotti participou ativamente do lobby contrário à inclusão da Filosofia e Sociologia no Ensino Médio, no governo do seu amigo sociólogo. Os interesses das escolas-empresas privadas pesaram mais que o seu marxismo anêmico.

Para o filósofo Espinosa, o filosofar é apenas para quem pode: quem constrói em si mesmo o filosofar como condição afirmativa da Vida, não como instância hierárquica dos saberes institucionalizados, para os falsos joguetes do vazio do poder e o academicismo lamê. O que faz com que, então, um analfabeto (que não domina os signos visuais, a sintaxe da língua e a organização numérica tal como organizados no saber do ensino de Estado) passe um troco, frite um peixe, tempere uma comida, prepare uma massa de cimento, levante um muro e faça uma leitura de mundo muito mais lúcida e real do que muitos doutores e pHDeuses que têm por aí? “O espírito que constrói os sistemas filosóficos no cérebro dos filósofos é o mesmo que constrói os caminhos de ferro com as mãos dos trabalhadores”, diria um Marx que não passou pelo Cebrap. Se a filosofia está em todos os lugares onde o filosofante passa, porque não estaria no Ensino Médio? Se há uma Filosofia que é desnecessária aos alunos, é justamente aquela que está atrelada à tradição da História da Filosofia, com seus “Platão foi…”, “Sócrates disse…”, “Descartes determinou…”, cultuada pelas hostes academicistas das quais Gianotti é partícipe e incentivador. Esta “filosofia”, ele tem razão, não é necessária.

Gianotti prega a falência do ensino de Filosofia. Afirma que é preocupante a qualidade dos cursos de Filosofia. Mais: somente agora o país estaria formando filósofos. Ele, que defendeu às custas da sua coerência intelectual os arroubos entreguistas do governo de FHC, assume, conscientemente ou não, dois enunciados: 1) que os oito anos de governo FHC foram desastrosos para a educação superior do Brasil, e; 2) que a recuperação está vindo somente agora no governo Lula.

AS NOÇÕES COMUNS E O RESSENTIMENTO DE GIANOTTI

O filosofante Espinosa (1632 – 1677) afirma em sua filosofia da Vida que um corpo é tão mais próximo da perfeição (Beatitude) quanto é capaz de ser causa de si mesmo. Quando os afetos produzidos nos encontros aumentam a sua potência de agir. Longe dos encontros maus, que imobilizam, o corpo se aproxima do estado em que sua produção afetiva-comunitária é máxima: a linha intensiva democrática. A democracia de Espinosa é aquela onde todos podem contribuir produtivamente na construção de um organismo-cidade vivo, em movimento e produtor de afetos alegres.

Mas, para produzir afetos bons, que contribuam com a democracia, é preciso que os corpos tenham com o corpo-democracia aquilo que o filosofante luso-holandês chamou de noções comuns. Elementos que permitam o encontro e a interação dos corpos, a fim de aumentar as potências. Um querer a Democracia, uma vontade de potência (Nietzsche).

Gianotti não tem noções comuns com o corpo-Democracia, com a Educação, com a Filosofia. O que ele aponta como fundamental, portanto, não parte de uma análise da Razão sobre a condição social do ensino das disciplinas, mas de um erro de quem confunde efeitos com causas, tomando a atual condição da Filosofia e Sociologia – efeito da laminação dos saberes pela institucionalização promovida pelas universidades – como justificativa para que estes saberes não transitem – ainda que institucionalmente – pelo ensino dito médio. Se assim o fosse, qual seria a função do próprio Gianotti como catedrático, doutor PhD?

Impossibilitado de compor com um corpo no sentido de aumentar a potência de agir e a potência democrática, só lhe resta o ressentimento. Até nisto foi fiel a seu amigo, FHC. Um alento. Ou não.

Leia aqui na íntegra, as declarações de Gianotti ao Terra Magazine.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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