Arquivo para julho \31\-04:00 2008

DILMA ESTÁ SOLTA PARA AGITAR CAMPANHA ELEITORAL

Lula libera a ministra Dilma Roussef para fazer campanha

para os candidatos de suas afinidades políticas.

E agora Direitaça de Manaus?

Dilma vai apoiar quem?

Vocês ou Praciano?

IGREJAS E ELEIÇÕES

Digamos que em verdade Deus exista. E se Ele existe e acreditamos Nele é porque O conhecemos, mesmo que nosso conhecimento Dele não tenha passado por nosso sistema nervoso central, estrutura biológica, como o cérebro, fundamental para o conhecimento. Mas Ele existe: acreditamos. Tanto que ele criou o mundo, as coisas, os animais, dispôs tudo em seus territórios, com suas funções, ações e reações singulares. Entretanto, de todas suas obras, a mais magnífica e sublime foi o homem. Um ser a sua imagem e semelhança. Seu duplo. Seu gêmeo. Seu Alter-Ego. “A maior maravilha de todas as maravilhas”, disse o poeta filósofo.

Sim, Deus é bondade, e acima de tudo justo. O homem, sua criatura, também. Ele pensa. Colocou o homem na terra para um estágio de transição de retorno ao seu lado paradisíaco. O compromisso da transição envolve os princípios da bondade e da justiça entre todos os homens. Nada de tergiversar dos princípios semelhantes aos do Pai. Viver bem entre si é a sublimidade terrestre do homem. Harmonia absoluta do amor ao próximo. Nada de degradação da ordem do Senhor. Em verdade, o homem é o prolongamento de Deus. É inteligente, criativo, solidário, bondoso e, acima de tudo, justo. Justo executor do modelo de justiça do Pai.

MAS NA TERRA TEM ELEIÇÕES

Mas eis que ecoa a notícia: “Deus está morto!”. Mas não foram Copérnico, Galileu, o Iluminismo, a Idade das Luzes e, muito menos, o filósofo Nietzsche e o escritor Dostoievski seus assassinos. Foram os românticos arquitetos do teo-capitalismo que resolveram, em nome da construção do paraíso na terra, uma salvação mais concreta, fundar o Reino do Reflexo do Outro Mundo, a ponte de ligação deste mundo para o mundo da imortalidade, destino dos que foram justos diante das coisas da barriga. Não se alcança a plenitude celeste de barriga seca e, pelo menos, um pouco de glamour. Para isso, nada de pejo com este reino da ignorância, ambição, trapaça, luxúria e sensualismo. A moral dos valores imediatos. A mola basilar da segurança individualista que, por justiça, só alguns têm direitos. Entre eles, muitos pastores e muitos políticos.

Agora é tempo de eleição. É preciso ressuscitar o velho Deus, nem que seja em simulacro. É preciso pregar seus princípios: bondade e justiça. Princípios sem os quais não há democracia. É preciso esconder a glutonaria. A face voraz da materialidade capitalista. Agora é a vez e a hora da espiritualidade celestial. A busca da imortalidade construída através de ações teológicas. O bom cristão. As imagens se misturam. Eleitores ameaçados pela fúria apocalíptica do juízo final, com candidatos capitalizados na fraude eleitoral. Pois tudo é capital. A vida real, nada de vil metal. Vil metal é coisa do infernal. Inimigo da democracia. Ele afasta a alma da festa da irmandade e confunde a mais-valia. Eleição se ganha com oração! A bíblia na mão e voto como condição. Pastores candidatos e candidatos aos favores. Favores das igrejas sem pecadores.

Os pastores indicam os candidatos. Os fiéis, para quem Deus não morreu, olham os candidatos, verificam suas biografias, lembram dos princípios bondade e justiça, então confessam para si que não vêem a imagem e semelhança de Deus, em nenhum dos candidatos de seus pastores. Aí exclamam em bom som: “Deus está mais vivo do que imaginam as ambições dos fariseus! Eleição não é negócio de outro mundo, a não ser da democracia!”.

A MUSICALIDADE MINISTERIAL DE GIL

Foi uma surpresa quando Lula o apresentou como ministro na pasta da Cultura, e foi grata a surpresa quando se viu o desempenho democrático de suas ações, principalmente no que diz respeito a uma progressiva descentralização e, diríamos, descartelização de projetos culturais. Fez um acordo com Lula: 80% atividade ministerial, 20% musical. Mas na prática as atividades se interpenetravam e os percentuais desapareciam no som da política e na política do som. O artista ministro e o ministro artista. Quem não gostou de sua gestão foram o reto (des)humorista Jô Soares e até seu parceiro dos ventos tropicalistas, Caetano Veloso, querendo posar de outside, mas muito bem integrado à direita política e artística. “Toda arte é política”, diria o philopoietai Moacyr Félix. Ele mostrou que não fazia concessões. E também que não estava preso ao passado dos que sofreram perseguição na época da ditadura de fato ou por mera porralouquice. Ao contrário, viu que as ditaduras continuam em linha dura, que se tocam nos seus centros, formando sempre novas/velhas ditaduras, sendo elas que era necessário enfraquecer. Contra ele, nada. Sua gestão/potência democratizante não poderia mais ser emperrada pelo ressentimento da direita/elite/mídia, etc. No avanço cultural, em efervescência nietzscheanae não como mera pontuação burocrática molar paralisante civilizatória, criou o Plano Nacional de Cultura, mais de 800 pontos de cultura por todo o Brasil, dobrou a verba do Ministério da Cultura, aumento de incentivos em todas as áreas artísticas. E deixou a linha para ser desfiada por quem vier, como no já noticiado aqui no bloguinho Fórum Nacional de Financiamento da Cultura. Foi grato perceber que o artista carrega a razão construtora ativa no mundo, e que, assim como levou da atividade musical a suavidade na gestão ministerial, provavelmente levará experiências inimagináveis da atividade ministerial para o trabalho musical. Dessa forma, onde estiver arte e política estará perto Gil. Gilberto Gil!

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

CHAGÃO PERGUNTA

Considerado pelo jornalista Mário Filho como o primeiro técnico de fato da seleção brasileira, não cronologicamente, pois houveram outros, mas porque o primeiro a introduzir organização tática e critérios técnicos de jogo no plantel nacional, Gentil Cardoso, pernambucano, negro, considerado o técnico-filósofo, já fazia sucesso no futebol carioca na década de 40, e em 59 dirigiu a seleção nacional no Sul-Americano. Dizem que não foi maior porque o preconceito de cor impediu que assumisse a seleção em 1958. Cunhou frases que ficaram na história do futebol, e que ainda são usadas hoje em dia, como: “A bola é de couro, o couro vem da vaca, a vaca gosta de grama, então joga rasteiro, meu filho!”. Criador de expressões clássicas como “Cobra”, para se referir aos craques, e “deu zebra”, para apontar uma derrota tão improvável, tão improvável, que era equivalente a dar zebra no jogo do bicho (a zebra não consta dos animais do jogo do Bicho). O ‘Chagão Pergunta’ a partir desta edição da coluna, sairá às segundas, com respostas às quintas.

CONTA OUTRA, LEONOR!

A partir desta edição da coluna futeboleira ‘Chagão!’, o leitor intempestivo vai acompanhar a seção “Conta Outra, Leonor!”, onde vai poder ler textos da coluna e de terceiros voltados para a literatura, crítica, poesia, pintura, artes em geral ou curiosidades do mundo da Leonor, a gordinha dos volteios e piruetas mágicos, da alegria desejante do futebol como expressão do jogo do jogar. “Só quando joga, o homem é plenamente homem”, afirma o craque da ponta-esquerda, Jean-Paul Sartre. E em comemoração aos 78 da conquista da primeira Copa do Mundo pelos Uruguaios, a 30 de julho de 1930 (com um toque memorial-afetivo da moçada do blogue Futebol, Política e Cachaça), reproduzimos aqui o texto “A Copa do Mundo de 1930”, de Eduardo Galeano, o craque das letras tortas, publicado em seu livro “Futebol ao Sol e à Sombra”:

A COPA DE 1930

Um terremoto sacudia o sul da Itália enterrando mil e quinhentos napolitanos, Marlene Dietrich interpretava O Anjo Azul, Stalin culminava a sua usurpação da revolução russa, o poeta Vladimir Maiacovski se suicidava. Os ingleses jogavam Mahatma Gandhi, que exigindo independência e querendo pátria tinha paralisado a Índia, na prisão, enquanto sob as mesmas bandeiras Augusto César Sandino levantava os camponeses da Nicarágua nas outras Índias, as nossas, e os marines norte-americanos tentavam vencê-lo pela fome incendiando as colheitas.

Nos Estados Unidos havia quem dançasse o boogie-woogie, mas a euforia dos loucos anos vinte havia sido nocauteada pelos ferozes golpes da crise de 29. A Bolsa de Nova York tinha caído a pique e em sua queda aviltou os preços internacionais e estava arrastando para o abismo vários governos latino-americanos. No despenhadeiro da crise mundial, a ruína do preço do estanho derrubava o presidente Hernando Siles, na Bolívia, e colocava em seu lugar um general, e a queda dos preços da carne e do trigo derrubava o presidente Hipólito Yrigoyen, na Argentina, e em seu lugar instalava outro general. Na República Dominicana, a queda do preço do açúcar abria o longo ciclo da ditadura do também general Rafael Leónidas Trujillo, que inaugurou seu poder batizando com seu nome a capital e o porto.

No Uruguai, o golpe de Estado ia estourar três anos depois. Em 1930, o país só tinha olhos para o primeiro Campeonato Mundial de Futebol. As vitórias uruguaias nas duas últimas olimpíadas, disputadas na Europa, tinham transformado o Uruguai no inevitável anfitrião do primeiro torneio.

Doze nações chegaram ao porto de Montevidéu. Toda a Europa estava convidada, mas só quatro seleções européias atravessaram o oceano até estas praias do sul: Isso está muito longe de tudo – diziam na Europa – e a passagem sai cara.

Um navio trouxe da França o troféu Jules Rimet, acompanhado pelo próprio Dom Jules, presidente da FIFA, e pela seleção francesa de futebol, que veio contrariada.

O Uruguai estreou com bumbos e pratos um monumental cenário construído em oito meses. O estádio se chamou Centenário, para celebrar o aniversário da constituição que um século antes tinha negado direitos civis às mulheres, aos analfabetos e aos pobres. Nas arquibancadas não cabia nem um alfinete quando Uruguai e Argentina disputaram a final do campeonato. O estádio era um mar de chapéus de palha. Também os fotógrafos usavam chapéus, e câmeras com tripés. Os goleiros usavam gorros e o juiz vestia um calção negro que lhe cobria os joelhos.

A final da copa de 30 não mereceu mais que uma coluna de vinte linhas no jornal italiano La Gazzetta dello Sport. Afinal de contas, estava se repetindo a história das olimpíadas de Amsterdam, em 1928: os dois países do rio da Prata ofendiam a Europa mostrando onde estava o melhor futebol do mundo. Como em 28, a Argentina ficou em segundo lugar. O Uruguai, que ia perdendo de 2 a 1 no primeiro tempo, acabou ganhando por 4 a 2 e sagrou-se campeão. Para apitar a final, o belga John Langenus tinha exigido um seguro de vida, mas não aconteceu nada mais grave que algumas escaramuças nas arquibancadas. Depois, um bando apedrejou um consulado uruguaio em Buenos Aires.

O terceiro lugar no campeonato foi para os Estados Unidos, que tinham em suas fileiras alguns jogadores escoceses recém naturalizados e o quarto lugar ficou com a Iugoslávia.

Nem uma só partida terminou empatada. O argentino Stábile liderou a lista de artilheiros, com oito gols, seguido pelo uruguaio Cea, com cinco. O francês Louis Laurent fez o primeiro gol da história dos mundiais, jogando contra o México”.

LINHA DE PASSE

Enquanto Robinho é liberado para jogar amistosos, e a contusão que lhe tirou do torneio olímpico desapareceu mais rápido do que os amores que voltam com a ajuda da Maria Padilha, na Argentina, o atacante Lionel Messi já disse que vai encarar o Barcelona, e pretende ir a Beijing. Bem diferente do atacante brasileiro, mascote da Rede Globo, e que ficou caladinho no meio da confusão. Já o clube catalão ao menos não usou de recursos escusos, como o rival blanco de Madrid. Pretende ir até os últimos recursos jurídicos para que o seu principal jogador continue na equipe. Toda a temporada do Barça pode ser prejudicada se algo acontecer a Messi nas olimpíadas. Já a AFA (Associação de Futebol Argentina), ainda que tenha semelhanças quase genéticas com a CBF, em termos de negócios extra-campo, encarou, e a FIFA está do seu lado. Messi começa a temporada 08/09 como o principal destaque do seu time (herdou a 10 de Ronaldinho) e de sua seleção, ainda que Riquelme morra de ciúmes.

* * *

Do seu lado, o Barcelona, juntamente com o Schalke 04 e o Werder Bremen (especificamente envolvendo jogadores brasileiros e argentinos), resolveu encarar a FIFA, que oficializou juridicamente a obrigatoriedade de cessão dos jogadores. Apelou ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), órgão máximo da justiça desportiva, que numa primeira decisão já tinha declarado ganho à FIFA. Messi já afirmou que não pretende esperar a decisão do tribunal, já que quem manda no futebol é a FIFA, de Blatter (um homem perigoso…) e seu amigo, Julio Grondona, o Teixeira da AFA. Sob uma ótica que escapa ao futebusiness, e vindo de quem fez sua leitura, Maradona instou a Messi que assumisse de vez sua condição de líder e de craque. Para Dieguito, se o Barça deu a ‘diez’ a La Pulga, é porque, como uma noiva virgem, ficará a esperar seu amado, ainda que ele dê uma escapadinha em terras chinesas. Diego sabe que a força do trabalhador é quem produz a riqueza. É o Marx do futebol. O resto é futebusiness…

* * *

A torcida do América do México anda preocupada: é que, depois da síndrome de Sansão que atingiu El Mago Valdívia, quando cortou o cabelo, foi a vez de Salvador Cabañas, pesadelo das defesas brasileiras, cortar suas madeixas. De quebra, ainda emagreceu, está em nova forma. Que a superstição, no caso do atacante paraguaio, não permita que a fonte seque, e que o ex-gordinho não se transforme em ex-craque.

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Mundo afora pululam os torneios caça-níquel, em geral disputados em países onde o futebol é apenas um quadro ionizado de stripes em configuração RGB. Sempre existiram, é verdade, mas há alguns que ultrapassam a linha do inócuo e inútil ao esporte. O torneio de Dubai é um deles, mas ao menos permitiu uma curiosidade semiológica: uma final entre Inter e Inter, com vitória dos gaúchos. Dentre zil deles, que interessam somente aos investidores, panis et balipodus, os argentinos do Arsenal de Sarandí, atuais campeões da Sudamericana, enfrentaram os do Gamba Osaka, campeões da Copa do Japão, e faturaram a importantíssima Copa Suruga Bank. Nunca mais serão os mesmos.

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A pré-temporada da Champions League já está rolando pelos campos menos glamourosos da Europa. São times que jogam eliminatórias em ida-e-volta, pelo direito de constar nos grupos da fase principal do torneio. Alguns clubes grandes de países com menos reconhecimento econômico estão na parada. Na rodada de ida, ontem e hoje, jogaram Anderlecht (Bélgica), Glasgow Rangers, Fenerbahce (Turquia), Panathinaikos (Grécia), além de times da Finlândia, Eslováquia, Sérvia, Bósnia, Hungria, Israel, Polônia, Chipre, Áustria, Croácia, dentre outros. Dos chamados grandes pequenos, o vice-campeão belga e o vice da Copa UEFA passada se deram mal. O Anderlecht conseguiu perder por 2 a 1 para o BATE Borisov, time da Bielo-rússia, enquanto os Rangers não saíram do placar inicial com o Kaunas, da Lituânia. Já o Fenerbahce praticamente eliminou o MTK, da Hungria, 2 a 0.

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Confusão na Série C do Brasileirão. O jogador Rafinha, do Toledo (PR), afirmou que houve acerto de resultado na partida contra o Marcílio Dias (SC), pela sexta rodada da primeira fase da Série C. Segundo ele, houve acerto para que a partida terminasse sem gols, classificando os dois clubes e eliminando o Inter de Santa Maria (para desespero do ‘Impedimento!’) e o Engenheiro Beltrão. Com isso, os jogos que aconteceriam entre os classificados para a segunda fase foram todos suspensos. Segundo o jogador Rafinha, tudo foi feito em nome da família e dos bons costumes, já que desclassificados, os jogadores entrariam em “férias” mais cedo, deixando de receber. Rafinha só esqueceu que, na lógica cristã que defende, todo mundo é filho de Deus, inclusive os jogadores dos times eliminados. Por trás disso, a famigerada série D do ano que vem, invenção da CBF, que promete ser o buraco negro do profissionalismo futebolístico nacional. Com a nova série, os quatro círculos infernais ficariam assim*: 1o Círculo ou Série A: onde os clubes classe média lutam para não escorregar para a pobreza, mas ainda têm contato com alguns ricos, ou que fingem ser. De vez em quando o salário dos jogadores do líder do certame atrasa. 2O Círculo ou Série B: a pobreza que escorregou mas que sonha em estar sala de estar das boas famílias. Com a queda de um ricaço para o segundo círculo esse ano, ao menos duas vezes no ano estes times desfilarão nas telas da TV a Cabo. Quem escorrega para o próximo círculo vai para aquilo que o IBGE chama de “abaixo da linha da pobreza”. Pagar os jogadores é complicado pra quem não está na ponta de cima da tabela ou é clube-empresa, fazenda produtora de madeira (perna-de-pau). 3O Círculo ou Série C: aqui é o limbo do futebol brasileiro. Há quem tenha vindo, como o Fluminense, e tal como apenas uma vez em toda a história, foi içado deste círculo infernal diretamente ao paraíso por intervenção divina, mas só quem presenciou o anjo do Senhor com a espada flamejante em punho abrindo as portas para o tricolor carioca passar é que acredita em tamanho desvario divino. No mais, os clubes dificilmente saem deste nível, que só não é amador graças às benesses eleitorais que alguns destes clubes trazem a prefeitos, governadores, deputados e senadores. 4O Círculo ou Série D: “Por mim se vai à cidade das dores; por mim se vai à ininterrupta dor; por mim se vai à gente condenada. Foi justiça que inspirou meu autor; fui feito por poderes divinais, suma sapiência e supremo amor. Antes de mim, havia apenas coisas eternas, e eu, eterno, perduro. Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais!”. * É importante lembrar que, pela lógica da circularidade, não há diferença de qualidade ou atributo entre os círculos, mas tão somente de arbitrária hierarquia humana, demasiado humana.

CAMPEONATOS NACIONAIS

Sete jogos nesta quarta-feira na Série A do Brasileirão. E hoje os mineiros que torcem para a Raposa vão dormir satisfeitos com a liderança provisória do seu time. Caso o Grêmio tropece no Coritiba hoje, a liderança se estende até o domingo, quando o time pega o Flamengo, descendo de elevador. O time disputou com o Palmeiras nesta noite de quarta o título de pior meio-de-campo da primeira divisão e venceu graças a Valdívia, que mesmo jogando 1/10 do que sabe, ainda faz a diferença no toque de bola. Do outro lado das cores vermelho e preta, está o Vitória, que venceu de virada o Atlético Paranaense e está na segunda posição. O Internacional, que já tinha ressuscitado o Ipatinga, agora usa o levanta-te e anda para insuflar nova vida no Santos, que tirou o nariz de dentro da sepultura. Já o Fluminense, como diz o seu técnico, Renato Gaúcho, continua brincando no Brasileirão. Brinca de forca. Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) continuam na ponta da artilharia, com dez gols. Resultados:

16ª Rodada Série A – 30 e 31/07

Vitória 2 – 1 Atlético/PR

Cruzeiro 4 – 2 Náutico

Portuguesa 3 – 1 Fluminense

Botafogo 2 – 0 Goiás

Internacional 0 – 1 Santos

Figueirense 1 – 1 São Paulo

Palmeiras 1 – 0 Flamengo

Sport Recife – Ipatinga

Vasco – Atlético/MG

Coritiba – Grêmio

Classificação*

Cruzeiro  –  30

Vitória  –  29

Grêmio  –  29

Flamengo  –  28

Palmeiras  –  28

São Paulo  –  27

Coritiba  – 23

Botafogo  –  22

Internacional  –  22

Sport Recife  –  21

Figueirense  –  21

Portuguesa  –  19

Náutico  –  18

Atlético/MG  –  18

Atlético/PR  –  17

Santos  –  17

Goiás  –  17

Vasco  –  16

Fluminense  –  13

Ipatinga  –  13

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

A ENTREVISTA ‘DIET’ DE SERAFIM À IMPRENSA ‘LIGHT’ MAS NÃO MORDE

A edição desta semana do Roda Viva Amazonas, que entrevistou o candidato à reeleição municipal de Manaus, Serafim, foi a confirmação da submissão da imprensa manoniquim a esta ou àquela candidatura, e do comprometimento dos principais jornais da cidade com a Direita.

Dos tradicionais veículos de circulação de papel, somente o Diário, ofendido com o direito de não-resposta do governador Eduardo ‘guerreiro enfurecido de sempre’ Braga, não compareceu. Mesmo assim, não significa que seja diferente dos demais.

De um lado, jornalistas defensores quase explícitos das candidaturas oficial e da oficiosa, e de outro, um Serafim que, ou acredita fielmente na maquiagem que seus assessores preparam a cada caminhada, ou está bem próximo de ganhar o diploma “o melhor dos mundos” conferido pelo filósofo Pangloss.

Serafim, em geral, confundiu cordialidade com ética, e foi atacado num primeiro momento pelos jornalistas que compuseram a roda. Os temas principais foram os buracos – para os quais Serafim, dizem fontes intempestivas, tem argumento forte e que pode tirar votos de Amazonino, mas que não apresentou – e a rejeição quase arthur-nética que o atual prefeito tem acumulado na sua administração. Serafim mostrou que são dois pontos fracos que podem sim, atingi-lo, e para os quais ele ainda não tem um argumento incisivo que possa rechaçar.

Ainda que seja verdadeiro o argumento de que Manaus é uma cidade sem planejamento, que suas ruas não têm sistema de drenagem, e que as condições climáticas sejam um agravante, a assessoria do prefeito ainda não conseguiu evidenciar exatamente em que parte de Manaus, nos últimos três anos e meio, houve avanços na implantação de um sistema viário que tenha sistema de drenagem e que suporte mais do que uma semana do verão amazoniquim. Também não soube explicar satisfatoriamente porque, às vésperas da eleição, resolveu ordenar o tapamento a qualquer custo dos buracos da cidade, contradizendo o seu próprio argumento de “fazer devagar, mas fazer bem feito”. Serafim também perdeu a oportunidade de explicar as razões “pré-eleitorais” da falta de asfalto no mercado a que a prefeitura foi submetida no início do seu mandato.

No caso da impopularidade, Serafim afirma que não a sente. Sintoma do afastamento (ou melhor, de nunca ter se aproximado) dos movimentos sociais, ou da “preparação” que as secretarias e assessorias do prefeito faz quando ele anuncia que vai a algum lugar? Desconfiará Serafim que as ruas bem varridas, as sarjetas bem pintadas, a água nas torneiras e até mesmo muitos dos “populares” que estão nos eventos são preparados previamente pelas secretarias? Saberá ele que muitos dos aplausos que recebe são de funcionários municipais propositalmente à paisana e que estão ali para fazer claque? Será que Serafim desconfia que, se a casa da Dona Raimunda, que ele citou como exemplo, for em algum bairro da zona Leste ou zona Sul, ele corre o risco de chegar lá de surpresa e encontrar somente o assobio do vento nas torneiras? Serafim conhece o projeto Poseidon?

Evidentemente, não são problemas do prefeito, mas de uma cidade. O interessante é que essa personalização da política, para o bem e para o mal, é um acontecimento muito mais da classe média – de onde vem Serafim – do que propriamente das classes mais abaixo da pirâmide social. Grande parte desta impopularidade pela não-resolução de problemas recorrentes da cidade é como se fosse um “lavar as mãos” de Pilatos – ou Herodes, para Alfredo e Eduardo -, uma “transferência” de responsabilidade, má-fé de quem prefere capitular e fazer de conta que os problemas de uma cidade não lhe dizem respeito. Contentaram-se em eleger um pretenso salvador da pátria, e como não deu certo, a culpa não lhes pertence.

Serafim atribuiu grande parte da sua impopularidade a programas de exploração da miséria social, e que aproveitam para fazer ataque ao prefeito. Neste aspecto, a posição de Serafim coloca os órgãos de imprensa, os mesmos que o questionavam na entrevista, na berlinda, já que eles são contumazes locatários do horário televisivo para este tipo de interesse, na maioria dos casos, lucrando tanto financeiramente quanto no plano do conluio pré-eleitoral. Serafim neste quesito desnudou os jornalistas.

Dos vícios da imprensa, um dos que chamaram a atenção foi a tentativa de um dos jornalistas, aspirante a Walmir Lima, mas que não chegou ainda a Alex Deneriaz, que comprou – ou foi comprado, a ordem não altera o resultado – a versão de seu jornal, que continua a afirmar, mesmo com o próprio presidente Lula desmentindo, que Omar é o candidato do presidente. Do jornal, é possível. O jornalista afirma que não viu o desmentido de Lula. Não lê o proprio jornal onde trabalha, que foi obrigado, no dia seguinte a publicar as palavras de Lula, que afirmou ter recebido o governador e o vice-governadores na condição de presidente, como receberia qualquer outro brasileiro, e não como cabo eleitoral. Serafim lembrou que Lula tem sim, candidato, mas que não é nem ele e nem Omar.

Outra situação em que Serafim desnudou os jornalistas foi quando o questionaram sobre a atuação do filho, Marcelo Serafim. Ainda que a passagem de Marcelo pela prefeitura esteja longe do que apregoou o pai, este aproveitou para, mais uma vez, expôr o comprometimento da imprensa. Utilizou até de ironia, ele que não é dado a toques de humor, quando apresentou o episódio das tartarugas do Marcelo, perguntando porque a imprensa estava ao lado da polícia federal quando esta foi constatar a existência de dois quelônios regularizados na casa de Marcelo, mas “sumiu” do mapa quando a mesma PF foi à casa do denunciante e encontrou 13 tartarugas adquiridas irregularmente. Propaganda para Marcelo, furos n’água para o então candidato e a imprensa que o continua apoiando nestas eleições.

Ainda que tenha iniciado com um clima “inquisitorial”, diante dos desnudamentos promovidos por Serafim, a entrevista descambou para uma entrevista de cordialidade, onde até a lista da AMB foi colocada em pauta, e Serafim escapou com certa tranquilidade de mais uma armadilha.

Para os corajosos que assistiram até o final sem fraquejar, duas ilustrações: a certeza de que os candidatos oficial e oficioso tem um histórico conjunto de administrações tão danosas à cidade, que até um prefeito de mediano a ruim, como Serafim, se destaca. Outra: a certeza de que, se contarem com a inteligência da imprensa manoniquim, estes candidatos estão garantidos. No movimento dos sem-cargo.

O CONSENSO DAS COLIGAÇÕES DA DIREITA

A filósofa francesa Barbara Cassin, em seus estudos sobre a democracia grega como devir, e não coma idéia, mostra que a pluralidade dos semelhantes só se torna uma realidade social através da práxis do conceito-articulação: o consenso. Para a filósofa, o consenso como conceito-articulação democrático coordena-se em três domínios: o lógico (o logos como linguagem dialógica), ético (como consentimento das partes em presença) e o político (obter a concórdia). Articulados como práxis capazes de manifestar o consenso da homologia, identidade do discurso, e da homónoia, identidade do pensamento, fundam o corpus constitutivo da democracia. De forma que, o consenso sendo um conceito-articulação nas pluralidades do diálogo e do pensamento, manifesta-se como um processual contínuo de atualizações de significados sociais, defende a democracia contra o perigo de sua usurpação pela tirania, que, em sua força entrópica, elimina o lógico, o ético e o político da homologia e da homónoia.

AS COLIGAÇÕES DA DIREITA

Como a democracia é uma pluralidade constitutiva, sempre em movimento em função de sua potência política/ética/estética criadora, atualizada como Bem Social, infere-se que os corpus desprovidos desta pluralidade constitutiva, sua potência criadora, não podem aspirar à democracia. Desta forma, acredita-se que os partidos de direita, cujos corpus expressam a democracia como idéia, a abstração da política, não carregam o consenso como conceito-articulação, mas tão somente o entendimento imóvel de suas paixões reacionárias. Assim, em tempo de eleição, as coligações destes partidos, não vão além dos minutos somados nos meios de comunicação para suas propagandas já tão conhecidas dos eleitores, pois o lógico, o ético e o político, não se encontram inclusos em seus discursos provenientes de suas práticas entrópicas anteriores. Tanto faz um destes candidatos concorrer apenas por seu partido, como concorrer por dois, três, quatro, quantos forem, a democracia, como sociedade dos amigos, não se faz real.

No caso de Manaus, esta entropia-política é bem visível nos partidos de direita, recheados com parte da “esquerda”. Nisso torna-se grotescamente cômico a encenação bufa, neste pleito, destes partidos se contorcendo para se mostrarem diferentes de seus iguais. Saltam aos olhos e aos ouvidos suas identificações. Nenhum mínimo sinal de antagonismo. Tudo muito bem harmônico. Harmônico, como é no “presente-passado”, o grupo dominante dos semelhantes por seus próprios interesses. Daí que quando se puxa um fio das acusações de atos contra as políticas públicas, sempre contrai vários. Como permanecem na mesma entropia política, seus programas de governos se assemelham até na linguagem, sem contar em seus objetivos. Entrevistados, o que um fala é o eco do que os outros parceiros já emitiram.

Sendo assim, assistindo harmonia dos iguais na encenação bufa, restou ao eleitor-ator da cena democrática suas gargalhadas sobre as sofríveis performances que não lhe empatizam.

MINISTÉRIO DA CULTURA PROMOVE FÓRUM EM MANAUS

Fórum Nacional de Financiamento da Cultura

O Ministério da Cultura – MinC, por meio da Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura – SEFIC, realizará sete seminários e sete oficinas regionais de trabalho, em várias capitais do país, entre os meses de agosto de 2008 e setembro de 2009, dentro da programação do Fórum Nacional de Financiamento da Cultura, com o objetivo de estimular o debate com a sociedade sobre a formulação de diretrizes para revisão do atual modelo de financiamento da cultura.

A primeira Oficina de Redesenho do Modelo de Financiamento será realizada em Manaus, nos dias 14 e 15 de agosto, com o tema Novo Modelo Federal de Financiamento à Cultura. Entretanto, os participantes deverão ser, prioritariamente, da Região Norte.

O evento terá abertura oficial, com a presença de autoridades do Ministério da Cultura, apresentando o diagnóstico sobre políticas e os indicadores culturais, além da formação de grupos de debate.

As inscrições poderão ser realizadas, até as 22h00min do dia 07/08/2008, por meio do link indicado abaixo.

Como funcionam as Oficinas?

As oficinas compreenderão cinco Grupos de Trabalho – GTs, compostos por até vinte participantes, cada. Estes grupos de trabalho serão formados conforme o grau de interesse dos participantes, manifesto no ato da inscrição e de acordo com a disponibilidade de vagas. Cada grupo discutirá o conjunto de propostas apresentadas na relação de temáticas para discussão.

A distribuição por grupos visa a oferecer maior oportunidade de contribuição e avaliação específica de cada uma das cinco estratégias, além de facilitar o encaminhamento dos resultados de cada debate para a síntese final das propostas. Caso haja um desequilíbrio no total de inscritos por grupo, a coordenação de cada oficina efetuará a redistribuição de alguns participantes, de acordo com a ordem de prioridade estabelecida no ato da inscrição, a fim de garantir as condições adequadas à realização do debate.

Cada grupo de trabalho será coordenado por um mediador e terá um relator, podendo ser dividido em até quatro subgrupos de trabalho, sendo que cada subgrupo indicará espontaneamente um relator para a elaboração de textos de relatoria dos debates.

Ao final das discussões os relatores oficiais de cada GT deverão elaborar o relatório final do Grupo, que será uma compilação dos relatos dos subgrupos. O texto dos relatórios produzidos poderá subsidiar a formulação de diretrizes para revisão do atual modelo de financiamento da cultura.

Temas dos Grupos de Trabalho

Abaixo estão relacionadas as temáticas que serão discutidas pelos GTs e, conforme descrito anteriormente, no ato da inscrição, o interessado deverá indicar uma ordem de prioridade (para todos os Grupos), a fim de que se possa alocar adequadamente os participante, equalizando as discussões.

GT 1 – Cultura como direito

EMENTA: A Constituição Federal, em seu artigo 215, reconhece o acesso à cultura como um direito do cidadão e estabelece como obrigação do Estado garantir o acesso às fontes da cultura nacional. Vinte anos depois, pesquisas demonstram os investimentos em cultura realizados do período, embora tenham aumentado, não foram capazes de reverter o grave quadro de exclusão cultural do país. Que medidas concretas são necessárias para que se cumpra este dispositivo constitucional?

GT 2 – Cultura como fator de desenvolvimento econômico

EMENTA: Em 1995, uma pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro dava conta do grande potencial de empregabilidade e de geração de renda da produção cultural brasileira. Embora a Lei 8.313 de 1991 preveja mecanismo de apoio à produção cultural economicamente viável, não se percebe um resultado concreto de investimentos como alavanca para o desenvolvimento econômico do setor. Agora, quando a importância dos aspectos culturais para o desenvolvimento social e econômico do país é reconhecida, em que o marco legal deverá ser aprimorado para oferecer condições às cadeias produtivas da cultura para se desenvolverem?

GT 3 – Gestão

EMENTA: Tendo em vista que a proposta de um novo modelo de financiamento impõe a modernização de sua gestão, que seja sistêmica e transparente, como deverá ser organizada a governança desse novo modelo, com vistas a garantir a transparência, a eficiência e o controle social dos investimentos?

GT 4 – Relações institucionais: interfaces e parcerias

EMENTA: O novo modelo de financiamento á cultura deverá ser suficientemente flexível para acolher novas demandas e investidores, favorecer as parcerias necessárias, dispor de linhas de apoio e investimento compatíveis com os perfis dos demandantes e agentes e segmentos, com amplo compromisso dos entes federados e da sociedade. De que forma essas parcerias deverão se construídas, sem que o Estado renuncie ao seu papel de formulador de políticas públicas e fomentador da cultura no país?

GT 5 – Inovação e conhecimento

EMENTA: Os processos criativos humanos são a mola propulsora das mudanças. Quais são os mecanismos mais adequados para que o Estado estimule a experimentação artística, a apropriação e troca de conhecimentos e experiência, favorecendo aos agentes a plena exploração de seus potenciais criativos, sem subordinar tais práticas à lógica de mercado?

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MAROCAGEM ELEITORAL

Qualquer semelhança de tipos vivos com as marocas não é mera coincidência

Antigas e novas, reais e virtuais, mas marocagens reais. O que você está esperando? É festa democrática! É tempo de eleição! Quem não tem uma maroca ou um maroco para marocar não é democrata. Mande suas marocagens, a gente publica. Se preferir anonimato, não tem problema: sujeito oculto.

Os candidatos têm vivências, percursos, tropeços, trapaças, trambolhos, trambiques, chiliques, despistes, vigarices, calhordices, criações, produções, realizações, distorções, malversações, perseguições, muitos os, es e ões, pouco verbo e muitos cifrões, mas a democracia é pública e não dos espertalhões.

O Voto não tem preço

Não é mercadoria

É uma potência

Da democracia

O Gol e o Voto

Tu ouviu o que aquela mulher tava falando perto da banca do peixe?

Ouvi. “O Voto não tem preço. Não é mercadoria”. E não é mesmo.

Cumo já num é, se a vizinha trocou o voto dela por uma dentadura nova?

Ela não trocou, porque o Voto, como não é mercadoria, também não se troca.

Trocou sim, mulher!

Não trocou! Fez um acordo de no dia das eleições votar no candidato denturador. E como é acordo, ela pode quebrar. Além do mais, voto é como gol: só acontece no momento da votação. Quando o jogador chuta a bola pros fundo da rede, e quando o eleitor aperta a tecla. Aí acontece o Voto. Antes não é Voto, é só imaginação.

O Candidato e a Dentadura

Meu, essa eu não entendi. O cara é candidato, distribui dentadura, mas ele mesmo não tem dente.

É que a fome dele de comer o dinheiro público é maior que a fome de encher o estômago.

O Candidato Metademocrata

Pai Lumilam, aquele vereador que nas eleições passadas veio pedir sua proteção, tá aí fora querendo falar com ocê.

Ocê, diga pra ele que nenhuma entidade se permite ser enganada duas vezes. E diga também que o terreiro está muito bem e os santos mais ainda. E a comunidade já tem seus candidatos pra prefeito e vereador.

E se ele insistir?

Diga que, para o bem dele, desistir de concorrer, porque falei com os santos e eles disseram que ele vai perder feio, feio.

O Candidato Santo

Tu já viu o livrinho que aquele candidato tá distribuindo nos bairros? Menina, não sei como deixam um cara desses se candidatar.

Por quê?

O cara é um santo. Tudo que o livrinho conta é como se o cara fosse “assim” com Deus.

Será que ele não fez o livrinho para oferecer pra Deus e ganhar um cargo no céu, e não pros eleitores?

Acho que não. Se nós, que é simples mortal, sabe da vida suja dele, imagine Deus, que é um simples imortal.

Balançando a Bandeira

Ê, cara, levantando bandeira pra este candidato pilantra? Tu não tem vergonha?

Vergonha? Tô aqui recebendo uma parte do que ele já roubou de nós. Na hora do vamos ver. Na hora do aperta a tecla do som, tu vai ver quem vai aparecer cantando.

É, mas os eleitores que passam por aqui podem ser influenciados pelas tuas bandeiradas.

Qual é, meu irmão!? Tu acha que os eleitores ainda acreditam neste candidato?

Porra, e como eu faço pra arrumar uma boca dessa e resgatar a parte que ele me roubou?

Tá vendo aquele gordo ali com a camisa do flamengo, conversando com aquela lourinha?

Tô!

Vai lá com ele que o cara é gente fina. É dos nossos. Empresta a mão de obra, mas não empresta a consciência.

Ajeitando a rua e o voto

Tu viu aquele candidato que veio aqui e disse que vai ajeitar a rua se a gente votar nele?

E ele é pedreiro por acaso?

Bem que a nossa rua precisa ser ajeitada.

Mas tu é abestada como este candidato? Onde já se viu, há 300 anos que a nossa rua tá desse jeito e só agora ele vem aqui querendo nos ajudar. Ele quer é comprar o nosso voto. E isto é crime eleitoral.

Novíssima dentadura

Vizinha, tu tá de dentadura nova?

Tô sim. Bonita, né?

Vixe! Bem grande, né? Comprou onde?

Eu não comprei. Aquele candidato que passou aqui que me deu. Vai lá pegar uma.

Vou nada! Vizinha, não aceite essas coisas. A senhora nem sabe de quem era isso, e esse candidato só deu pra senhora votar nele.

Este não. Este é bom. Ele dá durante todos os anos. Não é só no tempo da eleição não.

Bom, nada. Se ele fosse bom mesmo, como ele já deu durante vários anos, agora que ele é candidato, no período eleitoral ele parava.

A Bola e o Voto

Se o cara vier e oferecer eu pego mesmo. Vendo o meu voto e não tô nem aí.

É por isso que todo mundo já sabe em quem tu votas.

Qual é? O voto tem sim preço, porque é meu. Então eu faço o que quiser com ele.

Nada disso! O voto é como jogar bola: tem que ser em conjunto. O voto é coletivo, porque tem que modificar toda a cidade. O voto não tem preço, porque ele não é uma mercadoria. O voto é uma potência democrática. Mas tu é delega mesmo, não toca a bola pros cumpanheiro, então não entende nada disso.

DONA MARIANA NO TERREIRO DO PAI SIDNEY DE OBALUAÊ

Olhei pro céu, vi uma estrela

Olhei pra terra, vi uma candeia

Olhei pro mar, eu vi maresia

Olhei pras matas, eu vi encantaria

Pai Batman de Dona Mariana 01 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

Foi lá na rua São Carlos I, no bairro do Monte Sião, Zona Leste de Manaus, no simples e autêntico terreiro de Pai Sidney, que os convidados se aconchegaram para aguardar a chegada de Dona Mariana. Conversamos com Pai Sidney, conhecido popularmente como Pai Batman de Dona Mariana, que nos falou do seu longo caminho partilhado na Umbanda.

Sou Pai Sidney de Obaluaê. Sou amazonense. Tenho 37 anos de idade. De religião tenho 27 anos. Pra eu entrar nessas coisas, eu não gostava, mas eu caí muito doente, aí minha mãe não acreditava, porque minha família a maioria era crente. Eu entrei por causa de um sacrifício mesmo, por necessidade, eu já tinha passado por vários médicos, por São Paulo, Rio, pra me curar, e eu não ficava bom. Um dia, uma tia minha viu que não era coisa de médico e mandou minha mãe me levar. Ela não acreditava. Quando eu cheguei lá eu encontrei a Dona Padilha na cabeça de uma senhora, que já vai pra dezessete anos que ela rufou. Se chamava Dona Maria do Seu Jacaúna. O pessoal só me conhece mais pelo apelido. Não tem problema nenhum. Todo mundo aqui no Amazonas me conhece como Pai Batman de Dona Mariana, desde pequeno. Mas o primeiro caboco que baixou em mim foi o Seu Sibamba, em 1981, por causa que o meu pai tava dando uma surra na minha mãe. Ela tava com oito dias de resguardo. Eu dormia numa rede e eu tinha uns nove anos de idade. Ele chegou embriagado tamanha 2h da manhã e queria que ela fosse fazer uma comida pra ele. Ela disse que não ia fazer, porque ela tava naquelas condições. Ele pegou e deu umas tapas nela. Ela disse que eu arrastei ele na mão, como se fosse um boneco, e joguei lá de cima. Desde lá, ela ficou querendo acreditar, mas não gostava desse tipo de religião…

Pai Batman de Dona Mariana 05 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 06 por você.

E não demorou para que a dona da festa, caboca Mariana, baixasse e trouxesse sua alegria e seu axé para compartilhar com todos que vieram para receber suas bênçãos, saudando a todos:

Hoje é pra nós todos um arraiar que eu faço de ano em ano. As pessoas que vieram me prestigiar, muito agradecida. Aqui ninguém tem empregados; nós somos empregados. A casa é nossa. Podem se servir. Fiquem à vontade. Participem da louvação e da brincadeira. Vamos brincar até a hora que quisermos. Que seja assim sempre, sempre, sempre…

No Rio Negro, mururés viraram flores

Na mata virgem, sabiá cantou

Eu sou a caboca Mariana

A bela turca que aqui raiou

Pai Batman de Dona Mariana 08 por você.

A esta altura o terreiro já estava preenchido de filhos e convidados, adeptos das religiões afro e simpatizantes, que vieram participar do arraial de Dona Mariana.

Pai Batman de Dona Mariana 12 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 13 por você.

E também outros cabocos vinham compartilhar seus pontos e compartilhar sua sabedoria com os presentes, como Seu Constantino, baiano grande, com seu chapéu de couro:

Tô vendo ele por essa mata escura

Trazendo sua boiada

Ele se chama Constantino

Baiano grande, chapéu de couro

Pai Batman de Dona Mariana 19 por você.

Sou baiano, mas não sou da Bahia; sou do Maranhão. Quando eu canto baía, não canto Bahia, de Salvador, canto baía do Maranhão. Sou de Codó, do maranhão. Lá vivi, matei, esfolei, tive muitos filhos, meus parentes. Hoje, num me convidaram, mas estou aqui de enxerido (risos!)…

Enquanto a fila de pessoas crescia para conversar com Dona Mariana, entramos na fila e conversamos com o zelador de santo, Pai de Pai Sidney, Josué de Oxalufan:

Eu sou Pai de Santo do Sidney de Obaluaê. Ele é abiã, já oborizado, e se preparando pra fazer o santo dele. Daqui a três anos ele vai fazer a iniciação dele no Candomblé. Ele faz parte da família de Oxalá, é neto de Frank de Obaluaê. Por enquanto ele é zelador de Umbanda, trabalha há bastante tempo, trabalhando com esta Dona Mariana, uma caboca de tambor de Mina. A Mariana foi uma das fundadoras do tambor de Mina, pouco difundida aqui em Manaus. Cultua-se muito a Umbanda mesmo, alguns Umolocô, apenas uns raros cultuam tambor de Mina. Ele trabalha com as entidades de esquerda: Maria Molambo, Seu Zé Malandro, Maria Padilha das Almas; mas não por serem de esquerda são diabos. São entidades com uma outra carga energética. O nosso coração está do lado esquerdo. (…) Caboca Mariana está em muitas cabeças, em todos os lugares. A Mariana do Sidney, essa que está aqui, ela vem na linha de marinheira. Porque a Mariana é uma entidade que vem como turca, como marinheira, como cigana e como índia. Mariana é um espírito encantado, ela não morreu, antes de ela provar da morte, ela sofreu a experiência do encante, foi morar no invisível. Vez ou outra ela vem. Ela era chefe das adoradoras de Maria, por isso é que ela se chama Mariana. Uma moça portuguesa que foi adotada por um turco, que se encantou também na batalha de Alcácer-Quibir, uma batalha que teve entre os cristãos e os muçulmanos. Nessa batalha, Dom João de Marabaia, encantou-se, e sultão de Atalã, que é o rei chefe dos turcos encantados, deu ordem para Dom João de Marabaia recolhesse essas entidades. Dentre essas entidades, estava Mariana, e ela se encantou com Dom João de Marabaia. Ela ensinou a ele as leis do Cristianismo, e ele, por sua vez, deu a ela riquezas e o sobrenome da Turquia. Por isso ela se chama Mariana de Alexandria. Na tribo dela tem muitas outras entidades nobres, fidalgas, baronesas, condessas, que vem á terra para praticar caridade, curar, jogar conversa fora, beber. Mariana é essa: é amor, é esperança, é caridade. Para quem precisa de ajuda, Mariana está sempre disposta a ajudar…

Pai Batman de Dona Mariana 18 por você.

Caboca linda é a caboca Mariana

Ela é a caboca mais formosa do lugar

É no luar que ela sai a passear

Ela flutua numa pedra que tem lá no alto mar

Pai Batman de Dona Mariana 16 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 09 por você.

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

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# Alguns internautas acessam esta Coluna Vertebral procurando informações sobre a verdadeira coluna animal. Sim, porque há colunas de várias formas e posições. Há coluna arquitetônica, coluna de guerra, coluna do meio, etc. Pois tá, para atender um pouco a busca desta informação bio-anatômica humana, vamos enredar a coluna vertebral em significações social/política.

Como a coluna vertebral é dividida em quatro segmentos, sendo eles: coluna cervical, coluna torácica, coluna lombar e coluna sacra, e estando cada uma posicionada no mundo de acordo com suas relações sociais e políticas, certo é que a coluna vertebral não seja uma efeito total de uma ação em suas partes colunáveis. Aí nossa quase informação. Desta forma, podemos didaticamente aventar.

A COLUNA CERVICAL, sendo a transição entre a cabeça e o tórax, recebe diretamente influências do exterior. Se seu proprietário for crente na vida, ela convida a cabeça para construir bons encontros que aumentam a potência de agir. Mas se seu proprietário for um otário, ela força a cabeça a se inclinar e não ver o mundo para poder agir. Assim, implica em sua indiferença às outras colunas e torna o corpo suicida. Pergunta-se então: para que serve a cabeça?

A COLUNA TORÁCICA mostra a autonomia do corpo no mundo, pronta para enfrentar com o coração e os pulmões as adversidades dos sistemas antagônicos a si. Principalmente ao capitalismo. Entretanto, se ela tem um coração sentimentalizado pelas canções do Roberto Carlos, os pulmões obstruídos pelo sopro da direita e as costelas circulando entropicamente, vai impedir circulação energética à cervical e comprometerá os movimentos da lombar e sacral. Aí poder-se afirmar com convicção: este corpo é como certos políticos, não têm peitos.

A COLUNA LOMBAR é a mais transada, segundo a sabedoria popular. É sempre lembrada pela palavra de ordem: “Estou com dor lombar!”. Na linguagem banal, é a mais vulgar. É muito conhecida dos jogadores de futebol. Todavia, é uma coluna filosoficamente nietzscheana. Em “Assim Falava Zaratustra”, no aforismo “As Três Metamorfoses”, o filósofo mostra que o lombo tem duas funções. Uma, para carregar os pesos dos valores dos reativos. E outra, para sustentar a potência criadora da vida. No caso da maioria dos homens, funciona a primeira. Assim, pode-se compactuar com a dito popular: “É a volta do cipó de arueira no lombo de quem mandou dar!”.

A COLUNA SACRA, na sociedade de consumo sexual, onde, como disse o filósofo Barthes, “o sexo está em todo lugar, menos na sexualidade”, carrega vários atrativos que ficam só no atrativo. Como nos rebolados de algumas exibições que na hora do vamos ver, os rebolados rebolam para a rigidez. Foi nessa coluna que o psiquiatra Reich fincou sua “Teoria do Orgasmo”. Foi aí que ele percebeu a grande força de imobilidade sexual da “couraça muscular”. Aquela que impede a circulação da energia vital capaz de tornar o homem saudável para o trabalho e o amor. É ela que mostra que o homem não é de todo um animal erectus. Muitos homens, basta verem um sinal patronal, sentam e consentem. É uma coluna também com duas funções. Uma, auxilia no orgasmo revolucionário. Aquele que revigora os amantes para tomar o mundo como compromisso criativo/produtivo. Outra, o orgasmo é simulado por alguns gritinhos, reviradas de olhinhos, olhando, e, depois, uma rapidinha saída para se lavar, e se culpar. Expressa a insegurança maior dos homens e mulheres. O desespero de não poder gozar em si e na vida. Daí terem que buscar sublimações no dinheiro, no falso saber, na força, no glamour e na porrada. Por isso se afirma: um corpo é sua coluna vertebral, cuja potência ou impotência começa no rabinho.

É em razão destas funções social/política da coluna vertebral bio-anatômica que esta Coluna Vertebral significa seus rastros que saltam no glamour, no dinheiro, no poder, na trapaça, etc, em todos os significados abestalhantes do sistema das inutilidades que é o capitalismo.

# Que a Zita é sacal nas questões da cognição todos seus amigos e migas sabem. Agora, que ela é curtidora da estupidez da objetividade, ninguém sabia. Ontem, ao sabor da batida de mangarataia, ela afirmou que todos erraram quanto a idade da divina Dercy Gonçalves. A deusa da comédia brasileira não morrera com 101 anos, afirmou. Dercy ultrapassou muito a barreira dos cemzinhos. Perguntada de onde ela havia tirado a inferência cronológica, Zita respondeu que da Globo. Ouviu e viu uma apresentadora da mídia escandalosa afirmar: “UM BRINDE ÀQUELA QUE MAIS DE 100 ANOS FEZ A ALEGRIA DO BRASILEIRO”. Para a Globo a Dercy já era comediante antes de nascer. Ou então começou a fazer comédia com um ano. Para afirmar que a divina alegrou o Brasil mais de 100 anos. A Globo é perigosa, meu. Não satisfeita em ser a mater da otarização do telespectador, agora envereda pela destemporalização do Brasil. Nisso me pergunto: será que hoje é segundona TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual? Sendo ou não sendo, sinto-o.

Se o baião não é xote, não importa.

Tudo vira Rock!

Beijos e abraços Vertebrais!

NOSSOS GENIAIS ARTISTAS CLASSE “MÍDIA”

Eis que se levantam as vozes dos artistas brasileiros para protestar contra a corrupção! Não, leitor intempestivo, não é mais um show da turma do ‘Cansei!‘ ou da galerinha fofa dos ‘KLB Contra a CPMF‘. Mas é igual.

Esta semana, artistas do alcunhado rock nacional e das novelas globais se ergueram contra o que chamaram de câncer brasileiro: a política. Entre pedidos de impeachment do ministro Gilmar ‘Paranóico’ Mendes e confusões no senso de temporalidade dignas de um transtorno psiquiátrico (confundir, por exemplo, os governos FHC e Lula), os artistas ‘inganjados’ manifestaram seu senso político sem precisar sair do conforto dos condomínios “IV Frota” em que vivem.

Alguns chegam a simular uma suspeição sobre a indiferença da classe quanto aos problemas sociais do Brasil, mas nenhum sequer chega a movimentar a superfície da obviedade. Mas não querem ser acusados de oportunistas: se manifestam antes de terem o rolex roubado. Acreditam que, com os holofotes que iluminam todas as ações que fazem, podem também dar um raiozinho de luz para que a população alunada (=sem luz) possa enfim acordar e se rebelar contra a opressão.

A CLASSE MÉDIA VIRA CLASSE MÍDIA

Do que se sabe sobre a moral enquanto sistema de valores que permitem um julgamento das coisas do mundo, é que é sempre uma moral de classe. É produzida, portanto, por um grupo, e tem por objetivo menos discernir sobre o certo e o errado do que estabelecer como verdadeiro e real o modo de existir deste grupo.

A classe média, economicamente, ainda não chegou à alcunhada elite, mas não pertence mais ao proletariado iletrado. Vive, portanto, na corda bamba. Nem suporta ser comparada com o que foi, e nem consegue chegar aonde quer. Mas ao menos o sistema de valores que é a moral de classe, é possível (eles crêem) simular.

Daí a dificuldade epistemológica de compreender certos conceitos. Julgar e compreender são faculdades diversas da cognição. A classe média é adepta da lógica do se dar bem. “O meu pirão primeiro”, diria Aldyr Blanc no swing de João Bosco. É por isso que os conceitos de arte e política que a classe média trabalha estão intimamente ligados à uma gastronomia: a da sociedade de consumo. Não são conceitos, são significantes que podem ser adaptados ao gosto do cliente.

Com a ascensão da mídia, que se quer formadora de opinião, a classe média abraçou o reino da clonagem em escala industrial da telinha pulsante, e embarcou na viagem do faz-de-conta. Fetichizou as luzes da ribalta eletrônica, e foi sugada pelo tubo de imagem, se tornando ela própria o programa que assiste. O verdadeiro reality show acontece do outro lado da tela.

O curto-circuito entre emissor e receptor causou uma fusão teratológica, e surgiu a classe mídia, derivação teratogênica da classe média, para quem a sedução da telinha é suficiente para a ilusão do existir. Daí, os objetos não terem, para essas pessoas, a concretude da existência. A relação de indiferença com o que lhes acontece e o que acontece o seu redor é mais um sintoma da transparência do real para essas pessoas do que uma dessensibilização promovida pela exposição excessiva à violência.

A ARTE GASTRÔ E A POLÍTICA DOS GLOBAIS

Daí a arte não ser, nesta sociedade, um conceito, mas um mercado de odores e sabores nulos. Uma arte que não carrega os elementos de seu povo é uma arte desnecessária, e os artistas que a produzem são corpos-agentes que diminuem a potência democrática.

Daí procurarem, sem mesmo o suspeitar, seus iguais. Não por acaso, atuam em canais como a Globo, amiga dos militares e inimiga da democracia, cuja grade de programação não carrega sequer um elemento necessário pedagogicamente à produção de um olhar crítico sobre o mundo, trabalhando os mesmos signos capturadores do olhar e embrutecedores da sensibilidade.

Falam da política como se fosse possível não ser político em sociedade. Como se a sua atuação artística (des)engajada não fosse parte da laminação intelectual promovida pela sociedade do consumo. Como se eles não fossem também responsáveis pelo câncer político que apontam com o dedo moralista em riste.

Nem desconfiam os nossos geniais artistas das relações viscerais entre DanDan Orelhudo e a Globolálica, patroa da arte que eles professam. Ou desconfiam?

Para nossos globais artistas e roqueiros cocacolizados, resta o alento de que muita gente se informa pela coluna de fofocas. Eles pregam para os convertidos.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

CHAGÃO PERGUNTA

Sem palavras, mas com ações”. Este é o lema do Feyenoord Rotterdam, clube holandês que completou 100 anos em 19 de junho de 2008. O clube é popular no Brasil, apesar dos poucos títulos que conquistou. O clube tem na sua origem o operariado do porto de Roterdã, e encarna a rivalidade histórica entre a cidade e sua irmã, Amsterdã. Embora tenha feito campanhas medianas nos últimos anos, o clube já conquistou uma Champions League e um Mundial Interclubes (1970). A última Eredivisie conquistada foi em 1999, mas em 2008 o clube já faturou a Copa da Holanda. Site oficial aqui. Agora, o ‘Chagão!’ quer saber: quem é considerado o primeiro técnico da seleção brasileira?

LINHA DE PASSE

Como já observado aqui neste Bloguinho, finalmente os torcedores do Vasco da Gama que amam o clube como a si mesmos poderão vestir novamente o manto alvi-negro sem a vergonha marxista (a cólera contra si mesmo) de ter um dirigente como Eurico Miranda. No entanto, também já tínhamos avisado aos torcedores lusos: não adianta virar a página de uma vez. Foram muitos os anos e os desfalques aos quais o clube de São Januário foi submetido na era mais sombria. Dinamite terá ainda muito trabalho pela frente, e terá de contar com o apoio dos torcedores que usam a emoção para torcer, mas a razão para entender. Esta semana, o blogue do Paulinho apurou que o dirigente, dias antes de deixar a presidência do clube, organizou um “leilão” de jogadores do time amador do Vasco, com a presença ávida de dirigentes/colegas de Eurico do São Paulo, do Atlético Mineiro e do Internacional de Porto Alegre. Segundo o jornalista, a falcatrua foi denunciada pelo ex-lateral esquerdo e dirigente do Fluminense, Branco, a Roberto Dinamite. Nenhum tostão do dinheiro arrecadado foi encontrado na contabilidade do Vasco. Futebusiness are futebusiness, dirão alguns torcedores (?) dos clubes que aceitaram entrar na pilantropia em causa própria de Eurico. Apenas parte de uma subjetividade que corrói o futebol (mas que não pode destruí-lo) há décadas, com farta participação de brasileiros (com Havelange como o expoente máximo). Cabe recurso da atual diretoria vascaína, e processo contra os clubes que participaram da falcatrua, digna das privatizações que o governo FHC fez, e que resultou em Daniel Dantas. Cabe ainda um entendimento desta subjetividade, que encontrou em Eurico seu mais expressivo signo, mas que passa por praticamente todas as cadeiras de direção do futebol brasileiro, em todas as categorias e séries. Enfraquecê-la é fortalecer o futebol. Daí distinguem-se meros torcedores e quem realmente gosta de futebol.

* * *

O Fast Clube, baluarte da administração futebolística com fins eleitorais, parece ter chegado onde todos os outros clubes usados para estes fins sempre chegaram. No fundo do próprio gol. Primeiro, perdeu a finalíssima do campeonato amazonense para o Holanda (outro clube-eleitoral, ainda subindo a ladeira). Depois, foi eliminado prematuramente da série C, ao perder em casa para o Luverdense (MT). Aí o clube ficou no faz-que-vai mas não vai, e acabou não conseguindo embarcar para Mato Grosso para enfrentar o mesmo adversário, fora de casa. Resultado: o clube deve sofrer sanções da CBF, que inclui a proibição de participar de campeonatos oficiais – incluindo o regional – por dois anos. Além disso, pra completar o inferno nada astral do clube, os jogadores estão sem receber, e somente depois de muita pressão, conseguiram uma reunião com o “dono” do clube, o candidato à prefeitura de Itacoatiara, Donmarques Mendonça. E não acabou: o Luverdense, que entrou em campo, esperou meia-hora, pagou as despesas com o árbitro e a devolução do ingresso da torcida, quer uma indenização do clube RMMiano, no valor de R$ 15 mil. Em sua defesa, o Fast alega que informou a tempo a CBF sobre a não-ida para o jogo, e por isso não pode sofrer sanções e processos do adversário. Quem perde com essa confusão toda é o já quase-inexistente futebol amazonense, que se reduziu, nos últimos anos, a trampolim eleitoral para candidatos paraquedistas, sobretudo no interior do Estado. Eleitor-torcedor, cuidado redobrado! O time pode até se salvar, mas a sua cidade…

* * *

Clube que encarna o sentimento de nação da população basca (Euskadi) que faz parte da Espanha, o Athletic Bilbao sempre foi encarado como uma instituição mais política do que propriamente de negócios esportivos. Durante a ditadura do generalíssimo Franco, uma forma de escapar da repressão do Estado espanhol e exibir livremente palavras de ordem da revolução era ir ao famoso estádio San Mamés, a torcer pelo Bilbao. O clube jamais ostentou propaganda na sua camisa, com exceção da publicidade institucional favorável ao país Basco. Esta semana, dirigentes do clube decidiram que o clube, após 110 anos de existência, afinal terá um patrocinador. Por 2 milhões de dólares, o manto sagrado do clube terá a logomarca da Petronor, pelas próximas 3 temporadas. Fim dos tempos para uns, início de novos tempos para outros. Se tomado (erroneamente) como causa, pode-se considerar como mais um golpe no romantismo do futebol. Já como consequência da desnacionalização do dinheiro (investimentos) e do próprio futebol (que já não pertence aos países de origem e nem aos torcedores), fica mais fácil entender porque o futebol traduz um mundo cada vez mais padronizado nas emoções (ou na ausência delas?), na indiferença e na falta de envolvimento real com as coisas. Tudo o que gera um terreno fértil para a proliferação de torcidas ultra e a extrema-direita xenófoba que invadiu o futebol europeu.

CAMPEONATOS NACIONAIS

Rodada tricolor na Série A do Brasileirão. Paulista, que fique claro. Grêmio, Flamengo e Vitória, times que estão acima do tricolor do Morumbi se deram mal, enquanto os comandados de Muricy venceram a Portuguesa. Acima deles, só o Cruzeiro venceu o brincalhão Renato Gaúcho e sua trupe Fluminense. O São Paulo não está no G4 porque o Vitória tem uma vitória a mais. Lá pelo meio da tabela desponta Coritiba, com uma vitória fora de casa, e o Sport Recife, que parou de brincar e venceu o Goiás também fora, indo à forra com os alviverdes pela operação Romerito, da final da Copa do Brasil Na parte de baixo, Santos e Vasco fizeram o clássico do desespero, e o time de Cuca não teve pena dos lusos. Deixou a lanterna para Ipatinga e Flu dividirem. Alex Mineiro (Palmeiras) fez dois e chegou a 10, mas divide a artilharia com Kléber Pereira (Santos), que fez a festa na defesa vascaína. Resultados:

15ª Rodada Série A – 26 e 27/07

Fluminense 1 – 3 Cruzeiro

Ipatinga 1 – 0 Internacional

Náutico 1 – 2 Coritiba

Grêmio 1 – 1 Palmeiras

Santos 5 – 2 Vasco

Goiás 1 – 2 Sport Recife

Atlético/PR 0 – 0 Figueirense

Flamengo 0 – 0 Botafogo

Atlético/MG 2 – 1 Vitória

São Paulo 3 – 1 Portuguesa

Classificação*

Grêmio  –  29

Flamengo  –  28

Cruzeiro  –  27

Vitória  –  26

São Paulo  –  26

Palmeiras  –  25

Coritiba  – 23

Internacional  –  22

Sport Recife  –  21

Figueirense  –  20

Botafogo  –  19

Náutico  –  18

Atlético/MG  –  18

Atlético/PR  –  17

Goiás  –  17

Vasco  –  16

Portuguesa  –  16

Santos  –  14

Fluminense  –  13

Ipatinga  –  13

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

* * *

Enquanto o Corinthians fez a sua parte, vencendo o Paraná Clube fora de casa, com direito a crise de estrelismo histérico do goleiro Felipe (que é estrela no time, mesmo sem ser craque, já que da lateral-direita pra frente é só prótese de madeira em campo), outros paulistas fizeram a sua parte para ajudar o alvi-negro. A Ponte Preta segurou o Avaí, enquanto o Santo André, com gol de Marcelinho de cabeça, triturou o Juventude. Em matéria de gols, a série B do Brasileirão nesta rodada fez bonito, e superou a primeirona. Em matéria de craques, continuam iguais: no zero. Na artilharia, Túlio Vereador e Luiz Carlos (Ceará) lideram com 11 tentos cada. Confira os resultados:

14ª Rodada Série B – 25 e 26/07

Santo André 4 – 0 Juventude

Bahia 2 – 2 Bragantino

Marília 4 – 2 Fortaleza

Ceará 1 – 0 São Caetano

ABC 2 – 2 Brasiliense

Gama 2 – 2 Vila Nova

CRB 1 – 1 América/RN

Paraná Clube 0 – 2 Corinthians

Ponte Preta 3 – 2 Avaí

Criciúma 2 – 2 Barueri

Classificação*

Corinthians  –  31

Ponte Preta  –  25

Juventude  –  24

Barueri  –  23

Avaí  –  24

Ceará  –  22

Santo André  –  21

Vila Nova  –  20

ABC/RN  –  20

Bahia  –  19

Criciúma  –  18

Paraná Clube  –  17

Bragantino  –  17

Marília  –  17

São Caetano  –  16

Gama  –  14

Fortaleza  –  13

América/RN  –  13

Brasiliense  –  12

CRB  –  09

  • Em roxo, os classificados para a Série A do Brasileirão ‘09; em cinza, os rebaixados para a série C.

    * * *

Encerrada a primeira fase da Série C do Brasileirão. Dezesseis clubes já estavam na próxima fase: Guaratinguetá (SP), Icasa (CE), Salgueiro (PE), Luverdense (MT), Rio Branco (AC), Sampaio Corrêa (MA), Picos (PI), Campinense (PB), ASA (AL), Atlético Goianiense, Mixto (MT), Ituiutaba (MG), Noroeste (SP), Guarani (SP), Caxias (RS) e Brasil (RS). As últimas 17 vagas saíram na rodada de hoje, derradeira da primeira fase. Da região Norte, restaram Rio Branco (AC), Holanda (AM), Remo (PA), Águia de Marabá (PA) e Paysandu (PA), que ficaram nos grupos 17 e 18 da segunda fase. Na sexta rodada da primeira fase, o Fast Clube se despediu com uma derrota, 2 a 0 para o Rio Branco. O carrossel jaraqui goleou o Progresso (RR), 3 a 1. O Remo empatou sem gols com o Cristal (AP). O Águia de Marabá foi a Tocantins e meteu 3 a 0 no Palmas. Já o Papão empatou em 1 a 1 com o Bacabal (MA). Grupos dos times do Norte na próxima fase:

Grupo 17: Rio Branco, Luverdense, Holanda e Remo.

Grupo 18: Águia de Marabá, Paysandu, Picos (PI), Sampaio Corrêa (MA).

CAMPEONATOS AMÉRICA DO SUL

Vai começar a Copa Sudamericana 2008! E embora o torneio tente se estabilizar como a segunda competição continental – atrás somente da Libertadores – a concepção do torneio tem recebido críticas ferrenhas. Segundo o jornalista Ubiratan Leal, da revista Trivela, O técnico do Libertad, do Paraguai, já afirmou que seu time jogará somente com os suplentes, por considerar a competição desleal. O time paraguaio é o da torcida do presidente da Conmebol, Nicolás Leóz, o homem da lista da ISL. A Sulamericana não tem critérios claros de classificação, o que costumava ser requisito básico para que o torcedor e o próprio clube, no tempo em que a premiação era menos importante que a relevância do título, “queressem” o caneco. São 8 representantes brasileiros, 7 argentinos e 2 dos outros países, incluindo América Central (este ano com Honduras) e do Norte (México). Indiferente a isso, o gordo prêmio e a promessa de farta distribuição de proventos de direitos de transmissão fazem com que o torneio acabe prevalecendo. Não há outra opção! Seria o caso de se pensar o formato e até mesmo a relevância deste tipo de torneio, já que a Copa UEFA, que reúne o chamado segundo escalão do futebol europeu também anda amargando baixa lucratividade. No entanto, em termos de tradição e respeitabilidade, não há comparação. Depois de Super Copa, Conmebol e Mercosul, a Sudamericana, se não for reformulada, corre o risco de também sumir do mapa.

* * *

Em ordem, seguem os clubes, por país de origem, que nesta terça-feira próxima começam a luta pelo segundo título mais importante da América do Sul:

Brasil: Grêmio, Internacional, Atlético/PR, São Paulo, Atlético/MG, Botafogo, Palmeiras e Vasco da Gama.

Argentina: Arsenal, Estudiantes, Argentinos Jrs, Independiente, San Lorenzo, River Plate e Boca Jrs (entram nas oitavas-de-final).

Honduras: CD Motagua.

México: San Luis FC, Chivas Guadalajara.

Venezuela: Aragua FC, Unión Maracaibo.

Peru: Sport Áncash, Universitario.

Chile: Deportivo Nublense, Universidad Catolica.

Colômbia: Deportivo Cali, América de Cali.

Bolívia: Blooming, Bolívar.

Uruguai: River Plate, Defensor Sporting.

Paraguai: Libertad, Olimpia.

SUB-IM NO CAMPO DO ROMA — 20ª COPA ROSE

Direto do bairro do Novo Aleixo, Zona Leste de Manaus. O único campeonato amazonense com imagens para todo o planeta, aqui neste intempestivo bloguinho.

Copa Rose C01 por você.

Clique nas imagens para ampliá-las.

E o jogo que conferimos foi aguardado com ânsias pela torcida e os palpites estavam acirrados. Torcidas de ambos os times lotaram o lado de fora das grades e atrás da linha de fundo para acompanhar, como disse um garotinho que passava, o ‘classo’.

.Radar …….                     .. …. .BolaBar

Como deve ser um bom jogo, era imprevisível. O BolaBar, último time a oficializar inscrição, estreava no campeonato, contando com um elenco que, segundo se comentava, fora campeão lá no Coroado. Enquanto que o Radar vinha de várias vitórias com largas goleadas.

O BolaBar, com jogadores experientes, realmente chegou para tentar dificultar a campanha do time da casa. Comandado pelo craque Tchaca (com a 10), em meados do 1º tempo, abriu o marcador. A garotada do Radar, também com suas experiências, apesar de mais jovens, tentava, mas não conseguia encontrar fissuras na zaga e no forte meio de campo do adversário, que ampliou, marcando o segundo ainda no final da 1ª etapa.

Depois que os ânimos das diretorias dos dois clubes, que quase ia parar na justiça civil, mas que, felizmente, acabou na justiça futebolística do Rosivaldo De Mulher, o Radar passou a pressionar, tentando diminuir a desvantagem, o que conseguiu com um chute de fora da área do craque Fabrício. O jogo ficou acirrado de parte à parte, mas quem quase garantia a vitória foi o Bola Bar, com uma bola no travessão no último minuto de jogo. E, como diz o ditado, quem não toma, faz, e foi o que fez o Radar, que empatou com um minuto de acréscimo. Final: 2 a 2.

E assim foi mais um dia inteiro de futebol comunitário em mais uma rodada no campeonato que não tem rainha, mas, em compensação, a morena Maura a cada campeonato está cada vez mais bela e, além de quebrar um galhão na organização do certame, enfeita os domingos no Campo do Roma.

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

CONSIDERAÇÕES SOBRE O HOMOEROTISMO NA CHAMADA 3A IDADE

A retidão da existência social na sociedade do consumo é também um produto. Um monopólio tão intenso que por vezes as pessoas sequer chegam a suspeitar de que possam existir outras formas do Existir. Estudar, namorar, casar, trabalhar, constituir família, ter filhos, a promoção, as férias, a aposentadoria, a morte.

Uma linha tanática que incide sobre o corpo como realidade política – política aqui não como a política eleitoral da democracia representativa, mas como produção de um com-viver entre as outras pessoas. Nesta realidade, qualquer produção que desestabilize a linha do humano, demasiado humano, da vida média, é tratada como desvio, e cabe ao Estado se debruçar para capturar, classificar e rotular essas produções, sempre com o intuito de eliminar o seu aspecto revolucionário.

Assim, dentro desta subjetividade “vida média” a que nos referimos, e que leva ao entendimento quase autômático de que um corpo só é produtivo enquanto é capaz de manter sua força-de-trabalho apta para o modo de produção do Capital, a chamada 3a idade surge como uma produção estereotípica que captura a maior parte das pessoas.

Ainda que alguns acreditem no marketing da melhor idade, chantagem implícita que procura imobilizar ainda mais os poucos que teimam em suspeitar que podem ser úteis – a maioria está tão triturada pela máquina do trabalho que não suspeita mais, nunca suspeitou – o enunciado que prevalece nesta subjetividade é o que imprime no chamado idoso a pecha de improdutivo e desnecessário.

Se levarmos em conta a população homoerótica que chega em idades avançadas, temos um problema ainda maior: são pessoas que são produtos de dois enunciados castradores da subjetividade vida média: a idade e a orientação sexual.

Se já é difícil encontrar territórios onde as produções desejantes dos chamados heteros idosos possam se realizar, no caso dos homos é mais difícil ainda: eles têm que lidar com a discriminação constantemente, ainda mais nesta idade.

O desejo sexual que não arrefeceu e não encontra meios de se realizar, a solidão, o isolamento são produções sociais, mas que são vistas na maioria das vezes como um fracasso pessoal. Não é uma luta que se dê somente no âmbito da psicologia das idades, mas também no das políticas públicas. Não da inclusão capitalística, onde todos estão incluídos na máquina trituradora das produções humanas, mas numa inclusão intensiva, que não tolere a diferença, mas que a deseje. A velhice, como o homoerotismo, é um outro gostar a vida, uma outra intensidade, nem menor nem maior que outros gostos. A velhice é um produção intensiva, quando a construímos. A terceira idade é a chantagem que procura capturar o que ainda restou.

De qualquer sorte, o surgimento de casas de abrigo para homoeróticos velhos, principalmente na Alemanha e na Austrália, é algo a se comemorar, desde que estes locais trabalhem sob uma perspectiva alternativa aos que já existem. Que permita que a intensidade dest@s velh@s possa aumentar sua potência de agir e que o Belo possa crescer num terreno fértil e produtor de bons encontros.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ GRUPO HOMOFÓBICO DE LESBOS PERDE AÇÃO. A ação movida por um grupo igrejal que queria impedir as homoeróticas de usarem a palavra lésbica fracassou. Dimitris Lambrou, que patrocinou a ação, disse que vai continuar com a sua missão divina. O que ninguém perguntou a ele ainda é como ele pode se apresentar como representante de TODAS as habitantes da Ilha de Lesbos contra o uso da palavra, já que o que ele defende é a identidade de um povo. A briga, portanto, não seria jurídica, mas psicossociológica – ou moral mesmo, já que se trata de juízo moral, e não de valor. Além do mais, não se pode proibir o uso de uma palavra, que é patrimônio universal. Em quantas línguas se pode dizer lésbica? Lambrou terá que vencer uma batalha em cada ramo das línguas do mundo, até que a própria palavra deixe de constar nos léxicos e se transforme em letra morta. Não é mais fácil assumir, dondoca? Sentiu a brisa, Neném?

Φ NESTA ELEIÇÃO, NÃO VOTE EM CANDIDATO MACHINHO-MACHÃO. A ABGLT lançou esta semana a campanha “Vote Contra a Homofobia. Vote Pela Cidadania”, na qual recomenda às mais de 200 entidades que são cadastradas, a formalizar junto aos candidatos a prefeito de suas cidades, as reivindicações e propostas para o executivo e legislativo, que incluem a inclusão de políticas públicas para o segmento LGBT, além de incluírem em seu plano de governo leis de criminalização da homofobia. O documento também sugere um calendário oficial de comemorações, visando dar maior visibilidade à causa LGBT. Uóoooooultima idéia, maninha! Agora, uma sugestão desta colunéeeesima é: entenda que seu voto não é seu, mas de todos os habitantes da sua cidade, indepentende de orientação erótica. Não adianta votar num candidato que prometeu zil benesses à população LGBT, se ele for um patologizado parasita do erário público. Vamos votar por nós e por todos! A inteligência gay mostrando como se faaaaaaaz! Ui! Sentiu a brisa, Neném?

Φ LACI APELA AO STF PARA OBTER LIBERDADE. Fosse banqueiro e apaniguado de Gilmar, o sargento Laci já estaria solto há muito tempo. O STM (Supremo Tribunal Militar) demora no julgamento do mérito do seu habeas corpus. Laci apelou para o STF, sabendo muito bem que não é banqueiro, nem amigo do rei. Mas espera e confia. Fernando, também sargento e companheiro de Laci, em entrevista à Terra Magazine, prefere não comparar, mas no fundo sabe que se conseguir UM habeas corpus já está de bom tamanho. Não é orelhudo para ter dois expedidos em menos de 48 horas. Também não tem o dedo em cada falcatrua de colarinho branco cometida neste e em outros países. Seu “crime” foi assumir a sua orientação erótica, inconcebível nas hostes braziniquins, desejada por outros exércitos, o inglês, por exemplo. Uma prova de que as instituições brasileiras ainda não funcionam, já que não comprem sua função básica, que é garantir a existência da própria sociedade juridicamente instituída. Infelizmente, Laci está discutindo um possível habeas corpus para uma situação onde os réus deveriam ser os seus carcereiros. No Brasil, a Homofobia é institucional. Com H maiúsculo. Sentiu a brisa, Neném?

Φ CASAL GAY É REVERENCIADO NA NORUEGA. Gro Hammerseng e Katja Nyberg namoram há anos, e são as duas craques do time de handball do seu país. Gro é um fenômeno do esporte, e as duas, junto com suas companheiras, buscarão uma medalha nos jogos de Beijing. São admiradas e têm seu trabalho reconhecido. Não são vistas como algo “fora do normal”, e já derrubaram até o avoado dublê de cantor, Robbie Williams, que marcou touca num programa televisivo em que deu uma cantada em Gro, que respondeu ter namorada com uma simplicidade que deixou o inglês com cara de tacho. São bem sucedidas, e a sua orientação erótica é apenas um detalhe da intimidade que não interessa à imprensa norueguesa. Tanto que o fato surpreendeu à imprensa argentina de amenidades, e olhem que os argentinos são dados à aceitação do homoerotismo. Eles são, mas a imprensa, em qualquer lugar do mundo, parasitariamente, não. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

i iNDA TEM FRANÇÊiS Qi DiZ Qi A GENTi NUM SEMO SERO

@ O ‘CAPO’ DANTAS E A BRIGA DAS EXTREMAS. O relatório final da operação Satiagraha coloca o orelhudo DanDan na condição de capo de uma organização criminosa de lavagem de dinheiro e operações ilegais no sistema financeiro nacional (artigo 4o da Lei 7.492/86). Além dele, são 13 os indiciados, incluindo parentes e aderentes. Assinado pelo delegado Protógenes, que teve seu trabalho prejudicado pela parte não-republicana da PF, o relatório é um retrato das relações promíscuas entre Estado e iniciativa privada, independente da corrente ideológica e do país. DanDan não é privilégio da tribo dos braziniquins: os EUA, por exemplo, têm suas Halliburtons. Mas trata-se do Brasil, e neste aspecto, não há – à exceção do próprio Protógenes, do juiz De Sanctis, e outros aliados intempestivos da linha intensiva democrática, incluindo Lula – quem não esteja envolvido direta ou indiretamente em casos iguais. Ainda levará muito tempo até a poeira midiotizante baixar e a população saber realmente quantos e quais lados existem nesta estória. Mas uma coisa é certa: há envolvidos de ambos os lados, e quem tentar puxar para um lado ou para o outro, corre o risco de aparecer para a população como, no mínimo, parvo, tolo. Há de FHC’s a Greenhalgs, de PT a PSDB, numa circularidade que nada tem de intensiva. No tocante à subjetividade capitalística, não há diferença entre eles, e corre sério risco de engano quem se pautar pela carteirinha de filiação. Como diz o filósofo Deleuze, são as alianças intensivas que valem e mostram quem está de qual ou tal lado. E a esquerda não é um lado; não se faz pela oposição à direita, mas pela criação de uma nova perspectiva: daí seu aspecto incapturável. Coisa que nem a mídia direitista, nem os partidos clubes-de-coleguismo, nem os não-petistas do PT conseguem alcançar, sequer compreender. I inda tem françêis…

@ CELSO AMORIM, PROFESSOR DE DEMOCRACIA. A farsa nada farsesca em que se transformou a rodada Doha deixou evidente o seu aspecto ilusório nesta última reunião. Enquanto a representante estadunidense, Susan Schwab, tentava jogar a responsabilidade do fracasso para os países em desenvolvimento, o ministro Celso Amorim mostrava porque a política internacional do Brasil saiu de uma submissão inerte a um protagonismo internacional atuante. Amorim classificou o primeiro dia como totalmente inútil, e o segundo como rico em discussões, mas paupérrimo em decisões práticas. Enquanto aos países desenvolvidos interessa a abertura dos mercados dos países chamados pobres ao neo-industrialismo, os chamados pobres e em desenvolvimento querem o fim do embargo econômico fantasiado de subsídio aos alimentos e uma abertura mínima dos mercados dos países ricos. Susan, como os israelenses que massacram os palestinos, se aproveitou da fama de filha do holocausto nazista para criticar a posição de Amorim. Este, mostrou que hoje em dia, nazistas são as antigas vítimas . Enquanto isso, o mundo vai se contorcendo, sofrendo com as convulsões da especulação mundial sobre o preço das commodities, que para alguns é dinheiro no banco, e para muitos, é comida na mesa. I inda tem françêis…

@ PROTEÇÃO PARA O BEBÊ E A GESTANTE é o que vem assegurar as novas normas para a maternidade. A primeira é a aprovação no dia 15 desse mês de julho, na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 7376/06, para a gestante desde a concepção do bebê ao parto. Pela proposta, o pai terá que arcar com a pensão, “na proporção do recurso dos dois”. A segunda é que Governo de São Paulo ampliou a licença-maternidade, infelizmente restrita apenas às servidoras públicas de São Paulo, de 4 para 6 meses. A terceira foi estabelecida pelo Ministério da Saúde, pela qual a gestante que optar por parto normal terá garantia de escolha de quarto de parto individual ou coletivo, com banheiro anexo, e ainda serão oferecidas todas as condições para mãe e filho ficarem juntos após o parto. Em relação à primeira, mesmo o sexo tendo sido realizado a partir do desejo do casal, ocorrida a chamada “gravidez indesejada” (ou pelo ímpeto da ocasião em que faltou preservativo, ou por acidente com este, etc), se o rapaz quisesse abstrair-se das responsabilidades, a mulher arcaria sozinha com todas as despesas até o parto. E muitos casos se conhecem nos quais isso continuava depois do parto. (Que diga Pelé!). À segunda, é a primeira vez que falamos neste bloguinho de uma boa iniciativa de um tucano, mas que deveria ser universalizada para todos os estados, e não só para funcionárias públicas, mas para todas as empregadas, e não só para elas, também o pai deveria ter tempo disponível para participar ativamente da vida de seu filho não apenas com o sobrenome. A última diz respeito a uma estratégia do Ministério da Saúde para aumentar a opção por parto normal, o que, segundo opinião generalizada dos médicos, em condições normais, é sempre mais saudável à mãe e ao bebê do que a cesariana; quiçá venha ser estendida também às mães que optarem pelo parto cesariano. Dessas formas vão sendo garantidas importantes condições materiais para que um bebê que, dizem, não ter pedido para vir ao mundo fique contente em vê-lo e experimentá-lo. I inda tem françêis…

@ JOÃO CÂNDIDO, O ALMIRANTE NEGRO, RECEBE ANISTIA 39 anos depois de sua morte. Ele, que organizou a Revolta da Chibata, em 1910, que exigia o fim dos castigos físicos aos marinheiros, os quais tinham sido abolidos com a Proclamação da República, mas que voltaram no ano seguinte: “Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo”. No entanto, a Marinha do Brasil, que mantinha o que tinha sido abolido com a escravidão, continuou depois, como na censura da música de Aldir Blanc e João Bosco, Mestre-Sala dos Mares, nos tempos da Ditadura Militar:

Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (…) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o ‘bonzinho’, disse mais ou menos o seguinte: “Vocês não então entendendo… Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc, e não é aí que a coisa tá pegando…”. “Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor”. E, como se tivesse levado um ‘telefone’ nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa: “O problema é essa história de negro, negro, negro…”.

Deixamos aqui nestes franceses a letra original, sem censura.

Mestre-Sala dos Mares

Há muito tempo nas águas da Guanabara

O dragão do mar reapareceu

Na figura de um bravo marinheiro

A quem a história não esqueceu

Conhecido como o Almirante Negro

Tinha a dignidade de um mestre-sala

E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas

Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas

Jovens polacas e por batalhões de mulatas.

.

Rubras cascatas jorravam das costas

Dos negros pelas pontas das chibatas

Inundando o coração de toda tripulação

Que a exemplo do marinheiro gritava então

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias

Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais.

.

Salve o Almirante Negro

Que tem por monumento

As pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo.

Vamos que vamos

Pois quando não formos

Não chegaremos jamais

Aonde não tivermos ido…

CLINAMEN

___ oblíquas variações infinitas dos corpos ___

_______________________viscosidade___________opacidade_________Introduzidos no mundo pela crença que toda imagem é a forma real da matéria e que se realiza inquestionavelmente pelo conceito, muitos homens são incapazes de abstrações. Não podem ser artistas. Não podem criar. Não podem ser governantes.          Daí que são democratas só na idéia. _____________A muralha da China foi erguida para proteger seus criadores de inimigos invasores do norte.                       O povo arquiteto jamais viu os invasores. Os invasores nunca se mostraram diante da muralha.            Os arquitetos esperaram.                             Como não apareceram, teceram o tempo da espera que  foi apresentado para as posteriores gerações como história da muralha, a fortaleza da liberdade chinesa.                                    Em agosto começam as olimpíadas. Vários povos chegarão. Os arquitetos mostrarão a muralha.        Os povos escalarão. Satisfeitos realizarão seus desejos.                            Quem conquistarão? Os nômades, os imperadores, os comunistas ou os capitalistas?               Ainda existe a muralha da China?                   “A natureza humana, na sua essência imutável, instável como a poeira, não consegue suportar prisões; se se prende, ela própria depressa começa furiosamente a rasgar as cordas, até conseguir destruir tudo, a parede, as cordas e o seu próprio eu” Kafka                  ____________________Há profissões que foram engendradas pelo homem nos percursos de seus movimentos históricos.    A agronomia, a medicina, a engenharia são algumas.     Porém, existem profissões que não foram engendradas nos atributos naturantes do homem, e sim postas como necessidades artificiais da cultura capitalista.                    A publicidade é uma destas profissões.   Os publicitários publicaram seu manifesto esta semana, onde consta, como principal reivindicação profissional social, a posição contrária ao interesse do governo em querer estabelecer critérios de classificação às propagandas de alimentos e remédios. Acreditam eles que este ato é claramente uma forma de censura por parte do governo e que vai refletir no lucro das mídias, principalmente as TV’s. Elas que, segundo a lógica do marketing, têm sua base de sustentação econômica nas publicidades.  Sem publicidades elas não sobreviverão.     Não esqueçamos: muitos que operam nas mídias são proprietários de empresas de publicidade.          Logo, as mídias se irmanaram com os publicitários contra o governo                        Todavia, sabe-se que a publicidade é uma prática supérflua, que só foi possível emergir graças às armadilhas do capitalismo com sua força mágica de produzir uma sociedade da opulência cruel, como diz o filósofo Marcuse.           Ou uma sociedade de consumo, onde o desejo desapareceu, como indica Baudrillard.               Universo objetal das inutilidades fascinantes.    O que nos meados do século XX levou o escritor George Orwell chamar de “o fruto mais sujo produzido pelo capitalismo”.        Os antigos diziam: “O que é bom não precisa ser embalado”.     Mas a psicologia sensualista da publicidade, não lê este texto.        Precisa realizar seu lucro com os objetos-reificados lançados pela industria de consumo.      Não vê que o que ela chama de trabalho, não é nada mais do que parasitismo profissional.                                A publicidade vive do que os outros produzem. O que ela chama de trabalho não passa de psicodelismo sensorial audiovisual.          Embrulhar a boneca-hipnogógica para realizar o consumo.   Ou envernizar o produto com notas fascinantes.    Também, não ouve o dito popular: “Quem muito elogia uma coisa, esconde outra”.   Segundo informações sobre o mal da publicidade, os produtos que mais são veiculados pelas empresas televisivas são alimentos e remédios.          Os alimentos são responsáveis pelo aumento de doenças geridas pelos açúcares e gorduras, e os remédios por efeitos colaterais perniciosos à saúde, dado a abusiva automedicação.     Os publicitários ainda se consideram censurados quando são eles que, adeptos da mais baixa psicologia social, a psicologia do “otimismo”,  impõem um tipo de censura ao comprador, insinuando uma mercadoria que, juntamente com outros objetos da sociedade de consumo, agem sobre sua vontade, confundindo sua livre escolha. Já que o comprador é constantemente envolvido pelos signos-mercadorias do universo objetificado.         Não há qualquer humanismo na publicidade.     A publicidade não é ingênua.            Goebels, o senhor da publicidade nazista, conhecia muito bem esta lógica.           O publicidade carrega afetos que só aumentam as paixões e diminuem as ações.                      Nisso, ser um mau encontro de corpos materiais e imateriais.                                 “Sou um efêmero e não demasiado descontente cidadão de uma metrópole considerada moderna, porque todo o gosto conhecido foi subtraído tanto dos mobiliários e do exterior das casas quanto da topografia da cidade. Aqui não encontrareis os vestígios de nenhum monumento de superstição.” Rimbaud

MAROCAGEM ELEITORAL

Qualquer semelhança de tipos vivos com as marocas não é mera coincidência

Estamos iniciando neste bloguinho a apresentação de algumas marocagens eleitorais reais e virtuais, porém todas atuais. Se o possível nos realizar, estaremos publicando-as até o fim da campanha eleitoral. Mande as suas marocagens, que publicaremos. Os candidatos, antecipadamente, agradecem.

O VOTO É SECRETO?

Duas marocas conversavam:

Mas o voto não é secreto?

É!

Então, porque aquele abestalhado está vestido com uma camisa com a foto daquele candidato trambiqueiro?

Vai ver que ele não tinha outra para vestir.

Ou vai ver que ele é cabo eleitoral, está fazendo campanha, mostrando em quem vai votar. Isso é proibido.

É, tem gente que não se manca com sua leseira.

**********************************

Dois marocas inquietos:

A democracia representativa, com esta história de voto secreto, é a maior cascata.

É mesmo?

É. Tu num tá vendo que se o voto fosse secreto o eleitor não saberia nem quem era o candidato.

O candidato não faria propaganda para o eleitor adversário não saber em quem seu eleitor iria votar.

**********************************

No intervalo de um jogo de futebol, duas marocas marocam:

E aí, tu vai votar em quem pra prefeito?

A outra ficou calada.

É, tu não quer dizer porque o voto é secreto.

A outra foi até a porta, olhou a rua, e disse:

Eu moro nessa rua esburacada, sem água, sem esgota, sem nada, há mais de quinzes anos.

A primeira sorriu, e exclamou:

Êpa! O voto é secreto! Tu já tá revelando em quem vai votar.

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A jovem cabo eleitoral chegou na senhora e entregou um “santinho” de um candidato. A senhora, sem olhar, jogou no chão. A jovem, ofendida, sentenciou:

Mau educada!

Ao que a senhora, respondeu:

Mau educada não, minha jovem! O voto é secreto!

**********************************

Depois do segundo gol do Inter no São Paulo, o torcedor bradou:

Se eu morasse em São Paulo, eu votava no Maluf!

O amigo admoestou:

Ê, porra, o voto é secreto!

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Entre jaraquis fritos, farinhas, pimentas e amargosas, duas eleitoras marocavam:

Sabias que o maior inimigo da democracia no Brasil é o Lula?

Surpresa, a amiga perguntou:

Por que, cacete! O Lula é o maior democrata da latinamérica, poxa!

Por que ele acabou com o voto secreto. Tudo mundo sabe que a maior parte do Brasil vota nele, poxa!

EDUARDO BRAGA E O PATÉTICO DIREITO DE RESPOSTA

Ofendido, segundo ele mesmo, na sua “honra pessoal” e no seu “governo”, Eduardo ‘Guerreiro de Sempre’ Braga esteve na tevê Cultura ontem para exercer o que ele mesmo chamou de direito de resposta. Embora não seja candidato direto a nada e o direito de resposta não tenha passado pelo exame jurídico do Direito, Braga não se fez de rogado, e numa histeria televisiva de mais de uma hora, fez a grade de programação da emissora mudar para lhe dar um horário eleitoral gratuito fora de hora e de contexto.

Braga ficou irritado com a surra que o seu candidato levou na terça-feira, com perguntas contundentes e lúcidas do repórter Walmir Lima, do Diário do Amazonas. Não confundir, no entanto, a postura democrática do repórter com o veículo de comunicação no qual trabalha.

Embora todo o esforço de Braga ontem tenha sido no afã de atacar o Diário, o eleitor intempestivo sabe muito bem que a relação entre o governador e o jornal é tão íntima e promíscua quanto a relação dele com o seu ex-mestre (ex?), Amazonino Mendes.

Braga, visivelmente possesso, era rodeado por duas cadeiras vazias, e deve ter pensado como a canção: “naquela mesa tá faltando ele, e a saudade dele tá doendo em mim”. Acostumado a tratar seus subalternos com humilhações, chantagens e ameaças, Braga sofreu pela ausência de Walmir que, é claro, não participou da patética. Nem André Alves, do A Crítica, outro jornal visceralmente ligado a Bragas, Amazoninos e Serafins. Nas outras cadeiras: um acuado jornalista do Em Tempo, que mesmo a contragosto não fez mau papel diante da histeria, levantando boas bolas para Eduardo cortar; do outro lado, outro jornalista, do Jornal do Commercio, que também fez a sua parte na armação das jogadas para o centroavante Eduardinho Guerreiro entrar de sola na inteligência da população; na ponta da roda (nesta roda existe ponta), um subserviente apresentador, que só não chamou o chefe de patrão para não dar mais na vista do que já estava dando: “posso,excelência, posso?”.

Braga preocupou-se em rebater acusações. Principalmente a das obras inacabadas de Fonte Boa, quando Braga invocou o imparcial e justo testemunho do ministro Gilmar Mendes, que teria visitado em pessoa todo o Alto Solimões, examinando as obras e inaugurando algumas. Também apresentou contundentes provas (na velha prática do calhamaço de papel, usada para enganar professor por muitos alunos que não faziam o trabalho escolar) das mentiras sobre a contratação ilícita da SEPROR, do casal de comunistas licenciados VanEron. Em nenhum dos dois casos, houve argumentação, mas tão somente desqualificação dos acusadores.

Braga aproveitou para exaltar o pai, Carlos Braga, a quem classificou como seu mais valoroso conselheiro. Carlos Braga, o Pai, no entanto, não demonstrou o seu valor como um bom conselheiro, uma vez que permitiu ao filho tramar e executar este patético direito de resposta.

Uma ilustração da retidão e limitação do entendimento do mundo que carregam Braga e a mídia, tanto a que lhe apoiou quanto a que lhe fez o papel de rival ontem: Braga, quando teve uma “bola” levantada por um dos jornalistas sobre a questão da educação, afirmou ter conversado com Leonel Brizola e Jefferson Péres “quando eles eram vivos”. Iluminação mediúnica? Poderes paranormais? Um governador metafísico? Nada disso. Apenas a comprovação de que algumas pessoas construíram para si uma idéia de mundo tão reta, certa e compacta, que não escapa sequer uma brechinha para suspeitar. São pessoas que observam o mundo pelo olhar técnico. E, ao contrário de Pessoa, são técnicos dentro e fora da técnica. Não chegam sequer ao óbvio.

O que lembrou um outro episódio envolvendo o próprio Braga: num debate no segundo turno de uma eleição municipal, anos atrás, os candidatos Eduardo Braga e Alfredo Nascimento (hoje aliados) trocavam acusações. Braga apontou para Alfredo e o acusou de não cumprir promessas feitas no seu primeiro mandato, incluindo o metrô de superfície. Alfredo rebateu, devolvendo as acusações, e dizendo-se protegido por Deus, acusou Braga de, quando prefeito, não ter cumprido as promessas que fez, ter esquecido a população, e feito como Herodes: lavado as mãos.

Braga, que tinha retornado dos EUA, especialista em gestão pública, que estudou em um celebrado colégio de padres, que se vangloria da inteligência privilegiada, calou-se, sequer percebendo a toada do pajé maluco. Também seus assessores, todos cristãos e de “nível” cultural, não perceberam a lambança de Alfredo, que trocou Pôncio Pilatos por Herodes. A imprensa também se calou, se valendo daquele ditado popular: quem cala, consente. Todos perderam para Abílio Farias (letra de Domingos Lima), que pelo menos não faltou às aulas de catecismo, e apenas errou ao coroar imperador o sábio romano.

LULA E AS ELEIÇÕES? “ELEIÇÕES, TÔ FORA!”

Depois que Lula saltou de sua pessoalização Lula para a subjetivação política-social, TransLulAção, que lhe permitiu ser reeleito com percentual de votos desconcertante a seu adversário, Alckmin, a maioria dos que estão ligados diretamente à política partidária disputam e pretendem, em campanha, sua referência. Até adversários usam o recurso dos elogios para tentar esta referência para si. Como aconteceu na eleição passada com o candidato a governo, Amazonino Mendes, que, esquecendo ou se autocensurando o ocorrido depois do debate de Lula e Collor, disse, porque Lula afirmou ser Collor não caçador de marajá, mas de maracujá, que o metalúrgico não tinha linguagem de um presidente. Porém, a deferência não se resume só ao fato de alguém querer que Lula seja referência para si, mas que alguém seja referência para Lula. Neste caso, Eduardo Braga serve de exemplo. Nas eleições passadas deixou transparecer que Lula teve a estrondosa votação no Amazonas por causa dele. “Eu voto em Lula!” Ilusão pretensiosa. Lula teria os votos que teve aqui no Amazonas mesmo que o governador fosse Amazonino, Gilberto, Arthur, Belão, Pauderney ou Carrapeta…

O LULA “SARTA”

Nessa eleição, a caça ao Sapo Barbudo continua. Quase todos os candidatos a prefeito procuraram as notas elevadoras da subjetividade TransLulAção. Com exceção do candidato do PT, Praciano, ironia partidária, os da direita ultra-conservadora foram até Brasília em busca de uma atenção. Lá estiveram Amazonino e o candidato do governador, Omar Aziz. Este, divulgando, juntamente com a maior parte da mídia e a esquerda Oh, My Darling!, ser o candidato preferido do nordestino. Mas eis que Lula acaba com a pretensão calculista. “Sartou” das cavernosas explorações personalistas: “Eleições, tô fora!”, bradou alto e em bom som, ou tom. E foi mais incisivo: “Vou deixar as eleições para os partidos e para os candidatos”. Só não ouviu quem perdeu o pavio. Lula se nega a ser patrono, paraninfo, muito menos patrão ou pastor de qualquer um. E para impedir mais ainda o uso de seu nome e imagem por qualquer candidato, proibiu a ministra Dilma Roussef de se manifestar sobre as eleições fora de seu estado, Rio Grande do Sul. Sendo a ministra sua candidata para 2010, usar o nome e a imagem dela é o mesmo que usá-lo.

Então, reconfirma-se o que já estava confirmado: Lula não apóia Omar. Seu consolo é ficar mesmo com apoio de Eduardo, PCdoB e parte do PT. O resto são devaneios.

SEU JOÃO DA MATA E SEU ROMPE MATO NO TERREIRO DE MÃE VERA E PAI JAMES

Clique nas fotos para ampliá-las.

O magnífico e espaçoso terreiro de Pai James de Oxóssi e Mãe Vera de Oxum, situado à rua Suiça, no bairro Grande Vitória, estava no domingo passado mais uma vez organizado para receber filhos e convidados, adeptos e simpatizantes das autênticas religiões afro, para mais uma festa onde se vê toda a crença e beleza da Umbanda cultuada em Manaus.

Conversamos com Pai James, que nos explica os significados dessa maravilhosa festa em seu terreiro, e espalhamos aqui suas sábias palavras:

Na realidade essa festa é uma festa que a gente comemora todos os anos, no dia 17 de julho, o caboco João da Mata na cabeça da Yalorixá Vera de Oxum. Esse ano, aproveitando o ensejo, eu cultuo meu caboco Rompe Mato, mas por motivos de forças maiores, porque eu viajei, então eu aproveitei, na data da festa do caboco de minha mãe, pra fazer o meu também.

Tirada em um lugar sem nome (Consulte mais fotos ou vídeos aqui)

E então, trazido por Pai Ribamar, baixou o dono da festa, que veio fumar o seu charuto, beber suas bebidas, receber suas oferendas e abençoar a todos os presentes.

O caboco João da Mata é um caboco da minha mãe, que tem a função de curar, vem curar, minha mãe trabalha bastante com cura, até às vezes problema de loucura. Problemas que ocorrem por causa de entidades não zeladas, por exemplo. Ele é um mestre de cura. É um caboco de bandeira e é um curandeiro.

Em seguida logo veio também o outro homenageado da festa, Seu Rompe Mato, que chegou trazendo suas bênçãos e distribuindo-as a todos que aguardavam a sua presença.

O Seu Rompe Mato é quase a mesma coisa. O que muda é que Seu João da Mata é um caboco de bandeira e o Seu Rompe Mato é um caboco que ganhou título de Ogum. Ele é um Ogum das matas. Mas ele é um caboco que faz curas também. Ele é um quibandeiro, feiticeiro, guerreiro.

Enquanto a festa continuava, vários cabocos baixavam para compartilhar dessa festividade alegre e abençoada.

Para animar mais ainda, baixou Seu Josiano, trazendo seu vigor e sua alegria compartilhada nos pontos cantados e nos movimentos imprevisíveis.

Seu Josiano é um caboco de Nagô, irmão de caboco Risca, filho de Rei de Nagô. Ele é diferente, é festeiro. Geralmente ele abala ou chama as entidades da linha dele, ou até mesmo de outra linha, vira alguém, para que o caboco venha, para se manifestar, geralmente ele bota o chapéu dele. A gente vê um chapéu assim, parece não ter muito significado, apenas um enfeite, mas às vezes é um instrumento do caboco. Ele também é um caboco que trabalha na linha de cura, faz quimbanda.

E foi assim que Seu Josiano e outros cabocos passaram a virar os médiuns presentes e quando a madrugada chegou o terreiro estava cheio de diversos cabocos, que chegavam para comer, beber, cantar, dançar e abençoar a todos…

Pai James ainda nos falou da importância da Umbanda para o terreiro dele e de Mãe Vera.

O Candomblé que tem aqui em Manaus, é muito pouco tempo que ele existe, em vista de Salvador. Nosso axé é da Bahia. Aqui nessa Casa, nosso senhor é baiano. Eu sou filho de Ilídio Jorge Mascarenhas, da ilha de Itaparica, filho de Oxaguiã, da raiz de Opô Afonjá. Então, eu fui raspado por ele, minha mãe foi feita na Mina, depois teve de fazer obrigações no Candomblé. A gente teve a necessidade de fazer orixá, de passar para o Candomblé, mas não esquecendo as nossas raízes, de onde nós viemos. Nós começamos com a Umbanda, com maracá, banca de cura, logo depois tambores. Eu sou feito no Candomblé há 18 anos. Minha mãe tem mais de trinta anos no Candomblé, de Mãe de Santo. Mudaram algumas coisas, a gente só trabalhava com caboco, só com exus, agora não, a gente têm orixás, o que foi feito pra gente, temos de fazer nos nossos filhos também: raspagem, catulagem, saídas. Aqui em Manaus quase ninguém é Ketu puro; quase todo mundo veio da Umbanda, porque o Ketu puro não dá caboco, a pessoa fez santo, fica com o santo a vida toda. Na Umbanda não, a gente cultua exus, cabocos, que são chamados de catiços. Mas a gente não perdeu as origens passadas, continuamos fazendo aqueles toques de caboco, como essa festa de Umbanda, mas a gente tem as festas e as obrigações realizadas todo ano, e os filhos de santo são feitos e iniciados no Candomblé.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

Θ CHAGÃO PERGUNTA: O misterioso segundo uniforme pertence ao clube holandês AZ Alkmaar. A camisa em tom de azul não tem relação com as cores do clube, que é alvirrubro. Agora, o ‘Chagão!’ quer saber: que grande clube holandês está fazendo 100 anos este ano, junto com o Galo Mineiro?

Θ A GUERRA DO CAPITAL FUTEBOLÍSTICO. A FIFA grita daqui: “os clubes devem liberar!”. Os clubes arreganham de lá: “não vamos liberar!”. Jogadores fogem das concentrações de pré-temporada, alguns, mais submissos e emblemáticos, ficam no clube, mas demonstram claramente o desejo de ir-se a Beijing. Ronaldinho vai, Kaká, submisso ao patrão, não vai. Rafinha (Schalke 04) e Diego (Werder Bremen) não se apresentaram aos clubes a que pertencem, e a briga foi para o plano judiciário. Robinho tergiversou, mas calou-se quando o Real Madrid o “contundiu”. Messi se apresentou ao clube, mas quer ir. É com ele a batalha mais expressiva dos bastidores do futebusiness intergalático. Anos atrás, temerosa que as olimpíadas se tornassem um produto que concorresse com a Copa do Mundo, a FIFA retirou de seu calendário oficial o torneio olímpico de futebol. Com isso, a competição praticamente voltaria a ser amadora, já que nenhuma sanção legal obrigaria os clubes a ceder jogadores para os selecionados nacionais. A muito custo o COI conseguiu que a FIFA autorizasse que jogadores com menos de 23 anos, mais 03 de qualquer idade, fossem convocados. Neste ano, os clubes que têm mais força financeira engrossaram, e quase em uníssono, declararam não querer liberar ninguém. Blatter apelou até para o espírito olímpico, mas no mundo onde o verde dos dólares é mais importante que o dos gramados, e a imagem virtual dos direitos de transmissão mais lucrativos que a experiência do estádio, essas bobagens não contam. Nos tempos de Olimpia, quando os jogos interrompiam até as guerras, e eram um engendramento da democracia grega, não existia futebol, nem era necessário apelar-se ao espírito olímpico para convencer um atleta a participar. Aliás, os gregos não eram atletas, no sentido que a modernidade deu ao atletismo. O culto ao corpo deu lugar ao culto aos resultados e à mais-valia esportiva. Hoje, Blatter prova do próprio remédio. Foi através de uma brecha nas deliberações da FIFA que a ECA (Associação Européia de Clubes) conseguiu segurar os jogadores, e não deve perder a batalha. Se não faz parte do calendário da FIFA, o torneio olímpico não é oficial, logo, não se é obrigado a ceder jogadores profissionais para o evento. Blatter, um homem perigoso, vai descobrindo pouco a pouco que o parasitismo da FIFA não atinge mais os clubes mais ricos do mundo, que agem com a mesma desenvoltura que as grandes corporações internacionais, à margem das leis e comprando o impossível e o inimaginável. A revolução burguesa dos clubes contra o despotismo esclarecido da FIFA avança cada vez mais, e pode decretar o fim da era das seleções e dos confrontos internacionais. Ou isso, ou se combate a inflação de divisas, legais e ilegais, que corrompem jogadores e dirigentes, ou se está condenado a um futebol globalizado e pobre. A simulação do espetáculo matando o espetáculo.

Θ BRASILEIRÃO 2008 SÉRIE A. Dois rubro-negros, um descendo a ladeira, e outro subindo, se encontraram no Pelourinho. O carioca classe média escorregando pra pobreza, mesmo com a camaradagem global e arbitral, e o baiano, tal como o nordestino “com direito a escola e proteína”, como diria Tom Zé, chegando no topo. Mas o Grêmio, caso vença hoje, pode ser o pingo de tinta verde no paraíso vermelho-e-preto. No duelo Bundesliga, o Bayern Paulista perdeu para o Werder Colorado, o que não significa que tenhamos superado a síndrome. O Galo Centenário vai dormir na segundona, depois de uma inacreditável goleada sofrida pelo algoz, Botafogo, enquanto, brincando brincando no Brasileirão, o Sport chega perto da zona da degola. Alex Mineiro (Palmeiras) continua isolado na artilharia do certame, com oito tentos. Resultados:

14ª Rodada Série A – 19 e 20/07

Coritiba 1 – 0 Ipatinga

Cruzeiro 0 – 1 Goiás

Vitória 2 – 0 Náutico

Internacional 2 – 0 São Paulo

Botafogo 4 – 0 Atlético/MG

Portuguesa 2 – 2 Flamengo

Vasco 3 – 3 Fluminense

Sport Recife – Atlético/PR

Figueirense – Grêmio

Palmeiras – Santos

Classificação*

Flamengo  –  27

Vitória  –  26

Grêmio  –  25

Cruzeiro  –  24

São Paulo  –  23

Internacional  –  22

Palmeiras  –  21

Coritiba  – 20

Figueirense  –  19

Botafogo  –  18

Náutico  –  18

Goiás  –  17

Atlético/PR  –  16

Vasco  –  16

Portuguesa  –  16

Sport Recife  –  15

Atlético/MG  –  15

Fluminense  –  13

Santos  –  11

Ipatinga  –  10

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

Θ BRASILEIRÃO 2008 SÉRIE B. O Juventude perdeu a grande chance de encostar definitivamente no Corinthians e devolver aos alvi-negros a saudável ansiedade que lhe acompanhou durante todo o ano passado. Tudo porque o Ceará, o Vovô do Nordeste, deixou cair a bengala e o time paulista empatou no apagar das luzes. Na artilharia, enquanto Túlio quer fazer seus gols em outras paragens, Luiz Carlos, do Ceará assume a ponta, com 10 gols. Confira os resultados:

13ª Rodada Série B – 22/07

Paraná Clube 1 – 0 Barueri

Marília 1 – 1 Avaí

CRB 0 – 3 Fortaleza

Santo André 1 – 1 América/RN

Ceará 2 – 2 Corinthians

Bahia 1 – 1 São Caetano

ABC 0 – 0 Bragantino

Gama 2 – 0 Juventude

Criciúma 3 – 1 Brasiliense

Ponte Preta 2 – 0 Vila Nova

Classificação*

Corinthians  –  28

Juventude  –  24

Avaí  –  24

Barueri  –  23

Ponte Preta  –  22

Ceará  –  19

Vila Nova  –  19

ABC/RN  –  19

Santo André  –  18

Bahia  –  18

Criciúma  –  17

Paraná Clube  –  17

São Caetano  –  16

Bragantino  –  16

Marília  –  14

Gama  –  13

Fortaleza  –  13

América/RN  –  12

Brasiliense  –  11

CRB  –  08

  • Em roxo, os classificados para a Série A do Brasileirão ‘09; em cinza, os rebaixados para a série C.

Θ BRASILEIRÃO SÉRIE C. Dezesseis clubes já estão na próxima fase da série C. São eles: Guaratinguetá (SP), Icasa (CE), Salgueiro (PE), Luverdense (MT), Rio Branco (AC), Sampaio Corrêa (MA), Picos (PI), Campinense (PB), ASA (AL), Atlético Goianiense, Mixto (MT), Ituiutaba (MG), Noroeste (SP), Guarani (SP), Caxias (RS) e Brasil (RS). O Fast Clube fez que não foi, fez que foi, e quando resolveu ir não tinha mais avião. O time perdeu por WO para o Luverdense e deve pagar multa e sofrer restrições nos próximos campeonatos. A saber se a candidatura do presidente tricolor, Donmarques, à prefeitura de Itacoatiara sobreviverá mais tempo que o time que ele administra. Já o Carrossel Jaraqui pegou no Pará o que Maria (ou galinha, em outras versões) pegou na capoeira: 3 a 0 para o Remo, sem apelações. Menos mal que os holandeses do Rio Preto da Eva ainda têm chances de se classificar. Também na terra do Cubiu e do Mapará, o clássico entre Papão e Águia terminou no 1 a 1, e os da capital permanecem na liderança do grupo. Na última rodada da fase, o Holanda encara o Progresso (RR) em casa, o Remo recebe o Cristal (AP), o Paysandu vai ao Maranhão enfrentar o Bacabal, e o Águia vai a Tocantins, duelar com o Palmas. Tudo no próximo dia 27.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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