Arquivo para 29 de julho de 2008

MAROCAGEM ELEITORAL

Qualquer semelhança de tipos vivos com as marocas não é mera coincidência

Antigas e novas, reais e virtuais, mas marocagens reais. O que você está esperando? É festa democrática! É tempo de eleição! Quem não tem uma maroca ou um maroco para marocar não é democrata. Mande suas marocagens, a gente publica. Se preferir anonimato, não tem problema: sujeito oculto.

Os candidatos têm vivências, percursos, tropeços, trapaças, trambolhos, trambiques, chiliques, despistes, vigarices, calhordices, criações, produções, realizações, distorções, malversações, perseguições, muitos os, es e ões, pouco verbo e muitos cifrões, mas a democracia é pública e não dos espertalhões.

O Voto não tem preço

Não é mercadoria

É uma potência

Da democracia

O Gol e o Voto

Tu ouviu o que aquela mulher tava falando perto da banca do peixe?

Ouvi. “O Voto não tem preço. Não é mercadoria”. E não é mesmo.

Cumo já num é, se a vizinha trocou o voto dela por uma dentadura nova?

Ela não trocou, porque o Voto, como não é mercadoria, também não se troca.

Trocou sim, mulher!

Não trocou! Fez um acordo de no dia das eleições votar no candidato denturador. E como é acordo, ela pode quebrar. Além do mais, voto é como gol: só acontece no momento da votação. Quando o jogador chuta a bola pros fundo da rede, e quando o eleitor aperta a tecla. Aí acontece o Voto. Antes não é Voto, é só imaginação.

O Candidato e a Dentadura

Meu, essa eu não entendi. O cara é candidato, distribui dentadura, mas ele mesmo não tem dente.

É que a fome dele de comer o dinheiro público é maior que a fome de encher o estômago.

O Candidato Metademocrata

Pai Lumilam, aquele vereador que nas eleições passadas veio pedir sua proteção, tá aí fora querendo falar com ocê.

Ocê, diga pra ele que nenhuma entidade se permite ser enganada duas vezes. E diga também que o terreiro está muito bem e os santos mais ainda. E a comunidade já tem seus candidatos pra prefeito e vereador.

E se ele insistir?

Diga que, para o bem dele, desistir de concorrer, porque falei com os santos e eles disseram que ele vai perder feio, feio.

O Candidato Santo

Tu já viu o livrinho que aquele candidato tá distribuindo nos bairros? Menina, não sei como deixam um cara desses se candidatar.

Por quê?

O cara é um santo. Tudo que o livrinho conta é como se o cara fosse “assim” com Deus.

Será que ele não fez o livrinho para oferecer pra Deus e ganhar um cargo no céu, e não pros eleitores?

Acho que não. Se nós, que é simples mortal, sabe da vida suja dele, imagine Deus, que é um simples imortal.

Balançando a Bandeira

Ê, cara, levantando bandeira pra este candidato pilantra? Tu não tem vergonha?

Vergonha? Tô aqui recebendo uma parte do que ele já roubou de nós. Na hora do vamos ver. Na hora do aperta a tecla do som, tu vai ver quem vai aparecer cantando.

É, mas os eleitores que passam por aqui podem ser influenciados pelas tuas bandeiradas.

Qual é, meu irmão!? Tu acha que os eleitores ainda acreditam neste candidato?

Porra, e como eu faço pra arrumar uma boca dessa e resgatar a parte que ele me roubou?

Tá vendo aquele gordo ali com a camisa do flamengo, conversando com aquela lourinha?

Tô!

Vai lá com ele que o cara é gente fina. É dos nossos. Empresta a mão de obra, mas não empresta a consciência.

Ajeitando a rua e o voto

Tu viu aquele candidato que veio aqui e disse que vai ajeitar a rua se a gente votar nele?

E ele é pedreiro por acaso?

Bem que a nossa rua precisa ser ajeitada.

Mas tu é abestada como este candidato? Onde já se viu, há 300 anos que a nossa rua tá desse jeito e só agora ele vem aqui querendo nos ajudar. Ele quer é comprar o nosso voto. E isto é crime eleitoral.

Novíssima dentadura

Vizinha, tu tá de dentadura nova?

Tô sim. Bonita, né?

Vixe! Bem grande, né? Comprou onde?

Eu não comprei. Aquele candidato que passou aqui que me deu. Vai lá pegar uma.

Vou nada! Vizinha, não aceite essas coisas. A senhora nem sabe de quem era isso, e esse candidato só deu pra senhora votar nele.

Este não. Este é bom. Ele dá durante todos os anos. Não é só no tempo da eleição não.

Bom, nada. Se ele fosse bom mesmo, como ele já deu durante vários anos, agora que ele é candidato, no período eleitoral ele parava.

A Bola e o Voto

Se o cara vier e oferecer eu pego mesmo. Vendo o meu voto e não tô nem aí.

É por isso que todo mundo já sabe em quem tu votas.

Qual é? O voto tem sim preço, porque é meu. Então eu faço o que quiser com ele.

Nada disso! O voto é como jogar bola: tem que ser em conjunto. O voto é coletivo, porque tem que modificar toda a cidade. O voto não tem preço, porque ele não é uma mercadoria. O voto é uma potência democrática. Mas tu é delega mesmo, não toca a bola pros cumpanheiro, então não entende nada disso.

DONA MARIANA NO TERREIRO DO PAI SIDNEY DE OBALUAÊ

Olhei pro céu, vi uma estrela

Olhei pra terra, vi uma candeia

Olhei pro mar, eu vi maresia

Olhei pras matas, eu vi encantaria

Pai Batman de Dona Mariana 01 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

Foi lá na rua São Carlos I, no bairro do Monte Sião, Zona Leste de Manaus, no simples e autêntico terreiro de Pai Sidney, que os convidados se aconchegaram para aguardar a chegada de Dona Mariana. Conversamos com Pai Sidney, conhecido popularmente como Pai Batman de Dona Mariana, que nos falou do seu longo caminho partilhado na Umbanda.

Sou Pai Sidney de Obaluaê. Sou amazonense. Tenho 37 anos de idade. De religião tenho 27 anos. Pra eu entrar nessas coisas, eu não gostava, mas eu caí muito doente, aí minha mãe não acreditava, porque minha família a maioria era crente. Eu entrei por causa de um sacrifício mesmo, por necessidade, eu já tinha passado por vários médicos, por São Paulo, Rio, pra me curar, e eu não ficava bom. Um dia, uma tia minha viu que não era coisa de médico e mandou minha mãe me levar. Ela não acreditava. Quando eu cheguei lá eu encontrei a Dona Padilha na cabeça de uma senhora, que já vai pra dezessete anos que ela rufou. Se chamava Dona Maria do Seu Jacaúna. O pessoal só me conhece mais pelo apelido. Não tem problema nenhum. Todo mundo aqui no Amazonas me conhece como Pai Batman de Dona Mariana, desde pequeno. Mas o primeiro caboco que baixou em mim foi o Seu Sibamba, em 1981, por causa que o meu pai tava dando uma surra na minha mãe. Ela tava com oito dias de resguardo. Eu dormia numa rede e eu tinha uns nove anos de idade. Ele chegou embriagado tamanha 2h da manhã e queria que ela fosse fazer uma comida pra ele. Ela disse que não ia fazer, porque ela tava naquelas condições. Ele pegou e deu umas tapas nela. Ela disse que eu arrastei ele na mão, como se fosse um boneco, e joguei lá de cima. Desde lá, ela ficou querendo acreditar, mas não gostava desse tipo de religião…

Pai Batman de Dona Mariana 05 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 06 por você.

E não demorou para que a dona da festa, caboca Mariana, baixasse e trouxesse sua alegria e seu axé para compartilhar com todos que vieram para receber suas bênçãos, saudando a todos:

Hoje é pra nós todos um arraiar que eu faço de ano em ano. As pessoas que vieram me prestigiar, muito agradecida. Aqui ninguém tem empregados; nós somos empregados. A casa é nossa. Podem se servir. Fiquem à vontade. Participem da louvação e da brincadeira. Vamos brincar até a hora que quisermos. Que seja assim sempre, sempre, sempre…

No Rio Negro, mururés viraram flores

Na mata virgem, sabiá cantou

Eu sou a caboca Mariana

A bela turca que aqui raiou

Pai Batman de Dona Mariana 08 por você.

A esta altura o terreiro já estava preenchido de filhos e convidados, adeptos das religiões afro e simpatizantes, que vieram participar do arraial de Dona Mariana.

Pai Batman de Dona Mariana 12 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 13 por você.

E também outros cabocos vinham compartilhar seus pontos e compartilhar sua sabedoria com os presentes, como Seu Constantino, baiano grande, com seu chapéu de couro:

Tô vendo ele por essa mata escura

Trazendo sua boiada

Ele se chama Constantino

Baiano grande, chapéu de couro

Pai Batman de Dona Mariana 19 por você.

Sou baiano, mas não sou da Bahia; sou do Maranhão. Quando eu canto baía, não canto Bahia, de Salvador, canto baía do Maranhão. Sou de Codó, do maranhão. Lá vivi, matei, esfolei, tive muitos filhos, meus parentes. Hoje, num me convidaram, mas estou aqui de enxerido (risos!)…

Enquanto a fila de pessoas crescia para conversar com Dona Mariana, entramos na fila e conversamos com o zelador de santo, Pai de Pai Sidney, Josué de Oxalufan:

Eu sou Pai de Santo do Sidney de Obaluaê. Ele é abiã, já oborizado, e se preparando pra fazer o santo dele. Daqui a três anos ele vai fazer a iniciação dele no Candomblé. Ele faz parte da família de Oxalá, é neto de Frank de Obaluaê. Por enquanto ele é zelador de Umbanda, trabalha há bastante tempo, trabalhando com esta Dona Mariana, uma caboca de tambor de Mina. A Mariana foi uma das fundadoras do tambor de Mina, pouco difundida aqui em Manaus. Cultua-se muito a Umbanda mesmo, alguns Umolocô, apenas uns raros cultuam tambor de Mina. Ele trabalha com as entidades de esquerda: Maria Molambo, Seu Zé Malandro, Maria Padilha das Almas; mas não por serem de esquerda são diabos. São entidades com uma outra carga energética. O nosso coração está do lado esquerdo. (…) Caboca Mariana está em muitas cabeças, em todos os lugares. A Mariana do Sidney, essa que está aqui, ela vem na linha de marinheira. Porque a Mariana é uma entidade que vem como turca, como marinheira, como cigana e como índia. Mariana é um espírito encantado, ela não morreu, antes de ela provar da morte, ela sofreu a experiência do encante, foi morar no invisível. Vez ou outra ela vem. Ela era chefe das adoradoras de Maria, por isso é que ela se chama Mariana. Uma moça portuguesa que foi adotada por um turco, que se encantou também na batalha de Alcácer-Quibir, uma batalha que teve entre os cristãos e os muçulmanos. Nessa batalha, Dom João de Marabaia, encantou-se, e sultão de Atalã, que é o rei chefe dos turcos encantados, deu ordem para Dom João de Marabaia recolhesse essas entidades. Dentre essas entidades, estava Mariana, e ela se encantou com Dom João de Marabaia. Ela ensinou a ele as leis do Cristianismo, e ele, por sua vez, deu a ela riquezas e o sobrenome da Turquia. Por isso ela se chama Mariana de Alexandria. Na tribo dela tem muitas outras entidades nobres, fidalgas, baronesas, condessas, que vem á terra para praticar caridade, curar, jogar conversa fora, beber. Mariana é essa: é amor, é esperança, é caridade. Para quem precisa de ajuda, Mariana está sempre disposta a ajudar…

Pai Batman de Dona Mariana 18 por você.

Caboca linda é a caboca Mariana

Ela é a caboca mais formosa do lugar

É no luar que ela sai a passear

Ela flutua numa pedra que tem lá no alto mar

Pai Batman de Dona Mariana 16 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 09 por você.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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