Arquivo para julho \15\-04:00 2008



O DR. GREENHALGH E O “DESCONTROLADO”

No emaranhado dos signos-morais produzidos como virtudes para preservar ou alcançar um fim tido como necessário à felicidade humana, o signo-moral-controle aparece como um dos mais expressos nas relações entre os homens. Muitas vezes como sinônimo de educação. Virtude própria dos civilizados. Nunca perder o controle, mesmo nas condições mais adversas. O controle é essencial para atingir uma meta com eficácia. “Nada disso, menino! Espere! Aprenda a se controlar!”, advertem os pais. “Você foi vencedora, porque teve mais controle do que sua concorrente”, sentenciam os examinadores.

Puro sofrimento. Todo aquele que está sob controle é um desesperado. Imobilizou todos os segmentos neuro-cerebrais-cognitivos que acionam os dispositivos que colocam os homens em inter e infra-relações com o mundo, multiplicidade produtiva. E nisso não há nada de educação, muito menos de civilidade, mas sim de tensão e servilidade. O controle é uma camisa de força. O estudante que objetiva o anel simbólico no fim do curso é um controlado. Nada pode fazer que fuja seu objetivo: mostrar aos outros, principalmente aos pais, sua “superioridade” de controlado. Ironia: uma existência constrita sob o olhar captativo do outro. Um insuportável ser-em-si: nada entra, nada sai. Sua síntese-controlada são seus fios-ajustadores. Orgasmo? Nem pensar. O sexo está controlado pelo dogma controlador que teme a vida. Não há como escapar: o controle é a vitória do medo contra a alegria. Os bons encontros precisam de afecções fluentes. Sempre o novo, nada de controle. Liberdade para as ações. Só é possível eficácia criativa em aventura, quando o sujeito da aventura é livre em seus afetos-descontrolados. Quando afetado por uma afecção-controle, jamais poderá vivenciar afetos-criativos.

O “DESCONTROLADO” E O DESCONTROLADO

Há profissões em que o controle é a mola (imóvel) exigida. Estas são profissões tirânicas. O profissional tem uma meta ditada por uma voz de comando. Uma voz cuja única verdade é sua idéia-fixa. Sempre individualista, nunca coletiva. O germe proliferador das atrocidades. Houve um tempo em que havia um certo Dr. Greenhalgh, inimigo da profissão tirânica. Ele existiu no terror da ditadura, que pretendia todos sob controle. Mas ele se opunha, pois era adversário dos controladores. Por tal, dispôs sua inteligência-jurídica e sua coragem a serviço da causa e da libertação de presos políticos. Dr. Greenhalgh era um descontrolado. Os afetos-livres lhes cortavam como existência fluente. Apanhado pelo vento da liberdade que o grande mestre-controlador, o capitalismo, queria destruir, o doutor nada temia: sua causa era humanamente socialista. “Cristã!”, diria seu excelso amigo, Cardeal Arns.

Hoje, há um Dr. Greenhalgh controlado. Controlado pela idéia funesta do capital fraudado dos cofres públicos. A idéia absoluta do capital: o roubo. “Não roubarás!”. O excelso Cardeal Arns não aprovaria. Mas o doutor está controlado pela idéia-fixa de defender o inimigo público do sistema financeiro nacional, Daniel Dantas. Controlado, ele sentencia de “descontrolado” o Delegado da Polícia Republicana, Protógenes Queiroz, como descontrolado. Só porque o Dr. Protógenes não se deixou controlar pela subjetividade dominante da rede corrupta tecida pela família Dantas SA e Ltda, que vem saqueando livremente o dinheiro publico, com o beneplácito de representantes de algumas instituições. Assim, o Dr. Protógenes é um descontrolado porque ajudou a descontrolar o controle que a rede DD detinha sobre as operações-assaltantes financeiras.

E, como diz o filósofo Sartre/Marx, “o homem é o que faz, e não o que pensa de si”, o Dr. Greenhalgh é este controlado pelo capital que seu cliente, DD, assaltou do país. Não o outro, “descontrolado”, que na ditadura acreditava nas liberdades democráticas fora da voracidade do capitalismo. Esse, agora, é virtual. Está tematizado. Não conta mais.

ATO E MANIFESTO EM FAVOR DO JUIZ FAUSTO DE SANCTIS E CONTRA A TENTATIVA DE CERCEAMENTO PELO ATÉ ENTÃO PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região que já havia se manifestado contra a atitude do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, em enviar cópias da decisão do juiz Fausto De Sanctis a respeito do habeas corpus de soltura de Daniel Dantas ao Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região realizou ao final da tarde de ontem um ato público em defesa da independência do Poder Judiciário. O ato, que contou com a presença e participação de De Sanctis, apresentou também um manifesto com assinaturas de mais de 400 juízes de todo o Brasil. Vão aqui publicados o texto do Manifesto dos juízes, seguido da resposta de De Sanctis.

MANIFESTO DOS MAGISTRADOS EM DEFESA DA INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL DOS MEMBROS DO PODER

Este é um ato de apoio, um ato de leitura de um manifesto que brotou espontaneamente na magistratura da terceira região. Exatamente por isto, embora se agradeça sumamente as presenças de todos neste dia, pedimos compreensão para a limitação dos objetivos que ora se propõem, e a palavra será circunscrita a este Juiz Federal, que ora vos fala.

Nós, juízes federais da terceira região, vimos neste ato nos solidarizar com o colega Fausto De Sanctis. Deve ficar bem claro que não estamos discutindo o mérito de nenhuma decisão judicial, mas sim a determinação do Ministro Presidente do STF de encaminhar cópias para órgãos correicionais ao final de decisão em Habeas Corpus.

Não podemos concordar com o ataque desferido contra a independência funcional que representa a abertura de procedimento investigatório a partir do próprio conteúdo de uma decisão judicial. Corregedoria, Conselho da Justiça Federal e Conselho Nacional de Justiça existem para apurar desvio de conduta de magistrado, não para investigar o que o juiz decide ou deixa de decidir. Sua liberdade decisória está no centro do sistema democrático.

O colega Fausto De Sanctis é magistrado honrado e respeitado na carreira, e decidiu de acordo com sua convicção. Não pode ser punido por isto de forma alguma. Devemos fazer constar também que, embora o Ministro Gilmar Mendes já tenha comunicado formalmente que não ordenou a extração de cópias para a instauração de procedimento investigativo, sua determinação continua nos autos, e nem mesmo o Ministro pode exercer controle sobre as determinações que os órgãos destinatários dos ofícios podem realizar a partir das cópias enviadas.

Enfim, este momento de inconformismo deve ser registrado. Não podemos aceitar passivamente que um juiz seja punido por suas convicções, com o desrespeito ao sistema judicial. Estamos atentos aos desdobramentos destes fatos, e não deixaremos nosso colega Fausto sozinho. Hoje, ele não é só o juiz Fausto, hoje ele é a Magistratura.

MANIFESTAÇÃO NO ATO DE DESAGRAVO DE 14.07.2008. FAUSTO MARTIN DE SANCTIS, JUIZ FEDERAL

Necessito externar meu profundo agradecimento a todos que neste momento delicado solidarizaram-se comigo.

Ao longo de minha carreira na magistratura federal, desde 17.10.1991, deparei-me sempre com situações que demandaram reflexões reiteradas. Na verdade, em se tratando de crimes financeiros, pode-se mesmo falar em casos artesanais, que demandam horas, dias e muito estudo.

Antes do papel do juiz, há o ser humano, que, como tal, é passível de erros diante do dedicado e delicado exercício intelectual e físico na busca da melhor solução e da verdade, tomando as cautelas para desembaraçar-me de quaisquer influências sem pretender desacatar qualquer autoridade deste país.

Em todas as situações, sempre tive a necessidade de me valer dos meus princípios, da minha crença e dos valores consagrados pela nossa sociedade, os quais se encontram insertos na Constituição e nas leis infraconstitucionais.

Os brasileiros podem se certificar que este magistrado, aliás, como a imensa maioria da magistratura, toma suas decisões, independentemente da origem, cor, sexo, idade, religião e condição social, com igual presteza, aplicando o direito penal do fato, jamais do autor.

Tenham certeza que continuarei perseguindo minha atividade jurisdicional porquanto abracei a carreira pública por convicção, sendo certo que minha ambição se restringe aos limites dos meus vencimentos líquidos. Nada mais espero.

O apoio dos colegas, do Ministério Público (Federal e Estadual), da Polícia Federal, de várias associações de classe, de advogados e juristas, da sociedade civil e da imprensa, na verdade, busca defender a independência e a livre convicção do exercício de toda a magistratura, preservando-se, em última análise, uma sociedade livre e soberana.

O DELIRANTE ARTHUR E SUA PROFECIA APOCALÍPTICA

Talvez dominado pela ânsia do grito de guerra da revolução francesa, “Liberté, Igalité, Fraternité”, que derrotou os reis e implantou o Estado Burguês, um dos pilares do capitalismo moderno, e para não deixar em branco a Tomada da Bastilha, comemorado hoje numa França em plena Sarkose Obsessiva, o vetusto senador Arthur Virgílio, conhecido carinhosamente nas vielas manoniquins como Arthurzinho ‘5,5%’ Neto, aproveitando-se do ambiente propício (o Senado, local de manifestações napoleônicas do bestiário semiológico psiquiátrico: Pedro Simon, Mão Santa e Cunha Lima que o digam…), proferiu a seguinte pérola da profetização pré-apocalíptica: “Não se justifica nenhuma tentativa de desmoralização da mais alta Corte de Justiça do país. Foi o enfraquecimento das instituições, aliado a um quadro de inflação, desemprego e corrupção, que criou o clima propício à instalação do Terceiro Reich, na Alemanha”.

‘5,5%’ Neto se manifestava, com a profecia, contrário à instalação de um processo de impeachment do ministro do STF, Gilmar Mendes, o Paranóico, no Senado. A medida está sendo cogitada pelo movimento dos Procuradores regionais de vários Estados que perceberam a agressão à sociedade brasileira que foi o habeas corpus ad eternum dado por Mendes ao “orelhudo” Daniel Dantas. Juízes federais também prometem se manifestar contrários à continuação de Mendes no cargo.

Leitura histórica condizente com a fama de “revolucionário de Copacabana” que o senador carrega, tendo demonstrado bravura durante a época da ditadura enfrentando de peito aberto as ondas da Princesinha do Mar, e só.

Preocupado com o enfraquecimento das instituições, Arthur nada disse quando seu ídolo-pop, FHC, então presidente, nomeou Gilmar Mendes para o STF, e parece não ter levado em conta as lúcidas vozes que se levantaram contra a degradação do judiciário.

Arthur não é dado a estudar. Já deixou escapar certa vez que vê em Nietzsche um filósofo de direita. Gosta de exibir um vernáculo elaborado, embora quase sempre use palavras fora do sentido que elas carregam. É adepto do culto ao significante, o vazio da palavra.

Por isso não pode compreender que, em matéria de instituição, no sentido de instituir: produzir no real uma função de ordem social que permita o fortalecimento da democracia, a Polícia Federal Republicana, nascida nos primeiros meses do governo de Lula, é, talvez, a única que poderia carregar esta denominação, e que, contrariamente à função social policial – não policialesca! – foi o ato de Gilmar Mendes, o paranóico, que enfraqueceu o Estado brasileiro como instituição.

Menos ainda espera-se do destemido senador que não confundisse a leitura sociológica, tomando os efeitos pelas causas. O quadro descrito por Arthur na Alemanha pré-nazismo não é causa da ascensão do Nazismo, mas junto com ela, efeito de uma política econômica de exploração de mercados de consumo e protecionismo estadunidense, consequência do capitalismo predatório, que precisa da miséria alheia para sustentar o vigor econômico das potências. Com algumas análises econômicas da atual “crise” econômica, comparando-a com a famosa crise de 29, Arthur resolveu repetir o canto do galo, que não sabe onde e nem o que cantou.

Com um senado cheio de “amigos” de Dantas, o valente amazônida, representante e defensor do governo que mais auxiliou o “orelhudo” a ficar rico ilicitamente, poderia até passar sem essa. Afinal, a população já está sacando a jogada, e, no ritmo em que vai, o senador, na próxima eleição que disputar, bate o próprio recorde de rejeição nas urnas. E volta pra Copacabana.

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

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# Ontem, na casa do Pablito, ao sabor de algumas batidas de maracujá, limão cupuaçu, cana pura, e ao som do rock dos chamados lendários, mas tudo muito real, nada de místico-soul, no auge da pauleira, a Jofa lembrou da frase transgressora de Neil Young, “ROCK AND ROLL CAN NEVER DIE” (O rock nunca pode morrer), e mandou seu conceito-articulação (consenso entre dois ou mais princípios): “O que é que o rock e a cachaça têm de semelhante?” O Bafão, velho roqueiro-biriteiro, sempre novo para o rock, mas velho para babaquice, mandou sua resposta: “É que ambos não podem morrer!”. Aplausos dionisíacos geral. Lembranças dominicais para poder encarar essa segundona TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual.

# A Clota, profundamente embodizada, liga pra mim pedindo para colocar na Vertebral seus comentários políticos sobre a im-posição anti política do PCdoB do Amazonas que não saiu com candidato para prefeito e preferiu permanecer como muleta da direitaça. “Vertebral, isso é loucura não democrática. A atitude do PCdoB mostra como prevalece a monopolização do partido pelo casal Eron/Vanessa! O que estamos vendo agora é prova cabal que não se formou dentro do partido uma consciência de grupo que pudesse, neste momento, argumentar contra o casal que se submeteu a interesses alheios ao comunismo. Ridículo, Vertebral! Como um partido não tem vozes divergentes!? Como durante anos ninguém discutiu internamente o direito socialista de cada um para gerir uma consciência múltipla? Nunca na história de um partido chamado de esquerda esta situação se fez. Agora está quase impossível alguém ser eleito vereador. Desta forma não se constrói o socialismo cabocão!”. Publicado, Clota.

# Os advogados de Daniel Dantas afirmaram que seu cliente vai permanecer em silêncio: não vai responder nada quando for interrogado pela polícia. Ironia. Os sábios têm o silêncio como a revelação da quietude do ser. Os crápulas têm o silêncio como confirmação de suas anomalias.

# “O mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos. Vai reduzir tuas ilusões a pó”. Sábio, Cartola. Cabe ao DD e toda a mídia/atrofiada que o protege e encontra-se também no mesmo “abismo que cavaram com seus pés (perdão, Cartola)”.

# Cantando a mídia/atrofiada com DD, aqui também temos nossa versão manoniquim: Contam que parte de nossa “engajada” mídia está com pavor do moinho da Operação Vorax. O DD cabocão, Adail Pinheiro, prefeito e ex-prefeito do município de Coari, também tem a boa mídia consigo no abismo.

# Novamente Chávez leva a melhor sobre o tiranete Uribe. Desta vez foi no quesito Estética Feminina. Faz parte do mundo das inutilidades da sociedade de consumo, com seus anseios objetificados, como disse o filósofo Marcuse, mas serve para tirar um sarro do afilhado de Bush. A Miss Venezuela, Dayana Mendoza, deu uma baile (como falava meu avô) na Miss Colômbia e ganhou o Miss Universal. Com todo respeito à colombiana, vai ver que ela até sente asco pelo tiranete, mas que ela ajudou Chávez a ser mais global, ajudou, quanto mais que a norte-americana escorregou novamente na casca de banana e caiu novamente. Beijos e abraços para as duas sul-americanas.

Todo dia é dia de Rock!

Venha com sua guitarra e me enforque!

Beijos e abraços Vertebrais!

OUTDOOR FORA DE PERSPECTIVA

O filósofo francês Baudrillard, em sua obra “À Sombra das Maiorias Silenciosas”, na que trata da refração de um enunciado constituído como volta do mesmo, afirma que as massas, hoje, já não refratam o que pretendem as sondagens, as pesquisas. Elas se ocultam em suas próprias vozes. Não refletem o que sempre esperaram delas: a confirmação de permanecerem esvaziadas de seus quereres. Existir apenas como respostas ao que interessa os que lhes sondam. O filósofo Nietzsche dizia que as massas são as individuações do eterno retorno como criação distributiva. Nada de imobilidade reativa que nega a vida. O que o psiquiatra W. Reich não entendeu com sua teria da “Psicologia de Massa do Fascismo”. Assim, nos dois filósofos, se entende que as massas não são uma unidade molar cuja expressão não é nada mais do que a ressonância dos interesses dos que imaginam tê-la sob controle como objeto de sondagem

DA ILUSÃO DA PERSPECTIVA

O filósofo Platão, apesar de seus delírios, dizia que uma imagem é a intercessão da luz do objeto e a luz do olho. A filosofia das Ciências Neuro-Ccognitivas diz ser a condição bio-química-energética do sujeito do conhecimento em relação com a matéria com suas vibrações, ondulações, evanescências que permitem a representação de uma imagem-idéia. Ou seja, a perspectiva depende tanto da matéria fora do sujeito quanto de sua constituição bio-neuro-mental. Nenhuma perspectiva depende apenas da vontade do sujeito. Foi entendendo esse signo fenomenológico que os renascentistas elevaram a perspectiva como vetor fundamental para criação de outra realidade. Principalmente os pintores. Tridimensionalidade. E a Psicologia da Gestalt, com sua teoria, figura e fundo. Campo fenomenal. O que significa: nenhuma perspectiva é elaboração fantasiosa.

A PERSPECTIVA DE DURANGO EM KID

A justiça eleitoral convidou a empresa Perspectiva suprimir das perspectivas dos caminhantes urbanos seu outdoor-pesquisa-Amazonino da via pública. Ela entendeu, como anunciou este bloguinho, que se tratava mais de insinuação do que pesquisa. Durango, o proprietário do outdoor – nome de personagem de revista em quadrinho, que não pretende livrar seus personagens do quadro -, se sentiu incompreendido, protestou, mas prevaleceu a determinação judicial. Ele não se deu por vencido. Entende-se: é tempo de eleição. Tempo de colheita. Tempo de faturamento. Apresentou outro(?) outdoor para confirmar o anterior. Ainda persuasão eleitoral. Adesivou o que acredita ser seus feitos de sondagens. Mostrou datas. Assemelhando-o com o anterior, cometeu equívocos e erros. No do “Quem você vota para prefeito”, com Amazonino com 49% e o amigo do comunista Eron com 17%, fazia propaganda de seu candidato. Clara, ingênua tentativa de persuasão a eleitores. Ingênua, pois o mundo é outro. Mas ele não sente. No de agora mostra megalomania: “A marca da credibilidade, e 2008 não será diferente”. Na “credibilidade” ele marca: nenhuma credibilidade existe se não for pela experiência direta de cada pessoa que passa a crer em si própria, não no julgamento de outro. Ou seja: viver é crer. Pesquisa não diz a existência de ninguém. A não ser na imobilidade numérica dos estatísticos, com sua subserviência ao mercado da teoria da publicidade para agradar o cliente. No caso da Perspectiva, a perspectiva de um candidato.

ONDE DURANGO ELIMINA A PERSPECTIVA

Para assegurar seu mercado de sondagem marqueteira, Durango em Kid mostra seus acertos. Sendo verdade, erros para a democracia. Mostra vitórias de seus clientes da direita. Todavia (fora de sua via), em seu “2008 não será diferente”, ele, para desespero de seu cliente, se auto-rarefaz: mergulha na superstição. Torna-se profeta. Prevê o futuro. Mata Deus. O futuro não mas pertence a Deus. Ele vê o nada futuro. Trama lingüística. Pegou legal: ou uma ou outra. Amazonino perdeu as duas últimas. “Durango Kid quase me pegou, eu dormi de touca” (Cesar Sampaio). Se acertou em 2004, Serafim está eleito. O gajo só tem que correr para o abraço.

Fim da perspectiva. Perceber é produto da co-relação sujeito-objeto. Entender é produto da práxis do pensamento. Singularidade do ser racional. Como no futuro não há objeto nem sujeito, Durango “dormiu de touca, morreu de medo, marcou bobeira”, ficou no “é isso e aquilo” sem o “não é nada disso”, muito menos o “eu quero todo mundo neste carnaval”. Por tal, não põe o “bloco na rua”. Assim, não dá outra: fica sem perspectiva. Então, 2008 será diferente de seu 2008.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

Θ CHAGÃO PERGUNTA: O verdadeiro quadrado mágico brasileiro da era de Ouro do futebol brasileiro era composto por Domingos da Guia, Leônidas da Silva (o Diamante Negro), Waldemar de Brito e Fausto dos Santos, a Maravilha Negra, que assumbrou os uruguaios na copa de 1930. Ídolo no Vasco, sofreu com a discriminação racial no futebol carioca e paulista, e foi fazer a vida no Barcelona e na Suíça. Jogou no Vasco de 1928 a 1931, e retornou ao clube em 1933 até 1934. Agora, o ‘Chagão!’ quer saber: Rijkaard, Gullit, Seedorf, Winter, Kluivert, Roy, Davids… Bons jogadores de duas grandes gerações da Laranja Mecânica dos anos 80 e 90. Nenhum deles é holandês, mas todos nasceram no mesmo país. Que país é este? Esta é facílima!

Θ O RANÇO MORALISTA DA IMPRENSA BRASILEIRA. Depois do baile improdutivo que o Atlético Mineiro deu no líder Flamengo, três jogadores do clube foram afogar as mágoas num sítio, levando algumas garotas. No meio do agarra-agarra, do beija-beija, do chupa-chupa, do pega-pega, do lambe-lambe, o atacante Marcinho resolveu agredir uma das moças, porque ela se recusava – com toda a razão – a transar sem preservativo. Na delegacia, o dublê de craque, de machinho-machinho virou santo a posar de vítima dos enredamentos da femme fatale. E adivinha quem entrou na conversa? A IEER, é claro! Não é de hoje que a relação mais promíscua do futebol não é entre jogadores e garotas de programa (Hebe? Ana Maria Braga? Márcia?), mas entre os boleiros e os jornalistas que vivem das migalhas que caem da mesa dos inflacionados financeira e marketisticamente – os chamados craques. Muito jornalista casado aproveita o “banco de reservas” da festa dos jogadores para faturar uma gatinha. Daí, quando pintam esses “deslizes” da moral falocrática, o corporativismo impera. A maior parte da imprensa se referiu ao fato como envolvimento dos jogadores do Flamengo com “prostituição”. Os papéis bem definidos na ordem hominista onde o macho sempre tem razão. Nenhum jornalista que este ‘Chagão!’ tenha conhecimento foi além da análise pseudo-picaresca, do olhar moralizado, colocando a questão em termos de análise social. Caberia enquadramento da Lei Maria da Penha nos jogadores, ainda que a agressão não tenha se dado no ambiente doméstico das garotas. Caberia, mais ainda, um desdobramento desta mesma lei contra a pequenez intelectiva e epistemológica desta imprensa.

Θ PLATINI ACERTA UMA, FINALMENTE! O presidente da UEFA, o ex-jogador Michel Platini, em reunião com ministros da União Européia, sugeriu uma medida para diminuir o caráter financeiro em favor do esportivo no futebol: a proibição da comercialização de jogadores menores de idade. Para o francês, um absurdo que enfraquece o caráter social do esporte. A dúvida será se o êxodo de craques sudamericanos cada vez mais jovens (como foi o caso de Messi e de Mauro Icardi, citado aqui nesta coluna) também será proibida. Os espanhóis adiantaram-se, aprovando a idéia, e citando o caso do talentoso meiocampista Cesc Fabregas, que não teve o prazer de desfilar nos estádios de seu país, sendo adquirido ainda menor de idade pelo Arsenal, da Inglaterra. De qualquer sorte, o impacto será realmente mais esportivo e social do que propriamente econômico, já que as cifras que enriquecem o mundo do futebol são menos dessas transações do que de outras, menos “usuais”. De qualquer sorte, a batalha de Platini será dura – terá de lutar contra leis de livre-circulação do Mercado Europeu – mas é válida. Até que enfim o ex-craque francês acertou uma!

Θ BRASILEIRÃO 2008 SÉRIE A. Tarde de clássicos, nesta “onzézima” rodada do certame nacional. Começando pelo clássico Leão-Timbu, onde os campeões do Brasil atropelaram, passando por Minas, onde, comendo pelas beiradas, o Cruzeiro teve mais trabalho que imaginariam os cronistas esportivos para vencer o centenário Galo, indo até a cidade maravilhosa, que teve o seu clássico dos milhões e da reconciliação das diretorias de Vasco e Flamengo. Dizem que após a derrota, o presidente Roberto Dinamite pensa em contratar Zico, o Galinho de Quintino pra técnico do mais querido dos luso-brasileiros. Desembarcando em São Paulo, o clássico dos pernas-de-pau, São Paulo e Palmeiras viu um tricolor segurar as pontas do verdinho, com um Luxemburgo a atrapalhar e nem sombra do sorriso de Valdívia. Descendo para o litoral, o clássico PEGA (Pelé-Garrincha) na Vila Belmiro, com um empate tragicômico, como diria aquele sociólogo de Baco. Segue o enterro, com retoques aqui e ali, na tabela, e com o tricolor das Laranjeiras passando o bastão lanternal para o Ipatinga, mas ainda na zona da degola. Enquanto desfilava a sua estupidez e insegurança sexual nas Minas Gerais, Marcinho (FLA) foi alcançado por Cleiton Xavier (Figueirense) e o voluntarioso Alex Mineiro (Palmeiras), todos com sete tentos. Resultados:

11ª Rodada Série A – 12 e 13/07

Fluminense 2 – 1 Vitória

Goiás 2 – 2 Coritiba

São Paulo 2 – 1 Palmeiras

Atlético/PR 1 – 1 Internacional

Santos 2 – 2 Botafogo

Cruzeiro 2 – 1 Atlético/MG

Ipatinga 0 – 1 Figueirense

Náutico 0 – 2 Sport Recife

Flamengo 3 – 1 Vasco

Grêmio 2 – 1 Portuguesa

Classificação*

Flamengo  –  26

Cruzeiro  –  21

Grêmio  –  21

Vitória  –  20

Palmeiras  –  18

Náutico  –  17

São Paulo  –  17

Figueirense  –  16

Internacional  –  15

Vasco  –  14

Sport Recife  –  14

Coritiba  – 14

Atlético/PR  –  13

Botafogo  –  12

Portuguesa  –  12

Atlético/MG  –  12

Goiás  –  10

Fluminense  –  09

Santos  –  08

Ipatinga  –  07

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

Θ BRASILEIRÃO 2008 SÉRIE B. É o festival dos péssimos ataques na série B. A regra é fazer só um golzinho por jogo, no máximo 3. Só a Ponte Preta ousou, e marcou três. No mais, o galinheiro fantasmático do certame segue firme e forte, e só os abnegados sofr… er, torcedores dos clubes suportam o festival de violências contra a pobre Leonor. Iludida, ainda viu uma cruel ironia, ver chegar um Vavá, que de aço não tem nem o cheiro, para ser artilheiro. O Timão tropeçou no filho pródigo, que um dia, se (o) Deus (dele) quiser, veste a sagrada alvi-negra novamente. Sem mais firulas, pois o certame não as merece, seguimos para a artilharia, que é toda do ataque vovô, com Vavá (não é trocadilho) e Luís Carlos, diretamente da praia do Futuro, com muita carne de sol na sede do clube, para comemorar a vitória no clássico. Mas Túlio Maravilha vem coladinho atrás. Confira os resultados:

11ª Rodada Série B – 11 e 12/07

Ponte Preta 3 – 0 Barueri

Vila Nova 1 – 1 Avaí

Marília 2 – 1 São Caetano

CRB 2 – 1 Brasiliense

Ceará 1 – 0 Fortaleza

Criciúma 1 – 1 Avaí

Gama 0 – 1 Bragantino

Santo André 1 – 1 Corinthians

Paraná Clube 1 – 2 Juventude

ABC 0 – 0 América/RN

Classificação*

Corinthians  –  27

Juventude  –  21

Barueri  –  20

Avaí  –  20

Ceará  –  18

Vila Nova  –  18

Ponte Preta  –  16

Santo André  –  16

São Caetano  –  15

Bragantino  –  15

ABC/RN  –  15

Bahia  –  14

Marília  –  13

Brasiliense  –  11

Criciúma  –  11

Paraná Clube  –  11

Gama  –  10

Fortaleza  –  10

CRB  –  08

América/RN  –  08

  • Em roxo, os classificados para a Série A do Brasileirão ‘09; em cinza, os rebaixados para a série C.

Θ BRASILEIRÃO SÉRIE C. Terceira rodada da terceirona, e só o Fast ainda não jogou. Deste lado da cerca, o Holanda, a laranja elétrica do Rio Preto da Eva sapecou uma goleada pra cima do Remo, que só não foi pior porque esqueceram de avisar ao clube amazonense que eram dois tempos: 4 a 3. Do lado de lá, onde o peixe liso é apreciado sem a superstição dos manoniquins, e o mapará dá uns 3 do pequenino que se acha por aqui, Papão e Águia fizeram o clássico regional, que terminou com vitória do azul e branco da capital, 3 a 1. E nesta quarta-feira, 16, o Fast pega o Luverdense, do Mato Grosso, em pleno Vivaldão. Vai lá!

Θ LIGUILLA URUGUAI 2007/2008. Superclasico uruguaio na quarta e penúltima rodada da Liguilla. Peñarol e Nacional entraram em campo praticamente para decidir a liderança do certame e uma das vagas para a Libertadores. A vantagem era do Nacional, que vinha de 3 vitórias, enquanto os carboneros, de uma vitória e dois empates. O estádio Centenário se enfeitou, e os mais de 45 mil espectadores viram um espetáculo da redonda. E o que eles viram foi um Peñarol arrasador, que matou a partida em dois tentos a zero, que poderiam ser tranquilamente mais: Carlos Bueno aos 8 do primeiro tempo, e Antonio Pacheco, de penal, aos 24 do segundo deram número finais ao jogo. Do outro lado, finalmente os Picapedras ganharam: abiscoitaram três pontos ao Defensor Sporting, campeão máximo do Uruguai nesta temporada. El Nacional, Defensor Sporting e Peñarol lideram o certame, cada um com 7 pontos, a uma rodada do fim, e estão quase lá. River Plate ainda tem chances de chegar à Libertadores, e Danubio e Rampla Jrs (remotas) de chegar à Sudamericana. Resultados:

1a Fecha (28 e 29/06)

Nacional 1 – 1 Defensor Sporting

Peñarol 2 – 0 Danubio

River Plate 2 – 1 Rampla Jrs

2a Fecha (02/07)

Defensor Sporting 3 – 0 Peñarol

Nacional 5 – 3 River Plate

Danubio 2 – 0 Rampla Jrs

3a Fecha (05 e 06/07)

Defensor Sporting 2 – 1 Danubio

Nacional 4 – 0 Rampla Jrs

River Plate 3 – 3 Peñarol

4a Fecha (12 e 13/07)

Rampla Jrs 2 – 1 Defensor Sporting

River Plate 0 – 0 Danubio

Peñarol 2 – 0 Nacional

5a Fecha (19 e 20/07)

Defensor Sporting – River Plate

Danubio – Nacional

Peñarol – Rampla Jrs

Θ SUB-IM NO CAMPO DO ROMA — 20ª COPA ROSE: Direto da Zona Leste de Manaus. Nos campos comunitários realizam-se por ano quantos campeonatos sejam necessários para os craques que saem para as torcidas de todo o mundo nas imagens aqui do bloguinho. Para quem assistiu já esse ano uma Copa Rose aqui no Chagão!, essa é a 20ª competição organizada pelo presidente da Liga do Roma, Rosivaldo ‘de Mulher’, ou simplesmente Rose, que dá nome ao campeonato.

Clique nas imagens para ampliá-las.

E ontem, entre os sete jogos que aconteceram durante todo o dia, debaixo de um sol de rachar a moleira, enquanto os torcedores procuravam uma sombra ou sombrinha nas linhas de fundo do campo ou no gradeado por fora, fizemos a cobertura de um destes jogaços:

….           …..Rouxinol…….   .   …… F.D.H – Filhos dos Homens

Os jogadores entraram em campo e o calor aumentou, pois as duas equipes estavam bem armadas, com bom toque de bola, marcação cerrada e jogadores habilidosos, ambas jogando “na bola”, como se diz por essas e outras partes da linha do equador onde não são necessárias as covardias que tanto se vê no futebusiness.

O primeiro tempo passou com os dois times tentando, mas parando nas mãos dos excelentes goleiros. Somente no segundo tempo, depois de uma cobrança de falta, o F.D.H conseguiu marcar. E assim permaneceu, mesmo com o Rouxinol pressionando pelo empate, até o final. Confira de perto mais imagens da partida.

Ao final, conversamos mais uma vez com o companheiro ‘de Mulher’, que falou sobre a organização do torneio, sobre outras atividades que a Liga do Roma realiza, sobre a importância econômica e social destas atividades, dos “políticos” que aparecem em tempo de eleição, e outras histórias…

É o 20º Campeonato do Rose, aqui no Campo do Roma, bairro do Roma, rua do Roma, tudo do Roma. Se inscreveram 24 times, mas até então só estão participando 18, que são os que pagaram direitinho a inscrição, que é de R$150,00. Ainda está aberta inscrição até terça-feira. A premiação está em torno de R$ 3 mil. 30% pro 2° lugar e 70% pro primeiro.

Da realização da Copa

O objetivo aqui é promover o esporte. Com o dinheiro que entra pro campo, cada time paga, então eu pago as telhas que quebram com a bola na vizinhança. Semana retrasada foram 70 paus de telha; semana passada foi 20; e hoje, graças a Deus e a pontaria dos atletas, são 4h e nenhuma telha quebrada. A limpeza do campo, interna e externa, também são pagas com este dinheiro. Tem duas secretárias que levam 20 reais cada. Paga-se também a água que os atletas bebem, tomam banho. O dia inteiro, é muita água. Eu faço um trabalho aqui até que era pra ser feito pela prefeitura, limpeza da rua, quando algum buraco tá muito grande, eu mesmo compro cimento e o pessoal tapa.

Das circualções econômicas

Vem pra comunidade o esporte em si. Vem também a renda financeira, pois se tem o esporte aqui praticado sábado e domingo, tem o pessoal que vem pra cá e merenda, almoça, as pessoas vendem lanche, picolé, pipoca, tudo. Então eu tô gerando trabalho, trabalho indireto. Direto são em torno de seis trabalhadores que trabalham comigo. São duas secretárias e quatro árbitros. A Liga bota no torneio um time da comunidade, e é a Liga que paga, a Liga botou um time no veterano e um no principal, cada um é R$ 150,00. Porque muitos jovens, e às vezes até adultos não têm renda, então a Liga dá essa oportunidade para eles brincarem, se divertirem.

Das produções comunitárias

Além do torneio, veterano (aos sábados) e principal (domingo), a Liga vai promover agora dia 19 o Festival de Verão, e em agosto a Festa Junina do bairro, que é a primeira vez que ocorre. Está tendo também um campeonato com as crianças, que eles jogam um sábado aqui, outro em outra comunidade, aqui no Roma, lá no Valdir Moraes, ali na Lidam, São José I, II, III, Jorge Teixeira até a IV etapa. São em torno de 100 crianças que nós temos o trabalho aqui. É a Liga que paga também a escolinha, paga para um rapaz ensinar, e até pra tirar também a criançada das armadilhas. É melhor ficar aqui no campo praticando esporte. É esse o trabalho que nós fazemos na comunidade.

Da eticidade da Liga do Roma

Já apareceu políticos querendo ajudar. Mas são ajudas que eles querem que antes de vir algum benefício pra Liga, eles querem que botem cartazes, falar no nome deles, mas não vêm ajuda. Eu não apoio nem A nem B. Se eles tiverem interesse em ajudar, o apoio que eu quero é pro esporte em si e pra comunidade. Eu já perdi assim de ter umas certas amizades, entre aspas, porque eles dão as palavras deles, mas é uma palavra negativa. Então não posso me queimar aqui com o pessoal que pratica o esporte. Então eu digo: “gente, eu tô prometendo o dinheiro que vocês me dão, da premiação, é o que eu repasso pra vocês. Se vier algum vereador, deputado, prefeito ou sei lá que diabo for, é ele que tá prometendo, não sou eu. Vocês têm que cobrar dele. Eu, de minha parte, não aceito, pra que não venha cobrança em segunda instância pra mim, entendeu? “Ah!, mas tu deixaste que o cara viesse, prometesse, mas o cara não deu e agora eu tô cobrando de ti”. Então eu nem permito que eles façam isso, que se sintam iludidos pelos políticos…

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

!ROCK!ROCK!ROCK!!ROCK!ROCK!ROCK!!ROCK!ROCK!ROCK!

Uiiii, meninas! Tem coisa mais rock do que gay? Tem coisa mais gay do que rock? Aproveitando o dia mundial do Rock, esta colunéeeeeesima publica um texto daqui mesmo do Bloguinho, falando sobre o rock e suas linhas intensivas, buracos negros e intensidades-gays. Aproveitem, coloquem pra tocar o som que toca vocês, e mandem brasa!

Dizem as loucas roqueiras que há exatos 53 anos, o radialista americano Alan Freed, usou o termo “rock and roll” para nomear o ritmo tocado pelos negros americanos nos subúrbios, e que pelo seu jeito de dançar, “requebrando as cadeiras”, era ofensivo a boa família cristã-branca norte americana. Chuck Berry, Little Richards, Fats Domino, Wilson Pickett não podem rebolar, é feio? Jerry Lee Lewis é branco, ele pode? Não, ele é branco, mas casou com a prima de 13 anos, toca fogo no próprio piano e anda no meio dos negros, além disso é feio. De nada vale o conteúdo sem a embalagem, diz a regra de ouro do marketing americano, já nos anos 50 era raposa velha.

E logo “descobriram” uma embalagem bonita, com rebolado na medida certa para abalar os coraçõezinhos das donzelas da classe média. E surge o rei, Elvis Presley! Garoto de ouro! Vendeu o rebolado do rock como palatável à classe média, serviu o exército, fez propaganda para o governo, e virou ícone de uma América branca, simplória e reacionária. Morreu inchado, abandonado, depois da decadência, cantando velhos sucessos em ritmo de balada, mas continuando a encantar as agora ex-menininhas da classe média, senhoras casadas e de boa família. RRC (Rei Roberto Carlos, dizem, até hoje imita o jeito “Elvis” de ser. Bom, ao menos a época decadente…)

No rastro do Rei, a televisão abriu um espaço (a contragosto, inicialmente) para os roqueiros negros e outros brancos, como Carl Perkins, que inaugurou o visual bafo-do-dragão no rock, e que compunha a maior parte dos sucessos doRei”, e Bill Haley and The Comets, que tem no sucesso “Rock Around The Clock” o chamado marco inicial do roquenrol.

Enquanto isso, na Inglaterra, o rock pintava, com os mesmos velhos três acordes, mas os roqueiros ingleses, diferente dos americanos, fazem composições melódicas diretamente do blues, do rhythm and blues, alterando a freqüência dos acordes. O resultado é um rock mais “seco”, que virá a ser a base melódica do roquenrol posterior, principalmente com Beatles, Rolling Stones e David Bowie. Do lado americano, Iggy Pop com o som do bate-estacas da indústria da construção e automobilística da cidade de Detroit, e Lou Reed, que com seu parceiro John Cale, formam o conjunto The Velvet Underground, que faz experiências com sonoridades menos convencionais, piano, violino, sussurros, abrem outra vertente do rock.

Oroquenrol também se meteu com a política, e esta, como fazer do homem em coletividade, não poderia passar sem tocar nos acordes roqueiros. No festival de Woodstock, em 1969, Joan Baez e Bob Dylan, mais uma turma de artistas engajados, que contava ainda com Carlos Santana, cantavam e davam toques sobre a guerra no Vietnam, mas no mesmo palco, outros grandes artistas, nem tão engajados assim, desfilavam sua porra-louquice, com direito a hino norte-americano na guitarra dissonante de Jimmi Hendrix, e que foi vendido como rebeldia, mas que era na realidade, um apoio incauto do roqueiro ao governo reacionário de seu país. Mas o companheiro Hendrix, após um papo com os engajados, logo compreendeu a importância política da sua música, e passou a regravar músicas de Bob Dylan. E mesmo que a geração Woodstock tenha, anos depois, composto a geração yuppie, da classe média norte americana, reacionária e mais preocupada com o bolso do que com o mundo, ainda assim artistas como Bob Geldof, U2, REM, Radiohead, Neil Young, Tom Petty, Sinéad O´Connor dentre outros, continuam levando ao roquenrol o engajamento e os toques da política necessária à existência.

Mas mesmo com esse toque político, o roquenrol aparece muito mais como o ritmo que influencia a música internacional e impulsiona a indústria musical e fonográfica. Indústria que se torna carro chefe da invasão mercadológica anglo-americana. Invasão bárbara, como mostra o cinefilosofante italiano Ettore Scola, em sua película O Baile. Daí em diante, as décadas seguintes são tomadas pelas mais diversas vertentes do rock, desde o experimentalismo e aproximações com a música erudita de Pink Floyd, Yes e o chamado Rock Progressivo, até os marqueteados Ramones e Sex Pistols, com as variantes Punks dos mesmos três acordes, passando ainda pelo heavy metal de Led Zeppelin (fortemente tocado pelos bluesmen, principalmente Willie Dixon, Robert Johnson e Muddy Waters) e Black Sabbath. Houve ainda Frank Zappa, para muitos o mais virtuoso dos roqueiros, que fazia música com inteligência, humor e experimentação. Daí explodiram as embalagens: heavy, thrash, death, indie, post-punk, new wave, industrial, melódico, psicodélico, garage rock, gótico, emo, grunge, britpop, dentre outras centenas.

No Brasil o rock, quando chegou, já era a pasteurização da papa anglo-americana, com os boys da classe média Rio-São Paulo regravando paródias de Beatles, The Animals, Beach Boys e outros, aproveitando-se da defasagem que havia entre o lançamento dos discos na Europa/EUA e no Brasil. Por muito tempo se ouvia versões “abrasileiradas” de músicas dos Beatles (de longe os mais parodiados), antes dos originais chegarem às lojas, quando chegavam. Com exceção dos Secos & Molhados (que influenciaram, com sua indumentária e maquiagem, os norte-americanos do KISS) e Mutantes, o rock dos anos 60 e 70 no Brasil passou em branco, ainda que Raul Santos Seixas, nos intervalos das viagens, tenha dado alguns toques importantes, e que o STRESS paraense tenha inventado o thrash metal.

Dos anos 80 em diante, somente do rock de butique viveu o brasileiro, com exceção (e somente durante algum tempo) da banda Sepultura, que chegou a experimentar com os tambores do Candomblé, mas que se perdeu nas idas e vindas do mercado internacional. No mais, não há nada a dizer, nada a aproveitar, que não seja necessário somente ao mercado e à sobrevivência da MTV. No Brasil, da força afetante dos corpos dos negros americanos não restou nem a réstia.

Rock’n’roll é tão fabuloso, as pessoas deviam começar a morrer por ele. As pessoas simplesmente devem morrer pela música. As pessoas estão morrendo por tudo o mais, então por que não pela música? Morrer por ela. Não é bárbaro? Você não morreria por algo bárbaro? Talvez eu deva morrer. Além do mais, todos os grandes cantores de blues morreram. Mas a vida está ficando melhor agora. Não quero morrer. Quero?” (Lou Reed)

O grito do negro africano rompe a dor da escravidão e no seu canto blue força as linhas dos possíveis e leva a guitarra para os guetos americanos nas primeiras décadas so século XX, até os perceptos (novas percepções) musicais, acompanhados da dança desmistificante do corpo e das canções livres da ditadura do dizer, devolverem-na com Bill Halley and His Comets, o ex-trombadinha Chuck Berry e o “efeminado” Little Richard atualizada no Rock’n’Roll, para o desespero das mocinhas brancas da tradição protestante estadunidense que, para permanecer imóvel em seu apartheid, tachou-a de música do Diabo.

ARMADILHAS DE DEVIR-MÚSICA

Se o Diabo é o pai do Rock é porque ele é o imprevisível, o intempestivo, movimenta o ser, faz aparecer o Novo. Agora Rei do Rock, só se fosse um caboco de Candomblé, mas os empresários encontraram justamente um garoto branco que vinha dos guetos e aprendera a cantar e dançar com os negros e elegeram a ele, Elvis Presley, o rei do rock de mercado. E o mercado soube explorar o espectro do rei até mesmo depois que ele, não suportando, se autodestruiu.

Assim como era armadilha a alienação autodestrutiva da Juventude Transviada de James Dean. Outras linhas de atuação, após a 2ª Guerra, diante da Guerra Fria, precisavam ser criadas; então, no final dos anos 50, o Rock foi aceito pela moralidade discriminatória, já que havia uma crescente classe média negra “respeitável” pra se conquistar. Mas eis que no início de 60, ao som de gaita e violão, surge o denominado folk-rock de Bob Dylan e Joan Baez, que, nas batidas da balada compunham a crítica ácida ao sistema e o envolvimento político, juntando-se a Martin Luther King na sua marcha pelos direitos civis (1963), reunindo os norte-americanos contra a Guerra do Vietnã (1964-1975).

A novidade da década de 70 veio da Inglaterra, de onde apareceu o envolvimento do rock com outras artes, com outras musicalidades, inclusive com a chamada música erudita, ligando-os às investigações existenciais, sociais, econômicas, etc: Pink Floyd e seus, entre outros, The Dark Side of the Moon, Animals e The Wall.

Mas do outro lado do Pacífico, nessa década se consolidam também as experiências de Frank Zappa, que, conhecedor da chamada música contemporânea, levará ao rock a dodecafonia dos ruídos, da percussão, colagens…, o que, juntamente com suas idéias, deram-lhe rapidamente pela falsa-moral que teima em não se desmanchar, o título de “maldito”.

Vindo também da década de 60, o Velvet Underground, banda protegida pelo pintor Andy Warholl, apresentou um dos roqueiros mais lúcidos da história do rock: Lou Reed. Muitos o apontam como o precursor do Punk. Passando pelo álbum “The Haven”, de 2003, com músicas baseadas em contos de Edgar Allan Poe, ele continua em seu trabalho constante musical e na composição de letras que são publicadas também como livros de poesia.

E no Brasil? O rock chega no Brasil através de todos estes e outros, mas quando se cristaliza é apenas como redundância ou degeneração. Se o diabo é o pai do rock, que toque receberam Barão, Paralamas, Titãs, Raul, Legiões, Porões, que participam do mesmo olhar alienado do mundo de Faustão, MTV, João Gordo, etc? O que fica do Rock é a fortuna fácil e a entorpecência ilusória. Nada de experimentos perceptivos que nem puritanos-ressentidos-morais nem apologistas percebem. No Brasil, o rock é tão levado a sério que Roberto e Erasmo são considerados astros do rock’n’roll.

Ao menos pode-se dizer, como já saiu aqui nesse blog, que no norte temos o Stress paraense bom demais, que é considerado o introdutor do heavy-metal no Brasil e na América do Sul, além de serem os criadores do trash-metal.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ JUSTICA RECONHECE CASAMENTO SÓ PARA DESCASAR. A 5a Vara da Família de Santo Amaro, interior de São Paulo, reconheceu a união civil entre dois homens. Um deles, que saiu de casa depois de um relacionamento de três anos, resolveu entrar na justiça para ter direitos sobre a casa, que foi construída pelos dois. A juíza, para reconhecer o direito, primeiro concedeu a união para depois dissolvê-la. O companheiro que saiu de casa, alegando discussões e brigas insuportáveis, queria também uma indenização por danos morais. Não conseguiu. A decisão sobre a venda da casa e sobre os danos morais agora está no TJ/SP. Ai, meninos e meninas, é triste. Não adianta lutar pelo direito ao reconhecimento da união civil, o dito casamento, se for pra reproduzir os mesmos códigos dos casais burgueses héteros. Não adianta o romantismo decadente da família tradicional, o casamento (esse casamento) sempre foi uma instituição que serviu mais à consolidação do Estado do que ao desenvolvimento do relacionamento entre as pessoas. Daí, não adianta, se for pra repetir os mesmos clichês, é melhor ficar como está. De qualquer sorte, ao menos juridicamente, nos casos em que o amor conjugal se revelar um engôdo, há como recorrer. Cruuuuuzes! Foge disso, Izeldinha! Sentiu a brisa, Neném?

Φ PEGA FOGO A DISCUSSÃO SOBRE O PLC 122/06. Já falamos aqui sobre a pesquisa do Data Senado que mostrou a aprovação popular do PLC 122/06, a criminalização da homofobia. Esta semana, o projeto entrou em discussão na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado.O principal ponto de discórdia é estabelecer o ato homofóbico (que pela nova lei, dará até 5 anos de prisão). Enquanto a relatora do projeto, a senadora Fátima Cleide (PT/RO), afirma que o projeto não cerceia a liberdade, mas garante a sua prática, inclusive na relação homoafetiva, a bancada evangélica (disangelista) é frontalmente contra, enquanto que entidade ditas cristãs, como a CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos) são moderados, mas temem que a lei seja usada como “revanchismo”, segundo seu presidente, o psiquiatra Uriel Heckert. Duas coisas chamam a atenção em relação à falta de argumentos dos opositores, menos e mais moderados: primeiro, do lado dos apocalípticos, vale a frase freudiana, “toda estupidez é produto da repressão”. Pela lógica paulina, menos é mais. Quanto menos conhecimento, mais fiéis. Daí a necessidade de manter a ilusão da interdição bíblica ao homoerotismo (Davi e Salomão dão risinhos frouxos…), mantendo os fiéis na ignorância do próprio sexo, se apropriando do discurso da sexualidade do início do século XX. Os disangélicos recém descobriram Kinsey (e não o entenderam). Segundo, do lado dos ditos cristãos, a moderação se oculta no uso do termo tolerância. Enquanto não se desejar a diferença, a discriminação vai continuar. Tolerar supõe a existência de uma hierarquia, onde os superiores aceitam as falhas e imperfeições dos inferiores. Desejar a diferença é a possibilidade de compor encontros e afetos que aumentem a potência democrática. Além do mais, quem conhece a história da psicologia e da psiquiatria como instituições normatizadoras do Estado não estranha a sua aproximação com a fé paulina. Psicologia, só a de Nietzsche, meu bem. No entanto, acreditar que uma lei irá acabar com a homofobia é coisa de bobinho, né gente. É culturalmente que se destrói um falso ídolo, e todos os ídolos são falsos. Ui, arrasamos Tetéia! Sentiu a brisa, Neném?

Φ EXÉRCITO VAI SER PROCESSADO POR HOMOFOBIA. O Condepe (Conselho Estadual dos Direitos Humanos – SP), junto com o sargento Fernando Alcântara vão abrir processo contra o Estado brasileiro por homofobia. O processo será baseado n lei estadual 10.948/01. Laci, companheiro de Fernando, ainda está preso. Os dois relatam a forma como estão sendo tratados pelo Exército Brasileiro: homofobia através de agressões físicas e verbais. Fernando, em matéria na revista A Capa, fala sobre os métodos de treinamento do exército e sobre as violências que seu companheiro, Laci, tem sofrido: “Os remédios (anti-depressivos) dele acabaram, e há toda uma burocracia para estes medicamentos entrarem. O exército não quer assumir a doença dele. Retiraram livros, rádio e um caderno onde ele escrevia. A tortura física parou, mas a psíquica continua diariamente. O meu maior medo é que ele saia com traumas psicológicos irreparáveis. “Todo mundo que passa pelas escolas das Forças Armadas é torturado. Eu fui torturado, aprendemos técnicas de guerrilha e contra guerrilha, eles chamam de Oficina da Tortura. Funciona assim: recebemos uma frase e quem conseguir manter em segredo por mais tempo ganha pontos e você passa por vários tipo de tortura: pau de arara, poste argentino (eles amarram você e pulam em cima), choques elétricos, espancamento com toalha, pois assim não fica a marca”. “Laci é torturado todos os dias. Não só ele, outros também. O torturador dele fica no mesmo espaço fazendo ameaças diárias, durante a noite fica fazendo barulho para ele não dormir, ele já ficou mais de três dias sem dormir”. Depois de uma tentativa fracassada de encontro com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a Condepe e Fernando tentarão um encontro com o presidente Lula. Estamos todos com eles, com ou sem Luciana Gimenez. Sentiu a brisa, Neném?

Φ MISS AMAZONAS GAY 2008. Uiiiii! O momento máximo das monas das terras manoniquins chegou! Pra quem gosta de concursos de beleza, não tem noite mais quentíssima que esta. Com desfiles das candidatas em trajes típicos e de gala, e produção de Brenda Lamask. O destaque é a presença da atriz Rogéria, a que causou furor no seio moralista dos deputados no final do ano passado. A vencedora deste ano representa o Estado no Miss Brasil Gay 2008, em Juiz de Fora, no mês que vem. Até o fechamento desta coluna, não temos confirmado quem foi a vencedora, mas que foi uma festa lindíssima, isso foi. Ah, não foste, Genoveva? Perdeu, maninha! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

18 ANOS DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E BRECHT; ENQUANTO GILMAR MENDES SOLTA O ‘ORELHUDO’…

Hoje, domingo, dia 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente completa 18 anos. Como potência libertadora da tirania e devir criativo, o estatuto revolve o conceito castrador de criança e adolescente e se mostra como práxis contínua de produção cidadã: o que não se nasce e só se faz como continuum criativo. Práxis de ontologizar a existência como possibilidade da alegria comunalidade.

Freud dizia que a criança é o pai do homem. Tem rastros de verdades, mas uma criança depende mais de seus percursos existenciais do que das suas condições de nascimento. Depende mais dos convites do caminhar, como disse o filósofo Buber. Depende mais das janelas abertas para ver outras paisagens. Terminar um olhar, como diria Nietzsche. O ECA pretende estes percursos, estas janelas e este olhar, mas nem sempre os caminhos, janelas e olhares mostram o novo para a criança criar seu sorriso de amor ao mundo e se tornar um amigo estético criador de uma sociedade com seu modus de ser potência ética alegre. Há sempre um Daniel Dantas. E sempre um Gilmar Mendes. Mas é exatamente por causa destas aparências ademocráticas que o ECA atua. Para que uma criança alegre possa fazer emergir o adolescente, o adulto e o ancião engajados na aventura ontológica do existir.

BRECHT NOS 18 ANOS DO ECA

Este bloguinho intempestivo, para auxiliar as crianças em novas formas de entretenimentos que as livre de experiências ‘danieldantizantes’ e ‘gilmarmendizantes’ dolorosas, selecionou uns poemas Brecht-Criança cheios de cortes capazes de enfraquecer o buraco negro da infância e adolescência da justiça capitalista.

O ALFAIATE DE ULM

Bispo, eu sei voar

Disse ao bispo o alfaiate.

Olhe como eu faço, veja!

E com um par de coisas

Que bem pareciam asas

Subiu ao grande telhado da igreja.

.

O bispo não ligou.

Isso é um disparate

Voar é para os pássaros

O homem nunca voou

Disse o bispo ao alfaiate.

.

O alfaiate faleceu

Disseram ao bispo as pessoas.

Era tudo uma farsa.

Sua asa partiu

E ele se destruiu

Sobre o duro chão da praça.

.

Façam tocar os sinos

Aquilo foi invenção

Voar só para os pássaros

Disse o bispo ao menino

Os homens nunca voarão.

.

O MENINO QUE NÃO QUERIA TOMAR BANHO

Era uma vez um menino

Que não queria tomar banho

E quando lhe davam banho, ele rapidinho

Ia se lambuzar na lama.

.

Um dia veio o Soberano

Subindo pela longa escada.

A mão correu a passar o pano

No menino de cara enlameada.

.

Mas não havia pano nem toalha.

O Imperador partiu

E o menino não viu

Por essa ele não esperava.

.

A AMEIXEIRA

No pomar tem uma ameixeira

Tão pequena, que ninguém faz fé.

Em volta dela há uma cerca

Que é para ninguém botar o pé.

.

A pequenina não pode crescer

Pois crescer ela queria bem.

Mas aí nada se pode fazer

Tão pouco é o sol que ela tem.

.

Nessa ameixeira ninguém faz fé

Porque nunca deu uma ameixinha.

Mas que é uma ameixeira, isso é:

Pelas folhas a gente adivinha!

Tradução: Paulo Cesar Souza

A PATOLOGIA SOCIAL E SEUS SINTOMAS: DANIEL “ORELHUDO” E GILMAR “PARANÓICO”

A subjetividade patológica orelhal DD é uma manifestação da patologia social. Gilmar Mendes, rábula de DD, é também uma manifestação. Ao passar por cima de todos os ritos, disposições legais, provas, bom senso e percepção do real, o ministro do STF indicado por FHC, não guarda escrúpulos em defender sua ligação essencial com o esquema de DD, e confirma a sentença do jurista Dalmo Dallari, em 2002, quando da indicação do rábula de DD ao STF: “falta-lhe a necessária reputação ilibada”.

A patologia social, da qual DD e Gilmar Mendes são manifestações, é a patologia de uma sociedade decadente. De uma sociedade cuja segmentarização é fruto do desaparecimento do Real como referencial ético-estético, inteligível e até mesmo perceptivo.

PONTUAÇÕES DA PATOLOGIA SOCIAL: a infância de um ressentido.

Na chamada temporalidade da existência, a patologia social se manifesta antes do nascimento: os signos (valores, referenciais, saberes, dizeres, certezas) que compõem o enunciado da sociedade de consumo já estavam aí antes de DD e de Gilmar Mendes nascerem. Uma criança já nasce carregando zil elementos patogênicos: expectativas, esperanças, desejos natimortos, frustrações, complexos. A maldição familiar. Todos júniores, netos e bisnetos. Moutinhos, Virgílios, Josués, todos júniores, capturados pela dívida familiarista que exige o sacrifício da individuação pela sobrevivência da reputação.

Aí se aprendem os primeiros conchavos, as primeiras chantagens, os clichês para sobreviver. Engalfinhar-se nas trincheiras familiares, nos interstícios de ódio entre pai e mãe, cambalear entre um e outro lado, assumir uma posição, ainda que sem o uso da Razão. A vida é competição, vencem os melhores.

A laminação dos elementos constituídos num processual de singularização que a criança é, fazendo com que o processo de clonagem produza indivíduos iguais/equivalentes não é diferente da operação sociopática que faz com que, no capitalismo, produtos tão diferentes quanto uma bicicleta e um saco de feijão sejam vistos como iguais/equivalentes. O valor de uso tem menos peso que o valor de troca, até que a operação de fetichização, o engôdo mágico do capital transforme-os em iguais, ignorando suas características individuadas. Como disse o filosofantes DEGA (Deleuze & Guattari), n´O Anti-Édipo, era impossível que os primeiros capitalistas não percebessem o que faziam. No capitalismo chamado pós-moderno, a produçao em massa de indivíduos, os clones, segue a mesma operação patológica.

Daí o “se dar bem” seja o modo de existir disseminado. A partir da indiferenciação com o outro, não é a coletividade que se fortalece, mas a ilusão da não-relação de causalidade e de comum-unidade entre as pessoas. Não é uma indiferenciação com o outro, mas do outro. A lógica do meu pirão primeiro.

No entanto, nada disso lhe captura de forma insuperável ou inevitável. Sartre, o filosofante francês que estudou as relações da consciência, e vislumbrou a consciência malograda do burguês, sabia que a escolha é feita sempre em liberdade. Escolher o já constituído, ser capturado pela lâmina da privação, é agir na má-fé. Uma consciência que não se dilui no Real como elemento ativo e construtor, mas se coloca ao sabor dos elementos que encontra. Uma insuportável consequência. E ser uma consequência traz suas consequências.

DANIEL DANTAS E GILMAR MENDES: uma semiologia patológica.

Ao ser abordado pelo delegado Protógenes no seu escritório, o “orelhudo” Dantas tomou o seu tranquilizante. Mesmo cercado pelas certezas que o mundo (dele) lhe dá (a imprensa favorável, juízes e desembargadores comprados, políticos profissionais aqui e ali, todos no mesmo bolso), ele sentiu. O sintoma de que algo nas certezas que constituem o seu Ser se abalou. Dantas entrou num território desconhecido. Até então, carregava a certeza de que todos têm seu preço.

Ao ver o seu habeas corpus se esfacelando frente ao brilhante trabalho da equipe do juiz De Sanctis, e da eficiência da PFR (Polícia Federal Republicana – sem tucanismos/pefelismos e sem petismos dirceuzados), Gilmar Mendes paranoicizou escutas na sala da presidência, a qual toma como sua. Se, para a psiquiatria, um policial sem farda é como uma criança desamparada e insegura, como ficaria o vetusto ministro sem a toga? Que verdades ele crê ocultar, que as supostas escutas da PFR não podem saber? Para Gilmar Mendes, só há um segredo (que é segredo para ele): tudo está na cara.

Patologias. Sintomas. Paranóia. Insegurança. Pânico. Nem os milhões roubados são capazes de comprar a segurança existencial que não se construiu ao enfraquecer as “certezas” do mundo. Aquele conformismo bem ao estilo classe média, que critica os políticos corruptos, mas explora a empregada doméstica, tiraniza os filhos, aniquila a esposa/o marido. Não há nada que incomode mais um patologizado pela imobilidade decadente do que ser tocado por um corpo democratizante, que carrega fluxos libertos. Por isso o “orelhudo” precisa do calmante. Por isso Gilmar Mendes precisa atropelar o sistema judiciário brasileiro para confirmar sua subserviência ao seu patrão, e se incomoda com o existir de um juiz De Sanctis. Dessa prisão, que eles construíram para si, não há habeas corpus que liberte.

Por isso é necessário não o conformismo do sorriso amarelo e da frase ressentida: “eu não falei?”, mas o humor, a alegria, a inteligência e a postura de eticidade, a fim de tocar na patologia social não apenas através de seus sintomas, mas em suas causas. Eis aí uma medicina filosofante (Nietzsche/Spinoza) que pode debelar essa patologia social, que permite o surgimento e a existência de um Daniel Dantas e de um Gilmar Mendes.

Em vez de serem apenas bons, esforcem-se

Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade

Ou melhor: que a torne supérflua!

Em vez de serem apenas livres, esforcem-se

Para criar um estado de coisas que liberte a todos

E também o amor à liberdade

Torne supérfluo!

Em vez de serem apenas razoáveis, esforcem-se

Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo

Um mau negócio.

(Bertolt Brecht)

i iNDA TEM FRANÇÊiS Qi DiZ Qi A GENTi NUM SEMO SERO

@ ESTÁ NA HORA DE SE PENSAR NUM IMPEACHMENT DO GILMAR MENDES”. O juiz aposentado, presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Wálter Maierovitch, em entrevista ao Terra Magazine, falou sobre o caráter nocivo que as ações do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em conceder dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, representam à ordem pública, bem como critica a posição do presidente do Supremo como abuso de direito. Para Maierovitch, existem documentos suficientes para provar o poder de corrupção de “uma potentíssima organização criminosa que age ininterruptamente”. Daí Maierovitch, apoiado no ministro Celso de Mello, sugerir que já é tempo de se pensar num impeachment para Gilmar Mendes. Um impeachment trata de uma impugnação de mandato, um processo de cassação de mandato do chefe do poder judiciário, seja na esfera federal, estadual ou municipal e pode ocorrer nos casos de crime comum, crime de responsabilidade ou abuso de poder. O ministro Celso de Mello já se manifestou favorável ao impeachment de juízes, o que poderia ser uma forma de controle, externo, da corporação. Uma vez que todos os casos que ocorrem o impeachment são em razão de salvaguardar o cumprimento da justiça e a dignidade moral de uma nação, sugerir o impeachment de Gilmar Mendes não se demonstra como nenhum exagero, dado os fatos que estamos acompanhando. O que lembra a fala do professor Fábio Konder Comparato sobre o “esfacelamento do poder judiciário”, onde diz que o juiz, agindo segundo o que é chamado de direito alternativo, não julga mais de acordo com a lei, mas de acordo com a sua consciência aquilo que ele acha justo. O que é um perigo evidente para a democracia, já que as decisões judiciárias não sairiam das leis que foram constituídas coletivamente, mas de consciências subservientes a subjetividades contrárias à liberdade democrática. I inda tem françêis…

@ MANIPULANDO A IMPRENSA. No Blog do Nassif está disponível texto ao qual a decisão do juiz de decretar a prisão preventiva de Daniel Dantas faz menção expressa. Neste texto está explicita o interesse em manipular notícias na imprensa com o objetivo de favorecer argumentos para as manobras jurídicas dos advogados de DD. A produção de factóides na imprensa que beneficie a organização criminosa é evidente no texto. No curso da investigação já ficou provado que DD direta e indiretamente manteve contato com vários jornalistas com o interesse de discutir matérias sobre seu caso na imprensa. Por razões jurídicas legais, trata-se de saber quem são estes jornalistas e quais as suas respectivas instituições para que as providências constitucionais sejam tomadas. Por razões éticas-políticas, trata-se de perceber como age uma mídia subserviente à subjetividade capitalística paralisada no lucro. Sabe-se que a grande mídia não age de acordo com a sua responsabilidade social/pedagógica em fazer da informação uma produção intelectual em prol de uma sociedade dos amigos com os mesmos propósitos: o bem comum. Uma sociedade democrática. Sabe-se também o quanto a grande mídia inventa notícias, produz factóides para se manter fiel aos seus clones inimigos do povo. Portanto, o fato de alguns jornalistas estarem em conchavo com DD demonstra menos uma corrupção solitária destes do que a equivalência de uma mídia, cognitivamente insuficiente, com um DD que representa mais um caso da subjetividade patológica do sistema capitalista. I inda tem françêis…

@ OPERAÇÃO “TOQUE DE MIDAS” NA CASA DE EIKE BATISTA. Ele foi mais conhecido quando era marido de Luma de Oliveira, com quem casou em 1991 e fez um “acordo” para a modelo não desfilar no Carnaval e nem posar para revistas “masculinas”. Com a separação, em 2004, dizem as revistas da alta fofoca, depois de Luma envolver-se com um bombeiro carioca, sua popularidade diminuiu. Bom pra ele. Pois em 2005 sua empresa MPX foi multada em mais de R$ 3 bilhões por apresentar informações falsas ao governo brasileiro. Em 2006 ele passou a ser visto pela mídia internacional como “especulador”, por ter contratos com a Petrobras considerados lesivos ao país. Ainda no mesmo ano uma siderúrgica sua foi escorraçada da Bolívia por Evo Morales, por ferir as leis do país. Apesar dos reveses, melhor para ele. Na surdina, ele ia se tornando o homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo (26% lugar), com uma fortuna avaliada no início deste ano em R$ 20 bilhões, segundo a revista Forbes. Impressiona mais que até 2005 ele possuía apenas R$ 1,6 bilhões. Ontem a Polícia Federal cumpriu doze mandados de busca e apreensão em três estados (Amapá, Pará e Rio de Janeiro), passando seis horas na sua empresa MMX e duas em sua própria residência. As suspeitas são de fraude em concessão de estrada de ferro, no Amapá, com privilégio da empresa nos processos licitatórios, e também suspeita de desvio de ouro e sonegação de impostos nas minas no interior desse estado. Não fosse o caso Daniel Dantas, essa ação da PF teria maior visibilidade. De qualquer modo, livre em sua atuação democrática, hoje, quando a PF bate à porta, inclusive do homem mais rico do Brasil, não é para visita de cortesia. I inda tem françêis…

@ MATEMÁTICA DA LIBERDADE. Na semana passada, durante as comemorações hollywoodianas do quatro de julho nos EUA, manifestantes fizeram suas vozes chegar até o presidente Bush com os ditos de “Fascista”, “criminoso de guerra”, “defendemos a constituição”, “processemos Bush”, “Estado policial“ e “ele trouxe o fascismo para a nossa terra”. No último dia sete, uma senhora de 61 anos, como está registrado em vídeo no blog O Biscoito Fino E A Massa, foi retirada por policiais e ameaçada de ser presa caso voltasse, por estar portando, durante uma das reuniões de debates públicos de John McCain (os chamados town hall meetings), um cartaz onde se via a seguinte equação: John McCain = Bush. A senhora realizou uma matemática da liberdade, posto que percebeu a igualdade entre dois corpos que diminuem a potência de agir das pessoas e da democracia. As falas dos manifestantes no quatro de julho sobre Bush se equacionam com as práticas de John MacCain. Os dois conservam o mesmo estado de coisas constituído da segmentaridade dura do capitalismo. Quando se sabe que na matemática a abstração não é apenas uma idéia, mas a representação do movimento da realidade efetiva, esta senhora se demonstrou uma matemática perspicaz. I inda tem françêis…

@ MPF/AM CONFIRMA A OPERAÇÃO VORAX. O Ministério Público Federal no Amazonas indiciou ontem 29 pessoas por crimes de “peculato”, “fraude à licitações” e “falsidade de documentos” (aqui), que já contabilizou, em 178 licitações montadas pela equipe da Secretaria de Obras da Prefeitura de Coari, o valor de R$ 25.228.631,88, que, transformada num grupo criminoso, fraudava licitações e desviava recursos públicos de convênios federais e “royalties pagos pela Petrobras por conta da exploração de petróleo e gás natural no município”. No entanto, segundo o procurador da república Marcos André Carneiro Silva, “a complexidade das fraudes é tamanha, que é praticamente incalculável o prejuízo ao erário causado por esse grupo criminoso”. O procurador salientou também que existem inúmeros outros crimes conexos que estão sendo investigados. O prefeito Adail Pinheiro, considerado o chefe da quadrilha, e o deputado estadual José Lobo só não foram indiciados porque têm foro privilegiado. Pelo visto o caldo ainda vai engrossar muito, inclusive para o lado do governo do estado. Mas da forma como a Polícia Federal Republicana está atuando, esse caldo ainda poderá ser repartido democraticamente perante à população em forma de serviços públicos. I inda tem françêis…

Vamos que vamos

Que quem foi já passou

De quem ainda não foi

Rumo aonde ambos não chegarão…

CARTA ABERTA DOS PROCURADORES CONTRA GILMAR MENDES PRESIDENTE DO STF

O Bloguinho Intempestivo reproduz aqui na íntegra a carta aberta de Procuradores e Juízes conta o presidente do STF, o patológico Gilmar Mendes, além da resposta de De Sanctis à acusação paranóide de Mendes sobre uma suposta escuta na sala da presidência do STF. O que ele tem a esconder? Para a população, nada. Tudo está na cara.

O texto foi retirado do site Conversa Afiada.

11/07/2008 18:27

MENDES É O GOLPE: JUÍZES E PROCURADORES PROTESTAM

O Conversa Afiada publica na íntegra a carta aberta de Procuradores e Juízes contra o Supremo Presidente Gilmar Mendes e um documento distribuído à imprensa pelo Juiz De Sanctis, que Mendes quer destruir.

Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4.

Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras

1.Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a
recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas
corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e Outros.
As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas
pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de
falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente
tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão
provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São
Paulo.

2.As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa
aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por
juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo
Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do
Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias
do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda
decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.

3.Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível
participação em tentativa de suborno de Autoridade Policial não
sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente
não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode
ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação
de órgãos estatais.

4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do
Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde,
desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que
decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade
brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco.
Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros
investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores
públicos o lado mais fraco da sociedade.

5.As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser
cumpridas, como o foi a malsinada decisão do Presidente do Supremo
Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não
podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições
democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a
falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.


Brasil, 11 de julho de 2008.


Sérgio Luiz Pinel Dias – PRES
Paulo Guaresqui – PRES
Helder Magno da Silva – PRES
João Marques Brandão Neto – PRSC
Carlos Bruno Ferreira da Silva – PRRJ
Luiz Francisco Fernandes – PRR1
Janice Agostinho Barreto – PRR3
Luciana Sperb – PRM Guarulhos
Ramiro Rockembach da Silva Matos Teixeira de Almeida- PRBA
Ana Lúcia Amaral – PRR3
Luciana Loureiro – PRDF
Vitor Veggi – PRPB
Luiza Cristina Fonseca Frischeisen – PRR3
Elizeta Maria de Paiva Ramos – PRR1
Geraldo Assunção Tavares – PRCE
Rodrigo Santos – PRTO
Edmilson da Costa Barreiros Júnior – PRAM
Ana Letícia Absy – PRSP
Daniel de Resende Salgado – PRGO
Orlando Martello Junior – PRPR
Geraldo Fernando Magalhães – PRSP
Sérgio Gardenghi Suiama – PRSP
Adailton Ramos do Nascimento – PRMG
Adriana Scordamaglia – PRSP
Fernando Lacerda Dias – PRSP
Steven Shuniti Zwicker – PRM Guarulhos
Anderson Santos – PRBA
Edmar Machado – PRMG
Pablo Coutinho Barreto – PRPE
Maurício Ribeiro Manso – PRRJ
Julio de Castilhos – PRES
Águeda Aparecida Silva Souto – PRMG
Rodrigo Poerson – PRRJ
Carlos Vinicius Cabeleira – PRES
Marco Tulio Oliveira – PRGO
Andréia Bayão Pereira Freire – PRRJ
Fernanda Oliveira – PRM Ilhéus
Luiz Fernando Gaspar Costa – PRSP
Douglas Santos Araújo – PRAP
Paulo Roberto de Alencar Araripe Furtado – PRR1
Paulo Sérgio Duarte da Rocha Júnior – PRRN
Cristianna Dutra Brunelli Nácul – PRRS

121 Juízes Federais da Magistratura Federal da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul) divulgaram carta aberta à população para protestar contra Gilmar Mendes:

MANIFESTO DA MAGISTRATURA FEDERAL DA 3ª REGIÃO

Nós, juízes federais da Terceira Região abaixo assinados, vimos mostrar, por meio deste manifesto, indignação com a atitude de Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o encaminhamento de cópias da decisão do juiz federal Fausto De Sanctis, atacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para o Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região.

Não se vislumbra motivação plausível para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico. Ao contrário, a independência de que dispõe o magistrado para decidir é um pilar da democracia e princípio constitucional consagrado. Ninguém nem nada pode interferir na livre formação da convicção do juiz, no direito de decidir segundo sua consciência, pena de solaparem-se as próprias bases do Estado de Direito.

Prestamos, pois, nossa solidariedade ao colega Fausto De Sanctis e deixamos clara nossa discordância para com este ato do Ministro Gilmar Mendes, que coloca em risco o bem tão caro da independência do Poder Judiciário.

Até às 17 horas de hoje, 11 de julho, os Juízes Federais abaixo identificados manifestaram-se conforme o presente manifesto, sem prejuízo de novas adesões.

1 – Carlos Eduardo Delgado
2 – José Eduardo de Almeida Leonel Ferreira
3 – Katia Herminia Martins Lazarano Roncada
4 – Raecler Baldresca
5 – Rubens Alexandre Elias Calixto
6 – Claudia Hilst Menezes
7 – Edevaldo de Medeiros
8 – Denise Aparecida Avelar
9 – Taís Bargas Ferracini de Campos Gurgel
10 – Giselle de Amaro e França
11 – Erik Frederico Gramstrup
12 – Angela Cristina Monteiro
13 – Elídia Ap Andrade Correa
14 – Decio Gabriel Gimenez
15 – Renato Luis Benucci
16 – Marcelle Ragazoni Carvalho
17 – Silvia Melo da Matta
18 – Isadora Segalla Afanasieff
19 – Daniela Paulovich de Lima
20 – Otavio Henrique Martins Port
21 – Cristiane Farias Rodrigues dos Santos
22 – Claudia Mantovani Arruga
23 – Paulo Cezar Neves Júnior
24 – Venilto Paulo Nunes Júnior
25 – Rosana Ferri Vidor
26 – João Miguel Coelho dos Anjos
27 – Fabiano Lopes Carraro
28 – Rosa Maria Pedrassi de Souza
29 – Sergio Henrique Bonachela
30 – Rogério Volpatti Polezze
31 – Wilson Pereira Júnior
32 – Nilce Cristina Petris de Paiva
33 – Cláudio Kitner
34 – Fernando Moreira Gonçalves
35 – Noemi Martins de Oliveira
36 – Marilia Rechi Gomes de Aguiar
37 – Gisele Bueno da Cruz
38 – Gilberto Mendes Sobrinho
39 – Veridiana Gracia Campos
40 – Letícia Dea Banks Ferreira Lopes
41 – Lin Pei Jeng
42 – Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira
43 – Fernando Henrique Corrêa Custodio
44 – Leonardo José Correa Guarda
45 – Alexandre Berzosa Saliba
46 – Luciana Jacó Braga
47 – Marisa Claudia Gonçalves Cucio
48 – Carla Cristina de Oliveira Meira
49 – José Luiz Paludetto
50 – Carlos Alberto Antonio Júnior
51 – Márcia Souza e Silva de Oliveira
52 – Maria Catarina de Souza Martins Fazzio
53 – Nilson Martins Lopes Júnior
54 – Fabio Ivens de Pauli
55 – Mônica Wilma Schroder
56 – Louise Vilela Leite Filgueiras Borer
57 – José Tarcísio Januário
58 – Valéria Cabas Franco
59 – Marcelo Freiberger Zandavali
60 – Rodrigo Oliva Monteiro
61 – Ricardo de Castro Nascimento
62 – Luciane Aparecida Fernandes Ramos
63 – José Denílson Branco
64 – Paulo César Conrado
65 – Alexandre Alberto Berno
66 – Luciana Melchiori Bezerra
67 – Mara Lina Silva do Carmo
68 – Raphael José de Oliveira Silva
69 – Anita Villani
70 – Higino Cinacchi Júnior
71 – Maria Vitória Maziteli de Oliveira
72 – Márcio Ferro Catapani
73 – Silvia Maria Rocha
74 – Luís Gustavo Bregalda Neves
75 – Denio Silva The Cardoso
76 – Fletcher Eduardo Penteado
77 – Leonardo Pessorrusso de Queiroz
78 – Carlos Alberto Navarro Perez
79 – Renato Câmara Nigro
80 – Ronald de Carvalho Filho
81 – Luiz Antonio Moreira Porto
82- Hong Kou Hen
83- Pedro Luís Piedade Novaes
84- Flademir Jerônimo Belinati Martins
85- Luís Antônio Zanluca
86- Omar Chamon
87- Sidmar Dias Martins
88- João Carlos Cabrelon de Oliveira
89- Antonio André Muniz Mascarenhas de Souza
90- Marilaine Almeida Santos
91-Alessandro Diaféria
92- Paulo Ricardo Arena filho
93- Hélio Egydio de Matos Nogueira
94- Ricardo Geraldo Rezende Silveira
95 – Cláudio de Paula dos Santos
96 – Leandro Gonsalves Ferreira
97 – Caio Moysés de Lima
98 – Ronald Guido Junior
98 – Clécio Braschi
99 – Roberto da Silva Oliveira
100 – Vanessa Vieira de Mello
101 – Ivana Barba Pacheco
102 – Simone Bezerra Karagulian
103 – Gabriela Azevedo Campos Sales
104 – Kátia Cilene Balugar Firmino
105 – Fernanda Soraia Pacheco Costa
106 – Leonora Rigo Gaspar
107 – Marcos Alves Tavares
108 – Jorge Alexandre de Souza
109 – Anderson Fernandes Vieira
110 – Raquel Fernandez Perrini
111- Adriana Delboni Taricco Ikeda
112 – Tânia Lika Takeuchi
113- Janaína Rodrigues Valle Gomes
114- Fernando Marcelo Mendes
115- Simone Schroder Ribeiro
116- Nino Oliveira Toldo
117 – João Eduardo Consolim
118 – Raul Mariano Júnior
119 – Mônica Aparecida Bonavina
120 – Dasser Lettiere Júnior
121 – Renato de Carvalho Viana

Juiz De Sanctis desmente que tenha monitorado Mendes:


INFORMAÇÃO À IMPRENSA

Em face da notícia veiculada nesta data sobre suposto monitoramento
pela Polícia Federal do gabinete do Ministro Gilmar Mendes:

Este magistrado federal, atuando na 6ª Vara Federal Criminal desde
17.10.1991, sempre acatou as determinações advindas das instâncias
superiores como, aliás, era de se esperar.

O respeito à Constituição e as normas dela decorrentes implica em bem
dimensionar o limite jurisdicional de atuação e, evidentemente, em
hipótese alguma, poder-se-ia vislumbrar ingerência em esfera alheia
de atribuição.

O respeito também se dá em relação aos ocupantes de cargos públicos,
sejam eles do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder
Judiciário.

A atuação deste magistrado pauta-se na sua convicção, sem qualquer
ingerência ou influência, tendo consciência da importância e do alcance
dos atos jurisdicionais que profere em nome da Justiça Federal.

A convicção de um juiz criminal afigura-se fruto de toda uma
experiência profissional e ela se dá de forma a atender as
expectativas da sociedade em ter, em seu magistrado, a segurança de uma
decisão ou de um julgamento legítimo e imparcial, dirigido a qualquer
pessoa objeto de investigação ou processo criminal, dentro da estrita
legalidade. Não pode ser admitida no funcionamento da Justiça Criminal
distinção de tratamento. Diferença física, psíquica ou econômica
ensejaria violação do preceito da igualdade já que a todos cabe a
sujeição à legislação penal, expressão de um povo, respeitando-se
a atividade regular do Estado.

Este magistrado tem consciência de que, como funcionário público, serve
ao povo, verdadeiro legislador e juiz, e para corresponder à sua
confiança não abre mão dos deveres inerentes ao cargo que ocupa,
sempre respeitando os sistemas constitucional e legal.

Jamais foi proferida decisão emanada deste juízo autorizando o
monitoramento de pessoas com prerrogativa de foro, como veiculado na
matéria jornalística. Convocada, nesta data, a autoridade policial
Protógenes Queiroz, esta afirmou perante este magistrado não ser
verdadeira a afirmação de ter monitorado a presidência do S.T.F., sendo
que todos os dados trazidos ao juízo, originam-se apenas de
monitoramento (telemático e telefônico) dos investigados, com a devida
autorização judicial.

Desde que identificado qualquer desvio de conduta por parte da Polícia
Federal, certamente este magistrado adotará medidas competentes.

A informação veiculada, totalmente inverídica, somente serviu para,
mais uma vez, tentar desqualificar as ações da Justiça Federal,
notadamente, deste magistrado, que tenta cumprir sua função pública de
maneira equilibrada, ponderada e pautada pelos princípios norteadores do
legítimo Estado de Direito.

A atuação jurisdicional conforme a Constituição Federal não pode,
s.m.j., levar à responsabilização de um magistrado que, tecnicamente,
sem ofensa a qualquer Corte de Justiça, decida questões que, por livre
distribuição, sejam submetidas à sua apreciação.

Fausto Martin De Sanctis
Juiz Federal
Titular da 6ª Vara Federal Criminal especializada em crimes financeiros
e em lavagem de valores.

CLINAMEN

___ oblíquas variações infinitas dos corpos ___

_____________________________Límpida__________Lisa______________________________“A emancipação humana só se realizará quando o homem individual real tiver absorvido o cidadão abstrato…” Marx                  O caso Daniel Dantas não é um caso Daniel Dantas.          É o caso de uma subjetividade patológica que tece pelo meio e pelas bordas o sistema capitalista que só sub-vive pelas crostas rígidas da perdição racional.        Uma subjetividade que se transmuda como replicância de células cancerosas escrevendo um código de quase imortalidade.            Nisso, não há Dantas sozinho. Se assim houvesse, o perigo seria maior, pois estaríamos diante de um deus teratológico capaz de fecundar outros monstros. O que nos permitiria acreditar que também outros deuses teratológicos poderiam existir e fecundar outros monstros.     O que aumentaria nossa existência Téo-Teratológica.                   Não foi por um felicíssimo acaso que Dantas enveredou-se pelo sistema financeiro.     Pelas maquinações bancarias.   O ‘gênio’ sabia que o banco é a fundamental abstração do capital transfigurada em real.  Real molar-econômico e místico apoiado na culpa do trabalho não consignado.    A força de produção que não enriquece.    Mas cria o suporte protetor do empresário.         Dantas só apanhou o já posto e cruzou os dados, para si, em jogo marcado por outros.  Sempre fronteiriço nos poderes auxiliares: executivo, legislativo e judiciário.  Personagens principais, e não coadjuvantes.            Nenhum homem é um homem, mas um humanismo.     Não importa de que tipo. __________ _______________________          “Em uma sociedade como a nossa, conhecemos, é certo, procedimentos de exclusão. O mais evidente, o mais familiar também, é a interdição” Foucault                        Lar Doce Lar!         Lá, só sabe  quem estiver lá.       Nunca fui lá.   Como posso saber o que há lá.    Entretanto, afirmo que há. Superstições.  Assim fingem os homens quando falam de seus saberes.          “Disse um campônio a sua amada: ‘Minha idolatrada, por ti faço o que quer. Por ti vou matar, vou roubar, embora tristeza me causes, mulher’” Vicente Celestino_______

_________________________Em 1990, portanto, há exatamente 18 anos, foi criado o ECA: Estatuto da Criança e do Adolescente.                Entidade cujo objetivo é afirmar e proteger os direitos naturais e sociais das crianças e adolescentes.            Passadas quase duas décadas, pode-se afirmar que houve mudança na maneira de tratar-se institucionalmente as duas existências.            Entretanto, se pelo lado institucional observa-se melhor atuação dos órgãos públicos referentes à violência, maus-tratos e, principalmente, a exploração sexual, por outro lado, o ontológico, em que expressa o modo de ser criativo e transformador da realidade opressiva pela própria criança e o adolescente, como autores da fragmentação deste mundo para a emergência de um mundo singular em que  não sejam apenas fantasia enunciativa futurista da culpa social do adulto, isso ainda é quase nada.            A proteção jurídica não é o fundamental.                É preciso mudar a subjetividade expressiva dominante com seu conteúdo alienante que permeia todos os territórios onde é possível sua atuação.                   É preciso modificar os conceitos de educação escolar, onde os saberes surgem diante deles como uma obrigação-dívida: aprender o que já está codificado para serem os “grandes guardiões” da verdade social.  Os ritualistas das palavras, fixadores de papéis como sujeitos falantes e proprietários do discurso com seus poderes e saberes, como fala Foucault.                     Quando o que precisam é atuar como Vontade de Saber: o que dispõe o sujeito cognoscente, antes de qualquer experiência, “a certa posição, certo olhar, e certa função: ver, em vez de ler, verificar, em vez de comentar” (Foucault).             Nisso implicam também as mudanças em suas forças de “entretenimento”, principalmente a perversa programação das TV’s, que, compulsivas pelo lucro, desviam o objetivo filosófico-pedagógico da infância e da adolescência.                                   De qualquer sorte, historicamente, longos parabéns!

___________________“Como qualquer um, o filósofo é aquilo que ele vive, e ele sempre vive, querendo ou não, o que tem de viver” Frédéric Schiffter

SEGUE A FARTA DISTRIBUIÇÃO DE MEDALHAS NA ALE-AM

Na Grécia, sociedade dos amigos, onde a filosofia, com sua potência itinerante vindo de fora, encontrou uma imanência capaz de se fundar como modo democrático de ser, haviam os deuses, os semi deuses e os homens, os mortais. Aí criou-se os entremeios valorativos das relações desses seres. Os deuses, superiores aos semi-deuses, os conduziam. Os semi-deuses, superiores aos homens, os conduziam. Na linhagem deísta, ambos tinham poderes de estabelecer ordem, classificação e julgamentos. Menos os homens, que se satisfizeram em criar um mundo com suas leis, mas sempre submetidas às leis dos deuses. Eis que um dia o semi deus Prometeu se aporrinhou, e resolveu trair o deus dos deuses: Zeus. Roubou-lhe o fogo da sabedoria e o entregou aos homens. Para quê? Criaram um mundo de babaquice, onde a vaidade em todos os seus espectros é a nota glamourosa da insegurança. Então, choveu festival de heroicidade. “Este é o melhor! Aquele é muito melhor! Sou mais aquele! E por que não aquele! Ora, ora, se todos são melhores, honras a todos!”.

O DEUS B(A)ELÃO

Ontem, quinta-feira(?), dia 10/07/08, foi manhã de distribuição de medalhas na ALE. Para maior charme: comenda. Desta feita foi a vez do Desembargador Arnaldo Carpinteiro Pérez, propositura do símbolo maior da ‘gratidão’, o deputado Belarmino Lins, alcunhado, para amaciar seu ‘grato’ ego, de Belão, mas no cyberspace, Balão. Como os deuses eram superiores aos semi e aos homens, aqueles sabiam muito bem quem eram estes. O que dava aos deuses o poder de homenagear quem bem quisesse. Assim fez o deus Balão. Conhecedor do Desembargador, propôs a sessão especial na casa.

O Desembargador foi à tribuna e discursou a sua existência de homem dedicado ao cumprimento das leis que lhe foram conferidas para protegê-las como autoridade do Estado. Teceu alguns auto-elogios no ardo cumprimento da jurídica profissão, agradeceu a homenagem, e deu por encerrado sua parte na tribuna. Em seguida foi ao púlpito o representante do governador, o secretário de governo, ex-deputado José Melo. Homem também muito ‘grato’. Vindo do SNI, foi grato aos ex-governadores Mestrinho e Amazonino, e, agora, grato a Eduardo Braga, e gratamente um dos nomes que aparece nas gravações da Polícia Federal na Operação Vorax. Evocou Deus para elogiar o Desembargador, mas não esqueceu de elogiar, também, os deputados pelos serviços prestados aos projetos do governo que representa. Elogio que ofuscou ainda mais o elogio de sua lavra ao homenageado.

BELÃO, O MORTAL

Belão estava que era só gratidão. Aquela que leva a mão ao peito, na impossibilidade de afagar o coração. Mas Belão não tem vocação para deus. Talvez de tanto ser grato não conseguiu a performance de um deus que sabe quem é o outro, e por isso lhe homenageia para se considerar superior ao homenageado. Belão deixou escapar sinais de que se sente um simples mortal, mesmo com todo reconhecimento de seu reconhecedor, o governador. Tudo que não queria deixar transparecer aos inimigos: sua singela insegurança. Se é que é possível um simples mortal ter inimigos. E o momento da grande revelação se deu quando o homenageado, deixando a posição abaixo de Belão, que o elevou a categoria Comenda Rui Araújo, subiu ao Olimpo e agradeceu sua escolha, por Belão, para receber a medalha e o elogiou, afirmando, diante de todos, os brilhantes serviços prestados por Belão ao estado do Amazonas. Aí não deu outra: Belão acusou o cruzado de direita: desapareceu da cátedra presidencial.

A FUCABEAM CONVOCA…

A FUCABEAM — Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas, em nome de sua presidente, Maria Emilia Borges, e a O.E.A.B — Ordem das Entidades Afro-Brasileiras convocam todos os senhores sacerdotes para uma reunião de cunho extraordinário na sede da Federação.

Rua Pintassilgo, nº 100, Quadra 2, Núcleo 2 — Cidade Nova (Manaus-AM)

Data: Amanhã (12 de julho) …… Horário: 18:30h

Fone: (92)3088-1254 // 3645-8722

POLÍCIA FEDERAL REPUBLICANA PÔS NOVAMENTE AS ARGOLAS NO ‘ORELHUDO’…

Menos de 12 horas depois de sair da carceragem da PF, o patológico orelhal, Daniel Dantas, voltou ao lugar ao qual pertence. O amigo de ACM e cria de FHC voltou a dormir na carceragem e por pouco não terá que acordar com a cara de Celso Pitta, que deve ter pensado: “sentiu saudades, amor?”.

O golpe de mestre a serviço da democracia foi dado pela dupla Fausto de Sanctis e Protógenes Queiróz, que são a parte Republicana da Polícia Federal, a PFR. De Sanctis decretou a prisão preventiva do patológico DD, a qual, segundo o jornalista Bob Fernandes, no Terra Magazine, diferente da prisão provisória, não pode ser revogada imediatamente pelo “rábula” de DD, ministro Gilmar Mendes, e deve demorar ao menos dez dias pra ser questionada legalmente. O ministro, aliás, ficou como o time do Fluminense, atordoado vendo o adversário levantando a taça em pleno Maracanã. Uma aula de como as leis brasileiras, se usadas a partir de um entendimento saído da Razão democrática, fazem o país funcionar. Tal como Agripino Maia (PFL/DEM) quando tomou um baile de Dilma Rousseff, Gilmar Mendes deve se recolher em algum esconderijo secreto para digerir o banho-de-cuia que levou. Pra tirar as broncas, soltou Pitta e Nahas.

O filósofo Sartre afirmou certa feita que existem amores contingentes e amores necessários. Democraticamente, De Sanctis (juiz da 6a Vara Criminal Federal) e Protógenes (Delegado da PF responsável pela Operação Satiagraha) são necessários ao Brasil, mais ainda do que imaginam.

A SUBJETIVIDADE PATOLÓGICA ORELHAL…

Guardadas as instâncias institucionais, a subjetividade patológica orelhal está para a sociedade mundial como Deus: é onipresente, e tem a ilusão de ser onisciente e onipotente. Com o acirramento das relações de especulação e financeirização do mercado mundial, e o enfraquecimento do papel regulador do Estado, as políticas de Estado Mínimo impostas sobretudo pelo chamado consenso de Washington fortaleceram um modo de existir mais próximo do culto à dor e ao ressentimento. Assim, o famoso “se dar bem” se institucionalizou, e encontrou no plano da sociedade sem social alguns nichos de reprodução: a chamada grande mídia, o marketing, o profissionalismo político, a classe média, o poder público. Em todos esses campos, “modos de se dar bem” em detrimento da coletividade e produzindo a miséria social tiveram local para desenvolvimento.

É por isso que é possível e banal que um ministro do STF conceda habeas-corpus a um acusado de vários crimes contra a sociedade, em vários países, que tentou subornar um delegado da Polícia Federal, com o inócuo argumento da falta de evidência de periculosidade do indivíduo. Da mesma maneira, policiais da zona sul de Manaus, se aproveitando da lei Maria da Penha, prendem uma mãe acusada de espancar a filha, e que ganha a vida como prostituta, condicionando a “liberação” da mulher ao pagamento de 800 Reais e, diante da impossibilidade do pagamento por parte de vizinhos e parentes, transferindo-a para uma cadeia pública. A subjetividade que atravessa e captura ministro e policiais, neste caso, é a mesma. E pode-se-ia citar zil casos, Brasil e mundo afora, do Zimbábwe de Mugabe à Itália de Berlusconi. Cá como lá, a indiferença em relação ao outro e a si próprio como potência de ser, e o “se dar bem” são reinantes, e é nela que se cria e desenvolve a patologia orelhal de DD.

O grande problema de quem é capturado por esta subjetividade consiste em acreditar que não há salvação fora dela, e que a sedução/ilusão do existir que ela provoca significa realmente uma existência real.

E A POTÊNCIA DEMOCRÁTICA DA PFR, PROTÓGENES E DE SANCTIS

É essa a grande dor que o patológico orelhal DD sofre ao encontrar a potência democrática PF, corporificada no juiz De Sanctis e no delegado Protógenes. Uma dor advinda de um encontro com um corpo que carrega outros afetos.

O patológico orelhal DD, crente que a máxima do capitalismo: “todos têm seu preço” era real, não fugiu, mesmo sendo avisado com antecedência da prisão certa. Acreditou que podia comprar a liberdade. Coisa de quem tem um ministro, deputados e senadores da dupla PSDB/DEM, e de quebra, alguns petistas Dirceuzados na algibeira. Todos iguais.

Deu-se mal. Ao acreditar que os afetos tristes que carrega, e pelos quais foi capturado e envolvido na subjetividade decadente da dor do existir como malogro, prevaleceriam, não contava com o corpo democrático da PFR, que evidenciou o malogro do estratagema de DD.

Mais que um erro de cálculo, a atitude da PF e do juiz federal atingiu no patológico orelhal DD um órgão vital: o que se pode fazer de pior a um homem, sobretudo um homem decadente e doente do ser como Daniel Dantas, é tornar real para ele um mundo diferente do que ele acredita. Desfazer a sedução/ilusão, e jogar luz na escuridão, deixando exposto o malogro de uma existência malfadada, por mais que cercada de signos da ilusão. Enquanto podia acreditar que era capaz de comprar todos, DD se sentia seguro. Diante da potência democrática PFR/De Sanctis, o patológico se viu impotente, inerte. Essa dor, nem a prisão poderia causar. E nem zil habeas-corpus poderão curar.

O CRUZADO DE DIREITA DO PSDB CONTRA A GLOBO

Há homens cujo processual contínuo do existir é tecer a democracia como devir político/estético/ético. Há homens cujo existir é circular na área periférica do centro imóvel/molar do medo da vida, estes não são democratas. Entretanto, são esses reativos que mais trombeteiam o nome democracia, exaurindo a potência de seu conceito-criador em benefício da roda vazia da nominalização-simulante.

Ontem, com respingos ainda hoje, o Senado serviu de palco para essa performance nominalística-simulante da democracia. O PSDB, com seus acólitos-gerais, resolveu ressonar a enunciação palavra de ordem imóvel do ministro Gilmar Mendes, que em suas “espetacularizações” midiáticas, além da ordem de suas funções jurídicas constitucionais, afirmou que a prisão de Daniel Dantas pela Polícia Federal não precisava de tal “espetacularização”. Afetado por tal paixão (para o filósofo Spinoza: idéia má) o partido resolveu usar seu melhor golpe na luta contra a democracia: o cruzado de direita. Com uma técnica bem treinada durante todos estes anos de esculacho contra a segurança democrática nacional, ele se posicionou no ringue para defender dois flancos. Um, a criatura criada em seu governo: Daniel Dantas. Dois, afirmar o significante-circular palavra de ordem bem enunciado por uma autoridade com cargo constitucional, o que para o partido representava estar junto da opinião pública que acredita na infalibilidade das autoridades constituídas. Tudo imaginação.

O certo é que no destrambelhamento senatorial valeu de tudo. Rasteira, golpe na boca do estômago, cotovelada, rabo de arraia, etc, tudo para ajuizar que a Polícia Republicana abusou de seu poder constitucional ao algemar o bando do ‘Orelhudo’ Daniel Dantas. No meio da “espetacularização” senatorial, valeu até falar de mãe. O irremovível “democrata” Arthur“5,5%”Neto afirmou, “indignado”, que tudo que estava acontecendo era um perigo para democracia (dele), coisa de ditadura (dele). Alusão de que a Polícia Federal é a Polícia Política de Lula. Resposta ao pronunciamento do senador Pedro Simon, que discursou em defesa da PF argumentando, porque eles, a direita, não se pronunciavam no senado com tanta ênfase contra a polícia quando ela prendia, amarrava e exibia os pobres diante da mídia. Para enfatizar mais sua “indignação”, “o orgulho do Amazonas” recorreu à imagem-materna na ditadura. Afirmou que sua mãe havia sido perseguida pelas ruas de Manaus. O que nos conduziu a uma pergunta-filial: se sua nobre mãezinha estava sendo perseguida pela ditadura, onde andava o bom filhinho, que hoje evoca a mãezinha como uma heroína para ecoar a palavra de ordem do seu amigo ministro, que não foi protegê-la contra os horrores do arbítrio? Arthurzinho não pode responder. Estava nas praias de Rio. O glamouroso sul maravilha. E nos parece que quando Arthut“5,5%”Neto se encontra fora de Manaus, a cidade desaparece. Aí ele pode mirabolar mil fantasias mirabolantes sob efeito lendário das Amazonas.

O CRUZADO NA GLOBO

No afã tresloucado de ecolaliar seu ministro, a direita esqueceu que se colocava contra a sua mater midiática: a Globo. A quem estão ligados siamescamente na conspiração paranóica contra o governo Lula. Não percebeu que entrou na zona do “fogo-amigo”. A zona que a psicodélica deusa decadente atua e engole seus frangos imagéticos. Por isso, foi a mídia quem mais abusou da “espetacularização” das prisões. Que o diga o bom discípulo do mestre Maluf, Pitta. O afã tresloucado foi tamanho que nem percebeu que a adversária, mesmo abusando das prisões, já estava em nocaute. Não faturou nada com a prisão do ‘Orelhudo’. De tanto escamotear, esconder, durante todos estes anos notícias sobre a corrupção praticada pelo bando do protegido de Fernando Henrique, foi vítima de sua própria trapaça televisiva. Quando mostrou a prisão do mais ousado crápula da história do Brasil, seus telespectadores não o conheciam. E não o conhecendo, não puderam realizar o feed back: o que mantém a emissora como a maior produtora de alienação nacional. Diria o filósofo Baudrillard: o mesmo do mesmo passou de um terminal a outro terminal, sem alteridade. Daí o diálogo de duas senhoras:

Uma — A Polícia Federal prendeu um homem muito rico.

A outra — Quem foi?

A primeira: — Não sei.

GILMAR MENDES, PRESIDENTE DO STF, E O CORPUS DO ‘ORELHUDO’

Para tudo se dá um jeito quando se está do lado dos irmãozinhos. Durou apenas dois dias a primeira prisão do ‘orelhudo’ Daniel Dantas. Ontem a noitinha, o presidente do STF – Supremo Tribunal Federal o resgatou das mãos da Polícia Federal. Mas não foi na calada da noite, uma vez que Gilmar Mendes fez barulho para tentar ‘blindar’ Dantas da prisão, chamando os policiais federais de “gângsters”, suas ações de “terrorismo lamentável”, chamou de “espetacularização” a prisão e até afirmou que o banqueiro “poderia” pedir um habeas corpus. Não foi só ele. Como demonstra o jornalista Bob Fernandes, do portal Terra Magazine, houve uma guerra interna dentro da própria Polícia Federal para levar a diante a operação. O delegado Protógenes Queiroz teve praticamente de passar por cima das ordens superiores, trabalhando por baixo dos panos, na surdina, sem aparatos de sustentação logística, contando apenas com a lealdade e o caráter de outros como ele, que queriam tirar da toca fortificada aquele que se achava intocável. Na verdade, Daniel Dantas e a irmã, Verônica Dantas até já haviam entrado com um habeas corpus antes mesmo de sua prisão. Para Mendes não há necessidade da prisão preventiva do ‘orelhudo’ e sua irmã, e mais nove que haviam sido presos conjuntamente somente por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha, por eles não representarem ameaça alguma às investigações. Claro. Eles vão tentar ajudar a investigação a não chegar no governo Fernando Henrique e, provavelmente, no próprio Gilmar Mendes, que foi indicado pelo ex-presidente tucano. Para Paulo Henrique Amorim, “o único recurso é recorrer ao Conselho Nacional de Justiça e pedir o impeachment de Gilmar Mendes”. Acrescentamos que, para na próxima prisão de Dantas, se Mendes receber o impedimento, provavelmente ele também tenha o nome incluído na lista de prisões. Enquanto isso, Naji Nahas e Celso Pitta e os seus não foram contemplados com os beneplácitos do presidente do STF e continuarão na cadeia. A guerra irá prosseguir na Polícia Federal que deve persistir no caminho de se confirmar como uma polícia republicana —, nos parlamentos, no judiciário… Já serviu para Dantas perceber que um dia o trapaceiro perde uma rodada, e, como diria Bertolt Brecht, quem sabe um dia a sorte não muda! Quanto a Gilmar Mendes, nunca caiu tão bem as palavras do dramaturgo/poeta alemão:

Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis.

Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça.”

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Chagão!

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

Θ CHAGÃO PERGUNTA: No dia 22 de junho de 1996, Progresso e Rio Negro jogavam partida pelo estadual de Roraima. Esta partida entrou para o rol do profissionalismo futebolístico por ter menos expectadores que a bola jogada pelos meninos da ex-rua Rio Jaú. Apenas um pagante no borderô da partida: o senhor Abraão Pereira de Souza, motorista do Ministério da Agricultura, que foi o privilegiado de ver uma partida só pra ele. O detalhe é que a renda da partida, 5 Reais, foi dividida: 1 Real para cada time, um para o picolezeiro e dois pra pagar um guaraná para os atletas. Agora, o ‘Chagão!’ quer saber: no tempo dos primeiros grandes craques negros brasileiros, havia uma espécie de quarteto de ouro: Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Waldemar de Brito e outro, menos conhecido, que chegou a jogar no Barcelona e no futebol suíço antes de ser reconhecido, e há quem diga que não fosse essa temporada nos “estrangeiro”, paparia facilmente o título de center-half maior do futebol brasileiro em todas as épocas. Você sabe o nome desde jogador?

Θ KAKÁ, O INSUSPEITO E A MÁXIMA DO CRISTIANISMO. Enquanto Ronaldinho Gaúcho afirma que vai encarar os dirigentes blaugranas para ir à Pequim, o virtuoso Kaká, que somente este ano, além da marcação rígida do ministério público de São Paulo, de olho na tabelinha do ex-são paulino com o apóstolo Estevam Hernandez, jogou os últimos confrontos do Milan machucado, quando tinha afirmando que jamais o faria, agora dá mais um passo rumo à redenção: mesmo com toda a torcida braziniquim sabendo que ele não quer ir à Pequim por que escolheu ser um bom funcionário, ele insistiu esta semana, afirmando que quer jogar, mas o clube não o libera. Logo, o seu patrão, Berlusconi, tratou de dar nomes aos bois: Kaká não joga porque não quer. Os grandes clubes (e os nem tão grandes assim…) não têm o menor pudor em afirmar abertamente que não liberarão Fulano ou Cicrano para os jogos, já que o torneio não é oficial da FIFA. O Real Madrid já mandou avisar que nem Robinho para o Brasil, nem Heinze para a Argentina. O próprio Barcelona quis vetar Messi – que encarou, e vai a Pequim – e Ronaldinho Gaúcho, que tudo indica, vai também. Então, porque o Milan, que não é diferente em termos de business administration destes outros clubes, iria ter pudor em vetar abertamente Kaká? Se a máxima do cristianismo paulino diz que não há salvação sem o trinômio pecado-arrependimento-penitência, Kaká continua a pavimentar com paralelepípedos de ouro o seu caminho para o céu. Amém!

Θ BRASILEIRÃO 2008 SÉRIE A. Durante a quadra julina, o arraial do campeonato brasileiro vai armar as tendas durante o meio de semana também. Daí, o torcedor pode degustar as guloseimas que, no mês anterior, só estavam disponíveis no final de semana. Só há que ter cuidado com uns e outros bolos podres por aí, afinal, quem viu o meio-campo espanhol trocando passes e convidando pra dançar pode ter indigestão visual ao ver um Flamengo e Atlético Mineiro. Mas furioso mesmo anda o time do Vitória. Ainda mais que um dos grandes responsáveis pela queda do arqui-rival, Bahia, para a terceirona e para um abismo sem fundo, Daniel “Orelhudo” Dantas foi preso pela PF Republicana. Os irmãos-rivais comemoram a democracia de Lula, e quem apanhou foi o Botafogo. Time de tradição supersticiosa, os alvi-negros estão com saudades do técnico Cuca, que anda desfilando o seu complexo de inferioridade competitiva pelas praias santistas, enquanto o idem complexado Renato Gaúcho descobriu, contra o furacão, que a vida continua, com o sabor amargo do dia seguinte sem o calorzinho da costela dela ao lado da cama. Doña Libertadores mora em Quito. Marcinho, do Fla, com o gol solitário de hoje na peleja-pelada com o centenário Galo, se solitariezou também na artilharia da Cozinha Brasil, com 7 tentos, o número do craque Garrincha, que não teria lugar em nenhum time do atual certame, por superficiência técnica. E ainda faltam três jogos pra completar o féretro. Resultados:

Brasileirão Série A

10ª Rodada Série A – 09 e 10/07

Internacional 1 – 0 Goiás

Coritiba 4 – 0 Portuguesa

Fluminense 3 – 0 Atlético/PR

Vitória 5 – 2 Botafogo

Santos 1 – 1 Grêmio

Náutico 2 – 1 São Paulo

Atlético/MG 1 – 1 Flamengo

Ipatinga Cruzeiro

Palmeiras Figueirense

Vasco Sport Recife

Classificação*

Flamengo  –  23

Vitória  –  20

Grêmio  –  18

Cruzeiro  –  17

Palmeiras  –  17

Náutico  –  17

Internacional  –  14

São Paulo  –  14

Coritiba  – 13

Atlético/PR  –  12

Portuguesa  –  12

Figueirense  –  12

Atlético/MG  –  12

Vasco  –  11

Sport Recife  –  11

Botafogo  –  11

Goiás  –  09

Santos  –  07

Fluminense  –  06

Ipatinga  –  06

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

Θ BRASILEIRÃO SÉRIE C. Direto dos porões do profissionalismo, lá onde nenhum grande jamais quis estar – apesar de Fluminense e Bahia terem chegado – 14 jogos fizeram a segunda rodada do certame. Cá, entre tantos, ficamos com os amazonenses e paraenses, torcendo que algum deles chegue mais longe. Pelos lados dos manoniquins e itacoatiariquins, o Holanda do Rio Preto da Eva foi ao Amapá, e com um futebol cristalizado, foi derrotado por 1 a 0 pelo Cristal. Por esta, nem o prefeito-tampão do município esperava! O Fast Clube não jogou, mas do lado do Grão-Pará, o Clube do Remo prossegue vencendo, e passou por cima do Progresso (RR), 4 a 0. O Papão foi bater palmas em Tocantins, perdendo para o time da capital por 1 a 0. o Águia de Marabá conseguiu perder em casa, 3 a 2, para o Bacabal. Será que o time paraense era só abacaba? Segue o enterro…

ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE NA ALE-AM? BE(A)LÃO!

Inúteis passeios esses nossos pela Assembléia Legislativa do Amazonas. Inúteis gracejos esses nossos com a história. Inúteis inutilidades as confluências parlamentares. Inúteis coerências. Fim de mandato? Viva, o “novo mandato”! Viva, Belão! Viva o Balão! Basta soprar. É flutuação. Para onde mandar, vai seu coração.

A manhã de hoje foi manhã de festa na ALE. Tudo no ALE e olhe. Similares parceiros/pareceiros. Salvo o modelo e a cor do paletó, era um voto só. Boa claque para assoprar o balão e jogá-lo para onde manda o vento: os anseios do governador Eduardo Braga. 18 sopros parlamentares contra 1 em branco, e o resto ausente. Branco é cor, assim como ausente é presente. Presente ao bom Belão, Balão: mais uma legislatura presidencial para o gáudio de seu senhor, a quem serve com esmero contra a população amazonense, seja quem seja o senhor.

VIVA O PRESIDENTE!

O presidente preside a presidência. A presidência é um corpus de leis. A presidência legislativa é um corpus constituído por signos democráticos que enunciam e preservam os direitos legislativos de um povo. O corpus legislativos é o corpus democrático. Simular um corpo é imitar uma cópia caricata distante da imagem original. Caricaturistas parlamentares caricaturam com seus votos o corpus democrático da ALE. A ocultação de seu corpus democrático. A recondução de Belão à presidência é a sombra exemplar da ocultação da democracia nessa casa popular. Enquanto o Belo-Balão infla, o corpus coletivo cianozeia. Uma casa acometida da pior enfermidade anti-democrática: os interesses pessoais. A perenização de Belão é a demonstração exemplar.

PARA QUE SERVE O NOME DEUS

Em discurso de agradecimento pela gratidão dos pareceiros, Belão deixou escapar ventos de gratidão: “Sou muito grato! Sou um homem de gratidão! Um homem sem gratidão não é um homem!”. O grato Belão se dirigia ao dublê de Lupércio, o sorridente deputado Sabá, que jurou eterna fidelidade a Serafim, e agora é vice na chapa de Omar, e ao deputado Vicente, cujo nome aparece em conversas de personagens envolvidos na quadrilha de Adail que a Polícia Federal desarticulou . Na verdade, o tom enfático, quase choroso, da “gratidão”, não era para os cúmplices, mas para seu patrão, Eduardo Braga. Belão é grato. Belão foi grato a Gilberto. Gratíssimo ao ex-governador Amazonino. Se gratidão levar ao céu, Belão é um celestial na terra: é o sagrado gratíssimo. A alcunha já sugere um ente etéreo próprio das espacialidades metafísicas. Enquanto houver patrão para reconhecer sua servilidade, ele será sempre o campeão da gratidão. O primeiro do Reino do Céu.

O bom Belão, como Balão, flutua tanto em sua servilidade que chega a Deus. E em Deus lê o pensamento do Senhor e afirma: “Deus quem quis!”. Sua rerereleição. E quem vai contra um balão, objeto que não está no chão, e está mais próximo de Deus do Céu? Nem Ícaro.

Então, se o negócio é voar, o povo clama:

Vai, azulão!

Vai, azulão, companheiro!”

Bica o balão!

Bica o balão, tão ordeiro!

QUE VOZES OUVE O ‘ORELHUDO’ NA PRIMEIRA NOITE NA PRISÃO?

No Brasil e em muitos países do mundo onde há décadas, séculos a corrupção e a impunidade se tornam históricas, para a população ela se torna às vezes habitual. Para quem acompanha há anos na revista Carta Capital, no portal Terra Magazine ou no blog Conversa Afiada, entre outros, as intermináveis tramóias bilionárias do banqueiro Daniel Dantas, talvez chegue um momento que sua capacidade de manipular, chantagear, corromper leis, pessoas, instituições comece a parecer algo natural. Mas não é.

Dize-me com quem andas…

Inimigo de quase todos seus sócios e concorrentes, sempre frio e desleal nas suas negociações, o dono do banco Opportunity se tornou um dos homens mais ricos do Brasil numa trajetória que passa por Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor, Fernando Henrique, a revista Veja, Marcos Valério, etc, sempre envolvido em trapaças. Em 1998, final do primeiro governo FHC, Dantas foi acusado de favorecimento na privatização da Telebrás.

Chacal faz o ‘orelhudo’ falar…

Mas a primeira vez, no entanto, que a maior parte dos brasileiros atentou para o nome de Daniel Dantas foi em 2004, quando de sua indiciação pela Operação Chacal, da Polícia Federal, que descobriu a violação de informações sigilosas de pessoas e empresas em órgãos públicos conseguidas por Dantas através da empresa Kroll, multinacional de investigações privadas.

Mas assim como para uma parte da população se tornava habitual a impunidade, para o ‘orelhudo’ também. Em abril recente, o banqueiro fez uma jogada de mestre: uma negociata com os empresários Carlos Jereissati e Sergio Andrade, da qual resultou a fusão da Brasil Telecom com a Telemar/Oi, e da qual ele levou a bagatela de R$ 1 bilhão. Mestre das cartas na manga.

Nem ouviu Satiagraha…

Mas a carta caiu da manga. Ontem às 6 da matina a Polícia Federal chegou silenciosa, conforme o nome da operação, Satiagraha, ao apartamento de Daniel Dantas, que fica de frente para o mar, em Copacabana-RJ, e surpreendeu ele e todos que haviam se habituado com a impunidade, dando-lhe voz de prisão. Depois de quatro anos de investigação, a Polícia Federal reuniu (aqui no site da PF) provas de diversos crimes: corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha, detectando inúmeras empresas de fachada pelas quais o ‘orelhudo’ e seus comparsas faziam desvio de verbas públicas.

A irmãzinha, a esposa, Naji Nahas e Celso Pita…

Além da irmã de Daniel, Verônica Dantas, e de sua esposa, Maria Alice Dantas, e de outros nove integrantes da diretoria do Banco Opportunity, veio a prisão de dois nomes já bem conhecidos na ficha judicial brasileira. Um deles é Naji Nahas, especulador acusado de ser o responsável pela quebra da bolsa de valores do Rio de Janeiro em 1989, acusações das quais, embora com abundantes provas, foi inocentado em 2004. Foi preso pela Operação Santiagraha por chefiar um grupo que se ligava a Daniel Dantas por conseguir informações privilegiadas até do FED (Banco Central dos Estados Unidos), ele sabia, segundo a Polícia Federal, da descoberta do megacampo de petróleo de Tupi três meses antes de sua divulgação, e ainda era o principal responsável pela lavagem de dinheiro do grupo, comandando um grupo de doleiros, que também foram presos na manhã de ontem. Ainda entre os comandados por Nahas está o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pita (o do esquema dos precatórios), que recebia vultuosas somas de dinheiro, quase sempre em espécie, e repassava a paraísos fiscais.

Gilamar Mendes, mui amigo…

A estas horas todos estes, Daniel Dantas, sua irmã, sua esposa, Naji Nahas, Celso Pitta e os demais, todos estão passando a noite na prisão federal. Há quem acredite que é por pouco tempo. Há pessoas que ocupam cargos fundamentais para o processo democrático, mas que o utiliza de maneira pessoal e fraudulenta, é o caso do ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que deu entrevista ao falacioso Jornal Nacional, chamando de “espetacularização” a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e questionando o uso de algemas como desnecessário na operação. É por essas e outras que Paulo Henrique Amorim conclama o impeachment do presidente do Supremo.

Dos que não dormem na prisão…

Dantas ainda tentou subornar um delegado da Polícia Federal por nada menos que R$ 1 milhão. Só fez aumentar o número de acusações contra si. Dizem que apareceu rindo diante das câmeras quando foi levado algemado. Provavelmente por que, em seu hábito de sempre sair ganhando na trapaça sobre os outros, que vão desde seus concorrentes bilionários até o simples contribuinte isento na declaração de imposto de renda, em sua patologia, ele não compreenda bem o que está se passando. Como diz o filósofo Nietzsche, “só pode dormir quem sempre esteve acordado”, Dantas não dormiu essa noite, mas não ouviu vozes a não ser a sua, já que não tem a experiência do outro, na sua paranóia deve estar “pensando” em alguma forma de sair dessa. Mas os que observavam de longe, vão se aproximando para ver o acontecido e, ao contrário do orelhudo, dormem suavemente nessa noite, acreditando que os tempos são outros, e que um trapaceiro, não importa as cifras que ele carrega e suas escusas amizades, não pode lesar impunemente a coletividade. Quiçá a partir de agora bons sonhos só terá quem pode dormir!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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