Arquivo para 16 de setembro de 2008

A DUPLICAÇÃO DO DR: TABOSA. EU,HEIN, ROSA!

O doutor Ronaldo Tabosa é um medico, como muitos, que de repente, nos entremeios de suas inquietações médicas, têm um cochilo e acorda acreditando que pode ser mais útil a sociedade sendo um parlamentar/médico. E não um cochilo que ao despertar resolva deixar a medicina, para o bem da comunidade. Então, como só pode acontecer no despertar destes cochilos-parlamentares, ele se lançou no plano mais fácil, segundo ele, para realizar o rastro do cochilo: Um programa de televisão de “ajuda” ao “próximo” tão miserável. A miséria: o gueto de elevação parlamentar. Talvez tenha pensado, em sua espiritualidade de médico vocacionado aquém e além de Hipócrates: “Se outros puderam, e outros então podendo, porque eu não posso?”.

QUASE QUE PODIA

Jaleco branco, para que te quero? Dr. Tabosa compreendeu e respondeu. Armado do que restou de seus instrumentos médicos, foi à luta na TV. Amparado pelos mimus (do grego, reprodução) já experimentados em outros programas, cujos apresentadores, dotados de limitação intelectiva e baixo grau de vivência ética, conseguiram ser eleitos explorando e ameaçando espectadores-eleitores, o doutor produziu seu próprio programa mostrando sua total preocupação com a população pobre, que infelizmente, ele, somente como médico, não poderia ajudá-la a conquistar o valor humano de ser cidadão. Motivo precípuo de recorrer à televisão como instrumento de importância inigualável ao combate da dor e do desespero dos pobres desvalidos, condenados, de acordo com sua moral, pelos políticos corruptos, inimigos do povo, ao dantesco “vale de lágrimas”, onde todas as esperanças são perdidas.

Mas agora, lá estava ele, Dr. Ronaldo Tabosa, levando aos humilhados e ofendidos, sua rosa. E tome exposição de gente sofrendo, e tome bairros esburacados, e tome cadáveres desovados, e tome barraco caindo, e tome fila para pegar transporte coletivo, e tome gente desmaiando em frente de hospital público, e tome e tome o que for preciso tomar para se tornar parlamentar.

Chegaram as eleições de 2004. Excitado pelo fervor da campanha, o doutor extrapolou em ousadia. Não deu outra: foi punido pelo TRE. Lá o doutor foi impugnado.

VAI, MEU FILHO, QUE O VOTO É TEU!

Eleições de 2008. O doutor não pode, mas o filho pode. E não é que o doutor Tabosa, ainda envolto no perfume da rosa, resolveu se duplicar na propaganda eleitoral gratuita de seu campeão, Jander Tabosa, candidato a vereador! Assim, perito nos lances dos planos televisivos, resolveu aparecer nos programas do filhote relacionando seus feitos nos guetos do lupemproletariado manoniquim com sua própria imagem, como se fosse ele o candidato, e não o filhote, que aparece poucos segundo no finalzinho da propaganda. Uma espécie de magia duplicadora: – Papai sou Eu. Ou: – Eu sou Papai. Quem sabe homenagem ao filósofo Baudrillard, com sua teoria da criogênese, clones, ou replicantes.

Novamente, não deu outra: o partido pelo qual o rebento concorre, o PV, entrou com denúncia no MPE, colocando sob suspeição a candidatura Rosária.

Agora, o sucessor do papai está ameaçado de realizar a duplicação do patrono: ter a candidatura, também, impugnada.

Credo, que rito familiar compulsivo para querer tanto ajudar o povo! Eu, hein, Rosa!

A MISÉRIA DO MARKETING ELEITORAL

No sistema capitalístico, o marketing surge como um dos elementos propulsores da mercadoria como um valor necessário. Um recurso persuasivo de fazer nascer no comprador o desejo de adquirir um objeto-valor que se encontra fora de sua percepção. Nisso, sendo o marketing um truque forjado por objetos reificados, formas de idéias-simuladas, o sujeito enredado nesse truque acaba personificando um mundo espectral, um carrossel fantasmagórico povoado por imagens bruxuleantes, e, assim, instalado neste carrossel, sua força produtiva é interditada, e suas aquisições passam a nutrir suas imagens fantasmáticas: sua miséria.

O MARKETING ELEITORAL

Como o marketing comercial se corporifica com elementos do senso comum, a obviedade inútil, o marketing eleitoral, que tem o candidato como mercadoria, também não torna diferente seus códigos de persuasão. Exibe seu candidato/mercadoria com as mesmas cores e legendas de qualquer objeto. Só com uma pequena diferença: acompanhado de outros objetos. Objetos tematizados, que já se mostraram como realidade, mesmo com recursos simulantes, ou objetos virtuais, possíveis de serem ou não atualizados como reais.

Posto como mercadoria no invólucro dos objetos tematizados, os candidatos, tanto aqueles que já ocuparam um cargo e neste momento procuram um retorno, ou o que tenta continuidade, ou o que pretende pela primeira vez titulação, são lançados na super-exposição do já “ocorrido”. O candidato mostra o que fez e evoca, através deste dito “feito”, o que ainda poderá fazer. Uma espécie de desaparecimento de si mesmo, em função do privilégio dos objetos persuasivos. É nesse truque da super-exposição que estes candidatos entram na ordem do mimus (reprodução, em grego) um do outro. É como as toadas dos bois de Parintins: se tirar o nome do boi, fica tudo igual. Não se sabe qual é o boi. São os mesmos quadros, os mesmos textos, as mesmas focagens, as mesmas técnicas de virtualização. Os mesmos fragmentos de imagens apresentados na propaganda do candidato Amazonino se encontra na dos candidatos Serafim e Omar. Nesse mimus, parece até que quanto mais dinheiro mais miséria. A insistência em se mostrar verdadeiro é tão exacerbada que revela despudoradamente a miséria. Não era para menos: toda objetificação anula o sujeito ativo. E sendo o candidato um reflexo dos objetos espectrais usados para convencer os eleitores, a democracia fica comprometida, já que o eleitor não votará em um candidato real, e sim em uma imagem miserabilizada pelos objetos valorados pelo marketing como reais quando são apenas simulantes.

E eis aí o perigo que estes candidatos objetificados estão correndo. Se os eleitores descobrirem a ditadura dos objetos a que são submetidos pelos marqueteiros, é possível que vejam neles irrealidades tão facilmente encontradas nas grades dos programas de televisão, e nisso passem a imaginar destes marketings o mesmo que imaginam dos programas de televisão: puras virtualidades. Aí a miséria confirmara sua pobreza.

PAI GILMAR TY YEMONJÁ: 21 ANOS, A MAIORIDADE DO BABALORIXÁ

Pai Gilmar 21 Anos Convite por você.

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Nesse momento que publicamos esse convite e a entrevista que fizemos com Pai Gilmar, ele se encontra recolhido no roncó, o quarto de santo, cumprindo suas obrigações e preparando-se para a festa do próximo sábado. É uma longa história, e é essa história, a trajetória desse conhecido babalorixá de Manaus, respeitado em todo o Brasil, que trazemos aqui, em suas sapientíssimas palavras, entremeadas com imagens que formam uma linha candomblezística contínua em todos esses anos.

Festa de Iemanjá (2006)

Festa de Iemanjá (2006)

Eu sou cearense, nasci no interior de Fortaleza chamado Jaguaruana, mas saí do Ceará eu tinha 2 anos de idade e fui morar no Rio de Janeiro com minha tia madrinha. Fiquei lá até os 13 pra fazer 14 anos e vim pra Manaus. Por coincidência, na mesma época, eu comecei a ter problemas com espírito, com os cabocos, com as entidades. E na rua onde a minha mãe morava, no Lírio do Vale, tinha um batuque, chamavam de batuque, não chamavam de terreiro de Candomblé, terreiro de Umbanda, era batuque. E tinha um batuque e eu, por curiosidade, fui bisbilhotar, fui pra ver e lá acabei me manifestando e no término da noite, da sessão, não recordo direito a que horas, e o dono da casa, que era o seu Flexeiro, na cabeça de dona Maria Dofona, dona da casa, me convidou pra fazer parte da corrente. Uma vez eu ia, outra não queria ir; era toda quinta-feira, começava às 7 da noite e terminava às 10. Às vezes eu ia, às vezes eu não ia, eu estudava à noite, às vezes tinha dia de prova e não dava pra sair mais cedo, não dava pra ir, e assim fui levando. A minha vida de santo, é muito melindrosa, é muito complexa, porque eu, mesmo morando fora de casa, não no seio familiar da minha mãe, morando com a minha madrinha no Rio de Janeiro, ela era umbandista, frequentante assídua. E eu vim me manifestar com o caboco com 7 anos de idade . No dia do meu aniversário o meu caboco me deu com a cara no bolo na hora de apagar as velas. Eu baixei a cabeça e já não era mais eu. Aí, no outro dia, febre, febre, febre. E a minha tinha tia madrinha me levou pra rezar, tinha muita rezadeira nessa época, pra eu ser rezado no terreiro porque eu também muito pouco ia porque era criança, mesmo adolescente, ela não me levava porque era a noite. Mas me levou pra rezar. E a dona da casa de nome Francisca, chamava de vó Chica, se atuou com a dona Mariana e a dona Mariana disse que ia afastar durante 7 anos, e calha que é o tempo que eu cheguei em Manaus, de 13 pra 14. E depois quando eu tava de 14 pra 15, adolescente, o caboco me pegou. E aí já ficou, começou a a desenvolver e eu tava recebendo esse caboco, esse marinheiro. Enterei 39 anos de idade, 39 menos 14, 25. 25 anos tá enterando o seu marinheiro, aliás, ano que vem tá enterando 25 anos.

Obrigação de 1 ano de Pai Gilmar de Iemanjá. Com seu padrinho de oroncó, Mauro de Oxóssi, filho da finada Ianitinha, e finado Pai Pequeno Wilson Falcão Real (Tata Mutalembê)

Obrigação de 1 ano de Pai Gilmar, de Iemanjá. Com seu padrinho de oroncó, Mauro de Oxóssi, filho da finada Ianitinha, e finado Pai Pequeno Wilson Falcão Real (Tata Mutalembê)

Eu me iniciei no culto nas mãos do pai Ribamar, dia 27 de agosto de 1987. Mas antes de eu ir pro Seringal fazer santo eu era abiã, iniciante, que é a primeira pessoa que entra na casa, sem ser yaô, sem ser formado, sem ser feito, na casa da Maria Dofona, que era filha de santo, na época, do meu finado Pai Pequeno, Mutalembê do Oxóssi, também ela era de Oxóssi. Hoje em dia ela filha de santo do Olegário. Ela tomou, tirou mão de vume com ele e fez as obrigações com ele e isso, isso no bairro do Lírio do Vale, começo de 80, 82, por aí. E, no final de 85, eu fui pro Seringal, até então era só seu Ribamar, conhecido, amigo, colega, pai de santo antigo da cidade, e meu encantado, meu

Obrigação de 3 anos de Iemanjá

Obrigação de 3 anos de Iemanjá

caboco, seu Marinheiro foi e me levou pra casa dele e entregou minha cabeça a ele e disse que a partir daquela data quem ia tomar conta de mim, da minha vida espiritual seria ele. E ele me acolheu na casa dele, passei dois anos oborizado, fiz o bori pra Iemanjá e em agosto de 87 fiz o santo com mais três pessoas, meu dofono, que é Oxóssi, que é o Frank, que mora no Rio de Janeiro, o Irã de Obaluaê, que mora em Manaus, no bairro do Lírio do Vale, e eu raspei Iemanjá. Entramos dia 02 de agosto, por coincidência, dia do meu aniversário, e o nome de Iemanjá com Oxóssi e Obaluaê do meu dofono, do meu dofonitinho e eu foram no dia 27 de agosto do mesmo ano. Eu passei os três meses com meu quelê no pescoço, e, no término do meu quelê, Iemanjá já começou a me experimentar, creio eu. Porque eu muito novo de santo, com mais ou menos quatro ou cinco meses de santo, já tinha passado o preceito do quelê e eu fui tirar o primeiro barco sem saber bem o que era. Tinha sido muito bem ensinado, meu pai criador, Dudureji, o Sílvio, do Tempo, que é meu amigo particular, que é pai de santo da ekédi, minha nora, mulher do Ogã da minha casa, de Iemanjá. E fui muito bem criado, aprendi muitas coisas muito rápido com ele e assim eu fui começando a criar os barcos do meu pai de santo, ou seja, o yaôs, depois de mim que entraram. Criei mais ou menos uns 18 barcos, pra não aumentar nem diminuir, mais ou menos nessa faixa. Criei muito yaô, cuidei de muito Ogã, de muita ekédi com o meu pai de santo, aprendi muita coisa com ele, tanto a teoria como prática, principalmente. Tomei minha obrigação de um ano, na mesma época, em agosto de 88, meu Pai Pequeno ainda era vivo, sem perder tempo, sozinho, meus outros irmãos de santo de barco não tomaram comigo, eu tomei só. Então aí eu comecei a me distanciar, a andar a minha vida espiritual só. Fui recolhido com

Pai Ribamar entregando o decá, 7 anos

Pai Ribamar entregando o decá, 7 anos

mais dois, mas depois de um ano tomei a minha vida espiritual sozinho, porque aí logo depois tomei a minha obrigação de 3 anos, infelizmente já sem a presença do meu Pai Pequeno, que ele havia falecido. Eu tomei em agosto de 90 e ele faleceu no dia 1º de abril de 90. E tomei minha obrigação de 7 anos em 94, dentro do Seringal, com o meu ainda atual pai de santo, que ainda é meu pai de santo. E abri casa no ano seguinte, em 95, aqui no bairro do Jorge Teixeira. Antes desse. Tomei minha obrigação de 14 anos. Abri casa e alguns anos depois tomei a minha obrigação de 14 anos, que ficava aqui mesmo no bairro Jorge Teixeira, no conjunto Artur Virgílio, na rua 3, casa 242. Após o término da minha obrigação, não era casa própria, era casa parcelada da construtora. E eu tive que entregar casa, mesmo porque lá não tinha quintal, não tinha espaço de terra, e eu queria um espaço maior de terra, tava no final do quintal e então a gente mudou pra cá. E por coincidência vou tomar minha obrigação de 21 anos numa casa nova. Estamos de reforma na casa, ajeitando a casa justamente pra isso, pra obrigação da festa de Iemanjá e pra minha obrigação de 21 aos de santo.

Pai Gilmar recebendo o decá

Pai Gilmar recebendo o decá

E minha história é basicamente essa: tomei minha obrigação de 1, com meu pai de santo, minha obrigação de 3 com meu atual pai de santo, a obrigação de 7 anos com o pai de santo, minha obrigação de 14 anos com meu pai de santo, vou tomar minha obrigação de 21 com meu atual pai de santo. Não deixará de ser meu pai de santo, que ainda é vivo, principalmente depois que morrer, porque a minha obrigação é a última, de 21 anos, fecha o meu ciclo espiritual como o filho dele, mas filho dele eu não vou deixar de ser, porque ele está vivo e pretendo que ele fique muitos anos, mas mesmo com a morte dele eu não dou mais a minha cabeça a pai de santo nenhum, porque não é mais necessário. Porque a obrigação de 21 anos é a alforria total de qualquer sacerdote. Meu pai de santo estará comigo depois da minha obrigação de 21 ano enquanto vida ele tiver ou eu, mas ele vindo a falecer primeiro do que eu, eu continuo sendo filho de santo dele porque não dou a minha cabeça a mais ninguém, não é mais necessário. Não que eu não queira, mas não é mais necessário. Só tive um pai de santo, minha feitura, minha obrigação de 1, 3, 7, 14 e 21 foram todas

Decá, Oxóssi tirando o tabuleiro de frutas

Decá, Oxóssi tirando o tabuleiro de frutas

com o meu mesmo pai de santo, tudo com seu Ribamar de Xangô. Tudo. Não mudei de casa, não mudei de axé, muito pelo contrário, eu só fiz crescer. Porque eu não tinha casa, eu era uma pessoa que vivia na casa dos outros, agora tenho minha casa particular, tenho meu barracão particular, a minha casa é cheia de gente, cheia de amigos, cheia de filhos de santo, meu pai de santo me visita sempre que pode, mora perto de mim, gosto muito dele, gosto de todos os meus irmãos de santo. Tenho uma família grande, meu avô de santo é de Salvador, vive na cidade, tenho muitos tios de santo que vivem na cidade dele. Eu tenho uma família enorme de santo. Pela minha família de santo eu acho que já é a quarta ou a quinta geração. Eu tenho avô, meu avô já tem bisneto, já tem tataraneto, porque que eu já tenho filho, já tenho neto, daqui a pouco eu já tenho bisneto. Então ele já vai ter tataraneto e nós já estamos na quarta ou na quita geração nessa trajetória de 21 anos.

Decá, levado por Pai Ribamar

Decá, levado por Pai Ribamar

Babalaô mesmo só se torna quem tem 50 anos ou pessoas formadas no oráculo de Ifá, que aí já é um outro ritual, um outro segmento religioso de dentro do Candomblé, que são os sacerdotes de Ifá ou chamados Babalaôs ou pessoas que já atingem a maioridade de 50 anos. Muita gente no Brasil já se considera babalaô quando faz as suas obrigações de 21 anos.

Decá, Oxumaré

Decá, Oxumaré

Eu sempre falo que a religião, seja ela qual for, puxando principalmente pro lado da minha, todas elas são maravilhosas, todas levam a um caminho só, a Deus e, principalmente, ao crescimento, seja ele pessoal, financeiro, amoroso e principalmente espiritual, no ciclo de amizades, no ciclo familiar

Formatura de uma das saidas do Decá

Formatura de uma das saídas do Decá

e etc. Mas eu já tive muitas decepções, não com a religião, mas com o povo que freqüenta a religião. Não por estar completando 21 anos de santo, não por me considerar mais velho, não é isso, tem gente na cidade mais velhas. No meu tempo de yaô a gente ficava de preceito, a gente tinha medo de virar no santo no meio da rua, a gente tinha medo ou vergonha das pessoas verem a gente de colar, que é as contas do Orixá, de bocã no pescoço que também não deixa de ser um colar, as senzalas são os búzios enfeitados na palha da costa, todo de branco ou com cabeça amarrada, os homens e as mulheres com boné na cabeça, obrigatoriamente branco. Então eu tinha medo de andar no meio da rua, das pessoas me reconhecerem, me puxar ou então bater na minha cabeça e eu acabar me manifestando por Iemanjá. O Orixá acabava me pegando, porque eu estava muito novo de preceito. Hoje em dia a gente vê muitos yaô na rua, de roupa vermelha, de calça jeans, de cabeça descoberta, sem conta no pescoço, quer dizer, muitas decepções com as pessoas que freqüentam a religião, não com a religião, muito pelo contrário, eu só tive prosperidade, eu só fiz crescer dentro do santo. Cresci espiritualmente, cresci financeiramente, cresci de amizade, porque, desde quando

Decá, Iemanjá

Decá, Iemanjá

eu vim do Rio de Janeiro pra Manaus, eu não saí de Manaus. Vim sair de Manaus depois de feito. Conheci São Paulo através do Santo, conheci novamente o Rio de Janeiro, porque quando eu saí era muito criança. Conheci já Brasília, Belém, Boa Vista, Acre, o Rio Grande do Sul, tudo por causa do santo. Por quê? Por outras pessoas me convidarem a ir nas suas casas, filho de santo dá obrigação fora, irmão de santo dá obrigação fora e me convidaram pra ir ajudar, quer dizer, só tive de prosperar. Fui agraciado com o título sacerdotal dentro da casa das minas da Fé em Deus , em São Luís do Maranhão, quer dizer, se não fosse a religião, se não fosse eu ser sacerdote, eu não tinha sido agraciado em uma outra casa de culto com um título muito nobre. Em yorubá se fala “Vodunó Adarusô”, que quer dizer em português “Grão Sacerdote da Casa de Kevê Osô”, porque Kevê Osô é uma família que também tem Xangô, como se fosse pra nós, só que pra eles são Badé, e quem me raspou foi Xangô, meu pai de santo é de Xangô. Então eu faço festa todos os anos a Itó e Vereketi, um vodum novo de dentro da casa de Jeju. aqui em Manaus ninguém louva esse Orixá, esse vodum já há muitos anos. E a cerca de 18 anos, dona Herondina, na minha cabeça, resgatou essa festa dentro do Seringal, que era uma festa muito grande que tinha lá. E eu fui agraciado por ser a única pessoa na cidade que ainda cultua Mina, mesmo sendo Ketu, mas que faz todo o ritual de Mina pra festejar Tó e Verekêti e a procissão de São Benedito, porque é o santo que Tó e Verekêti venera, no sincretismo religioso, e faz todo o ritual desde o começo, do sábado de aleluia, passando pelas nove noites de novena, até culminar com a carreata do santo, com a procissão e com o toque em homenagem a Verekêti, e todo o ritual é Mina, desde o imbarabô, passando pelo mokororó, que é uma comida de Itó e de Isá, comida pra Oxalá, que é distribuída no meio do barracão, até o toque em homenagem à família da Turquia, que a dona Herondina é filha de um rei da Turquia, é uma princesa e comanda o tambor.

Dona Herondina

Dona Herondina

Há muito tempo pra cá que eu sou envolvido nas questões político-religiosas. É, há alguns anos atrás, a cerca de uns 4 anos atrás eu me envolvi mais ainda. Nós temos um grupo seleto de amigos que luta fervorosamente já nesses 4, 5 anos e nós montamos um conselho que é o Carma (Conselho Amazonenses de Religiões de Matrizes Africanas), onde fazem parte as federações existentes, com seus representantes: o Pai Ribamar, que é o Coordenador da Fenecabi em Manaus, Pai Lair de Oxum, que é o presidente da Abucabam, onde eu faço parte como tesoureiro, o Pai Miguel de Vondoreji, que se encontra atualmente no Maranhão, pelo jubileu de ouro da casa da Fé em Deus, a mãe Nonata de Oxum, a mãe Emília de Itó e de Isá, que é a mãe Emília da Cidade Nova, o Pai Jean de Xangô. Nós somos seis ou sete, não me recordo de todas as pessoas. Isso é como se fosse uma comissão, um conselho, não tem uma nomenclatura certa. Cada um fala um tipo, mas o nome mesmo é Carma. EU sou secretário de promoções e eventos da Fenecabi, que é a coordenadoria que tem aqui em Manaus, que é da Federação Nacional de Cultos Afro, que tem a sede em salvador, no Pelourinho.

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O principal objetivo do CARMA é divulgar a religião. Nós estamos lutando junto com o governo, que foi uma grande luta, um grande reconhecimento com o atual presidente, com o Lula, da Lei 11.645, que obriga o estudo da cultura e costumes afro-descendentes no Brasil, na grade curricular.

Inauguração do antigo barracão

Inauguração do antigo barracão

Também estou sentado na cadeira do Conselho Permanente de Educação do Estado, empossado desde setembro de 2006. Faço parte, por freqüentar o FOPAAM (Fórum Permanente Afro-descendente do Amazonas), e o nosso objetivo é exatamente esse: divulgar a religião, que as pessoas se unam entre as religiões, porque é crime, No Brasil é crime discriminação religiosa, porque querer saber sobre a religião do seu próximo é uma coisa, querer denegrir a imagem da religião é outra coisa completamente diferente. É contra isso que a gente vem lutando, contra a discriminação religiosa, contra abuso contra as mulheres, abuso contra os negros, contra os afro-descendentes, contra os índios, os homossexuais, as pessoas com Aids. É por isso que a nossa religião dizem que tem muito homossexual, tanto masculino como feminino, mas a religião do Candomblé, a religião do culto aos Orixás ele não não vê sexo, ele não tem sexo, não tem cor, não tem raça. O Orixá é um ser divinatório da natureza, não é Deus. São divindades endeusadas; ou seja, elas são entidades supremas, não igualado a Deus, criador do universo, mas criados sim por ele, como patrono, como dono, como responsável, como curador de um certo domínio da natureza existente no mundo.

No Decá de um irmão de santo, em Boa Vista

No Decá de um irmão de santo, em Boa Vista

Ah, não. Pai de Santo não tem uma vida fácil. Muito pelo contrário. Primeiro que eu, pra mim já é uma coisa particular minha. Eu não tenho o costume e dormir cedo, eu só durmo meia-noite, 1h da manhã, tendo o que fazer ou não tendo. Quando a gente tem o que fazer tá procurando fazer, quando eu não tenho eu vou ler um livro, ligar pra um amigo, vai pra internet teclar com alguém ou procurar outros conhecimentos. Eu acordo muito cedo, principalmente quando tem alguma coisa envolvida com o Orixá, com a religião, com o santo. Porque tem muitas coisas que são feitas de madrugada, tem muitas coisas que são feitas pelo raiar do dia, tem muitas coisas que são feitas somente à noite, então tem que esperar dar 6h, 7h da noite pra começar a fazer e, principalmente, tem pessoas que vêm nos procurar pela manhã, pela tarde, pela noite. Algumas pessoas só podem vir no final de semana, no sábado ou no domingo. Algumas pessoas só podem vir pela parte da manhã cedo, antes de ir pro trabalho, porque só sai do trabalho 9h ou 10h da noite. Entendeu? Não é uma vida fácil não. Pras pessoas que fazem tudo certo, tudo correto, com humildade, com amor e com respeito ao santo são pessoas que prosperam. Eu falo por mim, são pessoas que prosperam e têm o que eu tenho. Eu tenho casa, comida e roupa lavada. Mas eu faço por onde. Eu não fico sentado na minha cadeira de balanço fumando cigarro.

Oferenda nas águas pra Iemanjá

Oferenda nas águas pra Iemanjá

Sou cozinheiro formado pelo Senac, já trabalhei muito em escritório. No meu último emprego, entrei como auxiliar de escritório e saí como gerente de RH da empresa e foi o tempo que eu mudei pra cá e a gente começou a fazer a construção de um barracão novo e começa uma coisa aqui,

Oxumaré, no Rio de Janeiro, quando foi ser padrinho de uma filha

Oxumaré, no Rio de Janeiro, quando foi ser padrinho de uma filha (2008)

aumenta uma coisa pra lá e foi ficando, ficando. O santo realmente me sustenta. Dona Maria Padilha trabalha e me sustenta, seu Marinheiro trabalha, me sustenta, Iemanjá me dá equilíbrio emocional de vida e me dá tudo o que eu quero. Não que eu fique esperando o santo bater na minha porta e me entregar. A gente trabalha justamente pra atender as pessoas que vêm procurar e achar pra poder ter a retribuição, seja ela financeira ou não, mas eu não vivo exclusivamente do santo. As pessoas que vivem exclusivamente do santo elas acordam de manhã sedo, despacham porta, segunda-feira fazem reza à Obaluaê, dá um agrado a Exu, terça-feira agrada Ogum, quarta-feira Xangô, quinta-feira Oxóssi, sexta-feira Oxalá, Sabado as iabás, domingo aos ibejis, os cabocos, pretos velhos e pombagiras. Eu não tenho o costume de fazer isso. Na minha casa eu faço sete tabuleiros durante o ano. Por coincidência ontem foi o último dos sete, já arrumando a casa pra obrigação e depois da obrigação virá o Olubajé, que será dia 26, sete dias depois da minha festa de 21 anos de axé, de consagração a Iemanjá, mas tem pessoas que fazem isso mesmo. Eu conheço muitas pessoas, elas vivem pro santo e vivem do santo, porque elas trabalham sete dias por semana, se acordando 5h, 6h da manhã, porque tem coisas pra fazer na porta de casa, cedo, sem ter muito barulho de cachorro, de trânsito, de carro, de gente conversando. Se acordam cedo e dormem tarde. Eles vivem junto com o santo, vivem pro santo e dependem do santo.

Maria Padilha das Almas

Maria Padilha das Almas

Olha, eu já formado no santo fui pra formatura de uma tia minha. E o Pai Lídio, ele é meu avô, eu chamo ele de pai, mas é meu avô. O pai de santo do meu pai de santo, mas eu chamo ele de pai. Não tenho costume de chamar ele de vô, só chamo ele de pai. As pessoas me vêem chamando ele de pai

Festa pra Iemanjá (2006)

Festa pra Iemanjá (2006)

e pensam que os meus tios são meus irmãos, então eles acabam se confundindo e me chamando de irmão. E eu fui pra formatura dela de mãe de santo, a Laíde de Xangô, no bairro da redenção. E pra mim foi uma surpresa, inclusive eu acho que pros demais que estavam presentes, que ele disse a ela que a partir daquele dia ele iria embora pra Salvador porque ele não mora em Manaus, roda o Brasil inteiro, ele não para mesmo. E que se ela precisasse dele, que ela mandasse uma carta ou ligasse, ou que se ela fosse fazer alguma coisa e se sentisse sozinha, que ela me chamasse, porque eu era irmão de santo dela. E não, eu sou sobrinho dela, mas mais velho do que ela, porque eu já era formado e ela ainda tava se formando, que eu era irmão de santo dela e muito capaz e competente pra ajudá-la a fazer as coisas. E foi isso que aconteceu, alguns meses depois, não me recordo, ela recolheu um barco, que como chamamos

Festa pra Oxumaré (julho/2007)

Festa pra Oxumaré (agosto/2007)

os yaôs que vão ser iniciados no culto na religião. E ela recolheu um barco e esse barco recolheram três pessoas, um menino de Obaluaê, que hoje em dia está dentro da minha casa, não está mais com ela, está comigo, sempre se deu comigo, que é o João, que, inclusive, já tomou a obrigação de sete anos, ele não é formado porque eu não dei baixa a ele, ou seja, não dei o decá, porque ele mesmo não quis, por ser uma pessoa muito ocupada, mora na estrada. E Obaluaê achou que eu não deveria dar, então ele se tornou um ebami, um filho mais velho, que significa em Iorubá; o Bosquinho, o pai Bosquinho de Oxum, que também era do barco, foi eu que raspei ele; e uma moça que eu não me recordo o nome dela agora, que raspou Oxóssi, não se é Conceição ou Socorro, salvo me engano, que eu não me recordo o nome certo. Eram as pessoas que tinham no barco e tirando, começando a iniciação, ou seja, os 21 dias de recolhimento, a primeira semana dos sete dias de Ebó, tirando primeiro o Ebó deles, eu cheguei no final da tarde na casa dela e os materiais já estavam todos prontos pra esfriar pra gente poder começar a fazer os trabalhos, ou seja, começar a fazer os Ebós do yaô propriamente dito, dos novatos, logo mais à noite. E ela estava manifestada com a dona Mariana. Lá vem de novo a dona Mariana na história, a dona Mariana é uma entidade, não por me perseguir pro mal, mas sempre está próxima, junto a mim, mesmo sem eu incorporar com ela, sempre ela está metida em alguma coisa pra me ajudar ou pra me mostrar . E tinha um senhora por nome Lourdes, que hoje é minha filha de santo, tá oborizada de Xangô, mora

Festa pra Oxumaré (agosto/2007)

Festa pra Oxumaré (agosto/2007)

em São Luís do Maranhão, é mãe carnal de duas filhas de santo que freqüentam a minha casa, uma de Xangô também, minha filha que tem obrigação de 3 anos e essa que eu vou comentar agora, que é a Lourdes que é essa que eu tô citando. Estava lá com a dona Mariana, e a dona Mariana estava esperando eu chegar e dizer pra mim que eu fizesse o favor de jogar pra senhora que estava ali presente, que até então eu não sabia quem era, e hoje em dia é minha filha de santo, que é a Lourdes, dona Lourdes, uma senhora mais velha do que eu. E eu jogando pra ela, mas o problema não era com ela, era com a filha que estava com um problema no seio. Ela tinha um tumor maligno no seio e o médico no Cecom iria cortar o seio dela e Iansã disse a mim que era ela, não a causadora da enfermidade, mas que ela tinha a solução, mas que a menina ou a mãe teria que ser iniciada no Candomblé, ou seja, o pagamento da troca de energia seria alguma pessoa da família adentrar à religião, ou seja, seria esse o sacrifício. E ela me perguntou se eu garantisse que se a filha dela tirasse um ebó, tomasse um bori, se ela ficava boa, e eu garanti. Porque Iansã tava dizendo pra eu falar isso. E eu garanti, e ela voltou pra casa, falou ao marido, que hoje em dia já é falecido. O marido foi no hospital, tirou a filha, levou pra mim na mesma noite e eu dei ebó na menina, e enquanto eu tava passando ebó no corpo dela o tumor estourou. Não era maligno, os médicos tinham se enganado. Ou, se era maligno, Iansã colocou pra fora porque estourou o tumor, ela se lavou toda de sangue. Inclusive eu fiquei muito nervoso, porque eu era mais novo. Ela tomou já a obrigação de 14 anos, eu tinha acabado de me formar. E ela dormiu pro santo. No amanhecer do dia, o pai veio a saber através da esposa, que o tumor da filha dele tinha sido estourado, estava interno, não aparecia nada. Mas eu não sei como aquilo estourou. Eu acredito muito nos espíritos, de trabalhar com eles, Iansã colocou pra fora, e ele veio a saber, e o próprio pai dela veio a obrigá-la a raspar a cabeça, porque a própria menina não queria saber disso de jeito nenhum, mas ela, obrigada pelos pais, principalmente pelo pai carnal, ficou. Ele comprou todo o material, ela foi raspada. Iansã dela é lindíssima, ela virou com o santo na noite de dá nome ao santo, o santo pegou ela, veio pra sala, se paramentou toda, dançou, e hoje em dia ela tá aí viva e pra contar a história. Eu não me esqueço nunca e tem muitas coisas, muita passagem, muito testemunho, mas essa eu não esqueço de nenhum detalhe. Eu troco uma palavra aumento alguma coisa, mas não invento nada. Era exatamente isso: ela tinha um tumor no seio e hoje em dia ela não tem nada, se tem dor de cabeça e febre eu nem sei, porque ela não me conta. Ela já tomou obrigação de 14 anos, já fez 14 anos de santo. Eu lembro que eu citei pra vocês, nas previsões dos búzios, na passagem de ano, que um político muito influente iria morrer, pra mim seria ou Gilberto Mestrinho ou Jefferson Péres ou Arthur Virgílio ou Amazonino Mendes, se eu me recordo bem. Pra mim foi um choque quando eu soube que o homem tinha morrido.

Olubajé de Obaluaê (agosto/2007)

Olubajé de Obaluaê (agosto/2007)

Eu digo que é pra as pessoas da religião se preservarem, que tenham mais respeito consigo próprios, que tenham mais repeito com o Orixá, que tenham mais respeito com a casa onde se foram iniciados, que tenham mais respeito com o sacerdote ou com a sacerdotisa que o iniciou. Mesmo que hoje em dia não estejam mais na casa, que tenham mudado de casa, já tenham mudado de mão e até de religião, mesmo que seja uma outra religião do segmento do Candomblé, que seja Ketu, Jeju, Nagô, Angola, mas que se preserve principalmente a humildade da espiritualidade, porque todos os orixás são humildes, todos eles. Orixá se veste de adorno de brilhantes, de diamantes, de ouro, de latão, de palha. Então se o orixá se veste de palha, de latão, de chitão, por que que nós só queremos nos vestir de Richelieu; ou seja, por que só nós que somos orgulhosos? Então que se preserve a religião. Atualmente a gente vê muita coisa, ouve muita coisa, fala muita coisa por ouvir bobagem e acaba interpretando errado e falando também errado. Mas o crescimento é exatamente esse, conforme a idade. As pessoas falam que os mais velhos não sabem fazer nada. Elas sabem. Elas podem até não ter mais forças pra fazer, mas elas têm a sabedoria. Então pergunte das pessoas mais velhas, pergunte das pessoas que tenham mais experiência. Às vezes tem umas pessoas mais novas, mas elas tem mais experiência por viver, entre aspas, 24 horas dentro do terreiro. Eu tenho filho de santo que já é sacerdote formado, com 7 anos, 8 anos, 9 anos, 10 anos. Eu tenho filho de santo que já tem 14 anos, como essa menina, a Lourdes. E eu tenho filho de santo que tem 1 ou 2 anos que sabe mais coisa do que ela. Por que? Ela é casada, mãe de família, ela trabalha fora, então ela não vive 24 horas dentro do terreiro, ela não vive todo final de semana no terreiro, ela não vem todo final de mês no terreiro. Ela vem uma vez ou outra quando tem realmente obrigações dentro da casa, que ela tem que se fazer presente. Mas tem pessoas mais jovens do que ela, que não é casado, é solteiro, são desempregados, que ainda é jovem, somente estuda, outros que nem estudam, quer dizer, tem mais tempo hábil pra fazer as coisas, pra aprender, porque além de ter a teoria, você tem que ter a prática, porque não adianta você saber que ebô é uma comida de Oxalá, que é feita de milho branco e que é cozido. Mas é cozido como? Na água com sal, na água com açúcar, somente com água, que horas que tem que cozinhar, se pode cozinhar no sol quente, arreia onde, se é na tigela de louça, se pode colocar num alguidá, se faz isso, se faz aquilo? Quais são as qualidades que faz? O que faz pra Oxalá além do ebô? Quer dizer, as pessoas que freqüentam, não todo dia, mas principalmente que freqüentam todo dia, elas aprendem mais rápido, porque além dela pegar a teoria ela principalmente pega a prática.

Festa pra Oxóssi (julho/2008)

Festa pra Oxóssi (julho/2008)

Que Iemanjá abençoe a nós todos. Eu já tô às vésperas de me recolher, eu já me recolho sábado e hoje é quarta-feira, então falta aí três dias, eu tô muito apreensivo, muito emocionado, mesmo porque não se faz 21 anos de santo todo dia, só se faz uma vez na vida, e que Olorum, Obatalá, Orumilá, Odudua, que Xangô Airá, que foi o santo que me raspou, patrono da cabeça do meu pai de santo, nos cubra de força, nos cubra de felicidade, nos cubra de energia e, principalmente, que nós tenhamos todos os dias o que comer na nossa mesa e saúde.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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