Arquivo para 22 de outubro de 2008

A INTELIGÊNCIA DO MARKETING ELEITORAL

Que não há vida inteligente no marketing, isso se sabe. E muito menos no marketing eleitoral, sabe-se mais ainda. Magicar truques persuasivos para vender objetos desnecessários, como soe acontecer com a publicidade de consumo, não fica nenhuma dúvida sobre a miséria intelectual dos marqueteiros. E quando se trata dos truques dos marqueteiros eleitorais, aí escancara a inutilidade epistemológica. Vejamos dois momentos marqueteiros da campanha de Amazonino.

1 – “Manaus inteira quer a volta do “Negão”. Entre nesse coro.”

2 – “O trabalho está de volta.”

Com zero esforço cognitivo se tem a confirmação da nula inteligência.

Primeiro momento – “Manaus inteira” corresponde ao conjunto de toda população manauara: eleitores, não eleitores, turistas, cachorros, gatos, periquitos, todo ser vivo e não vivo que compõe a Cite-Manô. Logo, todos querem o “Negão” de volta. Inclusive nós deste bloguinho intempestivo, o próprio candidato Serafim, e todos os que vão votar no lusitano. Na linguagem reducionista: “Não tem pra ninguém!” Só para o “Negão”. É a glória do princípio de identidade: Uno-“Negão”. “Manaus inteira” mostra que não há eleição em Manaus. Tudo não passa de simulação. Só tem “Negão”. A exacerbação do pensamento mágico: desejar que a realidade corresponda à magia da imaginação. Triste truque.

Entre nesse coro”. Como entrar no coro se Manaus inteira encontra-se atolada de “Negão” e não cabe mais nem um assobio? Aqui, pede-se a atenção da justiça eleitoral: Quem é convidado para entrar no coro é quem está fora de Manaus, e os fora de Manaus são eleitores de outros municípios. Se eles entrarem no coro, fica caracterizado um estelionato eleitoral, onde o “Negão” é eleito com votos “itinerantes”, vindos de outras cidades. Aí se materializa a ilusão: o “Negão” não vai ser só prefeito de Manaus, mas de toda a região metropolitana. E, de quebra, dançam todos os outros prefeitos dos municípios “negãomente” metropolitanizados. Até o petista de Itacoatiara. Essa a “parainteligência” dos marqueteiros “negãonizados”: a mágica da pomba saindo da cartola. Se colar, colou.

Segundo momento – Como Amazonino encontra-se quase seis anos fora do poder executivo, o seu “o trabalho está de volta”, força o ínfimo esforço intelectual acreditar que durante seis anos ninguém trabalhou em Manaus. O que significa que todos que receberam seus salários durante estes anos receberam injustamente, já que não trabalharam. Inclusive seus eleitores. E o pior: Manaus se tornou uma cidade assombrada, onde todos os trabalhadores são fantasmas: ganham sem trabalhar. Uma pergunta: se todos são fantasmas, quem vai pôr “as mãos às obras”? Pelo que se sabe, fantasma não encara o pesado, a matéria que implica a produção do trabalho. Fantasma é fantasma, nada mais do que fantasma, como poderia dizer Shakespeare. E se uma criança de 4 aninhos, ouvindo esse “trabalho está de volta”, pergunta a sua mãezinha: “Mãe, como é esse trabalho?” Qual poderia ser a resposta dessa bondosa mãe para satisfazer a curiosidade da filhota? Qual seria o recurso didático capaz de levar a criança a entender? Usar uma imagem? Mas trabalho não tem imagem. E aí, que trabalho é esse? Por certo que sendo uma mãe sincera ela iria se desvencilhar da pretensão e confessar: “Filha, fico te devendo essa. Vou estudar Marx, que ele pode muito bem me ensinar o que é o não-trabalho, então estarei capacitada para responder tua inquietação”.

E assim, de truque em truque, os marqueteiros vão mostrando suas inteligências.

A INDÚSTRIA ORIGINAL MORDE SEU PRÓPRIO RABO QUANDO ATACA A PIRATARIA

Quando surgiram os primeiros apetrechos neo-tecnológicos, apêndices da indústria do entretenimento, os proprietários dos meios de produção não imaginariam que as próprias crias fossem se voltar contra os “criadores”.

Quando a onda tecnológica se reduzia aos CD Players, aos Walkmans, aos microsystems, ainda não se visualizava o estrago que se faria na indústria audiovisual: é que o produto em si, a produção artístico-comercial, vinda dos artistas, esta era a real fonte de riqueza, e o industrial se interpunha entre o emissor-produtor e o receptor-consumidor.

Com a ascensão das mídias domésticas, notadamente com o CD gravável (CD-R) e o regravável (CD-RW), a ameaça se tornou visível: milhares de pessoas deram adeus às prateleiras das lojas de cedê e passaram a copiar as músicas ou obras inteiras de originais comprados por amigos e emprestados aos “piratas”.

Da pirateação individual, para deleite solitário ou em soirée com os amigos, para uma para-indústria da pirateação foi um salto. O barateamento dos equipamentos de duplicação em massa dos chamados originais só facilitou, e cada pessoa hoje pode ter uma minigravadora em casa. Como se não bastasse o baque, as ultra-novas mídias, como o mp3 player, o Ipod, os aparelhos celulares, os pen-drives e a própria internet deram o que parece ser o golpe de misericórdia na velha maneira de se comercializar música e vídeo.

A BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA DA INDÚSTRIA DE ENTRETENIMENTO

Hoje, as principais manchetes dos jornais e suplementos de informática trazem a luta das empresas gravadoras e detentoras dos direitos de uso e reprodução de obras artísticas audiovisuais contra a comunidade “Discografias”, do Orkut, que reunia exatos 766.619 membros, no momento em que este texto foi escrito, e cuja principal atividade é a disponibilidade de links para sites de armazenamento de dados, onde se encontram arquivos que remontam a uma discoteca com incontáveis artistas musicais de todos os tempos. Em cada tópico dedicado a um artista, o visitante tem acesso a links para praticamente toda a sua discografia. Existem tantos quanto imaginar o leitor intempestivo. A comunidade é organizada por três pessoas, mas os links são postados pelos próprios participantes. Os administradores são anônimos.

A principal inimiga da “Discografias” é a APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música), fusão de duas entidades de defesa dos interesses das indústrias fonográfica e audiovisual. A APCM tem pressionado o Google, administrador do site Orkut, a acabar com a comunidade, alegando que estaria em desacordo com a legislação do país. O Google tem feito subtrações aqui e acolá na comunidade, eliminando tópicos e deletando usuários, com a justificativa de que o site é para discussão, e não compartilhamento.

O Google chama o Orkut de site de relacionamentos. Trocar arquivos, como dantes se trocavam LP´s e depois CD´s, não é uma forma de se relacionar? Paradoxalmente, foi necessária ameaça de exclusão do Orkut da web brasileira para que fossem liberadas informações de perfis de suspeitos de troca de material de pedofilia no site, por parte da polícia federal.

Contra a lepra orkútica que assola a comunidade, os usuários lançaram um abaixo-assinado eletrônico que pretende reunir um milhão de assinaturas contra a atitude do Google.

A PROPRIEDADE E SUA USURPAÇÃO

Como já pirateado neste bloguinho, a lei deixa de ser nomos (potência-comunalidade efeito da composição racional dos seres humanos em coletividade) para ser tirania quando as leis servem menos à produção de comunidades mais vastas do que à conservação de interesses econômicos.

A propriedade, seja ela física ou “intelectual” – como querem as indústrias do entretenimento – é sempre uma corrupção das relações com o outro. Um produto é o resultado do trabalho, que é sempre coletivo, ainda que realizado por um homem apenas. É coletivo porque envolve saberes e a capacidade humana de transformação da matéria, características comuns a todos os humanos, uma vez que são desenvolvidas em convívio. E o produto do trabalho é sempre coletivo, na medida em que este trabalho remete a uma coletividade de humanos. Até mesmo Platão, em Atenas, na Grécia, sacou essa, quando afirmou em sua Res Publica (coisa pública) a necessidade de levar em conta as profissões e habilidade dos cidadãos na construção de uma democracia.

Na propriedade, corruptela do produzir, é necessário esvaziar do objeto o seu caráter de finalidade. Todo produto remete a um fim, a sua instrumentalidade ou finalidade. Na transfiguração do objeto-produto em objeto-mercadoria, perde-se a sua finalidade. Para o capitalista ou o agente do mercado capitalista, o arroz não tem a função de alimento: sobrepõe-se a esta a sua valoração abstrata como ente absoluto no reino das relações humanas. O capitalista não compra o arroz para comer, mas para transformá-lo em lucro, trocando-o pelo objeto-mor do mercado do valor relativo: o dinheiro.

Assim, o desespero empresarial em torno da troca de mídias audiovisuais nos meios da novíssima tecnologia é o medo do déjà vu: o já-visto. Quando uma gravadora se “apossa” de uma música, ou no caso, de todo o catálogo de obras de um artista, ela se apropria não como entidade socialmente engajada na comun-ação desta obra, mas como mercado capitalista de produção de lucro: a mais-valia produzida pelo artista.

Com as mídias, há um curto-circuito na segmentaridade e no fluxograma do lucro empresarial: sem as distâncias e sem a limitação tecnológica, o fã chega ao artista sem ter que passar pela loja de discos ou videoteca. Pela internet, baixa o filme do diretor preferido, seja ele cinegrafista ou cinegástrico, e ainda descola as legendas na língua natal feitas por algum multilíngue solidário que fez o arquivo de legendas. Podem ainda comprar as músicas ou baixá-las gratuitamente, de zil sites e blogue. E caso ainda não tenha sido abraçado pela inclusão digital, pode comprar os cedês e devedês a preço módico no camelô da esquina.

As campanhas recentes das indústrias tentam aproximar o comércio da pirataria com o mercado das chamadas drogas. Consumir produto pirata é financiar o tráfico. Mas tampouco comprar aquele cedê daquela artista das pernas grossas e da voz fina é compactuar menos com o tráfico: não é por acaso a indústria do mainstream, dos holofotes e do lusco-fusco das superstars e seus produtores e gravadores-engravatados um dos que mais consomem os produtos do mercado do barato?

Dois outros argumentos mostram-se tão fracos quanto o anterior: o primeiro é aquele que afirma o prejuízo financeiro ao idolatrado-querido artista, que ficaria sem o seu quinhão da venda dos cedês “originais” a cinquenta e poucos Reais (dos quais ele recebe generosos 5 centavos, quando muito). O Radiohead faturou mais com o seu pague-o-quanto-quiser “In Rainbows” do que com os dois discos anteriores. Os artistas paraenses Calypso e Wanderley Andrade (dentre outros) distribuem os lançamentos diretamente aos camelôs, e vivem dos shows que fazem, e que jamais lotariam se os fãs não tivessem acesso facilitado às obras.

O segundo argumento é o que afirma que a indústria pirata lucra, não paga impostos e não gera empregos. Então não seria o caso de incentivar a sua legalização? Ou será que, mesmo pagando impostos, os comerciantes piratas continuariam vendendo os cedês e devedês muito mais barato do que a indústria original? Não que não haja conglomerados piratas que exploram a mão-de-obra “camelozal”, não se trata disso: é a indústria original é que não é nenhuma vestal, muito menos tem mais direito de explorar a mão-de-obra artística do que seus “primos pobres”.

NÓS SOMOS OS POBRES!”

O revolucionário não está na indústria pirata, que é apenas uma outra face da moeda do mercado capitalista, mas na produção da riqueza: riqueza aqui no sentido que o filósofo Toni Negri dá à palavra, marxeando-a: modos de produções de relações materiais e imateriais produtoras de novas relações e produtos no mundo. Produção de outros modos de existir. A parafernália tecnológica foi criada com o intuito de capturar e imobilizar ainda mais o consumidor nas suas relações de dependência com a indústria tradicional. Eis que, a partir da potência criadora, estes consumidores, o elo mais fraco da corrente, os pobres, criam novos caminhos, desviam, cavam buracos, escapam, furam a parede, e quando a indústria se dá conta, os aparelhos de capturação são usados para a libertação da dependência econômica dela, na produção de outros tipos de relação e até de uma nova forma de solidariedade. Resta a esta indústria se adaptar ou fenecer.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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