Arquivo para 18 de novembro de 2008

DE SANCTIS CONTINUA. A “FAMIGLIA” DANDANTAS TREME…

Há um Direito Constituído, o conjunto de leis fixas que formam o corpo jurídico da jurisprudência do Estado, e o Direito Constituinte, a potência que apanha a jurisprudência dominante, interpreta-a, avalia-a no contexto-pulsante do momento social, e manifesta uma nova matéria-jurídica como necessária a este contexto-pulsante: ultrapassagem jurídica do que era código no Direito Constituído. A jurisprudência filosófica do Direito Constituinte. A potência criativa que afirma ser o Direito não um corpo eterno de leis fixas, mas um movimento metafísico (ultrapassagem) como aprimoramento das leis frente a outras leis de acordo com os interesses democráticos.

Enquanto o Direito Constituído é corpo máximo do jurista de carreira, que só interpreta a lei e a torna aplicável, de uma certa forma, sua defesa psíquica/profissional, ao jurista-filosófico, ele é o corpo de partida para ampliação dos movimentos dos cidadãos e ampliação da credibilidade social. Por tal, afirma o filósofo, Deleuze: “O que é criador de direito não são os códigos ou as declarações, é a jurisprudência. A jurisprudência é a filosofia do direito, e procede por singularidade, por prolongamento de singularidade”. A singularidade do Direito Constituinte.

DE SANCTIS E A FILOSOFIA DO DIREITO

O juiz do caso policial/jurídico mais contagiante da História do Brasil, De Sanctis, deve continuar nos processos Daniel Dantas. Dois votos contra um dão-lhe o direito jurídico de permanecer julgando pareceres, provas e emitindo opinião-jurídica, tudo que a defesa de DD não queria, daí o pedido de seu afastamento. Mas os juízes que votaram a seu favor, não apenas atenderam uma vocação jurídica, mas também a opinião da maior parte do povo brasileiro. O povo que ver na atuação do juiz De Sanctic não somente um profissional talentoso, mais acima de tudo um homem que sabe movimentar a potência constitutiva da Filosofia do Direito para que o direito se torne justiça social. Tudo que a “famiglia” jurídica que defende DD não pode realizar por encontrar-se presa nos emaranhados dos atalhos que o Direito Constituído pode lhe oferecer para salvar seu(s) cliente(s). Nada de interpretar o corpo da lei e aplicá-la como pede o Código, mas usar supostas “brechas” jurídicas para fazer prevalecer a impunidade. A indignidade de uma advocacia que é paga com dinheiro extraído criminosamente do poder público.

Todavia, De Sanctis pode deixar o caso, não por trapaça jurídica, mas por promoção. O juiz pode ser elevado a um cargo superior ao que hoje ocupa. Como trata-se de um profissional ilibado, sua aceitação não será tida como um “a vaidade falou mais alto”. Dependendo de quem possa substituí-lo no caso, de qualquer sorte, o povo espera que ele permaneça.

COISAS DA CARREIRA PROFISSIONAL

Conseguir condenar um suspeito como Daniel Dantas, para o Brasil, não é uma ilustre promoção? Não vale mais que o reflexo da hierarquia e o aumento salarial que o novo cargo proporcionará?

Parece ser uma decisão pessoal, mas não é.

SE É PARA O BEM DA DEMOCRACIA, DIGA AO POVO QUE ELE FICA

Para a democracia, o dia do Fico do juiz De Sanctis é mais necessário que o de Dom Pedro. Para alegria dos brasileiros e desespero de uns poucos da famiglia DanDan. Eis a nota:

Diante do interesse público gerado acerca da inscrição para a promoção por antiguidade deste magistrado ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cabe-me esclarecer o que segue:

1. Este magistrado tem conhecimento da relevância do cargo de Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, maior Corte Federal brasileira, que compreende causas oriundas dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul;

2. Manifestações apoiando a minha promoção foram realizadas, como também não a apoiando, estas últimas em especial por parte de brasileiros que desconheço, mas que confiam no trabalho deste magistrado. Agradeço a todos sem exceção;

3. Durante os últimos 30 dias do prazo para a inscrição à promoção, houve de minha parte intensa reflexão, que tem sido para mim árdua porquanto a antiguidade, como critério objetivo, constitui-se, por ocasião de sua incidência, o momento natural de promoção do magistrado, daí a relevância deste esclarecimento à população;

4. A perplexidade, contínua, tem me revelado, quiçá, que a decisão não se encontraria madura para ser adotada de imediato. Tratar-se-ia de decisão pautada na incerteza, fato que poderia levar a interpretações equivocadas e teoricamente incompreensíveis para um magistrado;

5. Não se trata de menoscabo ou desprezo de cargo relevante, muito menos de apego ou desapego;

6. De certo em alguns meses novo edital de promoção possivelmente se efetivará e novas vagas surgirão, de molde que esta minha decisão é temporária;

7. Importante pontuar que num Estado de Direito não há espaço para pessoas insubstituíveis, caso em que significaria a total falência das instituições;

8. O trabalho que está sendo executado na Sexta Vara Federal Criminal de que sou titular por muitos anos, com a importante ajuda de um corpo de abnegados funcionários, não se restringe a esta ou àquela hipótese, mas a uma soma de ações que visa a melhor entrega da tutela jurisdicional;

9. A inamovibilidade do magistrado afigura-se prerrogativa justamente para permitir a sua remoção ou promoção quando do momento considerado apropriado. Trata-se de um direito subjetivo e necessário;

10. Não é a primeira vez que um magistrado deixa de se promover a um Tribunal por vontade própria e, provavelmente, nem será a última. Há muitos casos tanto na esfera federal, quanto na estadual;

11. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região e seus membros são merecedores de grande respeito pelo que representam e realizam. Acredito na Corte Federal e na sua importância. Contudo, não é possível adotar uma decisão sem estar inteiramente convencido de seu acerto;

12. Acima de tudo, o respeito e a dignidade do ser humano sempre têm que ser preservados, não importando a profissão ou o cargo que ocupa ou o local onde é exercido. Juiz é sempre juiz, independentemente da instância ou de sua nomenclatura.

DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

Deu meia-noite

tem coruja no telhado,

hoje é noite de magia

a Cigana vem aí.

.

Quando ela vem

Santa Sara é quem nos guia,

nesta noite de magia

o fluído é do amor.

.

Ela traz rosas,

fitas, velas perfumadas,

lá na capela o sino já bateu.

.

Na encruzilhada o galo já cantou,

vamos acender a chama

do fogo do amor.

.

Amor que hoje

está faltando nos terreiros,

está faltando em sua casa,

falta então no mundo inteiro.

Cigana Mãe Emilia 01 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

O amplo e bonito terreiro de Nochê Hunjaí Emilia de Tóy Lissá estava maravilhosamente organizado com as mais variadas cores em belos adornos, a mesa estava posta com as mais deliciosas comidas e mais saborosas bebidas. Os convidados preenchiam o ambiente, tendo entre os presentes pais e mães de santo, filhos de santo de diversas casas, estudantes, professores, simpatizantes, todos que foram apreciar a tão famosa festa da Cigana.

Cigana Mãe Emilia 02 por você.


Cigana Mãe Emilia 08 por você.

Cigana Mãe Emilia 05 por você.

E quando zoaram os tambores, Mãe Emilia formou a roda, puxando as rezas e espalhando a mais a espiritualidade naquele espaço. Todos se regozijaram com o ritmo e as rezas cantadas para diversos cultos afro, pois como explicou a conhecida e respeitada Yalorixá, que também é presidente da FUCABEAM – Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas, estavam presentes numa comunhão diversas casas de santo, e, além de ser festa da Cigana, ali é a sede da Fucabeam e a Fucabeam é para todos, então todos tiveram vez de puxar suas rezas, seus pontos, seus magníficos cantos.

Cigana Mãe Emilia 12 por você.

Cigana Mãe Emilia 09 por você.


Tem coruja no telhado

Hoje é noite de magia

Quem trabalha com Exu

Não tem noite, não tem dia

Cigana Mãe Emilia 10 por você.

Cigana Mãe Emilia 13 por você.

Cigana Mãe Emilia 20 por você.


Entre os diversos ilustres convidados, e todos eram ilustres, pois nos cultos afro não existe discriminação de espécie alguma, estava a moçada do FOPAAM – Fórum Permanente Afrodescendente do Amazonas, que puxa a luta da negritude na cidade de Manaus e atua pela inclusão do negro e da igualdade racial.

Cigana Mãe Emilia 41 por você.

A companheira Dulci Batista, que é coordenadora do Fórum, assessora da Cáritas Arquidiocesana de Manaus e Militante do Movimento Negro, falou sobre a participação deles nessa noite na casa de Mãe Emilia:

Hoje nós estamos aqui na Fucabeam, enquanto Fórum, celebrando 100 anos da Umbanda, juntamente com esta festa Cigana, que é uma tradição daqui da casa, e celebrando também o 20 de novembro, que é o dia que nós temos como o Dia Nacional da Consciência Negra, no Brasil todo, então a nossa presença aqui faz parte das atividades do Fórum durante todo esse mês de Consciência Negra, dizer que estamos aqui, que somos solidários e defendemos a liberdade de culto.

Cigana Mãe Emilia 17 por você.

Cigana Mãe Emilia 14 por você.


Mandaram um recado para mim,

dizendo que Marabô ia chegar.

.

Também mandaram me dizer

que ele vem acompanhado de mulher.

.

É Maria Mulambo, cigana de fé,

É Maria Padilha, rainha do Candomblé.

Cigana Mãe Emilia 19 por você.

Cigana Mãe Emilia 16 por você.

Cigana Mãe Emilia 25 por você.

Pombogira é mulher de sete maridos

Pombogira é mulher de sete maridos

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Cigana Mãe Emilia 26 por você.

Cigana Mãe Emilia 24 por você.

E finalmente eis que chegou Dona Cigana, trazendo ao terreiro seus cantos, suas rezas, seu perfume, suas flores e sua graça de dançar, recebendo o carinho e respeito de pais e mães de santo, filhos e convidados e distribuindo sua alegria contagiante e suas bênçãos a todos os presentes nessa noite de luar, noite de magia.

Cigana Mãe Emilia 28 por você.


Eu vinha numa longa madrugada

Numa longa estrada encontrei as cachoeiras

Eu vinha numa madrugada

Eu encontrei uma linda cachoeira.

.

Sentei naquela pedra

E procurei meu cigano Wladimir

Me banhei nas cachoeiras

E procurei meu cigano Wladimir.

.

Eu sou Cigana, ciganinha

Sou Cigana do Amor

Eu sou aquela Cigana

Protetora das mulheres.

Cigana Mãe Emilia 30 por você.


Conversamos com Mãe Emilia, que nos falou apaixonadamente dessa Cigana que veio à vida dela auxiliar as pessoas necessitadas de ajuda espiritual, curar, dar conselhos desde que ela muito jovem.

Ela é uma Cigana oriental, sempre que ela vem ela dança com qualquer um espírito que tiver, mas ela é uma Cigana oriental. Ela veio do Egito. Ela não trabalha somente como cigana, ela trabalha como aquela mulher maravilhosa, uma enfermeira, uma médica, que cura. Chegam pessoas aqui loucas, com câncer… Ela tá pronta pra ajudar. Vou pelos interiores, ela desce, faz cura, faz tudo. Ela cruza vinte e uma linhas, por onde ela passa, a linhagem dela, os fundamentos dela. Ela cura muito, trabalha também em desunião, uma pessoa que tá precisando de uma paz, um amor na vida, ela ajuda demais. E não é à custa disso [dinheiro], porque ela diz que tá desempenhando a missão dela aqui na terra. Por caridade. E eu trabalho por caridade. Cobro sim os meus búzios que eu boto, feitura, que o filho tem de comprar as coisas pra poder se preparar. Mas durante a minha vida, ela nunca, nenhum deles nunca cobrou nada de ninguém.

Cigana Mãe Emilia 43 por você.


Dizem que a Cigana é uma rosa

Que nasceu no meio dos espinhos

Dizem que a Cigana é uma rosa

A Cigana é uma rosa

Que vai iluminar os teus caminhos.

Cigana Mãe Emilia 31 por você.

Cigana Mãe Emilia 35 por você.

Veio até um babalaô que viu pela internet e veio aqui para comprovar se era aquela Cigana que ele encontrou na Turquia, e ele chegou aqui e comprovou que era ela. Eu nem sabia. Ele ficou no cantinho, escondido, pra ver se ela conhecia. E ela deu a volta todinha e foi lá com ele e deu o bauzinho dela, que ela ganhou, ela tinha ganhado um lindo baú, pois ela foi lá e deu pra ele: “Tá aqui pra provar que sou eu.” Impressionante. E ele disse: “Olhe, diga pra Mãe que eu quero vir aqui conversar com ela, porque eu encontrei. Ele é até turco. Sempre vinha gente turca na minha casa pra conversar com ela, porque ás vezes ela vinha como a Deusa do Sol, então ela se comunicava com eles, e eles me disseram que voltariam pra fazer um templo de mármore pra ela. Eu estou esperando que um dia possa acontecer. Esse eu não sei nem como é que ele estava, as moças que depois me falaram. Talvez quinta-feira eles vão vir…

Cigana Mãe Emilia 39 por você.


Então a roda foi formada para a distribuição da deliciosa e abençoada farofa. Os filhos viam de um em um para comer a farofa que Mãe Emilia e Mãe Maria colocavam em suas mãos, alguns convidados também foram provar, enquanto os da roda cantavam e dançavam…


Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Coma a farofa que Exu vai lhe dar

Cigana Mãe Emilia 46 por você.

Cigana Mãe Emilia 47 por você.

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Levanta a farofa que Exu já comeu

Cigana Mãe Emilia 48 por você.

E chegou a hora de Dona Cigana receber os parabéns, cortar seu bolo e distribuir seus diversos presentes. Todos cantaram, comeram e ficaram felizes com o que receberam de Dona Cigana.

Cigana Mãe Emilia 49 por você.

Cigana Mãe Emilia 50 por você.


Mas os tambores continuaram a festa propagou-se pela noite, contagiando a todos por essa bela comemoração da Cigana, que veio através de Mãe Emilia cantar, bailar, distribuir suas palavras aos atentos ouvidos e todos a admiraram em beleza, graça, suavidade, ternura e sabedoria. Axé!


Cigana Mãe Emilia 53 por você.

Eu sempre digo assim pra Deus: “Meu Deus, botaste essa Cigana no mundo, essa mensageira?” Desde a minha infância eu sonhava com ela. A primeira vez eu fiz uma saia (na época só se usava comprido), e vesti a saia vermelha, com folho, e não sei como foi, eu senti assim que me rodaram. Ela veio: “Essa roupa me pertence.” Desde esse dia, pronto, lutar eu lutei muito. Eu perguntava pra Deus: “Como tu me botaste numa outra missão, eu, pura, pra me casar contigo, Senhor?” Mas hoje eu agradeço a Ele até o dia em que Ele quiser. Tô cumprindo a minha missão até quando Ele quiser. Peço que Deus e Eles dêem a benção a todos aqueles aflitos e desesperados, que Deus dê muita paz e muito amor pra todos.

Cigana Mãe Emilia 54 por você.

Cigana Mãe Emilia 57 por você.

Cigana Mãe Emilia 56 por você.

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Meu pai é rei da Turquia

Meu pai é rei da Turquia

SEDUC APLICA O MÉTODO ‘APROVAÇÃO 100%, EDUCAÇÃO 0%’

Não é de agora que o Bloguinho Intempestivo vem mostrando que a administração do governador Eduardo ‘Guerreiro de Sempre’ Braga se pauta menos pela democracia no plano da socialidade do que ao marketing do vazio no plano do hiper-corpo político.

No plano da educação, onde o Amazonas amarga as últimas colocações nos índices de qualificação, vez por outra o governo noticia alguma vitória, alguma conquista, como se a mesma fosse resultado da metodologia revolucionária que este implanta na rede pública de ensino fundamental (6a à 9a).

Mas a realidade que se encontra nas escolas, pelos partícipes desta instituição, passa longe do marketing audio-tele-escrito.

Esta semana este Bloguinho Intempestivo apurou, através de fontes intempestivas, que em duas escolas estaduais, uma na zona Norte (Cidade Nova II), outra na central (bairro Centro), professores estão sendo obrigados a adulterar notas de alunos dos primeiro e segundo bimestre do ano, a fim de que as escolas possam alcançar o índice mínimo de aprovação. A ordem é aprovar a todo custo.

Como se este fora um referencial de produtividade, estes professores tem sua permanência na escola condicionadas à prática ilegal e anti-educacional. Se o professor é concursado, tem estabilidade, então a ameaça é de remoção para outra escola, num bairro distante de sua casa. Quando o caso é de professor contratado, a ameaça ocorre “ao inverso”: se ele seguir todas as orientações dos distritos, seu contrato será automaticamente renovado.

O mesmo deve estar ocorrendo em outras escolas.

A prática da instituição educacional do governo do Estado está mais para ensignação do que para educação. Uma ensignação que procura eliminar toda e qualquer possibilidade de produção autônoma por parte de alunos e professores. Daí, ser um sistema de alunos e professores, não de estudantes e educadores. Que entende os jovens, adultos e velhos que frequentam a escola não como individuações, processuais de singularização, mas como indivíduos padronizados, números, estatísticas. Um conteúdo programático distanciado anos-luz das relações sociais em que os alunos estão envolvidos, professores massacrados pelas relações de exploração do trabalho e do sub-emprego (embora muitos compactuem com esta subjetividade violentadora), e uma metodologia que privilegia o automatismo e a hierarquia do subalternismo. Por isso não interessa ao governo realizar o esperado – pelos professores – concurso público.

Enquanto oculta o medonho (des)educacional, que transborda na violência social e na estupidez, que é produto da repressão e da ignorância, o governo maqueia o defunto, seja através dos índices estatísticos, seja pelo simulacro do real pela máquina que engole o homem. Engôdo que o filósofo Michel Serres, com suavidade, desfaz, ao afirmar que “o saber é função da raridade” – o pensamento, não a imagem, clichê ressoado pela recognição cotidiana praticada nas escolas.

Mas enganam-se o governador ‘guerreiro’ e o filósofo da Betânia, Gedeão, secretário de educação, quando crêem que a fonte única e intransferível do saber é a escola. Fora dela, os estudantes se fazem estudantes no mundo, nas relações, no amor, no fazer comunitário e na importância da sua práxis. Lula, que só tem o diploma de presidente do Brasil, que o diga.

A BRECHTIANA MARIA DA PENHA NA CIDADE DAS HEROÍNAS

Do vazio do poder e do engodo-simulacro da democracia representativa, que entende o demos apenas como número e não como composição intensiva das potências de agir de seus habitantes, pode-se extrair alguns acontecimentos, sintomas do quão aguda é a doença social produzida pela subjetividade do capital, tão graves quanto a alcunhada crise, mas sem a mesma visibilidade midiática.

Manaus, que elege dentre seus representantes para o exercício do legislativo quase todos os exploradores televisivos e radiofônicos da miséria social – sintoma do sintoma? – e que tem autoproclamadas representantes do movimento feminino nas instâncias legislativas e executivas mulheres (no signo sujeitado faloculturalmente, que fique claro) que se sujeitam aos desígnios e interesses muy machistas de maridos, amantes e patrões. Cita-se aqui a economista Renata, que jamais se quis líder, representante ou edil (ainda), mas que expôs, com farta documentação, afirma a Procuradoria Geral da República, as agressões físicas e psicológicas sofridas por ela e pela primeira-dama, capitã de um Centro de Desenvolvimento Humano, desferidas pela dupla de sócios, o governador Eduardo Braga e Ney Barros. Cabia Maria da Penha neles. Elas, no entanto…

MARIA DA PENHA, BRECHT E AS GARCIANETTES

Na manhã de ontem, na Assembléia Legislativa do Amazonas – ALE, a convite da deputada Conceição Sampaio (PP), a meiga Maria da Penha falou sobre a lei que batizou, com a sua história doméstica, que ela fez transbordar politicamente, expondo as entranhas da boa família de classe média e suas violências cotidianas. Maria, que sofreu todas as formas de violência e fez-se democrática apenas por não querer para as outras aquilo que havia ocorrido a ela: anos de violentação, um tiro pelas costas e a não condenação do ex-marido.

Não sabe, talvez, a doce e engajada Maria que a deputada que a convidou, e que se pretende a defensora das mulheres indefesas, elegeu-se e elege-se graças à condição de insegurança social, física, psicológica, alimentar, de pertencimento, intelectual, de convívio e de ausência da proteção do Estado produzida pelos governos aos homens e mulheres, em toda a parte de Manaus. Governos aliados ao PP de Conceição, através de seu presidente, o ex-deputado Francisco ‘Sortudo‘ Garcia. Talvez por isso o silêncio da defensora das mulheres quando a agressão a ser investigada é a do governador. É na emissora de Garcia – poderia ser em outra, todas se fazem iguais, mas é lá – que Conceição, que começou como repórter esportiva e se orgulha de ter entrevistado Roberto Dinamite, só de toalhinha, no vestiário do Vivaldo Lima, passando pelo programa dos já decadentes Nonato Oliveira e Lupércio Ramos, com quem aprendeu que exibir o desespero criado pela miséria social dos governos é atalho para chegar um dia a fazer parte destes governos. Sempre, é claro, mantendo a subalternidade, já que Manaus é a cidade que não teve uma mulher sequer compondo chapa na eleição para a prefeitura. Se até as universidades da cidade, pretensas detentoras do título de consciência intelectual da sociedade, caíram na esparrela, porque não Maria da Penha?

Mas Maria da Penha escapa. Não carrega os mesmos elementos de culpa, resignação e ressentimento desse movimento feminista nascido ao largo do paternalismo dos Garcia, com conceições, rebecas e iguais. Escapa ao falso truanismo falocrático de Lins, Sinésios, Rottas, Souzas, Bragas, Mendes e tantos outros, apenas vetores do mau encontro que é a subjetividade falocrática, ainda predominante nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Enquanto em mil vinhetas supercoloridas as Garcianettes se heroicizam na perpatuação da miséria, Maria da Penha, na sua atuação, compõe com Brecht: pobre da cidade que precisa de heroínas!

MEC QUER ENSINO OBRIGATÓRIO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRAS

Segundo a Agência Brasil, um Plano de Implantação da Lei 10.639/03 vai ser elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de fazer com que o ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira seja obrigatório nas escolas públicas e privadas. Espera-se que este processo seja acelerado por meio de metas e planejamentos de projetos. Após seis reuniões regionais, um relatório foi elaborado por uma comissão constituída por entidades educacionais e do movimento negro, ao qual servirá como base para a proposta.

Uma das dificuldades apontadas por este documento, que será entregue ao ministro Fernando Haddad no próximo dia 20 (Dia Nacional da Consciência Negra), é “a falta de institucionalidade e continuidade das ações”.

Segundo o secretário de Educação, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, a crítica é válida, mas a responsabilidade não pode estacionar no ministério, já que as redes estaduais e municipais podem investir mais neste ponto. “Eu acho justa a crítica de que as ações são pouco sistemáticas e a melhora disso passa pela formação dos professores, o material didático, o financiamento, o monitoramento do processo. Mas a responsabilidade não é só do MEC, mas de todo o sistema de ensino. Claro que o MEC, pelo seu papel, precisa ser protagonista e acredito que temos cumprido isso”, disse Lázaro.

O que diz a Lei 10.639/03 em seu artigo 26-A é o seguinte:

Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

Tanto a comissão que preparou o documento em questão quanto o secretário André Lázaro estão corretos em seus argumentos. Não há realmente uma continuidade e institucionalidade das ações, bem como as redes estaduais e municipais são omissas em oferecer um engajamento maior nesta questão.

Mas outra questão se apresenta. Mesmo que estas dificuldades sejam superadas de nada adiantará se for conservado o processo de ensino-aprendizagem capitalístico: manutenção da objetividade que institui como metro padrão a constante, de expressão e conteúdo, a qual cristaliza o ensino de cultura e história fundamentado em uma “realidade” homem-branco-masculino-adulto-europeu-colonizador-senhor-heterossexual-burguês.

Fica, portanto, evidente o fato de que não se trata somente de se fazer cumprir uma lei. Mas de fazer com que novos modos de existência possam irromper a partir da criação de um processo de ensino-aprendizagem o qual possa produzir problemas ontológicos sobre os negros por eles próprios. Daí poderá despontar o entendimento de uma história e de uma cultura onde o Ser é o efeito das transformações da realidade pelas ações do homem no mundo. E não um Ser caracterizado e caricaturizado mediante um modo não sensível: a idéia vazia de efetividade.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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