Arquivo para novembro \24\-04:00 2008



GOVERNO BRAGA GARANTE A LANTERNA DO ENEM PARA O AMAZONAS

Nos mais variados lugares certos e horas certas a educação é usada como a panacéia, o milagre, a salvação para os mais diversos problemas. Em quase todos, uma palavra vazia que em nada movimenta a existência de ninguém, muito menos promove modificações na ordem social. Tal discurso vazio serve ainda para supermaquiar corrupções que vão desde sucateamento das escolas, passando por superfaturamentos de materiais educacionais e chegando até desvio de merenda escolar. Projetos de educacionais que compreendem a totalidade da vida do estudante não existem aí; importa somente o blefe da marketeação.

No caso do Amazonas, parece que chegou na saturação: quando o marketing não está mais garantindo a maquiação e a estrutura corroída aparece frágil ao mais suave sopro, como diria Foucault. Depois de ter sido o segundo pior colocado do ENEM 2007, o Amazonas evoluiu e segurou a lanterna do ENEM 2008.

Pressentindo o fiasco, há poucas semanas da realização das provas do Enem, a Secretaria de Educação e Qualidade de Ensino – Seduc (que qualidade!) ainda tentou remediar, fazendo uma semana de adequação dos professores a preparar os alunos para as provas. A partir daí o secretário de Educação ordenou que seriam trabalhados apenas conteúdos voltados para o Enem. Mas de nada adiantou a chantagem da dupla Braga/Gedeão, somando-se todos aqueles problemas que apontamos acima à ausência de professores nas escolas do Estado, não deu outra, para um governo que adora visibilidade, o Amazonas aparece como o estado que ficou em último lugar. Parabéns!

Tabela 9. Desempenho na parte objetiva no ENEM por Unidade da Federação – Brasil 2008

Região/Unidade da Federação

Geral

Concluintes

Egressos

Amazonas

34,56

33,48

35,55

Alagoas

34,76

33,94

36,08

Tocantins

34,92

33,65

36,51

Acre

35,15

34,32

36,27

Amapá

35,23

34,14

36,38

Roraima

35,47

35,56

35,46

Maranhão

35,62

34,08

37,01

Piauí

35,78

35,01

36,65

Norte

36,07

34,85

37,14

Bahia

36,70

35,69

37,19

Sergipe

36,81

36,05

37,44

Pará

36,90

35,57

38,11

Paraíba

37,13

35,66

38,89

Nordeste

37,29

36,16

38,18

Rondônia

37,44

36,26

38,14

R. G. do Norte

37,47

37,14

37,97

Ceará

38,13

36,28

40,27

Mato Grosso

38,15

37,05

38,98

M. G. do Sul

39,36

38,00

40,31

Pernambuco

40,05

38,71

41,28

Centro–Oeste

40,32

39,58

41,12

Goiás

40,44

39,30

41,91

Brasil

41,69

40,54

42,49

Paraná

43,50

42,33

44,60

Distrito Federal

43,61

45,39

42,67

Espírito Santo

43,76

42,59

44,06

Minas Gerais

43,84

42,69

44,77

Rio de Janeiro

44,05

43,29

44,46

Santa Catarina

44,19

43,13

47,24

Sul

44,25

42,88

45,64

Sudeste

44,43

42,96

45,22

São Paulo

44,86

43,01

45,69

R. G. do Sul

45,06

43,42

46,33

Fonte:MEC/Inep.Tabela elaborada pelo Inep/DTDIE

Dá uma olhada como fica o fráfico. Bonito para o Amazonas. A dupla educacional Braga/Gideão vai ao delírio!

Gráfico ENEM 2008 por você.

Clique no gráfico para ampliá-lo.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

CHAGÃO PERGUNTA

O ‘Chagão!’ quer saber: No ano em que o Grêmio de Futebol Portoalegrense faturou a Libertadores e foi campeão do mundo (1983), houve uma partida da campanha tricolor que entrou para a história pela truculência e pela ameaça efetiva de morte dos jogadores brasileiros por parte dos argentinos. Tanto que o time azul, preto e branco, que vencia por 3 a 1, deixou o adversário empatar, e ainda comemorou quando um dos seus atacantes fez um gol, erroneamente anulado pelo árbitro. Você sabe de que partida estamos falando?

LINHA DE PASSE

O técnico Luxemburgo atribui a sua tristeza atual e possibilidade de sair do Palmeiras independente do resultado do clube no Brasileirão ao tratamento que as torcidas organizadas têm destinado ao clube e aos jogadores. Mas na realidade, não se trata disso. Primeiro porque a luxação do Luxa não foi produzida da forma como ele falou. Segundo o blogue do Juca Kfouri, que às vezes acerta, Luxa se machucou ao tentar chutar um torcedor, errando o chute e caindo sobre o cotovelo. As imagens da INFRAERO foram liberadas após pressão, mas o delegado que investiga o caso afirmou que necessita da ajuda de peritos para ampliar a gravação e entender o ocorrido. Além do mais, outro acontecimento que deve ter “entristecido” Luxa foi a goleada da seleção Nike-Brazil em Portugal, que deu sobrevida a Dunga, vetando ao menos por enquanto o acesso de Wanderley ao comando da canarinho. Luxemburgo, que é sócio no passe de metade (ou mais) dos jogadores do Palmeiras, que investiu pesado e pode ficar sem a vaga para a Libertadores e se deu ao luxo de dispensar el mago Valdívia, que mesmo com uma perna amarrada às costas joga mais que o meio-campo inteiro do atual time, que brigou com Marcos, ídolo do time, afirmou que não merece o que está passando. E a torcida do Palmeiras, merece?.

CAMPEONATOS NACIONAIS

Perdeu a graça. O São Paulo precisa de mais dois pontos para garantir o seu terceiro título seguido no Campeonato Brasileiro, e o sexto no total. Enquanto o time pelejava contra o fraquíssimo Vasco da Gama e vencia ao estilo tricolor (jogando nos contra-ataques e contando com a absurda incompetência dos atacantes vascaínos, incluindo Edmundo e Leandro Amaral – Dinamite, com seus cabelos prateados, faria melhor, e nem Madson, o verdadeiro baixinho de São Januário, com sua imensa vontade e talento, salvou), o Grêmio era vítima de uma vendeta pessoal: no início do ano, sem mais nem porém, o técnico Vagner Mancini foi sumariamente demitido do Tricolor Gaúcho, saindo pela porta dos fundos e atirando para todos os lados. Com o limitado elenco do Vitória, fez boa campanha, chegando a disputar vaga para a Libertadores, e pode se garantir na Sulamericana do ano que vem. Só não fez mais pelas patetadas da diretoria rubro-negra, que vendeu o avante Dinei e deixou o técnico sem opção à altura. Mancini agora, num lance do destino, dirão os românticos supersticiosos, tira do Grêmio a chance de ser campeão (alguém ainda acredita?) com uma sonora goleada, que deve garantir além da satisfação pessoal de Mancini, a renovação do seu contrato, mesmo contra Ramon, meia de destaque do time, e contra parte da imprensa baiana. Na disputa da Libertadores, o Mengão continuou a sina de amarelar na hora certa – para os adversários. Ele, que venceu o confronto direto com o Palmeiras, perdeu para o Cruzeiro, e se despediu do G-4. Mas todos ainda têm chances, veja no painel abaixo:

Adversários dos principais candidatos ao título/Libertadores ’09 até o final (em vermelho, fora de casa):

  • São Paulo: Fluminense, Goiásganhou, levou. Comemore, torcedor tricolor!

  • Grêmio: Ipatinga, Atlético/MG – dois milagres: um apagão homérico do São Paulo e duas vitórias seguidas. Os blogues esportivos gaúchos e brasileiros até agora tentam entender o que aconteceu para um time que liderou em 17 das 38 rodadas e chegou a ter 14 pontos de vantagem para o segundo colocado tenham perdido esta taça.

  • Cruzeiro: Internacional, Portuguesa – vencer e vencer. Se o Flamengo tropeçar, nem isso.

  • Palmeiras: Vitória, Botafogo – idem ao Cruzeiro, a não ser que Luxemburgo estrague tudo.

  • Flamengo: Goiás, Atlético/PR – vencer as duas partidas que lhe resta e torcer ao menos por um empate de Palmeiras e/ou Cruzeiro nas rodadas finais.

Já na ponta debaixo da tabela, do 13o em diante, todo mundo tem chances de conhecer o Brasil no Tour Série B 2009. Embora nem o Ipatinga esteja matematicamente fora, alguns tem missão mais ingrata que outros. Santos e Fluminense tem pouquíssimas chances, só mesmo perdendo os dois próximos confrontos e os times de baixo vencendo para ameaçá-los. A colônia lusitana treme no eixo Rio-Sampa. Veja o que cada clube precisa fazer para escapar da degola:

  • Ipatinga: Grêmio, Fluminense – um milagre, literalmente uma intervenção divina (ou do STJD): vencer seus jogos e torcer pela desgraça de TODOS à sua frente.

  • Portuguesa: Sport, Cruzeiro – vencer seus jogos, e torcer por tropeços de Vasco, Náutico e Atlético Paranaense.

  • Vasco da Gama: Coritiba, Vitória – vencer seus jogos e torcer por tropeços de Portuguesa, Náutico e Atlético Paranaense, além de rezar por noites inspiradas de Madson.

  • Figueirense: Botafogo, Internacional – o que se deu bem nos últimos confrontos. Precisa vencer seus jogos, e torcer para que Náutico, Atlético Paranaense ou Santos se dêem mal.

  • Náutico: Atlético/PR, Santos – precisa de uma vitória e um empate para se garantir. Se vencer o Atlético, dependendo de outros resultados, pode comemorar.

  • Atlético/PR: Náutico, Flamengo – se vencer o Náutico, se garante. Se perder, vai para o tudo ou nada no clássico dos rubro-negros.

Kléber Pereira ainda é o artilheiro, com 21 gols. Confira os resultados e vote na enquete:

36ª Rodada Série A – 20, 22 e 23/11

Figueirense 4 – 3 Náutico

Botafogo 2 – 2 Atlético/PR

Coritiba 5 – 1 Santos

Portuguesa 0 – 0 Goiás

Vitória 4 – 2 Grêmio

Vasco 1 – 2 São Paulo

Cruzeiro 3 – 2 Flamengo

Palmeiras 2 – 0 Ipatinga

Internacional 0 – 2 Fluminense

Sport 3 – 0 Atlético/MG

Classificação*

São Paulo  –  71

Grêmio  –  66

Cruzeiro  –  64

Palmeiras  –  64

Flamengo  –  63

Coritiba  – 53

Goiás  –  52

Internacional  –  51

Botafogo  –  50

Vitória  –  48

Sport Recife  –  48

Atlético/MG  –  47

Fluminense  –  43

Santos  –  43

Atlético/PR  –  42

Náutico  –  40

Figueirense  –  38

Vasco  –  37

Portuguesa  –  37

Ipatinga  –  34

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

* * *

Quase tudo resolvido na série B 2008. Na parte de cima da tabela, já se conhecem os quatro clubes que irão disputar o Brasileirão 2009 e tentar evitar o quarto título seguido do São Paulo. Além de Corinthians, Avaí e Santo André, o Grêmio Barueri se garantiu ao vencer o América de Natal por 3 a 0. O Bragantino, numa briga de foices com o ameaçado Fortaleza, perdeu em casa e deu adeus ao sonho de retornar à primeirona, ao menos neste ano. A emoção agora é apenas pela classificação final, e no caso dos catarinenses, a torcida para ter o clássico entre Avaí e Figueirense na primeira divisão do ano que vem.

Na parte de baixo da tabela a coisa está pegando. CRB e Gama já carimbaram passagem para a terceirona, e mais Criciúma, Marília, Fortaleza, América de Natal e muito remotamente o ABC ainda perigam trocar de divisão. O mais ameaçado é o tigre, que precisa vencer e torcer por um tropeço dos cearenses ou dos natalenses, mesma situação do Marília, que tem um ponto a mais. Fortaleza e América dependem somente de si para não cair. Os tricolores da Terra do Sol jogam seu futuro no Castelão contra o Brasiliense, enquanto os diabos vermelhos tem missão muito, mas muito mais ingrata: vencer o Corinthians. O artilheiro ainda é o edil Túlio Maravilha, com 23 gols. Confira os resultados e vote na enquete:

37ª Rodada Série B – 18, 21 E 22/11

Paraná 4 – 0 CRB

São Caetano 2 – 1 Juventude

Ceará 1 – 0 Gama

Bahia 2 – 1 Marília

Criciúma 4 – 4 Santo André

ABC 1 – 1 Ponte Preta

Brasiliense 2 – 1 Vila Nova

Barueri 3 – 0 América/RN

Bragantino 0 – 1 Fortaleza

Corinthians 3 – 2 Avaí

Classificação*

Corinthians  –  85

Avaí  –  66

Santo André  –  65

Barueri  –  63

Bragantino  –  57

Ponte Preta  –  55

Vila Nova  –  55

Juventude  –  53

São Caetano  –  53

Bahia  –  51

Paraná Clube  –  49

Ceará  –  49

Brasiliense  –  47

ABC/RN  –  45

América/RN  –  43

Fortaleza  –  42

Marília  –  42

Criciúma  –  41

Gama  –  34

CRB  –  24

* Em roxo, os classificados para a Série A do Brasileirão ‘09; em cinza, os rebaixados para a série C.

* * *

Série C do Brasileirão:

Encerramento do torneio, as últimas vagas disputadas até o último minuto, e infelizmente não deu para o Águia de Marabá, abatido em pleno vôo pela flecha Guarani, na cidade de Campinas, por 2 a 1. As vagas ficaram para o Atlético Goianiense (campeão), Guarani (SP), Campinense (PB) e Duque de Caxias (RJ). Os campeões receberam a taça na partida de hoje, com a Campinense, que terminou sem gols. E nem o cai-cai protagonizado pelos cariocas irão impedi-los de disputar a segundona do ano que vem. Caso fossem cassados, os paraenses herdariam a vaga. Infelizmente, não levaram, nem no campo, nem no tapetão. O Atlético Goianiense já tinha sido campeão da Série C, na edição 1990.

Copa do Brasil de Futebol Feminino: semifinais definidas, e tem amazoniquim na parada. As garotas da Nilton Lins, que venceram as maranhenses do Boa Vontade em casa, foram a São Luís e empataram sem gols. Agora, as Niltonianas encaram as leoas do Sport Recife, enquanto na outra semifinal, o Kindermann, de Santa Catarina, aguarda o vencedor entre Santos, Corinthians e Saad, que disputam nos tribunais a vaga, já que o Corinthians escalou uma jogadora irregular e pode perder a vaga nas quartas-de-final contra o Santos para o Saad.

CAMPEONATOS AMÉRICA DO SUL

Apertura Argentino’ 08: Las Boquitas están sonriendo! Nem nos sonhos mais alegres os auri-azuis imaginariam uma tabela como esta, a três rodadas do fim. O Boca jogando com raça e arrancando a vitória junto ao San Martín, enquanto San Lorenzo e Tigre perdem, e o arqui-rival, River Plate, na última posição, ameaçadíssimo pelo rebaixamento. Na próxima rodada os xeneizes encaram o clássico com la academia Racing, enquanto os millonarios pegam um mordido Tigre. Na artilharia, José Sand, do Lanús, com 14 tentos. Resultados:

16ª Fecha Apertura’08 – 21, 22 e 23/11

Arsenal 1 – 1 Newell’s

Banfield 0 – 0 Huracán

Racing 1 – 1 Gimnasia La Plata

Rosario Central 1 – 2 Independiente

Colón 0 – 0 Godoy Cruz

San Lorenzo 1 – 3 Lanús

River Plate 1 – 2 Argentinos Jrs

Vélez 2 – 0 Gimnasia Jujuy

San Martín 1 – 2 Boca Jrs

Estudiantes 3 – 1 Tigre

Classificação

Boca Juniors  –  32

San Lorenzo  –  30

Tigre  –  30

Lanús  –  28

Vélez Sarsfield  –  26

Newell’s Old Boys  –  25

Estudiantes La Plata  –  24

Colón  –  23

Gimnasia La Plata  –  22

Arsenal  –  22

Racing Club  –  21

Argentinos Juniors  –  21

Banfield  –  19

Independiente  –  18

San Martín (T)  –  17

Huracán  –  17

Gimnasia Jujuy  –  16

Rosario Central  –  14

Godoy Cruz  –  14

River Plate  –  13

* * *

Apertura Uruguaio’ 08: com o certame parado por conta da violência cometida por parte da torcida do Nacional e do Danubio no último final de semana, os times resolveram fazer algo “diferente”: para não perder o ritmo de competição, mesmo sem a disputa formal, resolveram jogar entre si, só por brincadeira – jogos amistosos. Assim, o Nacional venceu o Juventud de Las Piedras por 2 a 0, enquanto o Peñarol não saiu do zero com o Tacuarembó. O Danubio perdeu para o Villa Española por 1 a 0, nos mesmos Jardines del Hipódromo onde se deu a confusão passada. Não apenas curiosa, a atitude dos clubes uruguaios é quase humorística: na ausência do certame, joga-se o hiper-campeonato, ou será na falta do hiper-campeonato, joga-se o certame? Onde está o futebol? Nos confrontos amistosos entre os times que disputam o campeonato oficial, e não há torcidas beligerantes, nem a pressão por resultados? O Uruguai inventou o fim-de-semana sem futebol (com futebol). Sem futebol para a torcida, com futebol para os jogadores. Seria possível a um torcedor/repórter/pesquisador local perguntar aos jogadores em quais partidas eles desfrutam mais? Resultados aqui para este ‘Chagão!’.

CAMPEONATOS EUROPEUS

Ligue 1 Temporada 2008-2009: Rodada 15, os cinco primeiros são: Lyon (33), Nice (28), Marseille (27), Rennes e Paris Saint-German (26). Resultados: Paris Saint-German 1 – 0 Lyon, Saint-Étienne 0 – 1 Nice, Marseille 2 – 2 Lille.

* * *

Bundesliga 2008-2009: Rodada 14, os cinco primeiros são: TSG Hoffenheim (31), Bayer Leverkusen e Bayern Munique (28), Hertha Berlin (27) e Hamburg (26). Resultados: FC Köln 1 – 3 Hoffenheim, Arminia Bielefeld 2 – 1 Leverkusen, Munique 4 – 1 Energie Cottbus.

* * *

Premier League 2008-2009: Rodada 15, os cinco primeiros são: Liverpool e Chelsea (33), Manchester United (25), Aston Villa (24), Arsenal (23). Resultados: Chelsea 0 – 0 Newcastle, Liverpool 0 – 0 Fulham, Aston Villa 0 – 0 Manchester United.

* * *

Liga Sagres 08/09: Rodada 09, os cinco primeiros são: Leixões (22), Benfica (21), Nacional (17), Sporting (16), Marítimo (15). Resultados: Rio Ave 1 – 2 Leixões, Académica 0 – 2 Benfica, Nacional 1 – 0 Trofense.

* * *

La Liga BBVA Espanha 2008/2009: Rodada 12, os cinco primeiros são: Barcelona (29), Real Madrid (26), Villareal (25), Valência e Sevilla (24). Resultados: Barcelona 1 – 1 Getafe, Real Madrid 1 – 0 Recreativo Huelva, Villareal 0 – 3 Valladolid.

* * *

Série A Itália Calcio 2008/2009: Rodada 13, os cinco primeiros são: Internazionale (30), Milan (27), Napoli e Juventus (24), Lazio (23). Resultados: Inter 1 – 0 Juventus, Torino 2 – 2 Milan, Napoli 2 – 2 Cagliari.

* * *

Eredivisie Holanda 2008/2009: Rodada 12, os cinco primeiros são: NAC Breda e AZ Alkmaar (26), Ajax (25), FC Gronigen (23), PSV Eindhoven (21). Resultados: NAC Breda 1 – 1 NEC Nijmegen, AZ Alkmaar 2 – 0 Ajax, Willen II 3 – 0 Gronigen.

FLAMENGO, HOJE, É UMA NAÇÃO RUBRO-NEGRA?

O torcedor do Flamengo afirma veemente que sua paixão futebolística produz a nação rubro-negra, diferente de outras torcidas. Afirmação que chega às raias de uma “teologia” clubista. Agora, o Mengão luta desesperadamente para ficar entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro (?) para ter o direito de participar do maior e mais importante campeonato das Américas Latinas, cujo poder é, medindo as devidas proporções, semelhante à força política de seus países participantes quanto a construção, preservação e continuidade desenvolvimentista democrática.

Pois bem, depois de perder hoje para o Cruzeiro, que também quer abiscoitar a colocação, por 3 a 2, e encontrar-se em quinto lugar, com a vitória do Palmeiras sobre o outro mineiro – e haja mineiro contra o Mengão – Ipatinga, e faltando apenas duas rodadas, pergunta-se: Para você torcedor-fervoroso do Mengão, quem é mais importante, neste momento, Obama ou Obina?

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

LUIZ MOTT: UM TAPA POLÍTICO NA CARA DA HOMOFOBIA

O brasileiro Luiz Roberto de Barros Mott é uma das pessoas necessárias à consolidação da democracia no Brasil. Democracia que só existe na confluência desejante da diversidade, não na tolerância que é filha da hipocrisia moralista-religiosa. Assim, Mott tem sido uma voz atuante e produtiva nestes últimos 30 anos, sendo um dos pioneiros em falar sobre homofobia, homoerotismo e discriminação na tevê brasileira, quando lá existia vida inteligente.

Para @s leitor@s intempestiv@s que ainda não conhecem Mott, esta colunéeesima traz trechos de uma entrevista concedida à Tatiana Mendonça, publicada no blogue ‘Muito’, do jornal A Tarde (aqui). Também é possível conhecer um pouco mais sobre Mott na sua home page (ai, Luizoca, dá um upgrade nessa page, Lôca!) e também no site do Grupo Gay da Bahia. Esta colunéeeeesima também já deu uns toques no querido Mott, uns tempos atrás, numa boa, democraticamente. Divirtam-se a aprendam!

Luiz Mott, 62 anos, paulistano de nascimento, cidadão de Salvador, da Bahia, de Piauí, do Sergipe, antropólogo, mestrado em etmologia pela Sorbonne, em Paris, e doutorado em antropologia pela Unicamp. Eu vim para a Bahia depois de ter vivido uma relação heterossexual durante cinco anos, em Campinas, com duas filhas, aí então em 1978 eu assumi a minha homossexualidade e resolvi mudar para Salvador, fascinado pela beleza da cidade barroca, pelos negros, pelo clima e pelas frutas tropicais”.

Em menos de um ano de chegado à Bahia, eu já tinha um namorado baiano, com o qual convivi durante sete anos. Estávamos numa tarde vendo o pôr-do-sol no porto da Barra quando um machão, percebendo que nós éramos gays – apesar de extremamente discretos – me deu um tapa na cara, por pura homofobia. Foi a primeira vez na vida em que fui vítima de uma violência. Esse tapa na cara despertou a minha consciência da importância de defender os meus direitos como homossexual. Isso foi em 1979”.

(…) a partir desse tapa na cara eu escrevi um anúncio para “O Lampião” que era assim: Bichas baianas, rodem a baiana, vamos nos organizar. Vamos fundar um grupo homossexual. A partir daí, com a presença 17 pessoas, entre jornalistas, estudantes, professores, fundamos o GGB. Na época já existiam outros grupos, mas com o tempo os mais antigos desapareceram e o GGB se tornou o grupo mais antigo do Brasil e da América do Sul”.

E sobretudo quando me tornei um militante homossexual constatei que as igrejas, o judaísmo, o cristianismo, o islamismo e o protestantismo, sobretudo religiões fundamentalistas evangélicas, são a principal fonte de manutenção da homofobia. Nos púlpitos e nas televisões evangélicas é onde mais se divulga a intolerância e o preconceito contra os homossexuais. Sou incansável lutador contra o papa anterior e o Bento 16, que são os maiores inimigos dos homossexuais na modernidade, e contra os evangélicos que continuam associando homossexualidade ao diabolismo. Mesmo no candomblé – que embora seja uma religião muito aberta aos orixás hermafroditas, homossexuais, bissexuais – não tem um discurso explícito de defesa dos homossexuais, considerando que grande parte dos pais-de-santo, mães-de-santo e filhos-de-santo têm uma sexualidade aberta inclusive ao homoerotismo”.

Os homossexuais, que hoje preferem ser chamados de LGBT, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – colocando o “L” na frente para favorecer a visibilidade das homossexuais femininas – estão cada vez mais sendo alvo de políticas afirmativas por parte do governo federal. Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente da República a incluir num documento oficial a palavra homossexual, em 1996, e em 2002 o primeiro presidente a falar publicamente a palavra homossexual, defendendo a união entre pessoas do mesmo sexo. De lá para cá, no governo Lula, foi aprovado o Programa Brasil sem Homofobia, incluindo 10 ministérios e mais de 100 ações afirmativas, garantindo aos gays não privilégios, mas direitos iguais”.

Mentalidade não se muda por decreto, mas havendo leis como a lei contra o racismo, mas a lei contra a homofobia com certeza vai garantir aos homossexuais o amparo legal para sua cidadania plena”.

No geral, há progressos. No nível institucional, legal, da visibilidade. Cada vez mais os gays aparecem nos jornais. Na televisão, as novelas ainda censuram até o beijo gay, quando mostram cenas quase explícitas de sexo entre heterossexuais. As novelas, embora tenham mostrado com mais naturalidade casais gays ou casais de lésbicas, ainda existe muito puritanismo e muita censura no que se refere às relações homoeróticas. A televisão insiste em abusar de caricaturas e estereótipos negativos de homossexuais, principalmente nos programas cômicos, como o do Tom Cavalcante. Essa imagem do gay ultraefeminado, caricato, palhacinho, explorado também em novelas… Nem os negros, nem os judeus, nem as mulheres são ainda mostrados com tanto preconceito nem tanta estereotipia como os homossexuais”.

É absolutamente inaceitável, injusto e cruel que insultar um negro na rua ou discriminá-lo implique em crime inafiançável e o mesmo insulto ou discriminação praticado contra uma lésbica, um gay ou um travesti não signifique nada”.

(…) O grande preconceito dos legisladores em apoiar a adoção por parte de homossexuais se baseia num preconceito que já foi completamente descaracterizado por pesquisas científicas nos Estados Unidos e na Europa, que mostram que crianças e adolescentes criados por gays ou lésbicas não se tornarão necessariamente homossexuais, do mesmo modo que eu sou gay e minha mãe e meu pai eram heterossexuais. Eu não copiei o modelo deles”.

A idéia de que os homossexuais mantêm relações mais efêmeras também já foi descaracterizado por pesquisas, sobretudo na Holanda e na Suécia, onde é autorizado o casamento e o divórcio de pessoas do mesmo sexo, e se constatou que essas relações têm se mantido tão estáveis e “ordeiras” como as dos casais heterossexuais. E o curioso é que num mundo onde cada vez mais as pessoas não querem se casar e lutam pelo divórcio, os gays e lésbicas são a última tribo romântica que está lutando pelo sagrado direito de se enforcar com a gravata no dia do casamento ou de se prender aos doces laços do matrimônio”.

Nós somos do tempo em que Aids era chamada de peste gay. Quando o GGB começou a distribuir preservativos no centro da cidade, com folhetos explicativos, um vereador evangélico intolerante disse que era um escândalo, que era uma vergonha, que o GGB estava distribuindo em uma mão a camisinha e na outra mão uma lata de vaselina. (…) E a realidade não é essa. Muitos e muitos meses falta de preservativos distribuídos pela Secretaria da Bahia, estado e município, e falta de material de informação e prevenção voltado pra essa população. É importante que haja campanhas veiculadas na televisão, em horário nobre, falando sobre a importância de que todos se previnam, sem se referir à existência de grupos de riscos, porque segundo a epidemiologia falar em grupos de risco aumenta o preconceito e não leva necessariamente à prevenção por parte das populações mais expostas ao HIV e às demais DST”.

O Brasil é um país contraditório no que se refere à sexualidade e a homossexualidade em particular. (…) O lado cor de rosa e glamouroso é representado pelas paradas, pela presença de gays e travestis na televisão, de cantoras que há rumor constante de que são lésbicas, mas que poucas são assumidas, enfim. Comparativamente a outros países da América Latina, a homossexualidade no Brasil é muito mais visível e exuberante do que no Chile, no Peru, no Equador. São Paulo tem a maior parada do mundo, com quase três milhões de pessoas, no Rio são 1 milhão e em Salvador, meio milhão. Na Bahia, há mais de 15 paradas pelo interior. O lado vermelho sangue é o do dia-a-dia. Os homossexuais expulsos de casa, insultados, espancados na rua, discriminados pela polícia e sobretudo a violência física – que vai desde o golpe “Boa Noite, Cinderela”, que embebeda ou que faz com que os homossexuais se tornem reféns de golpes de exploradores – e sobretudo a que leva ao assassinato. A violência letal contra os homossexuais no Brasil é uma calamidade pública. O Brasil não é o país mais homofóbico do mundo – aqui não há leis anti-homossexuais, como no Egito, no Sudão, no Iraque – mas é o país onde há mais assassinato de homossexuais”.

Nem todos os crimes têm uma conotação claramente ou explicitamente homofóbica, porém do mesmo modo como os negros apontam para o racismo institucional para explicar as mortes de negros e mestiços, assim também os homossexuais, quando são vítimas de um crime, mesmo que seja um michê, um garoto de programa que praticou latrocínio, com certeza ele foi inspirado pela homofobia cultural, na medida em que ele parte do pressuposto preconceituoso de que o gay é frágil, efeminado, socialmente mais vulnerável, que não vai ter nenhum vizinho que vai prestar socorro se ele gritar, testemunhas vão se recusar a depor, com medo de se envolver com um gay, um travesti, que são considerados marginais ou sub-categorias sociais”.

O que eu acho que é fundamental é que as delegacias da mulher ou as contra o racismo tenham pessoas especializadas em atender gays, travestis e lésbicas, para que possamos encaminhar nossas denúncias, evitando que a omissão e a impunidade reforçem a prática de novos crimes”.

Os gays, lésbicas e travestis são vítimas de um complô do silêncio da historiografia oficial que nega a existência da homossexualidade entre VIPs ou que heterossexualiza VIPs homossexuais, como por exemplo a omissão da homossexualidade de Santos Dummont, o nosso grande herói nacional, ou a heterossexualização das cartas de Shakespeare”.

O depoimento que eu dou é que não me arrependo um só minuto de ter assumido a minha verdadeira essência existencial. Para mim, parafraseando Jean Genet, esse célebre escritor francês homossexual, a homossexualidade foi uma graça. Ele dizia “pra mim a homossexualidade foi uma bênção”. Foi uma graça eu ter assumido. Pra mim foi fonte de alegria, felicidade e muita ajuda”.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gays (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ SUÉCIA RETIRA TRAVESTISMO DE LISTA DE DOENÇAS. Depois do casamento gay liberado, agora a Suécia decidiu remover o travestismo e outros termos designativos de gênero, como o fetiche e o transtorno de gênero da sua lista de doenças. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Lars-Erik Holm, o objetivo é evitar que certos comportamentos sexuais sejam vistos como doença. Na prática, significa que o discurso médico não poderá mais atuar no “controle” desta população. Exceto quando mistura ciência e superstição pseudo-teológica. Aí é o caso de se questionar se os discursos médico e psy (psicólogo, psiquiatra, psicanalista) são compatíveis com os dogmas – não à fé, que é outra coisa – da Santa Sé e dos movimentos ev(dis)angélicos. E a resposta só pode ser “não”. Tem gente que vai oxigenar o cabelo só pra ir dar uma volta lá pelos primos nórdicos… Sentiu a brisa, Neném?

Φ MÉDICOS ESPANHÓIS FAZEM MILITÂNCIA RELIGIOSA EM CONSULTÓRIO. Alguns médicos espanhóis do Serviço de Doenças Infecciosas de Madrid, que é referência mundial no combate à AIDS, elaboraram um manual intitulado “Adolescentes Contra a AIDS”. O problema é que as informações contidas no manual não são científicas ou advindas de uma análise social: o manual é uma série de clichês, dentre os quais, afirmar que o público homoerótico é naturalmente mais propenso à doença, além de criticar o uso do preservativo como meio de prevenção, pregando que somente a abstinência evita totalmente a doença. Houve médico que falou em “céu” e “inferno” para pacientes. Na Espanha, onde a Igreja fez um contrato de apoio mútuo com a ditadura franquista, este tipo de ranço ainda é de se esperar, ainda mais com o reaparecimento destas forças reacionárias no âmbito mundial. Quando afirmamos que a AIDS é uma doença da moral capitalista (burguesa-cristã), este tipo de atitude é uma evidência. A desinformação e a doutrinação em nome de outros interesses, que dificultam ainda mais o combate à doença. Sentiu a brisa, Neném?

Φ DEPUTADO MATOGROSSENSE BRIGA PELOS DIREITOS LGBT. O deputado estadual do Mato Grosso, Alexandre César, que é líder do PT na Assembléia Legislativa do Mato Grosso, pediu aos seus colegas celeridade na votação dos projetos de garantia da cidadania LGBT. Segundo ele, existem dois projetos emperrados na casa, o 117/08, que pune a discriminação por orientação sexual, e o 760/07, que institui o 17 de maio como o Dia Contra a Homofobia no Mato Grosso. Ele acusa a Assembléia de ser deliberadamente lenta quando o assunto são as leis afirmativas para o segmento LGBT. Trata-se de um aliado importante, e que leva a discussão dos direitos LGBT para uma casa legislativa. Ponto para o Mato Grosso! Agora, se ele é ou não, não importa. Vale o engajamento, meu bem! Te toca, horrorosa! Sentiu a brisa, Neném?

Φ RECIFE, CAPITAL DO TURISMO FRIENDLY. Atenção gays e gayas de todo o Brasil! Quem pretende viajar, pegar uma praia, tomar um sol, ganhar uma cor, paquerar, ser paquerado numa cidade com calor, sol, alegria e amigável ao turista LGBT já tem destino certo: Recife, a capital do frevo. A Associação Brasileira de Hotéis de Pernambuco lançou a campanha “Pernambuco Simpatiza com Você” (é marketing, mas nessa eles acertaram, baby), que capacita funcionários dos hotéis a receberem e garantirem o conforto e os direitos LGBT. Quem quiser ainda dar uma escapadinha para Olinda, também encontrará hotéis da campanha, e até em Jaboatão dos Guararapes! Não tem L, G, B, T ou aliado que não se sinta privilegiado, ainda que seja, é claro, por razões econômicas, não é, benzinho. Então está combinado: praia, sol, mar, gente gostosa, vamos pra Récife, oxente! Sentiu a brisa, Neném?

Φ BRASIL NO WORLD OUT GAMES, BENZOCA!! O presidente da ABGLT, Toni Reis, convocou, e eles saíram do vestiário! O pessoal do Rio de Janeiro está organizando uma delegação para competir nos Jogos de Copenhague, o Out Games, promovido pela ILGA . O objetivo é elencar um grande número de atletas, que façam também um numerante-intensivo, a fim de entrar com um pedido de patrocínio junto ao Ministério dos Esportes. E vejam só, apareceu a Fernanda, da Paraíba, o Léo, de Goiás, os dois da turma do vôlei, o Rafael e o Valdimário, do futsal da Bahia, até a Luanna Marley, cearense que falou que existem os jogos LGBT na terra do Sol (dá-lhe, Luizianne!). Que toda esta equipe, diferente do esporte de alto rendimento de mais-valia e nada de rendimento social-comunitário, mande bronca numa boa no evento, participe, jogue, brinque e produza idéias sobre direitos humanos e cidadania LGBT. PS: A Gilvanésia mandou avisar que na categoria caminhada, não tem pra ninguém! Sentiu a brisa, Neném?

Φ V SEIMNÁRIO NACIONAL LGBT NO SENADO FEDERAL! A Frente Parlamentar Pela Cidadania LGBT, a ABGLT, o Projeto Aliadas e a SEDH/PR promovem no próximo dia 27 deste mês o V Seminário LGBT. Presenças confirmadas de Paulo Vanucchi, dos Direitos Humanos, da senadora Fátima Cleide, relatora do PLC 122/06, de Toni Reis e mais toda a moçada envolvida afetiva e afetantemente com a luta pela cidadania plena LGBT. O objetivo do seminário é aprofundar o conhecimento sobre os temas relativos aos direitos humanos e cidadania LGBT (para acessar a programação, clique aqui). Quem estiver geograficamente próximo, mas principalmente existencial e afetivamente próximo desta causa, deve participar. Por que dos nossos parlamentares, par-lamentavelmente não se pode esperar muitas idéias, então o negócio é transbordar esse Senado com a potência democrática gay (democrática-gay é redundância, sabemos). Quem puder ir, que vá, e quem não puder, de olho na tevê senado na próxima quinta-feira! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

CINEMA: DUAS CENAS EVANESCENTES

Há quem diga que ver é ter visto. Aí a certeza de que há um mundo, e que é real. Quem assim diz não suspeita das evanescências, dos percursos, dos fugazes. Não suspeita que o cinema é a arte, o resto é filme — Uma vez Hollywood: a certeza do visto.

DOIS SUSPEITANTES CINESÓFILOS

Para desinformar a informação da tirania do visto, sem ser visto, apresentamos dois filósofos com suas trânsfugas imagens óticas- dissonantes.

Walter Benjamin, filósofo alemão, para Brecht, seu amigo, “a primeira grande vítima do nazismo”. Para não ser aprisionado, se suicidou.

O cinema é a forma de arte que corresponde à vida, cada vez mais perigosa, prometida ao homem de hoje. A necessidade de se entregar a efeitos de choque é uma adaptação do homem aos perigos que o ameaçam. O cinema corresponde a profundas modificações do aparelho perceptivo, estas mesmas que experimenta hoje, na escala da vida privada, o primeiro transeunte que vem pela rua de uma grande cidade, ou à escala da história, não importa que cidadão de um Estado contemporâneo.”

Antonioni, cinesófilo italiano, criador do cinema Blow-Up, arte imprescindível a todos que se tomam como filosofantes. O cinema que desconstrói a Teoria do Conhecimento dita acadêmica.

Dessa maneira, uma esquina de rua fracamente iluminada pela luz de um revérbero existe concretamente na película. Levando mais longe o raciocínio, podemos concluir que a película é mais sensível que a célula fotoelétrica, cuja agulha, nesse caso, nem se mexe. Vamos adiante (no plano teórico, já que no plano prático poderíamos deixar de lado estas outras considerações): a película provavelmente registra tudo, não importa sob qual luz e até mesmo na obscuridade, como faz o olho dos gatos e certo aparelho militar americano de invenção recente, mas nosso atraso técnico não nos permite desenvolver tudo isso que figura no fotograma. Sabemos que sob a imagem revelada se encontra uma outra imagem, mais fiel à realidade, e sob esta última ainda uma outra e novamente mais outra sob a última. E assim até que se chega a verdadeira imagem da realidade, absoluta, misteriosa, que jamais alguém verá. Ou, talvez, à decomposição de toda imagem, de toda realidade, o que daria uma razão de ser ao cinema abstrato.”

Evanescência da percepção e ilogicidade do entendimento. E há ainda quem afirma ver.

i iNDA TEM FRANÇÊiS Qi DiZ Qi A GENTi NUM SEMO SERO

@ ONU DIZ A GOVERNO BRASILEIRO QUE TORTURA É CRIME. A tortura patrocinada pelo governo ditatorial brasileiro das décadas de 1960 a 1980 deve ser classificada como “crimes contra a humanidade”, e não está sujeita a anistia. A lembrança foi feita pela ONU ao governo brasileiro, em meio às convulsões entre as instâncias sobre quem deve ser responsabilizado pelos anos de chumbo. O austríaco Manfred Nowak, especialista da entidade supranacional para análise do uso da tortura por grupos ou governos, recomendou ao governo brasileiro que trate a tortura usada pelos militares como crimes contra a humanidade. Pela orientação, portanto, ficaria vedada à AGU a defesa dos ex-diretores do DOI-CODI, Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel, vencendo a parte do governo liderada pelo ministro da justiça, Tarso Genro e pelo Secretário Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi. A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef também é a favor da abertura dos arquivos da ditadura e da responsabilização de quem usou de tortura amparado pelo governo autoritário. Do lado contrário, o ministro-inimigo, Nelson Jobim, e o ministro do STF, Gilmar “Dantas” Mendes. A pressão da ONU, que lembrou ao governo brasileiro que é o único país da América do Sul que ainda não começou a resolver seus problemas com a ditadura (citou Chile e Uruguai como casos de sucesso), também esfacela o argumento de Gilmar “Dantas” Mendes, que afirmou que pau que bate em Chico também bate em Francisco, ameaçando remanescentes de grupos de resistência ao governo militar. Para as Nações Unidas, estes grupos são juridicamente inimputáveis, desde que cometessem atos ilícitos contra a opressão e o terrorismo de Estado. Falta apenas o posicionamento oficial do governo, que como defensor da democracia, até pode açambarcar pessoas com diferentes opiniões, mas em se tratando deste assunto necessário ao fortalecimento do regime democrático em nosso país, deve ter uma opinião só, e condizente com o que prega a ONU, sob risco de condenar mais uma geração aos sintomas de uma sociedade que não expurga seus fantasmas. I inda tem françêis…

@ MTST COLOCA DANIEL “MENDES” DANTAS PARA PAGAR A CONTA. Se o STF não faz, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto mostra como é possível usar o humor para desestabilizar o ressentimento. O movimento fechou uma loja Carrefour de Taboão da Serra e em mais sete Estados brasileiros simultaneamente. O objetivo era protestar contra a alta dos alimentos, a ajuda do governo brasileiro aos bancos e contra a operação anti-Satiagraha proporcionada pelos setores pró-Orelhudo aqui e acolá, segundo uma das líderes do movimento, de reluzentes 22 anos. O protesto foi simples, segundo conta o Terra Magazine: os manifestantes encheram os carrinhos com produtos da loja, e depois tentaram pagar a compra com um “checão” emitido pelo Banco Central, no valor de 160 bilhões de Reais, e assinado por Daniel Dantas. O cheque não foi aceito pela empresa, e os manifestantes tiveram que sair sem os produtos. Ressaltando que saíram pacificamente e sem levar sequer uma uva no bolso. Ficou apenas a sensação de estranheza diante da direção do Carrefour: dispensou o que muita gente, do STF à Veja, quando tem a chance, aproveita. I inda tem françêis…

@ DE SANCTIS CONDENA, A JUSTIÇA MANDA SOLTAR – DÉJÀ VU? O juiz Fausto De Sanctis abriu mão de uma promoção para desembargador para entrar na história do Brasil como um homem que mostrou que a justiça não se reduz ao sistema jurídico, e na grande maioria das vezes, não passa por ele. Diante das provas irrefutáveis, é certo que ele irá condenar Daniel “Mendes” Dantas. O problema é a legislação brasileira e a atuação sempre alerta do STF. Caso o juiz condene Dantas a menos de quatro anos de prisão, o banqueiro sai pela porta da frente do tribunal, pois é reú primário (não tem condenações anteriores). Se o condena de 4 a 8 anos de prisão, o orelhudo cumprirá em regime semi-aberto, o qual não existe na prática no Brasil, o que “obrigaria” Dantas a cumprir prisão domiciliar na sua mansão, no Rio de Janeiro. Se pegar pena superior a 8 anos, a defesa entra com um pedido de abrandamento junto ao STF, já que o condenado é réu primário e não cabe condenação excessiva nestes casos (as informações são do Terra Magazine). Donde se depreende que a questão judicial e política brasileira não se reduz à prisão de Daniel, Mateus ou José, mas envolve uma mudança de ordem cultural, que pode até se iniciar a partir da operação Satiagraha, que tocou em personagens que estão mais próximos desta estrutura corrompida, mas que não pode depender dela para ir adiante. Como democracia, o Brasil só se realizará quando os elementos sígnicos corporais e incorporais – ou as condições materiais, diria Marx – proporcionarem este movimento na cultura. Ainda assim, De Sanctis, Protógenes, De Grandis, os trabalhadores anônimos e todos os que apóiam a causa da condenação de Daniel “Mendes” Dantas são vencedores. Mostraram que é possível outro Brasil. I inda tem françêis…

@ DESCOBERTO NOVAS RESERVAS DE ÓLEO LEVE PELA PETROBRAS. “O volume recuperável das descobertas, feitas em reservatórios do pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, é estimado entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris de óleo equivalente”, é o que diz em nota a Petrobras. O petróleo está na área do Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos. A Agência Nacional do Petróleo recebeu o comunicado da descoberta como um fato relevante. Tal descoberta, que intensifica os estudos de aceleração da produção do pré-sal, demonstra o quanto é importante para o Brasil possuir uma estatal do porte da Petrobras. E isto não somente em momentos de crises (?) caracterizadas pela ganância de países e de um mercado financeiro auto-regulado que coloca a especulação à frente da produção. A descoberta também evidência que a independência econômica e social de um país pode ser alcançada sem a mórbida necessidade de se tornar um refém das especulações financeiras, mas, ao contrário, a partir do desenvolvimento de suas próprias potências. I inda tem françêis…

@ AINDA EXISTE HEGEMONIA? O filósofo Jean Baudrillard diz que “Para compreender o jogo da globalização e do antagonismo mundial, é preciso fazer uma distinção entre dominação e hegemonia”. Para ele a dominação é uma “relação dual, pessoal, conflituosa” (senhor-escravo) já superada pela realidade integral. Esta, dissipadora da relação dominante e dominado, e processada em redes, no virtual e nas trocas integrais. Então quando a noticia vaticinada pelo National Inteligence Council (NIC), organismo consultivo do próprio governo ianque, de que a hegemonia dos EUA nos planos econômicos, político e militar estão com os dias contados, em nada faz sentido. A hegemonia, atual da globalização, liquida todo e qualquer tipo de simbolismo. Não há mais um país, uma potência, um sistema dominante, mas apenas o simulacro. Marx já elucidava esta questão quando não priorizou nenhuma superpotência mundial para realizar seus estudos sobre o capitalismo, mas, antes, investigou a virtualização deste sistema que faz com que o capital seja o signo maior da existência, o qual é dissipado por ele próprio. E Baudrillard afirma que esta atual hegemonia não é mais a do capital. Portanto, por mais que o NIC venha colocar o fim da hegemonia norte americana com o prazo de duas décadas e nomeie a Rússia, a China, a Índia e, ainda, o Brasil, como favoritos, para ocupar o lugar dos EUA, nada disso pode ser efetivo. Já que tudo é simulacro, principalmente o poder. I inda tem françêis…

@ 1.337 PÓLOS DE CURSOS DE GRADUAÇÃO À DISTÂNCIA SÃO FECHADOS PELO MEC. Os cursos foram fechados porque não eram registrados no MEC, apresentavam ofertas desqualificados onde não existiam laboratórios, bibliotecas e coordenadores. Segundo a Agência Brasil (onde maiores informações podem ser encontradas), “os pólos pertencem a três das quatro instituições que foram supervisionadas pelo ministério: Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi), de Santa Catarina, e a Faculdade Educacional da Lapa (Fael), do Paraná. O ministério também encontrou irregularidades na Universidade do Oeste do Paraná (Unopar), mas não será necessário fechar pólos ou cortar vagas”. Este é um sinal relevante do trabalho de fiscalização que o governo federal vem realizando em prol da educação. Contudo, enquanto as instituições de ensino continuarem a tratar a educação como mercadoria de troca, conservando os saberes constituídos como um vazio para a existência, de nada adiantará o uso de teletecnologias para a expansão do conhecimento. Pois persistirá o fato da conservação de uma educação que em nada instrui e mantém as pessoas à distância da educação enquanto produção de novos modos de existência. I inda tem françêis…

@ GOVERNADOR DA PARAÍBA, CÁSSIO CUNHA LIMA (PSDB), E SEU VICE, JOSÉ LACERDA NETO (DEM) FORAM CASSADOS quinta-feira à noite pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A cassação, que havia sido decretada em julho de 2007 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB), foi sustentada por unanimidade no TSE. Durante a campanha eleitoral de 1996, o governador tucano aproveitava um programa assistencialista da Fundação Ação Comunitária (FAC), instituição ligada ao governo do estado, para veicular mensagens pessoais, fazendo com que o benefício passasse como um presente do governador. Cunha Lima ainda pode recorrer junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde, como diz o companheiro Carlinhos Medeiros, “é possível contar com uma ajudinha do ministro Gilmar Mendes”, mas assim que for publicada a decisão, assumirá o segundo colocado nas últimas eleições, o senador José Maranhão (PMDB). Talvez assim diminua a presença de propostas mirabolantes de campanha para tempos eleitoreiros. No Amazonas, já teve até governador que distribuiu peixe na semana santa com uma imagem sua, sorrindo, como um santo, dentro de um coração. O prefeito de Manaus eleito na última eleição, Amazonino Mendes (PTB), por exemplo, teve de tirar duas propagandas do ar: de que ia criar o Bolsa Família Municipal e de que diminuiria o IPTU em 20%. Se o TSE… I inda tem françêis…

Vamos que vamos

Que não iremos embora amanhã

Se embora não formos hoje…

CLINAMEN

___ oblíquas variações infinitas dos corpos ___

_______________Dissolução____________)))))))________Um curso não é uma meta com meios providentes para um fim objetivado. Um curso é um devir que ora é apanhado por corpos, ora apanha corpos em um processus in infinituum____________

____________(((((((((((((((((((((((((((((((((())))))____________Em sua construção etimológica-histórica, indivíduo salta do latim individuum e desdobra-se no grego, atomon. Corpus singular e indivisível. Como corpus social é uma potência individuação. Aí o medo das tiranias e o desespero em aprisioná-lo com seus medos apocalípticos_______________________(((((((((((((((((_____________A escola, como instituição arquitetônica, apanha o aluno, sem luz, para que o reflexo segmentado do professor inscreva em seus corpus cognitivo/afetivo os pontos geométricos do Estado. Enquanto o porteiro fecha o portão ao educando e ao educador_____________)))))))))
))))))))))))))))))(((((((((((((_____________Sobre Deus e seus préstimos
Nietzsche diz: “Deus está morto!” Sartre diz: “Se Deus está morto, tudo é permitido.” Deleuze diz: “Se Deus existe tudo é permitido.” Os “políticos” dizem: “Vivo ou morto, Deus serve para alguma coisa. Tem préstimo: serve para ganhar eleição.”__________________

____________________))))))))))))))))))))))))))__________O sorriso do tirano é a película de seu medo. A imagem que ele não consegue manter aprisionada, e impedir que ela chegue ao exterior________________((((((((((((((((((((((()))))))___________________Antes a escola era o território onde os saberes se movimentavam como liberdade. Hoje, dado o seu corpus arquitetônico-presidiário, é o olho paranóico de onde seus habitantes fantasiam a liberdade fora_________))))))))))))(((((((()))))))_________Maior mentira dos amantes “Te amarei por toda a vida”. Como o amor é um processual infinintuum, escapa a pontuação temporal. Logo, os amantes não encontram-se em sua duração__________

(((((((((((((()))))))))))))))____________O filósofo Walter Benjamin disse sobre a temporalidade da câmara cinematográfica: “A câmara confere ao instante uma espécie de choque póstumo.” Daí quê, se não for cinema, o público verá tão somente uma sessão necrofílmica

VAGAS PARA ESTAGIÁRIOS INDÍGENAS NA CAIXA ECONÔMICA ESTÃO ABERTAS

A Caixa Econômica Federal está abrindo 300 vagas de estágio para indígenas em todo o Brasil para os níveis médios e superior, em diversas áreas. As vagas serão preenchidas de acordo com a necessidade do banco federal em cada Estado. Para participar da seleção do estágio de nível superior, a Caixa exige que o estudante esteja no terceiro semestre letivo, para cursos de três a três anos e meio de duração, e no quinto semestre para cursos com quatro e cinco anos. Há vagas para áreas como administração, direito, psicologia, comunicação, engenharia, entre outras.

As inscrições devem ser feitas no Centro de Integração Empresa-Escola-CIEE (www.ciee.org.br) e Instituto Euvaldo Lodi – IEL (www.iel.cni.org.br).

Foi um protocolo de intenções assinado esta semana entre a Caixa Econômica Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), com vigência de dois anos, que possibilitou esta ação. Para Olavo Perondi, gerente operacional de Responsabilidade Sócio-Empresarial da Caixa, o banco federal está “assumindo uma ação de responsabilidade social, de ajudar essas pessoas a se inserirem no mercado de trabalho e concluírem os estudos“.

Olavo Perondi, ainda falou sobre:

A dificuldade dos indígenas em concluírem seus estudos – “Eles até conseguem acesso ao ensino superior, por causa da política de cotas, mas muitos não permanecem porque não têm condições financeiras de se manter, comprar livros, alimentos”.

A quantidade de vagas oferecidas – “Sabemos que 300 vagas é pouco, mas tem um caráter simbólico, pois os indígenas podem ter acesso a estágio na Caixa através de outros meios, inclusive através da cota do Prouni – que tem duas mil vagas atualmente”.

Fonte: Diário de Pernambuco.

PROJOVEM URBANO: INSCRIÇÕES ABERTAS!

O PROJOVEM, programa do governo federal de bolsas de auxílio para jovens que pretendem terminar o ensino fundamental mudou, e a sua nova versão está com inscrições abertas (e MANAUS está entre as cidades que terão inscrições em novembro e início das aulas em fevereiro de 2009):

O QUE É O PROJOVEM URBANO?

O ProJovem Urbano é uma das quatro modalidades do novo programa integrado de Juventude – ProJovem, lançado no final de 2007, com a unificação dos programas Agente Jovem, Saberes da Terra, ProJovem, Consórcio Social da Juventude, Juventude Cidadã e Escola de Fábrica. Juntos esses programas atenderam, anteriormente, 467 mil jovens e, com a unificação, vão beneficiar mais de 3,5 milhões de jovens até 2010”.

As outras três modalidades do Programa são: ProJovem Adolescente (Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome), ProJovem Campo (Ministério da Educação) e ProJovem Trabalhador (Ministério do Trabalho e Emprego). A gestão do ProJovem Urbano está a cargo desse três Ministérios, sob a coordenação da Secretaria-Geral”.

Sob coordenação da Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria-Geral da Presidência da República, o ProJovem Urbano é uma reformulação do antigo ProJovem, que em três anos matriculou mais de 237 mil jovens em todo o país”.

Além da expansão do número de beneficiados, o novo Programa ampliou a faixa etária para 29 anos e abriu a possibilidade de matrícula para quem apenas sabe ler e escrever. Além disso, o aluno pode estar trabalhando formalmente, com carteira assinada, o que não era possível anteriormente”.

Para participar o candidato deve ter entre 18 e 29 anos, saber ler e escrever e não ter concluído o ensino fundamental (8ª série). No ato da matrícula, o jovem deve apresentar a carteira de identidade ou a certidão de nascimento”.

O curso tem duração de 18 meses e combina, de forma inovadora, a formação do ensino fundamental com iniciação profissional e práticas de cidadania, além de acesso à informática. O aluno que entregar os trabalhos mensais e tiver freqüência de 75% às aulas receberá um auxílio de R$ 100,00 por mês”.

O período de matrículas estipulado pela Coordenação Nacional do ProJovem Urbano vai até o final de fevereiro de 2009, em 85 municípios e 23 estados. Dentro desse prazo, as cidades e estados estabelecem as datas para realizar as matrículas dos alunos”.

Mais informações podem ser obtidas na Central de Relacionamento do ProJovem Urbano, no telefone 0800 722 7777, que funciona em todo o país, de segunda à sexta, das 7h às 23h, e sábados, domingos e feriados, das 8h às 20h”.

COMO PARTICIPAR?

Quem pode se matricular no ProJovem Urbano?

Jovens entre 18 e 29 anos que sabem ler e escrever e que não concluíram o ensino fundamental (8ª série).

O que o ProJovem Urbano oferece?

Formação no ensino fundamental, cursos profissionais, aulas de informática e auxílio de R$ 100,00 por mês. O Programa tem duração de 18 meses.

Qual a documentação exigida para a matrícula?

Apenas documento de identidade: certidão de nascimento ou R.G.

Central de relacionamento do ProJovem Urbano:

LIGUE
0800 722 7777

Fonte: Portal Projovem Urbano.

TEATRO NEGRO DO BRASIL — UMA EXPERIÊNCIA SÓCIO-RACIAL

Entrevista* do Bloguinho Intempestivo com o economista, poeta, escritor, ensaísta, dramaturgo, teatrólogo e ator-negro Abdias do Nascimento no Quilombolas Bar A Linha Poiética da Negritude, na encruzilhada das alegrias ao som de cantos, pontos, atabaques, cana macia e braba, e um apimentante sarapatel de bode e um porco morto de paixão.

Bloguinho Intempestivo (Alegria dionisíaca, contentamento, subjetividade festeira nos 120 anos da abolição, e Dia Nacional da Consciência Negra) Abdias, nosso “nego”, que negócio é este de tu entrares no movimento teatral sem ter sequer um indicador e depois se transformar uma dais maiores personagens do teatro brasileiro? Quais os entrelaçamentos ontológicos te apanhavam no momento da entrada?

ABDIAS DO NASCIMENTO (Só sorriso, e muito charme)Várias interrogações suscitaram ao meu espírito a tragédia daquele negro infeliz que o gênio de Eugene O’Neill transformou em O Imperador Jones. Isso acontecia no Teatro Municipal de Lima, capital do Peru, e ao impacto da própria peça juntava-se outro fato chocante: o papel do herói representado por um ator branco tingido de preto. Aquela época, 1941, eu nada sabia de teatro.

BIO que te levou a assistir à peça em Lima?

ANMomentos antes de me dirigir ao espetáculo, acabara de pronunciar, economista que era, uma conferência no Seminário de Economia da Universidade Mayor de San Marcos. Não possuía a qualificação técnica para julgar a qualidade interpretativa de Hugo Deviéri, porém, algo denunciava a carência daquela força passional requerida pelo texto e que unicamente o artista da raça negra poderia infundir à vivência cênica do protagonista. Por que um branco brochado de negro? Pela inexistência de um interprete dessa raça?

BI (Cortando)E no Brasil…

AN (Continuando, apanhando a deixa)Entretanto lembrava que em meu país, onde mais de vinte milhões de negros somavam a quase metade de sua população de cerca de 60 milhões de habitantes, na época, jamais assistira um espetáculo cujo papel principal tivesse sido representado por um artista da minha cor. Não seria, então o Brasil, uma verdadeira democracia racial? Minhas indagações avançavam mais longe: na minha Pátria, tão orgulhosa de haver resolvido exemplarmente a convivência entre pretos e brancos, deveria ser normal a presença do negro em cena, não só em papéis secundários e grotescos, conforme acontecia, mas encarnando qualquer personagem Hamlet ou Antígona desde que possuísse o talento requerido.

BINão acontecia.

AN Ocorreria de fato o inverso: até mesmo um O Imperador Jones, se levado aos palcos brasileiros, teria necessariamente o desempenho de um ator que pintaria de negro sua pele branca, a exemplo do que sucedia desde sempre com as encenações de Otelo.

BIAté nas peças nativas?

ANMesmo em peças nativas tipo Demônio Familiar (1857), de José de Alencar, ou Iaiá Boneca (1939), de Ernani Fornari em papéis destinados especificamente a atores negros se teve como normas a exclusão do negro autêntico em favor do negro caricatural.

BI (Esfregando as mãos)Então, fostes à luta?

ANEsta não poderia outra que a decisão de fazer alguma coisa para erradicar o absurdo que significava para o negro e os prejuízos de ordem cultural para o meu país. Ao fim do espetáculo tinha chegado a uma determinação: no meu regresso ao Brasil, criaria um organismo teatral aberto ao protagonista do negro, onde ele ascendesse da condição adjetiva e folclórica para a de sujeito e herói das histórias que representasse. Antes que uma reivindicação ou um protesto compreendi a mudança pretendida na minha contribuição ao Humanismo que respeita todos os homens e as diversas culturas com suas respectivas essencialidades.

BIImbricações políticas/sociais/raciais, forças, embates, novos desejos foram se entrelaçando?
ANAntes do ano de 1944, quando concretizei, no Rio de Janeiro, a fundação do Teatro Experimental do Negro – T.E.N. àquelas preocupações iniciais outras se juntaram, e na reflexão e na crítica o projeto primitivo se tornou mais profundo e complexo. Perguntava-me: “O que poderia haver, para além da barreira ornamental da cor, justificando a ausência do negro na cena brasileira? Seria válida a hipótese de sua incapacidade para representar papéis sérios, de responsabilidade artística? Talvez fosse só considerado capaz de fazer o moleque pitoresco ou personagem folclórico? Existiriam implicação mais profundas, uma diferença básica de concepção artística e expressão teatral? Por ventura condicionamentos exclusivistas e conflitantes de uma estética branca e de uma estética negra?”

BI (Sorrindo)E aí, qual foi?

AN (Gargalhando)Impunha-se assim um recuo histórico para a decifração das condições que tínhamos pela frente, e quem sabe o encontro da luz que iluminaria o roteiro que o Teatro Negro do Brasil haveria de percorrer. De saída convém reiterar o óbvio: uma colônia-Brasil é modelado segundo os padrões originários da metrópole Portugal. O Brasil de 1500 é isto: simples cenário ao exercício da cobiça predatória de Portugal. Mero apêndice do império português feitoria agrícola e os colonizadores, menos que povoar, tinham como tarefa iminente arrancar do território recém-descobertos o máximo de produtos tropicais, ouro e esmeraldas, para abastecer os mercados europeus.

BIAí a introdução do negro como escravo, o índio tá fora: não se adapta ao trabalho forçado.

AN (Mais gargalhada)Não foi em vão que os portugueses foram os primeiros europeus a pisar o solo africano abaixo do Saara… Um dos pretextos do imperialismo era a dilatação da fé e a conversão dos gentios. A fim de salvar a alma dos indígenas e, em contrapartida, ajudar a manutenção do regime escravocrata africano, para cá vieram os padres jesuítas. Coube a eles, precisamente ao padre José de Anchieta, as primeiras iniciativas de teatro no Brasil.

BIDizem que ele é o criador do teatro brasileiro.

AN (Pausa. Gargalhada)Anchieta escreveu vários autos sacramentais de forma européia, representados pelos indígenas conversos; a primeira dessas representações aconteceu entre 1567 e 1570 com o Auto Pregação Universal.

BIOs portugueses chegam com uma semiótica-despótica, certo? O que saltava daí em relação à dominação sobre o negro?

ANIsto: os costumes e uma pretensa ciência antropológica dogmatizavam a inferioridade da raça negra. Não se esgotavam, contudo, no âmbito político ou da economia, as ambições espúrias daquela racionalização imperialista. Ela transbordou-se para o campo da ética, da estética e da religião. (…) Uma verdadeira cosmovisão da brancura pressionou e degradou os valores da metafísica negra, da moral negra, da beleza negra.

BIEntão o negro no Brasil foi vítima de um estupro?

ANVítima de duplo estupro: espiritual e sexual; à violação de sua cultura original correspondeu a violação da mulher negra, mais que prostituída, transformada em uso do colonizador branco.

BIO que se constituiu como força de embate como luta pela liberdade.

ANO escravo, de todas as formas possíveis perseguia a recaptura de sua liberdade e dignidade, criando os quilombos e procurando manter vivos seus costumes e crenças. Ao tempo dos autos jesuítas do século XVI, também os escravos, por ocasião do Natal até Reis, promoviam a representação de seus autos profanos: a Congada ou Congo, as Taieiras, o Quicumbre, os Quilombos, e o Bumba-meu-boi, cuja fonte é discutida, mas que possui indiscutível adaptação dos escravos, com a introdução de personagens como Mateus e Bastião, negros gozados, germe dos futuros negrinhos pitorescos. Estes, aceitos durante a escravidão, chegaram até nossos dias como os únicos interpretes negros tolerados na cena brasileira.

BIPara se dar ao jogo cênico, o negro devia ter um passado africano teatral?

ANUm teatro não-escrito da tradição africana dos Griot oral, anônimo, folclórico; ainda, contemporaneamente, a vitalidade dessas manifestações coletivas pode ser testemunhada em várias regiões: os dos escravos Caetano Lopes dos Santos e Maria Joaquina Rei e Rainha da Congada, apresentada com enorme êxito em 1811 no Rio de Janeiro. Outro que deixou rastro foi o ex-escravo e ator Vitoriano com sua interpretação, em 1790, de Tamerlão na Pérsia, ocorrida em Cuiabá.

BI O negro na cena não tem nada de direito reconhecido?

ANRecordemos àquela altura da história considerava-se a atividade teatral como uma profissão desprezível, a mais vergonhosa de todas… abaixo das infames e criminosas. Parece um novo degrau sócio-étnico: o mulato. Sua condição é ambivalente: filho de escravo, escravo é; porém, filho bastardo do Senhor, goza de certas concessões e regalias. O mulato personificava a um tempo a convergência e a repulsa entre a Casa Grande e a Senzala. Destinavam ao mulato marginal algumas das funções de confiança do português entre as quais as de feitor e de capitão-de-mato, tarefas ingratas e antipáticas. Mais tarde deram-lhe outra atribuição a de ator teatral.

BI (Cara de surpresa-intrigante)Abdias, meu nego do Nascimento, quer dizer que o mulato Talma do teatro colonial do Senhor?

AN (Gargalhando como o ator francês Talma)Por que, então, não franqueá-lo a esses inquietos mulatos, desde que lhes cobrisse o rosto com “uma camada de branco e vermelho”? Diversos visitantes estrangeiros do Brasil-colonial assistiram peças desempenhadas por gente de cor: Bougainville (1767), Von Martius e Von Spix (1818), Saint Hilaire (1819) e outros.

BIQuer dizer que os mulatos mandavam ver na cena?

ANNão só atuavam em cena como assumiam outras responsabilidades a exemplo do “mulato e corcunda” Padre Ventura, que construiu a Casa da Ópera, no Rio de Janeiro, em 1767. Entre 1753 e1771, no arrabalde da Palha, em Diamantina (MG), uma negra famosa, Chica da Silva, manteve um teatro particular onde se assistia o repertório clássico da época.

BIE o Teatro Negro emerge destes enunciados?

ANUm teatro negro do Brasil teria de partir do conhecimento prévio desta realidade histórica, na qual exerceria sua influência e cumpriria sua missão revolucionária. Engajado a esses propósitos foi que surgiu o T.E.N. que fundamentalmente propunha-se a resgatar, no Brasil, os valores da cultura negro-africana degradados e negados pela violência da cultura branca-européia; propunha-se a valorização social do negro através da educação, da cultura e da arte.

BIComeçou o embate!

ANTeríamos que agir urgentemente em duas frentes: promover, de um lado, a denúncia dos equívocos e da alienação dos estudos sobre o afro-brasileiro, e fazer com que o próprio negro tomasse consciência da situação objetiva em que se achava inserido. (…) Após a abolição da escravatura, segundo o professor Florestan Fernandes, manteve-se inalterada uma situação de raça típica da ordem social desaparecida.

BIPráxis!

ANA um só tempo o T.E.N. alfabetizava seus primeiros elementos recrutados entre operários, empregadas domésticas, favelados sem profissão definida, modestos funcionários públicos e oferecia-lhes uma nova atitude, um critério próprio que o habilitava também a ver, enxergar o espaço que ocupava, inclusive o grupo afro-brasileiro, no contexto nacional.

BIPráxis II!

AN Inauguramos a fase prática, oposta ao sentido acadêmico e descritivo referido. Não interessa ao T.E.N. aumentar o número de monografias e outros escritos, nem deduzir teorias, mas a transformação qualitativa da interação social branca e negra. Verificamos que nenhuma outra situação jamais apreciaria tanto quanto a nossa do distanciamento de Bertolt Brecht. Uma teia sedimentada pela tradição entre observador e a realidade, deformando-a. Urgia destruí-la.

BIE havia algum texto pronto para essa realidade política?

ANNem ao menos um único texto que refletisse nossa dramática situação existencial, pois, como diria mais tarde Roger Bastie, o T.E.N. não era a catarsis que se exprime e se realiza no riso, já que “o problema é infinitamente mais trágico: o do esmagamento da cultura negra pela cultura branca”. Sem possibilidade de opção, O Imperador Jones se impôs como solução natural. (…) Escrevemos a Eugene O’Neill uma carta aflita de socorro. (…) De seu leito de enfermo, em São Francisco, a 6 de dezembro de 1944, O’Neill nos responde: “O senhor tem permissão para encenar o Imperador Jones isento de qualquer direito autoral, e desejo ao senhor todo o sucesso que espera com o Teatro Experimental do Negro. Conheço perfeitamente as condições que o senhor descreve sobre o teatro brasileiro. (…)” Encontramos em Aguinaldo de Oliveira Camargo a força capaz de dimensionar a complexidade psicológica de Brutus Jones.

BIDepois do sucesso foi a vez da dramaturgia brasileira?

AN Em 1947, afinal, o encontro do primeiro texto brasileiro escrito especialmente para o T.E.N. O Filho Pródigo, de Lúcio Cardoso.

BIAinda agora aquele Pai de Santo estava cantando Aruanda, vocês encenaram uma peça com este nome, não foi? Como está para ter uma pausa nesse papo negritude, fala sobre ela, principalmente para nossos blogueiros da umbanda, candomblé, quibanda, macumba, e outros ritos afro.

AN (Faz alguns movimentos afro com os braços abertos, vai até ao chão e manda ver)Especialmente criado para o T.E.N. por Joaquim Ribeiro: Aruanda. Rosa Mulata, culturalmente assimilada, não acredita nos orixás. Seu marido Quelé, filho-de-santo, ao voltar certa noite do terreiro, canta um ponto de candomblé. A cantiga invoca Gangazuma, que vem de Aruanda, baixa sobre o corpo de Quelé, e é através do próprio marido que o deus possui Rosa Mulata e a torna uma adúltera. Tornam-se amantes. Cavalo ou aparelho inconsciente, Quelé ignora o que faz quando está atuado. O marido, porém, sente falta dos ardores da esposa que arrefecem. Rosa se afasta dele agora nos momentos habituais do amor. O ciúme leva Quelé ao desespero. Rosa mulata não sai de casa e ninguém visita seu pobre lar. Ela o trai com quem? Espreita a mulher até surpreendê-la em confidências com sua mãe. Agora sabe tudo. Como vingar se o rival é um orixá, um espírito? (…) A morte não seria castigo, e sim prêmio. Morta, Rosa iria mais depressa para os braços do amante nos reinos encantados de Aruanda. O deus não gosta de mulher feia, o recurso é desfigurá-la; destruindo sua beleza mataria automaticamente o amor de Gangazuma.

BI (Eufórico)Caralho, meu! Que trama arrepiante! Aí tem Dionísio, Abdias, meu nego do Nascimento. É Grécia! Depois com tema negritude vieram Anjo Negro, do Nelson Rodrigues, Pedro Mico, de Antônio Callado, Filho de Santo, de José de Morais Pinho, O Processo do Cristo Negro, de Ariano Suassuna, entre tantas. Agora, para uma pausa, meu nego. Para ficar bem assimilado: o que é filosófica, política e eticamente o Teatro Experimental do Negro?

AN (Gargalhando com os braços levantados e as mãos fechadas, como um operário de um cinema de Kosta Gavras em frente a uma fábrica)O Teatro Experimental do Negro é um processo. A Negritude é um processo. Projetou-se a aventura teatral afro-brasileira na forma de uma antecipação, uma queima de etapas na marcha da História. Enquanto o negro não desperta completamente do torpor em que o envolveram . Na aurora do seu destino, o Teatro Negro do Brasil ainda não disse tudo ao que veio.

BI (Abraçados) Valeu, Zumbi!

Observações negreirasEsta entrevista foi composta por este Bloguinho Intempestivo do texto escrito pelo próprio Abdias do Nascimento, publicado em julho de 1968, na Revista Civilização Brasileira, com seu Caderno Especial Número 2. Tendo como diretor o não mais ilustre e talentoso poeta Moacyr Félix, secretariado pelo dramaturgo, e posteriormente, telenovelesco, Dias Gomes. A Revista Civilização Brasileira agregava também homens engajados, como Ênio Da Silveira, Antônio Callado, Antônio Cândido, entre outros, e que dor nos causa ter que incluir aí — o ex-poeta Tiago de Mello, quando ainda talvez nem sonhasse em ser agora, patético direitista cabo eleitoral da direita da direita, do PTB, ex-governador Amazonino Mendes. Que estória para quem tentou no passado-comunista fazer(?) história. Mas temo que narrar os fatos.

As perguntas são fictícias (por quê não reais?), mas as respostas de Abdias são verdadeiras, extraídas de seu próprio texto. Ponha fé. Aliás, estamos tratando da História do Brasil. Use-a para sua monografia. Bom proveito!

O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

“A televisão é decididamente despolitizante” (Muniz Sodré)

“A informação não é um dos aspectos da distração moderna, nem constitui um dos planetas da gláxia divertimento; é uma disciplina cívica cujo objetivo é formar cidadãos.” (Ignacio Ramonet)

.UMA TRISTE PESQUISA.

Uma pesquisa que trate o seu objeto de estudo como algo constituído em um espaço organizado como um dado não produz o estudo como criação e uma experiência do novo no mundo. Apenas constatar o que já é dado como evidente não modifica a existência humana e tampouco realiza um desdobramento da efetividade, produzindo problemas autênticos. Em suma: estudar a realidade já constituída nada produz, logo, nada instrui.

É dessa forma, como um não-estudo, ou como um estudo de expressão e conteúdo vazio, que pode ser considerado o “estudo” dos sociólogos norte americanos John P. Robinson e Steven Martin, da University of Maryland. Eles chegaram à extravagante conclusão, após 30 anos de pesquisa com quase 30 mil adultos, de que as pessoas infelizes assistem mais televisão do que aquelas que se crêem aquém da felicidade. Para tanto, a dupla de sociólogos pesquisou o uso do tempo e o comportamento social das pessoas usadas na pesquisa.

É mais do que evidente o quanto a tevê não produz a informação como alegria e o novo no mundo. Ao contrário, ela confirma o estado de insegurança, de “má igualdade” capitalista, de padronização das emoções, e de engendramentos desonestos com as notícias com seus factóides e espetacularizações da realidade. Assim, a tevê em nada é autônoma. Ela é sim heterônima a partir do instante em que é organizada pela coerção externa da subjetividade capitalística. Então a tevê reproduz em sua programação a necessidade de conservar a tristeza.

O que aparece não aparece no estudo da dupla de sociólogos é esta percepção do médium televisivo. Nem o princípio de identidade (A=A) existente entre capitalismo e tevê, o que faz um cúmplice da outra. É o óbvio que prevalece no então acunhado de estudo.

A tevê, de tanto dilatar a efetividade através de sua hiper-realidade, faz com que todo saber e conhecimento seja esvaziado de sentido. Tal como o estado de tristeza onde o espaço é dilatado e o interesse e sentido da existência deixam de ser relevantes. Tanto a tevê quanto a tristeza não tem a ação efetiva como referentes. Tanto o uso do tempo e o comportamento social, assim como as classificações morais de escolaridade, classe social, faixa etária, entre outras, instituídas pelo capitalismo, segundo a lógica de mercado, convergem para a tevê de forma adequada.

O que, efetivamente, não surge no “estudo” (pesquisa) dos sociólogos é a força da Aletheia (revelação). A revelação do óbvio da constatação de que pessoas infelizes assistem mais televisão, não como um dado constituído, mas como um problema que irrompe a relação entre tevê, comunicação, informação, capitalismo e existência. Ainda mais quando se sabe que a tevê não é simplesmente um dado ou objeto dentro de um espaço constituído, mas uma produção humana que tanto pode ser benéfica ou nociva para a existência das pessoas. E que, hodiernamente, a tevê tem em sua própria estrutura a nocividade do sistema capitalista.

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> A DEMOCRACIA DO COLUNISTA DO ESTADÃO.

Os movimentos de defesa dos homossexuais parecem ter problemas com a democracia”. Assim o colunista do site d’O Estado de São Paulo, Marcos Guterman, explica a reação dos grupos LGBT estadunidenses e internacionais que protestam contra o resultado do referendo sobre a Proposta 8 na Califórnia. Ele cita como exemplo de violência dos grupos LGBT (que ele chama de defesa dos homossexuais) o site antigayblacklist.com, que reúne os nomes dos doadores para a campanha do SIM à Proposta 8, de anônimos a megaempresários. Guterman, quem sabe fiel ao conceito de democracia do Estadão, que apoiou a ditadura militar brasileira e é abertamente de direita, confunde o conceito de democracia com o regime de governo “democracia representativa”. O erro lhe convém, pois permite colocar, graças a um débil estratagema de linguagem, os grupos LGBT no paredão judicativo da boa moral, num falso paradoxo. Se lutam pela democracia, ao contrário, quando são por ela prejudicados, estes grupos não a respeitam, é o que a coluna quis fazer o leitor crer. No entanto, basta uma sinapse para saber que o conceito de democracia não se reduz ao ineficiente sistema de governo que produz no Brasil e na maior parte do mundo, uma ditadura civil-midiótica. Senão vejamos: foi em nome da democracia que a dupla Bush e Blair invadiram o Iraque, a pretexto de proteger o mundo, e até hoje não encontraram as armas de destruição em massa. Também graças à democracia, parte da imprensa brasileira faz verdadeira grita sempre que seus interesses econômicos são ameaçados, mas não hesitam em fazer o necessário para aumentar a audiência, incluindo entrevistar “ao vivo” um sequestrador. O conceito de democracia envolve a confluência das potências de agir dos habitantes da cidade, sendo a própria cidade um corpo-potência, no qual podem predominar afetos democratizantes ou tirânicos. O regime democrático ofendido – segundo Guterman – pelos grupos LGBT é o mesmo que não impede a eleição, via eleição, de um Hitler, ou de um Bush, que não foram democráticos. Fosse uma democracia, o regime jamais permitiria eleger este tipo de gente, não por uma proibição ou restrição, mas porque os afetos e a subjetividade não permitiriam a ascensão e a visibilidade destes afetos tirânicos dos quais se beneficiaram Bush, Hitler e outros ainda por vir. Assim, para o colunista, o direito de restringir os direitos civis dos homoeróticos por parte da sociedade californiana é democrático, mas fazer oposição – não extremada e violenta, que fique claro – à restrição dos direitos civis é anti-democrático. Igualmente, para o colunista, fazer boicote econômico a quem é contra os direitos civis é “violência”. A estratégia de boicote foi usada pelo estadista Mahatma Gandhi na luta pela independência da Índia. Guterman, pela lógica, classificaria como terrorismo. Isso se chama simbiose laboral: Guterman defende hoje o que defenderam os jornalistas do Estadão à época do golpe militar. Restrição das liberdades em nome da liberdade de torturar, matar, censurar. Só perde no quesito intelectual: seus antecessores sabiam, ao menos, escrever e argumentar.

–> A MÍDIA ECOLÁLICA PERDIDA NAS SUAS PRÓPRIAS ILUSÕES

Quando Gilmar Mendes chamou Lula às falas para explicar suposto grampo na sala da presidência do STF – com a ajuda da prestimosa Veja, já não era difícil desconfiar do imbróglio para despistar as descobertas na operação Satiagraha. Com a ausência do áudio, que nunca apareceu, da misteriosa conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (ex-PFL/GO), ficou cada vez mais complicado provar que o inexistente existia. Depois, a farsa se desfez (menos para a Veja e para o Jornal Nacional) quando foi descoberto que o “grampeador” do ministro não era ninguém menos que o araponga que costuma vazar informações internas para a revista semanal da Abril. Antes disso, ao completar 90 dias, nenhum grampo havia sido comprovado efetivamente, e a história só servia para mostrar de que lado está a grande mídia nativa. Eis que, no último domingo, no apagar das luzes, o Estadão tentou dar sobrevida ao assunto, ao “noticiar” (eufemismo para insinuar) que Protógenes, na já famosa gravação da reunião com a cúpula da PF que o afastou do caso, teria confessado os grampos. Os dados eram tão subjetivos à fabulação obsessiva de versões esdrúxulas que até um campeonato de audição para ver quem conseguia psico-audio-captar o momento em que Protógenes confessava. Ninguém levou o prêmio. No trecho destacado pelo jornalão, Protógenes fala em “inteligência”. Explicado: o jornal se confundiu, não sabe o que é isso.

–> O ATO FALHO REVELADOR DE RICARDO NOBLAT.

O ato falho, para o companheiro Freud, indica uma manifestação de um conteúdo inconsciente, rejeitado pelo sujeito, mas que se manifesta pela força de sua influência na existência. Assim, aquilo que se pretende ocultar surge inadvertidamente no discurso ou nos atos. Embora todo o país já saiba das relações íntimas entre Gilmar Mendes, setores da chamada oposição, o governo anterior e setores do atual governo. Mas o clima de “imparcialidade” impede que muitos jornalistas revelem o que pensam ou o que sabem realmente sobre essas relações. Eis que a psicanálise freudiana surge e realiza sua função terapêutico-política, auxiliando na compreensão de certas falas professadas ultimamente. Assim, a quem ainda duvidava de que a mídia sabe mais do que diz, ou que crê saber mais do que noticia, o jornalista Ricardo Noblat, em seu blogue, realizou o que muitos gostariam de fazer abertamente e outros nem nos sonhos mais profundos teriam coragem: sequer ele tem, mas o ato falho escapou. Noblat em notícia sobre a descoberta do araponga que “grampeou” o STF se referiu a vossa excelência, ministro do STF, Gilmar Mendes, de GILMAR DANTAS. Touché!

RESULTADO DO ENEM 2008

Quem fez as avaliações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008 já pode conferir o resultado de seu desempenho individual no sitio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Os resultados por Estado ainda não foram disponibilizados. Posteriormente os boletins individuais serão enviados pelos Correios.

Mais informações sobre o resultado do Enem 2008 acessar Agência Brasil.

TRE/AM “ABSOLVE” HENRIQUE OLIVEIRA E CONFIRMA PATOLOGIA INSTITUCIONAL

A psicopatia se realizou. O TRE/AM “absolveu” o apresentador e esplorador da miséria social, Henrique Oliveira, por 4 votos a 2.

Votaram a favor de Henrique o relator do processo, Francisco Maciel, Graça Figueiredo, Elci Simões e Mário Augusto Costa. Contrários a Henrique e a favor da lucidez institucional, Agliberto Machado e Joana Meirelles.

O argumento da relatoria do processo é o de que o artigo 366 do código eleitoral é anterior à constituinte de 1988, e conflitaria com a constituição federal, já que restringe o direito à participação do cidadão Henrique Oliveira no processo eleitoral.

Argumento que causou estranheza à juíza Joana Meirelles, que chamou a atenção ao fato da lei, mesmo anterior à Constituição Federal, ainda estar valendo, já que nenhuma outra lhe veio sobrepor. Atentou, portanto, para o fato pura e simples de que a lei existe e tem de ser cumprida, e se há distorções, devem ser sanadas pelo Legislativo, e não pelos juízes do pleito amazoniquim.

Já a desembargadora Graça Figueiredo alegou que a “simples” filiação partidária não implica necessariamente atividade política. Entendimento que contradiz a tese aristotélica, filósofo caro aos fundamentos do Direito, para quem todo homem “é um animal político”. Graça, com seu gracioso argumento, deixa dúvidas se realmente tem conhecimento do caso analisado, já que o julgado, Henrique Oliveira, “simplesmente” se filiou, disputou e venceu uma eleição, apesar de ser funcionário do TRE/AM e haver uma legislação proibitiva à ação dele. Para Graça, também a legislação é antiga, remonta à Ditadura Militar, e por isso não deve ser levada em conta.

A OAB não se pronunciou quanto à profundidade e força intelectiva dos argumentos usados na absolvição de Henrique Oliveira. O procurador, André Lasmar, afirmou que vai recorrer da sentença.

DURA LEX, NON SEDE LEX, SE ELA FOR ELEITORAL

Com a argumentação dos magistrados amazonenses, já se iniciaram as movimentações para salvar antigas tábuas de leis. Se para eles é aceitável que uma lei perca a sua aplicabilidade sem que antes não tenha havido discussão no poder Legislativo para substituí-la ou simplesmente aboli-la, então correm perigo a Cosntituição Norte-Americada (que data de longínquos 1787), a Declaração dos Direitos Humanos (que é de 1948, anterior à ditadura, ainda que esta nunca tenha, na sua prática, sido adotada em território nacional, muito menos em Manaus) e até mesmo, em pleno Dia da Consciência Negra, a própria lei da Abolição da Escravatura, que além de velha (1888), deve ser, aos olhos dos magistrados do TRE/AM, mal elaborada, já que consta de apenas uma “simples” frase: “É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil”. Embora, é claro, a pena da Princesa Isabel não tenha, de fato, abolido a prática no país, nem à época e nem na atualidade.

Quanto a afirmar que o artigo 366 fere o princípio constitucional do pleno direito à participação, já que não permite ao cidadão que é funcionário público disputar cargos políticos, também não se sustenta, já que trata-se de uma regra. Da mesma forma, nenhum brasileiro pode disputar cargos políticos sem estar filiado a um partido político. Condição sine qua non para a militância política de acordo com a legislação nacional, a filiação partidária, para a desembargadora Graça, não constitui necessariamente um ato político. Além disso, a constituição prevê a participação política do cidadão brasileiro de forma direta e indireta. Não há nenhuma proibição do direito/dever do voto (participação política indireta) para os funcionários do TRE.

Trata-se, além de argumento débil, de teratogenia jurídica, já que simplesmente se ignora a existência da lei, não obstante ela exista, não tenha sido relaxada ou abolida.

IPEA REVELA FENÔMENO DE “ESCURECIMENTO DA POPULAÇÃO”

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje, Dia Nacional da Consciência Negra, estudo onde mudanças no modo de pensar das pessoas revelaram um Brasil que para além de dados demográficos quantitativos se assumi como um país negro, afirmando um “escurecimento da população”.

Segundo a Agência Brasil, de acordo com a publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 anos após a Abolição, até o início dos anos 90, a população negra vinha aumentando de modo ‘relativamente lento e vegetativo’, por meio de uma taxa de fecundidade um pouco mais alta para pretos e pardos – além do fato de que descendentes de casais de negros e brancos terem maior probabilidade de ter filhos pardos”.

O estudo evidência o fato social das pessoas passarem a ter menos vergonha de se identificarem como negras e diminuírem a idéia de querer se “branquear” para se legitimarem socialmente.

Segundo o estudo, o movimento negro e a visibilidade maior da negritude como agente ativo dentro da sociedade contribuem para esta significativa mudança. “À medida que o debate da identificação racial ganha as páginas dos jornais e a sociedade vê que é um tema legítimo; que negros são apresentados nas telenovelas como personagens poderosos e não apenas empregados domésticos; são vistos compondo o Supremo Tribunal Federal (STF) e ocupando os mais diversos cargos na política; que o movimento negro sai da marginalidade e ocupa espaços no debate político, a identidade negra sai fortalecida”.

UM ESTUDO POSITIVO

A positividade do presente estudo salta da percepção de que ele não se limita à análise de dados constituídos e regulamentados por uma subjetividade segregadora. Onde a diferença entre os indivíduos passa a ser determinante em razão da cor, da classe social, da renda, de aspectos ascendentes, étnicos entre outros limitadores morais da força ontológica de cada um no mundo. Ao contrário, o estudo verifica a movimentação da potência negritude no Brasil. Movimento que ultrapassa as ações nocivas da falsa igualdade imposta pelo capitalismo onde ser igual é está preso a padronização dá lógica do mercado. Assim, seja negro, seja homoerótico, seja mulher, seja idoso, seja mendigo, seja o que for, é igual, legitimado na sociedade, quando se constitui como um consumidor ativo. Mas lá onde não há a cor nem a segregação impostas pelas regras e lei morais, há uma duração intensa. É lá onde a negritude é o devir minoria.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

CHAGÃO PERGUNTA

O ‘Chagão!’ quer saber: Em 1997, numa propaganda que convidava o reticente telespectador estadunidense a acompanhar o futebol/soccer do Mundial 1998, o slogan era: “seja testemunha de como o peixe grande devora o peixe pequeno”. No torneio, no entanto, além da “pequena” França, que devorou o gigante Brasil, houve um time que devorou muito grande, pela lendária defesa que montou. Qual selecionado era esse? Resposta: com a defesa formada por Arce, Rivarola, Gamarra e Ayala, além do goleiro Chilavert, o Paraguai surpreendeu os críticos naquela péssima Copa do Mundo de 1998, e só caiu diante da França, por 1 a 0, na prorrogação. O time só levou dois gols, e o zagueiro Gamarra, conhecido da torcida brasileira, só foi fazer uma falta no jogo contra os bleus. O técnico era Paulo César Carpegianni.

CONTA OUTRA, LEONOR!

Embora no futebol brasileiro alguns jogadores brancos tenham obtidos destaques a ponto de conseguirem grande notoriedade, a história do futebol no Brasil não pode ser contada e compreendida sem passar pela leitura da produção negra.

A própria introdução do futebol no Brasil pelo branco já trazia uma força de propulsão capaz de incitar o negro a atuar neste esporte. Dois motivos mostravam-se sedutores ao negro.

  • O seu deslocamento do contexto social, imposto pelo branco, pós abolição, que lhe permitia mais tempo para observar e entender os acontecimentos nacionais.

  • A identificação de seu vigor e sua gesticulação, como fluxos-corporais diversificado, com o ludos do esporte que não era acompanhado criativamente pelos brancos que o praticavam.

Dotado destes motivos, o negro não se intimidou para adentrar no jogo, apesar de toda proibição e discriminação, por tratar-se um esporte-hobby de branco, e mostrar sua criatividade através de suas gingas e sagacidades de movimentos. Mesmo com o utilitário “pó de arroz” discriminador. Assim, com o passar do tempo, tornou-se a maior expressão, tanto em qualidade como em quantidade, do futebol brasileiro. Nisso formou uma nova atitude social frente a sua condição étnica, que já não era mais vista tão somente como elemento excluído, como outrora. Passou, no que o futebol proporcionava, a ter mais orgulho de si, frente ao reconhecimento que passou a ter de outras instâncias sociais.

O PODER POLÍTICO DE TRÊS CRAQUES

Todavia, a respeitabilidade negra-futebolística não se deu apenas na glória conquistada nos estádios. A grande atuação, ou a grande jogada, aconteceu com posições políticas assumidas por alguns negros, não somente em relação a direitos próprios, mas, também, em relação aos direitos dos brancos. E para enfileirar uma ginga de craque, e marcar alguns gols de placa, apontamos apenas três forças do Black Power do futebol brasileiro que lutaram e lutam em enunciações variadas em que os direitos necessários ao livre movimento do cidadão são obstruídos pela ambição e irracionalidade.

Paulo César Caju, craque do Botafogo e da Seleção Brasileira. Inteligência cima da média dos jogadores brasileiros, foi um irreverente lutador pelos direitos dos jogadores. Um dos primeiros, juntamente com o branco Afonsinho, outro craque do Botafogo, a reivindicar o direito do passe do jogador e seus direitos trabalhistas. Formado em Letras, quando pela Europa, experimentou idéias que lhe permitiram maior percepção e entendimento de sua condição de negro, jogador e homem.

Vladimir, craque do Corinthians, um dos poucos zagueiros do futebol brasileiro com garbo e lealdade no trato com a redonda e os adversários. Foi um dos principais criadores da democracia corinthiana ainda nos reflexos da ditadura. Imbricou-se pela formação política, entrou para o velho PT, hoje um tanto nostálgico, tornou-se sindicalista e participou da gestão Erundina na prefeitura de São Paulo como responsável da área esportiva.

Richarlysson, craque do São Paulo. Como negro envolve-se contra as três teses negativas produzidas pela estupidez segregacionista: 1 – Discriminação racial. 2 – O homossexualismo no futebol. 3 – Ser negro, jogador de futebol e homossexual. Em todas as três vem obtendo resultados positivos com inteligência e altivez dos que sabem que viver não é se submeter a tirania dos infelizes. E de que quebra, ainda enfrenta a fobia-sexual da mídia e da torcida recalcada.

Então, nessa comemoração maior das fraternidades étnica-política, juntemos estes devires futebolísticos e cartografemos nos desejos cognitivos/afetivos. O resto? O resto é dor.

Valeu, e continuamente valerá, Zumbi!

LINHA DE PASSE

Se foi verdade ou apenas mais um factóide da sequelada imprensa inglesa, a suposta declaração do auxiliar técnico da seleção escocesa, o inglês George Burley, teve resposta à altura por parte de Diego Maradona. Como o técnico argentino não carrega elementos dolorosos da dívida futebolística e existencial em relação ao seu passado, pode se movimentar pelas lembranças com lucidez, e analisar as questões com sapiência. George Burley havia supostamente afirmando que, quando as seleções se encontrassem em Glasgow, para o amistoso de ontem, não iria cumprimentar o homem que “acabou” com o sonho da Inglaterra de conquistar o Mundial de 1986. Leia-se: com a chance dele, Burley, ser campeão do mundo. Refere-se, claro, à mítica semifinal, onde Maradona só não fez chover para não dar aos críticos a certeza de que é deus. Ao que Maradona, ao chegar à Escócia, respondeu, com serenidade e a acidez que lhe é peculiar: “não me interessa dar a mão a Terry Butcher (açougueiro). Estou bem com quem tenho que estar bem. Não sei por que Butcher não quer me dar a mão. Eu deixo que faça a vida dele, e eu faço a minha. Não morro e continuo dormindo igual se Butcher não me dá a mão”. Maradona ainda aproveitou para lembrar aos ressentidos ingleses que em 1966, única copa conquistada pelos autoproclamados inventores do futebol, em casa, o caneco foi levado com um “gol que não foi”. “Que não entrou por um pedacinho assim”. (e fez um gesto com as mãos separadas). A imprensa inglesa, como a brasileira, não está preparada para a inteligência e a honestidade. Mais um golaço de Don Dieguito, que ainda faturou o amistoso por 1 a 0, dizem, com um bom futebol.

* * *

E o Internacional chegou lá. Se haverá virada de mesa e o clube disputará a Libertadores em seu centenário, ainda não se sabe, mas enquanto o Grêmio patina no Brasileirão, o arqui-rival passeia nos gramados da América do Sul. Os colorados, que já haviam ganhado a partida no México, não sucumbiram à síndrome da Despedida do Joel, e sapecaram 4 a 0 no Chivas Guadalajara. Esperam o adversário do choque local entre Argentinos Juniors e Estudiantes de La Plata. Promete-se um grande embate entre o tardiamente melhor time do Brasil e um sempre esforçado e perigoso argentino, venha quem vier.

* * *

A FIFA deu o prazo até amanhã para que o governo peruano reconduza Manuel Burga ao comando da FPF. Burga, como você acompanhou nesta coluna, é acusado de gestão fraudulenta e de não adaptar a federação de futebol à nova lei esportiva do país. O presidente Alan Garcia já teria enviado carta à entidade internacional de futebusiness solicitando um prazo maior para a resolução da pendenga, enquanto a imprensa brasileira continua seu lobby para que as vagas órfãs na Libertadores sejam distribuídas por aqui. Se bobear, até o Corinthians leva uma…

* * *

Não haverá rodada do campeonato uruguaio no próximo final de semana. Os incidentes envolvendo uma torcida organizada do Nacional de Montevidéu, na partida contra o Danubio, que venceu pro 1 a 0 e tirou a liderança do tricolor fizeram com que a AUF interrompesse o certame por um final de semana até que tudo esteja esclarecido. A torcida, conhecida como “Banda do Parque”, entediada com o time, que perdia o jogo e a ponta do torneio em campo, resolveu açodar a torcida adversária, roubando uma bandeira. O couro comeu e o jogo terminou com invasão de campo e uma batalha que durou quase dez minutos e só terminou quando as torcidas bem o quiseram, já que a intervenção da polícia foi débil.

CAMPEONATOS NACIONAIS

Copa do Brasil de Futebol Feminino: na rodada de ida das quartas-de-final, em Manaus, a equipe da Nilton Lins sofreu para ganhar do Boa Vontade, por 2 a 1, de virada. O primeiro tempo foi dominado pelas maranhenses, enquanto as amazonenses tentavam na base do chutão. Somente no segundo tempo, e em desvantagem, a equipe local se equilibrou, jogou melhor, e virou o jogo. A partida de volta.

AMISTOSOS INTERNACIONAIS

Enquanto os argentinos comemoravam o que consideraram uma boa estréia d’El Pibe D’Oro no comando técnico do time, no Brasil, o amistoso entre os amarelos e os lusos teve clima de festa pré-eleições 2010. Demos, tucanos, José Dirceu, ex-jogadores, a festa na cidade de Gama teve menos o foco na seleção de Dunga do que no governador José Roberto Arruda. No jogo, apesar dos lusos saírem na frente, o Brasil não deu chance e goleou por 6 a 2, em clima de festa, onde a estrela Cristiano Ronaldo não fez boa exibição, mas agradeceu o carinho dado pela torcida brasileira. Até Dunga, dizem, sorriu na coletiva de imprensa. Talvez por não ver realizado o desejo de parte da imprensa esportiva, que afirmou ser este o seu último jogo pelo selecionado local.

Outros resultados de “amigáveis” de ontem:

Espanha 3 – 0 Chile

França 0 – 0 Uruguai

Escócia 0 – 1 Argentina

Holanda 3 – 1 Suécia

Alemanha 1 – 2 Inglaterra

África do Sul 3 – 2 Camarões

DANIEL DANTAS PODE SER CONDENADO

Presente na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, onde o juiz Fausto De Sanctis ouve os acusados, o banqueiro Daniel Dantas, o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz e o professor Hugo Chicarioni, o procurador da República Rodrigo Grandis afirmou que espera a condenação de Daniel Dantas. Segundo o procurador “existem provas suficientes do crime de corrupção ativa”. Os três teriam tentado corromper um delegado da Polícia Federal para tirar o nome de Dantas das investigações.

Enquanto isso, a defesa tenta de todas as manobras possíveis para salvar seu cliente, e não a moral nacional. Mas o Ministério Público Federal pediu pena severa: 12 anos de prisão. Pena que persegue Dantas e “famiglia” nos sonhos do sono e da insônia. Pena abaixo de nove, ficaria mais fácil para o banqueiro-réu se dar ao luxo de escapar da prisão, precisamente com outros argumentos jurídicos.

O MEDO DE SER PRESO DO PROFESSOR

Enquanto isso, o professor — Que professor é esse!? “Professor Para Quê” (Gusdorf) — Hugo Chicarioni, diz que espera a absolvição, mas teme ser preso, “porque é um homem simples”. Inferência simplesmente anti-professoral: como que um professor que se envolve com um cataclismo financeiro/monetário/criminal, como DD, pode ser um “homem simples”? Simples é o povo brasileiro que volta e meia tem um dos seus filhos preso injustamente e, quase sempre, sem uma justiça/justa e ágil. Se houvesse um número maior de professores como o simples professor Chicarioni, o ensino no Brasil estaria pior do que se encontra.

Os maledicentes podem bem afirmar: “Tomara que seja preso! Assim o ensino brasileiro de livra de um inútil traidor da sagrada vocação!”

O NEGRO NA CONCILIAÇÃO DAS DIFERENÇAS SEGUNDO O FILÓSOFO ADORNO

Mas uma sociedade emancipada não seria o Estado unitário, porém a realização do universal na conciliação das diferenças. Uma política que conservasse isso como núcleo básico não deveria propagar — nem mesmo como idéia — a abstrata igualdade dos homens. Deveria, ao contrário, chamar a atenção para a má igualdade de hoje (…) e conceber um estado de coisas melhor como sendo aquele no qual se poderá ser diferente sem sentir medo. Se se prova a um negro que ele é perfeitamente idêntico ao branco, quando na verdade não o é, comete-se mais uma vez, em segredo, um erro contra ele (Mínima Moralia)”.

A Negritude não é um estado de coisas concedido oficialmente, e nem uma compaixão cristã. Ao contrário, é uma subjetividade produtiva tecida ontologicamente como liberdade de Ser.

O filósofo Adorno mostra sem sutileza o acordo tácito da discriminação silenciosa que certas políticas étnicas impõem aos excluídos como “bondade” humanitária.

DE SANCTIS CONTINUA. A “FAMIGLIA” DANDANTAS TREME…

Há um Direito Constituído, o conjunto de leis fixas que formam o corpo jurídico da jurisprudência do Estado, e o Direito Constituinte, a potência que apanha a jurisprudência dominante, interpreta-a, avalia-a no contexto-pulsante do momento social, e manifesta uma nova matéria-jurídica como necessária a este contexto-pulsante: ultrapassagem jurídica do que era código no Direito Constituído. A jurisprudência filosófica do Direito Constituinte. A potência criativa que afirma ser o Direito não um corpo eterno de leis fixas, mas um movimento metafísico (ultrapassagem) como aprimoramento das leis frente a outras leis de acordo com os interesses democráticos.

Enquanto o Direito Constituído é corpo máximo do jurista de carreira, que só interpreta a lei e a torna aplicável, de uma certa forma, sua defesa psíquica/profissional, ao jurista-filosófico, ele é o corpo de partida para ampliação dos movimentos dos cidadãos e ampliação da credibilidade social. Por tal, afirma o filósofo, Deleuze: “O que é criador de direito não são os códigos ou as declarações, é a jurisprudência. A jurisprudência é a filosofia do direito, e procede por singularidade, por prolongamento de singularidade”. A singularidade do Direito Constituinte.

DE SANCTIS E A FILOSOFIA DO DIREITO

O juiz do caso policial/jurídico mais contagiante da História do Brasil, De Sanctis, deve continuar nos processos Daniel Dantas. Dois votos contra um dão-lhe o direito jurídico de permanecer julgando pareceres, provas e emitindo opinião-jurídica, tudo que a defesa de DD não queria, daí o pedido de seu afastamento. Mas os juízes que votaram a seu favor, não apenas atenderam uma vocação jurídica, mas também a opinião da maior parte do povo brasileiro. O povo que ver na atuação do juiz De Sanctic não somente um profissional talentoso, mais acima de tudo um homem que sabe movimentar a potência constitutiva da Filosofia do Direito para que o direito se torne justiça social. Tudo que a “famiglia” jurídica que defende DD não pode realizar por encontrar-se presa nos emaranhados dos atalhos que o Direito Constituído pode lhe oferecer para salvar seu(s) cliente(s). Nada de interpretar o corpo da lei e aplicá-la como pede o Código, mas usar supostas “brechas” jurídicas para fazer prevalecer a impunidade. A indignidade de uma advocacia que é paga com dinheiro extraído criminosamente do poder público.

Todavia, De Sanctis pode deixar o caso, não por trapaça jurídica, mas por promoção. O juiz pode ser elevado a um cargo superior ao que hoje ocupa. Como trata-se de um profissional ilibado, sua aceitação não será tida como um “a vaidade falou mais alto”. Dependendo de quem possa substituí-lo no caso, de qualquer sorte, o povo espera que ele permaneça.

COISAS DA CARREIRA PROFISSIONAL

Conseguir condenar um suspeito como Daniel Dantas, para o Brasil, não é uma ilustre promoção? Não vale mais que o reflexo da hierarquia e o aumento salarial que o novo cargo proporcionará?

Parece ser uma decisão pessoal, mas não é.

SE É PARA O BEM DA DEMOCRACIA, DIGA AO POVO QUE ELE FICA

Para a democracia, o dia do Fico do juiz De Sanctis é mais necessário que o de Dom Pedro. Para alegria dos brasileiros e desespero de uns poucos da famiglia DanDan. Eis a nota:

Diante do interesse público gerado acerca da inscrição para a promoção por antiguidade deste magistrado ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cabe-me esclarecer o que segue:

1. Este magistrado tem conhecimento da relevância do cargo de Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, maior Corte Federal brasileira, que compreende causas oriundas dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul;

2. Manifestações apoiando a minha promoção foram realizadas, como também não a apoiando, estas últimas em especial por parte de brasileiros que desconheço, mas que confiam no trabalho deste magistrado. Agradeço a todos sem exceção;

3. Durante os últimos 30 dias do prazo para a inscrição à promoção, houve de minha parte intensa reflexão, que tem sido para mim árdua porquanto a antiguidade, como critério objetivo, constitui-se, por ocasião de sua incidência, o momento natural de promoção do magistrado, daí a relevância deste esclarecimento à população;

4. A perplexidade, contínua, tem me revelado, quiçá, que a decisão não se encontraria madura para ser adotada de imediato. Tratar-se-ia de decisão pautada na incerteza, fato que poderia levar a interpretações equivocadas e teoricamente incompreensíveis para um magistrado;

5. Não se trata de menoscabo ou desprezo de cargo relevante, muito menos de apego ou desapego;

6. De certo em alguns meses novo edital de promoção possivelmente se efetivará e novas vagas surgirão, de molde que esta minha decisão é temporária;

7. Importante pontuar que num Estado de Direito não há espaço para pessoas insubstituíveis, caso em que significaria a total falência das instituições;

8. O trabalho que está sendo executado na Sexta Vara Federal Criminal de que sou titular por muitos anos, com a importante ajuda de um corpo de abnegados funcionários, não se restringe a esta ou àquela hipótese, mas a uma soma de ações que visa a melhor entrega da tutela jurisdicional;

9. A inamovibilidade do magistrado afigura-se prerrogativa justamente para permitir a sua remoção ou promoção quando do momento considerado apropriado. Trata-se de um direito subjetivo e necessário;

10. Não é a primeira vez que um magistrado deixa de se promover a um Tribunal por vontade própria e, provavelmente, nem será a última. Há muitos casos tanto na esfera federal, quanto na estadual;

11. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região e seus membros são merecedores de grande respeito pelo que representam e realizam. Acredito na Corte Federal e na sua importância. Contudo, não é possível adotar uma decisão sem estar inteiramente convencido de seu acerto;

12. Acima de tudo, o respeito e a dignidade do ser humano sempre têm que ser preservados, não importando a profissão ou o cargo que ocupa ou o local onde é exercido. Juiz é sempre juiz, independentemente da instância ou de sua nomenclatura.

DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

Deu meia-noite

tem coruja no telhado,

hoje é noite de magia

a Cigana vem aí.

.

Quando ela vem

Santa Sara é quem nos guia,

nesta noite de magia

o fluído é do amor.

.

Ela traz rosas,

fitas, velas perfumadas,

lá na capela o sino já bateu.

.

Na encruzilhada o galo já cantou,

vamos acender a chama

do fogo do amor.

.

Amor que hoje

está faltando nos terreiros,

está faltando em sua casa,

falta então no mundo inteiro.

Cigana Mãe Emilia 01 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

O amplo e bonito terreiro de Nochê Hunjaí Emilia de Tóy Lissá estava maravilhosamente organizado com as mais variadas cores em belos adornos, a mesa estava posta com as mais deliciosas comidas e mais saborosas bebidas. Os convidados preenchiam o ambiente, tendo entre os presentes pais e mães de santo, filhos de santo de diversas casas, estudantes, professores, simpatizantes, todos que foram apreciar a tão famosa festa da Cigana.

Cigana Mãe Emilia 02 por você.


Cigana Mãe Emilia 08 por você.

Cigana Mãe Emilia 05 por você.

E quando zoaram os tambores, Mãe Emilia formou a roda, puxando as rezas e espalhando a mais a espiritualidade naquele espaço. Todos se regozijaram com o ritmo e as rezas cantadas para diversos cultos afro, pois como explicou a conhecida e respeitada Yalorixá, que também é presidente da FUCABEAM – Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas, estavam presentes numa comunhão diversas casas de santo, e, além de ser festa da Cigana, ali é a sede da Fucabeam e a Fucabeam é para todos, então todos tiveram vez de puxar suas rezas, seus pontos, seus magníficos cantos.

Cigana Mãe Emilia 12 por você.

Cigana Mãe Emilia 09 por você.


Tem coruja no telhado

Hoje é noite de magia

Quem trabalha com Exu

Não tem noite, não tem dia

Cigana Mãe Emilia 10 por você.

Cigana Mãe Emilia 13 por você.

Cigana Mãe Emilia 20 por você.


Entre os diversos ilustres convidados, e todos eram ilustres, pois nos cultos afro não existe discriminação de espécie alguma, estava a moçada do FOPAAM – Fórum Permanente Afrodescendente do Amazonas, que puxa a luta da negritude na cidade de Manaus e atua pela inclusão do negro e da igualdade racial.

Cigana Mãe Emilia 41 por você.

A companheira Dulci Batista, que é coordenadora do Fórum, assessora da Cáritas Arquidiocesana de Manaus e Militante do Movimento Negro, falou sobre a participação deles nessa noite na casa de Mãe Emilia:

Hoje nós estamos aqui na Fucabeam, enquanto Fórum, celebrando 100 anos da Umbanda, juntamente com esta festa Cigana, que é uma tradição daqui da casa, e celebrando também o 20 de novembro, que é o dia que nós temos como o Dia Nacional da Consciência Negra, no Brasil todo, então a nossa presença aqui faz parte das atividades do Fórum durante todo esse mês de Consciência Negra, dizer que estamos aqui, que somos solidários e defendemos a liberdade de culto.

Cigana Mãe Emilia 17 por você.

Cigana Mãe Emilia 14 por você.


Mandaram um recado para mim,

dizendo que Marabô ia chegar.

.

Também mandaram me dizer

que ele vem acompanhado de mulher.

.

É Maria Mulambo, cigana de fé,

É Maria Padilha, rainha do Candomblé.

Cigana Mãe Emilia 19 por você.

Cigana Mãe Emilia 16 por você.

Cigana Mãe Emilia 25 por você.

Pombogira é mulher de sete maridos

Pombogira é mulher de sete maridos

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Cigana Mãe Emilia 26 por você.

Cigana Mãe Emilia 24 por você.

E finalmente eis que chegou Dona Cigana, trazendo ao terreiro seus cantos, suas rezas, seu perfume, suas flores e sua graça de dançar, recebendo o carinho e respeito de pais e mães de santo, filhos e convidados e distribuindo sua alegria contagiante e suas bênçãos a todos os presentes nessa noite de luar, noite de magia.

Cigana Mãe Emilia 28 por você.


Eu vinha numa longa madrugada

Numa longa estrada encontrei as cachoeiras

Eu vinha numa madrugada

Eu encontrei uma linda cachoeira.

.

Sentei naquela pedra

E procurei meu cigano Wladimir

Me banhei nas cachoeiras

E procurei meu cigano Wladimir.

.

Eu sou Cigana, ciganinha

Sou Cigana do Amor

Eu sou aquela Cigana

Protetora das mulheres.

Cigana Mãe Emilia 30 por você.


Conversamos com Mãe Emilia, que nos falou apaixonadamente dessa Cigana que veio à vida dela auxiliar as pessoas necessitadas de ajuda espiritual, curar, dar conselhos desde que ela muito jovem.

Ela é uma Cigana oriental, sempre que ela vem ela dança com qualquer um espírito que tiver, mas ela é uma Cigana oriental. Ela veio do Egito. Ela não trabalha somente como cigana, ela trabalha como aquela mulher maravilhosa, uma enfermeira, uma médica, que cura. Chegam pessoas aqui loucas, com câncer… Ela tá pronta pra ajudar. Vou pelos interiores, ela desce, faz cura, faz tudo. Ela cruza vinte e uma linhas, por onde ela passa, a linhagem dela, os fundamentos dela. Ela cura muito, trabalha também em desunião, uma pessoa que tá precisando de uma paz, um amor na vida, ela ajuda demais. E não é à custa disso [dinheiro], porque ela diz que tá desempenhando a missão dela aqui na terra. Por caridade. E eu trabalho por caridade. Cobro sim os meus búzios que eu boto, feitura, que o filho tem de comprar as coisas pra poder se preparar. Mas durante a minha vida, ela nunca, nenhum deles nunca cobrou nada de ninguém.

Cigana Mãe Emilia 43 por você.


Dizem que a Cigana é uma rosa

Que nasceu no meio dos espinhos

Dizem que a Cigana é uma rosa

A Cigana é uma rosa

Que vai iluminar os teus caminhos.

Cigana Mãe Emilia 31 por você.

Cigana Mãe Emilia 35 por você.

Veio até um babalaô que viu pela internet e veio aqui para comprovar se era aquela Cigana que ele encontrou na Turquia, e ele chegou aqui e comprovou que era ela. Eu nem sabia. Ele ficou no cantinho, escondido, pra ver se ela conhecia. E ela deu a volta todinha e foi lá com ele e deu o bauzinho dela, que ela ganhou, ela tinha ganhado um lindo baú, pois ela foi lá e deu pra ele: “Tá aqui pra provar que sou eu.” Impressionante. E ele disse: “Olhe, diga pra Mãe que eu quero vir aqui conversar com ela, porque eu encontrei. Ele é até turco. Sempre vinha gente turca na minha casa pra conversar com ela, porque ás vezes ela vinha como a Deusa do Sol, então ela se comunicava com eles, e eles me disseram que voltariam pra fazer um templo de mármore pra ela. Eu estou esperando que um dia possa acontecer. Esse eu não sei nem como é que ele estava, as moças que depois me falaram. Talvez quinta-feira eles vão vir…

Cigana Mãe Emilia 39 por você.


Então a roda foi formada para a distribuição da deliciosa e abençoada farofa. Os filhos viam de um em um para comer a farofa que Mãe Emilia e Mãe Maria colocavam em suas mãos, alguns convidados também foram provar, enquanto os da roda cantavam e dançavam…


Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Coma a farofa que Exu vai lhe dar

Cigana Mãe Emilia 46 por você.

Cigana Mãe Emilia 47 por você.

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Levanta a farofa que Exu já comeu

Cigana Mãe Emilia 48 por você.

E chegou a hora de Dona Cigana receber os parabéns, cortar seu bolo e distribuir seus diversos presentes. Todos cantaram, comeram e ficaram felizes com o que receberam de Dona Cigana.

Cigana Mãe Emilia 49 por você.

Cigana Mãe Emilia 50 por você.


Mas os tambores continuaram a festa propagou-se pela noite, contagiando a todos por essa bela comemoração da Cigana, que veio através de Mãe Emilia cantar, bailar, distribuir suas palavras aos atentos ouvidos e todos a admiraram em beleza, graça, suavidade, ternura e sabedoria. Axé!


Cigana Mãe Emilia 53 por você.

Eu sempre digo assim pra Deus: “Meu Deus, botaste essa Cigana no mundo, essa mensageira?” Desde a minha infância eu sonhava com ela. A primeira vez eu fiz uma saia (na época só se usava comprido), e vesti a saia vermelha, com folho, e não sei como foi, eu senti assim que me rodaram. Ela veio: “Essa roupa me pertence.” Desde esse dia, pronto, lutar eu lutei muito. Eu perguntava pra Deus: “Como tu me botaste numa outra missão, eu, pura, pra me casar contigo, Senhor?” Mas hoje eu agradeço a Ele até o dia em que Ele quiser. Tô cumprindo a minha missão até quando Ele quiser. Peço que Deus e Eles dêem a benção a todos aqueles aflitos e desesperados, que Deus dê muita paz e muito amor pra todos.

Cigana Mãe Emilia 54 por você.

Cigana Mãe Emilia 57 por você.

Cigana Mãe Emilia 56 por você.

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Meu pai é rei da Turquia

Meu pai é rei da Turquia


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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