Arquivo para 3 de dezembro de 2008

JUÍZA É HOMENAGEADA POR AMIGOS DE AMAZONINO

Enquanto a chamada elite (massa) crítica de Manaus, detentora de acervo intelectual acima dos simples ‘analfabéticos’ mortais, composta de intelectuais, professores universitários, artistas, religiosos, profissionais liberais, educadores, etc, se mantém indiferentemente omissa, protegida em seu silêncio dos indecentes, em relação à sentença histórica telúrica promovida pela Juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, que cassou a candidatura de Amazonino Mendes (PTB) à prefeitura de Manaus mais seu vice, Carlos Sousa (PP), os amigos do ex-prefeito e ex-governador, Amazonino, tecem homenagem a magnânima magistrada Juíza produtora de novas percepções e compreensões jurídicas no Amazonas.

SUAVE TÉCNICA DE HOMENAGEAR QUEM MERECE

O filósofo Nietzsche disse: “A inimizade é outro triunfo de nossa espiritualização. Consiste em compreender profundamente o que se ganha tendo inimigos; em suma, em agir e discutir de modo contrário ao que se agia e discutia antes.” Infere-se de Nietzsche que os inimigos nos são importantes. Auxiliam-nos a movimentar a Vontade de Potência. Enfraquecem o pessimismo ontológico que tanto empurra para passividade o chamado homem de bem, como o indignado-imóvel. Como são sempre a negatividade, o Não, deles recebemos móbeis excitantes, já que sempre se manifestam sem atinarem apara suas reações (como niilistas, são sempre reações, jamais ações).

Observemos as performances dos amigos de Amazonino homenageando a Juíza. Algum blogueiro pode levantar a decepção: “Mas eu não me dou com nenhum amigo de Amazonino, como ver a homenagem?” Devagar com a democracia que por enquanto ela ainda corre perigo. Não se decepcione. Atente para esta conversa de uma servente com um professor, em uma escola do município. Ela (eleitora de Amazonino): “Professor, o senhor já viu como o (o nome do apresentador do programa miserabilizante) está diferente? Não está mais valentão, cheio de coragem.” Professor (engajado): “Não. Não conheço ninguém valente na comunicação amazonense.”

Você pode assistir ao vivo e a cores, ou ouvir alto e em “bom” som essas homenagens. Veja na TV, nos programas miserabilizantes, como seus apresentadores, amigos de Amazonino, estão se apresentando. A irracional prepotência e a arrogância foram substituídas pela dor, o pesar, a tristeza. A perspectiva da cassação se tornar definitiva deixou-os cabisbaixos, macambúzios, nada do que eles carregam quando se sentem por cima do jaraqui frito. Quando estão sob a força tirânica da ilusão da superioridade. Próprio dos inseguros, dos vazios, elementos de produção dos fatores antidemocráticos.

Não tem TV? Ligue o rádio nos programas disfuncionais. É um tal de “se os advogados de defesa encontrarem uma brecha no relatório da Juíza, então…”, um tal de consulta a juízes aposentados: “Excelência, será que vai ser cassação definitiva?”

Não esquecer os jornais reacionários, com suas matérias sugestivamente homenageadores: “Amazonino recorre…” Recorrer de uma decisão de uma juíza, nesse caso, é um enaltecedor tributo a quem merece. “Amazonino viaja para Brasília com seu secretário de finanças.” Tributo além da manchete.

Nós poderíamos agradecer essa homenagem à juíza, mas não vamos, porque é mais do que justa. É a clara demonstração do fluxo imaterial mutante da Lei, expressada no corpo e na mente desses amigos de Amazonino.

Se a dolente elite ainda sentir um tênue sopro em seu animismo, seria bom usá-lo para aplaudir a magna homenagem da direitaça à Juíza Maria Eunice Torres do Nascimento.

REDUÇÃO DA VERBA EDUCACIONAL, DA PREFEITURA E DA CMM DE MANAUS

Não fosse o pedido de vistas do vereador José Ricardo (PT), o Projeto de Emenda à LOMAM nº 008/2008, da Prefeitura de Manaus, que altera o artigo 354 da Lei Orgânica do Município e reduz o orçamento para a educação municipal de 30% para 25% para o ano de 2009, já teria sido votado e provavelmente aprovado na semana passada, uma vez que, a despeito da debandada, o prefeito Serafim (PSB) ainda tem a grande maioria.

SERAFIM COM A MAIORIA DE AMAZONINO

Curiosamente essa redução, pelo que se ouve de alguns vereadores a favor já vai sendo orquestrada pelo prefeito eleito, Amazonino Mendes (PTB). Já dissemos em outra ocasião que Serafim passou o dia da votação do primeiro turno já adiantando o layout de seu blog, que inauguraria no próximo 1º de janeiro, já fora da prefeitura da cidade. Por isso Sarafa praticamente não fez campanha durante o segundo turno e quiçá tenha até ficado um tanto contente com a derrota; por isso, no dia seguinte à eleição, em seu discurso, ele já falava como ex-prefeito, enquanto elogiava Amazonino.

O VAZIO DA PREFEITURA E DA CMM

Mas o prefeito eleito tem defeito (e como tem!), e a juíza Maria Eunice Torres do Nascimento cassou Amazonino e seu vice, Carlos Souza (PP). Ora, pelo menos enquanto tramita rumo ao pleno do TRE-AM, onde se espera que Ari Moutinho e cia, sobre quem cobre suspeição, votem a favor de Amazonino, por enquanto ele está cassado. Assim, se Serafim não é mais o prefeito (e nem quer sê-lo mais pelo sonho de ser blogueiro) e passa-o de antemão a Amazonino, este estando cassado, é lógico, Manaus está sem prefeito. Se a CMM — com exceção de uns poucos, como o já citado José Ricardo — acompanha o féretro prefeitural, é também porque está vazia. E mais: para uma prefeitura e uma CMM vazias, uma educação vazia.

O FUTURÓLOGO FABRÍCIO

O edil-maneirista Fabrício Lima (PRTB), que já é uma liderança (sempre?) da bancada de Amazonino, comete uma absurda (para ele talvez melhor fosse dizer normal) incongruência, mostrando que não sabe a diferença entre “nunca menos” e “tão somente”, ao afirmar que “o artigo da Loman que estabelece os 30% contraria a Constituição Federal e a Constituição Estadual, uma vez que ambas determinam a obrigatoriedade de que Estados e Municípios apliquem nunca menos que 25% do orçamento em Educação”. E é justamente ele que exorta a não se se fazer “exercício de futurologia”, dizendo que não vai “discutir de maneira demagógica e irresponsável”. E ainda, finalmente, bate o pezinho como adolescente infantilizado e histérico (no sentido que se dá à palavra no senso comum): “Tô cheio!” Tudo para esconder o pior vício humano: querer ser o que não se é; ou seja, ético, inteligente, democrático.

E A GLÓRIA AMEAÇADA

Já Glória Carrate (PMN), que até então permanecia tartamuda, abriu a boca para denunciar a “ameaça” que alguns professores e estudantes estavam fazendo junto aos vereadores de colocar seus preciosos nomes, caso votassem a favor da redução, em outdoors pela cidade. O presidente da Casa, Leonel“Morcegão”Feitosa foi taxativo: “Quero avisar que não vou admitir esse tipo de pressão. Os vereadores têm liberdade para votar como bem quiser.” É uma pena somente ver que ele não age assim quanto á pressão que Serazonino exerce na sua intocável Casa. A fala reativa/reacionária de Carrate mostra com jargões policialescos todo o seu preconceito, passível de processo por parte do Sinteam e das entidades estudantis presentes: “Já estou acostumada com esse grupo que trabalha com meia dúzia de pessoas e que vem pra cá nos ameaçar. (…) Não vou ficar refém desse grupo. Não assino e não vou assinar.” Glória esquece que, numa democracia representativa, um pequeno grupo representa um número muito grande de pessoas, como um sindicato a uma categoria de trabalhadores, como um vereador a toda uma população. Ou a representação de Glória“Refém”Carrate faz-se apenas para meia dúzia?

DE ALGUMAS RESISTÊNCIAS EDUC-ATIVAS

Além da lista que os professores e estudantes passaram para os vereadores que se comprometiam a votar contra a redução, eles carregavam faixas e faziam suas intervenções seja na plenária, seja nas galerias da CMM. Uma palavra, um gesto, uma música. Sabe-se que as pressões sobre eles são muitas, pois são alunos que faltam aulas e, entre os professores, não há licenciamento para se trabalhar no Sinteam. Mas de suas presenças (não número, mas numeral) depende, além de alunos e professores, toda a população, já que a educação é o principal vetor de mudança social e política de uma cidade historicamente violentada como Manaus.

Entre os vereadores, José Ricardo constatou que essa redução vai custar R$ 114 milhões de corte no orçamento educacional. Em cima disso fez um parecer (publicado abaixo na íntegra) no qual lembra a situação de Manaus e do estado do Amazonas nos exames nacionais, do pré-escolar à universidade, sempre nas piores posições, e tece um estudo prático do que representará a perda dessa verba desde pagamentos de professores, merenda, fardamento, construção de novas escolas, reformas, materiais, etc. Nas suas falas, e de alguns outros, com a participação dos estudantes e professores descrita acima, têm aumentado o número dos que votarão contra a vilipendiosa redução, ainda que por temor eleitoreiro.

* * * * *

PARECER CONSTATA REDUÇÃO DE 114 MILHÕES DA EDUCAÇÃO

ESTADO DO AMAZONAS

CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS

GABINETE DO VEREADOR JOSÉ RICARDO

Manaus, 01/12/2008.

O vereador José Ricardo (PT) apresentou parecer contrário à redução de 114 milhões de investimentos na educação, encaminhado pelo Executivo Municipal através de Emenda à LOMAN, propondo alteração no art. 354 da LOMAN, diminuindo o percentual de aplicação de receita resultante de impostos e das transferências recebidas do Estado e da União, na manutenção e desenvolvimento do ensino, de 30% para 25%, anualmente.

Segundo José Ricardo, o projeto representa uma redução de R$ 114 milhões de investimentos na educação. Depois, há de se observar que, a Prefeitura Municipal programou para 1º de abril a data base para o reajuste salarial para os profissionais da educação, este planejamento é fruto de um acordo e da votação nesta Casa do Plano de Cargos, Carreiras e Subsídios da educação. Ora, se foi alegado pelo executivo que o reajuste em 2008 não seria possível devido às receitas da Prefeitura, como fazer cumprir esta Lei em 2009, com a redução dos investimentos em educação.

Para o vereador, desde 2005, o governo federal avalia a qualidade do ensino básico (fundamental e médio) dos Estados e Municípios brasileiros por meio de um Indicador que leva em consideração o rendimento escolar (aprovação, reprovação e abandono da escola) e o desempenho do estudante em um exame chamado Prova Brasil. No primeiro ano de avaliação (2005) o ensino da capital do Estado de 1ª a 4ª série teve nota 3,6, passando para 3,7 no ano de 2007, ficando em 20º (vigésima) posição dentre as capitais brasileiras e abaixo da média nacional que foi 4,2. “Já o Ensino de 5a a 8a série passou de 2,6 (em 2005) para 2,8 (em 2007), ficando abaixo da média nacional que foi 3,8, o que levou Manaus ao 38º (trigésimo) lugar entre as cidades do Amazonas, atrás por exemplo de Careiro da Várzea (3,2), Manacapuru (3,0) São Gabriel (3,4), Parintins (3,5)”, disse o parlamentar no documento.

Segundo dados do Ministério da Educação, as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, na maior parte das cidades do Norte estão abaixo das médias nacionais. Apenas 31 municípios dos 353 avaliados em 2005, durante a primeira avaliação geral, tiveram nota igual ou acima da média nacional, que é 3,8. Na Região Norte, as notas variam entre 3,8 e 4,8. Os outros 322 municípios alcançaram média de até 3,7. No Amazonas, Pará e Amapá, 100% dos municípios avaliados tiveram Índice Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB – abaixo da média nacional. No Enem de 2007, o Estado do Amazonas, ficou em penúltimo lugar (26º), na frente do Estado de Alagoas; entre as capitais, a cidade de Manaus, capital do Estado, também ficou em penúltimo lugar na frente de Cuiabá

Em 2008, os alunos das escolas públicas do Amazonas não conseguiram, no 3º ano do Ensino Médio, acertar metade das questões, do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Segundo relatório do Ministério da Educação (MEC), 70 mil alunos amazonenses fizeram a prova. (Diário do Amazonas. 21.11.2008). Os alunos das escolas públicas tiraram notas vermelhas, com média 32,55, abaixo da nacional, que foi de 37,27. Os alunos das escolas particulares também receberam nota vermelha, obtiveram média de 48,02, também abaixo da nacional que foi de 56,12, em uma escala que vai de 0 até 100.

O petista lembra que o Amazonas, no ENEM de 2008, ficou com a quarta pior nota média do ensino público e com a sexta pior nota na rede privada de ensino. O Amazonas ficou no ENEM 2008 em último lugar na prova objetiva (MEC). A média da prova objetiva foi de 34,56 e da redação 58,50. A posição da relação geral por Estado, o Amazonas passou de 26º para 23º.

Comparando os dados da prova objetiva e da redação, entre 2008 e 2007, houve um decréscimo de 8,09 e um acréscimo de 4,34 pontos respectivos. O decréscimo foi registrado na prova objetiva que foi menor do que a média nacional, parte da redação o acréscimo maior que a média nacional e da região. Já no Programa Internacional de Avaliação de Alunos – PISA – de 2007, o Estado do Amazonas, ficou em penúltimo lugar, na frente do Estado de Maranhão.

Sobre evasão escolar, em 2007, dos 248 mil alunos matriculados na capital do Estado, 12,8% abandonaram a escola, o que representava 25.000 alunos. Do restante de ficam até o final 12% foram reprovados. No Estado o índice de evasão chega a 18%. Além do mais são 28 mil alunos que estudam no turno intermediário por falta de salas de aula.

José Ricardo disse que não temos dúvida de que o presente projeto de Emenda, se aprovado, caracterizará um retrocesso administrativo e legislativo na política Educacional do Município e do Estado, haja vista que o Município de Manaus concentra a quase totalidade da população do Estado do Amazonas.

Em suma, o presente Projeto é inconveniente e contrário ao interesse público do povo manauense e amazonense” finalizou o vereador.

Gabinete do Vereador José Ricardo

DANIEL DANTAS É CONDENADO A DEZ ANOS DE PRISÃO POR CORRUPÇÃO ATIVA

Foi assinado ontem (2), pelo republicano juiz Fausto De Sanctis, da 6º Vara Criminal de São Paulo, a sentença que condena a 10 anos de prisão o banqueiro (Orelhudo) Daniel Dantas (DD), dono do Opportunity, por corrupção ativa. O Orelhudo DD é acusado de tentar subornar o delegado da Polícia Federal, Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira. A intenção do banqueiro condenado era de ter o seu nome fora das investigações da Operação Satiagraha da Republicana Polícia Federal (RPF).

Segundo a Agência Brasil, “Foram condenados ainda o consultor Hugo Chicaroni e o assessor de Dantas, Humberto Braz, ambos a sete anos de prisão, por terem cumprido o papel de intermediários na oferta de suborno. Eles teriam oferecido ao delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves US$ 1 milhão para excluir o nome de Dantas da investigação”.

Os três condenados ainda terão que pagar multas que serão revertidas para entidades beneficentes. De acordo com a sentença terá que ser pago R$ 12 milhões por Orelhudo DD; R$ 1,5 milhão por Braz e R$ 594 mil por Chicaroni. As quantias foram determinadas segundo a soma que totalizou seis vezes o valor do suborno não aceito pelo delegado, acrescido de correção monetária.

Todos os três podem recorrer da decisão em liberdade, já que não foi expedido mandado de prisão contra os condenados.

MINISTÉRIO PÚBLICO ESTUDA A POSSIBILIDADE DE PEDIR O AUMENTO DA PENA IMPUTADA A DANTAS

Rodrigo De Grandis, procurador da República disse que, ao seu juízo, alguns aspectos técnicos da sentença merecem recursos por parte do Ministério Público Federal: “O Ministério Público Federal (MPF) ficou satisfeito, mas eu analiso alguns aspectos técnicos dessa sentença que merecerão, ao meu juízo, um recurso”, disse De Grandis.

De Grandis continuou: “Na percepção do Ministério Público, a participação do Humberto Braz foi relevante dentro do cometimento do crime e, por isso, ele mereceria uma pena superior à do Hugo Chicaroni”. Braz e Chicaroni foram sentenciados a 7 anos e 1 mês de prisão cada um. É também colocada a questão de Dantas ser condenado ao regime fechado e Braz e Chicaroni ao semi-aberto.

O Ministério Público Federal estuda a possibilidade de aumentar a pena imputada a Dantas. Para o crime de corrupção ativa a pena máxima é de reclusão de 12 anos. Assim como pode haver o aumento da multa destinada a Dantas. O Ministério Público Federal declarou ainda que vê como “adequada” a pena de reclusão de Daniel Dantas.

Agora o Ministério Público Federal tem cinco dias para oferecer recurso de apelação da sentença decretada ontem pelo juiz De Sanctis. De Grandis vê “uma perspectiva bem otimista de que a sentença seja julgada em todas as instâncias dentro de cinco ou seis anos”. Ele ainda afirmou que a condenação será mantida: “Eu tenho plena convicção de que essa condenação será mantida”. Isto em razão, segundo o procurador, de haver provas suficientes da prática do crime de corrupção ativa. “A condenação deixa muito claro que a corrupção era um instrumento utilizado normalmente dentro desse grupo econômico, que acabou se transformando um grupo criminoso”, afirmou De Grandis.

JUIZ DE SANCTIS CONTRA A COISIFICAÇÃO DO SER

Pode haver aqueles que digam que de nada adianta uma condenação onde não há prisão. Podem ainda criticarem a decisão do juiz De Sanctis, dizendo que sua ação de nada vale. Estas manifestações são próprias daqueles que não conseguem alcançar o entendimento sobre o país como produção coletiva da existência ativa. Assim como não compreendem que a justiça quando justa ultrapassa os códigos jurídicos constituídos e trabalha em prol do bem comum de todos, para que não haja a necessidade do povo ficar na dependência da caridade, deixando o seu ser ontológico para passar a ser apenas uma coisa que pode ser explorada. O importante é que ainda encontramos pessoas, como o juiz De Sanctis e a juíza Maria Eunice, que nos permitem dizer: Daniel Dantas foi condenado e Amazonino Mendes, em Manaus, foi cassado. E poder dizer é poder dizer algo que já faz parte da realidade.

O juiz De Sanctis, com as várias decisões republicanas que vem tomando, demonstra o quanto a justiça não é uma questão moral, mas uma questão de democracia que estabelece a dignidade de se preservar o que é público.

Deste modo, De Sanctis fez alguns esclarecimentos:

Sobre os que não se deixaram corromper: “Perseguiram e honraram os cargos que ocupam não se deixando seduzir por sentimento de poder que transforma o ser em coisa. Adequaram-se à boa natureza, à ordem natural das coisas.”

Sobre fazer o serviço público de modo intenso: “Não se trata de estar acima do bem ou do mal, muito menos de ‘atropelar’ a lei como propagam os acusados em seus Memoriais e em vários Habeas Corpus. As pessoas precisam entender que a condução do feito exige respeito a todos e que o magistrado deve se conduzir de forma adequada, mesmo que, para muitos, melhor seria lidar com o serviço público de maneira menos intensa”.

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> A FOLHA DE SÃO PAULO NÃO SABE O QUE É DEMOCRACIA.

TV de Lula Faz Um Ano Sem Conteúdo”. A manchete é de notícia da FSP do último dia 24. O objetivo da matéria era mostrar que a TV Brasil, estatal criada no governo Lula, ainda não produz 100% de sua programação (aproveita programas da TVE), não chega a todo o país e não aparece nas estatísticas do IBOPE. Observações do jornal paulista que mostra ainda pulsar a veia pró-ditadura que lhe valeu a liberdade de se tornar, na época da ditadura militar, um dos jornais de maior circulação na cidade de São Paulo. Primeiro, as acusações de que a TV seria usada como bunker de propaganda governamental foram à pique mesmo antes da tevê entrar no ar. Como os programas e políticas públicas do governo são afetivamente aplicados no plano coletivo, a tevê “do Lula” acaba fazendo o papel informativo de levar à população aquilo que está sendo feito pelo governo. E cabe à população discernir se concorda ou não com aquilo que está sendo informado. Papel que caberia aos outros meios de comunicação, caso estes não estivessem enredados nas tramas do capital. Quanto à programação, o que a TV Brasil tem apresentado configura-se, no âmbito brasileiro, como o novo, já que a programação de TODAS as outras emissoras segue o mesmo padrão do entretenimento esvaziado e redundante dos clichês da sociedade de consumo. Daí, por tabela, não ser capturado pelo índice do consumo televisivo: o IBOPE. Como lhe é impossível discernir que o aprendizado e o informar-se se dá numa transação cognitivo-epistemológica que requer o movimento intensivo de afectos e perceptos, o colunista da FSP apenas reverbera aquilo que o galo cantou alhures em sua coluna, aliás, desnecessária justamente por isso. Quanto à TV Brasil, que não é de Lula, como também não o é o Bolsa Família, no pouquíssimo (em termos de número) que produziu até agora, já superou todas as outras emissoras, que não produzem nada.

–> A PRESTIDIGITAÇÃO DROMOLÓGICA DA IMPRENSA

O filósofo Paul Virilio, em seus estudos sobre a sociedade atual, afirma que um dos grandes trunfos que a mídia televisiva, radiofônica, escrita e internética utilizam para re-formar sem in-formar. A Dromologia de Virilio propõe a investigação do processo de aceleração do tempo, que elimina o espaço e o próprio tempo, impedindo assim o exercício cognitivo-reflexivo: a tomada de consciência do mundo em que vivemos. Exemplo disto é a situação dos navios petroleiros e cargueiros retidos na costa da Somália. A imprensa mundial em massa (equivocadamente chamada de massa) utiliza a palavra “PIRATA” para se referir aos somalis que abordam os navios e cobram somas vultosas de dinheiro para liberá-los. O Estado de São Paulo, reeditando uma notícia de agências internacionais, vai na mesma onda e repete o erro. Ocorre que a nenhuma agência calhou ouvir os supostos piratas, e sequer investigar no dicionário o que quer dizer a palavra pirata, que é aquele que se apossa ilegalmente e por meio de violência da carga e dos pertences de outro em meio hídrico. Nenhum somali roubou nem uma gota do petróleo transportado, nem abriu sequer um contâiner da carga levada pelos navios retidos. Um representante dos somalis afirmou que não considera a atividade um crime, mas apenas a cobrança de pedágio, já que o país não tem um governo centralizado que possa patrulhar as águas sob sua jurisdição. A informação “produzida” pelos meios de comunicação em massa tem menos como foco a veracidade que a velocidade. Desaparecimento do tempo. Ao utilizar a palavra “piratas” sem evocar outros acontecimentos em que a pirataria esteve presente, a mídia oculta – ou supõe ocultar – outras ligações da pitararia no mundo: a pirataria que europeus, estadunidenses, japoneses e outros bem-nascidos fazem na Amazônia, com ou sem consentimento dos governos locais, com suas mochilas lotadas de animais, sementes e frutas que só existem aqui, ou xeretando via satélite a vida dos povos nativos. Outros: a pirataria européia, responsável pelo “descobrimento” do Brasil e do continente americano, a pirataria inglesa (os corsários), sem os quais a Inglaterra jamais poderia se tornar o império que foi. A pirataria violentadora dos povos africanos, que resultou em séculos de parasitismo econômico e deixou como herança as pseudo-democracias, dentre as quais a Somália, que hoje se pirataria fizesse – e não o faz – apenas imitaria o que aprendeu com seus algozes. E se algum programa televisivo quisesse ir mais longe, como bem lembra o blogueiro Georges Bourdoukan, teria que viajar até o Egito antigo e à Palestina, eterna vítima de saques e de pirataria terrestre, desde os tempos do alucinado Moisés. Sem esse solo histórico-epistemológico, resta ao espectador-ledor-videota conformar-se com a versão midiótica dos fatos. Desaparecimento do espaço. A técnica que transforma os somalis em malvados piratas é a mesma que transforma os catarinenses isolados pelas águas, e que têm que pagar 200 reais em um garrafão de água, quando tomam produtos de supermercados ilhados, em saqueadores. Voilá!

–> A CONDENAÇÃO DE DANTAS E O PAVOR MIDIÓTICO.

Daniel Dantas tem ao seu redor toda uma trama midiótica, que vai desde as principais revistas semanais e a maior parte dos alcunhados articulistas destas revistas em seu bolso, até telejornais, passando por economistas, profissionais do Executivo, Legislativo e Judiciário. Com a condenação de DanDan pela justiça (não pelo juiz De Sanctis, como afirma a mídia, desonestamente confundindo o agente com a instituição), muitos deles começam a se desesperar. Cômica, a reação, por exemplo, d’O Estado de São Paulo, que deu uma matéria inteira que, a um leitor desatento, pode achar que Nélio Machado é articulista do jornal, já que mais de 75% do texto é “ditado” por ele. No blogue do jornalista Luis Nassif, mil outros exemplos de articulistas, comentaristas, jornalistas e outros “istas” que vendem a garganta e a pena a favor dos favores de Dan Dan, que conta até com assessoria especial do STF. Como já dito neste bloguinho a respeito de outra condenação histórica, não se trata da condenação, da prisão, da punição que, de resto, já se mostrou ineficaz como método de recuperação moral, mas de fazer funcionar, talvez como nunca na história deste país, uma instituição para aquilo que ela foi criada: garantir a igualdade entre os cidadãos. Expõe, portanto, a quem queira e possa ver, a nulidade de todos os agentes que se prestam ao papel de subserviência aos interesses do capital, em detrimento da socialidade. Na midiose, na (in)justiça, nas instâncias governamentais…


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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