Arquivo para 14 de janeiro de 2009

AS MEDALHAS LIBERTADORAS DA DEMOCRACIA DE BUSH

Em seu obsessivo zelo pela democratização do mundo, mesmo acusado de sociopata, intervencionista, genocida, alimentador das tiranias de direita, defensor da tortura, entre outras qualidades politicopatas, Bush, em sua cerimônia tanática de despedida do pior governo que o povo americano já conheceu, sendo em parte por sua total responsabilidade, principalmente no segundo mandato, quando se permitiu manipular pela propaganda do medo desferida pelo governo em questão, resolveu homenagear com a medalha de defensores das liberdade democráticas, três dos seus semelhantes: Tony Blair, Inglaterra, Uribe, Colômbia e o ministro da Austrália. Tirando o tiranete colonizado Uribe, o regredido sul-americano, os outros dois são personagens cruéis da história recente da política intervencionista comandada pelo ‘branquelo estúpido’, como afirma o cinegrafista Michael Moore.

Pelo contentamento demonstrada pelos três, no momento da cerimônia sinistra, as medalhas encontram-se com os personagens certos. O que significa dizer que Bush tem vocação pedagógica para descobrir talentos danosos para a democracia. Com ele é assim: “Só me agrada o que reflete a mim mesmo”. O filósofo Sartre poderia comentar: O medo de tornar-se a si mesmo como produtor das coletividades, em benefício do vazio da contingência. Ou, uma malograda existência sempre defendida pela má-fé, subterfúgios, fugas, atalhos e covardia. Um injustificável existir.

E imaginar que foi um fantoche deste do capital americano internacional que calou organismos internacionais como a ONU, e conseguiu determinar ordens na desordem mundial. Ah, pós-modernidade!, aonde vai teu pensamento?

A TRAJETÓRIA DE NOCHÊ HUNJAÍ EMÍLIA DE TOY LISSÁ

Mãe Emilia de Toy e Lissá 30 por você.

No sábado passado (10), Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, completou seus 64 anos de idade. Ela, que recebe entidades desde menina, mas que, nos seus percursos, passou por diversas religiões, desde o Catolicismo, passando pelo Kardecismo, até chegar às religiões afro, Umbanda, Candomblé e, finalmente Mina Nagô, fala de sua trajetória na religião, deixa-nos suas reflexões sobre o papel das religiões e, sendo presidente da Fucabeam, fala também do trabalho à frente dessa entidade na luta pela liberdade de culto e pluralidade cultural. Com sua serenidade e afetuosidade, nessa conversa que tivemos com Mãe Emília, é de se observar a linha contínua de preservação e autenticidade do culto e no cuidado com as religiões afro, uma vez que, além das suas responsabilidades particulares do seu terreiro, ela exerce um papel político-religioso na relação entre os terreiros, entre as diversas religiões com os cultos afro e destes com o poder público. Então, publicamos aqui suas sábias palavras, entremeadas com fotografias que ela nos cedeu de seu arquivo pessoal, que retratam sua trajetória…

Com sua primeira mãe de santo, Mãe Nazaré de Iemanjá; em Salvador

Com sua primeira mãe de santo, Mãe Nazaré de Iemanjá; em Salvador.

Sou Mãe Emília de Toy e Lissá. Toy é o grande Pai, dentro da Mina; e Lissá é o mensageiro, o Deus do Sol; Agbê Manjá é aquela mãe divina e maravilhosa, que é mãe dele. Minha mãe era filha de portugueses, o pai dela era português, e meu pai já era descendente de escravos, a bisavó dele e a avó foram escravas. E, outra mistura, minha mãe era cearense e meu pai, maranhense. Mas eu nasci no Amazonas mesmo. A minha vida espiritual começou muito cedo. Minha mãe era espírita e quando eu, com meus sete anos, comecei a receber entidades, minha mãe suspendeu, porque eu era muito pequena, ela dizia que eu não aguentava, desmaiava. A primeira entidade que eu recebi, na minha infância, foi o Rei da Lira, e depois Tapindaré, um turco; trabalhei muito com Dr. Menezes de Bezerra, no espiritismo, e ainda continuo, quando faço mesa astral aqui, eles vêm pra trabalhar, quando é preciso fazer uma mesa branca pra cura.

Uma oferenda no mar, em Salvador.

Uma oferenda no mar, em Salvador.

E a vida continuou. Lutando, batalhando com eles, porque eles queriam vir. Aí, com meus dezessete anos, eu comecei de novo a receber entidades. Não teve mais jeito, só parei quando fui para o convento. Fui professora de catequese no convento da Auxiliadora, no tempo daqueles padres antigos, capuxinhos, Frei Domingos, Frei Felipe. Então, meu destino é que eu queria ser freira, pra me livrar. Eu comecei primeiro na Igreja de Fátima, na Pça 14, a primeira igreja que teve, de palha, pequenininha, com a irmã Maria, a irmã Aurora, e destinei ir pro convento, eu tinha uns dezoito anos, era muito nova. A vida continuou, e quando era pra eu viajar pra Belém pra ir para outro convento, minha mãe achou que não, que meu destino não era aquele, aí não fui.

Recebendo Barão de Goré; em outro terreiro de Mãe Nazaré, no Maranhão

Recebendo Barão de Goré; em outro terreiro de Mãe Nazaré, no Maranhão.

Jorge Itaci de Oliveira, conhecido também como Dom Jorge ou Jorge Babalaô

Jorge Itaci de Oliveira, conhecido também como Dom Jorge ou Jorge Babalaô.

Fiquei só dando aula de catequese, não pude continuar no convento. Mas na igreja, assim mesmo, dando aula de catequese, participando de tudo, eu incorporava dentro da igreja. Então o bispo chamou a minha avó, que era uma franciscana já antiga, e disse: “Emília tem outro destino, não é esse, vai servir a Deus de outro jeito”. Frei Felipe, ave-Maria, fui pra minha casa, fiquei muito triste: “Que religião?” “Pra onde eu vou?” “Porque isso?” Eu achava até que era um absurdo. Aí fui morar com uma madrinha, comecei a me formar de costureira, de um monte de arte. Fiquei com ela um tempão. Foi quando conheci um rapaz com o qual me casei. Gostei dez anos e me afastei do santo um pouco. No dia do casamento, os padres ainda perguntaram na São Sebastião: “Emília, não casa que tu não vai ser feliz.” Mas aí, né? Conheci, gostei, o primeiro namorado foi ele. Me casei.

Primeiras obrigações na casa de Dom Jorge, depois que Mãe Nazaré rufou.

Primeiras obrigações na casa de Dom Jorge, depois que Mãe Nazaré rufou.

Com a madrinha, Antoninha Jansen.

Com a madrinha, Antoninha Jansen.

Mas depois começou a voltar tudo de novo, aí eu prometi a Deus que eu ia voltar, mas que eu queria conhecer a vida espiritual pra saber onde eu tava pisando. Eles começaram a vir, começaram a fazer curas maravilhosas, a Cigana também tornou a vir. Ela dizia que era o anjo da minha guarda, que ela ia me proteger, que eu não temesse. Tive sete filhos, mas nunca eles me abandonaram. Ajudava muito meu marido, ele era fiscal de um banco. A vida continuou, e chegou uma época, já depois dos sete filhos, nós tivemos – o destino da vida – uma separação; ele achou que tinha de caminhar com outra pessoa. Eu disse que tudo bem. Se Deus achou que até aquele tempo que se tinha desenrolado em viver até a metade da minha vida com ele, e tive as sementes que Deus me prometeu, eu vi que dali pra frente ele tinha achado que meu destino era outro.

Obrigação para receber a cuia; sete anos.

Obrigação para receber a cuia; sete anos.

Alagbês rufando na entrega da cuia.

Alagbês rufando na entrega da cuia para Mãe Emília.

Aí eu fui batalhar, fui lutar, e prometi a Deus que se eu conhecesse mais a fundo a religião, eu ia me entregar de corpo e alma. Morreu pra mim amor; só para Deus e os Orixás. Caminhei pra Bahia, dei os primeiros passos, fui me preparar. Mãe Mininha falou pra mim: “Nunca mude, nunca deixe a religião, o fundamento que Deus lhe deu, e essa Cigana jamais você deixará, nunca, nunca…”

Festa para a Cigana; ainda em Mãe Nazaré.

Festa para a Cigana; ainda em Mãe Nazaré.

Eu fui bem preparada no santo: sete anos, quatorze, vinte e um anos. Quando rufou a minha mãe de santo, passei pra Jorge Itaci de Oliveira, Dom Jorge, de São Luís do Maranhão, da Casa da Fé em Deus, pra receber o decá, já era sacerdotiza. Com vinte e cinco anos de santo eu recebi o último grau. “Se é isso que Deus quer, eu vou até o fim.” E, hoje, dou graças a Deus e a estes sacerdotes que se passaram, com quem tive o conhecimento que eu queria. Aí eu acreditei que eu sabia o que eu tava fazendo; eu tinha entrado numa coisa que não era nada demoníaco, era aquilo que Deus me determinou na vida. E até hoje eu estou, tenho sessenta e quatro anos de idade, dentro da religião já vi do pior e do melhor, e continuo tendo mais surpresa na vida. Eu procuro sempre respeitar a Deus acima de tudo, porque sem ele ninguém é nada, por isso essa Cigana que eu carrego, eu digo pra ela: “Quem tu és?” Porque é um anjo da minha guarda, que me protege todos esses anos. Nos momentos mais difíceis da minha vida, quando eu fiquei desesperada, ela sempre tava do meu lado, e me dizia: “Minha filha, não temas; nada vai acontecer contigo nesse mundo.”

Dom Jorge veio assentar a pedra fundamental do terreiro de Mãe Emilia.

Com Dom Jorg, quando ele veio assentar a pedra fundamental do terreiro de Mãe Emília.

Com Dona Mariana, nos tempos da inauguração do terreiro.

Aí fui trabalhar no Estado, na maternidade Balbina Mestrinho. Perdi tudo na vida, até minha casa teve uma época de ir pro leilão, mas reconstruí. Nada disso eu temia, eu dizia: “Se é isso que Deus quer, eu vou chegar lá.” E hoje eu consegui essa área aqui, e da Pça 14 eu vim pra cá. Lá eu já tinha um terreiro. Mas quando eu me casei, meus pais já eram velhinhos, eu precisava ter um pedaço de chão. Eles me ajudaram – Deus lá em cima e eles na Terra. Aí vim pra cá pra Cidade Nova, vinte e cinco anos vai fazer; de inauguração tem menos, porque eu vim batalhar, eu vim lutar, mas nunca deixei de ser o que eu sou hoje.

Mãe Emilia, seu irmão Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Iansã e a guia da casa Luiza.

Mãe Emília, seu irmão Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Iansã e a guia da casa Luíza.

A tradicional Festa de São Cosme e Damião.

A tradicional Festa de São Cosme e Damião.

Me aposentei pelo hospital, na área de saúde, porque eu adoeci do coração. Fui pra São Paulo, fiz tratamento. O médico me deu três meses de vida, e eu estou até hoje. Faz vinte e quatro anos. Os santos me disseram que não, que aquele lá de cima disse que eu ainda não ia, que eu ainda tinha muita coisa pra fazer aqui. E a vida continuou, eu aqui trabalhando com essa Cigana até hoje, e digo sempre às pessoas, que Deus existe vivo para nós, e estes são os mensageiros que ele determina aqui na terra pra nos proteger. Deus lá em cima e eles aqui pra proteger a gente, porque todo o tempo nós estamos sendo movimentados por uma força da terra, todo o tempo somos movimentados por isso.

O primeiro barco, com oito filhos de santo, que Dom Jorge veio para confirmar com Mãe Emilia.

O primeiro barco, com oito filhos de santo, que Dom Jorge veio para confirmar com Mãe Emília.

Cachoeira da Suframa, onde em tempos passados se faziam santificadas oferendas.

Cachoeira da Suframa, onde em tempos passados se faziam santificadas oferendas.

Barão de Goré, há muitos anos atrás.

Com Barão de Goré, há muitos anos atrás.

Fui desenvolvida no Kardecismo, passei pro Espiritismo, no Centro Tomás de Aquino, com as amigas, que, hoje, são Souza Cruz, Terezinha Tribuzy, aquele povo antigo, e depois eu passei pra Umbanda, da Umbanda pra Umolocô, e terminei aonde Deus queria. Eu tinha que conhecer cada uma religião, pra poder eu ficar nessa. Como que eu poder ajudar o próximo, se eu não tinha conhecimento. E hoje, graças àquele lá de cima e às mãos santas destes sacerdotes que me deram essa oportunidade de eu conhecer. Até hoje eu estou aqui com essa Cigana, ela tem uma história dela que ela conta pras pessoas, desde a minha infância. Ela tem um nome de segredo dela, mas só ela pode me autorizar de dar o nome dela. Hoje, dentro do santo, eu sou uma Gonjaí. O que é uma Gonjaí? É como se fosse um bispo, um papa. Mãe Emília de Toy e Lissá Gonjaí. É um título. Eu preciso dá título pra esse povo antigo, eles precisam ter uma história aqui no Amazonas pra contar, que já vem de muitos anos, gente que veio de fora pra cá, porque no tempo deles era o tempo da pajelança, que ninguém conhecia ninguém, ninguém homenageava ninguém. Por que que eu tive que ir pra fora? Porque na minha terra ninguém preparava ninguém, só era pajelança, eu fui na pajelança.

Festa da Cigana, feita por Mãe Emilia desde moça, muito antes de ir para Salvador. Abaixo, vários momentos da bela Cigana.

Festa da Cigana, feita por Mãe Emília desde moça, muito antes de ir para Salvador. Abaixo, vários momentos da bela Cigana.

Eu pisei em todas as linhas pra chegar onde eu cheguei. Pra mim conhecer e saber como é e como não é. Porque um sacerdote, um bispo, quem for, tem que conhecer as leis sagradas, as leis lá de cima e as de baixo, senão vai falar besteira. Nós temos que ter conhecimento. Nós também temos a nossa faculdade tanto no mundo espiritual quanto no mundo do pecado, temos os sacerdotes, que têm de passar os conhecimentos pra gente. Sacerdote de verdade, preparado; porque um sacerdote, pra se preparar, ele começa com um ano, dá os primeiros passos – é como um ABC -, dois anos, passou mais no ABC, três anos, quando chega aos sete anos, ele já está preparado pra receber uma cuia dentro da Mina. No Candomblé, é decá. Aí é que começam as preparações pra ver se aquele ser humano já está preparado pra desempenhar a função, se realmente é um sacerdote. As entidades vêm ao mundo, hoje já tem entidade que toma uma cervejinha, tomam aquilo que dão, eles gostaram, mas é uma bebida totalmente diferente. Os voduns usam o quê? O vinho, que representa tudo. A cerveja pros cabocos representa o quê pra eles? A espuma do mar. O fumo é a fumaça. Até os cabocos, índio, Oxóssi, eles usam o quê? A caiçuma, que eles extraem da mandioca. A bebida de turco é totalmente diferente; eles gostam muito de fumar o toari, eles mesmos fazem, pra fazer descarrego, pra tirar as forças negativas.

Até hoje eu estou aqui com essa Cigana, ela tem uma história dela que ela conta pras pessoas, desde a minha infância. Ela tem um nome de segredo dela, mas só ela pode me autorizar de dar o nome dela. Ela fala um bocado de línguas, que às vezes as pessoas não entendem, é preciso uma pessoa pra traduzir. Hoje em dia ela já fala assim em português, porque ela falava só em dialeto, como se ela tivesse chegado aquela hora do Egito, como se tivesse vindo da Turquia. Eu tinha uma filha de santo, professora, que traduzia. Depois eu fui pedindo, fazendo obrigação, obrigação, ela foi mudando um pouco. Ela mudou muito, aí já começou a falar em outros idiomas. Que ela transmita paz, amor, e que lave o coração daqueles que estão exaltados ou que estão desesperados por uma perda, que ela dê muita paz e muito amor pra todos.

Mãe Emilia e seu Francisco Borges, e mais cinco dos sete filhos que têm.

Mãe Emília e seu Francisco Borges, e mais cinco dos sete filhos que têm.

Eu me sinto aqui na terra como se eu estivesse mais pra lá do que aqui pisando, porque eu desempenhei a minha missão para eles. E eu quero conhecer cada vez mais, tenho participado de encontros lá fora, com os africanos, e aqui o que eu queria era saber mais sobre o resto das religiões que Deus me determinou aqui na terra, e devagar eu tô chegando lá. Até a data de hoje não me arrependo. Estou feliz, sempre procurando fazer tudo aquilo que Ele me determinou. Não tenho passado sujo na minha vida. Não, tenho só lágrimas e sofrimento, pra chegar onde eu cheguei, lágrimas de sangue, dores, momentos difíceis na minha vida os quais eu não entendia. Hoje, não, eu posso dizer: “Não, não chore suas lágrimas, que não é isso que Ele quer. Hoje, eu peço a paz pros meus amigos, e para aqueles que acham que são meus inimigos, que Deus dê muito conhecimento e sabedoria, que eles possam distribuir a paz.

Da mais recente festa da Cigana.

Da mais recente festa da Cigana (Nov/2008).

Com Dona Pátria, incorporada, que mora com Mãe Emilia e tem cerca de 80 anos de santo.

Com Dona Pátria, incorporada, que mora com Mãe Emília e tem cerca de 80 anos de santo; foi Mãe Pequena da casa de Mãe Raimunda de Tapindaré.

Que bom que Deus botou você na minha porta, pra botar essas histórias verdadeiras. Histórias, mas verdadeiras, para o povo ver como realmente é, e até os da religião, que não é só se vestir de pai de santo; se você não tiver um conhecimento, o que você vai fazer. Eu digo sempre, pra todos que têm uma casinha aberta, que chega uma época que você precisa ter uma preparação. A entidade vem, mas nós temos de estar preparados pra isso. É como um professor, um médico; se eu vou passar um remédio pra Flor que tá com uma dor aqui, eu não posso passar aquela erva, se eu sei que seu problema não é aqui e sim no coração. O que pode acontecer se eu não conhecer a vida espiritual? Eles vêm e me dizem: “Aquilo serve; aquilo não serve.” Eu enxergo, eu vejo com aquilo que Deus me deu para eu enxergar.

Com Flor (à esquerda) e Mãe Orny, filhas inseparáveis.

Com Flor (à esquerda) e Mãe Orny, filhas inseparáveis.

Com a guia-mestra Jéssica Agbê Manjá e Sira de Iansã, que convive com Mãe Emilia há cerca de 30 anos.

Com a guia-mestra Jéssica Agbê Manjá e Sira de Iansã, que convive com Mãe Emília há cerca de 30 anos.

É isso que a gente precisa: a união, a paz dentro da religião, pra poder continuar a ter esperança. Hoje nós somos criticados por falsos irmãos que não têm conhecimento. O que dizem os evangélicos? Que nós somos o diabo. Não, nós não trabalhamos com diabo. Ele foi um anjo maravilhoso, só que quis saber mais do que Deus. Os exus são os pequenos orixás que quiseram muito além daquilo que podiam, foram as vedetes, foram aqueles homens que andavam a noite inteira na farra, nos teatros, que se perderam, e hoje eles voltam com o nome que deram. Quem foi Tranca-Rua? Quem diz? Quem foi Maria Padilha? Não foram nada de diabo, não existe isso aí, o povo que inventa; existem sim trabalhos diabólicos, de magia. Existem pessoas que são mal esclarecidas e fazem isso, porque vem a força contrária, sim, mas só pra quem não tá puro nem preparado. Espiritualmente, você deixou uma força se colocar, se atravessar no seu caminho, pra fazer mil destruições. Mas Deus dá força e poder pra todos, depende de você saber usar. Você já nasceu um médium, porque Deus foi um espírito. Quando alguém sai das entranhas da mãe, aquele vodunço, aquele baculo está ali. Quem lhe pegou? Uma parteira, que o orixá dela era um, o da sua mãe é outro. Está só esperando na porta, pra aparar. Quando o bebê não quer chorar, é porque ele não quer reencarnar pra vir a esse mundo. Aí é preciso dá umas palmadinhas pra despertar pro mundo daqui. Essas coisas todas acontecem na vida espiritual e muitos não enxergam. É bonita a minha religião, linda pra você cultuar com amor, com paz, e pra unir com todas as religiões. Eu comungo, eu confesso, clamo a Deus noite e dia, rezo meus terços todo dia. Nós temos as histórias dos encantados, dos vodunços, dos pretos-velhos… Quem foram eles? Foram gente como a gente. Gente como a gente…

O aniversário de Mãe Emilia, sábado passado.

O aniversário de Mãe Emília, sábado passado.

Mãe Emilia e sua familia.

Mãe Emília e sua família.

Para se atualizar no terreiro de Mãe Emília, acesse alguns trabalhos que lá realizamos recentemente, a partir do final do ano passado:

– 2ª RUNIÃO DA CARTOGRAFIA DOS CULTOS AFRO NO AMAZONAS

– DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

– OFERENDA NAS ÁGUAS PARA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, OXUM E IEMANJÁ

– SAÍDA DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

NO BRASIL E NA ARGENTINA, AGORA VOCÊ PODE FICAR O QUANTO QUISER

Preparem as malas pra cá, hermanos, que estamos indo pra lá. Agora não é somente o Sistema de Pagamentos em Moeda Local – SML, através do qual “podem ser feitas transferências de fundos relativas ao recebimento de receitas de exportações brasileiras para a Argentina e ao pagamento de importações brasileiras da Argentina, em reais e em pesos argentinos, respectivamente”. Agora, segundo o Decreto nº 6.736, publicado na edição de hoje (13) do Diário Oficial da União, brasileiros na argentina, e vice-versa, podem tornar permanentes os vistos de turista ou temporários.

Os pedidos de transformação ou regularização devem ser apresentados ao Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça do Brasil ou à Direção Nacional de Migrações do Ministério do Interior da Argentina. É preciso apresentar documentos como passaporte ou identidade, certidão negativa de antecedentes judiciais, comprovante de ingresso no território e comprovante de pagamento das taxas de imigração aplicáveis. (Agência Brasil)

A tentativa é fundamental para a diminuição daquele narcisismo de vizinhança, principalmente de brasileiro em relação a argentino, decorrente de sentimentos de inferioridade mórbidos que se travestem de orgulho e imbecilidade. Então, como dissemos outra vez aqui neste bloguinho, “prepare suas malas lá, para vir até São Luís brincar o bumba-meu-boi ou ir a um terreiro de macumba, enquanto fazemos uma ponte à capital portenha para dançar um tango e degustar um magnífico vinho argentino”. Que los hermanos tragam El Diez pra cá, mas, por favor, nada de querer levar Pelé pra lá. Vamos nessa!

Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver

Ciudad porteña de mi único querer

Oigo la queja, de un bandoneón

Dentro de mi pecho pide rienda el corazón

(Alfredo Le Pera e Carlos Gardel)


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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