Arquivo para fevereiro \28\-04:00 2009

MORTOS MAIS DOIS PERITOS DA POLÍCIA FEDERAL EM MANAUS

Dois outros dos peritos feridos ontem na explosão na sede da polícia federal, em Manaus, não resistiram e faleceram hoje. Às 10h da manhã, morreu o perito Max Neves e, às 14h, Maurício Barreto. Acrescentando-se a Antonio Carlos de Oliveira, que morreu no local da explosão, o acidente teve três vítimas fatais. O quarto perito, que estava numa sala contígua, teve apenas ferimentos leves, foi atendido e liberado.

POSSIBILIDADE DE ARMADILHA NA EXPLOSÃO

Segundo informou à Agência Brasil o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Octavio Brandão Caldas Netto, a explosão ocorrida na sede da polícia federal em Manaus pode ter sido uma armadilha. No entanto, segundo ele, essa possibilidade somente poderá ser comprovada mediante conclusões dos trabalhos periciais.

Pelo que fui informado, o cilindro que explodiu havia despertado suspeitas de funcionários dos Correios de Manaus. Eles o furaram e encontraram um pó. Realizaram então, como é de praxe, um teste preliminar para identificar cocaína, e o resultado foi positivo. Em seguida encaminharam o cilindro à Superintendência da PF no estado”, explicou o presidente da APCF.

Uma equipe de sete peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) , juntamente com o diretor Técnico-Científico da PF, Paulo Roberto Fagundes (colega de turma de Oliveira durante o curso de formação para peritos), mais o diretor geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, estão chegando a Manaus para investigar o caso.

Caso se comprove a armadilha, entre a população, que está atenta ao fato, a explosão na sala de perícia, que fica em cima de onde estava o Moa, amigo e acusador do deputado estadual e irmão do vice-prefeito cassado de Manaus, Wallace Souza, pode não ter sido mera coincidência. Se se confirmar, a investigação terá de procurar os responsáveis caso a explosão seja confirmada como um atentado. De qualquer forma, o caso pode abrir as acusações de envolvimento com o crime organizado, formação de quadrilha e tráfico de drogas ligadas a Wallace Souza para o restante do Brasil.

SUPOSTA EXPLOSÃO DE BOMBA NA SEDE DA POLÍCIA FEDERAL EM MANAUS – ATUALIZAÇÃO

Em 27/02, às 21:00: Segundo as primeiras informações divulgadas, teria ocorrido a explosão de uma bomba na Superintendência da Polícia Federal em Manaus hoje à tarde, por volta das 17:20h. Chegou a se cogitar em um atentado. No entanto, as novas notícias dizem que na verdade foi um cilindro que explodiu, matando o perito da polícia federal Antônio Carlos de Oliveira e deixando outros quatro feridos. Segundo as novas informações, os presos que se encontravam provisoriamente na sede da polícia federal (onde também estava o Moa) foram levados para o Instituto Penal Antônio Trindade, no km 8 da BR-174, rodovia que liga Manaus a Boa Vista (RR). Este bloguinho intempestivo estará atento a novas informações.

ATUALIZAÇÃO: PORQUE A IMPRENSA DÓCIL INSISTE EM ACIDENTE QUANDO A PRÓPRIA PF NÃO DESCARTA ATENTADO?

Às 13:00H: segundo a Agência Brasil, o presidente da APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais), Octávio Brandão Caldas Netto, a explosão do cilindro no laboratório do setor técnico-científico da superintendência da PF em Manaus ainda não tem causa definida, mas ele não descarta a possibilidade de ter sido orquestrada: “Pelo que fui informado, o cilindro que explodiu havia despertado suspeitas de funcionários dos Correios de Manaus. Eles o furaram e encontraram um pó. Realizaram então, como é de praxe, um teste preliminar para identificar cocaína, e o resultado foi positivo. Em seguida encaminharam o cilindro à Superintendência da PF no estado”.

No entanto, o jornal A Crítica, edição de hoje, parece já ter feito a perícia. A nota localizada na capa da edição deixa claro que foi um “acidente”. Quem se dignar a ler a matéria feita pelas jornalistas Maria Fernanda Souza e Joana Queiróz, no entanto, verá que nenhuma das possibilidades foi confirmada, ou descartada. A própria nota oficial da Polícia Federal não define a causa da explosão. No entanto, para o leitor incauto (ainda haverá algum?), o acontecimento passa sem o crivo para além da banalidade, ainda que o ex-policial Moa, peça-chave no inquérito sobre a morte do traficante Bebeto, no qual está – segundo a polícia – envolvida a família Souza (Wallace Souza, irmão do vice-prefeito, e seu filho, Rafael, este indiciado por tráfico de entorpecentes, homicídio e porte de arma), tenha sido, com o incidente, transferido para o instituto penal Antonio Trindade, perdendo portanto a proteção da PF.

Não se questiona também o fato da explosão ter ocorrido com um experiente perito, que dificilmente cometeria um erro fatal, manuseando material explosivo. A questão real, no caso da imprensa, é saber se as omissões e precipitações são resultado de insuficiência intelectiva para fazer tais questionamentos, ou a tradicional docilidade quando o assunto é abordar acontecimentos envolvendo autoridades locais.

i iNDA TEM FRANÇÊiS Qi DiZ Qi A GENTi NUM SEMO SERO

@ BARACK OBAMA ANUNCIA A RETIRADA DAS TROPAS AMERICNAS do Iraque até o final de 2010: “Deixem-me dizer isso o mais claramente que eu puder: até 31 de agosto de 2010, nossa missão de combate no Iraque irá terminar.” Mas a saída ainda não é completa, segundo Obama cerca de 35 a 50 mil soldados ainda permanecerão para treinar as tropas iraquianas e proteger a reconstrução do país até 2011. Já o secretário de Defesa, Robert Gates, vota pela permanência de uma força americana, “fornecendo talvez apoio de inteligência”, mesmo depois de 2011. Até quando? Para quem não se acostumara a Bush, a notícia é bem vinda, mas pode acabar sendo uma forma de manter a dominação, mas cortando suficientemente as despesas, no fundo a grande preocupação do governo Obama: “Não podemos sustentar indefinidamente um compromisso que sobrecarregou nossos militares e irá custar ao povo norte-americano quase 1 trilhão de dólares.” Como diria Baudrillard, os milhares de mortos e a destruição histórico-cultural não é um acontecimento considerável. I inda tem françêis…

@ AS MAIS DE 4 MIL DEMISSÕES DA EMBRAER SÃO SUSPENSAS até o próximo dia 5 pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas, devido a uma liminar colocada pela Força Sindical, o Conlutas e sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos e Botucatu, ambos no interior do Estado de São Paulo, que protocolaram uma “uma ação de dissídio coletivo para anular as dispensas”. Depois que o próprio Lula, pessoalmente, reuniu-se com os diretores da empresa e eles não voltaram atrás com as demissões, as entidades entraram com o documento, alegando que a Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. não negociou com os trabalhadores e argumentaram que, ao contrário do que diz a empresa, ela está com o recorde de encomendas de avião. Estaria a Embraer aproveitando a chamada crise para corte de funcionários? I inda tem françêis…

@ FUNCIONÁRIA É DEMITIDA APÓS EMPRESA ESPIONAR FACEBOOK. Kimberley Swann (16) ficou sem o seu emprego porque comentou em sua página pessoal no site de relacionamentos Facebook, que seu trabalho era chato. A britânica Kimberley trabalhava na parte administrativa da companhia Ivell Marketing & Logistics em Clacton, Essex. Seu patrão disse que era uma pena o que aconteceu, pois Kimberley é uma “garota adorável”. Ao que parece, segundo críticas de líderes sindicais britânicos, esta empresa já é conhecida por “espionar” a vida de seus funcionários. Este acontecimento nos remete a passagem da sociedade disciplinar ao biopoder. Se a sociedade disciplinar caracterizava-se por ser uma rede de dispositivos que produziam e regulavam costumes, hábitos e práticas produtivas, fazendo das instituições os espaços limitados que zelavam pela vigilância, conservação e difusão da ordem que era originada e fundamentada dentro das paredes dessas instituições; hodiernamente, com o biopoder, essas subjetividades se derramam por todo o tecido social. Não há mais muros ou paredes institucionais. Não há mais fundamento ou origem. Há o controle onde dentro e fora se tornam impossíveis de se distinguirem. O biopoder domina a própria vida, a vigia por dentro e fora, acompanha-a, segue todos os seus passos para administrá-la e rearticulá-la, quando achar necessário. Não há mais lugares íntimos. O poder não existe mais à medida que se expande infinitamente e se torna um não lugar. O controle é generalizado. Kimberley apenas não notou que não havia espaço de distinção algum entre o seu emprego e a internet. Assim, como a sua página virtual nunca tinha sido pessoal. I inda tem françêis…

@ PSDB E DEM-PFL DIZEM QUE ENCONTRO DE LULA E DILMA com prefeitos é diferente do encontro de Serra com os prefeitos do estado de São Paulo. Estão certos. Para quem fizer qualquer comparação entre a desastrosa gestão de Serra e a do presidente Lula, não terá dúvidas. O encontro de Lula e Dilma Roussef com os prefeitos do Brasil, inclusive os poucos dos supracitados partidos, com certeza servirá para engendrar novos projetos para fazer progredir esses municípios. Com certeza também isso trará muitos votos para a futura candidata Dilma, mesmo que ela não esteja fazendo campanha antecipada. Já Serra, pela sua incapacidade de bem governar seu estado, talvez até atrapalhe certos projetos do governo federal que vão direto para a população via prefeituras. Com certeza isso não lhe trará nenhum voto, mesmo que ele esteja fazendo campanha antecipada. I inda tem françêis…

Vamos que vamos

Porque mesmo que formos agora

Já não iremos para onde íamos…

SUPOSTA EXPLOSÃO DE BOMBA NA SEDE DA POLÍCIA FEDERAL EM MANAUS

Segundo as primeiras informações divulgadas, teria ocorrido a explosão de uma bomba na Superintendência da Polícia Federal em Manaus hoje à tarde, por volta das 17:20h. Chegou a se cogitar em um atentado. No entanto, as novas notícias dizem que na verdade foi um cilindro que explodiu, matando o perito da polícia federal Antônio Carlos de Oliveira e deixando outros quatro feridos. Segundo as novas informações, os presos que se encontravam provisoriamente na sede da polícia federal (onde também estava o Moa) foram levados para o Instituto Penal Antônio Trindade, no km 8 da BR-174, rodovia que liga Manaus a Boa Vista (RR). Este bloguinho intempestivo estará atento a novas informações.

DIZEM QUE NO BRASIL O ANO SÓ COMEÇA DEPOIS DO CARNAVAL.

E PARA OS CASSADOS, QUANDO COMEÇA?

Uma palavra de ordem que salta naturalmente como enunciação de grande parte da população brasileira. Todavia, não se sabe de onde se originou. Entretanto, se sabe muito bem onde se alojou satisfatoriamente: na sinecura de muitos membros do parlamento e do executivo, e que quase sempre nem são carnavalescos, e muitos menos íntimos de Dionísio.

Já tornou-se hábito no Brasil decisões importantes, no universo da política, serem postergadas para depois do carnaval. E muitas vezes nem depois, tal a inoperância e indiferença destes profissionais com as causas públicas necessárias. O que faz com que a palavra de ordem, “no Brasil o ano só começa depois do carnaval”, seja entendida apenas como uma dissimulação anterior – antes do carnaval – para lembrar que no futuro – pós carnaval – “a coisa vai pegar”. Sem nunca pegar em função da disfunção profissional destes privilegiados da sinecura. E o Brasil continua em ritmo do antes do carnaval: parado.

Porém, sabe-se que para outros profissionais comprometidos com as causas públicas, o ano começa (trocadilho) quando o ano começa. O carnaval não é um marco zero propulsor das atividades dos brasileiros. O trabalho é exercido de acordo com as exigências da sociedade que não pode esperar em seu movimento pragmático.

Mas existem aqueles para quem o ano anterior nunca passou , e o posterior nunca chegou. São os chamados políticos que embora eleitos, encontram-se arrolados pela Justiça Eleitoral, suspeitos de recorrerem, para conseguirem ser eleitos, à atos tidos como crime eleitoral, onde o mais comum é o de “compra de votos”. Nessa situação, encontram-se em ansioso estado de iminente desfecho perturbador: a cassação definitiva. Estado que tira do corpo e da mente qualquer vigor e disposição intelectual para contestar “que no Brasil o ano só começa depois do carnaval”.

Um destes casos mais conhecidos do povo de Manaus, é o caso do prefeito cassado em Primeira Instância pela ilustríssima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, Amazonino, que, amparado por uma medida cautelar, vive a angústia de à qualquer momento uma derradeira decisão jurídica venha lhe impossibilitar definitivamente de começar o ano.  O que lhe colocaria na posição contrária ao título da obra do escritor Luzeiro, “68, O Ano Que não Acabou”, com o cronos: “2009, O Ano Que Não Chegou”.

Como a população manauara comentando que passado dois meses, a gestão, ameaçada, de Amazonino, não apresentou nenhuma obra das colocada como peça de campanha eleitoral, infere-se que se 2009 não chegou, muito menos o carnaval. Aí, confirma-se o imponderável: “O Trabalho Está de Volta”, lema de sua campanha, não voltou, pois só poderia voltar, na melhor das hipóteses, se o carnaval tivesse chegado e passado. Como, no caso, não chegou, administrativamente, Manaus encontra-se intempestiva – nada a ver com o bloguinho, cujo intempestivo é da ordem da potência do filósofo Nietzsche.

MAIS UMA DO MPF/AM PARA AMAZONINO CASSADO E SEUS AMIGOS

26.2.2009 – MPF/AM oferece denúncia contra Amazonino Mendes e João Braga por uso indevido de CNPJ de terceiros nas eleições de 2006

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) por meio do procurador regional eleitoral, Edmilson da Costa Barreiros Júnior ofereceu denúncia, hoje, 26 de fevereiro, contra Amazonino Armando Mendes e João Coelho Braga por terem usado indevidamente o CNPJ da Gráfica Lorena Ltda quando da distribuição do informativo “Jornal do 25” por ocasião das eleições de 2006.

De acordo com o art. 11, Parágrafo Único, Resolução TSE nº 22.261/06, a qual regulamentava as disposições referentes à realização de propaganda eleitoral no pleito de 2006, determinava-se a inscrição do número do CNPJ da empresa responsável pela confecção do material impresso.

João Braga, que na época era administrador financeiro da campanha de Amazonino e foi denunciado conjuntamente com ele, por não ter declarado as despesas referentes ao informativo junto à prestação de contas. Fica evidente quando da leitura da prestação de contas do candidato, onde não se verifica qualquer indicação de confecção de jornais para veiculação de propaganda eleitoral, bem como que a Gráfica Lorena Ltda tenha sido a responsável pelo mesmo.

Durante a apuração dos fatos verificou-se ainda que a referida Gráfica não tinha condições técnicas e materiais de proceder à confecção do aludido material de propaganda, portanto a utilização de sua inscrição teria sido usada indevidamente no impresso.

O então candidato Amazonino Mendes está sendo denunciado pela inserção de CNPJ em jornal diverso do responsável pela confecção e por omissão da confecção de material destinado à publicidade na sua prestação de contas, e João Braga está sendo denunciado pela omissão de informação relevante de documento público. Esta é conduta capitulada no art. 350 do Código Eleitoral.

Entre os pedidos do MPF/AM estão a perda do mandato eletivo do denunciado Amazonino Armando Mendes, e do cargo público ora ocupado por João Coelho Braga.

Confira aqui a íntegra da denúncia.

TRABALHO A VISTA EM MANAUS: ABERTAS INSCRIÇÕES PARA CONTRATAÇÃO DE PESSOAS PARA TRABALHAR NAS UNIDADES DO PRONTO ATENDIMENTO AO CIDADÃO — PAC

Atenção! Atenção! Durante os dias 2 e 3 de março a Ouvidoria Geral do Estado estará recebendo o Currículo dos interessados em atender as necessidades temporárias nas unidades do PAC:

São 16 vagas.

A escolha d@s candidat@s ocorrerá através da análise curricular.

Os currículos deverão ser entregues à sede da ouvidoria: rua 7, casa 11 – Conjunto Celetramazon – bairro: Adrianópolis.

Remuneração: R$ 695,61 – p/ carga horária de 40 horas semanais.

Os postos dos PACs que receberão os novos contratados serão o PAC São José, PAC Compensa, PAC Centro, PAC Porto, PAC Cidade Nova no horário de atendimento das 08 às 17h, de segunda a sexta-feira.

Pré-requisitos:

1. Idade superior a 18 anos;

2. Comprovar que está cursando nível superior;

3. Ter disponibilidade para o cumprimento da carteira de trabalho;

4. Apresentar o curriculum vitae com dados atualizados profissionais e pessoais.

A relação dos aprovados será divulgada n dia 09 de março de 2009 na internet: www.ouvidoria.am.gov.br

ESCOLA DE SAMBA “GRANDE FAMÍLIA” GANHA CARNAVAL DE MANAUS COM ENREDO “VENEZUELA”, ONDE O POVO E CHAVES INEXISTEM

Em tempo de carnaval quando as escolas de samba apresentam seus enredos, dois tipos de foliões mostram-se interessados. O folião que espera encontrar no enredo um ritmo de samba contagiante capaz de estimula seu corpo em suas linhas sensório-motriz, e aguçar suas fantasias em sua subjetividade ficcional. E o folião politizado que examina, além da força musical do samba, as enunciações políticas e sociais que possam saltar do enredo. A escola de samba como uma espécie de instrumento pedagógico dionisíaco-cognitivo. Assim, como fez a escola “Salgueiro”, campeã carioca.

A VENEZUELA APOLÍTICA DA “GRANDE FAMÍLIA”

Com a “vitória” da escola de samba do bairro de São José, “Grande Família”, apresentando o samba-enredo, “Venezuela”, predominou o gosto do primeiro folião apresentado acima: o folião apolítico. Para não dizer alienado.

A letra do enredo simplesmente se ateve a descrever ingenuamente características geográficas do país, citando o petróleo, e para não deixar o povo todo de fora, fez referência a mulher venezuelana. O povo, com sua atuação produtiva de uma nova realidade política e social, e  mais a direção autônoma de seu presidente Hugo Chaves, ficaram de fora. Desta forma, o que se viu e ouviu, no sambódromo, foi mais uma Venezuela para confirmar a alienação dos comentaristas, que não pouparam elogios amenos à escola, e a comprovação da indiferença social dos jurados no quesito “carnaval é alegoria: o que se encontra oculto”, já que não viram o óbvio de uma nova América do Sul que a alegoria da escola procurou ocultar.

De qualquer sorte, parabéns aos bons moradores do bairro de São José, que talvez nenhuma influência tenham nos endereçamentos da escola, e muito menos nas decisões de seus dirigentes, possivelmente, ligados à aproveitadores “politicofastros’.

KINEMASÓFICO CARNAVALIZANTE: SASSARICANDO

Ô Abre alas que eu quero passar…

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Aproveitamos o clima carnavalesco para mais uma apresentação do Kinemasófico, que aconteceu nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, na sede da AFIN. Desta vez foi exibido o espetáculo Sassaricando – e o Rio inventou a marchinha.

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Um musical apresentado em 2007, com os cantores Alfredo Del-Penho, Pedro Paulo Malta, Eduardo Dussek, Juliana Diniz, Sabrina Korgut e Soraya Ravenle, e lançado pela gravadora Biscoito Fino, conta a uma certa história do Brasil por meio das marchinhas de carnaval, que animavam o carnaval, no tom galhofeiro e caricatural, até serem “substituídas” pelos sambas de enredo.

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Há controvérsias nessa história de origem da marchinha, representada pela rixa entre Rio e São Paulo, mas o que fica é a importância de algumas dessas composições para a animação do carnaval, sem esquecer a crítica política.

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Desta vez foi diferente! Apresentamos o kinemasófico na calçada da sede da AFIN, sediada à Rua Rio Jaú, bairro Novo Aleixo, para que as pessoas que passavam pudessem chegar e participar da festa.

Daqui não saio…

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A partir de agora, o Kinemasófico, que era apresentado esporadicamente, vai a público todos os domingos, às 19h, na sede da AFIN. Além disso, não ficará restrito apenas à projeção de filmes, mas será acompanhado de uma oficina prática sobre os processos de técnicos e subjetivos do cinema. Portanto, no próximo domingo (01/03), aguardamos a sua presença.

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INSS CONVOCA 354 PARA O CENSO PREVIDENCIÁRIO

Atenção aposentado, pensionista e procurador/representante legal! O INSS quer saber se vocês realmente existem no plano da realidade aparente. O censo previdenciário irá publicar amanhã, nos jornais brasileiros, 354 nomes de convocados, que deverão comparecer ao INSS para atualização de cadastro. O prazo é de 30 dias a contar da data da publicação. A notícia é da Agência Brasil.

O objetivo é eliminar aqueles que, no rastro da imagem do pensamento do Estado, não mais existem no plano biofísico, mas que burocraticamente continuam recebendo benefício. Neste caso, vale também a máxima popular: “tenho mais medo dos vivos do que dos mortos”, já que em nome dos que já cumpriram a pendência existencial, existem muitos por aí recebendo indevidamente.

Portanto, é um dever cívico e de cidadania comparecer. Primeiro, para não perder o suado benefício recebido, e colaborar com o saneamento financeiro da Previdência Social, lembrando que, se você ainda não é beneficiário dela, um dia o será.

PRORROGADO ATÉ O DIA 4 DE MARÇO O CADASTRO DOS CANDIDATOS DA SEGUNDA CHAMADA DO ProUni

ATENÇÃO: o Ministério da Educação anunciou hoje (25) a prorrogação dos candidatos pré selecionados na segunda chamada do ProUni — Programa Universidade para Todos. Os candidatos têm até o próximo dia 04 de março para comprovar seus dados cadastrais informados no ato da inscrição.

Segundo a Agência Brasil:

De acordo com o MEC, os 57 mil pré-selecionados devem comparecer à instituição na qual pretendem estudar, para comprovar os dados cadastrais. O ProUni oferece bolsas integrais ou parciais de 50% da mensalidade. A lista dos documentos necessários está disponível na página do programa.

Ainda: no dia 11 de março será divulgada o resultado da terceira chamada do ProUni. O resultado pode ser consultado no sitio do MEC informando o nº de inscrição do Enem ou o CPF. Informações também podem ser obtidas pelo telefone 0800 616161.

DOS FAZERES E DIZERES DA ECONOMIA MENOR

Os pobres se esquivam pelas barreiras e

cavam túneis que enfraquecem as muralhas.”

(Toni Negri, filósofo italiano)

CARLOS: NA COMPOSIÇÃO CRIADORA COM A CHUVA DE BELÉM

Dizem os moradores da cidade das mangueiras que os encontros vespertinos se marcam “antes ou depois da chuva”. Empiricamente, este bloguinho comprovou. Dos 12 dias lá passados, apenas em um não choveu rigorosamente entre as 14h e 15h. Oportunidade de fazer uma composição entre trabalho, emprego e renda para o companheiro Carlos. Vindo do interior do Pará, autodidata na sua arte, ele fez do conserto da sombrinha, ou guarda-chuva, em algumas regiões, o seu ganha-pão.

Saque filosofante de quem se esgueira por entre as privações do mercado de trabalho do grande capital, e não se permite reduzir à mão-de-obra passiva. Carlos fala de seu ofício com a convicção de quem fez seu caminho, e de quem sabe que quanto maior o bloco, maiores são as brechas por onde as linhas intensivas do criar podem passar. Contra ele, nem os tecnocráticos japoneses puderam!

Bloguinho Intempestivo – Como é o teu nome?

Carlos – Meu nome é Carlos.

BI – Com o que tu trabalhas?

C – Eu trabalho consertando sombrinhas. Eu fiquei desempregado há nove anos, não arrumei mais emprego, aí eu vim aqui para a praça, arrumei este ponto e comecei a trabalhar. E até hoje, graças a Deus, eu estou me dando bem.

BI – E tu és daqui de Belém?

C – Não, eu sou paraense mas não sou de Belém, eu sou de Salinas.

BI – O que tu fazias antes de consertar sombrinhas?

C – Eu trabalhava na praia, de pescador.

BI – E o mar não estava para a tarrafa?

C – A vida de pescador é muito ruim. E eu cheguei aqui a fim de trabalhar. Procurar mais uma condição de vida. Só que eu não arranjei emprego, e as condições que eu achei de viver em Belém foi aqui, consertando sombrinha.

BI – E como tu aprendeste a consertar sombrinha?

C – Essa profissão eu aprendi ainda lá em Salinas. Lá tem a Praia do Atalaia e o pessoal vende muita mercadoria na beira da praia, negócio de peixe, carangueijo. Então existe o pessoal da barraca, e o pessoal que trabalha na beira da praia com chapéu de sol. E foi nessa ocasião, trabalhando como garçon de areia, que é como o pessoal chama lá, que eu aprendi a consertar sombrinha. Eu consertava o meu guarda-sol, que eu tinha, quando quebrava eu mesmo consertava. Então eu aprendi assim por curiosidade. Aí quando eu vim pra Belém que eu me especializei, porque já veio bastante conserto de sombrinha, o pessoal começou a chegar comigo e eu comecei a consertar.

BI – E tu conserta qualquer tipo de sombrinha? Tem muita diferença de um tipo para o outro?

C – Qualquer tipo. Tem, sim. Tem a manual, que é mais fácil, tem a automática, e tem a japonesa, que vende por aí e é pior ainda. Porque a japonesa é tudo por dentro do cabo, tem um tipo de sombrinha japonesa que a gente não consegue consertar o cabo dela. Só faz modificar de um cabo para o outro, porque não consegue endireitar.

BI – E com esse teu fazer tu sustentas toda a tua família?

C – Eu sustento a família toda. Quando eu comecei aqui, era só eu que sustentava a minah esposa e meu filho. Somos só três, eu, a minha esposa e meu filho, que agora tem 21 anos. Mas quando eu cheguei pra cá ele tinha apenas 09 anos.

BI – E tem outros consertadores de sombrinha por Belém?

C – Olha, eu conheço um lá em Entroncamento, e outro aqui na Pedro Álvares Cabral. Agora deve ter muitos por aí, porque às vezes chega serviço aqui de pessoas que mandaram fazer em outro lugar e e não consertam, só fazem amarrar com arame, e acabam trazendo pra cá. Tem muito consertador que não tem o material todo. Por exemplo, a sombrinha japonesa é difícil de encontrar peças dela. Pra gente adquirir, tem que comprar toda ela, e desmontar para usar as peças no serviço da gente.

BI – E o que mudou na tua vida depois que tu começaste a trabalhar de consertador de sombrinha?

C – Ah, mudou muito. Quando eu vim pra cá eu não tinha casa, morava alugado. Eu consegui a minha casa, graças a Deus, e tudo o que eu tenho dentro dela eu consegui com esse serviço aqui, de consertar sombrinha.

BI – E como tu sentes a mudança no mercado das sombrinhas de lá pra cá?

C – No começo, quando eu cheguei pra cá, era melhor do que agora. Agora não, baixou um pouco porque tem muita gente por aí que conserta, mas eu tenho aqui a minha freguesia formada. Eu trabalho aqui em inverno e verão, não tem esse negócio de ser só no inverno não.

BI – E em qual das duas estações tu vendes mais? Tem diferença?

C – Com certeza. No verão é muita a diferença. No verão eu passo aqui o dia todo pra ganhar 20 reais. No inverno, do mês de janeiro pra frente, até maio, eu tiro numa base de 50, 60 reais por dia.

BI – Quanto custa uma sombrinha nova?

C – Olha, tem vários preços. Depende do tipo da sombrinha.

BI – Mas essas sombrinhas descartáveis, de 5 reais, que vende por aí, esse mercado do descartável prejudicou a tua renda?

C – Não, não prejudicou, porque, por exemplo. Você compra uma sombrinha agora, usa, ela quebra bem ali, você não vai jogar ela fora pra comprar outra. Então você leva no conserto, que é 2 reais, por aí, depende do tipo do conserto.

BI – E a qualidade das sombrinhas, do tempo que tu começaste pra cá, melhorou ou piorou?

C – Eu acho que piorou. Evoluiu mais, do tipo de sombrinha que eu comecei, porque naquela época não existiam essas sombrinhas japonesas, as automáticas que têm agora por aí. Hoje não, cada vez mais que vai passando o tempo vai evoluindo… Tem tipo de sombrinha que às vezes eu passo uma hora, meia hora, só pensando como é que eu vou fazer ela, porque é fora do meu alcance esse tipo de serviço, aí eu tenho que ver direitinho pra poder conseguir. Eu tenho que desmontar ela todinha, e prestar bastante atenção, pra poder montar de novo.

BI – E tu trabalhas com outra coisa, além de consertar sombrinha?

C – Eu sei trabalhar como encanador, eletricista, pintor, mas nada profissional. O meu ganha-pão e a minha especialidade é mesmo o conserto de sombrinha. Quem precisar, pode me procurar aqui na Praça da República, que aqui eu conserto é na hora, não tem esse negócio de deixar pra outro dia não. É isso.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

DE PRIMA (RAPIDINHAS)

AINDA A SEMIFINAL DA TAÇA GUANABARA

Em geral, o jogador brasileiro, com raras e honrosas exceções, tem na estreiteza epistemológica um lugar-comum. Desde tempos imemoriais, passando pelos recentes Cafu e Kaká, dois são-paulinos e milanistas que acreditam em fadas, gnomos e na dissociação entre política e futebol (paradoxalmente, fazendo sucesso no clube de Berlusconi, precisa dizer mais?), os jogadores de futebol, mesmo convivendo na Europa, com outras culturas e outro tipo de informação, quase que em unanimidade, não modificam o seu modo de compreender o mundo. Mas, mesmo nesse mar do Mesmo, às vezes escapa algo, um buraquinho por onde a Inteligência Coletiva passa, e algo acontece. Evidência de que os saberes não são imóveis, nem estáticos. Ao final da partida entre Flamengo e Resende, pela Taça Guanabara, o Flamengo tendo perdido por 3 a 1, um repórter da Rádio Globo chega no lateral-esquerdo do urubu, Juan, e pergunta: “Cansado, Juan?”. Ante à pergunta profundamente perturbadora da sua estrutura neuronal – como se fosse possível responder não depois de correr por 45 minutos – o jogador sentencia: “Sim, cansaço é normal jogando nessa porra de horário que a televisão obriga agente a jogar, essa porra de televisão que coloca esse horário!” (continua na próxima notinha).

O DESAPARECIMENTO DO ESPORTE NO HIPER-REAL DA TELINHA E DA TECNOLOGIA

Na esteira do televisionismo que engoliu o futebol, o ex-piloto de Fórmula 1, Niki Lauda, que quase morreu em um acidente e teve o rosto queimado e posteriormente reconstruído através de cirurgias plásticas, disse, falando sobre o campeão atual, o inglês Lewis Hamilton: “Antes a morte era uma possibilidade real, agora estes pilotos não têm ideia de nada. Não sabem fazer mais nada a não ser acelerar e mover o volante e não desenvolvem sua personalidade. O único carisma de Lewis Hamilton é sua noiva”. Devagar com a sentença reativa: o que nos interessa da fala de Lauda é a desrealização do esporte enquanto empreendimento humano e atuação ético-estética no plano do cuidado de si e da expressão social do corpo. Assim como a tecnologia transformou o piloto num autômato e eliminou o fator humano daqueles que podem decidir uma corrida ou um campeonato, no futebol, a televisão faz desaparecer o real e as condições de existência do esporte. Não a televisão em si, embora a sua tecnologia propicie este efeito no social, mas o uso deste aparelho a serviço do lucro. Na Fórmula 1, por exemplo, desenvolve-se um programa para que, em breve, pessoas, diretamente de suas casas, possam se conectar a um grande servidor e correr, “em tempo real”, uma corrida juntamente com os pilotos ao vivo. No futebol, o jogador é cada vez mais dispensável enquanto elemento criador. São operários, sem pátria, sem opinião, sem voz ativa. Daí ser, ao mesmo tempo, cada vez mais difícil o surgimento de craques: é a inteligência e não o talento, por si só, que fazem os grandes. E eles só podem existir no real. Na simulação, não se cria o Novo.

LIBERTADORES DA AMÉRICA 2009

Aqui você acompanha os resultados, às quintas e domingos, grupo a grupo, rodada a rodada, jogo a jogo. Resultados e enquete:

Grupo 1:

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LDU Quito – 03

Sport Recife – 03

Colo Colo – 00

Palmeiras – 00

.

LDU Quito 3 – 2 Palmeiras

Colo Colo 1 – 2 Sport Recife

Palmeiras – Colo Colo – 04/03

Sport Recife – LDU Quito – 12/03

Colo Colo – LDU Quito

Sport Recife – Palmeiras

LDU Quito – Colo Colo

Palmeiras – Sport Recife

Palmeiras – LDU Quito

Sport Recife – Colo Colo

LDU Quito – Sport Recife

Colo Colo – Palmeiras

.

Grupo 2:

.

Deportivo Cuenca – 03

Deportivo Táchira – 03

Boca Juniors – 03

Guaraní – 00

.

Guaraní 1 – 2 Deportivo Táchira

Boca Juniors 1 – 0 Deportivo Cuenca

Deportivo Cuenca 4 – 0 Guaraní

Deportivo Táchira – Boca Juniors – 04/03

Deportivo Táchira – Deportivo Cuenca – 11/03

Deportivo Cuenca – Deportivo Táchira

Guaraní – Boca Juniors

Boca Juniors – Guaraní

Deportivo Táchira – Guaraní

Deportivo Cuenca – Boca Juniors

Guaraní – Deportivo Cuenca

Boca Juniors – Deportivo Táchira

.

Grupo 3:

.

Nacional – 06

River Plate – 03

Universidad San Martín – 00

Nacional (PAR) – 00

.

Nacional 2 – 1 San Martín

River Plate 1 – 0 Nacional

Nacional (PAR) 1 – 3 Nacional

San Martín – River Plate – 05/03

San Martín – Nacional (PAR) – 12/03

Nacional – River Plate

Nacional (PAR) – San Martín

River Plate – Nacional

San Martín – Nacional

Nacional (PAR) – River Plate

Nacional – Nacional (PAR)

River Plate – San Martín

.

Grupo 4:

.

Defensor Sporting – 03

Independiente Medellín – 01

São Paulo – 01

América de Cáli – 00

.

Defensor Sporting 1 – 0 América de Cáli

São Paulo 1 – 1 Independiente Medellín

Independiente Medellín 0 – 0 Defensor Sporting

América de Cáli – São Paulo – 05/03

América de Cáli – Independiente Medellín – 10/03

Independiente Medellín – América de Cáli

Defensor Sporting – São Paulo

São Paulo – Defensor Sporting

Independiente Medellín – São Paulo

América de Cáli – Defensor Sporting

Defensor Sporting – Independiente Medellín

São Paulo – América de Cáli

.

Grupo 5:

.

Deportivo Quito – 01

Universitario de Sucre – 01

Cruzeiro – 00

Estudiantes – 00

.

Univ. Sucre 1 – 1 Dep. Quito

Cruzeiro 3 – 0 Estudiantes

Dep. Quito – Cruzeiro – 25/02

Estudiantes – Univ. Sucre – 26/02

Univ. Sucre – Cruzeiro

Dep. Quito – Estudiantes

Cruzeiro – Univ. Sucre

Estudiantes – Dep. Quito

Estudiantes – Cruzeiro

Dep. Quito – Univ. Sucre

Univ. Sucre – Estudiantes

Cruzeiro – Dep. Quito

.

Grupo 6:

.

Chivas Guadalajara – 04

Caracas FC – 03

Everton – 03

Lanús – 01

.

Lanús 1 – 1 Chivas

Everton 1 – 0 Caracas

Caracas 3 – 1 Lanús

Chivas 6 – 2 Everton

Caracas – Chivas – 03/03

Everton – Lanús – 11/03

Chivas – Caracas

Lanús – Everton

Caracas – Everton

Chivas – Lanús

Everton – Chivas

Lanús – Caracas

.

Grupo 7:

.

Boyacá Chicó – 03

Grêmio – 01

Universidad de Chile – 01

Aurora – 00

.

Aurora 0 – 3 Boyacá Chicó

Grêmio 0 – 0 Univ. Chile

Univ. Chile – Aurora – 04/03

Boyacá Chicó – Grêmio – 11/03

Boyacá Chicó – Univ. Chile

Aurora – Grêmio

Grêmio – Aurora

Univ. Chile – Boyacá Chicó

Univ. Chile – Grêmio

Boyacá Chicó – Aurora

Aurora – Univ. Chile

Grêmio – Boyacá Chicó

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Grupo 8:

.

San Lorenzo – 03

Libertad – 03

Universitario – 00

San Luis – 00

.

San Lorenzo 4 – 1 San Luis

Libertad 2 – 1 Universitario

Universitario 1 – 0 San Lorenzo

San Luis – Libertad – 26/02

Libertad – San Lorenzo – 05/03

Universitario – San Luis

San Lorenzo – Libertad

San Luis – Universitario

Universitario – Libertad

San Luis – San Lorenzo

San Lorenzo – Universitario

Libertad – San Luis

.

LIGA DOS CAMPEÕES – OITAVAS-DE-FINAL

O Real Madrid do mata-mata da Liga 2009 é o mesmo da liga 2008, o que foi eliminado pelo AS Roma: inseguro, inerte, ineficaz. Diante do retraído Liverpool, pouco pôde fazer e efetivamente pouco ameaçou. E no segundo tempo, com a saída do lateral/ponta Marcelo, ex-Fluminense, o time perdeu o pouco de chegada ao ataque que possuía. Resultado: foi castigado no finalzinho do jogo com um gol de cabeça do israelense Benayoun, após falta na linha de fundo, à direita. Parece que os merengues mais uma vez vão ficar pelo caminho… O que deixa no ar a pergunta: se a dupla Re-Ba arrebenta no quintal de casa, porque não faz o mesmo na Champions? O futebol espanhol está em decadência? A rodada de volta ocorre daqui duas semanas. Resultados:

Liga dos Campeões – Europa

Rodada de Ida – 24 e 25-02

Atlético de Madrid 2 – 2 Porto

Chelsea 1 – 0 Juventus

Sporting Lisboa 0 – 5 Bayern Munique

Real Madrid 0 – 1 Liverpool

Internazionale 0 – 0 Manchester United

Villareal 1 – 1 Panathinaikos

Lyon 1 – 1 Barcelona

Arsenal 1 – 0 Roma

“ELE (LULA) ME CANTOU!” DESTACA A VIL FOLHA DE S. PAULO

Desfilando na Marques de Sapucaí, a atriz da Globo, Suzana Vieira, comenta com repórter da Folha de São Paulo, publicado na coluna social da Bérgamo (como diz o honrado jornalista Mino Carta, “o Brasil é o único país que os jornais têm coluna social”): “Eu vi o presidente Lula, fiz um coração para ele (com os dedos) na avenida.” E continuou: “Ele (Lula) me cantou.” Completou: “Quer dizer, me cantou, não.”

Suzana Vieira esclarece suas relações amigáveis com Lula e Dona Marisa. Narra que certa vez encontrou o casal em uma solenidade em Brasília e Lula, ao lhe abraçar, disse: “Minha atriz favorita! Minha encantadora senhora do destino! Levei trinta anos para te conhecer! Eu e Marisa amamos você!” Ao qual ela, contente com a consideração de Lula, que para si, naquele momento, agiu como um afeto bom, pois estava saindo de uma separação, respondeu: “E eu levei trinta anos votando no senhor.” E finalizou ao repórter: “Naquele momento horrível (separação), fui consolada pelo presidente.”

Nada mais que um encontro feliz entre seres afetivos e racionais. Mas a Folha de São Paulo é infame. Não preza pela ética democrática. Principalmente quando se encontra em questão o governo Lula, ou sua própria pessoa. Como é característica psicopatológica da Folha, ela publicou a declaração de Suzana Vieira na primeira página, com nítido tom malicioso. Uma tentativa torpe de influenciar seu incauto leitor a um entendimento que Lula é um cafajeste: um presidente casado fazendo suas investidas extra-conjugais. Um vulgar. Em sua sanha de lucro, usou a própria Suzana Vieira, recorrendo ao preconceito burguês que gente de teatro, cinema, e principalmente de tele-novela tem uma existência banal e é facilmente seduzida pelas luzes hipnóticas das taras do poder.

Mas era carnaval. Talvez por isso Suzana Vieira não tenha percebido que fora discriminada em sua existência profissional, onde a Folha aproveitou as névoas virtuais de suas personagens representadas nas tele-novelas para construir um quadro fusão/confusão em seu incauto leitor, e então, ele, ordenar em sua imaginação dolorosa, o erótico da ficção com um suposto desejo-erótico de Lula pela atriz e autora de suas personagens-cênicas.

Pobre Folha de São Paulo! Eis mais um tema causador de sua decadência.

RETOMADA PÓS-CARNAVAL DOS PAGAMENTOS DO INSS

Durante o carnaval os horários de funcionamento dos bancos foram reduzidos, e por esta razão os pagamentos do INSS, suspensos. Mas, logo passando a tal da quarta-feira ingrata, onde só sobram as cinzas dos foliões, os pagamentos serão retomados para que os beneficiados possam prolongar ainda mais a alegria do carnaval, contribuindo com a economia real do país.

Atenção para os dias do pagamento:

Amanhã, dia 26: recebem os segurados que ganham até o piso nacional (um salário mínimo) e que têm cartão de pagamento com final 4.

Sexta-feira, dia 27: vão estar disponíveis os pagamentos dos cartões que terminam em 5.

Durante os cinco primeiros dias úteis do mês de março vão ser creditados os pagamentos para todos os segurados que ganham acima de um salário mínimo.

Os cartões com final 6, 7, 8, 9 e 0 dos beneficiados que recebem um salário também serão pagos durante os cinco primeiros dias úteis do mês de março.

OBS: O INSS não leva em consideração o dígito para o cumprimento do cronograma de pagamentos.

E NEM POR ISSO BAIXOU O PREÇO DO PEIXE

banca de peixe por *L.

.}. Os partidos mais evidentes da direita brasileira PSDB e PFL (que tenta se passar por democrata), entraram com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral – TSE contra a participação da Ministra Dilma nas atuações públicas de Lula, alegando ser campanha presidencial antecipada, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. Antes da partida em que o Mengão foi goleado pelo simples Resende por 3X1, o seu dirigente arrogante, Kleber Leite, afirmou que iria pagar a metade do salário atrasado dos jogadores, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. O deputado estadual do PT Oh! My Darling! do Amazonas, líder do governo do estado, e representante orgulhoso da direita do partido, acreditando que o governador Eduardo Braga (PMDB–AM) é de grande notoriedade na sociedade brasileira, sem ser, insinuou que o mesmo pode se ser o vice da Ministra Dilma, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. O juiz, Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TER-AM), Ari Moutinho, argumentando contra a posição do ilustre e engajado na justiça democrática, o Procurador Geral no Amazonas, Edmilson Barreiros, que pediu a interferência da Procuradoria Geral da República no caso do processo de cassação de Amazonino Mendes, disse de si que é um homem honrado e que foi ele mesmo que fez a denúncia da suposta compra de votos da coligação de Amazonino, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. O senador amazonense, representante maior da direita brasileira, Arthur“5,5%”Neto foi entrevistado no programa de esporte da BandSport. Fez algumas descrições de acordo com seus entendimentos sobre o ramo, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. A população brasileira sabe muito bem que o programa de prevenção à AIDS é de autoria e prática do governo federal, e, neste carnaval, tanto a publicidade e distribuição de preservativos é de sua responsabilidade com a colaboração dos governos dos estados e prefeituras. Em Manaus, a gestão do prefeito cassado, Amazonino, em sua propaganda, dá maior evidência à prefeitura, colocando seu nome em primeiro plano e em segundo o do governo federal, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. No dia do desfile das escolas de samba do primeiro grupo em Manaus, de acordo com a prefeitura e a Empresa de Transportes Coletivos, para melhorar o trânsito nas proximidades do Sambódromo, linhas, principalmente da empresa Manaus, foram proibidas de fazerem a rota cotidiana. Assim, alguns usuários foram violentados, não podendo chegar em suas casas, como no caso dos moradores dos conjuntos Kíssia, Dom Pedro, parte do Alvorada, entre outros, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. O prefeito cassado, Amazonino, ao assumir, provisoriamente, a prefeitura, declarou, bombasticamente, para “salvar” a cidade de Manaus, um Plano Emergencial, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. Jornal de Manaus, com claríssima tendência de apoio ao prefeito cassado, Amazonino, durante semanas inteiras veicula notícias sobre a gestão que se segura em uma medida cautelar, e nem por isso baixou o preço do peixe.

.}. Rupert Murdoch, capitalista proprietário do jornal reacionário/racista, New York Post, depois que o presidente americano Barak Obama assinou o novo pacote de estímulo econômico, publicou em seu jornal uma charge racista, comparando o presidente a um macaco. Na charge, aparece um policial atirando em um chimpanzé, sentenciando: “Eles terão de encontrar outra pessoa para escrever o próximo pacote de estímulo.” Diante da reação nacional e internacional, o capitalista racista escreveu um artigo pedindo desculpas, e afirmando de que agora em diante iriam ficar mais sensibilizados, e nem por isso baixou o preço do peixe.

É PRECISO COMER PEIXE!

FAZ BEM À INTELIGÊNCIA DEMOCRÁTICA!

A CÂMARA DA GLOBO QUE CAUSA DOR

Na sociedade do sensorial imóvel, a violência que mais atrai reação dos indivíduos é a somática. Uma queda, um hematoma, um tiro, uma facada, um murro, um tapa, um câmara aérea da Globo que cai em cima do público que assiste na Marques de Sapucaí, no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, a performance carnavalesca da escola da insigne sambista Beth Carvalho, a grandiosa mangueira.

O cabo quebra, ou eufemisticamente, solta, e a câmara hipnótica em movimento aéreo cai sobre o público quebrando a ilusão televisiva que a existência “é uma janela aberta para o mundo”. Pavores, escoriações, dores, afirmam que a dor é mais real que o psicodélico que a Globo empurra como mercadoria “de primeira necessidade” para o telespectador.

Mas uma câmara caída sobre um público anestesiado, para não dizer alienado, dado a coisificação do termo, não causa tanta dor como causa a violência da programação da Globo. Jornal Nacional, Telenovelas, Faustão, Big Brother, Jô, Fantástico, etc, são mais traumáticos do que uma câmara que cai sobre alguém em função de suas avarias afetivas e cognitivas serem mais indeléveis.

A programação da Globo é mais perigosa que um cabo que se solta e causa a queda de uma câmara sobre o público. Com todo respeito, é claro, a dor física sentida pelos vitimados. Como não morreram, logo, logo, tudo estará cicatrizado. O impossível é cicatrizar os traumatismos causados pela limitação de inteligência da Globo e sua indiferença ética quanto tudo que oferece como mau aos telespectadores que segue a “saúde” do entretenimento de mercado.

As câmaras caem, mas a estupidez continua ilesa.

A POTÊNCIA ATIVA DE MESTRE RAY, DE BELÉM: DO CARNAVAL À CAPOEIRA, NA COMUNALIDADE-MUNDO

Durante as itinerâncias pela cidade de Belém, na cobertura do Fórum Social Mundial, a equipe afinada aproveitou também para dar uma volta pela cidade. No roteiro do acaso, vários encontros, outros tantos ficaram para outros acasos em outras itinerâncias. Em um desses encontros, através do companheiro Germano, taxista da praça belenense e grande conhecedor da cultura paraense, conhecemos o Mestre Ray, ou Mestre Mundico.

Sorridente, faceiro, contador de histórias, sempre com uma brincadeira, Mestre Ray, aglutina duas das potências culturais do povo paraense: o carnaval e a capoeira.

Como brincante do carnaval, ele carrega os elementos lúdicos da música, do molejo, do gingado, do saber comunitário. Conhecido e querido por toda a cidade de Belém, é requisitado nos blocos da cidade tanto como mestre de bateria, quanto como maestro, instrumentista, carnavalesco, animador, agenciador ativo de perceptos e afectos carnavalizantes, dionisíacos.

Na capoeira, ele é corpo-afecção da Capoeira Regional, modalidade desenvolvida a partir da mescla da capoeira de Angola com outras artes, incluindo a misteriosa luta de cabeçadas da ilha de Marajó, onde Mestre Ray aprendeu. Mas não pergunte a ele do que se trata: aula de luta de cabeçada, só na prática. “Querem aprender?”, brinca. Embora venha depois de mestres essenciais à capoeira paraense, como o Mestre Bimba, Mundico, como é conhecido entre os capoeiras, é considerado um dos fundadores da capoeira em Belém.

No dia em que a equipe conheceu Mestre Ray, ele nos levou até um bairro da alcunhada periferia de Belém, onde ia entregar peças de embarcação que ele, como metalúrgico, fabrica. É seu ganha-pão. Curioso ofício para quem, além de ter a mesma profissão que o presidente Lula, é ainda carnavalesco, capoeirista, maestro, artesão, músico, teatrólogo, ativista social. Mas não para Mestre Ray, que sabe que o saber e a disposição para estar no mundo como protagonista do existir não estão sob o julgo do capital. Reconhecimento, apenas o dos amigos, que não são poucos, e uma medalha, conferida pela câmara municipal de Belém.

Depois de acompanhar este bloguinho em um fim de tarde no Ver-o-Peso, Mestre Ray nos convidou para estar com ele na manhã do domingo que se aproximava, quando contaria um pouco da sua história, de seus caminhos, da sua capoeira, do seu carnaval. Enredada na história de um homem, ao puxar o fio do novelo, desvela-se a história de uma cidade que não se apequena diante das dificuldades, e de um povo que não aceita abrir mão de construir o seu próprio modo de ser.

Deixaremos que o próprio Mestre Ray nos leve na sua conversa. Com voz macia, fala mansa, mas determinada, um tom constante de humor, no gingado, ele vai nos levando, como numa dança, em plena roda de capoeira, às vezes brincando, às vezes dando um golpe, sem machucar, lá onde a linguagem deixa de ser palavra de ordem para se transformar em con-versão, palavra em ato, na coletividade. É com ele.

Os afinados vão entrando na casa de Mestre Ray. O espaço abrange a casa dele e mais duas, dos filhos. Cachorros, gatos, galinhas, tartagura, beija-flor, tudo solto, sem gaiolas, sem poleiro, sem grades. Árvores, uma oficina ao fundo. Mestre Ray está ouvindo um CD de carimbó, e consertando um bumbo. Chapéu de palha e um sorriso no rosto (que não podem faltar), ele não espera pelas tradicionais perguntas, vai logo emendando o papo, enquanto os afinados, atordoados, correm pra ligar o gravador. Enquanto fala, o CD ao fundo compondo a festa paraense do carimbó de raiz.

Domingo passado, que veio um historiador da universidade aqui procurando fotos, mas a maioria das fotos que estão ali estão deterioradas, e ele levou algumas. E esse negócio das fotos, o pessoal me pede, aí eu dou, tá aqui a foto. Levam, mas não trazem. Uma vez veio um rapaz que estava fazendo um livro, mas é discípulo nosso de capoeira, aí não trouxe. Disse que ia escanear, melhorar as fotos, mas acabou não me entregando. Mas eu tenho algumas fotos aqui, tem umas grudadas ali no papelão, fizemos uma festa aqui em casa, a festa de aniversário da Senzala. Mas eu não ligo muito para as fotos, vem o pessoal aí e pede, deixa eu levar as fotos, e levaram um monte de fotos do papelão, e é história, fotos históricas, umas da década de 70, outras da década de 80, e ainda ficou umas ali que são muito velhinhas. Daqui a pouco eu mostro para vocês, lá”.

Geralmente aos domingos, tem gente aqui. Quase todo domingo tem gente aqui, quando não vem para aprender capoeira, vem pessoal para pesquisar, outros vêm, por me me acham assim, como seu eu fosse um pai deles, um psicólogo, vêm pedir conselhos. A gente se dispõe, e o pessoal já sabe até o horário, que é das 09:30 às 10:30, é o horário que eu abro espaço para ensinar capoeira, dar um conselho, alguma coisa. Aí a partir de dez e meia em diante eu já me dedico à família. E ultimamente, esta época agora, eu estou mais dedicado ao carnaval. Os rapazes pediram para eu dar um jeito nestes instrumentos que estavam furados, e além de eu trocar as peles deles eu já vou enfeitar eles de várias cores. Eu tenho um grande amor por instrumentos. Não posso ver um instrumento velho, quebrado, por aí, que eu compro e trago pra cá. Tanto é que ainda tem um monte deles aí para ajeitar, porque esta agremiação, este bloco carnavalesco, não tem instrumento”.

Afinpress – É aqui então que nasceu a capoeira de Belém…

Aqui é que é a área dos capoeiristas. De vez em quando vem um, vem muita gente de fora, de outras cidades. No ano passado veio um rapaz lá de Cametá. Veio ele, um grupinho dele, que ele montou para lá. Chama-se Paulinho Cametá. E trouxe os meninos para me conhecer. Eles chegaram aqui, bateram fotos, pediram para eu falar alguma coisa sobre capoeira para eles, eu dei uma minipalestra, e foram embora daqui muito contentes”.

Geralmente quando vem crianças aqui, eu tenho uma mania de, além de cumprimentar, pegar na cabeça deles para benzer. Então eu acho que isso já passou para os outros grupos, descendentes da Senzala, que quando vem algum aqui falar comigo, ele já baixa a cabeça que é para eu abençoar ele. Não que a gente seja algum ser supremo para abençoar, mas a gente diz “Deus te abençoe”, “Deus ilumine teus caminhos”, e quem sabe Ele não esteja lá em cima escutando e abençoando as crianças. Tem um rapaz aqui em Belém que andava à pé por aí, não tem pai, e mora lá para o bairro da Cremação, do outro lado da cidade. Mas toda vez que ele estava aqui pela área da Sacramenta, ele vinha aqui. Ele é alto, e sempre que vinha aqui já chegava pedindo, “Mestre, seu cumprimento e sua bênção”. Quando foi um dia, fazia um tempo que ele não aparecia, para você ver como são as coisas, ele apareceu com uma moto aí. “Ei, Mestre, vim pedir a sua bênção”, e eu “Deus te abençoe”. Da outra vez que ele apareceu, já foi com um carro. Aí eu disse: “rapaz, eu vou parar de te abençoar, porque daqui a pouco tu estás um cara milionário, cheio de seguranças, já vão querer te sequestrar”, e ele disse “Não, Mestre, quanto mais eu peço a sua bênção, mais a gente cresce na vida”. Aí então ele sempre me convida para ir nas rodas de capoeira na casa dele que são no segundo domingo de cada mês, mas meu tempo é muito curto. Se eu tivesse que visitar todo mundo, um domingo não ia dar. E aqui, de manhã, tem sempre alguém do meio da capoeira, do samba, do futebol, e de tarde eu procuro descansar um pouquinho”.

Pequeno altar, na entrada da casa de Mestre Ray

Pequeno altar, na entrada da casa de Mestre Ray

Aqui, no final do ano, as pessoas têm a mania de fazer uma confraternização jogando solteiros contra casados. Hoje em dia, as pessoas fazem mais Remo e Paisandu, camisa do Remo contra camisa do Paisandu. E eu fui convidado só aqui nessa área para jogar solteiros e casados, da [rua] Pedro Álvares Cabral para lá, na área aqui, nestre trecho em que eu resido, e na outra área, passando a [rua] Senador Lemos pra lá. E mais no outro, que eu nem faço parte da rua, lá da [travessa] Alferes Costa, que é uma outra rua ali, e eu nem moro pra lá, eu moro aqui. Pra vocês verem como é esse negócio das pessoas me quererem dentro dos seus eventos. Talvez porque a gente faça uma grande amizade com gregos e troianos. Se eu sair daqui, ali para a feira, que é pertinho, eu vou demorar uma hora pra voltar. Porque a gente vai passando e ouve “Ei, Mestre, venha cá”, aí a gente vai conversando, e cumprimentando, às vezes eu saio com o chapéu assim e cumprimentando “bom dia, bom dia, bom dia”. É porque a gente tem um carinho muito grande das pessoas”.

Nessa casa bem aqui defronte estão morando 27 baianos que vieram trabalhar numa demolição de um shopping center aqui em Belém. O shopping é lá da Bahia, e contratou eles. Então eu conheço alguns deles, e eles queriam até vir treinar capoeira aqui, e eu disse: “Rapaz, a Bahia não é a terra da capoeira? Então eu que tenho que aprender com vocês, e não vocês comigo”. Mas é que um tá meio ‘durinho’, e o resto não sabe nada. Eu disse que para aprender comigo, eu vou cobrar 50 reais a hora/aula, disseram que está muito caro, mas é o valor de um mestre. E eu não estou tendo tempo. Se eu fosse abrir a mão e cobrar 5 reais por cabeça, estavam tudo aí, querendo aprender capoeira. Mas é que eu não tenho tempo pra dar aula. Aí então me levaram lá em cima, pra conhecer o alojamento, eles mesmo cuidando de carne, de tudo. Domingo passado eu fui atravessar ali para comprar um churrasco, aí um deles me chamou e me pediu 4 reais emprestados para pagar quando receber. Tudo bem. Quer dizer, se eu tiver, a pessoa tem. Nem conheço direito o camarada, mas se pedir e eu tiver, eu dou. Eu acredito na pessoa. Só quando eu sei que a pessoa é de má índole, um pilantra, aí eu não dou. Mas se for um trabalhador que precisa, e eu tenho, eu dou. Eu sou deste tipo. Tento ajudar a gregos e troianos, ajudar sem olhar a quem”.

O som do CD vai rolando ao fundo, emoldurando a fala de Mestre Ray. A esta altura, ele dá um suspiro, e deixa rolar o som, para em seguida completar.

Este é Mestre Lucindo, de Marapanim. É um carimbó mais compassado. Se você observar, o carimbó não é uma coisa só, ele tem uma diferença um mestre para outro”.

Clique aqui para baixar e ouvir.

SOBRE A CAPOEIRA

Então aqui em Belém, a capoeira propriamente dita, que eu digo que tenha começado ela, foi em 1971. Comecei antes, mas eu registro como 1971. Porque na época, no governo militar, os jovens iam de uma ponta a outra do Brasil com o lema “sem lenço e sem documento”, e eu praticava capoeira, mas praticava a esmo, não tinha muitos fundamentos. Até porque na época não existia televisão, pelo menos aqui no bairro não existia televisão. Então o que ocorreu? Hoje em dia se chamam hippies, mas naquela época eram dois jovens que vieram da Bahia, e ficaram um mês radicados ali na Presidente Vargas, na Praça da República. E eles praticavam capoeira no calçadão em troca de um trocado, alguma coisa para a sobrevivência deles. Então, no horário de meio-dia, uma hora, eles queriam que eu arrumasse alguma bóia, alguma comida pra eles. E em troca eu iria aprender um pouco mais com eles. Então eu ia jogar um pouco de capoeira com eles lá, aprendendo a técnica deles. Eu tinha a minha técnica, mas era muito arcaica. Até porque eu sou um autodidata, e não tinha muito conhecimento sobre a ginga, sabia dar umas pernadas, mas não tinha aquela técnica. Então eu suguei um pouco desses camaradas, durante um mês eu levava a minha bóia lá pra eles, colocava a minha própria bóia dentro de uma latinha e levava, e em troca, sugava um pouco da técnica deles. Na época não existia capoeirista aqui em Belém. Depois de um mês, eles subiram no rumo de Macapá. Pegaram carona num navio e partiram. Aí eu adquiri mais desenvoltura na capoeira, e com isso fui tendo seguidores. Eu não me julgava mestre de capoeira”.

Para vocês verem como é a coisa. Eu não tinha nem conhecimento de como se fazia um berimbau. A primeira criação minha de berimbau foi assim, de goiabeira. Eu vi que a verga era flexível e dura, só que depois que eu colocava o arame ela ficava. Se tirava, ficava do mesmo jeito. Eu tive a ideia de começar a torrar no fogo, pra ela vergar, e quando soltar, voltar de novo. Eu não tinha noção mesmo de como era feito um berimbau antes de conhecer esses dosi rapazes. E eu botei ouriço de castanha como caixa de ressonância, e aquilo é pesado pra dedéu, saía som mas ficou pesado. Até que eu fui pesquisando, e cheguei na Cuia-Pitinga, de onde deu um som melhor, e aí eu comecei a construir berimbau com galho de goiabeira torrado no fogo com cuia-pitinga”.

Os troféus de Mestre Ray

Os troféus de Mestre Ray

E eu levava meus seguidores para a Praça da República. E numa dessas vezes, e aqui em Belém era uma inovação na época, por que existiam mestres da década de 60 pra lá mas foi coisa muito rara, Mestre Pé-de-Bola, Mestre Castanha do Pará, apareceram e sumiram. E eu estava começando um novo ciclo da capoeira ali na Praça da República. E quando a gente estava fazendo a roda de capoeira lá, era época militar, e existiam os guardas que eram chamados cosme e damião, que andavam em dupla. E aconteceu um fato, eu digo até histórico, porque passaram umas mocinhas lá, e os guardas mexeram com as mocinhas, e elas não ligaram pra eles. Então o que aconteceu? As mocinhas não deram atenção aos policiais e vieram assistir a roda de capoeira, e eles se sentiram humilhados, ou alguma coisa assim, e vieram direto em mim. Quer dizer, na roda. E chegaram lá, isso entrou na história, perguntando, quem é o mestre aí. Os meninos com medo apontaram: “é ele!”. E ó, me deixaram no fogo lá com os policiais. E eles já vieram com algemas e tudo, que aquilo era proibido, que a gente estava pisando na grama, inventando uma série de artifícios para tentar me prender. Trouxeram até a pulseira do Roberto Carlos, e eu disse “aqui ninguém vai botar pulseira do Roberto Carlos não!”, e vai pra lá, e vai pra ali, e tinha um senhor de paletó e gravata e com uma pasta presidente, e eu agradeço muito ele. Não sei quem é, não procurei conhecer. E começou a discutir com os guardas em meu favor: “Não, isso aí eu conheço. Isso é cultura!”. Falou na Bahia, tudo mais, e começou a discutir com os caras lá. E eu fiz a mesma coisa que os meus discípulos, atravessei a rua e fui embora, e ficou lá no meio da praça o berimbau, o pandeiro… Então foi o primeiro passo para ser reconhecido como mestre. Até então eu simplesmente organizava a roda, tinha eles, eles me seguiam para onde eu ia, às vezes até à pé, porque a gente não tinha verba. E um dos meus talentos era fazer camisa, calça. Eu fazia a calça o abadá, que não é esse que o pessoal chama hoje de abadá, é o abadá da capoeira mesmo”.

Então eu quis homenagear o bairro, e aqui as cores do bairro são verde e branco. E eu querendo homenagear o bairro e Deus, essa era a minha idelogia. E eu coloquei as cores do abadá de verde, do bairro, com uma listra azul, que é o céu. A camiseta branca, dois berimbaus encaixados e o nome do grupo, Filhos da Bahia. Uma homenagem aos dois rapazes que me deram uma dica sobre a capoeira. E andando pela Presidente Vargas eu vi numa lojinha lá em exposição um livrozinho, ‘Capoeira Sem Mestre’. Na hora eu não tinha dinheiro, mas dei um jeito no outro dia de arrumar dinheiro e fui comprar esse livro lá, para ter mais conhecimentos sobre a capoeira, sobre os fundamentos de modo geral, a técnica, porque até então eu jogava da seguinte forma, a capoeira tem duas vertentes, a Angola, e a capoeira regional”.

CAPOEIRA DE ANGOLA E REGIONAL

A capoeira de Angola a gente chama ela de mãe capoeira, foi a primeira capoeira que surgiu, e depois o mestre Bimba, na década de 40, transformou, aliás, ele não transformou, ele mesclou golpes de outras lutas na capoeira, que hoje em dia se chama Capoeira Regional. A capoeira de Angola eu digo até que ela é jogada mais no chão, mais lenta, devido a ela ter sido criada pelos escravos em senzalas. O camarada fala em senzala hoje em dia, o camarada pensa em um lugar alto, que colocavam os negros lá. Mas a senzala na realidade, era um buraquinho baixo onde se jogavam os camaradas lá como se fossem animais, entende? Então o camarada não poderia ficar de pé. Então eu creio que daí que tenha surgido a capoeira de Angola, porque não dá para jogar pelo alto, eles jogavam aqui mais embaixo. Esse é o meu pensar sobre de onde veio a capoeira de Angola”.

A Regional não, a gente joga mais em cima, ela aqui de pé, golpes semelhantes de outras lutas, como karatê, jiu-jitsu, que só se transforma no nome, por exemplo o Martelo, que dão outro nome lá no karatê, a Chapa, que no jiu-jitsu é outro golpe lá, Meia-Lua, Armada, que é um golpe dado no ar, o pessoal do kung-fu usa muito esse golpe, até aquele Jean-Claude Van Damme, na maioria dos filmes dele, tem esse golpe. Então a capoeira regional tem essa mesclada de golpes que nós damos outros nomes. E a capoeira de Angola, sempre que se vai fazer uma abertura de roda, tem que se começar com a capoeira mãe, que é a de Angola. Um jogo lento, compassado, e tipo uma brincadeira de troca de golpes, a pessoa tem que soltar o golpe e puxar, não deixar bater no adversário, só pra mostrar que poderia bater, mas não bate. Então assim que é feita a capoeira de Angola. Um dá o golpe e depois puxa, o outro tem que se esquivar rápido. O que deu o golpe, sabe que poderia ter acertado, e o que vai receber o golpe, se ele conseguir se esquivar a tempo, ele sabe que não acertou. Então é sempre começada uma roda de capoeira com a capoeira de Angola, e depois para-se ou então sobe-se o ritmo pra Regional. Depois que está numa capoeira de Angola, os componentes que estão ficam sentados no chão enquanto os dois jogam aqui, saem, terminou, eles vêm no pé do berimbau, pedem a bênçao em pensamento e deixam a energia aqui no berimbau que é para quando os outros dois que vierem jogar, pegarem a energia e jogar, e não acontecer nada de ruim com ninguém. Depois que para a roda de Angola que vai se passar para a capoeira Regional, os componentes que ficam ao redor da roda se levantam. Aí é jogo rápido, golpes contundentes, e jogando mesmo para bater o adversário, ele tem que ter conhecimento para se esquivar. Se ele achar que não tem condição, ele pede para sair, dá a vaga pra outro. Basicamente, é isso que ocorre dentro de uma roda de capoeira. Começa com a Angola e depois passa para a Regional. Quando é uma apresentação mais ampla, o mestre que estiver ministrando a aula, se tiver conhecimentos de Maculelê, ele encerra com Maculelê. Maculelê é uma dança que se usa bastão ou até facão, para finalizar a roda. Mas tem que ter competência, porque fazer dança com facão, tem gente que já torou o dedo”.

OS FRUTOS DO ‘FILHOS DA BAHIA’

Aqui em Belém eu sou o fundador do grupo Filhos da Bahia, que mais tarde se tornou, se tornou, não, os discípulos foram se preparando, e fundaram o grupo Senzala, em 1978. Era o ano em que eu estava parando um pouco na capoeira porque estava formando família e até me mudei aqui do bairro, fui morar no Jurunas, depois que voltamos pra cá. E eles deram prosseguimento com o grupo Senzala. Era uma série de rapazinhos, era o Mestre Pula-Pula, Mestre Naldo, e que deram sequência ao trabalho que eu vinha fazendo. Só que eles eram jovens, o mais velho era o Mestre João, que tinha 18. O resto tinha 14, 15 anos. E eles deram prosseguimento e de quando em quando eu vinha dar uma olhada neles, ficar como guardião desses meninos, porque o grupo estava se difundindo, e como tinham poucos grupos em Belém na época, os que tinham não queriam que nascessem novos. Então o que acontecia? Os camaradas que montavam outros grupos vinham para abafar, para acabar mesmo com o grupo Senzala. Então eu ficava atrás de uma touceira de pupunheira, com um banquinho, sentado lá, só observando, quando eles estavam jogando errado, só entre eles mesmos, eu ia lá e dizia “olha, é assim”, e voltava pra lá. Até porque o dono do terreiro, o ‘seu’ Nilson, cedeu o espaço, porque ele gostou de ver os meninos jogarem, levou pra dentro, comprou camisa, abadá pra eles, e quando aparecia uns camaradas formados, feitos, com 20, 25 anos, pra ir quebrar o grupo, ele dizia: “olha, mestre, fique de olho!”. Uma vez ele disse que apareceram dois camaradas e meteram o pé nos meninos, e eu falei, deixe comigo. E este ‘seu’ Nilton gostava muito de tomar um conhaque, vestia paletó e gravata para ir tomar conhaque num comércio que ficava a 15 metros do terreiro. E ele me chamava pra ficar lá, para reparar o terreiro. Aí quando terminava, botava a garrafa debaixo do braço e quando ia passando na roda, dizia: “ei, a de vocês é capoeira, mas a minha é essa daqui”.

Eu ia para a touceira de pupunheira e lá ficava, mas não dava tempo, todo dia aparecia alguém para querer dar porrada nos meninos. E nesta época eu gostava de usar roupa preta. Quando aparecia alguém e começava a meter o pé nos meninos, e nem pediam permissão, já iam entrando e metendo o pé, eu esperava só ele ficar de costas, quando ele virava eu dava uma rasteira que ele nem sabia de onde tinha surgido, daí era peia, peia, até que o camarada cansava e eu dizia “olha, joga com mais calma aí com os meninos”. Aí pronto, chega ficava mansinho, mansinho. E na época eu era muito bom em capoeira, não temia ninguém, nem altura nem largura. Eu era destemido. Então sempre foi assim, o pessoal tentando acabar com o grupinho Senzala, não conseguiram, e ano passado o grupo fez 30 anos. Foi fundado em 29 de novembro de 1978. E anda com as suas próprias pernas. E eu fiquei assim só como um guardião. Só de uns anos pra cá que eu recebi um convite para compor a diretoria e até hoje sou um dos diretores de lá”.

Durante todo este tempo aí foram feitas centenas, milhares de apresentações, SESC, SESI, Praça da República, em Belém, e também na Ilha de Marajó, tanto é que já tem descendentes do grupo em Cametá, em Marajó, por aí”.

DE UMA CAPOEIRA QUE NÃO SABE DE SUAS RAÍZES

E falando nos meninos me lembrou até uma estória de uma vez, que tem gente que não conhece a gente. Um fato inusitado que aconteceu comigo no bairro da Cremação. Eu trabalho como metalúrgico e fabrico peças para embarcação, hélices… E eu fui levar lá para um cara que mora na Cremação, e ele disse “mestre, espere aí um instantinho no bar que eu vou pegar o dinheiro e volto para lhe pagar”. Aí ele foi pra lá e demorou, e eu comprei uma cervejinha para matar o tempo. De repente se formou uma roda assim do nada, os meninos jogando, e eu achando que estavam fazendo uma homenagem pra mim. Eu pensei, né. E tinha um rapaz assim fortezinho, o líder deles, jogando lá e tudo mais, um jogo pesado, e de repente o berimbau afrouxou a corda que segura o arame, e não deu mais som, e o menino só jogou o berimbau que caiu lá para trás. O berimbau não quebrou, só afrouxou a corda. Aí eu peguei, ajeitei o berimbau, ajeitei a cabaça e comecei a tocar. Tinha dois berimbaus, contando com aquele. E eu comecei a tocar, acompanhando eles. E o rapaz fortezinho chegou pra mim e disse “ei barrigudo, sabe tocar, sabe jogar”, e saiu pro pau. Eu fui no pé do berimbau, fiz o sinal da cruz e saí pra jogar com o pequeno, e quando eu estava jogando ele vem de lá e me joga uma bufa. Eu continuei a jogar, lento, eu tenho um jeito diferente de jogar, um jeito maroto, o pessoal sempre diz que o meu jeito de jogar é diferente de qualquer outro, e quando eu vejo lá vem ele de novo com o mesmo passo, e dei [faz o gesto do golpe ‘telefone’]. Quando a gente acerta às vezes a pessoa perde a vista por uns momentos. Aí ele sentou lá no chão, eu peguei na mão dele, coloquei ele de lado, e comecei a chamar os meninos pra jogar. Aí os meninos vieram jogar lento, já todo mundo meio com medo, eu sabia que podia derrubar mas não derrubava, metia o pé na cara deles, mas puxava, mostrava que eu podia bater, mas não batia neles. Depois, a visão volta, eu já fiz isso com várias pessoas atrevidas. E voltou a visão dele, e eu chamei ele para jogar de novo, e ele já jogou macio que foi uma beleza. Quer dizer, são coisas que acontecem. Joguei mais um pouquinho com ele e depois voltei pro bar onde eu estava. Quando eu vejo, a roda toda parou para olhar, porque eles não sabiam, o menino veio com atrevimento e eu mostrei para ele que eu tenho conhecimento. E eu disse “podem continuar, eu vou só apreciar vocês daqui”. Eles continuaram jogando, e de vez em quando eles olhavam pra lá. Aí o meu cliente veio, me pagou, e eu fui embora. E ouço aquela voz: “ei, o senhor é baiano, é?”. Não, sou aqui mesmo, papa-chibé, aqui do Pará. Quer dizer, é um grupo mal formado. O mestre deles só ensinou a dar porrada, nem montar um berimbau sabiam, não sabiam nada de fundamento”.

HISTÓRIAS DA CAPOEIRA PARAENSE

Geralmente eu sou convidado, todos os anos, por exemplo, um grupo aqui, todo fim do ano, fazem um batizado. É tipo como uma prova final para ver o que o menino aprendeu durante o ano. Então o primeiro cordel que ele pega é o cordel verde, o segundo é verde-amarelo, e assim por diante. E eu sou convidado geralmente para esses batizados. Inclusive agora eu vou mais assim, quando o mestre do grupo tem consideração por mim, e assim vai. Outros mestres, que passam 5, 10 anos para vir aqui em casa…”

Porque uma vez eu fui num grupo de um rapaz que chamam Mestre Bimba para ele, o nome dele é Valdir, mas é que quando ele era pequeno, que vinha entrando aqui pelo saguão, a fisionomia era igual à do Mestre Bimba, já falecido. Aí eu disse que ele era parecido com o Bimba, e de lá pra cá pegou. Então eu fui num batizado deles, e tinha menino lá que nunca tinha me visto. Daí quando eu fui batizar lá um menino, um rapaz, assim de 18, 20 anos, e quando a gente vai batizar um aluno, não é questão de dar pancada, a gente dá uma rasteirinha, uma cabeçadazinha, e quando estes meninos vão pra festa do batizado eles levam pai, mãe, parente e tudo mais. E o menino jogando comigo lá me enchendo de ‘martelo’. E a gente como mestre, se bater no pequeno lá, a mãe, o pai, o parente lá não vai gostar, né. Mas quando eles batem na gente, o pessoal do grupo mesmo, da redondeza, batem palmas, gritam, olha, tá batendo no mestre… A gente fica numa encruzilhada, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Conclusão: este menino estava meio atrevido, e eu fiz a mesma coisa que eu fiz com esse que contei ainda agora. Soquei um ‘telefone’ nele. O menino caiu no chão e ficou, eu peguei ele, coloquei do lado, aí o mestre Bimba até parou a roda, e eu disse “não te preocupa que daqui a pouco o farol dele volta ao normal”. Foi, até que voltou. E ele botou outro pra jogar lá…”

Entra outra música, Mestre Ray pára de falar, e com reverência, pronuncia: “Verequete. É, é Verequete”.

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E quando a vista do menino lá voltou, o mestre Bimba parou a roda e disse: “olha, vocês quando estiverem jogando, não é para bater em mestre, porque o mestre tem mais conhecimento que vocês. Ele pode bater em vocês mas ele não usa dos artifícios que é para não machucar ninguém. Aí pronto. Depois, quando me chamaram de novo para batizar outro menino, a coisa já correu mais naturalmente. Esse ano que passou, lá no grupo Zambo Capoeira, do bairro Jurunas, aconteceu um fato praticamente idêntico a esse. Eu jogando com um rapaz do cordel mais alto que esse, já graduado, a mesma coisa, e eu me esquivando, e ele querendo me pegar, e o velhinho aqui ainda dá pro gasto. Quando ele vacilou, não teve jeito, uma cabeçada, ele caiu com as nádegas no chão, deu até um trabalho pro pessoal depois, tiveram que fazer massagem lá… Quando a gente derruba alguém, eu geralmente gosto de dar uma rasteirinha, pro menino cair, uma cabeçadinha sem muita maldade, só pra deslocar ele, mas esse estava jogando muito rápido, e eu me esquivando, quando ele vacilou eu só dei. Na velocidade que estava, ele se bateu. Aí depois, na entrega de cordel, eu fui lá, peguei na mão dele, tinha aquele gel de massagem, eu fiz massagem, tava lá a mãe dele, o pai dele, eu fui lá pedir desculpas, primeiro pra ele, depois pro pai e pra mãe, expliquei que era sequência do jogo, eu não tinha a intenção de machucar, e ele mesmo reconheceu que estava muito agressivo, querendo me bater, pra mostrar que estava bom”.

Geralmente quando o jovem está aprendendo, que pega um cordel mais graduado, ele quer mostrar a técnica dele, quer superar o próprio mestre, mas às vezes ele perde a noção de que não deveria estar machucando os mestres. Eu prego sempre a seguinte coisa: treinar capoeira e preservar a integridade física do adversário. Só num caso de situação extrema que deve ser usada a capoeira para se defender, não para atacar”.

UM CAPOEIRA ATREVIDO NO CAMINHO DO MESTRE

Inclusive uma vez lá no Guamá, eu e um amigo, nós tínhamos ido de um outro bairro lá pro Guamá. Só que de ônibus ia dar uma volta assim, aí o que fizemos? Fomos cortando, que ele conhecia lá as ruelazinhas e fomos cortando. Quando chegou no meio do caminho, ele convidou para tomar uma cerveja antes de seguir caminho. Chegamos lá e estávamos tomando uma cervejinha quando chegou um rapaz. Aliás ele já estava lá, num cantinho, tomando uma garrafa de pinga, sem camisa, cordão de caroço de tucumã… Aí quando o meu amigo viu, disse “ah, tu não é nada, esse aqui é que é, o meu amigo”. Eu disse “não faça isso, não faça isso que não dá certo”. Aí o cara tomava a pinga dele e jogava a capoeira dele lá no chão do bar e perguntava “o senhor é mestre mesmo?”, e eu dizia “não, rapaz, não tá vendo aí a barriga”. Mas quanto mais ele tomava a pinga, mais ele vinha, “tu é mestre mesmo? Eu tou desconfiado que tu é mestre”. “Não, eu não sou mestre, é brincadeira do meu amigo aqui”.

Aí eu tomando uma cerveja e falando sobre o serviço, resolvi pedir uma dose de conhaque, e ele viu de lá, aí disse “o senhor é mestre, gosta de tomar uma bebida forte”. E realmente, todo mestre gosta de uma bebida forte. E eu “não, é brincadeira dele”. A gente usa da psicologia. A gente faz a pessoa crer que a gente não é nada, para depois demonstrar que nós somos alguma coisa. Até que ele acreditou que eu não era mestre. Ele já estava embriagado, e eu estava com uma camisa branca, rapaz. E meio bêbado ele chegou e colocou as patas sujas dele na minha camisa. “O senhor não é mestre coisa nenhuma!”, chega ficou a marca da mão dele na camisa. Aí eu mostrei que era mestre. Meti a mão no peito dele, abri a guarda dele, segurei ele por baixo, levantei ele no segundo andar e joguei em cima de uma grade de cerveja. Foi coisa rápida. Peguei uma garrafa e fiz menção de bater na cara dele, quando ele gritou: “Ai, Mestre!”. “Ah, tu já sabe que eu sou mestre, né”. Aí eu botei a garrafa no lugar, dei a mão pra ele e puxei. Ele não sabia nem como ele tinha caído na caixa, ficou todo marcado. “Mas o senhor é mestre mesmo, estava me enganando”.

Conclusão: o camarada largou da cachaça dele e passou até a pagar cerveja pra mim. Aí ele dizia “mas o meu mestre não me ensinou isso aí que o senhor fez”, e sempre aquela questão, “o senhor é da Bahia?”. “Não, sou papa-chibé”. Ele perguntou se eu conhecia o mestre dele, o Mestre Marrom, e este Mestre Marrom um dia estava usufruindo do meu nome por aí. E ele não aprendeu comigo. Já já eu conto a história dele. Só que ele não é meu discípulo, ele é neto meu, é discípulo do finado Mestre Elias, aprendeu lá no Guamá, e não tem uma boa conduta como mestre de capoeira”.

SOBRE MESTRES E (NÃO-) MESTRES

A história desse Marrom é o seguinte: aqui na Pedreira, um discípulo dele tinha um grupo de capoeira, e na época ele nem era mestre, era contramestre, mas pra mim ele nem é considerado como mestre. Então ele veio avaliar, num sábado, os pequenos para no domingo ser o batizado. E ele nem era mestre do grupo, o mestre do grupo era um outro rapaz. E quando eu fui lá, fiquei de fora, assim, dando uma olhada, dentro do colégio mas fora da roda, e eles avaliando lá. O que ele fez com o pequeno, ele deu uma Meia-Lua de chapa no peito do rapaz, que o rapaz caiu desmaiado no chão. Ele acertou na boca do estômago que eu até pensei que tinha matado o pequeno. E ele só jogou o menino pro lado e falou: “outro”. Aí eu entrei e falei “tu tá ficando maluco? Vê se ele tá ao menos vivo!”. Aí eu fui lá, tirei a minha camisa, enrolei, coloquei no pescoço dele pra deixar a traquéia livre, fiz uma fricção devagar no estômago dele, levantei a perna até o estômago dele, até o menino voltar. Quer dizer, se eu não estou ali, aquele pequeno era até capaz morrer e o cara só colocou de lado e chamou o outro. Como se fosse um saco velho, jogou pra lá. Aí eu dei uma esculhambada nele, e até resolvi sair pra não ver mais outra coisa desse tipo”.

Quando foi no domingo, veio o batizado propriamente dito, o rapaz responsável pelo grupo, o Edinaldo, não estava, e era ele que estava avaliando. Aí eu perguntei se o Marrom ia ser batizado de mestre, e disseram que ia. E o batizado acontecendo, eu fui lá, batizei um, saí para dar um tempo, e quando terminou tudo, e ele viu que eu tinha saído, começou a falar umas coisas lá, que praticava capoeira a mais de vinte anos, que o mestre dele era o Mestre Ray, quer dizer, Mestre Mundico – é que eu tenho dois apelidos, meu nome é Raimundo, e Mundico e Ray vem de Raimundo. No carnaval eu sou conhecido como Mestre Ray, e na capoeira sou conhecido como Mestre Mundico – enfim, ele dizia que era meu discípulo, que praticava capoeira há vinte anos, e tinha lá uns cinco ou seis mestres, e ele queria que eles batizassem ele como mestre. E eu ia entrando, e quando vi ele falando que eu tinha ensinado ele, fui falando “ei, pode parar. Esse camarada aí não é meu discípulo, não. Quem for meu amigo não batize ele”. Só fui lá, disse isso e voltei lá pra frente”.

Conclusão, na hora de fazerem a roda pra batizarem ele, ninguém foi. Aí ele pegou o cordel, amarrou na cintura e se botou como mestre. Eu vou batizar um cara desses que só falta matar os discípulos? É por isso que eu discordo de certas coisas, de certos mestres de capoeira, que não têm capacidade para estar no patamar de mestre”.

Outra música, outra referência: “Essa aí é a Nazaré Pereira, é outro tipo de carimbó”.

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DA SABEDORIA POPULAR

Outra história foi a de um rapaz que chegou aqui chorando copiosamente, que tinha jogado a televisão, que ia chegar na casa dele, ia matar a família, ia tocar fogo na casa, eu levei ele lá pro cantinho ali, conversei, conversei, conversei, mais de uma hora com ele, e disse que se ele tivesse errado, que tivesse humildade para pedir perdão, e se ela tivesse errado, que ele tivesse a nobreza de perdoá-la. E hoje em dia ele tem até neto. Eu penso assim, claro que se a pessoa estudar mais, ela fica com a mente mais aberta, mas a pessoa aprende mais com a vivência, com a vida. A vida é um livro aberto e todo dia a gente está aprendendo alguma coisa. A pessoa nasce aprendendo e morre aprendendo. Eu digo até assim, que nada mais me surpreende nesse mundo. A gente aprende dia a dia, e tem mais: aprende tanto com os mais velhos quanto com os mais novos. Eu fui dar uma palestra num colégio ano passado, e no final da palestra eu disse que a pessoa tem que tirar de cada dia pelo menos uma boa ação, sem olha a quem. Então geralmente eu procuro fazer uma boa ação por dia. Eu sei que não faço uma, faço muitas todos os dias. A pessoa tem que ter paciência para escutar os mais velhos, e se agachar para escutar as crianças”.

Uma vez chegou um cara aqui em casa querendo comprar um chapéu de palha meu por cem reais. Eu podia muito bem pegar e estava até precisando, mas eu achei aquilo um insulto. Porque quando eu tenho consideração pela pessoa, eu dou gratuitamente, quer o meu chapéu, toma, mas o cara querer comprar o meu chapéu, eu achei aquilo um insulto, um desacato à autoridade! As melhores coisas que eu tenho aqui, quando eu vejo que o rapaz, mestre, contramestre, está fazendo um bom trabalho, eu dou pra ele. Por exemplo, eram duas pessoas que tinham o livro “A Saga de Mestre Bimba”. Era eu e o Mestre Romão. Aí um rapaz aqui, e eu não tinha nem lido todo o livro, eu tenho pouco tempo pra ler, leio um pedacinho, aí o rapaz chegou, “esse livro não tem aqui em Belém, me empresta ele?”. Eu nem li o livro, mas dei e disse “vai, leva o livro e lê que tem muita coisa de capoeira para aprender aqui”. Eu sou desse tipo. Se eu gostar da pessoa e ver que a pessoa está fazendo uma coisa boa, eu dou o meu melhor para a pessoa, porque a gente nunca deve dar aquilo que a gente não quer mais, aquilo que não presta mais, tem que dar aquilo que a gente tem de melhor. O meu pensar é esse”.

Mestre Ray e sua primeira-dama, Dona Nazaré

Mestre Ray e sua primeira-dama, Dona Nazaré

Uma vez veio um rapaz aqui e disse que queria uma camisa da Senzala que fosse bem antiga, aí eu fui lá em cima olhar, ver se achava, e achei uma da década de oitenta. E era histórica a camisa que eu dei pra ele, eu contei pra ele. Os primeiros discos de vinil que existiram aqui em Belém, era uma coletânea, Eu Bahia, que eram quatro, e eu tinha dois de cada um, só porque eu vi em um comércio lá e arrematei. Tudo o que eu via de capoeira eu ia lá e arrematava. Os pequenos iam crescendo dentro da capoeira, “mestre, me dê um LP de som”. Conclusão, não fiquei com nenhum aí em casa. Esses que eu tenho, que já são CD, eu tinha uma grande quantidade deles, de mestres de fora, do Rio de Janeiro, Bahia, aí o pessoal chegava aqui em casa e era “mestre, me empreste um CD”, eu fazia melhor, “toma, leva pra ti”. Hoje em dia eu só tenho esses dois aí, e esses aí eu só tenho porque eu só tenho ele, só fizeram uma reserva dele, a não ser que o cara tire uma cópia, é esse aí e um outro que eu emprestei pra um menino, até hoje ele não devolveu mais, gostou tanto que não devolveu. Berimbau eu tinha uma infinidade aí, aí chegavam e diziam “mestre, eu não tenho berimbau”, eu dizia, “toma, leva esse”.

Eu tenho uma ideia que vocês podem até aproveitar. Seria de fazer uma matéria para todas as escolas do mundo, chamada de Natureza ou Meio Ambiente. Ela seria como é a Geografia, História, só que essa matéria seria de pesquisa sobre o local onde a pessoa vive. Por exemplo, ele mora na seca, iria pesquisar o porquê da seca, se mora onde tem enchente, o porquê da enchente. A matéria seria sobre as peculiaridades do local”.

A HISTÓRIA DO BERIMBAU

Veio aqui em Belém uma moça da universidade do Maranhão, daí eu passei um domingo conversando com ela, e enquanto isso eu fazendo umas três vergas dessas, e conversando, e uma amiga dela tirando fotos, e eu ensinando como fazer um berimbau. Peguei o galho, cortei a cuia-pitinga, porque a cabaça é aquela que dá no chão, no alto assim é a cuia-pitinga. E cortei, fui tirando a massa de dentro, fazendo o buraquinho, peguei a verga, lixei bem, cortei aqui em baixo, para encaixar o arame… Isso aqui tudo é história! Dentro daquelas quatro horas que ela ficou conversando comigo aqui, montei dois berimbaus, ela fez uma longa gravação comigo e ainda levou dois berimbaus para São Luís do Maranhão”.

A história do berimbau é bonita e meio triste também. Porque quando o Marechal Deodoro da Fonseca passou a ser presidente do Brasil, ele começou a perseguir os negros. Porque os escravos foram libertados, entre aspas, pela Princesa Isabel. Eu não ponho como libertação, e tenho letras de música sobre isso aí também. Então os escravos ficaram livres, mas como eles viviam na fazenda, tinham como comer e beber. E quando eles passaram a ser livres, não tinham o seu autossustento. O que aconteceu, eles passaram a roubar, a assaltar, usando o conhecimento que eles tinham, que era a capoeira. E o Marechal Deodoro da Fonseca decretou que todo negro que estivesse praticando capoeira iria para o pelourinho, quando não, seria enforcado e o membro dele seria cortado e colocado na boca para reprimir os outros. O que os negros faziam então? Faziam então os berimbaus, e existe na capoeira um toque de cavalaria que se dá e parece um trupé de cavalo. Então se fazia uma roda de capoeira, e quando o marechal mandava prender eles davam esse toque para quem estava na roda, que vinha chegando a cavalaria, que era a polícia da época, e todo mundo debandava, ou ficava disfarçando por ali, escondiam o berimbau. E quando a cavalaria já estava muito em cima, que não dava para eles correrem, o que acontecia? Esta parte aqui do berimbau onde encaixa o arame, eles botavam uma foice para degladiar com a cavalaria, que tinha vantagem de estar com a espada e em cima de um cavalo, e o negro assim podia degladiar com eles. Então essa parte aqui do berimbau é uma parte histórica. Muitos mestres de capoeira não tem conhecimento disso. Então sempre que eu vou dar palestra sobre capoeira, eu procuro explicar sobre isso pra professores e mestres de capoeira, para eles terem mais conhecimento, e não fazerem berimbau aleatoriamente”.

FLUXOS MUSICAIS

Deixa eu botar aqui um CD de capoeira… Esse aqui não está só eu não, está eu e outros mestres. Isso foi um festival de música que nós fizemos na Escola Salesiana do Trabalho, onde foram escolhidos vários mestres para gravar um CD. Esse primeiro aí é o Mestre Valci, é neto meu de capoeira. Eu sou mestre do Mestre João, ele ensinou para o Mestre Naldo, e o Naldo ensinou pro Mestre Valci. É meu tataraneto. Ele estava até ano passado como presidente da Associação Senzala. Quando foi agora no mês de agosto, estava acabando o mandato dele, e nós indicamos outro rapaz, um que estava acompanhando de perto o trabalho da associação, o Márcio, que é contramestre, e todas as pessoas que estavam ali na assembléia levantaram o braço indicando que aceitavam a indicação dele. Outras pessoas foram escolhidas, até me indicaram também para ser presidente, mas abdiquei porque não tenho tempo”.

Esse aí sou eu. Eu não tive nem tempo de gravar, passei correndo pelo estúdio. Cheguei lá e disse assim assim assim, porque eu tmabém tenho conhecimento de estúdio, eu disse para colocar só o toque do berimbau, depois só os instrumentos, aí repete de novo, e eu cantei em cima da gravação. Eu sou um pouco bairrista, eu gosto de colocar nas músicas coisas sobre Belém, sobre o Pará, ou então falando sobre mulher. Dificilmente tem uma letra minha que não tenha um nome de mulher no meio”.

(Associação de Capoeira Senzala, uma das mais tradicionais capoeiras de Belém).

Eu agora peço licença

Pois cheguei nesse momento

Hoje a Associação Senzala

Faz um grande movimento

O jogo de capoeira

É na ginga e no pé

Mas o jogo é mais bonito

Quando é jogo de mulher

E você que chegou de fora

À cidade de Belém

Vá ao Forte do Castelo

E à Catedral da Sé

Dê um pulo ao Ver-o-Peso

E ao Palácio Lauro Sodré

Não esqueça de visitar a Virgem

Nossa Senhora de Nazaré

E pra conhecer melhor

A cidade das mangueiras

Venha à Associação Senzala

Conhecer a capoeira

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Ê, viva Belém!

A Cidade das Mangueiras

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E o pessoal gravava duas, três, quatro vezes e não conseguia, não ficava bom, e eu em menos de cinco minutos gravei a música e fui embora. Só deu tempo de gravar essa aqui. E ficou uma das melhores músicas. A questão é que o pessoal não tem o conhecimento de como fazer a gravação. Eu tenho centenas de letras de música de capoeira escritas. Todas elas têm um significado, foi um acontecimento. Uma vez eu gravei numa fita umas doze a quinze letras de música minha. Eu não tirei cópia, aí chegou um discípulo e pediu a fita, eu emprestei, e ele não devolveu”.

Eu tenho tantas letras de música que às vezes o camarada chega aqui e diz, “Mestre, cante aquela música”, e eu digo, “qual?”. Se não me disser o título da letra da música eu não lembro assim de uma hora para a outra, eu tenho que pegar o caderno, pra ler. Eu tenho uma veia artística que eu faço letras de música do nada. Faço aleatoriamente. Esse grupo, lá no Jurunas, quando tem um batizado e eles me convidam, eu levo de presente uma letra de música. Eu fiz uma vez uma para as mulheres de lá que é mais ou menos assim:

Quem nunca viu, vem ver

Se você não acredita que no samba ou capoeira

A mulherada aqui agita

Elas tocam berimbau, atabaque e agogô

Elas tocam pandeiro, reco-reco e catixi

Fazem jogo bonito, se você não acredita

Você tem que vir aqui”.

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As minhas letras são com rimas e versos, que eu faço questão de colocar. Eu fiz uma aqui para a primeira-dama, porque ela tem uma criação de beija-flor bem ali, criação que eu digo porque ela coloca uma água com açúcar e assim quando é duas horas dá um monte de beija-flor. Então eu criei uma assim:

Beija-Flor!

Por que parou no ar?

Vem que eu quero te contar (Beija-Flor!)

Leva no bico essa rosa

Pra aquela loirinha prosa que está a me esperar

Beija-Flor!

Diga pra ela não chorar (Beija-Flor!)

É que eu não vou me demorar

Beija-Flor!

Tem duas coisas que eu gosto

Uma é a minha capoeira, e ela, que está no meu pensar”.

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Eu crio letras assim, e todas elas têm um endereço. Uma vez… É crime ofender as pessoas, chamá-las de negras e tudo mais, e eu estava na Praça da República, e eu acho que o cara lá queria o espaço do anfiteatro. Eu estava ajeitando lá pra fazer uma roda de capoeira e o cara queria botar outra coisa, estava até com uma caixa de som, só que eu tinha chegado primeiro, e o espaço é público, quem chega primeiro toma conta do espaço. E ele disse assim: “Esse negro tá aí tomando conta…”. E eu peguei e disse “olha, eu posso ser negro, mas sou ser humano, tenho arte e cultura, e vou demonstrar aqui”. Então eu criei uma letra de música sobre isso, que é”:

Sou negro, seu moço, pois um negro eu sou

Você me chamou de negro, mas sou negro sim, senhor

Eu sou da raça negra, que construiu esta nação

No plantio dos canaviais, sob o chicote do patrão

Me orgulho de ser negro, de uma cultura sem igual

Da capoeira de Angola, e também da regional

Do Makulelê e do Candomblé, do Samba e muito mais

Pois eu sou negro, eu sou Arte

Sou Capoeira, sou Estandarte da cultura nacional”.

.

Então geralmente tem uma direção as letras de minha música. Uma vez, há uns dois anos atrás, um grupo de capoeira mulher, era só mulheres, se reuniram neste mesmo lugar, na Praça da República para fazer uma roda de capoeira, e fizeram um convite a mim, para que eu estivesse lá presente. Depois que terminou tudo, todo mundo foi embora, tinham três caras que estavam tomando pinga lá atrás de umas árvores, e eu ia passando, e ouvi um dizer “Ah, essas mulheres aí pensam que são não-sei-o-quê, porque praticam capoeira, a gente pega uma mulher dessas e senta a mão”. E eu falei que eles não podiam fazer assim. O cara falou “O que tu vai querer?”, e eu respondi, jogando o chapéu pro lado, “Eu é que pergunto o que tu vai querer”, e comecei a gingar na frente dele. Aí ele veio aleatoriamente, dando soco. Deu soco, tá perdido. Mas eu não bati com muita força, só um martelozinho. Eu só empurrei, não bati com força, e ele caiu lá no meio das árvores. “Vocês querem alguma coisa?”, e eles, “Não, ele que quer aí, a gente não quer nada não”. E eu criei outra música em cima disso”:

Não fale mal de mulher perto de mim

Não fale mal de mulher perto de mim

Cala a boca, meu amigo, que não quero ver teu fim

Cala a boca, meu amigo, que não quero ver teu fim

Não fale mal de mulher no berimbau

Não fale mal de mulher no berimbau

Cuidado, camarada, você pode se dar mal

Toma cuidado, camarada, você pode se dar mal

Não diga que a mulher não vale nada

Não diga que a mulher não vale nada

Você vai tomar rasteira, e quem sabe uma armada

Você vai tomar rasteira, ou quem sabe uma armada

Eu nasci de mulher eu tenho mulher minha filha é mulher minha neta é mulher e você o que é? É mulher”.

.

Aí elas cantavam tudo em côro, “E você o que é? Sou mulher”. Eu gravei só um CD, que esse menino levou, e até agora não trouxe. Outra eu fiz pra minha filha, a Raylena, da capoeira também:

Essa mulher é uma cobra

É venenosa, sorrateira

Na capoeira regional

Ela te pega na rasteira

É é é, é perigosa essa mulher

É é é, tem malícia no corpo e veneno no pé

É é é, é perigosa essa mulher

É é é, é filha de Ray e de Nazaré”.

.

Eu tenho umas duas ou três peças teatrais que eu perdi, pegou água e perdeu tudinho. Mas elas estão gravadas aqui na mente. Fizemos a apresentação de uma delas no SESC da Doca de Souza Franco, apresentei lá e ficamos em primeiro lugar. A história é a história de um capoeira que atravessou para uma dessas ilhas que ficam aqui de canto com Belém. E chegando lá, como tem sempre festa noturna, ele se dirigiu pra beira da maré com a namorada dele. Nisso apareceu três elementos querendo tomar a namorada dele e assaltar. O primeiro puxou um pedaço de pau, isso tudo é a peça teatral, foi ensaiada até aqui neste quintal, e rapidamente o capoeira tomou o pedaço de pau e já acertou esse. O outro puxou um facão, ele deu uma tesoura, derrubou o cara e com a perna tirou e jogou pra longe o terçado. Quando o terceiro tentou puxar uma arma de fogo, ele desarmou, e o cara saía gritando assim meio que como uma palhaçada “Ele é doido!”, e aí sai todo mundo correndo do palco”.

Livros, tenho dois pra escrever, duas estórias para escrever. Ainda não tive tempo, mas tá tudo aqui, encaixado. No dia que eu tivesse verba, não precisasse trabalhar o dia-a-dia, eu iria ficar só escrevendo. Um deles é até sobre um fato acontecido comigo. Era um tempo difícil, as coisas estavam meio difíceis aqui pra mim, e só tinha acho que água aí no fogo. Aí um rapaz ligou e disse pra eu ir lá buscar um dinheiro, e eu parti pra lá. Às nove da manhã, tomei um golinho de café, e parti. Eu só tinha uma passagem de ida. E quando chegou lá, o camarada tinha saído. Eu fiquei esperando, de nove horas até meio-dia. Meio-dia ele liga, dizendo que achava que eu não iria, e aproveitou pra viajar. Eu ainda perguntei do rapaz lá se tinha um dinheiro pra minha passagem de volta, mas ele não tinha. Aí eu me vi em palpos de aranha. Do outro lado da cidade, eu tomei um copo d`água e vim embora. Como eu tenho muitos conhecidos, eu vim cortando por dentro. Vim cortando, e resolvi ir na casa de um camarada que me devia 19 reais. Cheguei lá, ele disse que não tinha. Eu sabia que ele tinha, porque ele acabava de vender um aparenho de som grande. Mas nesse momento o cara tem que ter muita fé no Grande Mestre. Quando eu me dei conta que eu tenho muitoso motoristas conhecidos, e resolvi seguir a pé o trajeto do ônibus, mas não passou nenhum motorista conhecido”.

Andando a pé desde meio-dia, eu cheguei na Praça da República aos pedaços. Tu sabes aquele dia em que o sol dá e não deixa nenhuma sombra, aquele sol causticante. Eu fui pra debaixo de uma mangueira, pra ver se caía uma manga, pra matar a minha sede e a minha fome. Não caiu. Eu fui no chafariz ao menos lavar a cara, chegando lá não tinha água. E eu pensando o que foi que eu fiz pra estar sendo castigado dessa forma. Mas vim embora. Cheguei na Praça Brasil, e quando cheguei lá tinha um discípulo nosso que estava vendendo água de coco. Eu pedi um coco, que o negócio tava pegando, e ele disse que não podia dar, porque o patrão estava só de olho. “Nem uma pedra de gelo?”. Ele disse “Eu posso perder o emprego”. Eu já estava com a boca pregando, de tanta sede, mas disse que se já tinha atravessado metade da cidade, iria atravessar a outra metade. Andei uma linha, até que não dei mais conta de andar. Sentei na calçada, olhei pra trás e tinha uma janela aberta. Fui colocar a cara na janela pra pedir um copo de água, a mulher fechou a janela na minha cara. Aí eu não aguentei: as lágrimas desceram. Eu parei de novo, sentei, descansei um pouco, levantei e fui. Andei, andei, até que cheguei perto de casa. Quando avistei a frente aqui, estava já vendo estrelinhas. Isso já era umas quatro horas da tarde. Pensei: “não consegui nada, mas quando chegar em casa vou ter ao menos o calor da família”.

Quando eu chego em casa, meu filho mais velho diz que tem um cara me esperando num carro. Eu já penso que é bronca. Eu dei uma parada, suspirei duas vezes pra vista voltar ao normal. Quando cheguei lá o cara disse: “O senhor é que é o Mestre Ray?”. “Sou eu mesmo”, respondi. “O senhor é que fabrica hélices?”. “Sim, sou eu mesmo”. “Então tá aqui uma relação, aqui o meu nome, telefone, e 500 reais de adiantamento pro senhor”. Eu precisava de um real para a passagem de ônibus, e depois de passar por essa saga, esse sofrimento imenso, tinha 500 reais me esperando aqui há mais de duas horas. Pra ver como são as provações divinas”.

Esse é um dos fatos que aconteceu comigo que eu pretendo transformar num livro. Eu tenho muitas histórias pra contar… Mas o que era mesmo que vocês queriam saber?”

Os risos tomam conta. A esta altura, o pessoal do carnaval já está por lá, tocando um samba, esquentando para a festa que iria acontecer à tarde. Chega a dona Nazaré, a ‘Primeira-Dama’, com um delicioso refresco de manga, colhida minutos antes, e um tira-gosto. A barriga agradece, os afinados refestelam-se nas delícias da culinária paraense, ao som da turma do Bloco Chupicopico (Meninos Travessos), e assim a manhã vai cedendo espaço para a tarde, e a alegria toma conta do ambiente. Todo domingo é assim, na casa do Mestre Ray, mestre do carnaval, da capoeira, da vida ativa, que cria fluxos e engendra comunidades mais vastas.

Banda Chupicopico, (reprod. arquivo do Mestre Ray)

Banda Chupicopico, (reprod. arquivo do Mestre Ray)

MANIFESTO DE REPÚDIO À FOLHA DE SÃO PAULO

Um regime ditatorial não é somente o encerramento de direitos civis, mas a negação da própria Vida, das complexidades, multiplicidades e variações das singularidades que tornam real a existência da multidão. O regime ditatorial impõe à existência a pior imundície no mundo: a identidade. Tem como dever impedir a liberdade, o desejo e o trabalho ativo. A produção da Vida, a alegria, o riso, a beleza, o sorriso. Imobilidade tanática.

O jornalão Folha de São Paulo, representante do jornalismo molar, o qual não compreende a responsabilidade do jornalismo como uma práxis cívica, movimentadora da palavra que quebra a ordem disciplinar e controladora estacionária e cria novas relações de saberes, mais uma vez confirmou sua vocação ditatorial deteriorando os anos de chumbo no Brasil com “o estelionato semântico manifesto pelo neologismo ‘ditabranda’”.

Abaixo o Manifesto de Repúdio à Folha de São Paulo.

REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

“Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica “revisão histórica” contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país.

Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante às insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro”.

Assinam:

Antonio Candido, professor aposentado da USP

Margarida Genevois. Fundadora da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos

Goffredo da Silva Telles Júnior, professor emérito da USP

Maria Eugenia Raposo da Silva Telles, advogada Andréia Galvão, professora da Unifesp

Antonio Carlos Mazzeo, professor da Unesp

Augusto Buonicore, doutorando da Unicamp

Caio N. de Toledo, professor da Unicamp

Cláudio Batalha, professor da Unicamp

Eleonora Albano, professora do IEL, Unicamp

Emir Sader, professor da USP

Fernando Ponte de Souza, professor da UFSC

Heloisa Fernandes, socióloga

Ivana Jinkings, editora

Marcos Silva professor titular da USP,

Sérgio Silva, professor da Unicamp

Patricia Vieira Tropia, Universidade Federal de Uberlandia

Paulo Silveira, sociólogo

Para assinar o manifesto, clique aqui.

BANDINHA DO OUTRO LADO 2009

Bandinha 2009 01 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

A criançada foi chegando de todas as partes de Manaus, principalmente das adjacências da sede da Associação Filosofia Itinerante, situada no bairro do Novo Aleixo, zona Leste, na periferia de Manaus, do Brasil, do Mundo; não a periferia no sentido sociológico tradicional, mas no sentido daquilo que está na borda e salta e transborda, como deve ser o desmedido carnaval dionisíaco.

Bandinha 2009 02 por você.


Bandinha 2009 10 por você.

E a moçada da AFIN, formada por filósofos, semiólogos, estudantes de ensino médio e fundamental, geógrafos, psicólogos, economistas, todos que se fazem educadores na construção coletiva na Bandinha do Outro Lado, como alternativa à comercialização des-carnavalesca que vem da Marquês da Sapucaí, passando pelos sambódromos de todos os estados. Por isso a Bandinha do Outro Lado constrói-se coletivamente a partir da criatividade na preparação instantânea das fantasias e adereços de acordo com o gosto e ludicidade de cada uma das crianças presentes.

Bandinha 2009 06 por você.

Bandinha 2009 07 por você.

Bandinha 2009 11 por você.

Pra esquentar a batida da bandinha da Bandinha do Outro Lado, o companheiro Mário Paracanã, morador da Rio Jaú e que sempre participa da bandinha, trouxe para compartilhar uma marchinha que compôs quando criança e junto a outras crianças lá pelas festejantes terras do Pará.

PASSA O PÃO

Passa o pão! Passa o pão! Passa o pão!

Foi Tabajara

Foi Tabajara na terra de Tupã.

Tem goiabada, marmelada e requeijão…

De que vale tudo isso se você não passa o pão?

Passa o pão! Passa o pão! Passa o pão!

Bandinha 2009 12 por você.

Passou-se, então, um passeio das crianças foliãs com suas máscaras, seus risos soltos, seus desfiles, trazendo toda sua alegria contagiante, todo o contentamento do existir comunitário.

Bandinha 2009 13 por você.


Bandinha 2009 15 por você.

Bandinha 2009 16 por você.

Em seguida, todos se tornaram passistas nos passos compassados e também nos descompassados no concurso de dança, onde não faltou samba no pé.

Bandinha 2009 19 por você.


Bandinha 2009 21 por você.

E aí todas as cores já haviam sido misturadas, a bandinha da Bandinha do Outro Lado segurou na batida e no gogó e os movimentos desconcertantes e imprevisíveis tomaram conta do espaço na alegria de pular o carnaval-criança que não tem início nem fim e nunca se acaba.

Bandinha 2009 22 por você.

Bandinha 2009 26 por você.


Bandinha 2009 23 por você.

E a bandinha levou várias marchinhas conhecidas e outras nem tanto e aproveitou para agitar com uma constante da peça À Procura de um Candidato, que deixamos aqui junto a outras imagens dessa festança.

Os valores necessários

Para um bom prefeito

São o trabalho, o amor e a honestidade

(Tudo o que eu tenho)

Por isso eu peço a vocês, justos eleitores

Que me elejam o prefeito da cidade

(Vibra, meu povo!

Manaus, Manaus, Manaus)

Bandinha 2009 24 por você.

Bandinha 2009 27 por você.

Bandinha 2009 29 por você.

Para acabar de vez com o caos

Da falta d’água, dos buracos,

Do transporte coletivo

E assim nascer a Princesinha Tropical

(Manaus, Manaus, Manaus

Vibra, meu povo!)

Bandinha 2009 31 por você.

Bandinha 2009 28 por você.

Bandinha 2009 30 por você.

Só para liberar toda a potência da garganta da meninada e reposição de energias corporais, porque ninguém é de ferro, houve a distribuição de uma rodada de guaraná com pão e preciosa mortadela.

Bandinha 2009 32 por você.

Bandinha 2009 42 por você.

Mas o mata-broca foi rápido, porque a garotada e também os marmanjos queriam mesmo era brincar o carnaval até não mais parar.

Bandinha 2009 34 por você.


Bandinha 2009 35 por você.

Finalmente teve, na segunda rodada, uma farta distribuição de sorvete, cortesia da fábrica de sorvetes Sempre Frio, do companheiro Nelson Rocha (Papai Noelson nas quadras natalinas).

Bandinha 2009 43 por você.

Bandinha 2009 44 por você.

Bandinha 2009 46 por você.

Bandinha 2009 45 por você.

E aí, como a carne não vai, o carnaval invenção de si não acaba nem fica pouco, como diz o povo, a garotada continuou pulando, dançando, cantando cosmicamente contagiadas pela vitalidade do carnaval.

Bandinha 2009 47 por você.

Bandinha 2009 33 por você.




USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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