Arquivo para 3 de março de 2009

MARX EM MANAUS: “TUDO O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR”

Tudo o que é sólido desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens são finalmente forçados a enfrentar com sentidos mais sóbrios suas reais condições de vida e sua relação com outros homens.” (Manifesto Comunista)

Certa vez em conversa com o filósofo Sartre, a filósofa Simone de Beauvoir, inquieta com a aparente calma do pós-guerra, comentou que às vezes parecia que na história nada de novo estava acontecendo. Sartre respondeu que tudo se encontrava em estado de Recorrência. Movimento das forças não percebidas prestes a eclodir.

O filósofo Foucault, por sua vez, diria tratar-se dos entrelaçamentos (enfrentamentos) de forças antagônicas para uma emergir como Acontecimento. O novo.

A análise de Marx sobre o sistema capitalista, em sua tendência de auto-gerenciamento absoluto, verdade única, disseminado em uma subjetividade/semiótica para além do econômico manifestado em suas múltiplas formas de sedução e dominação — suas próprias contradições — geradoras da crença de uma corpo concreto inabalável, não passa de uma ilusão que um simples sopro dialético “desmancha no ar”.

Toda a ambição fetichista do capitalismo, expressada em seu sentido opulente protegido por uma moral pragmática vinculada estreitamente aos dogmas místicos, causas do amolecimento da vontade humana, perdem sua sustentação fantasiosa diante da força crítica e produtiva da razão coletiva. Processual de forças que se compõem nos territórios invisíveis do corpo social e se manifesta no momento em que se forma como problema que tece sua própria solução. “O homem só se coloca problemas quando pode resolvê-lo (Marx).”

MANAUS DESMANCHA SEU SÓLIDO

O entendimento de política do senso comum, mesmo quando este senso não se queria comum, sempre foi mais para a tirania do que para democracia. Não por outro motivo que foi cunhada a grande desconfiança sobre a atividade parlamentar e executiva. Sempre vista como a técnica de preparar “armadilha contra o povo”, como diz o filósofo Spinoza. Manaus não fugiu deste entendimento. Daí que esta prática, da mesma maneira como ganhou seus oponentes, ganhou seus adeptos. Aqueles que pretendiam as benesses saídas destes tipos de “profissionais”. Assim, durante anos se formou uma contagiante sociedade dos especuladores das instâncias legislativas e executivas. Uma sociedade tamanha, da ordem do “querer se dar bem, ou meu pirão primeiro”, que representantes de quase todos os seguimento da sociedade foram arrolados neste círculo. Deixando nos demais, os examinadores e recusadores desta prática, uma sensação deplorável de que em Manaus a história jamais aconteceria, em função da pré-história imposta por estes personagens.

Mas eis que nesse momento, a Recorrência de Sartre e o Acontecimento de Foucault, como novo, emerge na sociedade manauara em forma de justiças. Código Penal e Código Eleitoral. No primeiro caso, os desdobramentos da acusação de suspeitas do envolvimento do deputado Wallace Souza, com o crime. E, no segundo, o caso da cassação do prefeito Amazonino, processo que começou com sua cassação em Primeira Instância pela digníssima e proba juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, e ética-política engajada do insigne procurador geral Edmilson Barreiros.

O caso do deputado deve tramitar, como práxis da justiça, nos estatutos da Assembléia Legislativa e Justiça Criminal. Enquanto o caso do prefeito Amazonino tramita, agora, na justiça eleitoral sob exame do Tribunal Superior Eleitoral.

É o sólido da moral capitalista-burguesa se desmanchando no ar pela ação da força coletiva, mostrando que neste sistema sua solidez não passa de invólucro-resina. Agora, em Manaus, “os homens são finalmente forçados a enfrentar com sentidos mais sóbrios suas reais condições de vida e sua relação com os outros homens”.

PESQUISA DA PERSPECTIVA NÃO ENXERGA A MAIS ÓBVIA PERSPECTIVA: A CASSAÇÃO

Dizem algumas línguas que a única pesquisa cem por cento confiável é aquela que aponta a existência de doentes em um hospital, e mesmo assim há controvérsias.

De qualquer sorte a empresa Perspectiva, do guru do prefeito interino, Durango Kid, lançou pesquisa no final de semana em que coloca a faixa de governador no atual prefeito (s)em exercício, Amazonino Mendes. Em qualquer situação (ou perspectiva), de acordo com a pesquisa, Amazonino leva, seja contra Alfredo, seja contra Arthur (aí é covardia – com o povo amazonense!), seja contra Praciano ou Serafim. Será o fim do Amazonas?

A PERSPECTIVA OBNUBILADA MAIS UMA VEZ

A estatística é a voz das massas, afirmam os intelectuais numéricos. Através delas, pode-se ouvir o rumor das massas silenciosas. Ledo engano, e duplo engano. Primeiro, porque as estatísticas menos ocultam o acontecimento do que o elucidam. Daí a impotência da alcunhada oposição aos seguidos recordes de de popularidade do governo Lula, a título de ilustração. Segundo, porque as massas, de silenciosas não têm nada.

A estatística não apenas não traduz os ruídos das massas, como não tem maior valor que um rádio que captura as ondas eletromagnéticas do chamado espaço sideral. A polifonia das ruas não cabe nos números de uma pesquisa estatística. Ainda assim, há quem creia nelas como o último refúgio da verdade factual. Equívoco conceitual de quem acredita que o conceito do Social é uma condição sine qua non para a análise política. Ignora que as produções sociais, na absoluta maioria das vezes, se fazem fora dos códigos e da semiótica dominante. Daí o lúcido sociólogo e cientista político Marcos Coimbra, presidente do vox Populi, ter compreendido os acontecimentos que levaram Lula à reeleição, a despeito do que pensava a inteligentsia da direitaça. Ele sabe que a polifonia não se termina no número, ela sequer começa nele, deixando, quando muito, um rastro do acontecimento.

Daí a obnubilação da Perspectiva: o cowboy Durango não consegue enxergar os números para além da imaginação restritiva. Sempre a favor do interesse do patrão.

A PERSPECTIVA QUE ECOA DAS RUAS NÃO APARECEU NA PESQUISA DA PERSPECTIVA

Pergunta-se: onde está a perspectiva, cada vez mais evidente, da cassação de Amazonino e Carlos Souza? Não passou pelo crivo da Perspectiva durangânica, sequer como componente do questionário aos pretensos 2500 ouvidos. Daí, sem o elemento epistemológico do real, a pesquisa deixa de ser ciência e se torna fantasia.

Durango, sempre próximo de Amazonino, lançou a pesquisa como cientista social, mas ignorou o sintoma social bem ao seu lado: Amazonino, dizem, padece fisicamente, a cada vez que um dos quatro processos de cassação se mexe na Procuradoria Geral Eleitoral ou no TSE.

Não ouve, como suposto intérprete da voz rouca das ruas, os rumores de que a gestão de Amazonino vai terminar antes mesmo de começar. O povo já anda dizendo por aí (desde janeiro, aliás!) que com Serafim era devagar, mas com Amazonino, parou de vez. É essa voz que levará Amazonino ao palácio do governo, em 2010?

Talvez no afã de trazer ao chefe um alento, um lenitivo para as dores de tantas atribulações (criadas por ele mesmo), Durango Kid sacou a arma mais rápido que seus oponentes, mas ela não estava carregada. Basta uma canetada do TSE, mera questão de tempo, e Amazonino, de ex-candidato a prefeito, se transforma em ex-candidato a candidato ao governo do Amazonas. E a Perspectiva ficará sem perspectiva, de novo.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO

O simulacro midiático-econômico da então alarmada crise não conseguiu ser um fator de contaminação intenso no Brasil. Sua pretensão epidérmica é paralisada nas iniciativas do governo federal, responsável por demonstrar o quanto políticas públicas e investimentos nas áreas sociais são necessários para se garantir a estabilidade econômica em um país. Ainda que existam os discursos vazios, que não acham suas referências em lugar algum a não ser nas descargas venais dos reativos.

Segundo a Agência Carta Maior, “o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, abre a reunião no dia 5 de março, às 9h. Em seguida, um painel sobre o novo padrão de desenvolvimento será coordenado pelo Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que também é secretário-executivo do CDES. Está prevista a participação das seguintes autoridades: Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo; Ministro da Fazenda, Guido Mantega; e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles”. A resistência do Brasil relativo à crise e sua instituída divulgação, deve ser o principal foco das discussões apresentadas.

Ainda segundo o sítio da Agência Carta Maior, “a TV Carta Maior transmitirá ao vivo os debates, com cobertura completa das mesas programadas para a quinta e sexta-feira”.

Quinta-feira, dia 05, quem estará palestrando, às 14h30, será a transgressora do conservadorismo econômico, professora Maria da Conceição Tavares. A Carta Maior falou com ela antes da sua fala invadir a consciência dos mais arraigados defensores da economia que não pulsa e não se movimenta, destituindo o supérfluo e construindo o caminho para o necessário.

Colocamos então aqui algumas de suas falas que já estremecem as consciências confiantes em suas certezas ortodoxas.

Sobre as condições do Brasil em relação a dita crise:

Veja bem, estamos diante de uma tempestade global. Não é apenas a violência que assusta; é, principalmente, o fato de que a sua origem financeira torna tudo absolutamente opaco no horizonte da economia internacional. Mente quem disser que sabe o que virá e quanto vai durar. Minha percepção mais clara é de que será uma guerra de resistência; e que o Brasil tem condições de segurar o manche, e agüentar.”

Sobre como o Brasil enfrenta agora esta dita crise:

O que estou dizendo não é fruto de otimismo. A luta será dura. Mas pela primeira vez na história, o Brasil enfrenta uma crise mundial sem ter que carregar o setor público nas costas. Isso é inédito: nesta crise o Estado não está afundado em dívida externa, para não dizer totalmente quebrado, como ocorreu nos anos 90. Significa mais do que não ter um peso morto; significa um Estado em condições de amparar o investimento, o emprego e o capital de giro da economia.”

Sobre a dita crise e os juros no Brasil:

Desta vez, temos ainda uma vantagem paradoxal; e aí devemos reconhecer o serviço prestado pela ortodoxia: há um enorme espaço macroeconômico para ‘flexibilizar a política monetária’, como eles gostam de dizer. “A taxa de juro mais alta do mundo finalmente mostra para que serve: serve para ser corrigida agora na crise. Basta que façam isso e o país já ganhará um substancial reforço na capacidade fiscal para implementar ações anti-cíclicas. Cada ponto a menos na taxa de juro reduz em uma dúzia de bilhões o custo da dívida pública.”

Sobre a segurança estatal do Brasil:

Hoje temos um tripé de bancos estatais revigorados, que cumprem papel estratégico reconhecido pela política econômica. Com o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal o Brasil pode, de fato, gerar contrapesos à contração do crédito internacional, propiciar capital de giro e investimentos com contrapartida de garantia de emprego. Basta ter determinação política.”

Sobre o alcance da dita crise:

Sem dúvida o colapso financeiro internacional é dramaticamente mais sério que aquele de 29. A crise atual ainda não alcançou a proporção daquela, mas você tem o núcleo financeiro dos EUA carcomido, – veja bem é o núcleo, os grandes bancos, não as franjas. Os maiores deles, o City e o Bank of América, praticamente agonizam. Baixas dessa magnitude não tivemos nem em 1929.”

Sobre uma suposta morte do neoliberalismo:

Nada do que estamos vendo configura, ainda, a derrota definitiva do neoliberalismo. É um passo. Mas não podemos festejar o defunto sob as ruínas dos mercados financeiros. O que vemos hoje é apenas luta pela sobrevivência; não há lugar para a ideologia na luta desesperada pela sobrevivência. O ativismo keynesiano de Obama, entre outros, é apenas isso, um recurso à mão, nada mais. Provavelmente, essa opacidade ideológica persistirá até 2010. No Brasil, então, será a hora da verdade. Serra se diz um desenvolvimentista – de boca, porque sua aliança preferencial é com os Democratas, cuja agenda dispensa apresentações. A sociedade brasileira terá que escolher o projeto e o arcabouço de valores para conduzir o país na reordenação pós-crise. Tomara que não recue.”


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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