Arquivo para 11 de março de 2009

SE HOUVESSE TEATRO DE RUA NA RUA…

A rua, ou a ágora (a praça, para os gregófilos), é o espaço da aparência, afirma a filósofa Hannah Arendt. Território onde os homens se relacionam carregados por seus temas cotidianos múltiplos. Via pública das apresentações de opiniões e alternâncias dialéticas. Tudo que se refere à proteção e ao crescimento da polis, a cidade-democrática. Palco onde a encenação ontológica do homem, como teatralidade de sua liberdade em situação-engajada, faz dele sujeito histórico por si mesmo, como diz o filósofo Sartre. Local onde o ator observa o povo e encontra os ‘gestus’ de sua arte transformadora, diz o teatrólogo Brecht.

Esta a teatralidade do homem que se confunde com a arte teatral como reflexo analítico de sua condição existencial. Teatralidade que não separa o público do privado, já que a semiótica com seus signos-valores enunciam-se em movimentos difusos, envolvendo todos na mesma cartografia de saberes e dizeres que constituem a chamada realidade. Foi assim na Grécia antiga com a teatralidade tecida pelas forças dos deuses, heróis e mortais, construindo sempre a catarse social, que embora preenchida de elementos míticos, falavam simplesmente da existência humana. Foi assim na Idade Média com a teatralidade cristã com sua dogmática ‘orientadora’, mas que não impediu o desejo se fazer especulativo e preparar o acontecimento Iluminista. Foi assim na modernidade com o engendramento do capitalismo, a queda da nobreza e a ascensão da burguesia industrial e o capital financeiro. Foi assim, e é assim, a teatralidade que se confunde com a arte dionisíaca, pois conta sempre com os negócios de todos os homens que vão além dos “negócios do senhor Júlio César”, como escreve Brecht.

POBRE DO POVO QUE NÃO TEM TEATRO, MAS POBRE AINDA

É O POVO QUE PRECISA TER TEATRO PARA SER POVO

O teatro, como arte, não é nada mais do que a existência do homem posta em um plano duplicado: o homem se observando como produto social de si mesmo. O homem sujeito-examinador de sua obra. Livre das enunciações e designações mistificadas. Aí a necessidade do teatro como instância educativa capaz de tornar o público sujeito-ativo de sua própria história. Observando, examinando e em seguida transformando as contradições que encontrou em sua análise sobre o objeto que lhe foi dado a agir, ele passa, então, a produzir seu próprio texto, a teatralidade-ética de seu Bem Coletivo.

Eis tudo que os governos tiranos não pretendem para que o povo não tenha de si um entendimento de sua condição social em sua terra. E assim, seja fator fácil de aprisionamento pelos perversos interesses destes tiranos. Já que povo que não reflete sobre si mesmo, não conhece seus inimigos e muito menos sua potência criadora capaz de tecer sua própria cartografia de desejos constitutivos de uma história livre.

É desta forma que o povo se isola em si mesmo, sem suspeitar que a dor que sente em sua solidão doméstica (sua casa) passeia pelas ruas produzidas pelos governos que lhe querem como vítima. Isolado, o povo, quando caminha pelas ruas, não vê o texto que lhe escreveram para interpretar sempre como mero coadjuvante, cujo final é sempre previsível: sua dor, desespero, sua desilusão com o existir. Daí sua fuga para o misticismo alucinante.

Manaus tem ruas, mas não tem teatro. As ruas de Manaus são vias de devaneios da classe média que contracena com alguns ditos artistas, apêndices dos governos vampirizantes. Manaus é uma terra que não é fácil para a democracia: não tem teatro. E a democracia só se faz com teatro. Como também a filosofia que pensa a democracia. Que digam os gregos. O simulacro de teatro em Manaus são algumas peças alienadas para embalar bocejos do indiferentes.

É isto que os inimigos da democracia querem. Enquanto não houver teatro na rua, não haverá povo-politizado. E povo não politizado é um “bem” para os tiranos.

AMAZONINO CASSADO TENTA ESCAPULIR DO TSE

do site do TSE

Empossado por liminar na prefeitura de Manaus, Amazonino Mendes recorre de cassação de seu registro

11 de março de 2009 – 11h36

Chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recurso do prefeito eleito de Manaus (AM), Amazonino Mendes (PTB) e de seu vice, Carlos Souza, contra sentença da juíza de primeiro grau que cassou o registro de candidatura dos eleitos por compra de votos e gastos irregulares de campanha. Amazonino e Souza acabaram tomando posse, em janeiro de 2009, amparados por uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amazonas.

Depois que foram condenados, os candidatos recorreram da sentença mas, segundo relatam ao TSE, a juíza não analisou o recurso por considerá-lo intempestivo e protelatório. Recorreram, então, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amazonas , que permitiu a posse dos dois, por meio de liminar, e determinou à juíza que analisasse o recurso da defesa. Mas, de acordo com os advogados, a juíza simplesmente “se negou a acatar a ordem emanada pela instância superior”.

No recurso ao TSE, o candidato afirma que, além de ter sido arbitrariamente cassado, teve seu direto de recorrer negado pela juíza. A defesa de Amazonino afirma que o recurso ajuizado contra a decisão de primeira instância – chamado de embargos de declaração, foi apresentado dentro do prazo, uma vez que o candidato não foi intimidado pessoalmente da decisão e o advogado intimado pela juíza não atuava mais no caso – razões pelas quais não teria começado a correr a contagem do prazo para a interposição de recurso, afirma.

Assim, por considerar que não houve citação válida, a defesa de Amazonino Mendes e Carlos Souza pede que o TSE determine à juíza de primeira instância que receba e analise os embargos apresentados contra a sentença que condenou os eleitos. O pedido será analisado pelo ministro Marcelo Ribeiro (foto).

Processo relacionado: Respe 35497

Para ter um resumo dos percursos da cassação de Amazonino e seu vice Carlos Souza, e também sobre suas peripécias para ludibriar a Justiça eleitoral, clique ao lado na Campanha Constitutiva pela Democracia Eleitoral.

AS CIÊNCIAS NO CASO DA MENINA INDÍGENA QUE TEVE A PERNA PICADA POR COBRA

No início de janeiro deste ano, uma índia de 12 anos, pertencente a uma aldeia da etnia Tukano, do São Gabriel da Cachoeira, deu entrada no Hospital João Lúcio por ter sido picada na perna por uma cobra jararaca. No dia 13 de janeiro, parentes da menina ligaram para o Ministério Público Federal no Amazonas relatando que no dia seguinte (14) seria feita, às 8h da manhã a amputação da perna por cirurgia, devido à perna apresentar necrose irreversível, segundo médicos. Como os índios parentes da menina eram contra a amputação devido a determinadas crenças indígenas, imediatamente procuradores do MPF/AM visitaram a menina e recomendaram expressamente que nenhuma intervenção cirúrgica fosse realizada sem que lhes fosse comunicada. E, no dia 15, o MPF/AM recomendou ao hospital que permitisse paralelamente ao tratamento médico o tratamento por práticas tradicionais de saúde tukanas, conforme recomenda a Constituição Federal, a convenção 169 da OIT e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.

Em recomendação, o MPF orientou a direção do hospital que garantisse um quarto individual para que o tratamento indígena fosse feito junto com a terapia médica comum; que fosse permitido o livre acesso e a permanência no hospital de um pajé e seus assistentes; respeito aos métodos medicinais do pajé, assim como alguns pedidos feitos por ele, como a proibição da entrada de mulheres grávidas e menstruadas no quarto.”

Como os familiares da menina perceberam resistência do Hospital João Lúcio em cumprir o recomendado, retiraram-na de lá e transferiram-na ao Hospital Universitário Getúlio Vargas. A menina, que estava subnutrida e com parte da perna acometida de necrose, passou a ser tratada pela medicina alopática à base de antibióticos e outros medicamentos e por rituais e medicamentos tradicionais indígenas. A partir daí a menina passou a melhorar até mais rapidamente do que o previsto pelos médicos. Até sua alta ontem, dando continuidade com os tratamentos agora somente em casa.

MEDICINA INSTITUÍDA E MEDICINA INDÍGENA

O que escapa desse caso para uma discussão ético-científica medicinal é o embate que houve entre dois saberes separados pelo discurso oficial e pela pragmática constituída. De um lado, uma medicina científica, baseada em técnicas estudadas especializadamente, utilizando instrumentos especiais e medicações quimicamente formuladas e produzidas. De outro, uma medicina muito mais antiga, repassada continuamente durante toda a existência de um indígena, acompanhada de crenças milenares, com medicações produzidas naturalmente, tão científica quanto a outra.

O caso aparece como prática de resistência da medicina popular e indígena diante da medicina constituída oficialmente. Há um certo momento de imposição de um saber considerado “científico”, que passa a atuar como se tivesse se auto-originado, como se não tivesse advindo das relações entre homens em culturas vivificantes de conhecimentos, como as dos chamados índios e negros, por exemplo. É aí que saberes como a medicina operam a separação entre especialistas (médicos “donos da vida”) e a população, destituindo esta de seus saberes que poderiam ajudar aquela em muitos casos que a ciência oficial não compreende e não consegue resolver isolada do mundo, como salienta a procuradora Luciana Portal Gadelha:

O sucesso do ‘diálogo intercultural’ depende de uma efetiva tentativa de comunicação entre as partes (família, pajé e equipe médica do hospital), sem compreensões e visões de mundo pré-definidas, colocando-se cada qual no lugar do outro, ou seja, diálogo com o pressuposto da igualdade entre as culturas indígenas e do homem branco ocidental.”

Leia aqui na íntegra a notícia do MPF/AM.

KINEMASÓFICO

AFIN – Associação Filosofia Itinerante

enuncia

Planos-Sequência Kinemasófico

Kinema_Pele_de_Asno8 por você.

PELE DE ASNO

de Jacque Demy

pele de asno 2 por você.

Dando continuidade às atividades do Kinemasófico, neste domingo (08 de março), batemos um papo com as crianças sobre Planos.

Kinema_Pele_de_Asno2 por você.

Os trabalhos foram iniciados com o Tio Biscoito explicando o que são planos, vários tipos de plano. Neste momento houve a participação de todos.

Kinema_Pele_de_Asno3 por você.

Para uma das crianças o plano é o “desenvolvimento da câmera”, como a câmera se mexe e mostra os pedaços das pessoas e das coisas…

Kinema_Pele_de_Asno4 por você.

Kinema_Pele_de_Asno5 por você.

Enquanto alguns encenavam outros participavam como a câmera …

Kinema_Pele_de_Asno15 por você.

Kinema_Pele_de_Asno6 por você.

A demonstração do plano destaque após o exercício de imaginação com os participantes.

Kinema_Pele_de_Asno7 por você.

Em seguida, com a ajuda do Biscoito e do Vinícius, os diversos tipos de plano…

Kinema_Pele_de_Asno9 por você.

Kinema_Pele_de_Asno10 por você.

Após a atividade foi exibido o filme Pele de Asno, de Jacques Demy (França, 1970), Catherine Deneuve (Pele de Asno), Jacques Perrin (O Príncipe), Jean Marais (O Rei), Delphine Seyrig (A Fada Madrinha).

Kinema_Pele_de_Asno13 por você.

Kinema_Pele_de_Asno14 por você.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.240.729 hits

Páginas

Arquivos