Arquivo para 22 de março de 2009

O FILÓSOFO E O CASAMENTO

Nos cortes e nas disjunções filosóficas, sempre saltam corpos a serem liberados, ou liberados. Tudo que nós nunca sabemos no que vai se tornar.

Assim insistindo – movimentando-se – certa vez, encontrávamos em um campo de enunciações filosóficas um companheiro que alguns cronos não víamos. Ele se aproximou contente, falante, narrando sua existência sobre o que fez durante o hiato que nós não nos víamos, e entre sua narrativa familial, disse, orgulhoso, que havia casado com uma filósofa.

Depois de algumas enunciações filosóficas saltou um dizer que pode ser extraído, dependendo de quem extrai, da obra filosófica “Metafísica do Amor”, do alemão Schopenhauer, que nos conduz à ordem intelectiva de que só quem conhece os meandros do amor, suas ilusões e certezas, é o filósofo, e só ele poderia ser feliz no casamento, mas os filósofos não casam.

Já em repouso as enunciações filosóficas, o companheiro se aproximou, não mais exuberando alegria, mas em um rosto preocupado, e fez um comentário dizendo que se o filósofo Schopenhaeur estivesse certo ele encontrava-se duplamente em dilema, ou duplamente logrado: sua mulher não era filósofa, ou então não havia casado, já que sua mulher era uma filósofa.

Tentando uma possibilidade de melhor compreensão, percorremos névoas de dizeres que pudessem lhe acalmar, afirmando que quem falara fora um homem, e não uma mulher. Nisto, ela sendo uma filósofa, embora casada, não o tratava como marido. Por isso, entre os dois, só ela, sem ilusão, era feliz

Então, ele sorriu desconfiado, olhou para o teto da sala, e partiu.

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

SOMOS TODOS HOMOS. MAS SOMOS TODOS CONSUMO?

Somos todos homos, na medida em que somos da mesma espécie. Carregamos uma herança genética que, se do ponto de vista biológico, nos diferencia e nos torna únicos, do ponto de vista da biologia das populações, nos coloca a todos no “mesmo barco”, indistintamente.

Daí a necessidade de um entendimento das coisas para além do Si. O “EU”, este estranho objeto que me retorna uma imagem que tomo como minha, mas que na realidade sequer sei de onde vem, não pode estar desconectado do plano coletivo, a que chamamos social.

Não pode não por um impeditivo de ordem ética ou moral, mas porque é indissociável ontologicamente deste. O “EU” é um produto, uma produção estética, que carrega signos, dizeres, saberes, enunciados, e por vezes é carregado por estes.

Uma criança, que mostra-nos, diria Hannah Arendt e Belchior, “que o novo sempre vem”, tem que lidar, sem que a sua tecnologia cognitiva esteja já madura, com uma série de enunciados, de orientações, de interdições. Expectativas, frustrações, desejos contidos, vontades irracionais, a criança nasce num contexto que não compreende, mas que irá carregar, quiçá, pelo resto de sua existência: “que querem de mim meus pais, a família, a sociedade? A que vim?”.

Carregada de dizeres que não são seus, a criança cresce, e se não é estimulada (ou se não se estimula) a suspeitar daquilo que diz, ou que lhe dizem, passa a incorporar os signos que lhe rodeiam, sem um exame crítico. Não se tem, para isso, que ser culto ou carregar informações de cunho do verniz intelectual: suspeitar é um a-posicionar-se, um movimento contínuo e incapturável, um modo de ser.

Assim nascem o preconceito, a discriminação, a homofobia, a xenofobia, a dor como produto do social, o culto à morte, a depressão, o medo cotidiano. Males do social dito pós-moderno. Numa analogia um tanto desproporcional, é como uma grande indigestão, a impossibilidade de digerir e produzir algo a partir daquilo que se consome. O modo de ser é então um modo de consumir? Não por acaso, a sociedade atual é chamada por alguns estudiosos de sociedade de consumo. E eles não se limitam a falar do modo de produção capitalista no seu aspecto “material”, mas fala-se em consumo como aceitar uma pré-produção do Ser, como se isso fosse possível.

O chamado ‘mundo gay’, esta expressão, também está carregada deste consumismo, que é muito mais danoso do que sonha a nossa vã sociologia. Não se trata de combater o consumismo à maneira de um Greenpeace, por exemplo. Não se trata de boicotar a Coca-Cola ou o McDonald; trata-se de criar um modo de existir onde estes produtos não precisem ser boicotados, por não serem sequer necessários.

O homoerótico tem uma vantagem em relação aos chamados outros: ele já exercita a suspeita. Ou pelo menos deveria, já que é colocado numa posição de outsider no plano da sociedade. Ainda assim, essa posição tem cada vez mais perdido terreno para um consumo “gay”. Mas este consumo terá efetivamente alguma diferença em relação aos clichês do consumo comum? Se não houver, não está valendo.

Um dos trabalhos de uma educação, uma pedagogia de libertar os fluxos criadores do corpo, inclui discutir estes padrões de consumo, para além da sociologia da produção da mais-valia tradicional, e embarcando numa análise ético-estética dos modos de existir que a sociedade do consumo material e imaterial produzem. E nesta batalha, os gays têm um trunfo, meu bem. Aproveite-mo-lo!

Ui! E agora vamos ver outros sopros gays (ou não) que passaram no nosso Mundico! A Louca!

Φ CANDIDATO HOMOERÓTICO CONCORRE À PREFEITURA EM CIDADE DO MÉXICO. Nem só de exército zapatista vive a força revolucionária do México. Em Guadalajara, o Partido Social Democrata lançou como candidato à prefeitura o ativista Miguel Antonio Galán Reyes, 31 anos, lindo e engajado. Reyes lançou a primeira rádio com temática gay do México, e afirmou que, se for eleito, vai priorizar os problemas sociais, dentre eles o da homofobia. O governo nacional mexicano é de direita, e já se declarou contrário à união civil e à promoção dos direitos gays. Embora tenha pouquíssimas chances de ser eleito, menos por sua orientação sexual/erótica do que pela pouca popularidade de seu partido, a candidatura de Miguel é revolucionária, porque traz à lume a questão gay em um país que tem tradição em revoluções populares e defesa dos direitos humanos. Sentiu a brisa, Neném?

Φ SOBRE CLODOVIL E ‘MILK’. Para quem pode estranhar o silêncio desta colunéeeeeesima sobre os dois temas LGBT “do momento”, Clô e Harvey Milk, um toque e duas sugestões. Clodovil não pode ser entendido pelo padrão de militância: ao seu modo, ele trouxe à baila muitos dos temas que hoje são discutidos abertamente. Inteligentíssimo, sacou muito, mas dividiu pouco. Milk, obra do cinema como movimento intensivo do olhar dessemiotizado da câmara de Gus Van Sant, desmonta os clichês e faz mais em um fotograma pela causa gay do que todos as simulações de beijo da novela das 22h, sonho de consumo dos gays interditos. Para quem ainda não leu, sugerimos as textualizações “A Diagramação da Imagem-Gay ‘Milk’, de Gus Van Sant”, e “Clô, Além dos Íntimos”, deste bloguinho. Um arraso da razão afetivo-afetante! Sentiu a brisa, Neném?

Φ MINISTÉRIO DA CULTURA LANÇA EDITAL DE FOMENTO A INICIATIVAS LGBT. O Ministério da Cultura lançou nesta semana o edital de apoio à iniciativas de divulgação e de envolvimento social com a temática LGBT. O objetivo do programa é “Fortalecer as organizações sócio-culturais LGBT, conhecer e divulgar as ações culturais dessas instituições, apoiar iniciativas de afirmação de orientação sexual, identidade de gênero e da cultura da paz que contribuam para o combate à homofobia e mapear essas organizações”. E quem pode partchipar, beetchia??? Calma, Beth, calma, nós explicamos. Podem participar instituições e iniciativas que rolaram ou rolam entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2009. Serão premiadas até 54 iniciativas, sendo duas por Estado, no máximo. Podem se inscrever ONG’s que existam há pelo menos 3 anos e que realizem trabalho com a temática durante o período indicado pelo edital. Nós sempre dizemos que o que vale é fazer um trabalho que enfraqueça a subjetividade homofóbica e que amplie a consciência coletiva no plano da diversidade e pluralidade. Se for possível unir o útil ao agradável, né maninha, uóoooltimo! Vamos lá, prepare o seu material e vamos à luta! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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