Arquivo para 7 de abril de 2009

PARA ALÉM DA DISCRIMINAÇÃO DISANGÉLICA DA CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS, A UTILIDADE PÚBLICA DAS AMAZONAS ÀS PROSTITUTAS DE MANAUS

Os corpos maus do Estado sem métodos e sem regras violentam a natureza humana (Deleuze), enrijecendo-se no preconceito, na discriminação, exclusão, prevalecendo a violentação que os corpos reativos buscam impingir aos outros para salvaguardar a sua falsa Lei moral. Assim pode ser entendida a posição reacionária (e poderia ser diferente?) da Câmara Municipal de Manaus ao negar para AS AMAZONAS – Associação das Prostitutas do Amazonas o certificado de Utilidade Pública.

Aí é hora de outros corpos entrarem numa proximidade que aumente a potência de um corpo de agir e entre num processual para construção de uma potência maior, democrática (Spinoza). Foi nesse sentido que a AFIN fez um Manifesto, e que também, na bela tarde do domingo passado, foi até a sede d’As Amazonas e lá conversou com Sebastiana, sua coordenadora, que falou sobre a história e o trabalho d’As Amazonas, analisou o ocorrido na CMM, discorreu sobre a hipocrisia da classe política, fez denúncias e, principalmente, demonstrou sua capacidade racional de perceber as questões sociais e políticas com lucidez, ao contrário dos vereadores, que são eleitos e pagos pela coletividade, a quem deveriam servir, independente de credo ou qualquer outra particularidade, de forma ética e imparcial. Mas aí já é querer demais do atual quadro da CMM; por isso, é melhor ouvir quem sabe do que está falando. Com vocês, Sebastiana…

Arquivo d'As Amazonas

A atual diretoria d'As Amazonas. Sebastiana, 3ª da direita para a esquerda.

As Amazonas faz parte da Rede Brasileira de Prostitutas. Em vários estados tem associação. Eu fui em um encontro agora em dezembro, no Rio, para o 4º Encontro de Prostitutas, e havia lá representados 17 estados. A nossa associação surgiu meio que por acaso. Dentro da nossa associação, nós somos 8 da diretoria, e o nosso estatuto exige que todas as mulheres da diretoria sejam mulheres prostitutas. Então, entre as prostitutas, a maioria das mulheres são leigas nesses assuntos, a maioria não conhece esse lado. Inclusive eu, que hoje sou a coordenadora, eu não conhecia nada. Aí veio um pessoal do Pará, o GEMPAC – Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará, aqui em Manaus, eles foram nos pontos de prostituição e nos conhecemos. Eles vieram fundar essa associação aqui. Eles vieram, deram esse passo muito importante, mas entregaram e foram embora, e a gente ficou sem saber como que fazia, por onde ia começar, todas essas questões burocráticas. Saímos procurando saber das coisas pra ver como é que a gente ia agir. Fizemos reunião com a diretoria, estudamos o estatuto.

A TEMÁTICA PÚBLICA DAS AMAZONAS

Aqui em Manaus, a prostituta precisa de um órgão que proteja ela. A gente tenta combater a prostituição infantil. Combater a prostituição infantil e dá proteção àquelas mulheres que já estão lá, esse é o nosso trabalho em primeiro lugar. O nosso interesse é prevenir (olha, isso aqui tudo é preservativo). Basicamente a gente trabalha com três temas: História de Vida, Direitos Humanos e Prevenção. Esse título de utilidade pública ia ser (e vai ser, porque a gente vai lutar ainda) muito importante. Ia facilitar pra gente ter, exigir alguma ajuda. Os vereadores disseram lá que nós já temos ajuda do Estado. Que ajuda? A única ajuda que nós temos é somente os preservativos, que nós entregamos duas vezes por mês, 60 preservativos para cada menina. Nós temos 321 mulheres cadastradas. A gente precisa de ajuda pra expandir nosso trabalho, porque o horário que a gente mais trabalha é depois das 9h da noite. É a hora que elas saem todas pra rua. Fizemos o mapeamento dos principais pontos. E, aliás, dentro de Manaus, em qualquer esquina você encontra menina se prostituindo. E não tinha ninguém que se manifestasse, que desse uma palestra, e esse é o nosso trabalho. A gente precisa fazer alguma coisa, porque está se expandindo demais. Você sai de madrugada, depois de meia-noite, a cidade está empestada de prostitutas, e esses vereadores não olham por esse lado. Por isso, essa utilidade pública ia ajudar a gente, porque a nossa intenção é montar uma cooperativa, colocar essas mulheres pra fazer curso profissionalizante, pra elas aprenderem a fazer alguma coisa pra ter seu dinheirinho próprio, inclusive, se for o caso, não precisar vender seu corpo. Essa é a nossa intenção. Mas todo mundo nos enganou.

A CMM E A INFRAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS

Nos enganaram de todo jeito, deixaram a bancada evangélica passar por cima de nós. Eles jogaram a nossa associação na rua e passaram todos eles por cima. Não fizeram um trabalho detalhado pra conhecer As Amazonas, levaram assim pro plenário, votaram, e nós ficamos no chão, sem o menor direito de defesa. Eu não estou querendo nem mais receber aqueles papeizinhos que os evangélicos distribuem nos ônibus. Eles não podiam usar a religião pra isso. A igreja católica mandou um documento pra nós dizendo que eles não são contra não. Eu até tenho uma reportagem aí de um padre repudiando esse preconceito dos evangélicos. Eles usaram a religião deles pra nos prejudicar. Dizendo eles que estão em defesa da sociedade. Eu acho que uma mulher prostituta também é da sociedade. Só que ela é excluída. Por isso a gente tem de lutar: pra incluir ela na sociedade. Eu já corri lá com a SEJUS, com a Dra. Michelle, pra perguntar se os Direitos Humanos não vão se manifestar. A gente pode não saber muita coisa, mas sabe que estão fazendo uma coisa muito errada conosco. Ela nos disse que segunda-feira ela iria chamar a imprensa pra dar uma coletiva, que os direito humanos vai se manifestar. Eu disse: “É, doutora, a senhora leu os jornais? Tem palavras lá horríveis que eu nem tenho coragem de falar. Temos que fazer alguma coisa.” Enquanto isso, até agora, As Amazonas não tem apoio de nada não. Tem um fórum aqui, um negócio de OSC-AIDS, e a gente é aliada a esse fórum, só que esse fórum não ajuda em nada. Eles fazem assim, pegam a pessoa, botam numa canoa lá no meio do rio, sem ela nunca ter remado, e dizem: “Te vira, aprende a remar pra ti chegar lá na beira.” Quer dizer, não ensina nada. E esse fórum ficou de nos ajudar, dar uma oficina, alguma coisa pra gente entender melhor como funciona uma associação. Mas eles não fazem nada disso. Aqui, até o saquinho pra botar o quite de preservativos a gente paga. Será que não tem nenhum órgão, nada que nos auxilie para que esse nosso trabalho não acabe, que se desenvolva. Por isso que a utilidade pública era muito importante pra nós.

O RABO-DE-ARRAIA DA CLASSE POLÍTICA

Quando iniciou As Amazonas eu não queria, teve uma coordenadora antes de mim, eu era secretária financeira, mas ela não passou cinco meses. Aí elas queriam me colocar, e eu não queria essa responsabilidade de jeito nenhum. Mas foi feita uma assembléia geral, e não teve jeito, me colocaram. Nós temos a ata aí: nenhum voto contra, nenhuma abstenção, tudo a favor. Aí eu tive que ficar, e eu digo: “Eu tenho que lutar pra não acabar essa associação.”

Aqui em Manaus já teve um sindicato das prostitutas. Agora, como é que tinha um sindicato, se a profissão não é legalizada? Na mídia, pra todos os efeitos, esse sindicato funcionava, e nunca funcionou de verdade. Tem uma mulher chamada Yara Negrão. A Marize Mendes me falou que entregou uma casa com documentação e tudo para o sindicato das prostitutas. Essa casa pertence às prostitutas. E o que essa mulher fez? Ela botou a família dela pra morar lá. Até hoje a família mora lá; e até hoje as mulheres cobram isso, que essa casa é delas. Nós fomos lá com a Marize Mendes e dissemos: “Nós queremos uma sala pra trabalhar.” E ela nos disse: “Como é que vocês querem uma sala se vocês tem uma casa.” Foi aí que nós soubemos da história. Ela fundou uma associação, essa Yara Negrão, pegou verba da Marize Mendes e do Amazonino no nome da mulherada todinha. As meninas são revoltadas por causa disso, porque ela pegou uma ficha, saiu pegando nomes das meninas, xerox dos documentos todinhos. Nós estávamos lá na reunião, quando o Amazonino era governador, e ele assinou o cheque pra elas, e a Marize Mendes montou essa casa desde a máquina de lavar pra essas mulheres. Ela [Yara Negrão] saiu vendendo tudo; eu acho que ela só não vendeu essa casa porque ainda não deu pra vender, e não fez nada pelas mulheres. Até hoje elas são revoltadas por causa disso. Nós fomos atrás de resolver isso. “Se a casa é das prostitutas, entregue pra elas, que elas sabem o que fazer. Elas não vão fazer casa de moradia não. Elas vão fazer alguma coisa que seja útil pra todas elas. Agora, na campanha da Marize Mendes, ela nos prometeu reaver essa casa, tinha mais ou menos umas quinhentas mulheres, com filho e tudo, porque ela levou uns brinquedos, já que era dia das crianças. Fomos falar com a Mariza Mendes, já que a casa foi doada pras prostitutas, porque não entregar pras prostitutas? Eu fui lá ver a casa. É perfeita pra se montar uma creche, pra botar as crianças, os filhos delas. A casa tem quatro banheiros, várias salas, dava pra fazer ali uma boa casa de apoio pra essas mulheres. Ela prometeu que se ela não conseguisse reaver essa casa, ela ia dar uma outra. Aí a Marize Mendes vinha enrolando a gente, que ia resolver. Agora é que ela não vai resolver mesmo, que ela até votou contra nós. Logo ela que veio até nós pedindo voto, a maioria de todas essas mulheres que fazem programa votaram nela. Ela prometendo que ia dar uma casa pra nós trabalhar. Ela prometeu no meio de umas 500 mulheres num comício, e agora ela diz “não” até pro nosso projeto. A gente não ia nem precisar de utilidade pública, se a gente tivesse um local pra trabalhar. Parece que agora está na Justiça, porque tem aquele negócio de uso capião. Essa casa aqui é minha, aqui era onde eu dormia, o meu quarto, eu tive que colocar lá pra trás pra ceder esse pedacinho aqui pra botar as coisas, receber alguém. A gente tem vontade de ter uma casa de apoio pra ajudar essas mulheres, porque tem mulher que dorme na rua, tem mulher que não arranja o dinheiro pra pagar o seu ônibus pra voltar pra casa, tem mulher que passa fome, porque não tem dinheiro pra comprar o seu almoço. Eu sei, eu vejo isso de perto.

A VISIBILIDADE DO TRABALHO SOCIAL DAS AMAZONAS

O que aconteceu? Eles não aprovaram o nosso projeto, quando foi no outro dia eles aprovaram o deles. Eu acho que a gente vive num mundo cheio de injustiças, de desigualdade, hipocrisia, tudo de ruim tem, e aqueles lá de dentro são os piores de todos. Eu me sinto tão feliz quando eu faço uma reunião, dia 26 foi o aniversário das Amazonas. Cada uma deu um bolo, um guaraná, botamos uma velinha, batemos palma, conversamos bastante, e você vê o interesse daquelas meninas. É uma questão social muito séria, e as autoridades viram as costas? Dentro da Rede Brasileira tem várias associações que já são utilidade pública. A Gabriela Leite, que é da Rede Brasileira, ela é desse tamanho, mas é valente, se for possível ela briga até com o Papa, e ela tá na luta pra legalizar essa profissão. Eu falo pras meninas nas reuniões: “Não dou dois anos para a profissão de vocês estar legalizada. E quando estiver legalizada, vocês vão ter os direitos de vocês garantidos. Aqui mesmo nos interiores, em Itacoatiara, Manacapuru, aqui do lado de Manaus, têm associações de prostitutas, e tudo é bem organizado. Só é aqui que eles estão botando essa dificuldade. Eu faço um ofício pra essas secretarias aí, eles negam, na maioria das vezes não mandam nem resposta. “Espera, que nós vamos ligar”, mas essa ligação nunca é feita. Eu não gosto de ficar adulando muito essas pessoas não. Poxa, estão vendo que a gente está fazendo um trabalho social, de utilidade pública mesmo. Não querem ajudar. De um ponto de vista foi até bom ter acontecido isso na Câmara Municipal, porque tem divulgado bastante a nossa associação. Na verdade, prejudicou mais a eles do que a nós.

A LINHA CONTÍNUA/ATUAÇÃO DAS AMAZONAS

as-amazonas-02Foi o que eu disse ao jornal. Eles tinham que sair lá de dentro do plenário e ir pras ruas. De 9h da noite em diante. Eu tenho o mapeamento, não de todos, porque é demais. Eu conheço meninas que tem marido. O marido fica com os filhos em casa e elas vão pra rua ganhar dinheiro pra levar pra casa. Eu conheço mulheres que não gostam de ser filmadas, de aparecer, porque ninguém sabe que ela é prostituta. Eu conheço mulheres que sustentam quatro, cinco filhos com esse trabalho delas. Tem homem que quer fazer filho, mas não quer assumir. E tem muitas mulheres que levam isso como um trabalho mesmo, sério. Eu faço reunião de quinze em quinze dias com elas, pra orientar elas de como usar o preservativo, como falar com seus clientes, não mexer nas coisas dos outros. São duas coisas que ninguém aceita dentro da nossa associação: mulheres que roubam e que usam drogas. Esse negócio de violência contra as prostitutas tinha muita. Eu andei fazendo umas reuniões aí com as meninas. Vão orientando os homens que saem com vocês: “Agora nós temos uma associação, qualquer coisa a gente dá parte de vocês.” Tem a Lei Maria da Penha. Lá no Centro, naquele box policial, nós fomos falar com o sargento pra corrigir mais os policiais dele, porque eles estavam maltratando as mulheres lá. Agora os policiais já tratam as mulheres de outro jeito, com mais respeito. Eu tenho percebido que não acabou, mas mudou um pouquinho. Porque tinha gente que só de olhar para uma prostituta dava pra perceber o desprezo. Agora, não é mais tanto assim. Devagarinho a gente vai mostrando, com muita luta a gente consegue integrar essas mulheres na sociedade. Agora, os vereadores é que não estão conseguindo entender. Eles falaram de uma cláusula do nosso estatuto que, segundo eles, nós estamos incentivando à prostituição. Eu li o estatuto de novo e não vi nada disso.

Eu sei que mexer com as coisas das prostitutas é polêmico, mas a gente tem que mexer, a gente tem de correr atrás dos nossos direitos. Elas exigem muito da gente, e isso é bom: “E aí, quando é que vai ter reunião.” Essa semana elas me aperrearam muito, querendo saber sobre esse projeto na Câmara Municipal. Eles só sabem reprovar os nossos projetos e não nos ajudam em nada. Eu tenho aí 60 cartas de meninas, 60 depoimentos. Todas elas pedem trabalho. Nós fomos às ruas perguntar o que elas queriam/precisam de mais necessário para a vida delas: só pedem emprego. Graças a Deus, em relação a saúde, está tudo bem. Nós fizemos uma pesquisa agora daquele auto-exame de HIV, levamos 200 mulheres para fazer o exame. Graças a Deus, não deu nenhuma positivo. Pra você ver que o vírus da Aids não está dentro da prostituição. Ele deve está para algum outro lado.

O nosso trabalho é muito importante, e vamos continuar. A Weydman me falou que vai dá entrada na utilidade pública da associação dos gays (AAGLT). A gente vai se unir aos gays, e quando eles derem entrada nos projetos deles, nós entramos também. Nós vamos nos juntar e perturbar mais ainda.

PATOLOGIA SOCIAL SE EVIDENCIA NOS IRMÃOS SOUZA, SEGUNDO DEPOIMENTO DE ‘MOA’

O capitalismo, em sua organização semiótica, suas relações de força e de tensões, é um regime patológico e produtor de patologias. Sobretudo as de caráter psiquiátrico. O modo de produção que exclui a diversidade e captura as produções semióticas, submetendo-as à sua lógica paranóide produz no social determinados tipos de comportamentos absolutamente nocivos à coletividade, e que são tomados muitas vezes pela psiquiatria como patologias individuais, mas que na realidade são sintomas de uma sociedade produtora de doença.

Ao tomarmos como matéria de observação os depoimentos do ex-segurança dos irmãos Carlos (vice-prefeito de Manaus, sub judice) e Wallace (deputado estadual) Souza, que construíram carreira através de programas televisivos de exploração da miséria social, Moacir, o ‘Moa’, preso pela polícia federal por tráfico, percebemos a patologia social se manifestando e se evidenciando, a despeito das tentativas midiáticas para ocultação, incluindo aí a estreiteza intelectiva sempre presente no analismo político de jornais e programas de tevê.

Moa teria afirmado, segundo trechos de depoimentos que foram disponibilizados à imprensa, que o filho de Wallace, Rafael Souza, já indiciado em mais de 12 processos na polícia civil, e investigado pela PF, tem ligações íntimas com o tráfico, e esteve envolvido nas últimas execuções de traficantes na cidade. Ele sustenta ainda que Rafael não age sem prévia assunção do pai.

Interessa-nos, do ponto de vista de um exame do grau de periculosidade social deste tipo de enunciação, sublinhar a linha de atuação dos irmãos Souza em seu programa, para compreender que a questão é ainda mais grave do que a existência de parlamentares envolvidos diretamente com o crime organizado.

No início do programa, o viés policialesco – que não é invenção dos dois – suplantou o da exploração da miserabilidade econômica, a compaixão social, também uma espécie de patologia do capital. O policialesco evidencia, neste caso, o patológico, na sua vertente individual (quando se perde o contato com o real e já não há suporte epistemológico, desaparecendo o si e o outro):

No início: o acompanhamento de batidas policiais, plantões em delegacias, exposição de presos e detidos ao escárnio televisivo. Evidência do uso dos próprios medos como suporte a um mundo circundante tomado como ameaçador. Assim, por exemplo, a criança que não obteve o suporte necessário ao estabelecimento de afetos e sua distribuição na relação com o outro, acaba compondo com outras instâncias como a Lei, a Ordem, elementos abstratos de garantia e segurança ficcionais, do plano da fantasia. Para ocultar o medo, travestem-se de corajosos. Mas ainda estão no plano do real, ainda elaboram os signos no plano do real.

A busca pela audiência: houve um ponto em que essas incursões “evoluíram”, e os irmãos Souza – com a conivência do governo do Estado – passaram a realizar eles próprios batidas policiais, sem no entanto possuir o poder de polícia. Daí, passar para a famosa frase “permissão para matar”, prática a que se refere Moa em seus depoimentos, quando afirma que o programa era justificativa e se alimentava de casos de traficantes presos e mortos, na realidade, concorrentes dos Souza. Aqui as engrenagens do capital se coadunam com as patologias sociais. A máquina de corte do lucro compõe com a máquina de corte (in)desejante. Jamais, sem um suporte de outras instâncias do poder público (não falamos aqui de omissão, mas de participação ativa), dois apresentadores de tevê, plantonistas de porta de delegacia, conseguiriam status de comando, não de direito, mas de fato, das polícias. Sem a participação do executivo, estadual e municipal, do legislativo e do judiciário, os irmãos Souza jamais conseguiram chegar ao grau de envolvimento com os chamados poderes de estado que ora têm, um vice-prefeito, um deputado estadual e um vereador.

Simulacros e Simulações: eles passam a simular crimes e ameaças, como um sequestro, no qual Wallace Souza oferece o filho, Rafael, para troca de reféns, e que na realidade não existiu. No plano da satisfação do delírio tanático/paranóide, o real já não satisfaz. Não se trata aqui de mera busca pela audiência, mas de realização do ideal paranóide: a aniquilação do real.

Desterritorialização do Real – O Significante Despótico: no programa, as cenas são cada vez mais grotescas. Execuções, corpos dilacerados, um inimigo agonizando durante dois minutos, em pleno horário de almoço na tevê amazonense. ‘Moa’ afirma que os dois minutos do inimigo agonizando exibidos no programa faziam parte de uma filmagem em que ocorreram dez minutos de tortura, todos filmados pela equipe dos Souza. Rafael costumava colocar a fita e assistir por vezes seguidas, afirmando que a cena lhe dava profundo prazer. O desaparecimento do real no plano psiquiátrico se evidencia, a patologia se estabelece. O hiperreal se estabelece. A telinha cor-de-sangue engole a família Souza.

A questão; como é possível que toda uma estrutura de governo seja mobilizada por interesses patológicos de ordem psicopática? Não devem faltar, convenhamos, pontos de conversão. Ou como afirma a sabedoria popular, travestida em frase-clichê do cinema hollywoodiano: não se fica rico sem deixar para trás um armário cheio de cadáveres e uma turma de comparsas.

Nenhum estupor ou surpresa se justifica no caso dos irmãos Souza. Menos ainda, suspeitas de envolvimento de instâncias ainda superiores. Na máquina de corte semióticos do Capital, as patologias se compões, em iguais. O caso é muito mais grave do que quer parecer os inúmeros inquéritos e processos arrolados. Trata-se da evidência de uma estrutura de governo infiltrada no Estado, e que o confirma como patologização da existência, num plano onde a política como práxis do homem em coletividade é apenas um espectro, sem nada guardar com o seu objeto real.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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