Arquivo para 17 de abril de 2009

RÉQUIEM PARA TEREZA: UMA FUNCIONÁRIA PÚBLICA

Amanhã, sábado, dia 18 de abril, na Igreja de Santa Terezinha na Rua Duque de Caxias com a rua Sete de Setembro, será celebrada as 19 horas a missa pela passagem do falecimento da ex-funcionária pública da Fundação Tropical Medicinal Tropical,Tereza Guedes de Oliveira ocorrido no dia 13 do presente mês.

Seus familiares, amigos da instituição Hospital Tropical e mais funcionários de outras instituições públicas, afetados dolorosamente pela causa do falecimento, convidam à todos que queiram participar deste ato religioso para estarem presente na referida Igreja.

Na ocasião alguns presentes irão expressar um ato solidário quanto a condição das administrações impostas aos funcionários públicos que não compõem a alegria do trabalho coletivo fundamental para a eficácia do atendimento público. A Ética Pública. Fator social da existência das instituições como órgãos do Estado cujo organismo constitucional tem como único fim a realização dos direitos dos cidadãos em sociedade.

A REPERCUSSÃO DA MORTE DE TEREZA

Todas as mortes ocorrem em um território com estados de coisas e enunciações definidas. Elementos corporais e incorporais que afetam todos aí constituídos. Porém, embora toda morte seja morte do homem, há mortes que em função de suas causas, e de seu entendimento, afetam apenas grupos reduzidos de pessoas. Mas há mortes que, também, em função de suas causas e de seus entendimentos, afetam grupos outros. São mortes que não ficam apenas no território particular de seu acontecimento. Se desdobram como acontecimento social por que entrelaçam-se com outros signos sociais e compõem com outros entendimentos das multiplicidades dos desejos, saberes e quereres que constituem uma sociedade. Este foi o acontecimento morte de Tereza, uma funcionária pública.

Em função de sua causa, a morte de Tereza não se reduziu à uma comunicação familiar. A morte de Tereza ultrapassou as relações familiares e os muros da instituição Fundação Medicina Tropical, onde trabalhava. O anúncio de sua morte chegou à outros territórios. Chegou na UFAM, na Assembléia Legislativa, junto aos professores, médicos, alunos, onde o serviço público se manifesta como compromisso social através das práxis dos funcionários públicos.

Desta forma, abstraída do conceito morte individual, a morte de Tereza, se enuncia, hoje, como um corpus público.

ENUNCIAÇÃO DE UM MÉDICO SOBRE A MISSA

Entre as manifestações de solidariedade para com Tereza, chegaram até este bloguinho intempestivo estes dizeres remetido aos interessados do Hospital Tropical pelo médico Wornei Silva de Miranda Braga, funcionário da Fundação Medicina Tropical.

O que vai com a Tereza/

Vai um pouco da História que poucos ainda se lembram!

Vai o sentimento do Tropical que resta em poucos,

O que fica depois de Tereza?

Ficam os comensais que entraram pela janela, sem concurso e sem história!

Fica a sina de uma Tirania que não conversa mas acusa e pune.

O que virá depois de Tereza?

O serviço Impessoal das clínicas privadas?

Um outro Tropical?

Fica com Deus e em Paz!

Zela por nós. Próximas vítimas?

Adeus”.

A MEMÓRIA EMBRANQUECIDA DOS JORNAIS DE MANAUS

É preciso fazer o julgamento da mídia. Sua atuação não é ideológica, é funcional”, afirma o filósofo Baudrillard. Funcionamento como tempo real que desatualiza a memória embranquecida como névoa virtual de imagens-lembranças, como afirma o filósofo Bérgson. Campo desativado como rastros do irreal.

Este o destino da mídia de mercado. A mídia que oscila de acordo com a oferta presente do mercado para seu funcionamento. Se amanhã os interesses do mercado são outros – mesmo só em aparência – também serão estes os interesses da mídia.

Se em uma democracia são os fatos compossíveis que nutrem a liberdade da potência constituinte do Bem Comum, então, são eles os corpos históricos que alimentam os processuais políticos. São eles que saltam como memória coletiva vibrátil e criadora. Não como forma de cerimonial compulsivo do passado, mas como princípio imanente, corpus de relação transcendental, da produção social. Nada de memória desativada como dança macabra das imagens lembranças que não servem à experiência do novo.

Como vetor de informação de agenciamento social da comunicação, um jornal tem como práxis precípua o serviço público, como afirmou o insigne juiz De Sancits. Uma disciplina cívica, para o jornalista Ignácio Ramonet. O que torna crível para seus leitores que seu proprietário tem entendimento necessário do público e do privado como instâncias democráticas. O entendimento de que sendo uma empresa privada, é certo que torna-se fonte de renda deste proprietário para mantê-la e arcar com seus compromissos econômicos, principalmente juntos com seus funcionários. Por sua vez, o entendimento do que é público faz dos interesses democráticos da população a matéria de seus conteúdos expressos como importância coletiva. Uma lógica simples: o proprietário lucra democraticamente. Sua empresa jornalística segue o que é tido como realidade democrática. Não coloca pessoas, grupos ou instituições acima de sua potência democrática. Neste compromisso a memória se faz sem ser uma recurso psicológico da vontade, mas como duração. O que está sempre presente como satisfação no cotidiano da coletividade. Um jornal ontologicamente democrático.

Em Manaus, como em todo Brasil, a mídia tem a memória embranquecida (ou amarelecida como suas páginas sensoriais – papel – e virtuais – tela). O julgamento do filósofo Baudrillard desnuda a simulação que se quer realidade modelar de jornalismo democrático. O embranquecido, lutando para se tornar tempo real pelos truques da memória psicológica, cai fragmentado nos tentáculos do mercado funcional.

É assim que, quando em Manaus um jornal pretende comemorar sua cronologia, pouco elementos afetivos/cognitivos democráticos se prestam ao substrato natalício. Os jornais desta Manaus sempre estiveram juntos aos grupos governantes e grupos de empresários. Por tal fato a população ao analisar atuação anti-democráticas de certos governantes, não encontra nestes jornais uma cumplicidade social onde possa manifestar suas análises. O fato escabroso que têm momentos de homogeneidade destas empresas: todas iguais na mesma ordem. Todas encontram-se com os mesmos patrões.

Mas há momentos irônicos: um jornal não está cooptado (termo muito usado no tempo da ditadura, bela lembrança!). Enquanto os outros estão coesos aos governantes, um se desliga. Não se sabe a intenção. Mas se desliga. É o que está acontecendo neste momento em Manaus. Uns, loas ao prefeito cassado Amazonino e ao governador Eduardo Braga, e, este, postura próxima à democracia que interessa ao leitor. O que não assegura que esta atitude democracia jornalística vai perdurar, e se fazer uma memória não embranquecida pela lógica da funcionalidade capitalista que se faz tempo real. O lucro.

A EMERGÊNCIA QUE O GOVERNO BRAGA NÃO VIU

A palavra ‘emergência’ carrega no seu sentido etimológico uma aproximação com a palavra acontecimento. No plano filosófico, emergência significa a irrupção, a visibilidade de elementos que estavam atuando, e no entanto ainda não se faziam visíveis. Eles se fazem assim quando as composições afetivas-afetantes se combinam num estado de coisas que literalmente emergem (emergência) no plano da existência.

No social, uma emergência surge como vetor resultante das diversas recorrências que perpassam o plano social em uma época. Algo emerge como figura, e que antes não se dissociava do fundo. Mas já estava lá como possível ou como recorrência: o devir histórico (Foucault).

Daí, politicamente, só se constituir verdadeira emergência um acontecimento que surja das atuações das pessoas em coletividade, corpos afecções sociais, democráticos e que aparecem numa visibilidade pública como produto da razão e do diálogo. Daí, por exemplo, a alcunhada crise não ser, para a esquerda, uma verdadeir crise. Não houve recorrências, não houve correlação de forças nem modificação no estado de coisas.

O mesmo vale para o estado de emergência decretado pelo governo Braga em todo o Amazonas, por conta da cheia. Não há emergência alguma no plano social, já que a ação do governo Braga, bem como de seus antecessores, já carregava, em sua imobilidade, como existente, esta cheia. Apenas a natureza, que nada tem com isso, posto que não é da alçada do humano, demasiado humano, fez a sua parte, com o aumento do nível de precipitação atmosférica. Mas as condições para que este aumento se transforme em catástrofe social não são naturais, são produto da relação do homem com o chamado ambiente. E, principalmente, destes governos, que não souberam fazer a leitura das recorrências, que desaguaram na miséria social, na falta de moradia, de saneamento, de desenvolvimento econômico com distribuição de renda. As verdadeiras emergências das quais a cheia não é senão uma consequência.

MUTIRÃO CARCERÁRIO DO CNJ EM MANAUS

Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões e começou a bradar: ‘Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos’.” (Padre António Vieira, Sermão do Bom Ladrão)

Ninguém é ingênuo (muito menos no conceito de Friedrich Schiller) para entrar em conformidade com a teoria do bom selvagem, de Jean-Jacques Rosseau, mote do sensabor Romantismo brasileiro: “Todo homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe.” Por outro lado, haverá alguém que de tanta imbecilidade maniqueísta seja capaz de dizer que os homens são in natura maus, devendo, portanto, ser segregados e controlados?

Ao contrário da possibilidade de ambas imbecilidades citadas acima, a quantidade de presos e os tipos de presos que contêm uma sociedade demonstram o quanto esta sociedade é tirânica, sendo esta tirania ditada (no caso de ditadura militar, por exemplo) ou disfarçada em falsa democracia.

No caso do Amazonas, matéria já estudada por quem está fora e vivenciada por quem está dentro das prisões, o número de presos extrapola a capacidade prisional, não somente pelo desrespeito aos direitos humanos dos detentos, mas também na postura violenta de um Estado que pratica a punição generalizada, em detrimento de gestão e serviços públicos, como forma de coibir a criminalidade.

Ao todo, segundo dados oficiais, o Amazonas tem 4.163 presos. Desses, 1.402 são condenados e 2.761, provisórios. Sabendo-se da morosidade do Judiciário e das corrupções nos tribunais e no sistema prisional amazonenses, o Conselho Nacional de Justiça – CNJ iniciou ontem um mutirão carcerário que acontecerá, além da capital Manaus, nos municípios de Coari, Humaitá, Itacoatiara, Manacapuru, Maués, Parintins, Tabatinga e Tefé, onde ocorrerá “inspeção em cadeias e a instalação de postos de advocacia voluntária. (…) Além de averiguar a situação dos processos, o mutirão carcerário também promove ações de capacitação e reinserção social dos egressos de sistema prisional”.

Para um estado onde o governador está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República por fraude bilionária em combustíveis, onde o prefeito cassado da capital assumiu a partir de liminar, onde deputado controla tráfico de drogas e chefia grupos de extermínio, onde desembargador trama morte de outro desembargador, onde as polícias são consideradas das mais corruptas do país…, afora os que estão atrás das grades com ligação com mandantes como esses “acima de quaisquer suspeitas”, é provável que o CNJ encontre apenas inocentes. O mesmo não se poderia dizer, do ponto de vista judicial, para muitos que estão à frente das grades.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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