Arquivo para 3 de maio de 2009

REDUÇÃO DA MEIA-PASSAGEM CONFIRMA QUEM MANDA NO TRANSPORTE COLETIVO E NA CIDADE DE MANAUS

O pior é que fui pego de surpresa, parece-me que divulgaram o aviso somente nas escolas públicas, como se só esses precisassem da meia-passagem.

Estava indo ao tal do novo shopping comprar o livro “C++: guia para iniciantes”, que só havia na livraria de lá. Primeiro, fiz a jogada tradicional de pegar um ônibus qualquer e descer na parada do Carrefour de flores, pois mesmo havendo duas linhas que passam pela Recife, em dias úteis só passam duas vezes por hora, e em finais de semana e feriados, pior ainda. O cobrador aceitou a carteirinha normalmente, então fui para a parte de traz do ônibus e sentei, esperando o momento de descer.

Esperei mais meia hora, passou um 212 e peguei, e a cobradora me informou da tal novidade. Havia um cartaz sobre isso no vidro do ônibus, exatamente esse comunicado acima. Apesar de não ter gostado da notícia, paguei os dois reais, afinal a cobradora só estava fazendo seu trabalho. Desci na frente do shopping e informaram-me que só estaria aberto às 2h. Frustado, voltei, peguei meu ônibus e paguei mais dois reais, afinal, sem a carteirinha eu não tinha como usar o recurso das “duas horas grátis”. Resultado: gastei cinco reais e não comprei o livro.

Agora o jeito é comprar um cartão cidadão para esses dias, como se estudar fosse na escola. O incrível é que se eu quiser fazer um curso, uma atividade extracurricular como as que tenho na escola aos finais de semana, whatever, EU TEREI QUE PEDIR AUTORIZAÇÃO PARA ESTUDAR E MELHORAR MINHA VIDA! Sem contar que isso nos “presenteará” com muitos gastos extras. Por exemplo: minha mãe, além de trabalhar no Joãozinho, no outro lado da cidade, faz faculdade e vários cursos gratuitos oferecidos pelo estado. Todo dia ela terá que pagar R$ 8,00 extras com um transporte público falido, gastando aproximadamente R$ 200 extras dos poucos mil e poucos reais que ela ganha mensalmente.

Eu poderia dizer ainda que eu poderia estar baixando gratuitamente algum livro de programação, mas estou me esforçando para reconhecer o trabalho do autor, comprando um livro original. Fica aí o protesto. (Luiz Rodrigo)

Foi de propósito a publicação, no Diário Oficial do Município na quinta-feira, 30/04, conforme noticiamos aqui no bloguinho, a emenda 059/2009 à Lomam, que regulamenta a redução da meia passagem de 120 para 44 ao mês, não podendo ser utilizada nos sábados, domingos e feriados. A pressa era para colocar já em vigor logo no dia seguinte, 1º de maio, feriado dia do trabalhador, seguido pelo final de semana.

Acontece que a presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Trânsito (IMTT), Ivete Barros, em entrevista ao jornal A Crítica, disse que o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Sinetram) não pode, mesmo com a publicação no DOM, colocar a medida em prática antes da ordem do IMTT (Instituto Municipal de Trânsito e Trânsito). Acontece ainda que a medida já está em prática desde sexta-feira, conforme relatos de estudantes, como o que colocamos no início desse texto, e também nas conversas com vários estudantes ontem e hoje.

O VERDADEIRO PREFEITO/TIRANO DE MANAUS

No final de novembro do ano passado, quando estava sendo preparada a Emenda dos Pintados, em meio a pressões do empresariado do transporte coletivo de Manaus, que queria subir o preço da tarifa, mas que não o conseguira devido às centenas de processos do dono da Transmanaus, Acyr Gurgacz, mas que mesmo assim apitava na “mais bela cidade da América do Sul”. Era quando Serafim Correa (PSB) preparava a retirada e Amazonino (PTB), embora cassado, preparava-se para entrar. Serafim assentiu a todas as jogadas dos empresários do transporte coletivo e Amazonino fazia de conta que ainda não era com ele, para logo que assumisse a Prefeitura, na pessoa do vice cassado, Carlos Souza (PP), já que o titular desapareceu, ir até o TJ-AM pedir para que a Justiça amazonense confirmasse a rasteira nos estudantes que estava em curso na Câmara e no Executivo municipais, entre elas a redução das meias-passagens. Por todos esses elementos é que dizíamos aí ainda em novembro do ano passado que o verdadeiro prefeito de Manaus era Gurgacz, que se consolida cada vez mais no poder.

A redução da meia-passagem foi um golpe do empresariado, uma vez que faz os estudantes retrocederem, quando eles já se organizavam para lutar pelo passe livre estudantil. Além de ser uma forma maior de cerceamento, a partir do direito de ir e vir, como sacou o companheiro Luiz Rodrigo, no enunciado destacado em seu comentário neste bloguinho. A questão não se reduz apenas à violentação pelo precário transporte coletivo de Manaus aos estudantes, é uma forma de estabelecer, tiranicamente, um controle biopolítico totalitário. Com a anuência da Prefeitura de Manaus, da Câmara Municipal de Manaus e até do Supremo Tribunal Federal, na pessoa de Gilmar Dantas, Gurgacz controla o transporte coletivo, a forma de ensino, as especializações trabalhistas, enfim, a existência de todos os estudantes da cidade.

A luta das entidades estudantis, dos estudantes como um todo, do vereador José Ricardo e do deputado Francisco Praciano em restabelecer os direitos adquiridos carrega, portanto, significados muito maiores, que são as resistências para liberar o corpus cidadão das forças que tentam submetê-lo e controlá-lo.

PARA AUGUSTO BOAL, CRIADOR DO TEATRO DO OPRIMIDO, A MORTE NÃO EXISTE

“Todo teatro é necessariamente político, porque políticas são todas as atividades do homem, e o teatro é uma delas.”

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É assim que se inicia o Teatro do Oprimido, e é assim que culminou ontem a trajetória existencial de Augusto Boal.

A sua atuação teatral, diz-se, chega a mais de 70 países, número que tende a aumentar com sua morte, uma vez que ele afigura-se entre os maiores dramaturgos citados na dramaturgia mundial: “Augusto Boal reinventou o Teatro Político e é uma figura internacional tão importante quanto Brecht ou Stanislawsky”, noticiou o jornal inglês The Guardian.

O teatro realista burguês de Stanislawsky ele conheceu quando foi estudar doutorado em química na universidade de Columbia, participando do curso de dramaturgia, tendo aulas com John Gassner, que deu aulas a Tennessee Williams e Arthur Miller.

Mas foi a partir do teatro épico de Bertolt Brecht, no Brasil, na parceria com José Renato no Teatro de Arena, que o levou a desenvolver um teatro dialético, distanciando-se completamente de todo o ranço aristotélico do teatro realista, e aproximando-se do teatro épico de Bertolt Brecht.

O que Boal observa é, da Grécia antiga até a atualidade houve nuitas degradações e que essas degradações são confirmadas (oficializadas) a partir das principais manifestações sociais, entre elas, o teatro, dada a sua proximidade com a platéia. Por isso, tenta, a partir de uma nova poética, modificar as relações entre os homens, colocando platéia ante platéia, e os atores no meio apenas como aqueles que vão ligar o homem ao homem; mas, por isso, com uma possibilidade de análise a partir da razão, levando em conta as observações exteriores das formações históricas econômicas e sociais, conforme o pensamento marxista, distanciando-se definitivamente do teatro burguês e da teoria hegeliana, ou seja, “da vontade interior e dos caracteres dos personagens”.

Nesse momento, o teatro trabalhado por Boal e pelo Arena rompe de vez com o “sistema coercitivo” de Aristóteles e a empatia entre personagens e espectadores, garantindo sempre a “delegação de poderes por parte destes que se transforma em objetos daqueles”. O que não quer dizer, no entanto, assim como em Brecht, falta de emoção: “Como não vai o espectador emocionar-se com a MÃE CORAGEM, que perde os seus filhos, um a um, na guerra? É inevitável que nos emocionemos até as lágrimas”, diz Boal.

Toda a questão do Arena está não em diminuir a emoção, mas perceber racionalmente a que ponto esta emoção auxilia na manutenção do status quo ou desequilibrar a sociedade, quando a própria essência da sociedade, o povo, passa a participar efetivamente da cena.

Nesse momento, surge o que ficou conhecido como “Sistema Coringa”, que compreende o conhecimento do corpo pelo ator, exercícios e técnicas para tornar o corpo expressivo e utilizá-lo como linguagem e como discurso. Esses estudos culminaram com o “Teatro Invisível”, que “deve explodir em um determinado local de grande influência de pessoas. Todas as pessoas próximas devem ser envolvidas pela explosão, e os efeitos desta muitas vezes perduram até depois de muito tempo terminada a cena”. O Arena realizou esse teatro em restaurantes, trens, praças e muitos outros espaços, que podem ser verificados resumidamente no livro Teatro do Oprimido.

É quando o “espectador” deixa de existir e o teatro, e já “não delega poderes aos personagens nem para que pensem nem para que atuem em seu lugar”. Teatro-Ação.

BOAL ANTES E DEPOIS DA DITADURA

Tudo isso vinha sendo desenvolvido por Boal no final da década de 60. Não deu outra, depois de se exilar na Europa, enquanto desenvolvia trabalhos em vários países da América do Sul, onde sempre tocava nas questões que diziam respeito ás torturas no Brasil. Aí é que não deu outra: ao voltar ao país em 1971 foi preso e torturado. Segundo o anedotário político-teatral brasileiro, estando Boal no pau-de-arara, o torturador o interrogava se havia tortura no Brasil, e ele respondia, claro, que não existia; mas, em momentos em que a dor não era tão forte, não conseguia segurar e não conseguia parar de rir da ironia de ser torturado para afirmar que não existia tortura no Brasil.

E a ditadura não conseguiu diminuir a ação de Boal. Antes ele já vinha fazendo trabalhos em parceria com diversas pessoas, como Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Milton Gonçalves, Vera Gertel, Flávio Migliaccio, Floramy Pinheiro, Riva Nimitz, dentre outros, com apresentação de peças politicamente engajadas, como Chapetuba Futebol Clube, Gente Como a Gente, Eles Não Usam Black Tie, Revolução na América do Sul e O Testamento do Cangaceiro, que culminou com espetáculos como Arena Conta Zumbi, já apresentados neste bloguinho, que, segundo Boal, “destruiu convenções, destruiu todas que pode”, e que foi seguida de várias outras, como Arena Conta Tiradentes.

Em toda sua trajetória existencial, de 16 de março de 1931 a 2 de maio de 2009, Augusto Boal desempenhou inúmeras atividades, entre elas, a mais conhecida é o teatro, na qual ele estabeleceu toda sua capacidade de perceber e tocar o outro com seus gestos, dizeres e afetos, como forma de agir e transformar o Outro:

Em toda a minha atividade, em tantos e tão diferentes países da América Latina, pude observar essa verdade: os públicos populares estão sobretudo interessados em experimentar, ensaiar, e se chateiam com a apresentação de espetáculos fechados. Nestes casos, tentam dialogar com os atores em ação, interromper a história, pedir explicações sem esperar “educadamente” que o espetáculo termine. Ao contrário da educação burguesa, a educação popular ajuda e estimula o espectador a faze perguntas, a dialogar, a participar.”

Portanto, a morte não existe para Augusto Boal. Enquanto houver a necessidade de realizar esse trabalho de realizar uma arte que não seja realista e chegue aos outros homens como forma de transformação das realidades artísticas-sociais, ele estará presente. E isso é um processual contínuo ininterrupto, assim como a vida, assim como Boal.

ENQUANTO MÍDIA TENTA SEGUNDA VERSÃO DA ‘FEBRE MIDIÁTICA’, MINISTÉRIO DA SAÚDE CUMPRE PAPEL E INFORMA A POPULAÇÃO

Assim como tem chamado de “crise” a falência do sistema financeiro montado nas décadas de 80 e 90 baseado em ativos financeiros insolventes, a ordem do capital, através dos seus agentes – notadamente a imprensa/mídia – tenta ocultar sintomas da patologia social do capital através do uso inadequado de nomenclaturas.

Assim, o vírus derivado da variação H1N1, chamado oficialmente de Influenza A, tem sido alcunhado como “Gripe Suína” ou “Gripe Mexicana”, tentando ocultar a sua origem no modo de produção teratogênico dos alimentos industrializados (a carne suína, bovina, de ave). Igualmente, a imprensa, tanto local como nacionalmente procuram se aproveitar para criar pânico entre a população, repetindo a irresponsabilidade social do ano passado, quando anunciou uma ‘epidemia de febre amarela’ que acabou matando mais pessoas que se submeteram a vacinação massiva do que propriamente casos da doença, no episódio que ficou conhecido como “febre midiática”.

Por conta disso, a mídia alternativa e o governo federal têm sido os principais veículos de informação segura sobre a doença. A ironia é que a porta de entrada possível para Manaus, por exemplo, são exatamente aquelas da classe média que se quer elite: aviões que vêm de Miami para Manaus com algo a mais do que mercadorias para revenda bem ao (des)gosto colonizado, ou os cruzeiros internacionais de ricos e novos-ricos que aportam no porto flutuante da cidade.

De qualquer sorte, não há razão para pânico. E como vetor itinerante dos saberes e dizeres necessários à comunalidade, este bloguinho traz abaixo o informativo do Ministério da Saúde sobre o Influenza A, alcunhado erroneamente como “gripe suína” ou “gripe mexicana”. É para ler e divulgar.

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!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

CAMPANHA PELO DIREITO À ADOÇÃO HOMOPARENTAL

Meninos e meninas, quanta coisa aconteceu no nosso mundinho essa semana! Ufa, quase acaba a tinta do laptop de tanta letrinha pra dar conta apenas de uma pequena parte, hihihihihihi…

Iríamos dar início ao nosso papo sobre sexualidade, identidade e homoerotismo, mas pintou a convocação do companheiríssimo Toni Reis, nosso presidente, para aderir à campanha de obtenção de assinaturas para pressionar pelo direito à adoção homoparental, que está sendo ameaçado por um projeto de lei. E como nós adoramos dar pinta, né… A lôca!

Bom, antes de apresentar pra vocês o texto que apresenta a campanha, queremos dar um pitaco, que nós somos pitaqueiras, né guria!

O fato é que não há evidências científicas de que uma criança educada por um casal homoerótico vá se “tornar” homoerótico também. Se a fórmula fosse matemática, não existiriam homoeróticos, já que todas as crianças – crê o enunciado homofóbico – nascem e crescem em ambientes heterossexuais. Portanto, não há como cientificizar essa discussão a favor da penalização dos casais: tudo o mais é moral. E uma moral laminadora, um enunciado intercessor, censor. E se por um acaso fosse verdade que um casal homoerótico geraria filhos homoeróticos? Qual o problema? A fuga da norma? A homofobia se mostrando sem disfarce, na realidade. A sexualidade como enunciação de controle da existência e dos corpos, exatamente o que iremos tratar aqui em nossa série de artigos. Mas não vamos nos antecipar, voltaremos a este assunto com mais calma. Por ora, e por uma questão de aumentar a potência ativa da comunalidade LGBT, fiquem com o texto (longo, mas interessantíssimo) sobre a adoção homoparental, e no finalzinho, não esqueçam de clicar para assinar, bonecas!

Conseguimos algo que todos achavam que seria impossível”, comemorou Edson Torres, após o juiz da Vara da Infância e da Juventude de Ribeirão Preto, Paulo Cesar Gentile, conceder em janeiro a guarda definitiva de quatro irmãos a ele e a seu companheiro, João Amâncio. O casal está junto há 17 anos e há três tinha a guarda provisória das crianças, que viviam em um abrigo da cidade paulista desde 2003, quando foram abandonadas pelos pais biológicos.
Histórias como a dos cabeleireiros Edson e João, que apenas recentemente começaram a se tornar realidade no Brasil, costumam chamar a atenção e causar reações conservadoras. Apresentado em dezembro de 2008 na Câmara dos Deputados,
o PL 4508/2008, de autoria do deputado Olavo Calheiros (PMDB/AL), visa justamente a proibir a adoção de crianças por casais homossexuais.
De acordo com o documento, a adoção poderá ser formalizada “apenas por casal que tenha comprovado o casamento oficial e a estabilidade da família, sendo vedada a adoção por homossexuais” . Em sua justificativa, o deputado argumenta ser necessário proteger a criança adotada da possível exposição a situações que possam interferir na sua formação, acrescentando que “toda criança deve ter direito a um lar constituído de forma regular, de acordo com os padrões da natureza”.

Autora da tese de doutorado “Nós Também Somos Família: estudo sobre a parentalidade homossexual, travesti e transexual”, a antropóloga Elizabeth Zambrano (UFRGS) critica o uso de argumentos sem suporte científico para dar embasamento ao projeto. Segundo Elizabeth, os resultados de um grande número de pesquisas, nas áreas da Psicologia e Ciências Sociais, realizadas em diferentes países desde a década de 1970, mostram que crianças vivendo em famílias homoparentais apresentam um desenvolvimento equivalente ao daquelas que vivem em famílias heteroparentais. “As diferenças que podem vir a ocorrer são dependentes das capacidades parentais dos cuidadores e não das suas orientações sexuais”, afirma.

A antropóloga também chama atenção para o fato de que, caso seja aprovado, o PL 4508/2008 impedirá que crianças que se encontram em abrigos institucionais sejam acolhidas por lares que efetivamente as desejam. “O projeto deixa sem a proteção do Estado crianças que já vivem em famílias homoparentais e impede que outras cresçam com amor e cuidados que, dificilmente, as casas de abrigo institucional podem oferecer”, lamenta.

De fato, este não é um dado que deva ser desprezado: existem no país hoje cerca de 80 mil crianças em instituições como estas. Mas, segundo a desembargadora aposentada Maria Berenice Dias, advogada especializada em Direito Homoafetivo, o interesse desses casais geralmente é por crianças pequenas, ficando à deriva aquelas que já não se encaixam neste perfil.
“A procura desses casais, que freqüentemente não conseguem ter filhos, é por crianças que sejam a sua imagem e semelhança. Este é um assunto cercado de muitas frustrações e mascaramento. Vários sequer contam sobre a adoção, pois não querem que os outros saibam que não cumpriram com esta ‘obrigação social’, que é ter filhos”, observa.

Por outro lado, casais homoafetivos impõem menos restrições quando dão entrada em um processo de adoção. Nesse sentido, Maria Berenice revela que os cabeleireiros Edson e João, que adotaram quatro irmãos com idades entre 12 e 06 anos, não são uma exceção.

No caso dos homossexuais, como está muito flagrante que o filho não é deles, eles não têm esse tipo de preocupação. Eles são tão alvo de preconceito que não têm preconceitos na hora de adotar”, explica. Assim, muitas crianças que não se enquadram no que seria o “perfil” privilegiado por casais heterossexuais – seja por questões de cor/raça, idade ou pelo fato de terem irmãos (já que a preferência, na Justiça, é pela não separação das crianças, o que muitas vezes gera desinteresse por parte dos adotantes) – possivelmente não teriam outra chance de ter um lar.

A questão, na opinião de Maria Berenice, é que os legisladores estão preocupados principalmente em agradar o eleitorado, que é majoritariamente heterossexual. O conseqüente descaso em relação aos interesses das minorias explicaria a elaboração de um projeto como o PL 4508/2008 que, na análise da desembargadora, é “de uma inconstitucionalida de flagrante”.

Há um princípio que veda o retrocesso social: a lei não pode retroceder. E esse projeto vai contra esse princípio. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) admite a adoção por pessoas sozinhas, sem restrição à orientação sexual”, afirma. “Além disso, a família não é constituída exclusivamente pelo casamento. Até 1967 era assim, mas a Constituição atual não diz isso. O conceito de família abrange tanto o casamento, como a união estável e a família monoparental, também sem qualquer restrição quanto à orientação afetivo-sexual de quem a compõe”.

O advogado Enézio de Deus, autor do livro “A Possibilidade Jurídica de Adoção Por Casais Homossexuais” , também não manifesta dúvidas em relação à inconstitucionalida de do projeto. No artigo Adoção Homoafetiva e Inconstitucionalida de, publicado no site do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), o advogado argumenta que família “não se trata de um dado biológico/natural, mas de uma realidade afetiva (teia intersubjetiva) cultural e plural – com variadas formas de composição, dentro das quais não existe padrão de ‘regularidade’ ou de ‘normalidade’”. Enézio argumenta ainda que a orientação afetivo-sexual das pessoas é um direito fundamental, personalíssimo de todo indivíduo, e que não deve servir como critério para vedar o exercício de um outro direito, qual seja, o de adotar.

Na opinião de Maria Berenice Dias, o PL 4508/2008 é, na verdade, uma “artimanha” para tentar arquivar o PL 2285/2007, ao qual foi apensado. Com efeito, no início de março foi solicitada a desapensação do projeto que veda a adoção por homossexuais, mas o pedido foi negado esta semana pela Mesa da Câmara, sob a alegação de que ambas proposições tratam de assuntos conexos.
O PL 2285/2007, apresentado pelo deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), cria o Estatuto das Famílias , documento elaborado pelo IBDFAM e que resulta de uma ampla revisão da legislação brasileira que trata das relações familiares. “Vimos que seria mais adequada a confecção de um estatuto autônomo, desmembrado do Código Civil. Não é mais possível tratar questões visceralmente pessoais da vida familiar valendo-se das mesmas normas que regulam as questões meramente patrimoniais, como propriedades, contratos e demais obrigações”, explica o advogado Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do instituto. “Ocorre que várias manobras legislativas tentam distorcer o Estatuto das Famílias”.

Crítico ao projeto apresentado pelo deputado alagoano, Rodrigo lamenta que, na maioria das vezes, a moral prevaleça sobre a ética no momento de se aprovar ou não determinada lei: “Se pensassem simplesmente pelo viés da ética, projetos considerados polêmicos envolvendo questões de família e sexualidade seriam aprovados. Entretanto, esses parlamentares trazem consigo, em sua história pessoal, em sua subjetividade, a sua moral particular”, observa, acrescentando que a aprovação do PL 4508/2008 representaria um retrocesso em relação aos avanços já conquistados no Judiciário.

Com efeito, a jurisprudência brasileira já reconhece a união homoafetiva como entidade familiar. Em 2008, informa Rodrigo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão paradigmática ao recomendar que ações que envolvem o direito homoafetivo sejam julgadas em varas familiares e não em varas cíveis.

Até então, a união homoafetiva era vista como uma sociedade de fato, ou seja, um ‘contrato entre sócios’. Com essa decisão de vanguarda, há a possibilidade de o Judiciário admitir a união entre pessoas do mesmo sexo, atribuindo todos os efeitos decorrentes dessa relação”, esclarece. No que diz respeito especificamente à adoção por casais homoafetivos, alguns tribunais estaduais, acompanhando o avanço das demandas sociais, também chegaram a consenso sobre o tema. É o caso do Rio Grande do Sul, um dos estados mais progressistas em relação ao tema. Lá, os magistrados entendem que, sempre que forem cumpridas as exigências sócio-econômicas e psicológicas comuns aos heterossexuais, a adoção por casais homoafetivos será concedida.
Tal consenso contribuiu para que os casais passassem a se candidatar à adoção de forma conjunta. Antes, para tentar escapar do preconceito, muitas pessoas se submetiam ao processo sozinhas. Esta solução, no entanto, acabava trazendo danos à criança:

Só um se submetia às avaliações e tinha obrigações em relação à criança, quando na realidade ela iria morar com os dois e criaria vínculo afetivo com os dois”, afirma Maria Berenice Dias. “No caso de morte do adotante, a criança tornava-se órfã e no caso de separação do casal, não havia obrigação do pagamento de pensão”.

Segundo a desembargadora, a jurisprudência deferindo a adoção por homossexuais no Rio Grande do Sul data de 2006 e casos como estes são tratados diariamente nas Varas de Infância e Juventude. Apesar de acreditar que exista um número significativo de adoções homoparentais no estado, Berenice afirma ser impossível quantificá-las, pois nas situações em que a vara habilita a adoção pelo casal e não são impetrados recursos, o processo não chega ao Tribunal de Justiça.

Frente à reação conservadora do deputado, instituições e pessoas ligadas às Universidades e aos movimentos sociais de defesa dos direitos humanos formularam um abaixo-assinado em repúdio ao Projeto de Lei nº 4508/2008.

CLIQUE AQUI PARA IR AO SITE E PARTICIPAR DO ABAIXO ASSINADO CONTRA O PL 4508/2008.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gays (ou não) que passaram no nosso Mundico! A Lôca!

Φ SUEC@S JÁ PODEM SE CASAR NO CIVIL, E EM BREVE, NO RELIGIOSO. A partir desta sexta-feira, dia do trabalhador, os suecos e suecas que quiserem contrair matrimônio legalmente constituído civilmente já podem fazê-lo. Como? Cumprindo os mesmos requisitos que casais héteros: lá o casamento é “neutro”, não estabelece o gênero da parceria ou dos parceiros, tá pra ti. A lei foi aprovada no último dia 1o de abril, e já está em vigor. No religioso, falta o consenso entre os bispos da igreja luterana, que congrega 70% dos suecos. O detalhe fica somente por conta da discordância do uso da palavra “casamento” e do tipo do ritual a ser usado. No mais, está garantido o sonho de quem queira ser também abençoado pelos ditos representantes de papai do céu. A Suécia se junta ao seleto grupo de países gay friendly, e é destino certo para o turismo arco-íris. Vencemos mais uma, baby! Sentiu a brisa, Neném?

Φ VI SEMINÁRIO LGBT NO CONGRESSO NACIONAL. No próximo dia 14 de maio, a ABGLT, Projeto ALIADAS, CEPAC e a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT promovem na Câmara dos Deputados o quinto seminário LGBT. Dentre os assuntos que serão discutidos, estão os PLC 122/06 (criminalização da homofobia) e 072/2007 (adoção do nome social), além do projeto de lei 4914/2009, que trata da união civil. Importantíssima a participação de quem pode comparecer e discutir essas questões. É bom lembrar que políticas públicas só se fazem com cobrança e participação popular, e que de nada vale reclamar do governo se você, baby, não faz a sua parte, tá? Mas a gentche sabe que as loucas que andam por aqui são todas engajadíssimas, e que estão com os babados sobre cidadania LGBT todos em dias, sacando tudo e discutindo as questões. Portanto, quem puder ir à Brasília e participar do evento, está valendo! Sentiu a brisa, Neném?

Φ CNBB SE PRONUNCIA A FAVOR DE SACERDOTES GAYS. SERÁ? O vice-presidente da CNBB, velho conhecido dos amazonenses, o arcebispo de Manaus, Dom Luís Soares Vieira, sempre pacífico/passivo nas discussões políticas na cidade, afirmou anteontem, no encerramento da 47a Assembléia Geral da entidade, que a igreja aceita sacerdotes homossexuais, desde que cumpram a lei do celibato clerical. Tentando ser simpático, tio? Na realidade, não há nada de novo na fala de Dom Luís: a questão, como já dissemos aqui, não é de discriminação pura e simples, mas de instâncias de controle das produções estéticas do corpo e do uso dos prazeres, independende da orientação sexual. A frase do arcebispo, portanto, não tem nada de revelador ou de moderno. Apenas reafirma a dogmática da igreja. Nada de comemorar. A frase é emblemática, como diria os enólogos: ela evidencia o que já sabemos. Eles precisam mais de nós do que nós deles. Sentiu a brisa, Neném?

Φ CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA É REALIDADE NOS EUA. Na última quarta-feira, 29, foi aprovada pelo congresso estadunidense a Lei Federal de Prevenção aos Crimes de Ódio. A partir dela, em todo o território dos EUA, crimes que tenham como motivação gênero, orientação sexual e deficiência terão penalidades próprias. O presidente Barack Obama pediu um esforço conjunto entre situação e oposição para a aprovação da lei. Também conhecida como Lei Matthew Sheppart, ela teve origem no brutal assassinato do jovem Matthew, em 1998. Matthew foi encontrado desfigurado e em estado de coma, amarrado a um poste na cidade de Laramie, a 30 milhas de onde morava, em Wyoming. O assassinato rendeu até pronunciamento do então presidente, Bill Clinton, mas a lei só pôde sair do papel depois dos obscuros oito anos Bush. Que no Brasil, onde a cada dois dias um homossexual é violentado e/ou assassinado por motivos homofóbicos, a lei também, em breve, possa se tornar realidade. E mais que isso, que a cultura xeno/homofóbica se enfraqueça cada vez mais, através do surgimento de linhas intensivas desejantes da diversidade. Para isso, todos nós somos importantes, baby. Faça a sua parte. Sentiu a brisa, Neném?

Φ TRAVESTI É ESPANCADO E MORTO EM MANAUS. No último domingo, a travesti Britney (Renato Dantas), 23 anos, foi perseguida por um grupo de pessoas, espancada, e morta ao tentar fugir. Segundo as versões que chegaram a este bloguinho, Britney estava em uma parada de ônibus quando o seu acompanhante, que diziam ser um namorado, numa briga, começou a gritar, fingindo estar sendo assaltado por ela. Cerca de 20 pessoas então começaram a espancar Britney, fazendo com que, na tentativa de fuga do linchamento, desesperada, ela batesse a cabeça na parede de uma casa, num beco próximo ao igarapé de São Jorge, e morresse antes que o socorro chegasse. O suposto namorado está foragido. Há um componente homofóbico sim, na história. Pergunta-se: será que a população teria corrido para agredir Britney se ela não fosse travesti? O componente do ódio à orientação sexual está presente, mesmo que veladamente, no caso. A questão agora é cobrar da secretaria de segurança e das instâncias de direitos humanos uma resolução para o caso. Alô, alô, Weydman, Nery, Michelle, Camilinha… Vamos nessa pela justiça! Sentiu a brisa, Neném?

Φ NÚMERO DE CONTRATOS DE UNIÃO CIVIL EM MANAUS É PEQUENO. Esta semana, a repórter Renata Magnenti, do Diário, realizou um trabalho jornalístico nos cartórios de notas de Manaus, e constatou que, nos últimos cinco anos, apenas 6 contratos de união civil foram realizados. Manaus dispõe de 9 cartórios de notas, mas apenas no 2o, 5o e 9o cartórios existem contratos de tal natureza. A questão é saber porque a procura é tão pequena, se considerarmos que a população que se assume homoerótica em Manaus supera os 200 mil. O contrato, embora não seja casamento ou união civil de fato, é um recurso jurídico que auxilia em caso de necessidade, na falta de um dos parceiros, em geral, quando a família tenta se apropriar dos bens construídos dentro da união homossexual. De qualquer sorte, vale uma campanha de divulgação e esclarecimento sobre este direito, enquanto o PLC 072/2007 não vem. Que tal a idéia, baby? Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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