Arquivo para 2 de junho de 2009

A COPA EM MANAUS E A SABEDORIA DO VISITANTE

Os ditos populares são sabedorias. Sabedorias saídas das experiências do sujeito do conhecimento, ou do sujeito da imaginação. De qualquer plano, são presentes passados que, como sabedorias, pouco valem para a experiência do novo. Entretanto, é a “condição quase negativa que possibilita a experiência que escapa à história” (Deleuze). É preciso uma sabedoria, ou mais, para se fundar o novo. Se a sabedoria não serve ao novo, pelo menos serve à análise comparativa entre o que não é, mas quer se passar como sendo. E um sendo necessário, quando é apenas o malogrado.

Conta uma sabedoria popular, também erroneamente, conhecida como senso-comum, que quando alguém visita uma cidade desconhecida, mas pretende ter desta cidade, no momento que chega, informação ampla e real, deve tomar três endereçamentos:

Visitar o mercado para conhecer tanto os preços das mercadorias quanto os hábitos alimentares dos habitantes desta cidade.

Visitar a biblioteca para conhecer a prática intelectual da cidade e seus personagens.

Ler um jornal para conhecer o presente da cidade e os conteúdos que geram as informações.

A COMPREENSÃO DO VISITANTE SOBRE MANAUS

Carregando seus referencias urbanos, o visitante sai do mercado compreendendo um pouco dos nossos hábitos alimentares, e muito certo que Manaus é uma cidade carente de alimentos, onde os preços dos alimentos que restam são inacessíveis aos assalariados. Sem eufemismo: os pobres. Nisto, ele entende a falta de uma administração pública que tenha o entendimento e o envolvimento com o fator básico da vida: os alimentos.

Saindo da biblioteca, ele concebe a limitação da prática intelectual refletida no acervo literário e nas consultas diárias com seus temas banais. Além de perceber o grau de alienação na maioria das obras dos ditos escritores amazonenses, onde predomina uma fauna e flora destituída do real, povoada de espectros de índios, caboclos e mestiços produzidos pela imaginação-supersticiosa aprisionada no mítico mistificado.

Afastando-se de uma banca de jornais, ele carrega um jornal que decidiu comprar, entre os outros, porque fora atraído pelo emblema: “De mãos dada com o povo”. Imaginando que este jornal, comprometendo o conceito povo, poderia melhor lhe apresentar a cidade. Leu o jornal e percebeu que a maioria das informações locais eram tendenciosas publicidades dos governos municipal e estadual. Visitante de várias capitais, lembrou o Jornal Pequeno de São Luís. Jornal independente, engajado, sem freios em suas redações, jornalistas e repórteres servis. Jornal pesadelo dos Sarneys e sua trupe. Carta Capital, Caros Amigos, entre poucos no Brasil.

Leitor crítico, no sentido grego da palavra crítica, o sentido apanhado por Marx, sabe que não houve escolha, e muito menos disputa, para que Manaus fosse indicada sede da Copa. Sabe que nem o governador e nem o jornal A Crítica que não antecederam ao capitalismo tiveram qualquer participação para a decisão da FIFA cujo presidente Blater imagina ser Belém cidade do Nordeste, e seu Conselho Geral acredita que o Amazonas é a Amazônia , mas tão somente a Coca-Cola e a Sony, juntamente com um grupo de empresários das transnacionais que não sabem se a bola de futebol é circunferente, circular ou redonda. Leitor, também da História do Brasil, de Nietzsche, de Freud, logo entendeu porque tanto ufanismo irmanado com o governador e servidores. Lembrou do Grão-Pará, dívida freudiana que certos amazonenses nunca conseguem pagar tal o grau de afetos rancorosos. Razão da fálica ab-reação psicanalítica com ilustração de paraense chorando, e o jornal gritando em desatino: “Vencemos!” O visitante pergunta: “Venceram o quê? Venceram quem? A Copa vai criar uma Manaus-Paraíso Popular? Vai mudar a miserável condição em que vive o povo?” “Tanto ressentimento”, balbucia o visitante, e completa, nietzscheano, “o ressentimento é uma das facetas do ódio”.

Depois de perambular pelas ruas de Manaus, e conversar com alguns moradores, o visitante parte. Se a sabedoria popular não lhe serviu para novas experiências, permitiu-lhe comparar a cidade das “amizades do lucro”, com outras cidades tristes do Brasil. Além de lhe imprimir um temor pela história de Manaus feita na ótica daqueles que se querem autoridades, mas atuam pela impulsão e não pela Razão. O ser da autoridade democrática.

Se o visitante soubesse um pouquinho mais do jornal em sua relação com o governador, veria o quanto esta sociedade tem de patética. Veria que todo este ufanismo telúrico é frágil e irreal. Bastaria ele conhecer uma edição especial do jornal publicada com página preta, em “Luto”, como protesto contra este mesmo governador, Eduardo Braga, que naquele momento era tido como adversário, da mesma forma como era o prefeito cassado, Amazonino, hoje em parceria junto aos propósitos das alienígenas empresas e a classe média ignara. Veria que as “mãos dadas com o povo” é um simples lecton. Uma enunciação cujo significado real encontra-se diluído na figura Copa do Mundo como necessária ao povo. Então, diria: “O povo só precisa de sua própria mão”.

DESAPARECIMENTO DE AVIÃO REVELA A AUSÊNCIA DO REAL NA MÍDIA

Quando o avião da Air France desapareceu em alto mar, sem deixar vestígios que pudessem revelar o seu paradeiro, dois sistemas constitutivos da chamada pós-modernidade foram ameaçados: a onisciência/onipotência/onipresença da teletecnologia e a força de mobilização midiática.

Para além da dor e angústia (reais) dos parentes e amigos dos passageiros, existe uma máquina de produção do hiperreal que move suas engrenagens na tentativa de cobrir o rasgo epistemológico que ocorre diante de tal acontecimento.

A imprensa trabalha produzindo decepção: termo usado pelo filósofo das velocidades, Paul Virilio, para designar a produção de saberes que tem por objetivo menos informar que ocultar. Contraprodução de informação, ausente dos elementos de ordem sígnico-cognitiva que permitiriam aos espectadores, telespectadores e leitores formarem uma sentença a partir dos fatos.

Para isso, se utiliza do aparato tecnológico que dispõe: imagens “em tempo real”, produção de dizeres em cascata, superposição de imagens e som em sequência ultrarrápidas, adesivação de valor pseudocientífico aos dizeres através do “especialismo midiático” – o exército de especialistas sempre prontos a opinar sobre quaisquer assuntos onde quer que esteja uma telinha – cortes e sequências de cenas em formato de filme de ação hollywoodianos, montagem da reportagem em formato filme estilo suspense (nada de Hitchcock), a telinha pulsante transbordando um real “mais real do que o real” (Baudrillard). A tensão emocional pasteurizada procura produzir no espectador uma sensação de dor e expectativa, uma contaminação emotiva em cadeia nacional de rádio e televisão. Tudo, é claro, entremeado pelo intervalo comercial. Parte do que a cientista social Naomi Klein chamou de “Doutrina de Choque”.

No entanto, o telespectador, sem os elementos necessários à composição neurocognitiva, é incapaz de produzir uma relação emotiva com o acontecimento. O discurso televisivo, como de resto os discursos padronizados das teletecnologias – incluindo a internet – impossibilita que o aparato neurocerebral humano consiga produzir territórios cognitivos nos quais possa se posicionar. É o criador se sujeitando à criatura. Sem os referenciais espaço-temporais necessários à produção estética (mesmo uma produção estética carregada dos códigos da loucura têm sua territorialidade e suas coordenadas, ainda que diversas do “padrão”), o discurso se torna ele próprio esquizofrenizado. Ao ponto de um apresentador televisivo, num noticiário matutino, ter ficado espantado pelo fato de um avião tão grande ter simplesmente desaparecido. O que causou numa telespectadora não capturada pela rede estupidificante a reação imediata: “o avião pode ser grande pra ele, mas no meio do mundo, é apenas um grão de areia”. Complexo de Kaspar Hauser?

Mesmo a ilusão da deusa Teletecnologia, que tudo sabe e tudo vê, não sobrevive à queda e desaparecimento de um avião no ar: no momento em que deveriam evidenciar a sua eficiência, os mil aparatos tecnológicos que circundam o globo em órbita supersônica e os nanoapatrechos do supermoderno avião que fazem tudo ficar mais fácil e automático, falharam. Naquele momento, um navio viking ou uma caravela genovesiana teriam sido mais eficazes: poderiam facilmente avistar e se aproximar do local da queda.

Enquanto a mídia produz uma desterritorialização relativa em termos de referenciais neurocognitivos, visando produzir um efeito emotivo em cascata e padronizado, consegue o efeito contrário: impossibilitados de compor afetivamente com o acontecimento, resta ao telespectador-videota o embotamento afetivo. A indiferença. Não houve queda, sequer existiu avião, da mesma forma que não se ouvem as bombas que diuturnamente explodem no Afeganistão, Iraque, Palestina, e os gritos dos torturados em Guantánamo, nas prisões secretas estadunidenses e na delegacia da vizinhança.

O que resta é um espectro da dor, culto à morte por uma instância social de uma sociedade tanática (mídia, governos), e que somente a eles pertence e diz respeito. Do outro lado, uma dor real: a dos parentes e amigos das vítimas, que sofrem uma dupla violentação, a da perda dos entes queridos, e a do uso de sua dor como móbil para o lucro.

MAIS UMA LIMINAR DE PRACIANO E JOSÉ RICARDO CONTRA O SINETRAM E A TRANSMANAUS

O deputado federal Francisco Praciano (PT) e o vereador José Ricardo (PT) continuam na luta para não permitir que o “vitalício prefeito de Manaus”, Acyr Gurgacz, presidente possa manipular informações sobre ganhos e custos das empresas de transporte coletivo de Manaus, de modo a não permitir que os empresários aumentem sua lucratividade com medidas sórdidas em detrimento da população.

Praciano e Zé Ricardo protocolaram ontem um mandado de segurança com pedido de liminar no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) para “para obrigar o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Manaus) a cumprir os artigos 181 e 258 da Lei Orgânica do Município (Lomam)”.

O artigo 181 diz que as empresas concessionárias de serviço público devem enviar todo o mês de abril de cada ano o balanço financeiro-patrimonial do ano anterior, acompanhado do balancete analítico de 31 de dezembro.

O artigo 258 diz que as empresas do transporte coletivo são obrigadas a apresentar a IMTT e à Câmara Municipal de Manaus, ao final de cada trimestre, as certidões de quitação de débitos com o ISS e INSS e todos os impostos exigidos pelo processo de licitação.

Caso não apresentem, a lei prevê punição de multa no valor de 100 (mil) UFM – Unidade Fiscal do Município – e, na reincidência, o rompimento do contrato de concessão.

Devido ao fato do Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do Amazonas) querer aumentar a tarifa de ônibus, que hoje é de R$ 2,00, para R$ 2,64, os dois já haviam recentemente, como foi noticiado aqui neste bloguinho, a partir de estudos realizados pelo auditor e economista Juarez Baldoíno, encontrado erro na planilha entregue pelo Sinetram que, corrigidos, ao contrário, fariam a tarifa cair para R$ 1,85.

Praciano ainda enfatizou a diferença entre a planilha e o balanço, afirmando que este traz mais elementos de veracidade, sendo mais difícil de ser alterado do que aquela:

A planilha é uma estimativa, mas o balanço é realidade. Queremos ter acesso aos dados do balanço para saber qual deve ser o valor da tarifa. Se os dados apontarem que dá para se manter preço ou até diminuir, vamos apresentar à sociedade essa proposta e provar matematicamente que é viável.

Além de lucidez e responsabilidade em tratar das questões públicas, Praça e Zé Ricardo vão tentando liberar, por fora da CMM Empresarial, o fluxo do transporte coletivo de Manaus da sanha do empresariado, que há décadas aperta o botão no qual os vereadores devem votar.

Estudantes Grande Passeata 19 por você.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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