BRASIL x EGITO: O JOGO E A LÓGICA DO LUCRO

O técnico Dunga e a imprensa esportiva epistemologicamente reduzida comemoram a vitória, agora há pouco, do Brasil sobre o Egito, por 4 a 3. O que é objeto da atenção e da comemoração é o placar da partida, que indica os três pontos conquistados, necessários à obtenção do título, objetivo principal da seledunga. Mas a semiótica adotada pelo escrete nada tem a ver com o futebol enquanto jogo…

Na lógica do capital, o que vale é o lucro. A qualquer preço. Por isso, o produto, no mercado capitalista, tem seu valor determinado menos pela necessidade social que se tem dele do que por uma relação de flutuações entre a demanda e a oferta. Laminado pelo valor/equivalência geral – o dinheiro, o produto deixa de ser produto, para o capitalista. Tanto faz uma cadeira, um saco de farinha, uma enfiada de jaraquis, tudo, para o capitalista, é um meio para se chegar a um fim: o lucro.

Assim, na corruptela do futebol, engendramento teratológico surgido da financeirização do mundo da bola, a que chamamos futebusiness, a lógica do lucro coaduna com a lógica do título. Igualmente, a qualquer preço.

Assim, depois de não ter compreendido a derrota de um futebol vistoso, na Copa de 1982, a imprensa esportiva e parte dos grupos econômicos envolvidos com o futebol passaram a perseguir – ainda mais vorazmente – o título mundial para o futebol brasileiro. O que culminou com o fatídico título de 1994, quando o futebol foi enterrado a sete palmos abaixo de terras norte-americanas, sob um escaldante verão, numa final, pela primeira vez na história, decidida nas penalidades máximas, depois de entediantes 120 minutos de tortura. O que a imprensa chama de consagração da geração do volante Dunga, foi na realidade o estabelecer da lógica do lucro dentro das quatro linhas. Não importa o valor em si do objeto (no caso, o futebol, como expressão lúdica ético-estética do jogar humano), mas sim a sua fetichização, transformado em simulacro do desejo territorializado na taça do mundo. Vencer uma copa do mundo de futebol, sem que nela tenha havido futebol.

TINHA UMA ESPANHA NO MEIO DO CAMINHO…

Não se trata, evidentemente, de personalizar a redução do futebol à ordem paranóide do capital, atribuindo-a à Dunga. Ele é apenas um sintoma, um corolário, resultante de décadas deste processo, que já vinha ocorrendo desde antes do tempo em que o jovem João Havelange cunhou a frase “vim aqui para vender um produto chamado futebol”. Dunga, como Parreira e tantos outros, é resultado desta subjetividade intercessora.

Não fosse a tibieza dos adversários, a seleção brasileira comandada pelo ex-volante do Internacional não iria longe. Porém, no vácuo da ausência da potência criadora no futebol mundial, sobretudo nas seleções nacionais (ainda o território onde os signos compósitos do que é o futebol em nível internacional se encontram), as vitórias – sempre com o futebol ausente – foram dando um status de grande empreendimento. Mesmo adversários de mesmo nível técnico (ou superior), como Argentina e Itália, pouco puderam, já que o país do belo futebol havia aprendido bem, nos 24 anos de ‘seca’ de títulos internacionais, como anular a potência do jogo em favor da lógica do lucro (=título) a qualquer preço. A Dunga non le gusta el Samba, estampou o diário esportivo Ovación, dias antes da goleada sofrida pela sofrível seleção uruguaia diante do selecionado amarelo. Nem os quatro gols contrariaram a sentença.

Se o problema da seleção uruguaia é viver à sombra da geração de Obdulio Varela, a brasileira atual é vítima do fantasma de seu passado. Embora a estrela do atual escrete, Luís Fabiano, não saiba quem foram os jogadores que levantaram a taça do mundo em 1958, não obstante eles – e o futebol mágico apresentado – existiram. Daí que o discurso de que o futebol não pode aliar beleza e efetividade ser impossível como materialização no real, e só ficar na idealização marketística.

Pior: havia uma Espanha no meio do caminho. Com um futebol exuberante, que se mostrou clubisticamente no Barcelona desta temporada, os espanhóis mostraram que é possível unir talento e eficiência, e varreram a sisudez do futebol burocrático do mapa europeu. Barcelona e Espanha têm, até aqui, como diziam os antigos cronistas, jogado por música. Tudo o que a platéia, que nada tem de passiva, queria. Os espanhóis mostraram que é possível vencer campeonatos sem abrir mão da potência ofensiva e da beleza do esporte enquanto jogo. O que menos importa é o placar, e mesmo àqueles a quem ele importa, bem, a Fúria foi campeã européia inconteste, e mesmo mudando de técnico, manteve a base e o modo de jogar. Nada a ver com o Brasil de Dunga, nem mesmo com a Argentina de Maradona, que tenta, até agora em vão, ‘espanianizar’ a Albiceleste.

Daí o placar da partida entre Brasil e Egito não refletir exatamente o que foi o jogo. Reflete o produto vendido: a vitória vendida como a essência. Mas nada do Belo futebolístico. Nem mesmo do Egito, que tem fraquíssimo time, mas que pelo menos aceitou entrar no jogo para além da lógica do lucro: correu, suou, sacrificou-se, tocou a bola e chutou quando possível, mesmo sem brilhantismo. É também uma espécie de beleza. Do lado brasileiro, a apatia predominou, e não fossem duas jogadas ensaiadas (o que seria do futebol burocrático sem as bolas paradas?), não haveria vitória. Jogo, não houve. Somente um time mostrou disposição ao embate. O outro não era time; era um produto, que bem vendido, pode garantir mais uma compra eficiente com lucro garantido: mais uma taça para o quadro.

Isso, é claro, se uma Espanha não pintar pelo meio do caminho…

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