Arquivo para 22 de outubro de 2009

“AMAZONAS, AMAZONAS”, DE GLAUBER ROCHA, NO KINEMASÓFICO

O filme sobre o Amazonas é meu primeiro ensaio em cores. Cheguei no Amazonas com uma ideia preconcebida e descobri que não existia a Amazônia lendária e mágica, a Amazônia dos crocodilos, dos tigres, dos índios etc…(Glauber Rocha)

AMAZONAS, AMAZONAS é um documentário dirigido por Glauber Rocha no final de 1965 e lançado no ano seguinte, encomendado pelo Governo do Amazonas, na gestão do historiador Arthur Cézar Ferreira Reis.

A AFIN, a partir do vetor Kinemasófico – que desenvolve todos os domingos à boca da noite um plano para crianças e adolescentes sobre técnicas e entendimentos cinematográficos, sempre seguidos da projeção de um cinema -, nesta semana que culmina com o chamado aniversário de Manaus (24 de outubro) projetou este documentário de Glauber para tecer uma discussão em torno das imagens atuais da cidade.

Já mundialmente conhecido por Deus e o Diabo na Terra do Sol, este foi na verdade o primeiro documentário de Glauber e também o seu primeiro trabalho em cores. Esteticamente inquieto e engajado politicamente, o cineasta do Cinema Novo tinha uma vida muito movimentada em viagens, publicações de livros, projetos cinematográficos e manifestos políticos-culturais.

Em novembro de 1965, durante a reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), no Rio de Janeiro, Glauber, juntamente com Joaquim Pedro de Andrade, Mário Carneiro, Flávio Rangel, Antonio Callado, Carlos Heitor Cony, Jaime Rodrigues e Márcio Moreira Alves, é preso devido a um protesto contra a ditadura militar. Pela repercussão internacional negativa das prisões, que leva os cineastas franceses François Truffaut, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Joris Ivens e Abel Gance a enviar-lhe um telegrama, o presidente Castelo Branco se vê obrigado a libertar os presos. Saindo da prisão, Glauber vem direto para o Amazonas, onde passa o natal filmando Amazonas, Amazonas.

Segundo consta, Glauber considerava Amazonas, Amazonas um filme “completamente falho”. Ele aceitara o convite mais pensando em angariar fundos para seu projeto Terra em Transe (1967) e apenas faria um documentário clássico, seguindo a visão de viajantes e naturalistas, mas ao se deparar com a realidade de Manaus e outros municípios do estado, surge a duplicação do título. Inspirado, então, em Aruanda, de Linduarte Noronha, que ele considerava um marco do documentário nacional, Glauber capta o contraste entre a exuberância da selva, dos rios, das riquezas naturais e o marasmo econômico e o descaso social.

A primeira imagem é a imagem do título com a palavra Amazonas fragmentada. Em seguida, o documentário tem início com imagens aéreas grandiosas: a imensa floresta, o encontro das águas, enquanto vão sendo declamadas as palavras do conquistador Francisco de Orellana:

O Negro encontra o Solimões. Duas águas desembocam numa só. Grandes águas; grande rio que descobri a 22 de junho de 1542 em missão do reino espanhol. Eu, Francisco de Orellana, enfrentei o desconhecido, dei combate a índios de longos cabelos que lembravam mulheres guerreiras de outras lendas. Vencidos os perigos, batizei a conquista: Amazonas! Amazonas!”

E a câmara vai aproximando, vê cachoeiras, o interior das matas, ouve o canto dos pássaros, até a música epopeica composta por Villa-Lobos dar lugar ao som de uma charamela; distante, homens em uma canoa; mais próximos, amolando os machados, e a narrativa muda.

O Amazonas que conhecemos é outro. O Amazonas de hoje, maior estado do Brasil, onde o homem já fixou suas raízes e luta para desenvolver sua civilização, onde o homem, transformando árvores em casas, busca uma cultura a partir de suas visões especiais do meio.”

Como se, num estudo, Glauber fosse percebendo o material que está diante de si, até poder falar com essa gente. A entrevista com o trabalhador é uma demonstração da mobilidade e luta, tentativas do povo amazonense, autóctone e migrante, pela sobrevivência.

É verdade que muito pouco se vê em Amazonas, Amazonas da consistência cinematográfica do cineasta, mas ele é um documento fundamental do sufocante período entre o segundo surto da borracha durante a Segunda Guerra e a implantação da Zona Franca de Manaus em 1968, quando o Amazonas era uma região maldita com um passado faustoso. “Mas enquanto se pensa no futuro, a realidade do presente faz pensar no mais remoto passado.” Por isso as imagens deixam os trabalhadores manuseando rusticamente o sernambi e saltam para o teto do Teatro Amazonas, templo maior, “onde os caudilhos fixaram suas leis homicidas”, e por isso, no dizer de Arthur Reis, fazendo do Amazonas “a região mais subdesenvolvida do país”. A partir daí a câmera irá documentar as formas mas rudimentares de agricultura, criação, a juta, a madeira, o guaraná e o incipiente comércio da cidade, os casarões centrais do chamado Centro Histórico carcomidos, os velhos ônibus, as poucas ruas asfaltadas, os serviços públicos inexistentes, etc.

PARABÉNS, MANAUS!

O OLHAR DE GLAUBER ROCHA SOBRE TUA TRISTEZA PERMANECE NO SEGUNDO MILÊNIO…

Mas, apesar disso, acreditamos, não somente por fazer um documentário encomendado como propaganda, mas observando com proximidade os trabalhadores e suas produções, Glauber Rocha via de maneira positiva as imensas possibilidades abertas ao povo amazonense.

Manaus à espera que o Amazonas seja incorporado ao Brasil, não como uma peça acessória, mas como agente de nosso processo econômico.”

Fotos: AFIN

Fotos: AFIN

Mas dois anos depois de ele lançar o documentário, foi instalado por decreto em Manaus mais um surto, este que predomina até hoje: a Zona Franca de Manaus. Incentivos fiscais e mão-de-obra barata como barganha para as multinacionais fazerem ponte-aérea das riquezas do estado.

Quase todos os interiores continuam economicamente semelhantes ao que o cineasta viu em suas andanças por Itacoatiara, Manacapuru, Parintins, etc. Pior, aquela “busca por uma cultura” que o cineasta pressentia acabou submetida pela indústria de turismo e marketing governamentais em manifestações artificiais mercadológicas, como o Boi-Bumbá, por exemplo.

Fotos: AFIN

Fotos: AFIN

Em Manaus, desde a ZFM, além do inchamento populacional, sem qualquer planejamento urbano, a população continua desassistida ou precariamente servida nos principais serviços públicos, como saneamento básico, saúde, educação, transporte, lazer, moradia, alimentação, etc.

Fotos: AFIN

Fotos: AFIN

Os prédios históricos, que aparecem abandonados, depauperados, foram restaurados no Centro Histórico, e lá governador e prefeito preparam suas peças de propaganda; mas toma um ônibus em direção à zona Leste, vai a uma escola na zona Norte, tenta vaga num hospital público… Vê as condições da morosa e desorganizada reforma do mercado Adolpho Lisboa. Mesmo em um momento propício da economia brasileira, com um governo federal preocupado com as modificações sociais necessárias, Manaus continua com seus caudilhos recentes. Aliás, caudilhos simplórios e impotentes, mas lucrando com um modelo econômico baseado na exploração capitalística e sempre a todo momento sob ameaça de que a aprovação de qualquer incentivo econômico a qualquer dos outros estados venha imediatamente promover a derrocada desse modelo artificial.

Fotos: AFIN

Fotos: AFIN

Mas é bom que sejam impotentes e artificiais, pois, assim como Glauber Rocha viu, mesmo sem nada que possa afirmar a imagética glauberiana, o imperceptível, a capacidade de um povo de não se deixar capturar, mesmo nas condições mais adversas, hoje também, em Manaus e provavelmente nos outros municípios do Amazonas, novas vozes, novas lutas, suas distintas e singulares trajetórias vão passando movimentos imperceptíveis e incapturáveis de resistência e criação, para além da miséria e da exploração.

Fotos: AFIN

Fotos: AFIN

A Amazonas das invasões europeias e o Amazonas moderno. O Amazonas de Glauber e o Amazonas pós-moderno. O Amazonas propagandeado e o Amazonas real. Não são dois Amazonas, mas diversos Amazonas. O que se percebe e é o que verdadeiramente importa do documentário de Glauber, e para além dele, é que há sempre um outro Amazonas. Amazonas, Amazonas.

Para baixar o documentário, clique Amazonas, Amazonas.

NÍVEL SUPERIOR OBRIGATÓRIO PARA EDUCAÇÃO INFANTIL

O projeto de lei da deputada Ângela Amim (PP) que obriga formação superior para professores da educação infantil, que inclui creche e pré-escola, e as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, foi votado e aprovado, ontem, pela Câmara dos Deputados. O projeto encontrava-se apensado a uma proposta do Executivo que estava com urgência constitucional. Agora ele segue para a apreciação do Senado em regime de urgência constitucional.

Nas determinações do projeto, somente nos locais onde for comprovado não haver profissionais com nível superior é que professores só com o nível médio poderão ser contratados para ministrar aulas na educação infantil e nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental.

POR FORA DE FUTEBOL

Por fora de futebol

“Eu entro em campo para ser feliz.” (Valdívia, craque chileno)

||||||||||||||||||||||||||||||Bola que não rola, cria limo! |||||||||||||||||||||||||||

Trave ######## BRASILEIRANÇA A B A B A A B B A B A

PALMEIRAS, O BAGAÇO!

Mesmo com Obina, Palmeiras segue a triste sina

Mesmo com Obina, Palmeiras segue a triste sina

Dizem que o bagaço da cana é tão importante quanto o suco. Pode ser verdade. O bagaço serve como matéria combustível. Mas para queimar precisa de energia. Fogo, por exemplo. Talvez aí esteja o dilema bagaceiro do Palmeiras: não tem fogo. Não tem energia para queimar. Bagaço por bagaço, não gera propulsão. O Palmeiras precisa de propulsão.

Como bagaço, chupado em três partidas, o Periquito entrou no estádio petista Bruno Daniel, para enfrentar o operário na zona fria do rebaixamento. O periquito queria voar. Se afastar da ameaça dos inimigos logo atrás de si. Mas esqueceu que o operário queria ir ao paraíso. Não deu outra. Em ritmo de bagaceira, sem concatenação de jogada, sem combinação coletiva e, acima de tudo, ousadia e criatividade, o Periquito sentiu a força de produção do operário em duas dendecadas amadas pelo mesmo Nunes. Duas dendecadas, coisa de Pet. Os outros já tocam em suas penas. Dependendo dos jogos de sábado e domingo, o Periquito pode ou não se ouriçar. Ou melhor, se depenar. Mas Muricy promete evolução no elenco. Para ele não há crise, como pretendem certos jornalistas. Muricy, não quer que o tempo se transforme em tempo de murici que cada um cuida de si. Muricy, quer confiança, desempenho de seus comandados. Que tenham mais atenção nas partidas para não permitir facilidade aos adversários. Tudo que Muricy quer. Mas não será que nas quatros partidas anteriores, em que o Periquito tomou três carraspanas e um sabacu, ele já não queria tudo isso de seu time? Periquitos esperam que não.

Coisa de vascaínos. Estes cruzmaltinos, convictos que já se encontram na primeirona, andam tirando sarro das Urubuzudas. Falam que depois da vitória do Santo André sobre o Periquito, ficou provado que o Mengão não está com a bola toda que acredita está. É o Palmeiras que é um bagaço, e ninguém respeita ele. Responde Pet.

Trave /////////////// SUDAMERICANA

Fogão foi ao Paraguai enfrentar o Cerro, muito confiante para fazer bonito se preparando para enfrentar o Mengão no começo da semana, ganhar e se afastar da zona friamente arrepiante do rebaixamento. Mas qual o quê. Em uma partida em que os braços e mãos deram a nota do placar, tomou duas dendecadas e fez só uma. Perdeu. E o pior. Enquanto perdia descia ao frio arrepiante da desclassificação. A vitória do Santo André sobre os bagaceiros elevou os operários para a confiança no paraíso, e empurrou o Fogão ao limbo do Brasileirança.

Mas há uma esperança para o Fogão. Como o Fogão é fogo, e a zona é fria, é possível que ele esquente a zona secando o frio e escape. Só que os outros três também saem do frio.

Na outra partida, jogando em casa, o River, do Uruguai, não fez vazar água para sua necessidade futebolística. Levou uma dendecada do São Lourenço, da Argentina, do técnico “tranqüilo”, Simeone.

Hoje é a vez do Flusão pegar a Universidade do Chile. Quem ver verá.

,,,,,,,,,,,,,,,Você é jogador e violeiro? Certo. Como você consegue conciliar as duas atividades? Eu jogo por música.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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